zx_leon Leonardo Marques

A ganância humana causou consequências trágicas e irreversiveis a todas as espécies terrestres. Com o passar dos anos, todas as "pequenas" ações feitas pelo homem acabaram por trazer o fim do planeta Terra, o que tornou necessária a criação de uma estação espacial com espaço o suficiente para manter a raça humana viva. No entanto, após a descoberta de uma enorme fonte de energia vinda das estrelas, os seres humanos começaram a explorar essa energia, mais uma vez usando os recursos que a ciência e a natureza os oferecia. Agora, quando as últimas estrelas do céu estão se apagando, o fim se aproxima rapidamente. É apenas nesse momento, quando não se podia fazer nada mais para salvar a humanidade, que Jensen, um jovem com câncer em estado avançado, descobriu o que realmente significava ser feliz.


Cuento Todo público.

#romance #drama #ficção #apocalipse #381 #ficção-cientifica #fim-do-mundo
Cuento corto
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Fim

"Se realmente existisse, Deus já teria destruído o mundo."

Mario Silva Brito

Estação Espacial Apex
21 de março de 3254

Jensen tossiu. A doença estava se espalhando cada vez mais rápido pelo seu organismo. Os tumores cresciam rapidamente e a dor só aumentava. Ele morreria logo, mas não importava. O mundo acabaria antes disso.

Jensen é apenas um jovem no ano de 3254. É claro que, naquele momento específico, a Terra já não era mais um lugar para se viver. A raça humana a havia destruido. Aquele planeta que, por milênios, havia servido como um lar, estava agora completamente destruído e sem vida. Não havia mais nada naquele lugar exceto a atmosfera totalmente poluída e os secos oceanos, outrora tão cheios de vida, agora resumidos a um longo mar de areia e pedras.

Em uma última tentativa de salvar a raça humana, um grupo de cientistas montou uma enorme estação espacial chamada apenas de "Savior", mas foi apenas em 2358 quando a estação foi finalmente inaugurada. A Terra já estava em um estado deplorável, com recursos minimos e com um intenso calor que cobria toda a costa. A notícia correu rápido e, quase que instantaneamente, milhares de pessoas correram para os governos de seus países. Todos queriam sair daquela terra que já não era mais um lugar seguro.

A própria organização das nações unidas havia assumido que, naquele momento, não seria bom que todos fossem à Savior. Era uma estação espacial recém inaugurada. Demoraria muito tempo até que as formas de alimentação gerassem resultados. Se toda a população restante, os dois bilhões de sobreviventes, fossem enviados, a comida acabaria rapido. Todos morreriam antes que pudessem se sustentar.

Foi pensando nisso que a ONU e a AICA, a agência internacional de ciência e astrounáutica, definiram o protocolo de escolha. Apenas uma parte da sociedade foi selecionada. A estação, mesmo sendo tão grande, jamais abrigaria todas aquelas pessoas. A decisão foi tomada.

Crianças, idosos, deficientes... Todas as pessoas que não pudessem contribuir com a manutenção e desenvolvimento da estação espacial... Seriam deixadas para morrer. Apenas vinte mil pessoas foram selecionadas para ir à Savior, com o argumento de que, caso as estufas passassem a gerar resultado em tempo, voltariam para buscar o restante. O problema é que eles sabiam que aquelas pessoas não sobreviveriam... E foi o que aconteceu. O alimento acabou e os que ficaram na Terra aos poucos morreram, um à um. Alguns para doenças, outros para a fome... Mas no fim, todos morreram.

O tempo passou. A energia se tornava escassa, e foi então que um grupo de cientistas fez uma descoberta incrivel. Após diversas pesquisas e experimentos, a raça humana, tola e inocente, descobriu algo que mudaria — e mudou — para sempre os conceitos de tecnologia e geração de energia. A tecnologia humana avançou séculos no futuro. A partir daquele momento, eles foram capazes de conquistas que jamais imaginaram conquistar. A humanidade seguiu por um outro viés a partir daquele momento. Um viés de progressão constante.

