zackyuchiha Zacky U.

"Além de ser o palco de boas festas e altas bebedeiras, o Chapéu do Javali também se tornou a maior testemunha entre o indubitável sentimento que unia Meliodas a Elizabeth. Entretanto, a razão de ele ainda manter-se distante era um mistério para todos. Meliodas fará de tudo para deixar seu segredo a salvo e, tão importante quanto isso, seus sórdidos desejos sob controle." [ Melizabeth. | Spoilers. | +18. ]


Fanfiction Anime/Manga Sólo para mayores de 18. © Todos os direitos reservados.

#pecados #spoilers #meliodas #elizabeth #uo #nnt #hentai #hot #melizabeth #fanfic #romance #anime
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Capítulo 01

NOTAS INICIAIS


Agradecimentos especiais (Anjos que merecem todo amor e carinho):


• Betagem pela sensacional @NathBee 🧡

• Capa linda pelo talentoso @Ellysian 🧡


[...]


ATENÇÃO: A história contém muitos spoilers!


Esta breve narração se passa no primeiro episódio da segunda temporada de Nanatsu no Taizai, ocasião essa que Hawk-chan desaparece e Meliodas oferece uma irrecusável proposta para aquele que conseguir trazer o porquinho de volta! Então:


"Prendam, segurem, agarrem,

capturem...

Peguem o Porco agora!!!"


***


Elizabeth sabia que se tornava cada vez mais difícil esconder como estava apaixonada por Meliodas. Se não bastasse Gowther ter falado na frente de todos, suas próprias atitudes entregavam estupidamente seu estado emocional.

Para falar a verdade tinha certeza, bem antes do Pecado da luxúria ter soltado a língua, que não era segredo para ninguém aquilo. Todos sabiam o que estava acontecendo, porém se mostravam bastante discretos sobre o assunto.

Com exceção de Diane.

Essa parecia se fechar completamente para a possibilidade de um romance entre a princesa e o capitão. A gigante fazia um barraco e sempre reclamava quando eles ficavam muito próximos fisicamente. Diane havia se tornado uma preciosa amiga para Elizabeth. Entretanto, desde o festival onde todos lutaram para recuperar o tesouro sagrado dela — ocasião essa em que a gigante encolheu e acabou revelando seus desejos mais íntimos: o de estar, finalmente, compatível em tamanho com o capitão —, Elizabeth se sentia culpada.

Sabia que estava sendo boba, porém não tinha culpa de ter se apaixonado perdidamente por Meliodas, sentia-se em completo fascínio por ele desde a primeira vez que o tinha visto, a primeira, de inúmeras vezes em que a havia salvado. Mas, mesmo assim, o simples pensamento de magoar Diane lhe causava uma tremenda angustia.

Outro problema que a atormentava era a incerteza de estar ou não sendo correspondida. Meliodas a deixava louca! Sempre que estava por perto seu coração batia tão forte que chegava a doer dentro do peito, as pernas bambeavam e graças a isso Hawk-chan vivia jogando na sua cara como era desastrada. Sua pele arrepiava toda vez em que ele a tocava e seu rosto corava violentamente.

Achava que talvez Meliodas também se sentisse assim por ela, contudo, nos momentos em que se descobriam sozinhos, quando realmente poderiam tentar um contato mais íntimo, um que ninguém pudesse interromper, ele se mantinha distante e até mesmo fugia de forma nada sutil da sua presença. Então, essa incerteza que as atitudes dele causavam colocavam-na em um impasse, no mínimo, aflitivo.

Estar apaixonada era como padecer no paraíso. Poderia uma hora estar muito feliz, como quando acordava antes de Meliodas podendo observá-lo dormindo pela manhã, tão lindo e sereno, e no final do dia poderia estar muito triste, exatamente como agora.

Todos encontravam-se bêbados e dormindo espalhados pelo salão do bar. Hawk estava minúsculo devido a luta que tiverem com Hendriksen, então Elizabeth, preocupada, começou a procurá-lo com medo de alguém pisar nele ou devorá-lo sem querer.

