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Park Chanyeol é um jovem duende. Leva uma vida simples em Terra Bela, desfruta da companhia de sua fadinha de estimação e tem um grande amor por um elfo de nome Nybu Hubobo. Quando Hubobo é levado por um grupo de gêmeos curiosamente semelhantes ao próprio elfo, Chanyeol descobre os segredos por trás de uma linhagem prateada e se dispõe a buscar a ajuda de Byun Baekhyun, um híbrido de elfo e humano capaz de libertar Nybu das garras de um líder maléfico.


Fanfiction Bandas/Cantantes No para niños menores de 13.

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Prólogo


Prólogo:

O Desaparecimento de Nybu Hubobo

Desde o início dos tempos, criaturas fantásticas e humanos viviam em conjunto. Tal harmonia fora interrompida quando, durante o período feudal, estes seres foram demonizados pela Igreja Católica e sua perseguição se tornara mais árdua e violenta com o surgimento do Santo Ofício. Devido à desagradável situação, fora então estabelecido um pacto entre as criaturas para promover a paz entre espécies, visando um bem maior — a segurança destes seres — levando à criação da Associació d'Espuri ("Associação dos Espúrios" em Catalão, língua falada em Andorra, local onde o trato foi selado; Espúrios, bastardos, foram os pronomes designados pelos mundanos aos seres, que assim eram chamados, durante séculos de convivência, estes que foram descobertos por suas artimanhas sobre-humanas. O grupo — de maioria elfos de espectro revolucionário, pesquisadores e ativos politicamente, organizando um sistema igualitário para as criaturas — encontrara uma zona parcialmente inabitada entre a Península Ibérica e o norte do continente da África, no Mar de Alborão, que era capaz de ser vista, quase que vagamente, pelo destemido ser que ousasse alcançar o pico da maior montanha da Espanha, Mulhacém, em Granada.

Sete meses, então, foram necessários para contatar via pombo-falante (pombo-falante: uma espécie modificada de pombo-correio, este que era enfeitiçado para proferir roboticamente uma mensagem ao passá-la do emissor ao receptor) as criaturas dos arredores registradas no Grande Acervo dos Espúrios, um enorme livro de registros dos mais diversos seres fantásticos nascidos nos último setenta anos — idade em que tal livro começou a ser usado. Em mais quatro, somado ao outro período, portos para o transporte foram construídos, bens foram reunidos e famílias foram realocadas. O ilhéu rapidamente foi erguido como uma terra independente com a ajuda de um grande exército voluntário de orcs e Rapk Huso, um elfo poderoso e puritano que tomara frente no plano de colonização, foi posto no topo da hierarquia, e é até então rei do lugar, que foi nomeado pelo mesmo, Terra Bela.

A relação entre os espúrios e os seres humanos foi, então, de imensurável distância. A existência de tais criaturas foi reduzida à lendas, folclore, superstições e mitologias, embora relatos fossem frequentes na terra humana. Um deles em específico ameaçou a integridade de Terra Bela: um Bispo-do-Mar (ou Peixe-Bispo), uma criatura originária do ilhéu, criada pelos conhecimentos místicos do Ancião, era um ser bípede com escamas e a barbatana semelhante a uma grande túnica e um símbolo de cruz no dorso. Este foi capturado na costa alemã e morreu tragicamente ao recusar-se a comer os alimentos que foram-lhe oferecidos pelo seu captor. O exército alemão, então, fez uma expedição à procura de um resquício de terra desconhecida, de ares estranhos e criaturas peculiares. Não foi sucedida, pois, por acaso ou sorte, os navios tomaram a rota errada.

Pela rota errada, também, muitos humanos acabaram por acidentalmente içar suas velas em direção do ilhéu. Poderes foram necessários para modificar as memórias destes mundanos e foi ordenado por Rapk Huso que um feitiço fosse assim lançado sobre Terra Bela: uma redoma mágica protege desde então o reino dos olhares mundanos, que não podem avistá-los ao longe.

