shinia Bar-t-t-tender

Yuuichiro gosta de Mikaela há um bom tempo, mas não se declara por falta de confiança em si mesmo. Ele só pretende esperar esse amor platônico passar, e realmente o faria, se Shinoa não decidisse que estava mais do que na hora de se arriscar no jogo do amor.


Fanfiction Anime/Manga Not for children under 13.

#ons-mikayuu #seraph-of-the-end #mikaela-hyakuya #yaoi #lgbt #owari-no-seraph #mikayuu
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Atenção atenção
Eu coloquei algumas expressões pejorativas ao longo do texto. São completamente propositais, e nenhuma tem a mínima finalidade de causar desconforto a quem lê. Com exceção de galego (que é uma gíria que os nordestinos usam ao descrever alguém de cabelo claro), escrevi aqui só aquelas mais usadas pela própria comunidade lgbt. Mas, se por algum motivo você se incomodar mesmo assim com tais termos, peço encarecidamente para que não leia.


— Santo Jeffre Star, eu nunca imaginei que você fosse um viadinho tão enrustido, Yuuichiro! – Shinoa afirmou, rindo enquanto rolava o perfil do colega em uma rede social qualquer. Especificamente a aba de seguidores, que exibia bem no topo uma página com o nome “Orgulho de Ser Hétero”.

O perfil em questão não era atualizado há uns bons cinco anos, o que quase justificava o icon de minecraft e o (menino zoeiro) depois do nome. Yuuichiro só não havia excluído aquilo por pura preguiça, mas se sentia arrependido desde que Shinoa encontrara tal relíquia obscura, a mais ou menos uma semana.

Ela o atazanava incansavelmente desde então.

— Ai, mas falando sério agora — ela passou a ponta dos dedos nos olhos, como quem lacrimeja de tanto rir. Ele duvidava muito dessa tal seriedade. — como você conseguiu evoluir disso pra isso? — apontou para uma publicação extremamente preconceituosa e, em seguida, para as maquiagens que o colega manuseava com facilidade em seu rosto.

— ora, então eu evoluí, afinal?

— nisso, sim, um pouco. mas continua a mesma merda em todo o resto.

— Eu vou furar seu olho com esse lápis sua lambisgoia desgraçada.

As mãos grandes largaram o lápis de olhos dentro da nécessaire e ele começou a sofrida missão de encontrar um gloss decente na maquiagem precária da moça. — Meu Deus, Shinoa, o estado das suas coisas é desesperador!

— Você que é exagerado! E maneire aí, eu não quero chegar na escola parecendo uma drag queen.

— Sua cara tá atolada de espinha. Lógico que eu vou precisar passar um reboco potente nisso aí! — Yuuichiro mal terminou de falar e foi presenteado com um chute forte no estômago. Soltou um grito fino e deu dois passos para trás. — Você tá louca?

— Não fale mal da pele de uma dama assim, tão diretamente!

— Tá, tá. Agora cala a boca e me deixa terminar.

Ela cooperou, finalmente. Yuuichiro preferiu finalizar com um dos brilhantes, sabor framboesa.

— Pronto. Fiz o meu milagre da semana. Agora quero te ver rezar pra mim na missa de domingo, ouviu? — Ele pegou a mochila jogada no chão. Já era hora de estarem a caminho da escola.

Shinoa olhou o reflexo na tela do celular. — é, não tá tão bom assim, mas dá pro gasto.

— Que tipo de atentado à humanidade você planejou pra hoje, hein?

— Vou pedir a Mi-chan em namoro.

Yuuichiro a encarou, incrédulo. — Shinoa, eu tenho quase certeza de que ela é hétero e tá gostando do Kimizuki.

— Claro que não. faz três meses que a gente se pega no banheiro perto da cantina.

o quê?!

— Se você fosse esperto, também já estaria fazendo o mesmo com aquele galego do terceiro A. — Foi uma provocação barata, mas o suficiente para fazer Yuuichiro corar.