Foi quando, nessa busca, tropeçou em uma garrafa vazia jogada no chão, escorregou para trás e enquanto esperava pela dor que a queda lhe causaria, um braço forte a agarrou pela cintura e a puxou.

Elizabeth arfou em surpresa, foi tudo muito rápido! Meliodas estava sentado em uma das cadeiras com o rosto deitado sobre a mesa dormindo há alguns segundos atrás, e agora segurava firme o corpo dela em seu os braços.

— Elizabeth, você precisa olhar melhor por onde anda. — falou sério antes de sentar-se novamente, embriagado pelo sono e também pelo álcool. Entretanto, dessa vez, levou a Princesa junto consigo, que corou vendo a nova posição em que se encontrava: sentada sobre o colo dele.

E, estavam próximos, muito próximos.

— S-Sim! E-Eu v-vou ficar mais atenta daqui pra frente... ahm... obrigada, Meliodas-sama. — Sentia todo rosto ardendo, tanto pelo calor que notava sair do corpo de Meliodas e entrar no seu sem cerimônias, fazendo seu sangue ferver, quanto pela vergonha de sempre gaguejar e tomar decisões estúpidas com justamente ele por perto.

Parecia ser seu carma! Não era novidade que o mundo de Elizabeth virava de cabeça para baixo quando um certo loiro entrava em seu radar particular.

Meliodas pousou uma de suas mãos sobre o meio da coxa feminina enquanto a outra passeava displicentemente pelos braços dela, sentindo a maciez da pele branca e aquele cheiro gostoso que só ela tinha. Sorriu malicioso, não importava quanto tempo passasse, seu desejo por Elizabeth nunca diminuía.

Se tornava cada vez mais difícil conter-se na presença dela, as noites eram muito longas ao seu lado, tanto que teve que pedir a Merlin algum remédio que o ajudasse a manter o sono pesado, só aquelas cordas com que Hawk insistia em amarrá-lo não manteriam Elizabeth a salvo.

Não se Meliodas realmente quisesse agir. O que garantia sua segurança era o medo que ele possuía de se envolverem de novo e as memórias dela retornarem, trazendo todo o inferno que isso implicava de volta. Sabia muito bem o que acontecia quando suas lembranças eram trazidas à tona, tinha plena consciência de tudo e não queria, de forma alguma, que chegasse a esse ponto.

O problema era que essa montanha russa funcionava como uma faca de dois gumes: não conseguia ficar longe de Elizabeth, era impossível, e ao mesmo tempo brincava com fogo mantendo-se por perto, pois aí o problema era se constranger para não ficar perto demais. Como agora, entorpecido pela tentação que lhe invadia por completo graças ao corpo dela estar tão colado em cima do seu, a suavidade da pele morna sob seus dedos, o cheiro doce enlouquecendo seus sentidos...

Quando teve um pequeno lapso de lucidez já possuía uma das mãos segurando firme a carne do quadril por baixo da saia, a outra descia e subia pelas costas do vestido — provavelmente procurando o zíper — a boca beijava lenta e vagarosamente o pescoço alvo, a língua sentindo a textura ia de encontro à orelha delicada, que usava o brinco da família real.

As mãos trêmulas de Elizabeth seguravam com força sua camiseta, a respiração dela saia ofegante e os suspiros extasiados que escapavam livremente para seus ouvidos, estavam deixando-o quase ao ponto de surtar em tamanha excitação. Como chegaram a esse ponto tão rápido? Em um momento apenas a ajudou para que não caísse e batesse com a cabeça no chão, e no outro...

Mordeu, transbordando malícia, a bochecha corada, já não mais aguentando a vontade que tinha de sentir os lábios macios contra os seus. Como estava com saudades de saborear os beijos cálidos daquela que roubou seu coração pelo que lhe parecia uma eternidade atrás.

Foi então que Ban engasgou com a própria saliva, que encharcava a mesa e escorria para o chão, fazendo um barulho estranho e alto o suficiente enquanto ainda dormia, tirando de maneira brusca o casal que se acariciava intimamente de seu estupor. Nessa hora Meliodas se tocou que estavam no meio do salão do bar com todos presentes.

