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Capítulo I – Profecia

Dentre tantos privilégios, bens e riquezas que permeiam o mundo, o amor poderia ser considerado o mais caro dos luxos. Muitos estavam dispostos a despender suas fortunas somente pelo prazer de experimentá-lo, porém, nem todo o poder e o ouro eram capazes de pagar o preço pelo amor verdadeiro. Por isso, a maioria contentava-se com a acessibilidade e o imediatismo das imitações, perseguindo amostras sintéticas e vivendo a partir de amores artificiais por toda a vida.


Jeongguk era mais um tolo vivendo de prazeres imediatos. Tudo que ele mais prezava era o alívio de afogar suas dores e preocupações em cálices de vinho, sendo capaz de esquecer-se, mesmo que por um curto período de tempo, do peso que o seu nome e o título atrelado a ele exerciam sobre si em meio aos lençóis egípcios de um bordel para então acordar na manhã seguinte e agir como o duque de Busan.


Ele era autoconsciente em demasia para perseguir a utopia do amor verdadeiro. Havia sido exposto prematuramente a como às engrenagens da sociedade em que vivia funcionavam. Jeongguk era apenas uma criança quando a guerra entre o reino coreano e o império japonês vitimou a sua família, fazendo de si o último alfa lúpus remanescente de sua linhagem assim como o único herdeiro dos Jeon. Dessa forma, cabia a ele desvendar os mistérios por trás do massacre de seus familiares e fazer justiça pelo sangue Jeon derramado.


Jeongguk tinha apenas dezessete anos quando o rei o nomeou duque de Busan, restituindo ao nome Jeon o seu título nobiliárquico mais relevante. Como acompanhante do pronome de tratamento “Alteza”, pelo qual passou a responder daquele momento em diante, vinha expectativas e obrigações difíceis de lidar em uma idade tão jovem. Assim, ele foi pressionado a tornar-se um adulto antes do tempo e a agir de acordo com os deveres de um duque.


Ele adentrou o quarto em que estava hospedado intempestivamente, fechando a porta com brutalidade e não importando-se com o seu conselheiro que seguia logo atrás de si, o qual teve de defender-se da pesada porta de madeira que, por muito pouco, não colidiu diretamente contra o rosto dele antes de encontrar-se com o portal.


— Você precisa acalmar-se, Jeongguk — Namjoon pediu, pacientemente, pela milésima vez desde que deixaram a sala de reuniões do conselho real.


Encontravam-se, atualmente, hospedados em um dos muitos quartos de hóspedes do castelo real, na capital, após ficarem presos por mais de uma hora na sala de reuniões do conselho real.


— Como espera que eu me mantenha calmo quando eles claramente não me levam a sério? O que mais tenho que fazer para ganhar a confiança daqueles velhos retrógrados? — Jeongguk esbravejou, rangendo os dentes e batendo fortemente com o punho sobre uma mesa de madeira. — A cada nova reunião tenho a confirmação de que meu título e espaço no conselho deve-se somente ao nome de minha família e ao sangue lúpus que corre em minhas veias — disse amargurado.


— Desde o princípio sabíamos que seria assim. Não fique irritado com algo tão previsível — rogou complacente, sentando-se na cadeira disposta a frente da mesa.


— Então o quê? Devo conformar-me em ter meus esforços e feitos ignorados por um bando de anciãos retrógrados? — ralhou em resposta, rindo sem qualquer humor, visivelmente mais irritado.


— Não estou pedindo-lhe para conformar-se, Jeongguk — Namjoon esclareceu, inspirando profundamente para então continuar a explicar-se. — Desejo somente que não gaste suas energias irritando-se com tão pouco, pois é previsível que o subestimem devido a sua inexperiência e juventude. É previsível que os anciãos rejeitem suas ideias quanto ao incentivo ao comércio quando nosso reino sempre apoiou-se na agricultura e na criação de animais. Eles tem medo do que a ascensão dos burgueses representam para a nobreza — pontuou, abrandando a raiva de outrem. — Além disso, era também previsível que eles ficariam infelizes após todas as suas recusas de casar-se com uma de suas filhas — acrescentou, ouvindo um bufar insolente como resposta. — Poderíamos ter o apoio do conselho através de uma aliança política… — usou de um tom sugestivo. — Mas já é tarde para isso. Então use a sua revolta para mostrar a eles como Busan tem prosperado sob o seu comando — aconselhou sabiamente.