O Ancião, criador do Peixe-Bispo, foi responsável também pela criação de todos os outros seres fantásticos habitantes dos arredores do mundo. Este, com seus longos cabelos loiros, olhos azuis, roupas largas de cores extravagantes e grandes jóias em seus dedos e pescoço, é uma divindade que surgiu através da queima de combustíveis no processo de formação do Planeta. Por ser um criador, e somente um criador, deu vida a diversas espécies místicas, tomou a forma humana, e, junto a essas, foi capaz de evoluir em sociedade junto aos mundanos primatas. Presenciou a criação de armas através das lascas de pedras, o surgimento da agricultura e a domesticação de animais. Espelhou a evolução humana em suas criaturas, as quais amou incondicionalmente por toda a eternidade.

Mas uma criação em específico foi amada mais que as suas semelhantes: Byun Baekhyun, um humano de pureza sobrenatural. Este foi criado em meio à uma epidemia avassaladora entre os elfos e gnomos, onde um vírus fatal tornou por quase extinta a existência de ambas as espécies. Baekhyun, bípede de trejeitos élficos, possuía consigo uma poderosa artimanha de cura na palma da mão. Junto à criatura, gerou também uma linhagem de elfos idênticos que se estenderia por toda uma eternidade: a virada entre um período de duas décadas seria marcada pelo concebimento de um Byun de sangue prateado. Tal ato testou os limites fantásticos do Ancião, e, consequentemente, uma maldição caiu sobre estes seres — se não bem influenciados por um líder puro, uma morbidez crescente surgiria em seus peitos e as criaturas de sangue prata seriam tomadas por tamanha maldade e, com elas, poderes mortais seriam adquiridos pelos mesmos. O líder puro destinado a mostrar o bom caminho aos seus semelhantes seria o Byun Baekhyun original e este, por ser um humano, deve nascer na terra mundana a cada virada de século. Tal criação tornou fracos os poderes do Ancião, que mora, até então, em um lugar desconhecido pelos arredores da Europa em retiro para descanso.

E ali ao lado de Park Chanyeol, apoiado pelas mãos atrás das costas, as pernas esticadas e o rosto direcionado ao céu azul acima, estava Nybu Hubobo, um espúrio cuja linhagem prateada Byun corria-lhe as veias, fato que não era de ciência de Chanyeol. Ele era o elfo mais belo que o jovem já viu. Tinha madeixas castanhas e vermelhas curtas nas laterais, uma franja desgrenhada rente à sobrancelha igualmente avermelhada, e pontas longas no pescoço, formando um mullet sobre o rosto do elfo — olhos azuis como safiras, um sorriso que corria frequentemente pelos beiços bem desenhados com um piercing brilhante de prata no lábio inferior, este último que reluzia à luz do sol daquela tarde. Uma camisa preta lisa marcava seus peitos largos, dois cordões prateados caíam de seu pescoço até o dorso, seus jeans azuis eram colados às pernas, e um Nike Air Force protegia seus pés.

Chanyeol, um duende — alto e esguio, embora tal criatura seja representada no folclore humano como nanica — de orelhas avantajadas, tinha cabelos castanhos bem aparados, uma jaqueta larga jeans cobria sua camisa branca e, com seus grandes olhos pretos, admirava Hubobo com um sorriso genuíno. Quando Park sentiu uma picada no lóbulo de sua orelha, bateu desesperadamente, com uma das mãos, na criatura que poderia ser facilmente confundida com um besouro pelos olhos de um míope. Sehun, uma minúscula fada, com asinhas reluzentes nas costas semelhantes a de uma mosca, cabelos cinza desgrenhados, roupas brancas e bolinhas de algodão na ponta dos pés ( estes que deixavam um rastro de purpurina por onde voava), deu-lhe a língua em deboche quando chegou ao campo de visão de Chanyeol, na altura de seu nariz. Nybu, diante da cena, riu uma gargalhada gostosa.

— Deixe-o em paz, Segun — assim a fada fora apelidada pelo elfo, pois outrora, devido ao nervosismo do duende ao falar com Hubobo, acabou por apresentá-lo por este nome — Ele está apaixonado — mandou-lhe um beijinho pelo ar. Chanyeol conteu um sorriso e sentiu suas bochechas queimarem. Irritado com a fada que ria por detrás das mãos pequenas, deu-lhe um peteleco delicado em repreensão. Nybu gargalhou mais uma vez antes de puxar pela alça a mochila cinza para perto, ajeitando-se de pernas cruzadas e má postura sobre a grama cortada. — Trouxe algumas coisas para vocês.