A descoberta foi feita um milênio antes do fim. As estrelas, grandes e brilhantes como diamantes espalhados pelo espaço, possuíam um tipo de fluido excelente para a geração de energia utilizável. Tanto o calor como os compostos daquela matéria eram extremamente eficazes para alimentar circuitos elétricos. No momento da descoberta, foi dado inicio a uma imensa operação focada na criação de algo capaz de extrair e manipular aquele material. Foi então que surgiu a MREE, a "Maquina de retransmissão de energia estelar". Era uma maquina complexa e cara, mas com a descoberta daquela energia, valeu o custo. Isso, ao menos, era no que eles acreditavam. A MREE era um composto maquinário gigantesco. Três naves remotas, revestidas com inúmeras camadas de um material isolante descoberto com a exploração em planetas como o XB-3 ou YA-5, extremamente necessário para que as aeronaves suportassem o calor, eram atiradas em direção às estrelas sem qualquer tipo de tripulantes, carregando consigo uma imensa "gaiola" até elas e que, ao isolar as estrelas, conseguiam manipular totalmente a energia gerada. O problema... É que aquela energia acabaria um dia. Com o passar do tempo, as estrelas foram diminuindo. Algumas começaram a desaparecer, e foi então que eles perceberam o problema em que tinham se enfiado. O tempo passou e aqueles corpos celestes foram diminuindo mais e mais, e então, chegamos nesse momento específico, onde Jensen anda pelos longos corredores da estação Savior, assistindo com dor e angustia ao fim.

A dor que crescia em seu pulmão era intensa, excruciante. Ele podia sentir os tumores se expandindo lentamente dentro de sí. Cada um deles consumia sua energia vital, chegando ao ponto de tornar a vida insuportável para o rapaz.

Jensen tinha, naquele momento, dezesseis anos. Ele era jovem. Tinha toda uma vida pela frente. Alguns poderiam dizer que a doença o impediria de viver, mas... A verdade é que os outros homens tiraram dele essa vida, e não a doença.


Jensen arrastava seus pés pelos gelidos pisos metálicos da estação, enfrentando o profundo e melancólico silêncio. Já haviam se passado longos dias desde que a estação tinha ficado daquela maneira. Desde que avisaram que as estrelas, a grande fonte de energia, a descoberta inacreditavel, estavam acabando. as pessoas se desesperaram. Não conseguiam aceitar que elas haviam se guiado ao seu próprio fim, mas agora, dez dias depois, as pessoas haviam simplesmente desistido e aceitaram que não havia mais o que fazer.

Algumas se suicidaram. Outras apenas se enfiaram em seus quartos e se recusaram a sair. O silêncio, naquele momento obscuros da jornada humana, prevalecia.

Foi andando por aqueles profundos e tristes corredores que Jensen ouviu a rouca tosse vindo de um dos quartos. Curioso, ele entrou. Sabia que era falta de educação entrar sem bater, mas entrou mesmo assim. Talvez fosse alguém doente, assim como ele, e que precisasse de ajuda... Ele decidiu entrar, e foi lá que viu as últimas pessoas com quem conversaria na sua vida.


— Olá? — Ele disse, a voz também rouca devido à sua doença, enquanto entrava no quarto.

Era um quarto comum. Uma cama no lado direito, encostada na parede. Uma escrivaninha com alguns livros já empoeirados ao lado da cama, ocupando um pouco do espaço. Do outro lado do quarto, sentada em uma cadeira e encarando o céu vazio e sombrio, Jensen viu uma mulher. Uma idosa, na verdade. Era apenas estranho como ele nunca havia visto ela por aqueles corredores.

— Ah... Olá, filho. — Disse a velha senhora, enquanto tossia mais uma vez. Em uma porta logo ao lado dela, uma garota de quatorze ou quinze anos se aproximava com um copo de água. Ela levou o copo aos lábios da senhora, sem sequer notar a presença de Jensen no quarto.

Ele assistiu àquela cena quieto. Era uma paz estranha... Algo que ele não sentia há muito tempo.

