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Talvez o tempo enfraqueça minha memória e eu me esqueça de muitas pessoas que passaram pela minha vida, por isso gosto de escrever sobre elas, ainda que o nome seja preservado porque independentemente de quanto tempo cada uma permanecer em minha rotina, serão eternas em minhas palavras e posso dizer que quem consegue entrar no meu coração e ter o meu carinho, precisa cultivar esse bem querer porque por mais dura que eu pareça na queda, meu coração é infantil, bobo, sentimental. Esforço-me sobremaneira para que as desilusões não endureçam meu coração, não me tornem fria e insensível. Quero amar e aprender também a pedir desculpas quando não agir de uma maneira aceitável, quando magoar alguém, mas quero que aqueles que estão no meu coração não me façam abrir as portas para que partam, que quando tiverem de fazê-lo, deixem lembranças boas para eu guardar no meu baú de segredos e sonhos, aquele baú que ninguém vê, que não tem valor monetário, porém é onde guardo tudo o que é bom para mim.


Memoir & Life Stories All public.

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Amigos, amores, desafetos e reflexões

Curitiba, 08 de agosto de 2018.

Conhecemos inúmeras pessoas ao longo da nossa vida, disse a minha professora de português do ensino médio, muitas memórias para administrar, muitos nomes para decorar, associações a serem feitas, explicação feita por ela para mostrar quão grande é o nosso mundo e que eu guardei, muita gente que estava naquela aula nem deve ter prestado atenção, entretanto aproveito esse ensejo da inspiração para complementar que são poucas as que realmente deixarão marcas em nossos corações.

Tivemos muitos professores ao longo da nossa vida acadêmica, porém sempre haverá aqueles que foram mais marcantes, seja pelo carisma, pela personalidade inflexível ou porque nos despertou algum sentimento de paixão, porque nos acendeu a luz para a nossa vocação e nos fez perceber o potencial escondido por trás do medo, da timidez, da resistência que temos com determinados assuntos.

Teremos muitos amigos ao longo da vida.

Muitos é um modo de dizer.

Conheceremos colegas que serão elevados ao status de amigos de acordo com o contexto, como os amigos de escola, aqueles com quem aprendemos a conviver porque são eles que nos ensinam que nem sempre sabemos lidar com as diferenças.

Com eles aprendemos o quanto é importante reconhecer quando se excedeu numa discussão, quando é o momento de ceder diante de uma negociação, como é importante oferecer uma palavra amiga para uma pessoa que está tendo um dia ruim, às vezes apenas ouvir, sem julgar, sem prescrever soluções, deixar o outro extravasar a tristeza até o peito suspirar aliviado porque alguém no mundo dedicou importantes minutos para acolher a dor alheia e mostrar que sozinhos não vamos muito longe. Nem sempre tem reciprocidade, contudo não devemos fazer o bem esperando que todos sejam gratos e reconheçam.

E depois os amigos de escola até prometem que vão manter contato, mas no calor da emoção que o fim do ensino médio desperta, o medo do futuro que é tão incerto, tão assustador, o fim de ciclo apavora qualquer um e então nos damos conta de que até aquelas picuinhas que nos aborreciam sobremaneira não eram tão insuportáveis assim, só que já é tarde demais, o que vivemos deixa de ser rotina para integrar lembranças, registradas ou não em bilhetes, fotografias, cartinhas e conversas inesquecíveis, momentos que mesmo sem estar escritos, existiram.

Com o passar do tempo, conhecidos se tornam estranhos. Raros exemplos superam os portões do colégio e seguem adiante. A grande maioria se separa e hoje em dia stalkeia a galera para saber o que a vida fez com cada um.

Algumas pessoas abençoadas conseguem conservar as amizades de infância por toda a vida. Muitos de nós cresceram (digo isso por mim) vivendo de ciclos, demorando um pouco para encontrar um lugar o qual nos encaixássemos pelo menos por um determinado tempo. Em alguns momentos temos que ser nossos melhores amigos porque não podemos fugir de nossos compromissos e precisamos nos apresentar ao mundo como se nosso universo interior não estivesse estilhaçado.

