lslauri Liura Sanchez Lauri

Essa fanfic se passa alguns anos depois do gibi ORIGENS, onde Logan foge para a floresta depois de ter, acidentalmente, matado a Rose O'Hara. Aqui, ele passou algum tempo entre os lobos e acabou indo cada vez mais para o norte do país. Acabando por encontrar uma comunidade inuíte, bem como uma mulher que conseguirá mudar o rumo de sua vida. Img Adapted from a picture property of university of Washington Libraries, Special Collections Division - by: Liura Sanchez Lauri - 2020


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#lobos #nevasca #neve #gelo #inuit #inuíte #personagens-originais #james-howlett #logan #wolverine
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Parte I: O encontro com um sonho

Seu nome é Arnaaluk, como muitas outras inuítes que vieram antes dela, era esperado que se tornasse uma mulher forte (daí o significado de seu nome para as pessoas do vilarejo), mas ao contrário disso, ela resolveu romper com as tradições de seu povo e seguir o outro significado de seu nome: espírito de mulher que habita sob o mar (somente sua mãe suspeitava disto...).

O nome de sua mãe era Ahnah (mulher sábia) e ela realmente sabia muita coisa sobre o destino de seus filhos e filha e dos moradores do vilarejo, era considerada a xamã daquele local e, enquanto estava grávida de Arnaaluk e conversava com o Espírito ancestral que reencarnaria nela, foi conhecendo suas aptidões e, inclusive, sabia ser aquele Espírito responsável por muitas vitórias antigas daquele povo. Esse foi o motivo da escolha de seu nome. E enquanto ficou em contato com sua mãe, em tenra idade, foi sempre inspirada a seguir seu coração e realizar seus sonhos.

Arnaaluk mostrou que possuía uma alma diferente das outras mulheres do vilarejo: ela queria e precisava caçar! Como os homens faziam, como seu pai: Amaruq (lobo cinzento) e seus irmãos: Amaqjuaq (aquele mais forte); Inuksuk (no caminho certo) e Siqiniq (o sol) faziam. Siqiniq era o mais jovem e, antes dele vinha Arnaaluk. Amaqjuaq era o mais velho e não suportava a insistência da irmã em ir caçar com eles, deixando sempre as atividades mais árduas para ela cumprir. Contudo, o que lhe faltava em força ela compensava por um espírito forte e obstinado e, sem perceber, o irmão mais velho a deixava cada vez mais apta a realizar as tarefas destinadas aos homens.

Um dos locais onde esse povo nômade passava o verão era Kittigazuit, no delta do Rio Mackenzie. E era nesse local que uma vez por ano cerca de 1000 pessoas compareciam para uma caça coordenada às Belugas. Só que quando esse momento chegava, o povoado de Ahnah já estava explorando outras terras mais ao norte. Eles evitavam ao máximo a aglomeração com outros inuítes. Eles somente escolhiam parceiros de outros vilarejos e, como eram um povo considerado sábio e com algumas riquezas materiais, não era difícil realizar esses acordos.

Na tradição inuíte, se um homem fosse capaz de sustentar mais de uma mulher, ele poderia ter até três esposas e, alguns, realmente conseguiam essa façanha. Mas o povoado de Ahnah não tinha esse costume. Eram prioritariamente monogâmicos, mesmo que nem sempre fiéis.

Como é costume entre muitas sociedades mais antigas, as crianças podem explorar tudo o que lhes convém. Não existem amarras e os mais velhos, sejam adolescentes ou adultos ou anciãos estão sempre dispostos a responder suas dúvidas. E durante sua infância, Arnaaluk foi uma das mais questionadoras que a tribo já teve! Ela não conhecia limites e queria conhecer como tudo funcionava, dentro de cada um dos estratos e frequentava durante grande parte do dia o maior dos qadjgit (construções onde os homens ficavam trabalhando em equipamentos, contando histórias ou realizando rituais para que a caça fosse bem-sucedida) onde, na celebração das caçadas, ocorriam animadas danças com tambores, onde as mulheres participavam.

Desde cedo, seu pai Amaruq, percebeu sua capacidade de liderança e de exemplificação. Ela não tinha egoísmo em manter aquilo que aprendia para si. Sendo capaz de explicar e, se necessário, guiar as outras crianças de sua idade em explorações nunca feitas por elas. Havia uma certeza profunda, um conhecimento ancestral naquela pequena inuíte, sempre fomentado por seu pai, assim como por sua mãe. E era exatamente desse comportamento parental que nasceu o ciúme no coração do irmão mais velho, Amaqjuaq.

“Ela será alguém grande para este povo, não é, minha querida?” – conversava Amaruq.

“Desde sua concepção os deuses não deixam de informar o quanto ela vai nos ajudar; mas a que custo, meu amado?” – preocupava-se Ahnah...

“Arnaaluk veio para quebrar paradigmas... E toda quebra traz conflitos e dores... Queria tanto que Amaqjuaq vencesse o ciúme dentro de si, mas nem sendo o melhor dos pais, coisa que não somos, seríamos capazes de subtrair nem um floco de neve das tribulações pelas quais nossa querida filha precisa passar. Me abrace, venha!” – sentencia o amável Amaruq e os dois ficam trocando carícias até o sono chegar.