— Com quem você está... — A garota ia perguntar, mas logo viu o rapaz, deixando escapar um leve sorriso ao ver um rosto que não fosse o de sua avó —Olá!

Elas pareciam até mesmo felizes. Não pareciam sequer se importar com o fim... Era estranho, porém trazia uma certa paz...

— O que veio fazer aqui, garoto? — A senhora perguntou, mas logo se corrigiu. — Ora, que educação a minha... Meu nome é Maira. A garota se chama Elise.

Elise sorriu enquanto olhava Jensen de cima à baixo tentando reconhecer o rosto, sem muito sucesso.

— Meu nome é Jensen. Eu estava andando sem rumo quando ouvi alguém tossir. Decidi verificar.

— Ah, eu ouvi falar de você... Diziam que você era uma das pessoas mais entusiasmadas do grupo D! — Elise se animou. Jensen realmente sempre foi um garoto animado, sorridente. Agora, no entanto, as circunstâncias eram outras.

— Sim. — Ele disse, mostrando um falso e quase automático sorriso antes de assentir com a cabeça. Uma tristeza característica se destacava naquele sorriso, e aquilo era perceptível.

— E então, Jensen, o que veio fazer aqui? Gosto da visita, mas... Ninguém se importa com uma velha senhora há muito tempo. — Maira comentou, sua voz mais nítida após o copo de água.

— Como eu disse, eu ouvi a tosse... Então vim. O silêncio lá fora... É angustiante. Eu precisava ouvir a voz de alguém.

— Bem, agora você tem duas pessoas pra conversar! — Elise disse, sentando-se no chão ao lado de Jensen e puxando-o pela mão, quase que o obrigando a sentar.

Maira sorriu, procurando Jensen com as mãos. Foi apenas nesse momento que ele notou que a velha senhora era cega. Ele estendeu a mão para que ela o tocasse e o sentisse, e ela então sorriu.

— Jensen... Sua voz parece triste. Você está preocupado com as estrelas? — A senhora perguntou. Era normal se preocupar com as estrelas naquele momento. Elas eram a única fonte restante. Se elas parassem de gerar energia, o oxigênio não seria distribuído pela Savior. Todos iriam morrer. Mas não era isso que o abalava.

— Eu... Eu não estou triste por causa disso.

— Por que está então?

— Eu... Eu tenho câncer... Estágio terminal. Eu morreria de qualquer jeito. Mas mesmo assim, isso tudo é... Ruim. Angustiante.

Elise colocou a mão na boca quando ouviu aquelas palavras, uma única suave e brilhante lágrima formou-se em seu olho direito e escorreu por sua bochecha. A garota sentia-se triste por ouvir aquilo. Sempre se importava demais com as pessoas. Mesmo sem o conhecer, lamentava por ele.

Maira queria dizer algo para acalmar o coração do jovem, mas mesmo com tanta experiência, ela ainda não havia descoberto como falar com pessoas doentes.

Lágrimas desceram pelo rosto de Jensen, uma após a outra, e ele apenas as deixava fluírem quietamente. Elise abraçou o garoto. Ele sentiu, por um instante, uma leve chama de felicidade. Talvez fosse a alegria de se sentir querido para alguém.

Elise beijou a bochecha do rapaz, sorrindo e segurando as suas próprias lágrimas. A garota tinha essa mania de sentir-se triste pelos outros, e isso não mudaria nunca.

— Bem, pense pelo lado bom. Você tem duas pessoas para conversar agora! - A garota argumentou, tentando alegra-lo — Não vai passar seus últimos dias sozinho. Nenhum de nós vai...

— É, acho que sim... — Jensen disse e sorriu pelo canto da boca, olhando para Maira.

— Sabe... Já existiu um tempo em que as pessoas eram felizes de verdade. Nós apenas não sabíamos. — A senhora disse enquanto lembrava das histórias que seu bisavô contava a ela. A verdade é que apenas queria acabar com o clima estranho no quarto.

— Mas... Que tempos eram esses? Nós somos... Éramos felizes, antes das estrelas acabarem.