— Você não se cansa de retornar sempre a este mesmo assunto? — Jeongguk questionou, deixando claro o quanto aquele tópico o desagradava através de seu tom, ao passo que sentou-se de forma desleixada sobre uma poltrona. — Tem tanta pressa assim de ver-me amarrado a um ômega? — interpelou com sarcasmo.


— É errado ter esperanças de que você reconsidere as propostas? — Namjoon contradisse, arqueando uma sobrancelha para si. — Sabe que um casamento seria extremamente vantajoso para ti neste momento. Obrigaria que os anciões o tratassem de igual para igual e aumentaria a sua influência junto ao conselho — relembrou a ele.


— Assim como você sabe que eu não pretendo tornar-me mais rico e influente em troca do meu próprio desprazer e infelicidade — descartou o conselho de forma intransigente, vendo um pequeno sorriso arquear os cantos dos lábios de Namjoon reação a sua atitude teimosa. — Sem contar que nenhuma das pretendentes que me foram oferecidas me pareceram interessantes o bastante para me arrastar até um altar cerimonial — Jeongguk argumentou, colocando um de seus pés sobre a mesa, claramente menos tenso e irritado que outrora.


Namjoon sempre fazia um belo trabalho ao acalmá-lo.


— Você é muito exigente, Jeongguk — reclamou, pronto para iniciar mais um de suas exortações entediantes. — Primeiro, o Arquiduque Lee ofereceu-te a sua filha, Yura, uma moça estonteante, mas a recusou porque prefere homens ômegas, que, aliás, são raros em comparação às mulheres. Depois, o Conde de Hongdae ofereceu-te a mão de sua filha, Jiwoon, porém você disse a ele que não poderia aceitá-la porque Jiwoon possui o cheiro de muitos alfas diferentes mesclados ao seu aroma, o que irrita o seu olfato. Com isso, arruinou a reputação dela e, agora, a pobre moça terá que contentar-se com um noivo plebeu — discorreu, vendo um sorriso arteiro despontar nos lábios rosados de Jeongguk. — E, como se não bastasse, rejeitou também a mão do príncipe ômega, Kinsung.


— E não fiz bem? — Jeongguk indagou presunçoso. — Kinsung pode ter sido legitimado pela alta-sacerdotisa, mas continua sendo um bastardo. Sem contar que os boatos de que ele é estéril são sabidos por todo o reino. De nada serviria para mim um ômega incapaz de dar-me filhotes.


— De fato tivemos sorte ao não aceitarmos a proposta — Namjoon admitiu. — Porém, na época, você o rejeitou somente porque não o considera atraente o suficiente — acusou-lhe.


— Há de concordar comigo, Namjoon, ele é tão feio que duvido que conseguiria ficar ao menos excitado consigo. — Jeongguk franziu o nariz, em uma feição enojada, apenas por imaginar-se em tal situação, fazendo com que Namjoon tivesse dificuldade em manter sua postura séria diante de si.


— O problema é que te preocupa demasiado com trivialidades, sendo que, uma vez casado com uma ômega que lhe dê herdeiros, poderá dar-se ao desfrute com quantos homens ômegas quiser. Precisamos ser práticos e tratar o seu casamento como mais um de seus negócios. Continuar adiando esse momento só está retardando a sua ascensão política — Namjoon argumentou, enfadado de ouvir as desculpas de seu amo. — Eles continuarão a tratá-lo como um moleque enquanto você viver entre cabarés e tavernas. Eu sei que dinheiro, terras e títulos, não te motivam o suficiente para contrair um matrimônio, então ao menos pense nisso como um meio de estabelecer-se como um alfa respeitável em nossa sociedade — suplicou, erguendo-se da cadeira em que estava sentado para retirar-se do cômodo, pondo fim aquela discussão ao citar um provérbio popular: — É o ômega que dignifica o alfa — citou o ditado popular. — Reflita sobre isso, jovem mestre — aconselhou, retirando-se em definitivo da sala.