Amigos de verdade são poucos. Pouquíssimos. E cada amigo que entra em nossa vida tem seu jeito de ser, suas manias, necessidades, portanto não tratamos os nossos amigos da mesma maneira, sempre temos um cuidado especial com eles, sabendo que há aqueles que têm uma personalidade mais extrovertida e que por mais que eles tenham outros amigos, não significa que não tenhamos a nossa relevância na vida deles. Temos, sim. Cada amigo nos ama da maneira que pode, que sabe, que é válida porque é verdadeira.

Acredito que podemos amar algumas pessoas ao longo da vida, no entanto, de todas elas, sempre haverá uma que nos marcará mais profundamente. Pode ser a primeira ou não. A ordem não importa, não é assim que se mede o amor, entretanto, imagino que enquanto você lê meu texto, deve vir à mente o nome de alguém especial a quem você ama neste instante ou que já povoou seus pensamentos, todo o seu ser.

Às vezes eu imagino o que nos faz gostar tanto de um ser humano sem que ele tenha nos dado qualquer motivo para isso, que seja, como se diz, "de graça", aquela coisa de sentir uma empatia, um bem querer tão grande que é difícil de ilustrar com a habilidade de um romancista.

Eu acho isso tão lindo, gostar de alguém desse jeito, só por gostar...

No entanto, parece bonito falar de amor. Não parece, é. Amar é bom. É o que faz valer a nossa existência aqui na Terra. Aquele momento em que nos sentimos cobertos pela poeira das estrelas e todos percebem no brilho do nosso olhar que emana a emoção, de onde transborda a plenitude.

Também preciso adentrar num assunto um tanto quando delicado, o de refletir a respeito daquelas pessoas que marcam a nossa vida por terem nos magoado, injustiçado, humilhado, usado, traído, ofendido.

Não sou uma especialista em perdão, aliás, tenho MUITA dificuldade em perdoar e não sou exemplo para ninguém porque ainda tenho muito para evoluir nesse sentido porque também estou do outro lado, sou alguém que provocou dor e desgosto, mesmo que sem intenção ou talvez imbuída por algum sentimento que desejava extravasar para expurgar a raiva que sentia, o ciúme, a insegurança, a falta de maturidade para encarar certas situações porque o entendimento às vezes vem de brinde com o sofrimento, quando os papeis se invertem e as noites em claro amargando uma lancinante dor me ajudam a me colocar no lugar de quem feri.

Quando alguém nos fere, dói muito, mas, sem dúvida, a pior punhalada é aquela que parte de alguém a quem estimamos sobremaneira porque nós nos inquirimos a respeito do que podemos ter feito para merecer tamanha injustiça.

Falei de coração partido?

Pois bem, muitos de nós já tivemos o coração partido em algum momento da vida e desacreditamos do amor, mas tal como a escrita nunca morre de verdade para quem tem o dom, o amor também nunca morre. As lágrimas denotam que existe esperança.

No deserto da vida, quando estamos nos recuperando de uma grande desilusão, nos fortalecemos como a águia e não tem nada mais bonito quando entendemos de uma vez por todas que UMA pessoa não pode ser o nosso motivo de desacreditar de viver, só porque ELA não soube valorizar o privilégio que teve de fazer parte de nossa vida e aceitar o amor que tínhamos para oferecer, não significa que todas as outras irão nos desprezar.

O coração partido leva embora a inocência, eu reconheço. O sorriso se murcha, o nariz fica assado de tanto chorar, alguns de nós ganham uns quilinhos na balança, outros perdem. Alguns de nós se isolam completamente para evitar novas desilusões, outros procuram amores de uma noite por aí. Todos, do seu jeito, tentando curar aquela feridinha que dói do lado de dentro, que mamãe não pode beijar como fazia com os joelhos ralados.

Ferida essa que um dia vai deixar de doer porque um amor pode te partir o coração e outro pode curar.

Sim, o amor pode curar.

Seu amor pode servir para inspirar alguém a enfrentar seus maiores medos, a superar inclusive o medo de amar de novo (ou pela primeira vez), como o amor de alguém pode nos tirar da zona de conforto e nos fazer enxergar que a minha professora tinha razão, o mundo é grande, existem muitas pessoas, e mesmo que não decoremos os nomes de todas, tampouco estreitemos vínculos, algumas delas passarão pelas nossas vidas.