Os filhos dormiam todos no mesmo cômodo, vizinho ao dos pais, também aquecidos, mas por suas peles de animais que eles mesmos haviam caçado. Siqiniq, o mais jovem tinha uma das partes do cobertor feita com a pele de uma raposa; Arnaaluk possuía um lindo cobertor de peles de focas, assim como Inuksuk; já Amaqjuaq aquecia-se com a pele branca de um urso adulto, responsável pela única cicatriz presente no corpo musculoso do inuíte. Em seu braço esquerdo, quatro marcas das garras do urso. A batalha entre os dois já era contada nas rodas de conversa e havia se tornado uma espécie de lenda entre os mais jovens que aumentavam sua complexidade a cada narração.

Quando completou 10 anos Arnaaluk sentiu em seu âmago algo muito diferente, em um dia de verão específico. Um sorriso bobo iluminou seus lábios e ela não teve como deixar de dizer para si: “ele nasceu...”. E, realmente, ainda em solo canadense, só que no Território de Alberta, Elizabeth Howlett dava à luz a James Howlett, desse modo, selando o destino de nossa heroína, que passou o restante de sua infância aprimorando seus conhecimentos sobre a caça, a história e as mitologias do seu povo. Tornou-se uma mulher resoluta e amiga, confiável e valorosa. Sempre preparada a empreender aventuras entre seu povo.

Em sua casa, feita de madeira, com telhado bem inclinado para evitar acúmulo de neve e janelas bem pequenas para evitar a perda de calor, Arnaaluk mantinha-se, antes de adormecer, admirando a aurora boreal pelo diminuto espaço envidraçado. Ela adorava o baile das cores, imaginando ritmos que pudessem preencher aquela dança, isso a ajudava a dormir e embalava seus sonhos, onde a aurora boreal se comportava como uma passagem para outro tempo. Um tempo onde ela sempre se via mais velha, lutando contra criaturas míticas, ao lado de um nobre guerreiro, visivelmente não pertencente aos inuítes. Desde que se lembra de seus sonhos não consegue desvinculá-los dele... Eram os deuses avisando quem seria seu consorte e, mesmo seus pais dizendo o contrário e o quanto era necessário para alguém ter uma companhia e seguir ao menos alguns padrões daquela sociedade, um após o outro, Arnaaluk rejeitava seus pretendentes.

Quando sua mãe ficou velha demais para realizar todos os afazeres da casa a jovem inuíte já contava com 30 anos e, enquanto esperavam o retorno dos homens que haviam ido caçar, conversavam displicentemente:

“Peço desculpa, a você e a papai! Sei o quanto sofrem ao me ver perdendo o viço, sem aceitar nenhum pretendente... Eu também sofro! Meu sofrimento só não é maior do que minha certeza de que nenhum deles é meu consorte! Eu seria capaz de esculpi-lo em madeira, de pintá-lo em couros e de descrevê-lo com os mais lindos versos.” – e sua voz entristecia enquanto pedia uma paciência aos pais que nem ela mesma tinha...

“Eu entendo sua angústia, querida filha. Divido sua dor... E, no entanto, não consigo deixar de pensar que você poderia estar com alguém enquanto espera esse pretendente, não é mesmo?” – sua mãe a olhava, desafiadora – “Você já foi capaz de quebrar tantos paradigmas. Por que não mais esse? Sendo a primeira mulher a possuir mais de um marido?!”

“Mamãe! Como a senhora ousa incutir em minha mente um pensamento desses?!... Tenho certeza de que Akna¹ aprovaria. Mas eu sinto que essa seria uma grande traição ao meu coração... Não consigo explicar, mas é algo que sinto em todo meu corpo. A senhora me entende, não é?” – abraçando-a carinhosamente.

“Não só eu, minha criança, como também seu pai. Nossa preocupação está em presenciar sua espera e compartilhar sua dor. Mas sabemos de suas convicções e não pretendemos obrigá-la a nada. Nosso intuito é o mesmo para todos: sejam felizes! E, no geral, podemos dizer que você tem sido, não?” – olhando-a nos olhos, enquanto Amaruq entrava na casa, em companhia dos três filhos.

“Sim, eu estou feliz na maior parte do tempo. Fazendo o que gosto e sendo muito boa nisso.” – dando um olhar de enfrentamento para Amaqjuaq.

“Só se você for boa em atrapalhar as caçadas e atrasar as caravanas, irmãzinha...” – graceja o irmão mais velho, não esperando resposta e indo cumprimentar a matriarca, entregando vários pedaços de carne amarrados em cordas – “A caçada foi muito boa, minha mãe. Conseguimos pegar uma baleia e poderemos passar muitas semanas no calor de nossa casa!”

“Os cachorros foram sensacionais, mamãe!” – falava entusiasmado Siqiniq, com uma voz tão aveludada que, realmente, lembrava o calor do sol, enquanto também vinha cumprimentar a mãe – “Deram o sinal da chegada de estranhos que estavam pensando em nos roubar a carne!”

O rosto de Ahnah volta-se para o marido, em busca de uma resposta sobre aquele relato.

“Veja bem que nosso filho foi cuidadoso no uso das palavras, Ahnah... Realmente, chegaram estranhos atrás da carne: uma alcateia! À qual demos um pouco de nossa carne, pois pudemos perceber que estavam necessitando dela!” – e soltou uma estrondosa risada ao final.

Com isso, o semblante da matriarca desanuviou-se e todos foram processar a carne para comerem algo antes de dormir. Continuando a conversar sobre a alcateia de lobos, onde o pai explicou que a achou diminuída em número e que eles estavam bem magros.

“O inverno deve ter sido muito difícil... Chegar perto assim de humanos com cachorros não é algo comum entre os lobos, não é mesmo?” – enquanto mordia com gosto um naco de carne ainda suculenta.