Bêbados e apagados? Sim, mas ainda assim, presentes.

Mas o fato era: Estaria mesmo preparado para perder Elizabeth de novo? Vê-la morrer — que sempre seria a pior parte —, ter que esperá-la nascer, crescer, amadurecer, para só então se reencontrarem? Naquele ano ela acabou indo procurá-lo e terminaram se “conhecendo” um pouco mais cedo do que ele realmente queria.

E isso o levava a outro ponto: Estava pronto para recomeçar aquele ciclo de tortura? Porque se transassem, como provavelmente fariam, se continuassem o que estavam fazendo, com certeza as memórias delas despertariam. E, então, ele a perderia de novo.

Não. Foi a conclusão que chegou. Ter Elizabeth consigo todos os dias, mesmo que de maneira incompleta, mesmo que como um amigo, um salvador, um mero protetor ou o que raios ela precisasse que ele fosse, era melhor do que não a ter de jeito nenhum.

Apesar de todo seu ser protestar contra aquela decisão, pois sua boca implorava para que continuasse com os beijos, explorando detalhadamente o corpo pequeno, as mãos desejosas por apertar cada pedacinho disponível, recolhendo orgulhoso os sons de satisfação que sua Princesa expressava toda vez que ele devorava-a daquele jeito...

Apesar de tudo, inclusive da súplica muda, porém necessitada, que advinha presa dentro de suas calças, Meliodas se obrigou a recuar, ficando de pé imediatamente, pois se passasse mais um segundo com ela sentada sobre si, não teria forças para impedir que avançassem naquela dança.

— O que foi? — perguntou desnorteada com a súbita mudança de ares.

— Já está tarde... É melhor você subir para descansar... Sim? — Não conseguia encará-la, não chegou a ser rude, mas quem o conhecesse bem, como ela o conhecia, interpretaria corretamente o implícito por trás daquelas palavras.

As mãos de Elizabeth não soltaram a camiseta dele em um primeiro momento, mesmo ficando claro pra ela que estava sendo rejeitada, mesmo com seu orgulho ferido diante de tudo aquilo, a verdade era que... Não queria soltá-lo.

O rastro em seu pescoço, no qual ele havia explorado com a língua molhada, ainda queimava, como se tivessem passado brasas acesas sobre toda a região. Seu corpo encontrava-se completamente arrepiado, e sentia um calor diferente que pulsava concentrado bem no meio de suas pernas. A mão de Meliodas passeou tão próxima dali, brincando em seu quadril desnudo, as digitais acariciando sem pudor a área sensível...

Estava tão carregada de desejo que ficou imaginando, ou melhor, torcendo para que ele lhe tocasse em sua parte mais íntima, que gotejava sem parar sobre o tecido de sua calcinha rosa.

Céus, o que ele era capaz de fazer com ela? E agora simplesmente essa dispensa?

Depois de um tempo, Meliodas delicadamente retirou as mãos dela de sua roupa, seu peito apertou por outro sentimento quando notou lágrimas escorrendo pelo rosto meigo. O sorriso de Elizabeth era capaz de fazer todo seu mundo parar, amava aquele jeitinho tímido, amava tudo nela, mas, com a mesma força, vê-la magoada ou chorando destruía seu coração em um milhão de cacos.

Elizabeth recolheu os braços junto ao próprio corpo antes de desviar do loiro e sair silenciosa rumo às escadas, indo em direção ao seu quarto. Meliodas ficou inerte por um bom tempo, sentindo-se um lixo. Foi para trás da mureta e bebeu o álcool que havia sobrado até cair e dormir, atrás daquele balcão mesmo. Não podia ir para a cama compartilhada, odiava ser o motivo das lágrimas de Elizabeth, então seria contraditório ir lá consolá-la, como queria fazer.