Por mais que Jeongguk se recusasse a admitir isso em voz alta, ele sabia que Namjoon estava correto. Era imaturo de sua parte insistir em adiar o inadiável, afinal, mais cedo ou mais tarde ele teria que casar-se para produzir um herdeiro legítimo. Porém, ele gostaria que fosse o mais tarde possível a fim de perpetuar ao máximo os seus dias como um libertino.


Jeongguk reconhecia também que parte de sua rejeição à ideia de casar-se tão cedo devia-se a insistência de Namjoon. Rebelar-se contra as imposições de seu conselheiro era regozijante. Principalmente porque Namjoon nunca levava em conta os seus desejos e felicidade ao pautar uma proposta de casamento. Tudo para ele resumia-se a dinheiro e política. Ele sequer respeitava a sua preferência por homens ômegas e, por isso, já havia tentado uni-lo com cada donzela ômega, nascida em berço de ouro, que circulava pela côrte. Obrigando Jeongguk a inventar desculpas esfarrapadas para rejeitá-las e escapar daquela situação desesperadora.


A insistência de Namjoon para que ele desposasse uma mulher ômega era baseada, principalmente, em duas razões: a primeira, devia-se às dificuldades enfrentadas pelos homens ômegas, num geral, para conceber filhotes fora dos ciclos de calor e aos partos mais arriscados; enquanto a segunda devia-se ao fato de existir poucos homens ômegas disponíveis no mercado de casamentos. E, para a infelicidade de Namjoon, Jeongguk já havia conhecido a maioria dos homens ômegas, solteiros e nobres do reino e nenhum deles parecia ser capaz de despertar remotamente o interesse de seu mestre.


Jeongguk, por sua vez, não achava que estava sendo tão exigente como Namjoon dizia ao exigir desposar um homem ômega. Para ele, o sexo primário do ômega não estava em discussão. Ele negava-se a viver preso em um casamento infeliz, com uma mulher ômega, por quem não conseguiria nem mesmo sentir atração sexual. Afinal, ele não estava pedindo muito. Não era como se ele estivesse a procura de uma grande paixão. Tudo o que ele desejava era sentir alguma coisa pela pessoa com quem se casaria. Parecia-lhe absurdo anular-se dessa maneira para dar continuidade a sua linhagem sanguínea, visando o acúmulo de riquezas, como Namjoon queria que ele fizesse.


Nada disso fazia sentido para si quando a sua fortuna e poderio militar rivalizavam com as da coroa e quando o nome Jeon era respeitado dentro e fora do território coreano. Jeongguk havia tido a sorte de nascer em uma linhagem nobre de alfas e ômegas lúpus, considerados seres sagrados e abençoados pelos deuses com a capacidade de transformarem-se em grandes e majestosos lobos. Infelizmente, a sua matilha havia sido dizimada durante o ataque japonês ao ducado de Busan, e o então pequeno Jeongguk, único herdeiro do líder, foi também o único de sua linhagem sanguínea que sobreviveu a este trágico episódio da história dos Jeon.


A sua família se foi, mas deixou para trás dezenas de hectares de terras férteis por todo o território coreano, estonteantes castelos e mansões, uma enorme soma em ouro e pedras preciosas, muitos títulos de nobreza além de toda a sorte de riquezas que se pode imaginar. No entanto, todo o dinheiro e prestígio social dos Jeon estava atrelado a um passado regado por disputas e rivalidades políticas. Desse modo, Jeongguk teve de aprender, prematuramente, a conquistar influência e poder para defender os seus interesses com suas próprias mãos. E, a essa altura, as suas atitudes inconsequentes e aventuras juvenis estavam refletindo negativamente sobre a sua imagem.


