beta_fisk gapashi [g]

Engravidado e abandonado pelo amor de sua vida, Jungkook se encontrava desamparado. Fora expulso de casa pela gravidez fora do casamento e exilado pelo seu rei, obrigado a vagar para o reino perdido de Falel, nas montanhas congeladas de Galea. Com fome, frio e coração esmagado pela dor, Jungkook entrou na vila sem vida como um forasteiro, mas jamais imaginou que sairia dali ao lado do Imperador de Gelo.


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1.



— Por favor… por favor! — o jovem implorava, ajoelhado perante todo um tribunal. As colunas douradas em combinação com a iluminação do local o cegavam, fazendo-o se sentir completamente tonto. Os lábios tremiam fortemente conforme puxava o ar pela boca. As lágrimas desciam salgadas pelo seu rosto, chorava sem parar desde que fora preso. Maldita a hora que foi exigir que o príncipe de Tantum assumisse a criança bastarda que crescia em seu ventre.

— Acusado de calúnia em relação à Vossa Alteza, o Príncipe Hoseok, e por não manter-se virgem até o seu casamento, tendo relações sexuais sem o objetivo da reprodução, Jeon Jungkook foi sentenciado ao exílio. — a batida do martelo de madeira na base soou pelo salão redondo. Havia muitas pessoas lá dentro, inclusive toda a sua família. Seu pai lhe encarava com desprezo e sua mãe parecia extremamente decepcionada. Os olhares de nojo misturados com as roupas de cores quentes, como vermelho e laranja, lhe deixavam enjoado. Tudo girava, ele não comia há dias, desde que fora à Hoseok revelar que estava grávido dele.

— Levante-se! — um dos dois guardas que levantaram Jungkook disse. Os dois brutamontes, com as armaduras vermelhas e capacete de boca de lobo, arrastaram o garoto para fora. No grande pátio em frente ao tribunal, o tronco já estava preparado. Pessoas de todas as idades, todos os habitantes da vila, foram assistir a humilhação pública. Os guardas prenderam o jovem criminoso no tronco, algemando suas mãos dos dois lados. Com brutalidade, rasgaram a blusa, antes branca e fina, do moreno, expondo suas costas. Através dos olhos carregados de lágrimas, Jungkook viu o temido carrasco, vestido em roupas pretas de couro, com uma máscara assustadora. Trazia um chicote nas mãos e, por ser de uma família nobre de classe baixa, Jungkook identificou que aquele era o de ponta de Flor de Lis, usado contra traidores da pátria. Seu crime de “calúnia” para com a realeza estava à mesma altura.

— Por crimes de calúnia e sexo fora do casamento, Jeon Jungkook irá receber cinquenta chicotadas Flor de Lis antes de seu exílio, para aprender a não faltar com respeito e nem desafiar a família real. Que ele sirva de exemplo.

Desesperado, o jovem passou seus olhos pela platéia. O sol lhe cegava, mas esforçou-se para olhar para o parapeito do prédio de onde saiu. Hoseok estava lá, lhe encarando com desprezo e nojo. Jungkook nunca sentiu tantas coisas negativas juntas. Ódio, traição, tristeza, desamparo. Continuou encarando profundamente Hoseok e rezou para os deuses para que seu bebê saísse ileso daquilo. Educaria aquela criança para matar o próprio pai por ter feito o que fez, negligenciá-lo.

A primeira chicotada lhe atingiu, ardente. A dor era latente, subindo em ondas de choque pelo seu corpo, refletindo em sua cabeça. Sentiu o sangue quente descer pelas costas. Não gritou, não gritaria. E não choraria, jamais demonstraria fraqueza perante aqueles hipócritas! Depois daquela, veio a segunda. E a terceira. A quarta, a quinta, a sexta… até a última chicotada. A dor consumia seu corpo, suas costas estavam dilaceradas com milhares de cortes e Jungkook semiconsciente. Os guardas o soltaram do tronco, segurando-o firmemente pelos braços, fadados a arrastá-lo para fora da vila, humilhando-o ainda mais. Mas Jungkook era mais forte do que isso. Com o mínimo de força que ainda tinha, livrou-se dos guardas, dispensando-os e saindo por conta própria dali.

— Espero que viva gastando sua riqueza e arrogância na luxúria e em prostitutas até o seu filho aqui — apontou para sua barriga, ainda lisa por conta das poucas semanas de gestação. — voltar para buscar os direitos dele.