Os irmãos mais novos contavam como receberam os rosnados de ameaça dos lobos com gracejos e, assim que soltaram os malamutes e estes partiram para cima dos lobos que recuaram sem desistir, todos perceberam o quanto aquela situação estava desesperadora e o quanto necessitavam daquela carne.

Essa grata família não foi até onde os lobos recuaram, senão, teriam percebido algumas pegadas que não eram caninas...

“De que adianta termos em abundância se a natureza não puder usufruir também, não é mesmo? Deixamos umas costelas para trás também, esperamos que eles consigam chegar antes dos outros animais...” – comentou Amaqjuaq.

A sinergia tão buscada entre sociedade e natureza era quase possível de ocorrer ali. Seus deuses estavam no céu, mas muitos apareciam em corpos de animais, na terra, para testar a moralidade dos humanos. Com isso, todos os passos feitos pelos inuítes contemplavam esse reconhecimento à Natureza. Tudo o que eles tinham deviam a ela, inclusive suas vidas! Se conseguiam passar pelo inverno rigoroso, com temperaturas abaixo de 40°C era graças aos animais que eram caçados dentro de determinados momentos e que tinham suas peles curtidas e costuradas. Geralmente, os humanos só conseguiam caçar os animais já mais velhos e debilitados. Eles não caçavam os doentes, mas sabiam que aqueles permitidos aos deuses de serem caçados eram os animais que já não podiam auxiliar a Natureza. Assim como ocorria com a morte dos humanos quando não podiam mais auxiliar seu povoado. Ao perceber a aproximação de seu fim, um inuíte avisava a família sobre a Grande Viagem e, ao embrenhar-se no deserto de gelo, sem armas ou possibilidade de fazer um iglu, então era de se esperar que sua carcaça servisse de alimento ao ciclo da natureza.

Jamais havia caçada de mães com filhotes; na época de reprodução, era proibido caçar se houvesse alimento suficiente na despensa e, caso não houvesse, era necessário acudir a um vizinho antes de pensar em caçar qualquer animal nesse momento. Se eles não fossem os responsáveis por manter esse equilíbrio, então isso poderia levá-los à própria ruína! Eles já possuíam a consciência ecológica que muitos, nos dias de hoje, só são capazes de falar, sem viver...

Arnaaluk revezava sua estadia com a mãe com Siqiniq, muito mais preocupado em estar com a mãe do que caçar. Era um espírito mais caseiro do que aventureiro e, apesar de ter participado das aventuras da irmã quando era mais novo, agora deixava claro que não pretendia competir com ela na caça ou na sobrevivência no gelo.

No dia seguinte, como não haviam trazido peixes e esse era o tipo de carne que a mãe deles mais apreciava, a filha resolveu fazer uma surpresa, comentando o que o pai achava sobre isso.

“Ela merece todo nosso carinho, não? Eu apenas peço que tome cuidado com os lobos, minha querida. Eles estão famintos e nada sutis... Não deseja que algum deles te acompanhe?” – acariciando o rosto da filha.

“Com certeza ela merece! E eu percebi o quanto a caçada os cansou, por isso questiono sobre ser possível ou prudente... Quero que descansem! Não irei tão longe e levarei um cão a mais, apenas para servir de guarda mesmo. O que acha?” – devolvendo o carinho e iniciando a colocação de suas botas.

“Excelente ideia! Rezarei para Arnakuagsak², sua caça será gloriosa, minha filha!” – e a auxiliou a colocar tudo o que precisava no seu trenó.

Partindo sob os auspícios do pai, a forte mulher parte até uma localidade onde sabidamente encontraria salmões. Isso levou meio dia, num galope muito bem conduzido e, após a pescaria, Arnaaluk teve a brilhante ideia de checar se conseguiria pescar alguns mariscos! Isso sim, seria uma surpresa! Ela já havia entrado, acompanhando outros inuítes, numa dessas perigosas cavernas naturais que aparecem, uma vez por ano e por poucas horas, do gelo que descobre lagos e mares. Não haveria problema”

Desde sua chegada ao local de pesca havia ouvido alguns uivos de lobos, mas não os tinha visto e, pela tranquilidade dos cães sabia que eles não apresentavam perigo.

Aproveitando a claridade do dia, iniciou a construção em espiral de seu iglu e, dentro de uma hora, já estava bem instalada no seu calor interno e com um fogo aceso, onde preparava um dos salmões que pescou.

Morar em um local tão frio, tinha seus privilégios. Ao pescar ou caçar, não demorava muito para que o alimento estivesse conservado pelo gelo! Impedindo assim sua degradação e, depois de alguns dias, as carnes estavam até curtidas. Ela não pretendia levar salmão defumado para sua mãe, portanto, tentaria encontrar uma das cavernas apenas durante a parte da manhã e, caso não encontrasse, voltaria para casa. Os mariscos seriam um bônus e provariam para Amaqjuaq, de uma vez por todas, o quanto ela era competente!

Enquanto dormia, já no meio da madrugada, os cães começaram a latir e se impacientar, houve uma luta e, sem fazer muito estardalhaço, engatinhou para fora do iglu com um arpão em riste, teve a nítida certeza de ver um homem, seminu, correndo com lobos para longe dali e com alguns salmões na mão.

Olhou os cães e, um deles, estava ferido por três perfurações redondas e profundas... Foi até o trenó e pegou um unguento que passou na ferida, tentando desvencilhar-se das mordidas do cachorro.