O campo ao redor da grande mansão atrás deles era extenso, e a sombra abaixo de um velho olmo à esquerda desta propriedade era o lugar do trio. Park Chanyeol, trinta minutos antes, fazia questão de puxar Sehun pelas asas e enfiá-lo no bolso do casaco, contra a vontade da fada, e correr na direção da Universidade Municipal da Vila dos Olmos e dos Livres Bastardos — esta ficava entre a divisa de ambos os municípios — esperava que seu amado atravessasse as enormes e pesadas portas duplas junto a um enorme grupo de estudantes das mais diversas espécimes.

Lá, Nybu Hubobo recebia um treinamento árduo como estudante de Exploração Mundana, onde, após a graduação, teria de escolher entre duas funções: Resgatador ou Acumulador — a primeira consistia em resgatar criaturas fantásticas exploradas pelo vasto e sombrio mercado contrabandista humano, onde o próprio Sehun foi encontrado; à segunda, escolhida pelo elfo, é designada a função de recolher objetos mundanos para o estudo da evolução bio e tecnológica humana. Nybu, com seus dezoito anos (aproximadamente vinte e quatro na idade humana), sempre teve um interesse incomum pelo desconhecido mundo afora, pela mente humana e pelas suas maravilhosas obras arquitetônicas. Em sala de aula, objetos mundanos não passavam desapercebidos pelos olhos azuis de Hubobo, que sorrateiramente deslizava-os do birô de seu professor até a mochila cinza, ao fim da aula.

Hubobo puxou da bolsa um pequeno dispositivo preto e entregou a Chanyeol. O duende, por sua vez, franziu o cenho e analisou-o com as duas mãos: era um objeto retangular e pesado com a superfície lisa na parte de trás, exceto por uma lente redonda e preta no centro; na frente, botões repousavam sob uma pequena tela quadrada e uma antena se projetava da parte superior. Park, com a ponta do dedão, pressionou a tecla central e arregalou os olhos quando o objeto emitiu um som eletrônico. Sehun voou para trás do ombro do duende, com um susto curioso. Nokia, dizia a imagem que surgiu na tela (Caracteres Humanos era uma das primeiras disciplinas aprendidas na escola primária) acompanhado de uma melodia de cinco toques. Nybu se aproximou.

— O que é esta coisa? — os olhos estavam fixos no objeto.

— Um telemóvel com teclas — ditou com admiração — Ele une pessoas à distância, disse meu professor. Você pode falar comigo quando eu não estiver por perto — apertou o botão do centro, o que na telinha revelou uma grade de ícones. Um deles, o verde de nome Telefone, foi selecionado pelo elfo e mostrou-lhes o nome de Nybu Hubobo. — Pressione este botão mais uma vez e eu estarei na linha — quando o duende acenou com a cabeça e colocou o dedo em uma das teclas, Hubobo repreendeu-o, segurando as mãos dele — Use apenas quando preciso. Isto requer energia elétrica.

— 'Energia elétrica'? — perguntou, erguendo com curiosidade os olhos redondinhos em direção ao elfo.

— 'Energia elétrica' — repetiu, deslumbrante — É o que os humanos usam para iluminar as casas; nada à luz de velas ou sob feitiçaria, como aqui.

Chanyeol aquiesceu e guardou-o no bolso da calça. Hubobo enfiou a mão na mochila — esta estava abarrotada de livros e papéis — e, após grande dificuldade, puxou de dentro um objeto minúsculo, menor ainda que o dispositivo com teclas: uma tampa cilíndrica de metal. Nybu ofereceu a Sehun, que voou com hesitação em sua direção, pegou o objeto com as duas mãozinhas e olhou-o, com as sobrancelhas pretas e espessas franzidas sobre os olhos. Contra a luz do sol, no céu acima, a fada observou um pequeno buraco no fundo da tampa, pôs o olho direito na extremidade maior e observou ao longe usando o objeto como um binóculo. Sehun direcionou a tampa/binóculo até o rosto de Hubobo, onde apenas teve a visão de seu nariz gigante, sorria triunfante.

— Nós usamos bico de pena mergulhada em tinta de polvo enquanto, lá, usam uma engenhoca de plástico e metal. Isto é a tampa de uma caneta esferográfica — Sehun parecia impressionado. A purpurina que caía ao bater de suas asas era dourada e desvanecia ao ar, a cor era correspondente ao sentimento de amizade pelo amigo em sua frente. Hubobo usou a pontinha do indicador direito para esfregar os cabelos platinados da fadinha. Em seguida, Segun voou para cima do mullet do elfo, onde se acomodou sentado em meio aos fios macios daquela cabeça.