Jeongguk entendia perfeitamente o peso do ditado citado por Namjoon. Pois, conforme as crenças religiosas dos lycans, alfas e ômegas foram feitos a imagem e semelhança dos deuses e, por isso, eram tratados como uma representação do poder e dos atributos destas divindades. Ao que, dentre os deuses, os lycans veneravam Ômega como sendo a própria Lua a quem prestavam louvor, uivando a plenos pulmões, em agradecimento a luz que os protege da noite sombria desde os primórdios dos tempos, quando ainda viviam sob peles de lobo, caminhavam sobre quatro patas e organizavam-se em matilhas dentro das florestas. Na época da colheita, toda a população festeja a Ômega como sendo a mãe terra responsável pela fartura no campo e pela prosperidade de seus celeiros. Agradecem-na por abençoá-los com sementes frutíferas, rebanhos populosos e filhotes saudáveis.


Sendo assim, Ômega, a deusa da Lua, era cultuada como a mais importante, sendo adorada como um símbolo de luz, pureza, beleza, fertilidade, passividade e sabedoria. Enquanto Alfa, o deus do sol, era cultuado como a divindade da natureza, da fecundidade, da libido, da agressividade, do poder e da guerra. Ambos eram vistos como duas partes de um todo, forças opostas, fundamentais e complementares.


Por isso, ômegas são considerados pedras preciosas na sociedade: lindos, gentis, frágeis e inocentes. Tidos como criaturas tão belas quanto a lua e tão puras quanto a luz que emana do corpo celeste. Os únicos seres capazes de complementar e dignificar os alfas com os seus atributos fundamentalmente opostos e de abençoá-los com filhotes puros e saudáveis.


Jeongguk, assim como todos os alfas, necessitava de um ômega para completá-lo e carregar os seus herdeiros. Casar-se com um ômega o consolidaria como um alfa adulto, respeitável e capaz de prover para a sua própria família. Obrigaria os anciãos do conselho rea, a tratá-lo como um igual apesar de sua idade. Além disso, todo o seu passado libertino e aventuras inconsequentes seriam esquecidos — ou, melhor, ignorados — pelos demais e não poderiam mais ser usados para prejudicá-lo. Era por esses motivos que, mesmo que detestasse a ideia de casar-se tão jovem, Jeongguk daria o braço a torcer.


Todavia, o casamento não precisava significar, de fato, um infortúnio para si.

Depois de um dia inteiro de reflexão, preso dentro de uma carruagem a caminho de Busan, Jeongguk pôde refletir sobre os conselhos de Namjoon. Assim, enquanto estava sentado à mesa de jantar na companhia de Namjoon e Yoongi, degustando a sua refeição, o silêncio sendo interrompido somente pelo tilintar da louça à medida que comiam, ele limpou a garganta audivelmente, trazendo a atenção do casal para si antes de pronunciar-se.


— Eu refleti sobre os conselhos que você me deu... — Jeongguk introduziu o assunto, olhando diretamente para Namjoon enquanto falava — e concluí que, para o bem da minha imagem política, devo casar-me e produzir herdeiros o mais cedo possível — anunciou, vendo que os olhos alheios arregalaram-se brevemente e um sorriso vitorioso desenhou-se em seus lábios volumosos.


— Finalmente consegui colocar um pouco de juízo nessa sua cabeça dura! — Namjoon comemorou. — Quem será a felizarda? A proposta dos Lee ainda está de pé — comentou animadamente.


— Não irei desposar nenhum dos pretendentes que já me foram oferecidos — negou firme. — Se tenho que casar-me tão cedo que seja ao menos com um homem ômega, jovem, belo e puro. Não desejo viver preso a alguém por quem sequer posso sentir-me atraído.


— Alteza… — Namjoon tentou intervir com um tom de sobreaviso, mas Yoongi, o seu esposo, beliscou-lhe por baixo da mesa.


— Deixe-o em paz para escolher um ômega que o agrade! — Yoongi interveio em defesa de Jeongguk.


— Está bem. — Namjoon engoliu as suas ressalvas em seco. — Amanhã mesmo pedirei que tragam pinturas dos homens ômegas e solteiros mais belos de nosso reino para que você possa avaliá-los. Todos de sangue nobre, é claro — tentou parecer animado, sorrindo forçadamente para os outros dois.