Já pensei muitas vezes que queria morrer sozinha, isolada de qualquer contato humano, porém quando proferi isso, estava chateada porque me prendia a UM episódio desagradável para julgar todo o restante do contexto (por exemplo, me sentir terrível porque gostava de alguém e não podia contar e alguém gostava de mim e eu não conseguia gostar), então era fácil gritar, espernear, fazer de tudo para afastar iminentes perigos, entretanto, nada me blindou da decepção que me transformou para sempre.

Poderia ser o destino dizendo que nasci para ser sozinha, contudo o que me ajudou a enfrentar a vida após o coração partido foram as pessoas, cada uma do seu jeito, e por outro lado, as noites insones tiveram sua importância: a de me mostrar que não valia a pena deixar de acreditar no amor só porque UMA não soube valorizar o privilégio de fazer parte do meu mundo, não soube me amar, me acarinhar, me apreciar, me incentivar, pois todo o tempo que perdi sofrendo por alguém que não merecia, eu não percebia os sinais, era a vida me ensinando a caminhar sozinha, a me amar um pouco mais, não me humilhar pela atenção de quem não fazia questão de mim, de quem não me priorizava, logo entendi que não escolhemos por quem vamos nos apaixonar, mas temos que saber até onde vale a pena sofrer...

Talvez o tempo enfraqueça minha memória e eu me esqueça de muitas pessoas que passaram pela minha vida, por isso gosto de escrever sobre elas, ainda que o nome seja preservado porque independentemente de quanto tempo cada uma permanecer em minha rotina, serão eternas em minhas palavras e posso dizer que quem consegue entrar no meu coração e ter o meu carinho, precisa cultivar esse bem querer porque por mais dura que eu pareça na queda, meu coração é infantil, bobo, sentimental.

Esforço-me sobremaneira para que as desilusões não endureçam meu coração, não me tornem fria e insensível. Quero amar e aprender também a pedir desculpas quando não agir de uma maneira aceitável, quando magoar alguém, mas quero que aqueles que estão no meu coração não me façam abrir as portas para que partam, que quando tiverem de fazê-lo, deixem lembranças boas para eu guardar no meu baú de segredos e sonhos, aquele baú que ninguém vê, que não tem valor monetário, porém é onde guardo tudo o que é bom para mim.

Aí, eu penso com os meus botões coloridos espalhados pela bancada: será que eu estou dentro do coração de alguém? Será que eu apenas passo por entre a multidão e de mim ninguém nem se lembra do nome? Será que em algum momento eu já fui o amor de alguém ou ao menos uma grande amiga? Será que eu parti o coração de alguém tão profundamente que essa pessoa sofreu e pensou que o amor não existia ou que não valia a pena acreditar nele? Será que alguma palavra minha magoou muito alguém ou inspirou?

Gostaria de ser, pelo menos para uma pessoa, a personificação para o amor. Talvez de um ser em especial. Talvez ser, para cada pessoa que amo, a representação mais fidedigna do bem querer, só não queria passar por esse mundo em vão, sem deixar nenhuma marca, nada que faça com que eu seja lembrada, por isso pensei tanto em escrever esse texto, porque tenho tantas ideias e não acho justo aprisioná-las. Eu aprendi a escrever de tanto insistir e a amar, amando, não tem outro caminho...

Se eu viver pelo menos por mais cinquenta anos, conhecerei muitas pessoas e esse texto será apenas mais um que escrevi numa noite qualquer em que o desejo de externar minha inspiração era mais forte do que a vontade de ter a razão.

April 16, 2020, midnight 0 Report Embed Follow story
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The End

Meet the author

Mary Curitibana, futura jornalista, escritora em constante progresso, escorpiana com ascendente e lua em peixes. Apaixonada por todas as singelezas da natureza, onde se encontra o olhar compassivo de Deus. Em matéria de livros, filmes e músicas, minha lista tende a crescer, mas sempre há aqueles que têm um espacinho especial no meu coração. Prazer, eu sou a Mary.

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