A princesa chorou muito naquela noite, questionando em seu interior se existiria algum problema com ela, em um instante estava no paraíso e agora no hades. Meliodas, mesmo sendo cuidadoso, foi ousado em suas carícias naquela vez, algo que Elizabeth nunca tinha sentido na vida e constatou também que havia sido completamente diferente de quando ele fazia na frente de todos.

Foi íntimo, quente, deixou-a nas nuvens.

Não queria que Meliodas parasse nunca mais, entretanto, ele parou e sem dizer uma palavra ou explicação, manteve aquela expressão que fazia de vez em quando, que era impossível de se ler. A franja loira tampa os olhos verdes e as feições tornam-se neutras. A princesa já havia percebido que ele fazia aquilo sempre que queria disfarçar algo ou forçar casualidade.

De qualquer forma, não dava pra saber o que se passava em sua mente. Tudo que Elizabeth pôde fazer foi se retirar, não sabendo como reagir com o sentimento de rejeição entalado em sua garganta. Doía, doía muito. Queria tanto que seu primeiro beijo fosse com Meliodas e tinha certeza que, assim que se beijassem, saberia se ele realmente gostava dela ou não, finalmente iria descobrir.

Sentia isso.

[...]

A noite até que passara rápida para o coração cansado. No dia seguinte levantou sem pressa, lavou o rosto calmamente e desceu para o salão no térreo. Acordou Ban primeiro, já que era o único que cozinhava bem ali, para que fizesse o café da manhã e aos poucos foi despertando os demais pecados. Menos Meliodas, não queria encará-lo.

Depois que Ban decidiu levantar e agir de uma vez, o cheiro gostoso vindo da cozinha ajudou a reanimar os outros e a própria Elizabeth se via com muita fome.

Meliodas acordou gemendo com dor de cabeça e os pecados riram da provável ressaca que o capitão deveria estar sentindo. O que não sabiam é que ele acabou misturando os remédios que Merlin o havia dado com a bebida para conseguir dormir e não ir atrás de Elizabeth, afinal, a quantidade de álcool necessária para deixa-lo bêbado era bem mais do que as sobras da noite.

— Ban, não sei o que você tá fazendo, mas faça o dobro — pediu enquanto levantava-se do chão e puxava uma cadeira para se sentar.

— Bebeu demais ontem não foi?! Porco bastardo! — Hawk falava em sua forma minúscula em cima do balcão, perto do amigo loiro. Meliodas o agarrou com uma das mãos e o jogou para onde Ban estava, sem nenhuma delicadeza.

— Acrescente bacon no meu prato, preciso de um café da manhã reforçado. — Disse massageando as têmporas, como se o gesto fosse capaz de aplacar um pouco seu incômodo. Hawk gritou irritado e correu, pulando janela a fora do bar e berrando algo sobre não ser um mero pedaço de carne.

— HAWK-CHAN VOLTE, A CIDADE É MUITO PERIGOSA PARA VOCÊ NESSE TAMANHO!! — Elizabeth se desesperou indo até o local por onde ele havia escapado e gritou a plenos pulmões na esperança de que seu pequeno amiguinho lhe desse ouvidos.

Virou para trás exasperada e, por mais que não quisesse lidar com Meliodas por um bom tempo, não evitou lhe encarar séria, irritada e exigente, afinal, a culpa era toda dele!

— Ah merda, mais essa agora. — Meliodas manteve a mão espalmada no meio de sua testa enquanto o cotovelo apoiava-se no balcão, amaldiçoando internamente não ter uma manhã tranquila como sua cabeça latejante exigia. O olhar preocupado e inquisitivo de Elizabeth não ajudava em nada. — Tudo bem. — Acabou tendo uma ideia bem idiota, porém que parecia útil. ­— Quem trazer o porco de volta primeiro eu irei dever um favor. — Ninguém se mexeu como ele desejava. Em vez disso o encaravam aguardando uma explicação mais detalhada, todos sabiam como Meliodas poderia ser cheio de artimanhas com palavras vagas. ­— Eu prometo obedecer ordens por um dia.