Com estas últimas palavras e sem nada além das roupas no corpo, Jungkook começou a vagar pela estrada, em direção a qualquer lugar longe dali. As lembranças lhe atingiam com força, de quando Hoseok lhe cortejou, quando o beijou pela primeira vez, quando deu fim ao seu primeiro cio… aquilo doía mais do que as costas cortadas. Ingênuo, Jungkook abriu seu coração, se apaixonou, confiou em Hoseok e deixou que ele o semeasse. Quando descobriu que estava grávido, céus! Ficou feliz demais. Sendo ingênuo mais uma vez, Jungkook correu para contar a novidade, porém jamais imaginou que o mundo viraria contra si. Sua família não estar do seu lado não lhe surpreendia e nem machucava, mas ver o olhar de nojo do homem que tanto amava fazia seu corpo ferver. Mas se vingaria. Claro que se vingaria. Se não conseguisse fazê-lo com suas próprias mãos, sua criança faria por si.

Vagou a esmo por tanto tempo, perdera tanto sangue, que estava quase inconsciente quando olhou ao redor e tudo o que via estava coberto de neve. Engoliu em seco, o frio lhe atingindo como um tapa no rosto. Estava no reino fantasma de Falel, nas Montanhas Congeladas de Galea. O lar do Imperador de Gelo.

Jungkook era um lobo de fogo, ex habitante de Tantum, o total contrário dos lobos de gelo. Mas não tinha para onde ir, nenhum reino acolheria um exilado a não ser aquele, o reino onde as pessoas são minoria e o silêncio é absoluto. Jungkook vagaria até morrer na neve ou até encontrar alguma alma boa para cuidar de si e de seu mais novo hospedeiro.

Andou até o centro da cidade sem encontrar uma alma viva. O clima era sempre nublado, a cidade cinza e azul tinha casas pequenas e padronizadas. Ao longe, mais alto na montanha, o Palácio de Cristal subia imponente.

Girou nos calcanhares, cambaleando e quase caindo com tamanha fraqueza. Estava exatamente no centro da pequena vila, em uma praça fria, cinza e vazia. Os ladrilhos formavam círculos até atingirem uma fonte congelada prostrada bem no meio. Era fascinante aos olhos de Jungkook, uma mulher representada com asas e saindo de um jato de água.

Não foi capaz de contabilizar quanto tempo admirou a estátua antes de cair inconsciente no meio da praça. Aquele seria o seu fim, sem ninguém para ampará-lo, para cuidar de sua criança, para amá-lo. Jungkook já não tinha ninguém, nem a si mesmo.



A viagem fora exaustiva. Odiava ter que sair de seu conforto para ser exibido para um povo que o temia apenas por assuntos políticos. Também odiava o fato de que era sempre ele que tinha de se locomover para proporcionar aqueles encontros, já que ninguém ia às suas terras. Todos tinham medo das Montanhas Congeladas de Galea.

Daquela vez, estava voltando de Efige, no extremo norte, terra do outono. Reafirmaram o tratado de paz que reis antigos já haviam feito. O Imperador de Gelo fazia questão desses tratados, mesmo que achasse desnecessário. Seu povo, sua espécie aparentemente apresentava-se como uma ameaça para os outros reinos, sendo que nem saíam de suas casas se não fosse necessário.

Com um grito do cocheiro, sua carruagem parou. Enfim estava em casa. Massageou as têmporas, feliz por ter chegado bem. Abriu a porta do veículo, descendo para esticar as pernas. Mas… não estava em seu castelo.

— Por que paramos? — indagou com certa pitada de irritação. Não encontrou o cocheiro em lugar nenhum, logo se preparando para qualquer tipo de ataque. Reconhecia aquele trecho, era o centro da vila de Falel. Respirou profundamente, se aproximando dos cervos brancos que puxavam a carruagem. Conforme se aproximava, mais conseguia enxergar em relação ao que estava acontecendo na frente dos animais. No seu campo de visão entrou primeiro o cocheiro, depois os três soldados que viajaram consigo e, por último, um corpo ensanguentado. — O que está acontecendo?

— Vossa Majestade! — um dos guardas se pronunciou. — Este corpo está bloqueando o caminho.

O Imperador se aproximou para observar mais de perto. Era um homem jovem, com a pele morena evidenciando claramente que era um habitante do reino de Tantum. Sua calça vermelha não mentia que também era um nobre, mesmo que classe baixa. As costas, expostas, estavam retalhadas com inúmeros cortes e pintadas com o sangue vermelho.