— Não, não, digo... Éramos mais felizes. Muito mais.

Elise sorriu e olhou para Maira. Ela amava ouvir aquelas histórias. Daquela vez, no entanto, ela tinha companhia. Elise deitou-se no colo de Jensen, quase como se já houvessem intimidade suficiente. No fim das contas, ela simplesmente não se importava. Sentia-se bem ali. Estava entre amigos, não estava?

— Foi há muito tempo atrás... Mais de mil anos, quando nós ainda tínhamos a terra.

— Mas... Sempre me disseram que a terra era um lugar imundo.

— Isso foi uma história que inventaram, só para as pessoas não se sentirem tão tristes de nunca terem ido à terra. Na verdade, a terra era um lugar lindo. Ela se tornou imunda aos poucos, quando a nossa raça começou a destruir aquele lugar...

Elise mexia no pequeno relógio em seu pulso, e logo achou as fotos da Terra. Retratos antigos escondidos por gerações entre a familia dela; As imagens de projetaram do aparelho, como em um holograma, e Jensen sorriu ao vê-las. Era um lugar perfeito.

— Nós tínhamos cachoeiras, rios, lagos... Digo, reais, não os artificiais. Os cheiros... Tudo era tão perfeito. A Terra era um lugar de paz. Mas então o homem aconteceu... O homem, Jensen... O homem. Os humanos destruíram a Terra. Eles queriam dinheiro, queriam energia, e não se importaram nem um pouco com a Terra. Primeiro, a água acabou... Depois, a comida... Os animais começaram a morrer... O ciclo está se repetindo, Jensen. O ser humano... É uma raça repugnante. Não se importam com o futuro... Apenas com si próprios.

Uma pequena lágrima se formava no olho de Mara enquanto ela imaginava a Terra. Naquele momento, Jensen se deu conta de como adoraria conhecer aquele lugar.

— E por que mentiram para todos nós?

— Talvez não haja um motivo... Ou talvez apenas quisessem que pensássemos que a Savior era perfeita, mas não faz diferença.

— E por que está me contando isso?

— Eu não sei, Jensen... Acho que só queria te dar um pensamento feliz antes do fim do dia. — Maira sorriu, fazendo um gesto para que Elise o levasse até a saída, e logo voltou a falar. — E obrigado, Jensen. Foi bom ter outra pessoa para conversar. A Elise é uma chata.

Elise sorriu e se levantou. Ela ainda segurava as lágrimas enquanto levava Jensen até o lado de fora. Dessa vez, no entanto, não era pela doença do garoto. Era por outra doença...

— Jensen... — Elise começou a falar quando finalmente chegaram aos corredores. — Você se importaria de vir até esse quarto antes de... Você sabe... Do oxigênio acabar?

— Não, não me incomodo. Por que?

— É que... Minha avó... Ela vai morrer. Talvez pareça um pedido egoísta, mas eu não quero passar os últimos momentos da vida sozinha. Isso tudo já é triste o bastante...

Jensen, agora triste ao saber que Maira morreria, suspirou, mas fez que sim com a cabeça.

— Obrigada... Obrigada mesmo. — Elise disse, antes de abraçá-lo.

Então, encarando a triste solidão e o melancólico silêncio, Jensen voltou à andar por aqueles corredores.


Alguns dias se passaram. Todos os dias, Jensen olhava pelos painéis de vidro. Sua dor crescia e ele sequer tinha alguma noção do tempo. Apenas sabia que, em um daqueles dias, a notícia de que Maira havia morrido chegou por aqueles grandes megafones nas paredes da estação. Ele sentia que deveria ter ido confortar Elise, mas não conseguia sequer se levantar.

Ao lado da cama estavam as pílulas. Ele iria morrer de qualquer forma... Apenas agilizaria o processo.

O rapaz levantou, com dor, e viu por aquele enorme painél de vidro que a última estrela do céu estava diminuindo cada vez mais.