Teve esperanças de que aquilo fosse o suficiente. Só que então passaram a fazer uma cara como se não acreditassem nas palavras proferidas.

— O que estão olhando? Falei sério. Quem trouxer o porco primeiro me terá a seu dispor por um dia inteiro. — Agora sim. Mal terminou de falar e Diane já deu um gritinho eufórico, saindo às pressas pela porta da frente rumo à cidade.

— Só por cima do meu cadáver! — King esbravejou, claramente sentido e com raiva, indo atrás de Diane. Qualquer um sabia o único motivo dele querer achar Hawk primeiro: impedir que Diane o fizesse.

Os demais largaram seus afazeres quase que de imediato quando se tocaram que Diante e King já estavam na frente.

— Hey Ban, espere! E o café da manh ... Hrr... Já foi. — Meliodas arrependeu-se da proposta que lançou, lá se foi seu cozinheiro, devia ter falado depois que a comida estivesse pronta.

Na verdade, se viu sozinho no bar, todos foram na caça ao tesouro. Depois de alguns minutos pensando em absolutamente nada, foi em direção a cozinha para terminar o que Ban havia começado. Com a cabeça pulsando sem parar, não pensou direito no que havia acabado de prometer.

Comeu a gororoba que improvisou e encaminhou-se para o quarto, precisava dormir. Seria romântico dizer apenas que a noite passada no chão havia sido bem desagradável.

[...]

Diane gritava eufórica pela cidade, implorando para que Hawk aparecesse, prometendo favores e mimos. Ser a primeira a levar o porquinho de volta para casa era o único jeito para o capitão lhe dar uma chance de virar seu par romântico.

Já tinha tudo planejado em sua mente, sonhava com aquela oportunidade há décadas! Fariam coisas de casal o dia todo, e até mesmo pediria que ele a beijasse ao pôr do sol. Meliodas se apaixonaria por ela em um dia, essa era sua meta.

Por outro lado, King voava sem parar, aflito, pelas ruas e vilelas, perguntando em todas as casas; sabia bem o que Diane tramava e tinha que impedir aquilo a qualquer custo.

Ban exigiria a luta que o capitão havia lhe prometido no dia que derrotaram Hendriksen, na esperança de tentar salvar a fada Elaine. Com isso em mente a Raposa gritava promessas sobre fazer as melhores sobras para Hawk por um ano inteirinho.

Gowther pediria para o capitão lhe arrumar um coração de verdade. Tinha plena noção que Meliodas guardava segredos e mesmo sabendo de vários deles, por causa da sua magia psíquica, suspeitava que muitos ainda conseguiam estar sendo bem escondidos por ele. E, se tinha algum ser vivo que seria capaz de ajudar o pecado da luxúria a conseguir um coração, esse alguém era o Meliodas!

Merlin sabia que seria injusto participar da competição com os demais, poderia facilmente localizar Hawk naquela cidade se quisesse, sua magia possuía uma infinidade de truques e poderes, então apenas foi para seu laboratório realizar seus experimentos.

Elizabeth estava dividida. Primeiro porque amava Hawk-chan de verdade então se preocupava com ele do fundo de seu coração, entretanto, se o encontrasse antes que os outros e vencesse a disputa, colocaria Meliodas contra a parede.

Sim, era ousado demais até para ela, mas não queria que Diane ganhasse aquele desafio, sentia vontade de vomitar só de imaginar Meliodas beijando outra pessoa. Sem contar que, finalmente, poderia descobrir os verdadeiros sentimentos dele, afinal, o faria conversar consigo sobre o assunto de forma limpa e aberta, sem joguinhos e sem fugas, ele teria que falar a verdade!

Várias coisas passavam pela cabeça da princesa, algumas nem tão puras e recatadas, como todos deveriam pensar que eram, ao verem-na também procurando por Hawk com voracidade e determinação. De qualquer forma, todos seus pensamentos envolviam Meliodas, então o primeiro passo era apenas encontrar Hawk, depois saberia o que fazer ou improvisaria.