“Calma, Tulimaq! Se me morder não vou poder cuidar de você...” – ela conversava com o cão, ainda olhando para onde a forma humanoide havia corrido, enquanto pensava: “Por Silla!³ Será algum mau espírito? Buscando me assustar pois resolvi caçar sozinha?!” – e, a fim de espantá-lo e para incutir coragem a si mesma, ela brada na direção que eles correram: “Eu sou Arnaaluk e não estou sozinha! Silla e Tulok4 estão comigo e velam por minha segurança! Não ousem retornar!” – e, bufando, ela retorna para dentro do iglu, ao som de uivos, esperando a manhã chegar...

Ao ouvir os gritos da mulher, a forma humanoide apurou as orelhas, sorrindo pelo som das palavras ditas e, de certo modo, curioso por ser uma mulher. Ele uiva de volta, fazendo alguns lobos uivarem também e para de caminhar, ficando de cócoras enquanto oferece os salmões aos lobos que, após comer o envolvem para que todos durmam aquecidos. Mas ele não dorme. Fica de vigia para que sua cansada alcateia possa descansar.

“Nossa!... Faz uma cara que não ouço uma voz feminina... Já ouvi algumas vozes de homens, mas nenhuma mulher. Nunca quis levar a alcateia pra tão perto da civilização. Por que ela ‘tá sozinha no gelo? Pelo que ela pescou, dá pra ver que não precisa de ajuda...” – e ele não pode deixar de sacudir a cabeça, imaginando como uma mulher precisa ser forte para viver naquele lugar – “Peguei teu chêro, guria... Vou ficar na tua cola até achar que ‘cê ‘tá fora de perigo...”

A alcateia estava fraca por culpa daquele homem... Depois de ter enfrentado seu meio-irmão, Cão, no Yukon e ter matado a única mulher que amou, Rose, Logan desapareceu entre os lobos e acabou, por tanto ódio de si mesmo, vencendo o macho alfa daquela alcateia. Com isso, tomando seu lugar, a alcateia não tinha mais como manter-se, pois não nasciam mais filhotes e, decidido a morrer junto com os seus, ele os levou mais ao norte possível, mantendo-os longes dos humanos que poderiam caçá-los, mas distantes também da fartura de animais...

“É o preço que se paga... Tudo que eu toco, morre... Todos que eu me aproximo, sofrem... ‘Tô achando que o problema sou eu, mas... O que sou eu?!! Que [email protected] são essas que saem das minhas mãos?! Por que eu não me canso e nem fico machucado por muito tempo?!” – e enquanto pensava o dia ia nascendo, iluminando os vários tons de branco daquele lugar inóspito.

Arnaaluk quase não dorme depois do ataque, fica buscando em seu acervo mental alguma alusão ao que tinha visto, sem conseguir... Não havia nenhum relato parecido na cultura inuíte... Então, o que era aquilo?!

Pegando um pedaço de carne defumada como café da manhã e dando água e carne aos cães, ela retira tudo de dentro do iglu e, ao invés de destruí-lo, resolve deixá-lo em pé, pensando que um homem seminu pode querer um pouco mais de quentura durante suas noites...

Inicia sua jornada rumo a uma encosta próxima, onde possivelmente, os raios de sol e a finura da camada de gelo possa ter deixado aberta uma entrada para qualquer caverna. Ela contava com isso para pegar alguns mariscos. Mas precisava ser rápida! Essas cavernas costumavam desabar se o clima ficasse mais quente, ou fechar com o caçador dentro, se alguma tempestade de neve a pegasse de surpresa.

Consultando o céu e questionando os deuses em seu interior, ela nada percebeu que a fizesse desistir do intento. Mas as tempestades de neve costumam aparecer no Ártico como as tempestades de areia no deserto: sem aviso prévio!

Contudo, os inuítes precisam confiar em si mesmos e na sua capacidade de ler a natureza. E ela não havia se confundido até aquele momento antes!

De longe, Logan e sua matilha a acompanhavam, também nada percebendo de diferente ao redor. Apenas estudando um pouco mais sobre a mulher que se aventurava no gelo. Suas parelhas de cães eram muito bem treinadas e, ao ver um preso na parte de trás, solitário e mancando, conseguiu perceber que aquele era o cão que o havia atacado para proteger os salmões. O canadense não consegue deixar de soltar um “bem feito!” e, em seguida, passa a notar os grandes cabelos negros da mulher, presos em duas tranças que esvoaçavam e que eram presas na ponta por dois lindos pedaços polidos de osso ou dente, amarrados por tendões de foca.

Havia algo magnético nela que o fazia prosseguir, mesmo percebendo o quanto sua alcateia estava debilitada. Quando a moça resolve parar, por ter encontrado uma das formações que buscava, ele também resolve ir atrás de algo para os seus comerem; estava sentindo um cheiro de urso e, com certeza, ele os estava seguindo achando que poderia comer um lobo fraco e velho.

“He... Mal sabe tu o que vai encontrar, ursão!”

E parte, seguido por outros dois lobos, enquanto três deles ficam ali, esperando. O urso não era muito grande e estava magro, mesmo assim, serviu para saciar a fome dos lobos e das lobas que obrigaram Logan a comer alguma coisa. Para não fazer nenhuma desfeita, ele ejeta uma das garras da mão direita *SNIKT* e corta um pedaço, *SNAKT* fazendo firula para comer, desejando mesmo que eles comessem mais, afinal, ele devia isso a eles...

