jace_beleren Lucas Vitoriano

Ela acordou em um lugar cinzento e solitário, nua e confusa com o mundo mórbido ao seu redor. Sem lembranças do passado nem perspectivas de um futuro, começa a vagar a procura de respostas sobre si mesma e o mundo que a rodeia.


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#suspense #misterio
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Prólogo

A primeira coisa que Ela sentiu, foi o cheiro de terra molhada e fezes. Seus olhos ainda estavam fechados e seu corpo estava preso em uma letargia imobilizante. Tentou abrir os olhos, mas suas pálpebras estavam mais pesadas que chumbo. Os dedos das mãos se moveram fracamente, e foi só.

Alguma coisa, aproximou-se dela, passos incertos na terra molhada. Um focinho cutucou sua bochecha, cheirando seu rosto com curiosidade. Ela sentiu duas lambidas em seu rosto e mais uma vez a coisa cheirou seu rosto, afastando-se logo em seguida com o que, parecia a Ela, decepção.

Tentou abrir os olhos mais uma vez. O cheiro de terra molhada estava mais forte, ou isso, ou era seu olfato que estava mais desperto. Ela gemeu alguma coisa em voz baixa, um som indistinto e patético. Cansada demais para qualquer outra coisa, caiu novamente no sono.

Acordou não sabia quanto tempo depois. Tinha uma vaga lembrança de sua experiência anterior com algum animal misterioso a cheirando e lambendo, mas não sabia dizer se isso havia de fato acontecido ou se era apenas um sonho.

Continuou deitada, o corpo ainda mole e dormente, embora um pouco mais desperto do que antes. Ela tentou se mover de novo, mas apenas conseguiu fechar os dedos das mãos e mover a cabeça para o lado, fracamente. Seus olhos se abriram por um breve instante, mas a visão não lhe revelou nada de novo, apenas mais escuridão, alguns pontos distantes de luz e formas finas e secas indistintas.

Sua boca se abriu e um som rouco e inarticulado saiu. Não era sequer uma palavra, apenas uma expressão desordenada de som que mais parecia o gemido de um moribundo.

Voltou a adormecer.

Ela teve a impressão que acordara mais outras vezes, mas suas lembranças eram vagas a esse respeito. Tudo era nebuloso e escuro. Seu corpo estava mais desperto, não exatamente por mérito seu, mas devido a chuva que o castigava com gotas pesadas maltratando sua pele nua.

Finalmente, seus olhos se abriram totalmente. A primeira coisa que viu foi o céu em uma completa escuridão, com nuvens cinzentas pairando aqui e ali. Ela virou a cabeça para ver seu próprio corpo, percebendo sua nudez. A pele branca, que mas parecia um cinza cadavérico, estava suja de terra e molhada devido a chuva. Ela era magra, muito magra, com seios pequenos e mamilos rosados que pareciam rosas murchas. Uma das mãos foi até o rosto, limpando-o de terra. Isso foi bom, muito bom. Ela deslizou as mãos pelos cabelos longos e ondulados, negros, como o céu em cima de si.

Tentou falar alguma coisa. Ela sabia, de uma forma que não conseguia explicar, que sua boca podia produzir sons mais refinados e coerentes do que os gemidos e urros que saiam dela, mas tudo que conseguiu foram os urros mesmo.

O corpo começava a despertar para aquele mundo estranho, absorbendo sensações com cautela e desconfiança. Lentamente, Ela sentou-se no chão. Agradava-lhe a sensação da terra abaixo de seu corpo e da chuva acariciando sua pele. Com esforço, e agindo um tanto por instinto, conseguiu se colocar de pé. Sorriu triunfante com essa pequena, e breve, vitória, pois logo depois suas pernas cederam e ela voltou a cair no chão. Ela grunhiu de raiva, tinha certeza que havia caído bem em cima de uma bosta particularmente grande e fedorenta.

Com certeza não foi algo que Ela se orgulhasse. Mais por irritação do que por qualquer outra coisa, tentou novamente colocar-se de pé, dessa vez apoiando-se em uma árvore raquítica e sem folhas que estava ali perto. Haviam muitas árvores assim.

Dessa vez teve sucesso e sorriu, esquecendo-se da bosta em seu rosto. Quando se deu conta disso, limpou a sujeira com as costas da mão. Ela olhou ao seu redor, admirando a paisagem de uma monotonia cinzenta. Havia terra enegrecida e úmida, árvores despontando aqui e ali. Não viu animais ou qualquer sinal de ser vivo (além da bosta claro, mas a mente dela não conseguia associar uma coisa a outra). A lembrança distante de alguma coisa lambendo-a já havia se esvaído de sua mente.

Com passos trôpegos, Ela seguiu em frente, ou para trás, era difícil dizer, pois aquele ambiente era tão confuso em sua imensidão cinza. E assim, a mulher magra, nua e suja de bosta dava seus primeiros passos após acordar de um estranho sono.

April 26, 2020, 9:17 p.m. 0 Report Embed Follow story
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