— Eu não me importo com o método que usará, mas não tome muito de meu tempo com isso. Temos outros assuntos importantes a tratar nas próximas semanas — Jeongguk contrapôs, tendo em mente que Namjoon poderia ser implacável quando empenhava-se em algo.


Entretanto, o seu aviso não significou muito para o conselheiro, que no dia seguinte apareceu com uma pilha de quadros em mãos e o perfil de inúmeros pretendentes para si a tiracolo, forçando-o a passar horas sentado em uma poltrona conforme avaliava as pinturas e ouvia-lhe discorrer com entusiasmo sobre cada um dos ômegas. Enquanto isso, Jeongguk mantinha uma carranca entediada e soltava suspiros pesarosos, questionando-se mentalmente quando aquela pilha gigantesca chegaria ao fim.


— Alteza, este já é o vigésimo pretende que você recusou com desculpas tão torpes quanto as que deu em relação ao primeiro — Namjoon reclamou, em um tom cansado, após ouvir de Jeongguk que o último pretendente era “velho demais”. — Isso faz com que me pergunte se você está realmente disposto a casar-se.


— Eu estou avaliando os quadros e o ouvindo falar há horas, e, ainda assim, você duvida de minhas intenções? Acha que dou tão pouco valor ao meu tempo?— indagou, mal-humorado. — Não há nada que posso fazer se todos eles me parecem desinteressantes.


Jeongguk deu de ombros, ao que Namjoon inspirou profundamente, depositando o retrato que segurava sobre a pilha de quadros em cima da mesa, com um semblante cansado e irritado.


— Escolha três deles até o final do dia — ditou autoritário. — Estes são todos os homens ômegas e nobres existentes no mercado de casamentos de nosso reino, portanto há de ter alguns que o agradem. Caso contrário, sugiro que comece a considerar desposar um chinês ou um tailandês.


Dessa forma, Namjoon deixou a sala, sabendo que a ideia de casar-se com um estrangeiro desagradava mais o seu mestre do que a diferença de três anos de idade entre Jeongguk e o último pretendente que lhe ofereceu.


A quantidade de homens ômegas na Coréia era drasticamente desproporcional em relação às mulheres, havendo cerca de um homem a cada dez mulheres. Esse pré-requisito de Jeongguk tornava a procura simples e, contraditoriamente, problemática. Não ajudava em nada que ele enxergasse defeitos invisíveis em todos os ômegas que Namjoon o apresentava e duvidasse da credibilidade dos retratos dos pretendentes.


Depois de mais de um mês de procura pelo ômega perfeito, Namjoon estava esgotado. Ele já havia tentado desde retratos a encontros presenciais e nenhum pretende fora capaz de incitar o interesse de Jeongguk. Ele sempre encontrava algo que o incomodava em seus pretendentes antes de sequer conhecê-los apropriadamente. E, quando dava-lhes a chance de conversar devidamente consigo, rejeitava-os por serem tolos ou fúteis demais.


— Talvez devêssemos oferecer um baile — Yoongi sugeriu um dia, após Jeongguk e Namjoon retornarem de mais um encontro fracassado porque, aparentemente, Jeongguk não era capaz de suportar o cheiro enjoativo do ômega. Namjoon estava cansado e estressado, então, Yoongi resolveu massagear os seus ombros na tentativa de fazê-lo relaxar. — É uma forma discreta e agradável de lhe apresentarmos pretendentes. Como bem sabes, os jovens ômegas se engalfinhariam para dançar com Jeongguk. Não precisaríamos fazer qualquer esforço para que ele interagisse com os pretendentes. Ele seria encurralado por eles. — Sorriu de forma diabólica, aproximando sua boca da concha da orelha de Namjoon ao sussurrar: — E enquanto isso, eu poderia ter meu alfa só para mim. — Mordiscou o lóbulo da orelha dele.


— Essa ideia me parece excelente — Namjoon concordou, virando a cabeça para encarar Yoongi. — O que eu faria sem você? — indagou retórico, unindo os seus lábios aos dele.