Enquanto come aquela carne, o sabor dos pratos que a Rose costumava fazer enchem sua memória gustativa o que liga a sua memória olfativa e suas memórias visuais. Por alguns segundos, ele sorri do sorriso dado pela memória a sua frente, uma mulher ruiva de olhos verdes e vestido de chita cheio de flores. Mas essa memória logo é interrompida por outra: um vestido de tafetá verde, cheio de sangue... O sangue mesclado ao cabelo ruivo e suas mãos cheias dele.

Ele joga um pequenino pedaço de carne para longe. Os lobos o encaram e levantam as orelhas, indagando o que viria a seguir. Fazendo ruídos que eles entendiam, pediu para ficarem ali que ele voltaria. Um aperto em seu peito o fez olhar na direção onde a mulher inuíte estava e, mais ao longe, após apurar a visão, pôde perceber que vinha uma tempestade. Ele precisava avisá-la! Cavando um buraco para abrigar os lobos, caso não voltasse antes da tempestade, ele partiu, correndo com os quatro membros para ganhar mais espaço. Os lobos ganiram, mas obedeceram a seu mestre.

Não tardou muito para que ele chegasse até o trenó e, seguindo as pegadas da mulher, se questionasse para onde ela estava indo e por quê? Uma lagoa ainda congelada nas bordas, mas já com fina camada de gelo no centro mostrava que um leve degelo havia alcançado aquelas paragens. Sua atenção foca numa voz que vinha de dentro de uma caverna natural. A entrada devia ter uns 2 metros de diâmetro e sua localização, abaixo de uma grossa camada de neve, a fazia parecer um local perigoso para se entrar; alguns filetes de água de degelo passavam por aquela abertura e rumavam até o lago.

“Eu não acredito...” – Logan pensou – “Será que essa louca veio se matar?”

Apurando as orelhas na entrada da caverna ele pôde ouvir alguns xingamentos e o som de algo arrastando no gelo. Com isso, conseguiu fazer uma ideia de que a entrada era mais larga que o interior e, portanto, não era prudente entrar para avisá-la. Ele também não queria assustá-la, mas ao voltar o olhar para a tempestade viu o quanto ela havia avançado naquela hora e decidiu agir.

Fazendo uma concha com as mãos, ele tomou fôlego e gritou para dentro da caverna:

“Moça! Você fala minha língua?! Precisa sair daí! Vem vindo uma nevasca!”

Ele ouviu quando a cabeça dela bateu no teto da caverna e quando praguejou, retornando de ré pelo mesmo caminho até onde foi possível virar o corpo e ficar de frente para a entrada da caverna.

Arnaaluk tinha, além da faca que trouxe para remover os mariscos, outra faca dentro da bota, caso precisasse e, ao ouvir alguém gritando na porta, uma voz masculina, num idioma que nunca tinha ouvido, ficou apreensiva. Pela primeira vez na sua vida, não sabia direito como agir e se arrependeu de não ter deixado um dos cães na porta da caverna.

“Espero que eu não pague com minha vida por esse erro... Eu acho que conheço essa voz, mas o que ela disse? Será alguma brincadeira de Amaqjuaq?”

Logan sentou pacientemente a alguma distância da entrada, de braços cruzados, peito nu. Ao redor de sua genitália, apenas uma pele de lobo amarrada com uma corda trazida da civilização.

Depois de uns 25 minutos esperando, o capuz do casaco de foca apareceu na porta, seguido de todo o resto do corpo da mulher. O canadense, nessa época, contava com 20 anos e, ao sair e vê-lo sentado no meio da neve sem nada cobrindo-o, Arnaaluk ficou confusa e, ainda mais, quando viu seu rosto! Era ele, o homem em seus sonhos! Estava com os cabelos desgrenhados e um pouco mais de barba, mas os olhos não mentiam! Sem conseguir conter a emoção, a inuíte senta-se, imitando a pose do homem-deus-espírito e começa a encará-lo curiosamente.

Com esse momento de choque ocorrendo nos dois lados, pois assim que a contemplou Logan soube que a amava e isso o fez pensar nos lobos, em Rose, em tudo que tocava e como terminava. Ambos tiveram alguns minutos de minuciosa especulação.

“Quem é você? É um Espírito da Neve?” – questionou a mulher – fazendo sua voz alcançar o homem como se fosse uma manta de peles, quente e aconchegante. Seu timbre acerta a orelha de Logan e ele suspira. Infelizmente, não entendeu uma palavra, mas sentiu no tom que era uma pergunta.

“Desculpa, gata, mas não falo seu idioma...” – enquanto sinalizava com a cabeça negativamente e deixava o semblante triste. Lembrando-se subitamente do motivo de sua exposição, ele levanta a cabeça bruscamente, fazendo-a pegar a faca que estava escondida dentro de sua manga. Ele sorri diante daquela atitude, pensando que se a quisesse morta, ela já estaria. Apontando para o horizonte, ele tira a mulher de seu transe, ao ver o quanto a tempestade estava próxima!

“Não temos tempo de procurar um abrigo! Preciso trazer os cachorros para dentro da caverna!” – e ela se movia na direção do trenó, correndo até os cães.

“Não! Tu não pode tentar voltar! Não dá tempo! Acho que a caverna é nossa única saída!... Os cachorros não vão sobreviver, solta eles!..” – e correu para a mesma direção, assustando Arnaaluk.

E ele chega primeiro, sendo confrontado pelos cães que lembraram do ataque na noite passada. Ela monta no trenó e toca os cachorros para que corram em direção a caverna, sem tentar dar explicações ao homem. Ele, então, percebe que ela não vai se livrar dos cães, mas sim salvá-los da tempestade. Pensando nos lobos e na impossibilidade de trazê-los para a caverna também, Logan então resolve voltar para onde eles estavam. Lutaria por eles, como ela estava fazendo pelos seus cães.

