eduardo-cezar1586895645 Eduardo Cezar

Há mil anos, a humanidade estava em guerra. As doze tribos não chegavam a um acordo, havia dor, miséria, violência e tristeza. Desesperadas, todas as pessoas rezavam aos Deuses do Olimpo para que houvesse paz. Do Olimpo, Zeus ouviu as preces e desceu à Terra uma última vez. E foi assim que a Era dos Deuses terminou para dar início à Era dos Heróis.


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O GAROTO DA CAPITAL

PREFÁCIO

Há mil anos, a humanidade estava em guerra. As doze tribos não chegavam a um acordo, havia dor, miséria, violência e tristeza. Desesperadas, todas as pessoas rezavam aos Deuses do Olimpo para que houvesse paz. Do Olimpo, Zeus ouviu as preces e desceu à Terra uma última vez.

Zeus, então, organizou as tribos em Doze Reinos e para cada um foi eleito um rei ou uma rainha. Para que governassem pela eternidade e de forma pacífica, os líderes receberam o dom da Divindade. Zeus elegeu um Governador para administrar os Doze Reinos. Do Reino de Libra, escolheu o General Kriss, cuja irmã, Tália, seria sua fiel Regente.

— Tu és o mais justo entre os reis, e governarás com sabedoria. — Disse Zeus. Todos os outros concordaram com os termos, desesperados por paz.

Uma Capital foi erguida à luz do próprio Sol, mais magnífica do que o Olimpo, de modo que cada reino ficasse a mesma distância. Para isso, pontes foram erguidas, montanhas foram superadas e palácios construídos. Zeus, então, subiu ao Olimpo e a paz se fez.

Com a ordem restaurada e paz reinando límpida, não foi mais preciso rezar para os deuses. Templos foram fechados; no lugar de monumentos e obeliscos, estátuas foram erguidas com as faces dos Reis e Rainhas de cada reino. A Era dos Deuses havia acabado, e a Era dos Heróis começava.

O GAROTO DA CAPITAL

Kriss estava em seus aposentos na Capital. Enquanto ele governava os Doze Reinos, seu trono ficava sob o cuidado de sua irmã. Kriss estava lendo um grosso volume – História da Antiga Era – quando sentiu uma presença familiar.

— Eu sabia que você iria aparecer aqui algum dia. Só não entendo por que demorou tanto – hesitou antes de continuar. – O que você tem agora que não tinha antes? – Completou depois de colocar o livro sobre a mesa. A silhueta se moveu pelas sombras e Kriss acompanhou com os olhos.

— Sempre duvidei da decisão de Zeus em colocar você como o Governante. Mas vejo que até você tem o seu valor.

—Nunca confiei em você — disse levantando-se.

— Talvez essa tenha sido a coisa mais inteligente que você já vez.

— Vamos acabar logo com isso, por favor.

Como um piscar de olhos, Kriss já alçou voo para cima do seu oponente. A figura nas sombras desviou rapidamente e com a mesma velocidade fincou uma adaga nas costas de Kriss, acertando apenas músculos. O libriano não se abateu, conseguiu desvencilhar-se dos braços fortes de seu oponente. Retirou dolorosamente a adaga de seu ombro.

— Por Zeus, onde conseguiu isso?

— Do mesmo lugar de onde tirei isto — em meio às sombras uma lâmina reluzente surgiu. Kriss adiantou-se ao ataque, defendeu uma investida da espada, mas seu oponente já o havia cravado uma adaga no abdômen.

— Talvez a inteligência seja seu maior trunfo, mas você nunca foi mais rápido que eu. – O corpo de Kriss tombou.

Shen viera do Reino de Câncer e se estabelecera na capital havia dois anos. Fez amigos ali e conseguiu trabalho em uma loja de tecidos, da qual ficou amigo do dono, Rúbio – um Ariano baixinho e invocado. Shen saíra de uma casa com mais onze bocas para sua mãe alimentar. Quando atingiu os dezesseis anos, saiu de casa sem despedir-se – sabia que a mãe jamais o deixaria partir.

Em seu quarto, que ficava em cima da loja, Shen lia livros de histórias antigas e canções passadas de outra era. Ouviu batidas na porta e foi atender. Era Sonyx, um de seus amigos. O único, na verdade. Visitas como aquela eram costumeiras. Depois de seu trabalho na padaria, Sonyx visitava seu amigo e sempre compartilhava metade de um bolo ou pão. O jovem trazia consigo, também, uma cesta com mantimentos. Ainda que poucos, eram suficientes para sua família.

— O dia não rendeu muito hoje, mas consegui o suficiente — disse Sonyx colocando a cesta sobre a mesa.

— Não precisamos comer o bolo, Sonyx. Pode levar.

— Tenho o suficiente. Recebemos encomendas do castelo, amanhã vamos receber o pagamento.

Shen foi até um armário e de lá tirou uma garrafa e duas taças simples, mas de prata. Era tudo que trouxera consigo de seu reino.

— Rúbio me deu isso hoje. Uma garrafa de vinho que ele tomou a metade pela manhã.

— Esse homem vai acabar morrendo por causa da bebida.

— Vai mesmo.

Sonyx tomou um gole do vinho.

— Mas eu morreria tomando isso. É muito bom!

Os dois terminaram o bolo e o vinho. Sonyx ficava com as bochechas rubras quando bebia vinho. Mas Shen não precisava disso para ficar enrubescido ao lado do amigo. Do lado de fora, a Lua levantava-se e a temperatura caía. Shen providenciou um fogo no pequeno fogão de ferro e os dois sentaram-se em volta do calor.

— Está esfriando muito rápido. Acho que vem chuva aí.