Dessa forma, eles começaram o planejamento de um grande baile, que reunisse todos os homens ômegas jovens e solteiros do reino a fim de apresentá-los a Jeongguk.


α•β•Ω


Algumas semanas mais tarde, em um castelo no interior da província de Busan, a família Kim, assim como muitas outras, foi surpreendida com a visita do mensageiro do duque, que lhes trouxera um convite para o baile. Naquela tarde, também, o jovem Taehyung teve suas tranquilas horas de leitura interrompidas pela voz fina e estridente de sua irmãzinha chamando-o enquanto ela corria pelas escadas em direção a biblioteca.


— Tae! Tae! — gritava-lhe, animada. — O mensageiro do duque esteve aqui! — anunciou ao adentrar as portas duplas de madeira.


— Mensageiro? — Taehyung desviou sua atenção das páginas amareladas, tendo o seu interesse fixado na pequena garota de respiração vacilante, cabelos cor-de-mel e vestido vermelho florido.


— Sim! — confirmou, com um grande sorriso retangular. — Ele tinha um chapéu muito engraçado — disse sorridente. — E sabe do que mais? — questionou retoricamente, aguçando a curiosidade de seu irmão. — Ele disse que teremos um baile! — revelou, soltando um gritinho eufórico ao passo que pulava no colo dele.


— Baile?! — Taehyung arregalou levemente os olhos, descrente. — Haverá mesmo um baile?! — Colocou o livro de lado, abraçando o corpo pequeno da garota em seu colo.


— Mamãe disse que poderei usar um vestido bem bonito! — Jieun comemorou, com os olhos brilhantes e um enorme sorriso repartindo o seu rosto.


— Tenho certeza que você estará linda! — Sorriu para ela, bagunçando os fios lisos gentilmente.


— Ah! — Jieun exclamou ao lembrar-se do real motivo de ter interrompido a leitura de seu irmão. — Mamãe mandou que viesse chamá-lo. Ela deseja falar sobre o baile contigo — avisou.


Taehyung demarcou a página em que interrompeu sua leitura e guardou o livro, removendo a garota de seu colo para então levantar-se e dirigir-se obedientemente até sua mãe, tendo Jieun cantarolando repetidamente “teremos um baile!”, enquanto dava pulinhos ao seu lado, fazendo-o sorrir devido ao comportamento fofo da menina.


Apesar de não poder competir com a animação da irmã, Taehyung estava igualmente contente com a ideia de participar de um baile. Os anos em que ficou recluso no Internato Lunare lhe usurparam a oportunidade de frequentar bailes de verdade, com pessoas de todos os gêneros interagindo e dançando em um amplo salão.


Assim que desceu as escadas, encontrou a sua mãe, Hana, aguardando-o na sala de visitas, acomodada ao sofá a medida que segurava graciosamente uma xícara de chá fumegante em suas mãos pequenas.


— Estou aqui, mamãe — Taehyung anunciou sua chegada. — O que deseja falar comigo? — questionou, tendo a atenção dela voltada para si.


— Suponho que Jieun tenha lhe contado sobre o baile — disse, colocando a xícara sobre a mesa de centro, para entregar o convite a ele.


Taehyung desenrolou o papel, analisando o seu conteúdo rapidamente e observando o selo do duque, que tinha como símbolo a cabeça de um lobo.


— Esta será uma ótima oportunidade de introduzi-lo à alta sociedade depois de ter passado tantos anos afastado, então devemos tomar cuidado para causar uma boa primeira impressão — Hana disse.


— Certo — concordou ele.


— Acredito que haverá muitos alfas nobres e solteiros aptos a desposá-lo neste evento, por isso trabalharemos para deixá-lo deslumbrante. Amanhã cedo iremos à cidade para comprar tecidos, jóias, sapatos e encomendar suas roupas — ditou a mulher, entusiasmada, ao que Taehyung assentiu positivamente com a cabeça. — Ahh! Não vejo a hora de escolher as roupas... — revelou sonhadoramente. — Você prefere estampas florais e cores claras, ou algo mais discreto... talvez, preto? — perguntou, já imaginando os diferentes modelitos que faria o filho experimentar.