Nybu, por fim, puxou o último objeto da bolsa. Uma espécie de cilindro oco feito de plástico. Levantou-o para cima, deixando-o ao alcance visual da fada e do duende. Park aproximou o rosto para que visse com nitidez (sua visão não era a das melhores) e franziu o cenho mais uma vez para o parceiro. Hubobo sorriu, os olhos brilhando.

— Esta é a embalagem de uma caneta esferográfica, sem o cartucho, claro — Chanyeol não entendeu tamanho fascínio da parte do elfo, que fitava-o como um tesouro, um objeto raro — Um presente meu, para os dois. Mais para Chanyeol do que Segun, definitivamente — a fada puxou um dos fios avermelhados de Nybu, que aiou com uma careta — Me escute, fadinha! Isto se trata de uma ferramenta de emergência, aprendi hoje na aula de Lições de Primeiros Socorros. Você mesmo sabe o quão desastrado este duende boa-pinta é.

Park corou, lembrando-se dos tropeções, das vezes em que quebrou vidrarias de poções mágicas nas aulas de Introdução à Alquimia e teve de pagar umas boas moedas por elas, quando acidentalmente botou fogo no próprio jardim ao trazer consigo uma lamparina, a fim de investigar um barulho desconhecido ouvido à noitinha... Nybu estava certo, e o mesmo costumava culpar as pernas gigantes e a cabeça pesada pelas orelhonas do duende, acobertando as ofensas carinhosas ao dizer que aquilo tornava-o mais atraente, com um belo sorrisinho na boca.

Hubobo tirou a fada de cima de sua cabeça, segurando-a pelas asinhas com a mão desocupada. Suspendeu-a na altura das delicadas e cintilantes orbes azuis, com seriedade no semblante.

— Preste bem atenção — soltou-o para que Sehun voasse sozinho e o elfo usasse a mão agora livre para puxar a gola da camisa para baixo, expondo parte do peito. — Se um dia este gigante orelhudo engasgar com peixe ou massa, ou qualquer comida que ele coma aos muitos, enfie essa coisa bem aqui... — apontou com o indicador para o espaço de pele entre os ossos da clavícula esquerda e direita, a região da traqueia — … Sem hesitar, entendido?

Chanyeol arregalou os olhos, espantado, enquanto a fada acenava a cabeça com um falso espectro de perversidade no rosto, uma das sobrancelhas arqueadas num tom maléfico. Nybu entregou o tubo de caneta para que o duende guardasse no bolso, junto ao telemóvel. Hubobo dispôs a mochila ao lado de Chanyeol, deitou a cabeça e gemeu de satisfação pelo conforto da bolsa/travesseiro, ignorando a grama verde vívida que insistia em cutucar a sua pele exposta. A fada, Sehun, deitou no peito quente de Nybu, onde pôde ouvir as batidas do coração do elfo.

O duende olhou-o, notando os mínimos detalhes que teimaram ressaltar das vestes surradas do jovem: um corpo divinamente esculpido, uma presença de beleza singular, algo que o mais narciso dos homens admitiria com ciência que aquele espúrio era único, o mais belo ser que ousou pisar nesta terra fúnebre. Lembrou-se quase que subitamente da noite em que Nybu ensinou-o a fazer coisas de adulto, algo que Park pedia há muito tempo, embora jovem para tal ato. Um segredo sobre sua infância podre e a inocência prematuramente tomada fazia com que o elfo mantesse o desconforto diante do assunto, Chanyeol não ousava perguntar sobre. Espontaneamente, em um jantar com cogumelos, carne e iguarias locais preparado pelas mãos habilidosas do elfo, Hubobo disse estar pronto e que eles já não eram mais tão novos, para a surpresa de Park, que quase cuspiu a comida boca afora. Um simples beijo caloroso despertou uma sensação nova e curiosa no duende, que não parou até ver o corpo despido do parceiro, belas singularidades em cada região do longo caminho de pele a percorrer com as próprias digitais. E, quando finalmente uniu a sua carne à dele, o duende cedeu ao sentimento que tanto hesitou em acomodar no peito, algo além do desejo físico, além de um simples gostar de alguém. Algo astral, além do conhecimento leigo de quem leu poucos livros humanos, o simples ato de sentir, que Nybu anteriormente citou como algo maior que o amor incondicional, a veemência com que um coração sadio batia e a adrenalina em excesso que corria pelas veias, uma ligação espiritual.