Descendo veloz do trenó, a inuíte solta os cães e joga um pedaço de carne para dentro da caverna. Apesar de receosos, eles correm para lá e são seguidos pela mulher, que usa o trenó como porta para a tempestade não entrar na caverna. Quando estava posicionando o trenó ela vê o canadense correndo para outro lugar e tenta gritar para que ele não vá, sem sucesso. As ventanias que antecedem a tempestade levaram sua voz para longe e, também, assinalaram que não havia mais tempo.

Logan chega no local e vê os lobos dentro do buraco, todos abaixam as orelhas e soltam ganidos quando o veem, em reconhecimento. Ele havia pegado uma das peles do trenó antes de Arnaaluk sumir com ele e, entrando no buraco, ele se cobre e cobre os lobos com aquela pele, afundando as pontas na neve e desejando que a tempestade passasse tão rápida quanto chegou...

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No povoado, Ahnah é consultada pelo receoso pai sobre a vida de sua filha. Ambos estavam muito preocupados, pois ao acordar a mãe teve um pressentimento estranho. Não era algo que terminasse mal, mas era um sentimento de angústia ou urgência que precedia uma felicidade indizível e, pela angústia, ambos estavam preocupados. Passaram a noite em orações e partiram para a direção onde ela havia ido pegar os salmões. Mesmo com sua idade, Ahnah acompanhou a excursão, sabendo que aquele era um momento único, para si e para sua filha.

Assim que avistaram a tempestade, os corações dos genitores se apertaram. Eles confiavam na rota natural das coisas... Mas ver sua filha exposta a algo tão grande era difícil.

“Eu vou sozinho, pai e mãe! Posso chegar antes da tempestade se estiver num trenó mais leve. Vocês ficam aqui e se mantenham a salvo, hein?!” – sentenciou Amaqjuaq – “Se a tempestade não a matou eu mesmo farei isso! Como ela foi egoísta em fazê-los passar por isso!!”

Os pais não responderam. Ele tinha razão, chegaria mais rápido se fosse sozinho... Amaruq desejou que a segunda sentença fosse uma brincadeira...

Com a ajuda dos filhos, construíram um iglu maior para os quatro em menos de uma hora e, assim, colocaram-se a disposição da natureza e de seus desígnios. Os cães também tiveram pequenos iglus construídos e podiam manter-se quentes durante o vento cortante.

Amaqjuaq viu, de longe, todo o movimento de Arnaaluk e do estranho seminu. Viu quando ela partiu para a caverna e aprovou, mentalmente, a atitude dela perante o momento. “Muito bom! Eu teria feito o mesmo!”

Seu desejo era ir atrás do estranho e confrontá-lo, mas não havia tempo para isso, o guerreiro, então, prendendo o trenó com alguns arpões ao solo, cobre-o com algumas peles e traz todos os cães para dentro dessa cabana improvisada, rezando para que seja o suficiente.

A tempestade fustiga a todos onde chega. Atingindo primeiro a caverna e a cabana-trenó, ambos sentem de modo diferente. Arnaaluk precisou fazer força para que o trenó não saísse voando com a força das rajadas, isso nos primeiros minutos, depois, a quantia de neve fez o peso necessário para manter o trenó no local.

Amaqjuaq não tinha o que fazer, apenas segurar as peles e acalmar os cães, sentindo o peso do acúmulo da neve sobre eles. Suas tentativas de remover o peso foram infrutíferos e ele já imaginava o trabalho que daria escavar por toda aquela neve antes que ela virasse gelo!

Logan também sente o peso da neve sobre a pele, dois lobos não conseguem manter-se calmos e saem correndo, durante a tempestade. “NÃO!” – Logan grita, sem ser ouvido por eles. Eram os machos que, vez ou outra, o confrontavam pelo posto de alfa na alcateia. “Que vocês fizeram?...” Isso o fez aconchegar ainda mais as três lobas restantes, deitando-se no chão e levantando as pernas, para que a pele não os soterrasse.

Depois de passada a tormenta, ainda era possível ver as duas últimas camadas de tijolos do grande iglu feito pela família. Ao ver que o buraco superior não tinha sido soterrado, os irmãos deram graças e, os pais, respiraram aliviados. Pediram a Siqiniq, o mais franzino, para que saísse pelo buraco e contasse como estava lá fora, sendo informados sobre a altura que a neve atingiu.

“Os dois devem estar soterrados! Precisamos ir atrás deles!” – Siqiniq sugeriu.

“Não, meu pequeno... Os deuses dizem que não é momento para atitudes precipitadas... Ainda é cedo, o Sol aparecerá e poderemos ter um quadro melhor de como agir.” – sentenciou a mãe, pegando um alforje de pele de baleia e tirando algumas tiras de carnes para que todos pudessem comer, fazendo com sua atitude calma que os outros se acalmassem também.

Não foi fácil identificar quando a tempestade parou. Os uivos dos ventos iam sendo abafados pelas camadas de neve e, somente Logan, com sua audição supersensível, conseguiu perceber o silêncio real após a passagem da tormenta.

Com suas pernas ele sentiu o peso da neve sobre si e, infelizmente, não gostou do que sua mente calculou. As três lobas emanavam um odor de medo e isso não servia para ajudá-lo a se concentrar... O instinto, nessas horas, pode congelar um homem. E ele não podia deixar esse lado congelado, senão só sobraria o lado animal e ele não era um animal!