Essa tarefa, no entanto, foi bem mais difícil do que todos imaginavam. Hawk conseguia escapar facilmente daqueles que por raros momentos o encontravam, devido ao tamanho minúsculo e a movimentação agitada da cidade. Ban foi o primeiro a desistir, seguido por Gowther. Diane ainda persistia, então King também não tinha entregado os pontos.

Já havia escurecido quando Elizabeth de seu conta que não comera nada o dia inteiro, mas parando para pensar todos saíram do bar antes do café da manhã, então ninguém havia comido nada. A esperança vibrante que a princesa possuía em seu coração no começo daquela perseguição estava bem moribunda se comparada com a do final.

Sentou-se em uma pequena escadaria, derrotada, e as lágrimas caíam pelo seu rosto sem o seu consentimento. Não importava a emoção, sempre acabava chorando e isso nunca ajudava em nada. Sabia disso, mas saber não impedia as lágrimas de rolarem.

Aquele, sem sombra de dúvidas, era o melhor plano em semanas para finalmente resolver sua situação com Meliodas, para o bem ou para o mal, teria uma resposta e qualquer coisa seria mais aceitável do que esse impasse em que vivia.

— Elizabeth-chan, tenho certeza que todos estão desesperados sem saber o que fazer com as próprias vidas desde o meu sumiço, mas não imaginei que você sofreria tanto, até me sinto culpado! Vamos, me leve de volta, não quero que ninguém cometa suicídio.

A voz de Hawk fez a princesa levantar a cabeça de súbito, o pequeno amiguinho pulou em seu colo e as palavras dele aqueceram seu coração. Ele permitiria que ela o levasse! Conseguiria vencer o desafio de Meliodas!

Abraçou forte Hawk-chan e mais lágrimas escaparam por seus olhos azuis.

— Acho que exagerei muito dessa vez. — Disse Hawk enquanto Elizabeth não conseguia dizer nada, embargada pelo turbilhão de emoções que se misturavam em seu peito.

Voltou a passos lentos para sua nova casa. Não sentia mais a pressa e a angustia que a dominavam momentos atrás, estava em paz. Abriu a porta do bar com mais força que o necessário, chamando a atenção de todos. Ficou com vergonha pela situação e entrou de forma tímida e sem graça, os amigos olhando pra ela.

— Até que enfim, princesa! Já estávamos ficando preocupados. — disse Ban virado de costas, usando um avental e cozinhando o jantar como de praxe. Meliodas encontrava-se perto da Raposa, sentado do lado de dentro do balcão, só que de frente para Elizabeth e não desgrudou os olhos dela, que se aproximava aos poucos dos dois.

O capitão finalmente sentiu tranquilidade ao vê-la, pois ficou apreensivo com a demora dela, já era tarde, todos haviam voltado, até mesmo Diane e, por mais que não admitisse, estava com saudades. Um dia inteiro sem vê-la lhe causou um forte incômodo por dentro.

Toda essa serenidade foi por água abaixo quando Elizabeth colocou o pequeno Hawk sobre o balcão.

— E aí pessoal, guardem os lenços, resolvi voltar para a alegria geral. — A voz do porquinho não entrou pelos ouvidos de Meliodas, que encarava Elizabeth, como se questionasse suas intenções com aquilo. Ban começou a gargalhar alto enquanto Diane saía do bar bufando e pisando pesado ao passo que King ia logo atrás dela.

— Então a princesa ganhou a aposta do capitão. — disse Gowther sem muito humor, como sempre, voltando imediatamente sua atenção para o livro em suas mãos.

— Acho que agora você não tem mais pra onde correr, Danchou! — zombou Ban, jogando e misturando algum tempero na panela que manuseava de forma hábil. Elizabeth olhou de imediato para Hawk, com medo do pequeno amigo ter entendido algo errado e achar que não havia se preocupado com ele de maneira genuína.

— Você continua a manter um excelente padrão Ban, não desanime jamais. — Alheio ao assunto a seu redor, Hawk elogiou de boca cheia, se acabando de comer as sobras que Ban havia colocado mais cedo em sua vasilha na tentativa de atrai-lo de volta para o bar.