— Pela quantidade de sangue, este homem deve estar morto. — comentou outro guarda enquanto o cocheiro retirava o próprio chapéu em sinal de respeito. O Imperador agachou-se ao lado do corpo, tirando a luva branca e colocando dois dedos no pescoço bronzeado. Mesmos com sinais fracos, o coração ainda batia com vontade de viver.

— Ainda está vivo. Fraco, mas vivo. Vamos levá-lo para o castelo. — pegou o ser pelo braço, passando-o pelo seu próprio pescoço. Os guardas tentaram protestar e pedir que ele deixasse aquele trabalho para eles, mas o Imperador dispensou qualquer ajuda oferecida. Era humilde o bastante para sujar suas mãos e sua roupa cara com o sangue de um forasteiro. Colocaram-no dentro da carruagem, sobre o colo do dono daquelas terras. Observando bem, o rosto do homem era bem desenhado e instigava sua curiosidade. Por ser um alfa lúpus com um focinho muito bem treinado, o senhor do gelo sentiu o cheiro dos hormônios que circulam pelo corpo de um ômega grávido, o que o deixava irritado por tentar entender o porquê de as costas dele estarem naquele estado. Estalou a língua, indignado. — Que segredos você esconde, Tantumniano…?



Quando Jungkook acordou, a luz ofuscou sua visão. Sua cabeça doía a ponto de zunir em seus ouvidos. Tentou se mexer, sentindo as costas rasgarem em dor. Grunhiu baixinho. Fez menção de se sentar, mas mãos fortes empurraram seus ombros para deitar novamente.

— Nem pensar, você vai continuar deitado. Perdeu muito sangue, Tantumniano.

Jungkook deitou, respirando fundo. Piscou algumas vezes enquanto sua visão se normalizava. Encontrou-se em um quarto branco com móveis de mesma cor, um branco gelo. O acolchoado sobre a cama era de um azul claro suave, com flocos de gelo bordados em linhas finas pratas. Postes de madeira subiam até o teto da cama, forrado de branco. Apenas a porta era de um marrom escuro, entretanto era muito bem entalhada com imagens de lobos.

— Onde estou…?

— Está seguro em Falel. — a voz era suave ao soar, mas firme ao falar.

— Falel, o reino fantasma… — Jungkook sussurrou para si mesmo. Aos poucos lembrou-se de como chegara ali, cambaleando pela estrada até colocar os pés naquela terra dos exilados. Lembrou-se bem de ter perdido a consciência no centro da vila. Acariciou a barriga inconscientemente, como se tranquilizasse seu filho. Filho… — Meu filho! Ó céus, será que…?!

— Acalme-se! Sua criança está bem, está estável, já foi examinada pelo obstetra.

O moreno olhou na direção da voz, encontrando olhos cinzas e cabelos loiros. Os olhos brilhavam em preocupação, parecendo diamantes. Um sorriso preencheu os lábios fartos, fechando os olhos brilhantes. Vestia um casaco azul escuro de veludo, muito bem costurado, com botões duplos feitos de pura prata. A gola subia até a base de sua orelha, misturando-se à gola da blusa branca de seda que vinha por baixo. Era demasiadamente lindo.

— Fico mais tranquilo… Foi o senhor que me resgatou? — indagou, recebendo um aceno afirmativo do outro. Olhou em volta, concluindo que era uma casa nobre. — Obrigado por tudo, senhor, mas eu sou um exilado, não devia ter me ajudado.

— Não nego ajuda a quem precisa, não importa quem seja. — respondeu de forma passiva.

— Não tenho como lhe pagar pelos seus cuidados…

— Meu pagamento é ver que está bem.

Não era possível que Jungkook tinha à sua frente um bom samaritano, um homem com o coração tão bom que seria capaz de restaurar a paz entre os reinos. Seu coração se encheu de calor, sentindo-se acolhido.

— Meu bom senhor, seu coração é bondoso. Permita-me saber quem és. Eu sou Jeon Jungkook, filho mais novo da família Jeon de Tantum.

— Pois bem, Jeon de Tantum, se este é o seu desejo… — o loiro respirou fundo. — Eu sou Park Jimin, rei de Falel, senhor das Montanhas Congeladas de Galea. — conforme ele falava, Jungkook sentia o coração acelerar. Não conseguia acreditar que ele era… — O Imperador de Gelo.

April 10, 2020, 12:51 a.m. 0 Report Embed Follow story
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