Como eram quatro seres respirando o mesmo ar, logo não teria mais oxigênio para todos e, portanto, era necessário fazer algo o quanto antes. O único caminho era para cima e o único jeito era liberando sua fúria interior, mas... E aquela tênue linha que ele sente sempre que libera esse lado, tão saborosa que o canadense não quer mais recuperar a racionalidade. Isso poderia ser um problema com o que está em jogo.

“Mas quer saber, dane-se! Ou é isso, ou nada!” *SNIKT*

E em suas primeiras estacadas com as garras de osso na neve, seus instintos o fazem sentir o cheiro forte daquele urso antes predado e, desviando o caminho para o lado daquele cheiro, Logan cria uma saída precária, que poderia desabar a qualquer momento sobre as lobas atrás dele, mas que vai – milagrosamente – funcionando. Assim que chegam aos despojos do urso, o canadense volta a cavar para cima e dentro de um curto percurso, estão cegos pela claridade do Sol. Ele termina de ajudar as lobas e olha a paisagem ao redor, totalmente modificada pela tempestade. Sem nada dizer às três que estavam com ele, sai correndo para onde lembrava estar a entrada da caverna e reza para que ela não tenha colabado com o novo peso. Usando seus sentidos superaguçados, ele consegue sentir o cheiro da pele de baleia que envolvia o trenó, bem como os cheiro dos cachorros e da mulher, mesmo que de modo bem tênue.

*SNIKT* fazendo movimentos como quem nada de peito, ele vai jogando a neve para trás de si e, ao perceber o que o macho alfa fazia, as lobas resolveram ajudar, mantendo uma distância segura das garras elas também foram desbastando a neve que já iniciava a derreter devido a quentura do Sol.

Depois de uns 10 minutos cavando e tomando cuidado para não criar um túnel sobre si, o mutante encosta as garras em algo mais firme e as guarda *SNAKT* continuando com as mãos. As lobas se aproximam num frenesi, cavando com todas as forças e, quando descobre que era mesmo o trenó, ele solta:

“’Cê ‘tá viva aí dentro, guria?” – receoso do que as lobas podiam fazer a ela.

“É você, forasteiro?! Já passou a nevasca?” – e libera as cordas que prendiam o trenó a entrada, fazendo com que ele se mexesse um pouco.

Assim que ouve a voz da mulher ele relaxa e ao ver o trenó se movimentando e a reação das lobas, em posição de ataque, ele viu que aquilo não ia funcionar... Contudo, um ruído ouvido por elas e por ele os faz virar a cabeça em direção à cidade. Rosnando e correndo naquela direção, elas começam a cavar a neve num ponto, ao que Logan pensa ser algum animal soterrado e as deixa, assim ele poderia auxiliar a inuíte. Segurando o trenó e sacudindo-o levemente, ele termina de soltá-lo da entrada e percebe que ela já está em pé, com olhar sorridente, segurando os cães que queriam partir para cima do estranho. Bradando com eles ela os faz ir para trás e, então, inclina levemente o dorso em agradecimento ao que ele retribui e dá espaço para ela sair dali e reagrupar os cães ao equipamento.

Como ambos não se entendiam, não eram necessárias palavras. Os dois percebiam o quanto a visão do outro o agradava. O jovem também sorria com os olhos e, quando começaram a ouvir gritos humanos é que voltaram sua atenção na direção das lobas.

Era possível ver uma cena inusitada. As três lobas puxavam, sem cuidado, um braço que estava enterrado na neve e, deste braço saía um arpão. Assim que divisaram o que realmente era, Arnaaluk gritou, mesmo sem saber quem era:

“Precisamos ajudá-lo! As lobas vão destroçar seu braço!” – e correu naquela direção, armada com outro arpão e levando um dos cães o qual estava amarrado na parte de trás do trenó.

Logan não precisou correr na mesma direção. Na verdade, ele correu transversalmente àquela cena e, antes da mulher chegar perto das lobas, uivou para elas, chamando-as. Elas e a inuíte pararam o que faziam e olharam para quem uivava e ao ver aquela matilha largar o braço ensanguentado e partir na direção do estranho, Arnaaluk não pode deixar de repetir a pergunta: “O que é ele?!”

A mulher inicia a escavação para ajudar a retirar a pessoa da neve e se assusta ao reconhecer as roupas como sendo de seu irmão mais velho. O sangue já havia parado devido a constrição dos vasos e a dormência fazia com que Amaqjuaq não se incomodasse com o ferimento. Ele não demonstrou nenhum sinal de alegria ao ver a irmã, apenas bradou:

“Você está louca?! Onde estava com a cabeça ao vir tão longe, sozinha?! Será que sempre vai preocupar nossos pais?” – e ajudava os cães a sair do buraco, sem esperar uma resposta.

“Você veio sozinho atrás de mim, Amaqjuaq?” – ela questionou, preocupada com os ferimentos.

“Eles estão há alguns quilômetros de distância, Arnaaluk. Espero que tenham conseguido fazer um iglu antes da nevasca... Droga! Perdi meu trenó...” – tentando puxar a grande peça enterrada na neve, sem sucesso.

Enquanto ele respondia e se entretinha em recuperar o trenó, a mulher volta o olhar onde havia deixado o forasteiro. Mas nem sinal dele ou dos lobos... “Será mesmo um espírito?”

“Que cara é essa, mulher?! Aliás, você deve ter visto o que me atacou, não? Por que não foi caçá-lo?” – iniciando a caminhada até o trenó da irmã.