Talvez hoje ele fique aqui, pensou Shen.

— Acho que vou indo então. Preciso levar a cesta para minha mãe.

Ou talvez não.

Shen abriu um baú que ficava ao pé de sua cama e de lá tirou um casaco grosso.

— Pegue. Vai proteger você do frio e não deixa água entrar, caso chova.

— Devolvo amanhã. Obrigado. Esse casaco é muito bonito. Foi você quem fez?

— Sim, foi eu. Fiz com alguns retalhos de couro para os guardas da Cavalaria.

— Você é muito bom nisso.

Sonyx desceu as escadas e Shen fechou a porta. Sozinho em seu quarto tinha a companhia apenas de seus pensamentos e com eles ele conversava. Shen sempre admirou o fato de que Sonyx nunca deixava de levar algo para sua família — e nunca deixava de trazer um agrado para ele também. Mas, no fundo, Shen esperava pelo dia em que Sonyx apareceria sem aquela cesta e pudesse passar a noite com ele, aconchegados ao redor do fogo, bebendo vinho e conversando sobre qualquer besteira. Imaginando esse dia, adormeceu.

O dia chegou com o sol e Pollux acordou com batidas fortes na porta.

— Mas quem em nome de Zeus!

Levantou-se completamente nu de sua cama e abriu a porta. O mensageiro, envergonhado, entregou um papel.

— Chegou agora pela manhã.

Pollux leu o bilhete.

— Mande uma mensagem para Leon, diga que vou encontrá-lo na terceira estátua.

Pollux era o Rei de Gêmeos. Com a notícia da morte do Governante, o dia não seria nada fácil. Rapidamente estava vestido em seus trajes de cor púrpura, pronto para deslocar-se até a capital para a reunião emergencial do Conselho. Uma reunião já estava marcada para aquele dia, mas apenas para a tarde — com a manhã livre, Pollux pudera dar uma festa na noite anterior que abalou até as estruturas mais profundas do palácio.

A capital encantava qualquer um que por ali passasse. Aquedutos que distribuíam água passavam pelas praças com seus enormes arcos. Estátuas e monumentos de mármore branco erguiam-se em homenagem aos grandes heróis e embelezavam as ruas — e o palácio no alto de uma escadaria. Pollux sempre achara as construções uma hipocrisia, tudo para esconder o sangue derramado em uma outra era.

Na entrada do palácio, havia um arco com doze estátuas dispostas em meia lua. Leon, do Reino de Leão, aguardava sob a estátua com as feições de Pollux.

— Fiquei preocupado que não recebesse minha mensagem a tempo — disse Pollux aproximando-se do colega.

— Não podia ter escolhido uma estátua mais bonita?

— Vamos subir logo, senão vamos nos atrasar.

Quando Pollux e Leon entraram na sala do trono a confusão já havia tomado seu lugar. Os dois sentaram-se em suas respectivas cadeiras ao redor de uma enorme mesa revestida em ouro branco. Sua superfície refletia os gigantes candelabros pendurados no teto. Sária, do Reino de Sagitário, entrou na sala. Ela estava acompanhada de Tália, regente do trono do Reino de Libra. Com a entrada das duas o silêncio fez-se presente.

— Vejo que já estão todos aqui. Podemos começar. — Disse Sária.

No centro da Capital, Shen abria a loja de tecidos. Todos os dias, ele limpava, colocava tudo em ordem, organizava as promoções do dia, para que, quando Rúbio chegasse, o homem pudesse sentar-se em sua cadeira atrás do balcão e abrir uma garrafa de bebida.

— Shen, preciso que você leve uma encomenda do castelo hoje à tarde — disse o Ariano após abrir uma garrafa. — Não consigo subir aquelas escadas, não com minha dor nas costas.

— Está bem, eu levo.

— O que eu faria sem você por aqui? Acho que quando eu me for, o que não está longe, essa loja ficará para você, Shen.

Shen ficava sem jeito quando seu chefe dizia essas coisas. Como Rúbio estava sempre bêbado, era impossível saber até onde a verdade ia. Ele apenas dava um sorriso sem jeito e procurava desesperadamente algo com o que se ocupar.

Na sala do trono o clima era de tensão. Matar um Rei era um ato praticamente impossível, mas chegar até o Governante com tamanha facilidade?

— Não, eu não acredito que tenha sido alguém de fora. Foi alguém de dentro — disse Sálua, do Reino de Peixes.

— Eu não acredito que ninguém aqui tenha a capacidade de assassinar — contrapôs Leon.

— Meus colegas, não se esqueçam de que nós viemos da guerra. Se existem pessoas com essa capacidade, estão todas reunidas aqui.

— Eu concordo com Pollux — disse Sária. — Kriss era um homem bom, gentil e governava com sabedoria. Sua morte violenta demonstra o ciúme e a insatisfação de alguém que não tem a capacidade de amar. Lembrem-se, por favor, de quando Zeus nos presenteou com a Divindade. Somente um dos Doze tem o poder de matar um Líder — o silêncio que seguiu as palavras de Sária falava por si só.

— Vocês sabem o que isso significa, não é mesmo? Isso significa que o assassino está aqui nesta sala. Eu preciso de um intervalo para clarear as ideias, com licença.

— Isso parece mesmo muito apropriado, não é mesmo?

— E o que você entende sobre o que é apropriado ou não, Martim?

Martim era o Rei de Áries.

Pollux levantou-se e saiu do salão. Leon se levantou logo em seguida. Ao fechar a porta, a confusão do início da reunião havia começado novamente.

April 14, 2020, 8:44 p.m. 0 Report Embed Follow story
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