Shinoa abriu a boca, arregalou aqueles olhos espertos — você ainda gosta dele?

Yuuichiro mexeu os ombros, tentando acelerar o passo enquanto andavam se equilibrando no meio-fio da calçada. — é... mais ou menos.

O loiro ao qual se referiam era Shindo Mikaela. Olhos azuis, alto, atlético e extremamente emo. Andava com os galãs do colégio e era o sonho de consumo de todas as meninas da cidadezinha pequena e proximidades. Yuuichiro, burro, inseguro e extremamente comum, não teria uma chance com ele nem na terceira encarnação.

Era o que pensava, pelo menos, e preferia continuar assim por puro medo de ser humilhado por aquela beldade.

— Desde o primeiro ano? Ah, mas a gente tem que mudar isso. Yuuichiro, na vida, ou você trepa ou sai da moita!

— Então eu pulo fora. — Disse encabulado. não queria o dedo podre de Shinoa em seus amores platônicos. Tudo que saía da boca dela parecia digno de um pornô.

A escola estava próxima, graças aos céus. Eles se separaram no portão, quando ela correu ao encontro de uma menina loira de marias-chiquinhas. Yuuichiro entrou sozinho. Foi logo para a sala de aula, só por não ter outro lugar em mente mesmo.

Era uma classe de trinta alunos, mais ou menos. O terceiro ano D, também conhecido como a perdição da escola. Crowley estava lá. Era um amigo de Mikaela, completava o grupinho junto com Ferid e, às vezes, Krul. Todos lindos, com Mikaela reinando de acima da pirâmide, inalcançável.

Ele tentava se convencer de que não se importava.

Mas ele definitivamente se importava com Shinoa, e percebeu de onde estava, no fim da classe, com uma preocupação genuína que ela vez ou outra passava pequenos bilhetes para Crowley, e era prontamente respondida com um olhar travesso semelhante.

A ação se repetiu durante boa parte das duas primeiras aulas, e eles até saíram juntos quando o sinal do intervalo tocou. Shinoa nem se preocupou em ir ver Yuuichiro, de tão imersa na conversa que estava. Ele não se importava, de qualquer forma. Ou tentava não o fazer.

— é um plano bem interessante... — Crowley elogiou, pensativo. — Mas acha que vai mesmo funcionar? Quer dizer, Ferid com certeza vai topar. Ele topa qualquer coisa que irrite Mikaela, mas eu não sei como vamos conseguir atrair os dois para o mesmo lugar.

— ah mas eu já tenho tudo planejado. Vá chamar ele, e eu vou atrás da minha tchuchuca. Nos encontramos daqui a pouco lá no campinho para ajustar os últimos detalhes. — Dito isso, cada um foi para um lado. Se juntaram depois de uns cinco minutos. Ferid mandou Mikaela ir pastar em alto e bom som, quando o loiro tentou acompanhá-los. Crowley precisou separar a quase briga, tentando defender o namorado enquanto o mesmo ria do loiro. Era cansativo ser a pessoa mais ou menos sã do trio. Os dois sugavam suas forças como vampiros sugam o sangue de humanos.

Shinoa também não parecia uma pessoa tão normal quanto pensara. Ele meio que entendeu o motivo da cara carrancuda de Yuuichiro, quando ela e o rapaz de cabelos prateados começaram a zoar seus respectivos amigos.

O sinal tocou, indicando o fim do longo intervalo. Levantaram dos bancos de concreto à sombra da cajazeira, limpando a areia da roupa.

— Ah, eu ia esquecendo do mais importante. — No último minuto possível, Shinoa agarrou a gola da blusa de Mitsuba e a puxou para cima de si. As bocas se encontraram por poucos segundos. Ao final do contato, loira ardia em vermelho, envergonhada enquanto a outra mantinha um sorriso travesso. — somos namoradas agora, Mi-chan. — disse, e correu para as escadarias que levavam às sala dos ensino médio.

Ferid assobiou, surpreso. — Quero andar com ela todo dia no intervalo.