Ele enfiou o frasco com as pílulas dentro do bolso da jaqueta e saiu pelos corredores, andando em passos longos até chegar ao quarto de Elise, como havia prometido. A dor já estava praticamente insuportável.

Ele entrou devagar, fechando a porta atrás de si, e viu Elise sentada em uma cadeira, de frente para a janela. Assim como Maira, ela assistia a estrela sumir lentamente. Sequer notou a presença de Jensen.

Ele se aproximou devagar, colocando uma mão no ombro de Elise, e então notou que a garota chorava quietamente.

— J-Jensen?! - Ela se assustou, mas logo limpou as lágrimas e sorriu — Você veio!

— Eu prometi, não prometi?

Jensen sentou-se no chão ao lado dela, brincando com o anel negro que tinha no anelar, e a garota se sentou no chão também.

— Essa cena... Chega a ser poética. — Elise disse, sorrindo. Ela assistia o fim do mundo com uma alegria estranha. Jensen, no entanto, não podia discordar. — "Até a última estrela apagar, quero estar com você...

— Isso... É uma música, não é?

A garota corou ao perceber o que havia dito e não disse nada mais. Apenas segurou-se ao braço de Jensen, deitou a cabeça em seu ombro e sorriu. No horizonte, aquela última estrela se apagava lentamente.


— Jensen...?

Elise quebrou aquele silêncio após alguns minutos. Olhou para o rapaz, uma certa tristeza se destacando em seus olhos.

— Oi? — Ele perguntou, virando-se para Elise e sendo pego de surpresa.

A garota olhou para ele e, sem pensar, se inclinou, deixando que seus lábios fossem de encontro aos dele. Ela depositou um leve beijo na boca de Jensen, sorrindo de leve antes de olhar novamente para o céu.

— Obrigado por fazer o fim parecer menos... Trágico.

Jensen ficou surpreso com aquela ação, porém sorriu. Foi então que a garota, com o rosto vermelho, fechou os olhos. Em minutos, já dormia, roncando baixinho.

Jensen levantou-se, segurando a garota nos braços, e a deitou na cama antes de sair do quarto. Nos longos corredores, centenas de pessoas assistiam à cena. Realmente, Elise estava certa...


Aquilo parecia poético.


Algumas pessoas choravam. Outras sorriam ao lado de seus amados e amadas. Crianças se abraçavam aos pais. Todos assistiam à cena...

Jensen andou entre aquelas pessoas, apenas para ver o fim chegar, e não demorou muito. Logo a última estrela, distante no horizonte, se apagou.

Jensen suspirou. Todas aquelas pessoas... Todas elas choraram ou ficaram apenas paralisadas, apavoradas.

Jensen, porém, andou. Ele andou, ignorando a dor e a tristeza, e entrou outra vez no quarto de Elise. O que ele sentia por aquela garota... Era estranho. Ele não a conhecia. Ele sequer sabia seu nome completo, mas ele se sentia feliz perto dela.

Ele fechou e trancou a porta do quarto. A garota não havia se movido. Estava parada na cama.

Jensen olhou mais uma vez para o espaço, agora sombrio, e fechou as cortinas. Ele andou até a cozinha e encheu um copo com água. De seu bolso, puxou o frasco de pílulas. Jensen enfiou todas as pílulas na boca e bebeu a água para que descessem por sua garganta.

Ele deixou o frasco em cima da pia, assim como o copo, antes de voltar e sentar-se ao lado de Elise. O rapaz tirou o cabelo ruivo do rosto da garota, sorrindo. Ela, de fato, era linda. Ele não podia negar isso

Jensen deitou-se ao lado dela na cama e beijou os lábios da garota, que sequer se mexeu, antes de olhar para o teto.

No teto, as imagens da Terra que uma vez foi um lar estavam sendo projetadas... A última coisa que ele viria. Jensen fechou os olhos, sentindo os lábios de Elise tocarem os seus outra vez logo em seguida.

— Obrigada. Você fez os últimos momentos serem... Felizes.