— Pode deixar, Mestre. — respondeu a Raposa ainda olhando para Meliodas com malícia.

Sabia que seu melhor amigo estava fugindo da princesa, não era idiota como Gowther, conseguia ler o ambiente. Só que, devido as décadas de convivência, todos ali eram bastante rigorosos com a privacidade e em questões pessoais uns dos outros, era uma regra implícita entre eles. O que não impedia Ban de alfinetar quando oportunidades raras como essa surgissem.

Também não sabia o porquê de Meliodas fugir da garota quando era mais do que óbvio que estava caidinho por ela. De qualquer forma, também não iria perguntar, se o capitão quisesse que soubesse de algo, lhe diria na hora certa.

— Ban-sama, por favor, me sirva qualquer coisa. Estou faminta! — Elizabeth implorou enquanto sentava-se no balcão, de frente para Meliodas e Ban. O primeiro parecia petrificado e o outro de prontidão lhe serviu um prato com aparência maravilhosa.

Itadakimasu — agradeceu enfiando com pressa toda a comida na boca. Estava com tanta fome que acabou repetindo o jantar, e claro, a comida de Ban era digna dos deuses.

Meliodas passou o resto da noite em silêncio, respondendo o básico quando sua opinião era solicitada na conversa. Diane apareceu mais calma depois que retornou com King, ninguém sabia o que este havia falado pra ela, porém, uma gigante estressada a menos era um lucro que todos não reclamavam em ganhar.

A princesa estava nervosa. Havia conseguido, ganhou o favor de Meliodas, agora só precisava criar coragem para fazer o que queria. Considerou até mesmo beber um pouco, no entanto, teve medo que todos percebessem suas reais intenções, afinal, ela não bebia. E se passasse mal? Achou melhor não arriscar.

Conversaram e riram até tarde quando aos poucos todos começaram a se recolher.

Havia iniciado uma conversa literária com Gowther, e se manteria ali a noite toda em uma clara disputa com Meliodas sobre quem subiria primeiro. Até que o loiro se retirou e ela esperou Gowther terminar seu ponto de vista sobre a lenda do Rei Arthur. Não contra argumentou para não render o assunto.

Então subiu as escadas rumo ao quarto de Meliodas, que também era o seu, por vontade dele inclusive. Acabou cruzando com Hawk na porta e quando olhou para dentro viu Meliodas amarrado em cordas, como sempre.

— Não ache que vou me descuidar em meu zelo com Elizabeth-chan só por causa do meu tamanho. – O porquinho disse orgulhoso antes de descer as escadas rumo a sua própria cama.

— O-obrigada, Hawk-chan. — respondeu um pouco indecisa sobre estar realmente grata, sabia que seu pequeno amiguinho tinha as melhores das intenções. Entrou no quarto e pegou seus pertences para tomar um banho, Meliodas estava virado para a parede, então era impossível ver suas feições.

Demorou mais que o necessário naquele banho, tanto por ser minuciosa em se preparar, quanto pelo nervosismo em voltar para aquele quarto. Queria estar muito cheirosa, então lavou bem os longos cabelos platinados e passou alguns cremes e óleos pelo corpo.

A camisola não era exatamente sexy. Possuía duas alças finas, sem decote, era branca e transparente indo até os joelhos, não colocou nada por baixo. Depois de respirar fundo várias vezes e repetir pra si mesma algumas palavras de encorajamento, saiu do banheiro e foi em direção ao seu destino.

Passou pela porta e sua confiança foi abalada momentaneamente quando não viu Meliodas deitado no lugar de costume.Acomodou-se no seu lado da cama e esperou.

Depois de um tempo a frustração de seus planos, que estavam dando errado, queria se transformar em tristeza, até que escutou um barulho do outro lado do quarto. Foi olhar embaixo da cama para ver o que era e assustou-se ao notar Meliodas no chão amarrado em suas cordas, provavelmente rolou e caiu ali.