Crowley meneou com a cabeça, rindo. Era sabido que cobras precisavam de cobras para se manterem bem aquecidas, afinal.

— Ferid, eu não vou ficar vigiando o corredor enquanto você e Crowley se pegam. Eu já disse que isso é ridículo! — Mikaela reclamava ruidosamente enquanto o amigo o arrastava para fora da sala, sem dar nem meio segundo de atenção ao que o loiro falava.

O sinal das cinco e meia tinha acabado de tocar.

E ele ainda estava puto da vida por causa da resposta atravessada de mais cedo, isso era certo.

Mas infelizmente Bathory não podia perder tempo ao irritá-lo ainda mais. Esperava conseguir uma diversão muito melhor com o que estava para fazer.

— Ai amigo... inveja é uma doença e eu desejo melhoras a esse coraçãozinho amargurado, viu? Felizmente tenho a solução que vai preencher todos os seus espaços vazios. — Disse, e se foram. Ferid era forte e Shindo viu que daquela vez, não adiantava se negar.

O loiro percebeu que o negócio era sério quando viu Shinoa e Crowley esperando. Ele a conhecia, era amiga do seu crush de infância, afinal.

— O que tá acontecendo...? — perguntou. Ferid desgrudou a mão do seu pulso, e foi um alívio.

— Primeiro nós precisamos entrar lá dentro. Todo mundo. — ela falou, inesperadamente séria. — Mitsuba, você pode chamar Yuuichiro, por favor? — A voz tinha um toque de urgência fingida, principalmente ao pronunciar o nome do colega. Era uma ótima atriz. Ria internamente por isso.

Olhou de soslaio para Mikaela. Ele tinha mordido a isca, claro que tinha.

— Vocês se incomodam em entrar? — Apontou para o quartinho pequeno do faxineiro, tentando maneirar no drama. — Eu acho que é melhor... vamos precisar de um pouco de privacidade.

Não houve objeções. Crowley colocou a cereja no bolo pondo a mão no ombro dela de um jeito consolador. A essa altura, o coração de Mikaela já batia a mil, e ele quase deixava a ansiedade transparecer.

Yuuichiro estava para ir embora quando Mitsuba apareceu, esbaforida, na porta da sala. Ela havia subido aquelas escadas correndo, como toda certeza. Precisou de uns cinco segundos para conseguir se recompor.

— Mitsuba, o que... — Yuuichiro quis perguntar quando ela parou de morrer, mas a mão pequena se fechou em seu pulso num estalo alto, e ela o fitou com um olhar de urgência.

— Shinoa... precisa de você. Venha, por favor. — e fez menção de ir embora. O rapaz não esperou por mais nada e correu logo atrás, se deixando guiar por ela com um péssimo pressentimento. Sua mente só conseguia pensar no pior.

Mitsuba só parou quando chegaram em frente à pequena porta do quartinho no final do campo de terra vermelha. A essa altura, pela preocupação e adrenalina, o coração de Yuuichiro já estava para sair pela boca.

— Mitsuba, o que... — ela foi rápida. Em uma fração de segundos, a porta se escancarou e ele foi chutado para dentro.

Lá, tudo estava escuro, mas não por muito tempo. A luz logo se acendeu, e uma Shinoa radiante, com um sorriso tão grande que só podia preceder uma grande desgraça, gritou e alto e bom tom:

— Ado ado, quem ficar aqui dentro é viado!

E como se fugissem do fim do mundo, a meia dúzia de pessoas lá dentro correu, restando apenas Yuuichiro, que recebeu uma porta na cara quando tentou sair.

Lá fora, Shinoa e Mitsuba riam escandalosamente, até que uma voz masculina — Ferid, o rapaz reconheceu — cessou tudo com uma frase curta e simples.

— Ei, o que você está fazendo aqui fora? — e a porta se abriu, mas só o suficiente para empurrar outra pessoa para dentro.

A alma do moreno saiu e quase esqueceu o caminho de volta para o corpo quando notou a moita de cabelos loiros à frente.

