chiisanahana Chiisana Hana

Depois da batalha no Santuário, Shiryu fica hospedado na mansão Kido e recebe a visita de Shunrei, que desencadeia mudanças na vida de todos. Fanfic pós filme "A Lenda do Santuário". Tentativa de incluir Shunrei no universo do LoS.


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Capítulo I

Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada. Eu não ganho um centavo com minhas fics, mas me divirto pra caramba!

AVISO:

Spoilers do filme "A Lenda do Santuário".


Considerações Iniciais: O filme alterou algumas muitas coisas na saga do Santuário, dentre elas o tempo que se passou de quando Aiolos resgatou Athena bebê até o retorno dela ao Santuário. Agora se passaram 16 anos, o que eu acho infinitamente melhor que os 13 anos originais. A trama do filme se desenrola no aniversário de Saori, que é em 1º de setembro, portanto estamos também perto dos aniversários de Shun e Shiryu.

Por fim, essa fic é a minha tentativa de incluir Shunrei na história, já que ela não foi sequer mencionada... Ok, eu realmente não esperava que fosse com aquela correria toda que foi o negócio.

Como o filme é um reboot da saga Santuário, essa história ficou quase um reboot de outra fic minha: "Até o Fim do Universo". Apesar da semelhança, eu estou curtindo muuuuuuuuito fazer uma nova versão da coisa toda.

É isso!

Boa leitura!



DE MÃOS DADAS


Capítulo I



Com o fim da batalha no Santuário, Saori e os cavaleiros de bronze permaneceram lá por alguns dias. A jovem deusa precisava ficar a par de tudo que acontecia e tomar decisões importantes, como quem assumiria o posto de Grande Mestre, vazio desde a morte de Saga.

Depois de deliberar junto com seus cavaleiros, Saori decidiu que o honrado posto devia pertencer a Mu de Áries, tido como muito sábio e ponderado.

Já era dia quatro de setembro quando o grupo finalmente voltou a Tóquio. Comemoram atrasado o aniversário de dezesseis anos de Saori, dando a ela uma pequena festa surpresa, onde se divertiram por várias horas, comendo, bebendo e jogando jogos de tabuleiro.

Passava da meia-noite quando todos se recolheram, mas pouco depois, Shiryu retornou à sala e sentou-se no sofá. Ia pegar o telefone quando foi surpreendido por Seiya.

– Ah, finalmente tirou a armadura! – brincou o Pégaso ao ver Shiryu de pijamas, já que durante a festinha ele insistiu em ficar de armadura.

– Pois é, não dá para dormir com ela – Shiryu explicou-se. – Tá sem sono também?

– É, cara. Sei lá, tentei dormir, mas não rolou. Foi legal a festinha, né? A Saori curtiu.

– Foi – respondeu Shiryu parecendo incomodado com alguma coisa.

– Já está perto do aniversário do Shun também. Podíamos armar alguma coisa.

– É – respondeu Shiryu distante. – Sei lá... Podíamos.

– Tu tá estranho... – constatou Seiya.

– Estranho? Eu só não consegui dormir.

– É que isso não combina com você. Você é todo zen. Imaginei que nada afetasse seu sono.

– Ai, Seiya, não fala besteira...

– Não sei o que é que você tem, mas que tá bem estranho, ah, tá!

– Melhor irmos dormir, né? – sugeriu Shiryu, já sem paciência.

Seiya concordou e cada um foi para o quarto onde estava hospedado. Shiryu certificou-se de que Seiya realmente entrou e então correu de novo até a sala, onde pegou o telefone e discou um número. Foram poucos toques até alguém atender.

– Oi, desculpa a hora – ele disse, num tom tão amoroso que não deixava dúvidas de que a pessoa do outro lado da linha era alguém muito querido.

– Ah, Shiryu! – a voz feminina do outro lado exclamou, com uma alegria incontida. – Como você está? Eu estava tão preocupada!

– Eu estou bem. Estou ligando para tranquilizá-la. Deu tudo certo no Santuário. Avise ao Mestre, por favor, embora eu ache que ele já sabe.

– Sim, ele comentou comigo que sentiu que tudo tinha acabado bem, mas não soube dizer como você estava. Você se machucou muito?

– Não, não. Está tudo bem. E você?

– Eu estou bem – ela disse, e depois de uma breve pausa, completou: – Só estou com saudades...

– Eu também, meu amor – ele respondeu. – Não sei até quando precisarei ficar aqui, mas voltarei assim que puder, certo?

– Certo. Eu vou esperar. Eu te amo muito, Shiryu.

– Eu também te amo muito. Fica bem, tá?

– Você também. Vê se não fica sem me dar notícias.

– Eu ligarei sempre que puder – prometeu e desligou. Depois, ficou sentado na poltrona, com um sorriso bobo estampado na face, pensando em como seria bom se Shunrei estivesse ali. Era uma noite ligeiramente fria de outono, mesmo assim podiam ficar um pouco no jardim, admirando as estrelas.

– AHÁ! – Seiya gritou, dando um susto em Shiryu. – Seu safado! Você tem namorada e não fala nada?

– E eu devia anunciar no jornal? – retrucou o Dragão envergonhado.

– Não, mas podia ter contado, né? Poxa...

– Ninguém me perguntou.

– Você é todo cheio dos mistérios, né?

– Não é um mistério, só ninguém perguntou, cara.

– E aí, quem é ela? – Seiya perguntou interessado. – Quem é? Quem é?

– É a filha adotiva do meu Mestre.

– Cacete! Você vai ser sogro do seu mestre?

– Genro, Seiya. Se diz genro. É, vou. Bom, eu sou.

– Caraca, faturou a filha do mestre! Safadinho! A gente pensando que você estava treinando e você lá namorando!