— Estampas florais e cores claras, com certeza — respondeu prontamente.


Taehyung desejava que aquelas tivessem sido as últimas instruções dadas por sua mãe em relação ao baile, mas, infelizmente, não foram. Hana despendeu longos minutos discutindo paletas de cores para as vestimentas e questionando-o quanto as suas preferências. Ela demonstrava tanta animação para com o evento quanto a pequena Jieun, que juntou-se aos dois ansiosa por escolher um modelo para o seu vestido. Taehyung também gostaria de compartilhar do mesmo êxtase que ambas expressavam, porém, a sua mente divagava em um mar de preocupações referentes a sua necessidade de arranjar um bom casamento.


A realidade era que Taehyung, com seus vinte e um anos de idade, já poderia ser considerado velho demais para casar-se. Ao contrário da maioria dos ômegas disponíveis no mercado de casamentos, ele já não se encontrava mais no florescer dos seus dezesseis anos de idade. Os cinco anos a mais que dedicou à pedagogia pesavam-lhe agora que seus progenitores demonstravam tanta pressa para casá-lo.


Racionalmente, Taehyung sabia que o seu retorno à alta-sociedade seria difícil. Não era comum que ômegas recebessem ensino superior e muito menos que se qualificassem para a docência. A maioria dos ômegas contentavam-se em estudar música, artes plásticas, costura, culinária e teologia. Ele mesmo havia despendido anos estudando instrumentos musicais e aprendendo a tocá-los. A música constituiu-se como a sua paixão mor, enquanto a pedagogia tornara-se o seu verdadeiro amor.


Taehyung era grato aos seus progenitores por terem lhe permitido dar seguimento aos seus estudos — ainda que motivados por razões nada nobres —, visto que ele amava ensinar. Ele gostava de lidar com crianças, compartilhar os seus conhecimentos com os pequenos e divertir-se na companhia deles. Taehyung descobriu a sua inclinação para o magistério depois de unir-se à equipe de monitoria do internato, tornando-se responsável por cuidar dos jovens calouros admitidos na instituição. Ele gostaria de ter tido alguém para consolá-lo, dizer-lhe que tudo ficaria bem e assegurar-lhe que não havia monstros escondidos nos corredores escuros do dormitório. Por isso, Taehyung ficou feliz em utilizar a sua posição para tornar-se ele mesmo no alguém de outros ômegas com saudades de casa.


Envolvido com seus estudos e sonhos, Taehyung quase deixou-se esquecer da razão pela qual estava ali. A sua graduação não passava de uma artimanha executada por seu pai em parceria com o diretor da academia para que ganhassem tempo. Uma confabulação engendrada para esconder o cio tardio dele.


Uma vez que Taehyung teve o seu primeiro ciclo de calor aos dezenove anos — mais tarde do que a maioria dos ômegas que costumam atingir a maturidade entre os quatorze e dezesseis anos de idade —, as cartas pressionando-o a abandonar os estudos tornaram-se uma frequente. Com muito custo, Taehyung conseguiu convencer o pai a deixá-lo dar seguimento aos seus estudos, utilizando o argumento de que sua desistência do curso geraria perguntas difíceis de serem respondidas num futuro próximo.


Agora, depois de quinze anos recluso em um internato religioso, Taehyung retornou à convivência em sociedade. Pela primeira vez em sua vida, ele tinha de lidar com a responsabilidade de trazer prestígio ao nome de sua família por meio de um casamento com um alfa da nobreza.


A família Kim era um pilar para o prematuro comércio marítimo de Busan. O seu pai, Kim Taeyang, era dono de uma frota de navios que exportava toda a sorte de especiarias, tecidos e pedras preciosas para o reino e importava mercadorias diversas para outros países. O ouro advindo de seus negócios lhes permitiu obter extensos lotes de terras e um castelo afastado do seio da cidade. Eram uma família rica, mas socialmente desprivilegiada em comparação à nobreza. Assim, casar Taehyung com um alfa de família nobre, era o modo mais prático e fácil dos Kim obterem um título nobiliárquico.