Ela demora um pouco a sair do transe de suas próprias dúvidas e, então, responde:

“Eu estava só pensando... Não existem muitas histórias sobre espíritos na neve, né? Eu acho que vi um... E que ele me ajudou a escapar da nevasca e, depois, me resgatou da caverna onde entrei. – ela dizia mais para si mesma – Ah! Claro que sei o que te atacou, irmão. Foram três lobos. Magros e, provavelmente, famintos...”

“Seriam os mesmos que deixamos a carne da baleia? Mas eram cinco...”

“É mesmo! Vocês também encontraram lobos... Olha, esses eram diferentes, a cor da pelagem era preta. O de vocês também?”

“Sim! Sim! Sabia que devíamos ter matado os desgraçados! Eles podem ser um perigo para as pessoas na vila... Estão com tanta fome que ignoram o medo...”

“Havia um homem com eles...” – ela diz baixinho, mas o irmão ouve.

“O quê?! Como assim?” – amarrando os seus cães ao trenó da irmã e tomando a frente, para encontrar o restante da família.

“Era um homem branco, bem hirsuto, de cabelos pretos e olhos azuis. Ele estava seminu. E os lobos pararam de te atacar quando ele os chamou, uivando! Eu nunca vi nada assim...” – omitindo o fato dele ser o homem que aparecia em seus sonhos. Essa revelação ela guardaria somente para a mãe, quando conseguisse ficar a sós com ela!

Ao longe, Logan vê o caminho que fazem e um ardume interno o impulsiona a seguir o comboio, de longe.


“O que tu vai fazer, Logan?” – ele se questionava, sendo acompanhado pelas lobas com carinhas de interrogação – “Não tem como negar essa fagulha dentro de ti. Aquela mulher precisa ser tua!”

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LEGENDAS:

¹Deusa da fertilidade e do parto.

²Deusa dos caçadores.

³Deus do céu.

4Deus das estrelas.

May 8, 2020, 6:49 p.m. 2 Report Embed Follow story
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Read next chapter Parte II: Minha flor preciosa!

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Isís Marchetti Isís Marchetti
Olá, tudo bem? Faço parte do Sistema de Verificação e venho lhe parabenizar pela Verificação da sua história. Preciso dizer que eu amei ler essa história, de verdade, eu não sei de onde veio a ideia para tal enredo, mas me pegou de jeito! Você deixa tantas coisas claras que ficam de fácil entendimento e isso só deixa a história mais real. A impressão que deixou é que foi uma história real do Logan, mas que deixou de ser contada. Eu gostei demais, foi uma experiência incrível. A coerência do seu texto está excelente. Quanto à estrutura, também está muito boa, apesar disso, gostaria de mostrar para você um apontamento na sinopse em "mudar sua o rumo de sua vida" seria interessante você rever essa frase, mas no geral a sinopse está bem atrativa e prende a atenção para desvendar o que tem por trás dela. Também gostaria de avisar que sua história foi mudada de Quadrinhos para Fanfiction por conter personagens que não a pertencem. Outro ponto interessante sobre a estrutura, são as caixas de diálogos, o uso de sentenciais como: "<>" não convém para uso em diálogos, o certo seria aspas ou travessões, também é bom manter um único modelo ao longo do texto. Quanto aos personagens, eu realmente amei a Arnaaluk, sua personalidade forte e guerreira me cativou do um jeito inexplicável, ela meio que contradizia a personalidade do Logan, mas também a completava. Apesar disso, essa personalidade do Logan parecia um pouco diferente dos filmes que vemos hoje em dia, ele parecia ser mais brincalhão e devotado, isso foi um diferencial maravilhoso. Quanto à gramática, sua escrita é maravilhosa, você da tantos detalhes sobre os costumes e as caças e isso só deixou o texto mais verossímil ainda, você escolheu com cuidado o uso das palavras e deixou o texto rico, fazendo com que não se transformasse em uma leitura pesada e enfadonha, ficou maravilhoso. Apesar disso, tem um único apontamento que gostaria de deixar para você rever se achar relevante, em "fogo acesso" em vez de "fogo aceso". Mais uma vez, ressalto em como seu texto está incrível, eu amei essa experiência e espero que muitas outras pessoas apreciem, desejo a você tudo de bom e sucesso. Abraços.
July 06, 2020, 16:52

  • Liura Sanchez Lauri Liura Sanchez Lauri
    Olá, Ísis! Tudo bem? Só posso agradecer, muito, por suas palavras! Já ajeitei as partes escritas com erro, na sinopse e no texto, muito obrigada! Sobre os “<>” foi uma tentativa de mostrar que eles não falavam a mesma língua, mas já alterei para aspas mesmo, uma vez que o Logan deixa claro que ele não está entendendo nada que a Arnaaluk diz ;) Obrigada pela alteração de categoria da história. O Logan meu sempre será diferente dos filmes! Eu me inspiro no Logan dos quadrinhos para criar minhas fics, portanto, ele teve mais tempo de moldar sua personalidade e, durante minhas leituras, percebo que ele teve momentos de mais devotamento, mas que como sua vida é mais longa que a das outras pessoas, ele foi perdendo ao longo do processo... A vida nos quadrinhos foi bem dura com ele :( Não que nos filmes tenha sido fácil também, né? *risos* Eu também espero que muitas outras pessoas façam essa imersão. Foi extremamente prazeroso pesquisar para escrever e, depois, ler uma opinião como essa somente me deixou mais feliz! Muitíssimo obrigada! Também desejo tudo de bom e sucesso! Liura. July 06, 2020, 20:00
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