Jensen sorriu com aquelas doces e gentis palavras e continuou com os olhos fechados, apenas sentindo Elise deitar-se em cima dele. Sua respiração tornou-se mais pesada. Seu corpo estava ficando dormente. Talvez fossem os efeitos das pilulas. Dos microfones, a voz dos administradores da estação ecoaram pela estação.

— O fim chegou. A última estrela acaba de apagar por completo. Pedimos desculpas por termos chegado à esse ponto. O fim, amigos, chegou.

Então, naquele instante, o quarto foi tomado por um silêncio absoluto.

Foi naquele momento, ouvindo aquelas palavras e sentindo a leve respiração de Elise em seu pescoço, Jensen percebeu algo...


O fim do mundo, de alguma forma, foi um final feliz.

19 de Agosto de 2020 a las 21:38 0 Reporte Insertar Seguir historia
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Fin

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Leonardo Marques .ℓ'αмοяє ραѕѕα ιℓ τємρο. ιℓ τємρο ραѕѕα ℓ'αмοяє.     ꦿ⃟⃘꠨⃘⃟⃘꠨⃘⃟🌑꠨⃘⃟꠨⃘⃟❍ꦿ Lᴇᴏɴ Mᴀʀϙᴜᴇs Sᴇᴠᴇɴᴛᴇᴇɴ Wɪɴᴛᴇʀs Esᴛᴜᴅᴀɴᴛᴇ ᴅᴇ ᴀʀϙᴜɪᴛᴇᴛᴜʀᴀ Sᴏʟᴛᴇɪʀᴏ (Nᴀ̃ᴏ ϙᴜᴇ sᴇᴊᴀ ɪᴍᴘᴏʀᴛᴀɴᴛᴇ) sᴀʟᴠᴀᴅᴏʀ, ʙᴀʜɪᴀ ᴇsᴄʀɪᴛᴏʀ ᴛᴀᴍʙᴇ́ᴍ ɴᴏ ᴡᴀᴛᴛᴘᴀᴅ     ꦿ⃟⃘꠨⃘⃟⃘꠨⃘⃟🌑꠨⃘⃟꠨⃘⃟❍ꦿ ᴇsᴄʀɪᴛᴏʀ ᴅᴇ ʀᴏᴍᴀɴᴄᴇs, ᴅʀᴀᴍᴀs ᴇ ғᴀɴᴛᴀsɪᴀs (ᴇᴍʙᴏʀᴀ ᴘᴏʀ ᴠᴇᴢᴇs ᴇᴜ ᴍᴇ ᴀʀʀɪsϙᴜᴇ ᴇᴍ ᴏᴜᴛʀᴏs ɢᴇ̂ɴᴇʀᴏs ʟɪᴛᴇʀᴀ́ʀɪᴏs) ʟᴇɪᴛᴏʀ ᴀ́ᴠɪᴅᴏ ᴅᴇ ᴄᴏɴᴛᴏs ᴇ ᴅᴇ ғɪᴄᴄ̧ᴀ̃ᴏ ᴄɪᴇɴᴛɪ́ғɪᴄᴀ ᴏᴜ ʜɪsᴛᴏ́ʀɪᴄᴀ. ɢʀᴀɴᴅᴇ ᴀᴅᴍɪʀᴀᴅᴏʀ ᴅᴀ ᴍᴜ́sɪᴄᴀ ᴄʟᴀ́ssɪᴄᴀ (ᴇ ᴘᴏʀ ϙᴜᴀʟϙᴜᴇʀ ᴄᴏɪsᴀ ϙᴜᴇ ᴛᴇɴʜᴀ ᴜᴍ ᴘɪᴀɴᴏ ᴏᴜ ᴠɪᴏʟɪɴᴏ) ᴀ ᴠᴇʀᴅᴀᴅᴇ ᴇ́: ᴇᴜ ɴᴀ̃ᴏ sᴏᴜ ɴᴀᴅᴀ ᴀʟᴇ́ᴍ ᴅᴇ ᴀʟɢᴜᴇ́ᴍ ᴄᴏᴍ ᴍᴜɪᴛᴏ ᴛᴇᴍᴘᴏ ʟɪᴠʀᴇ.     ꦿ⃟⃘꠨⃘⃟⃘꠨⃘⃟🌑꠨⃘⃟꠨⃘⃟❍ꦿ ᴛᴇɴʜᴏ ᴜᴍ ᴄᴇʀᴛᴏ ғᴀsᴄɪ́ɴɪᴏ ᴘᴇʟᴀ ᴇsᴄᴜʀɪᴅᴀ̃ᴏ ᴇ ᴄᴀᴏs. sᴇᴍᴘʀᴇ ᴘʀᴇғᴇʀɪ ᴏs ᴠɪʟᴏ̃ᴇs (ᴏs ᴄᴏᴍ ʙᴏɴs ᴍᴏᴛɪᴠᴏs, ᴏ́ʙᴠɪᴏ, ᴇ ʙᴇᴍ ᴛʀᴀʙᴀʟʜᴀᴅᴏs) ᴇᴍ ᴠᴇᴢ ᴅᴏs ʜᴇʀᴏ́ɪs. ᴀ ᴇsᴄᴜʀɪᴅᴀ̃ᴏ ᴘᴏʀ sɪ sᴏ́ ᴊᴀ́ ᴇ́ ᴜᴍ ᴛᴇᴍᴀ ϙᴜᴇ ᴇᴜ ᴀᴅᴏʀᴇ ᴅɪsᴄᴏʀʀᴇʀ, ᴊᴀ́ ϙᴜᴇ ᴛᴇᴍ ᴜᴍ ᴄᴀʀᴀ́ᴛᴇʀ ᴛᴀɴᴛᴏ ғɪ́sɪᴄᴏ ϙᴜᴀɴᴛᴏ ᴇsᴘɪʀɪᴛᴜᴀʟ ɪɴᴛᴇʀᴇssᴀɴᴛᴇ. ᴇᴍ ᴍɪɴʜᴀs ᴏʙʀᴀs, ᴛᴇɴᴛᴏ ϙᴜᴀsᴇ sᴇᴍᴘʀᴇ ɢᴇʀᴀʀ ᴇɴᴛʀᴇᴛᴇɴɪᴍᴇɴᴛᴏ ᴀᴛʀᴀᴠᴇ́s ᴅᴀ ᴅʀᴀᴍᴀᴛɪᴢᴀᴄ̧ᴀ̃ᴏ ᴇ ᴅᴇsᴇɴᴠᴏʟᴠɪᴍᴇɴᴛᴏ ᴅᴇ ᴘᴇʀsᴏɴᴀɢᴇɴs, sᴇᴊᴀᴍ ᴇʟᴇs ᴍᴏᴄɪɴʜᴏs, ᴠɪʟᴏ̃ᴇs ᴏᴜ ᴍᴇʀᴀᴍᴇɴᴛᴇ ғɪɢᴜʀᴀɴᴛᴇs. ᴛᴀᴍʙᴇ́ᴍ ᴅᴇᴠᴏ ᴄᴏɴғᴇssᴀʀ ϙᴜᴇ ᴛᴇɴʜᴏ ᴠᴀ́ʀɪᴀs ᴇ ᴠᴀ́ʀɪᴀs ᴏʙʀᴀs ɢᴜᴀʀᴅᴀᴅᴀs ϙᴜᴇ ᴇᴜ ᴘʀᴇᴛᴇɴᴅᴏ ɪɴɪᴄɪᴀʀ ᴀʟɢᴜᴍ ᴅɪᴀ, ᴍᴀs ᴀᴛᴇ́ ʟᴀ́, sᴇ ᴅɪᴠɪʀᴛᴀᴍ ᴄᴏᴍ ᴏ ϙᴜᴇ ᴊᴀ́ ᴘᴏsᴛᴇɪ.      ꦿ⃟⃘꠨⃘⃟⃘꠨⃘⃟🌑꠨⃘⃟꠨⃘⃟❍ꦿ αѕѕ: ℓєοи мαяգυєѕ

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