Park, vendo o elfo estirado na terra íngreme coberta pelo mato rebelde, sentiu um forte ardor no lombar, algo extremamente sexual. Mordeu o próprio beiço carnudo, repreendendo a si mesmo e desviou o olhar para o horizonte, onde o sol procurava abraçar as colinas ao longe, as horas se aproximando das quatro e meia, pela suposição do duende.

Nybu pousou uma das mãos finas na perna de Chanyeol, acariciando-o com ternura.

— Park, olhe para mim — o elfo ordenou passivamente e Chanyeol obedeceu, fixando as próprias orbes pretas no rosto bem delineado do parceiro — Eu sinto você.

O duende correu um sorriso sincero no rosto, bobo, os olhos de um grudados nos do outro. Nybu retirou a mão da coxa magra do jovem orelhudo, agarrou a barra da jaqueta e trouxe Chanyeol para perto para, assim, beijá-lo com fervor. Sehun pegou seu artefato e voou para uma distância segura dos dois, a fim de evitar tamanho embaraço (não longe o suficiente para se perder dos amigos gigantes, sentou em um galho seco próximo). Ambos os dois não notaram o movimento na estrada de terra batida há dois olmos de distância — a correria de alguns ogros barrigudos, seus clientes com frutas enroladas em papel ou com moedas caindo de suas mãos pelo susto.

Um automóvel de madeira, pedalado por um corcunda horrendo de espécie desconhecida, trazendo como bagagem três homens estacionou no pé da colina. A fada, com o instinto de perigo aguçado devido aos anos experienciados no mercado oculto, usou a tampa de caneta como um binóculo e lançou a extremidade contrária na direção do carro. Se tratava de três gêmeos, um fenômeno raro até para a fada, que já viu de muito em seus poucos anos de vida. Conseguiu distinguir estes apenas pelos cabelos: o mais alto, madeixas mais brancas que as de Sehun; o segundo, pretos como a noite e desgrenhados sobre o rosto; o terceiro e último, que vinha atrás desses dois como um soldado — armado, inclusive — tinha os fios escuros tais quais o segundo, mas com estes bem penteados, lambuzados em gel com uma ponta curva no lado direito da testa, expondo o resto do rosto que brilhava com suor ao sol.

Quando Sehun pôde ver com mais nitidez, pôs-se em alerta ao notar que se aproximavam, subindo a ladeira irregular com disposição árdua. A fada apontou o binóculo para o objeto de fixação do trio, notando que o casal aos beijos era o alvo, arregalou os olhos, enfiou a tampa/binóculo na cabeça como uma espécie de chapéu horrendo, com o objetivo de não perdê-lo de seu alcance. Sua purpurina alternava entre vermelho e azul, como uma sirene de polícia (isto não era de conhecimento de nenhuma destas criaturas), as cores que indicavam perigo iminente com alarde.

Voou apressadamente até Chanyeol, que estava mais próximo, visto que se posicionava praticamente em cima do elfo, e puxou seus cabelos castanhos com toda a força que Ancião Perdido Mundo Afora concedeu às fadas de pequeno porte. Park ignorou-o e afastou-o com o chacoalhar de uma das mãos largas. A fada olhou para trás, as criaturas que eram terrivelmente semelhantes a Hubobo estavam a poucos metros de distância. Sehun, mais uma vez, pôs-se a chamar a atenção do duende com frequentes mordidas em uma das grandes orelhas do jovem. Chanyeol, irritado com a interrupção de suas carícias com o parceiro, virou-se irado para trás, prestes a repreender a fada.