Levantou-se e foi até ele, aliviada por aquela não ser uma situação dele estar fugindo mais uma vez. Passou delicadamente as mãos pelas madeixas loiras até que um par de olhos verdes se abriu e começou a encará-la, sério.

— Princesa Elizabeth, está precisando de alguma coisa? — Não foi rude, mas essa formalidade não combinava em nada com a relação que haviam construído até ali, isso machucou o coração de Elizabeth, ele estava fazendo propositalmente.

De qualquer forma, essa seria sua última tentativa, a resposta que ela tanto ansiava, não poderia desistir tão fácil. Meliodas estava tentando mantê-la longe, contudo, muitas vezes, suas atitudes se contradiziam. Tentou não se desanimar apesar das circunstâncias.

— Meliodas-sama, está machucado? Você rolou e caiu da cama! Não acordou com a queda? — Tentou ser gentil, o que era muito fácil para alguém como ela, chegou até a rir de leve como se tentasse provar que estava tudo normal entre eles.

— Ah. Estou bem, desculpe se te acordei — respondeu enquanto levantava-se e deitava novamente na cama. A verdade é que pretendia dormir ali, sem que Elizabeth notasse.

Se dissesse isso com todas as letras provavelmente a ofenderia, então ela iria querer dormir em outro quarto, não tinha outro quarto, mas ela se recusaria a ficar ali por pensar estar incomodando, e então o problema cresceria exponencialmente, o que Meliodas não queria de maneira alguma que acontecesse.

— Boa noite — Mais uma vez, Elizabeth foi simpática mesmo sendo tratada de forma indiferente.

A vontade de abraçá-la e pedir desculpas por estar agindo como um completo patife chegou a apertar o peito de Meliodas, mas ele apenas sussurrou de volta o cumprimento e virou para o lado oposto em que ela estava.

A princesa precisou de um tempo considerável para se recompor, pois estava extremamente insegura, como sempre, e isso a deixava irritada consigo mesma. Não era novidade que Meliodas passou a agir estranho e evitá-la, isso ela já sabia, o que queria saber era a verdadeira razão para tal.

Era porque temia algo ou simplesmente por não gostar dela daquela forma?

A segunda opção não fazia o menor sentido, tanto pelo clima que rolou entre eles na noite anterior como por toda a história que viveram até ali. Todavia, ainda assim algo estava errado, e se ela quisesse descobrir o que era precisava ser corajosa. O que, por incrível que pareça, não era uma tarefa difícil para ela. As aparências enganam.

Fechou os olhos e buscou nas memórias flashes da noite anterior. A sensação de proximidade com Meliodas, as mãos dele percorrendo seu corpo, a boca lhe marcando o pescoço com beijos lentos e calorosos, o jeito indecente que ele mordeu sua bochecha segundos antes de serem interrompidos. Ele a teria beijado se não fosse por Ban. Tinha certeza disso!

E só as lembranças foram o suficiente para acender cada célula de Elizabeth. Sentiu o coração acelerar em seu peito, as mãos suarem e a respiração descompassada, engoliu em seco. Esse era o pico de adrenalina que precisava, o forte desejo que cultivava por Meliodas. E ainda possuía uma carta na manga: ele havia prometido.

Faria o que ela quisesse, afinal, havia recuperado o porquinho Hawk!

Meliodas notou a mudança de temperatura no ar e o novo estado de espírito da garota deitada a seu lado. Não. Aquilo era demais pra ele! Não conseguiria ficar ali ignorando o jeito que ela se encontrava, sem contar que sentia cada parte sua respondendo, reagindo, como dois imãs atraindo-se em puro magnetismo.

Precisava sair dali, com urgência, e era exatamente o que teria feito se um corpo curvilíneo e tentador não tivesse rolado pela cama e se posto rapidamente por cima do seu. Um golpe baixo em um momento de fraqueza, aproveitando que ele não estava com toda sanidade funcionando.

10 de Mayo de 2020 a las 08:28 0 Reporte Insertar Seguir historia
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