Era Mikaela. E ele estava doentiamente vermelho.

Yuuichiro estava para pular em cima da porta até ela ceder quando o outro finalmente saiu de sua letargia e se obrigou a ter alguma reação.

E não foi nenhum olhar de desprezo, ou piada, como o de olhos verdes tanto pensara nesse tempo todo. Em vez disso, Mikaela sorriu. Curto, discreto, pequeno, genuíno. Yuuichiro nunca tinha visto o loiro sorrir. Ele não o fazia nem quando recebia cartas das meninas bonitas.

Passou uma mecha loira para trás da orelha, os olhos azuis fixos no chão, envergonhado. — acho que aqueles desgraçados já disseram tudo... — falou, e Yuuichiro soltou uma gargalhada. Estava nervoso de verdade, e o outro também. Neste cenário, sorrir parecia a coisa mais adequada a se fazer.

— merda. Eu gosto de você desde o primeiro ano e só agora venho descobrir... — confessou. Nem percebeu. Saiu tudo muito fácil, indolor.

Mikaela ainda não o olhava, mas estava adoravelmente vermelho. — é... o mundo é cheio dessas coincidências.

O moreno parou de rir na hora. Olhou direto para o loiro, que também havia juntado coragem para encará-lo.

— o quê?

— Shinoa tinha razão, você é bem lerdo. — um “eu sempre estou certa” pôde ser ouvido do outro lado da porta, indicando que os outros estavam muito atentos a tudo.

Era oficial, Yuuichiro ia matar aquela anã de jardim.

— enfim — o loiro retomou o raciocínio. A voz tremia, mas ele não se desfazia daquele sorriso — nós perdemos o ensino médio nisso, mas... a gente ainda pode tentar, se você quiser.

Yuuichiro precisou morder o lábio para não sair gritando. Sua resposta era mais que óbvia.

A porta se abriu. Lá fora, quatro pares de olhos cheios de expectativas pediam por um desfecho.

— pensando bem, nós podemos conversar sobre isso no caminho de casa — Mikaela propôs, e o outro agradeceu em oração. — até amanhã, pessoal.

E rumaram rua abaixo, em direção à casa de Yuuichiro. Na esquina, o moreno buscou pelas mãos do outro rapaz, e foi prontamente acolhido por um calor sem igual.

— se protejam, usem camisinha! — Shinoa e Ferid gritaram em uníssono. Mas o tempo parecia tão agradável que eles nem chegaram a se importar.



Uhu, eu tenho uma insegurança singular com histórias mais alegres... a alegria é um sentimento puro e simples, e de ser retratado assim, sem grandes descrições, mas tudo parece tão mal escrito quando eu o faço... escrever isso foi bem gostoso, e espero que essa história não me incomode ao ponto de eu precisar apagá-la.
Jeffree Star é um cara bem famoso lá na gringa. Ele tem mil e um empregos, mas fez mais sucesso como dono de uma linha de maquiagem pra gente famosa.
Vamos às explicações, de novo, ok? Ok. Essa fanfic tenta (e falha em) ser engraçada em cima de um monte de situações que só são cômicas na fantasia. Na vida real, não force aquelu amigue lgbt a sair do armário, também não empurre uma pessoa pra cima de outra só porque elus têm a mesma orientação sexual ou identidade de gênero. Não é bonito, não é legal, e você provavelmente só vai estar trazendo mais um trauma pra alguém que já tem uma cabeça bem bagunçada.
Lgbts estão no armário por um motivo, e quando você sai por aí contanto algo tão íntimo para outras pessoas, acaba rompendo mais um fio de confiança e tirando dele o direito de assumir a si mesmo para o mundo que primeiramente o forçou a entrar lá. não é um favor, é algo extremamente incômodo. Não faça. Deixe que ele mesmo o fará, no próprio tempo.
April 23, 2020, 12:38 p.m. 0 Report Embed Follow story
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The End

Meet the author

Bar-t-t-tender Olho de frente a cara do presente e sei que vou ouvir a mesma história porca

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