– Como você bem pôde ver na batalha, eu treinei bastante.

– Seeeeeeeeeei! Tu é muito sacana!

– E você tá de olho na deusa – alfinetou Shiryu.

Seiya arregalou os olhos e saltou da cadeira como se tivesse sido realmente espetado.

– Eu? Imagina! – despistou. – Que nada! De onde você tirou isso?

– Aham. É coisa da minha imaginação, né? – ironizou Shiryu. – Agora dá licença que eu vou dormir.

Depois dessa verdade jogada na cara, Seiya desistiu de perturbar Shiryu e foi dormir também. No dia seguinte, porém, quando ele, Shiryu, Shun e Hyoga tomavam café junto com Saori, o cavaleiro de Pégaso não conseguiu se conter e espalhou a "novidade".

– Vocês sabiam que o Shiryu tem namorada? – ele perguntou animado, depois enfiou na boca um bocado exagerado de arroz.

Shiryu fuzilou o amigo com o olhar.

– Ótimo, agora liga para a rádio e anuncia lá – disse o Dragão.

– Qual o problema de sabermos? – indagou Seiya ainda com a boca cheia.

– Problema nenhum. Só não é algo que preciso ficar anunciando. Mas já que importa tanto, sim, eu tenho uma namorada, ela se chama Shunrei. Pronto. Satisfeitos?

– Seiya, você consegue mesmo irritar o Shiryu... – Shun disse, rindo.

– Ele consegue irritar qualquer um – Hyoga corrigiu. – Deixa o cara, Seiya.

Saori deu uma risadinha. Queria conversar mais, porém não quis estender o assunto à mesa. Mais tarde, foi até a academia, onde sabia que Shiryu estaria sozinho.

– Vocês estão juntos há muito tempo? – ela perguntou inesperadamente quando estavam lado a lado nas esteiras.

Ela tinha noção de que a pergunta era indiscreta, mas estava curiosa demais para se conter. Além disso, sentia-se um pouco culpada. Saber que Shiryu deixou uma namorada na China a fez pensar sobre como era difícil para o cavaleiro estar longe, protegendo outra garota, ainda que ela fosse uma deusa.

– Vai fazer quatro anos – Shiryu respondeu meio sem graça, mas incapaz de ignorar a pergunta de Saori. Costumava ser bem reservado e não falava muito sobre o relacionamento. Se fosse Seiya perguntando, provavelmente daria um fora nele, mas era Athena quem queria saber...

– Ah, que fofo! – exclamou Saori com mais entusiasmo do que pretendia.

Nos últimos dias, estava pensando muito em como seria amar alguém, envolver-se nesse amor, dividir a vida com essa pessoa. Até então não pensava muito nisso, mas desde a chegada dos rapazes sentia algo diferente movendo-se dentro de si. E durante a batalha no Santuário, quando Seiya estava ali, disposto a tudo para protegê-la, ela tinha se sentido tão... amada.

– É – afirmou Shiryu, um tanto envergonhado. Era estranho falar sobre isso com Saori, mas já que tinham começado, ele até que estava gostando. – Fofa é uma palavra que se aplica a Shunrei.

– E como vocês se conheceram?

– Foi assim que eu cheguei em Rozan para treinar, ou seja, ainda na infância. Ela é a filha adotiva do meu Mestre. E nós nos... apaixonamos... Foi inevitável.

– Deve ser bom amar alguém assim... – murmurou Saori, sonhadora.

– Torna a vida mais leve – ele disse sorrindo. – A presença dela diminuiu muito o sofrimento que enfrentei no treino, as noites em claro, as dores físicas e psicológicas, o medo de não conseguir terminar... Ela estava sempre ali, do meu lado...

– E agora você está aqui... longe dela... para me proteger – constatou Saori com tristeza. Shiryu, porém, permanecia sorrindo.

– Estou cumprindo a missão para a qual fui destinado – ele disse, sem hesitar. – Não se preocupe, não é um fardo. Assim que puder, volto lá para ver minha Shunrei.

– Não quer que eu mande buscá-la? – sugeriu Saori, emocionada com a postura dele.

Shiryu surpreendeu-se com a oferta repentina e não soube o que dizer.

– Trazer a Shunrei pra cá?

– É. Você quer? Sei lá, ela podia passar uns tempos aqui conosco. Eu ia gostar de conhecê-la.

A primeira intenção de Shiryu foi dizer "não". Logo imaginou Seiya zoando, perturbando e constrangendo a namorada, mas logo voltou atrás. Shunrei nunca tinha saído de Rozan e, até onde ele podia lembrar, sempre se dedicou aos trabalhos domésticos ininterruptamente. Talvez fosse bom para ela ter uns dias de folga, passear um pouco, conhecer um lugar novo. Nunca pôde proporcionar isso a ela e agora que a chance estava na mão, por que negar?

– Bom, se não for um incômodo – ele disse. – Eu gostaria, sim.

– Vou mandar Tatsumi providenciar tudo! – respondeu Saori e desceu da esteira saltitando.

Estava feliz por dar esse presente a Shiryu e também porque queria muito ter uma companhia feminina em casa. Depois que os rapazes chegaram, já não se sentia mais sozinha, mas seria bom conhecer Shunrei e descobrir coisas em comum com ela. Talvez até se tornassem boas amigas, como ela se tornou deles.

Saori sorriu ao pensar neles. A doçura de Shun, Shiryu e suas palavras sábias, a inteligência sóbria de Hyoga e todas as adoráveis trapalhadas de Seiya... Era infinitamente melhor viver na mansão com a presença deles e ela já não conseguia mais se imaginar vivendo sem isso.


Continua...





March 18, 2020, 12:39 a.m. 0 Report Embed 0
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