— O que pensa que está fazen-

A fala do duende nunca foi completada, pois o gêmeo de cabelos pretos bem arrumados bateu no seu rosto com a arma semelhante àquelas dos jogos de laser tag, fazendo com que a sua cabeça virasse para o lado esquerdo, e caísse sobre a grama com o impacto e o próprio despreparo. Hubobo soltou um grito de pavor inesperado abafado pelas mãos de um segundo gêmeo — o de madeixas negras desgrenhadas, que mais parecia um vampiro bizantino pelas vestes de mesma cor. Tal semelhante sentou-se sobre a barriga do elfo deitado, imobilizando-o. Sehun, ousado, pôs-se a lutar contra este, que continha a própria força de Nybu abaixo do próprio corpo. Suas asas foram meticulosamente puxadas pelos dedos finos de um terceiro, o mais alto de cabelos brancos como nuvem, que lançou-o ao chão e pisou-o com seus sapatos sociais bem engraxados, uma expressão de nojo no rosto bem desenhado.

O superior de madeixas alvas direcionou-se a Chanyeol, deixando a fada esmagada inconsciente na grama. Agarrou os cabelos do duende e ergueu-o desconfortavelmente sentado na terra, a região do rosto atingida pela arma desvanecendo do vermelho vivo para um tom mórbido, cinzento, o olho direito apresentando resquícios de um futuro inchaço. O elfo — ao qual até então Park não teve a chance de notar a semelhança — agachou-se por uma perna atrás do duende e passou as duas mãos delicadamente pela face desfigurada do espúrio, que gemeu com o mínimo dos toques devido a dor ardente de certo modo superficial.

— Este é o momento final de um romance fajuto — a voz, que saía com o hálito quente em uma de suas orelhas, tinha o peso harmonioso e estável, a gravidade doce da voz de Hubobo. Um tom agradável e receptivo, quase como a fala de um pai misericordioso — Aproveite o último vislumbre de seu amado, pobre duende.

O homem riu. Park sentiu seus olhos lacrimejarem, a vista embaçada pelo líquido transparente e salgado de seu choro prévio. Por um espaço de poucos milésimos de segundo, pensou ter visto uma versão alternativa de seu amado Hubobo olhar, por trás dos ombros, para os dois espúrios. Era o homem de preto sentado sobre a barriga do elfo, que pedia permissão com as orbes negras caindo sobre a face do líder para executar o que quer que fosse o plano da gangue. Chanyeol sentiu urina quente escorrer e umedecer sua calça favorita ao perceber que aquilo não se tratava de uma miragem, uma posição da luz que deu ao desconhecido um leve reflexo de Nybu Hubobo ou apenas o cérebro do duende oscilando entre o real e a ilusão, aquilo e tudo que lhe compunha era real.

Por fim, o gêmeo gótico acenou com a cabeça e se aproximou do rosto do jovem elfo, simultaneamente, o líder de cabelos neve usou a mão direita para afastar as madeixas suadas da testa do duende enquanto, sorrateiro, passou a outra mão para o olho esquerdo (o olho bom e não afetado pela agressão) onde, com o dedo indicador e dedo anelar, puxou as pálpebras superior e inferior para que mantesse as orbes dele abertas. Com o dedo médio, tocou o globo ocular, fixou-lhe a unha bem feita e apertou-a contra a córnea, o duende sentindo a ardência profunda crânio adentro, o sangue rubro enchendo-lhe a visão, atrapalhando o último vislumbre de seu amado, que ali perto gritava com berros estripantes nunca antes ouvidos por Chanyeol. Park também pôs-se a trabalhar a garganta, arranhando-a com o vibrar doloroso das cordas vocais.

O duende, pouco a pouco, sentiu a própria consciência oscilar, a respiração dificultada pelo líquido grosso que escorria até a sua narina, afogando-se nos próprios glóbulos. O último resquício de seu sentido foi marcado pelo silêncio repentino que representou o cessar dos gritos agonizantes de seu amado elfo. Chanyeol caiu desacordado logo em seguida, tal qual a fada a seis passos de distância, tal qual Nybu Hubobo, que Park não pôde saber por que tipo de tortura passou. O gêmeo armado dispôs o corpo inconsciente do duende ao lado de Sehun, onde terrivelmente passariam a ser confundidos com cadáveres a apodrecer sob a atmosfera agradável de Terra Bela por civis curiosos, mas não ousados o suficiente para medir a pulsação com os dois dedos delicadamente pressionados contra a aorta de ambos. O mesmo semelhante ergueu Nybu por sobre o ombro e carregou-o como um peso morto, com a companhia dos outros dois integrantes daquela gangue para o carro de pedais, onde foram embora com indiferença.

8 de Junio de 2020 a las 11:24 0 Reporte Insertar Seguir historia
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