Apesar de todo o contexto que motivava os seus progenitores a casarem Taehyung o mais breve possível, ele acreditava no discernimento de seus pais para elegerem aquele que seria o seu marido. Taehyung confiava na sabedoria e vivência deles em detrimento de suas utopias românticas. Porém, assim como a maioria das pessoas, ele também desejava apaixonar-se e viver uma bela história de amor. Mas contentar-se-ia com um relacionamento seguro, estável e duradouro.


Como haviam combinado, na manhã seguinte Taehyung, Hana e Jieun dirigiram-se para o centro da província a fim de fazer compras para o baile. O ômega não pôde deixar de surpreender-se com as grandes mudanças que haviam ocorrido na estrutura e arquitetura de Busan durante os anos que passou recluso no internato.


O ducado outrora modesto e pitoresco, maltratado pela guerra, agora possuía uma grande área mercantil e um porto que atraía embarcações e marinheiros. Havia, também, mansões e casarões por toda parte, sinalizando a prosperidade dos moradores. Além disso, a área central abrigava um imponente gazebo, talhado com vitrais bonitos e decorado com ornamentações, ao que uma praça decorada com uma majestosa fonte situava-se logo a sua frente.


Taehyung deslumbrou-se observando as vias pavimentadas por pedras e bem movimentadas através da janela de sua carruagem, ansioso por descer do veículo para aventurar-se por essa nova Busan.


— Uau! Isso é mesmo Busan? — Taehyung questionou boquiaberto. — Até parece uma capital! — observou com espanto.


— Houve muitas mudanças, não é? — Hana perguntou, sorrindo diminuto devido ao deslumbramento do filho.


— Aquele é o palácio do duque? — Taehyung questionou, apontando para a majestosa construção parcialmente escondida atrás da paisagem repleta por relevos.


— Sim.


— A última vez que vi o palácio não passava de ruínas deixadas pela guerra — observou, impressionado com tantas mudanças.


— Muitas coisas melhoraram desde que Jeongguk foi feito duque e assumiu o comando de Busan, oficialmente — Hana contou, ganhando a atenção de Taehyung. — A primeira providência que o duque tomou foi reestruturar o mercado e reerguer o palácio dos Jeon. Ele tem nos mantido longe da guerra e dos conflitos nas fronteiras fornecendo milícias mercenárias ao rei enquanto reúne e fortifica o seu próprio exército para proteger a província. O povo o apoia e confia nele por ter trago prosperidade e paz para nós — explicou, demonstrando a sua admiração.


— Ele parece ser alguém impressionante — Taehyung admitiu.


— Com sorte nós poderemos cumprimentá-lo no baile — forneceu, sorrindo para o filho. — O seu pai e o duque são parceiros em algumas transações comerciais. Apesar de fazer parte da nobreza, os interesses dele convergem com os dos burgueses com mais frequência do que não — revelou, deixando Taehyung mais curioso e intrigado.


Não demorou muito para que a carruagem parasse em frente a um ateliê de costura. Taehyung precisou acordar a pequena Jieun que cochilava em seu colo, vendo-a pular alegre com a menção de seu novo vestido.


Era a primeira vez que Taehyung via-se em um ateliê repleto de tantos tecidos e estampas bonitas, tornando difícil para si escolher apenas um, principalmente quando o alfaiate utilizava de toda a sua lábia para fazê-los gastar mais. Motivo pelo qual ele acabou escolhendo não um, mas cinco trajes novos. Taehyung e sua família despenderam um longo tempo na alfaiataria, pois nada parecia agradar Jieun, que estava provando-se uma garota bastante mimada.


Taehyung ficou contente por poder caminhar em meio à multidão e explorar a província após deixarem o ateliê, fazendo questão de ignorar os chamados de sua mãe conforme avançava com curiosidade entre o mar de pessoas. Deslumbrando-se com a quantidade de lojas, bancas e vendedores ambulantes nas vias e dando trabalho para o pobre guarda que tinha de acompanhá-lo e mantê-lo seguro.


Hana, sua mãe, estava adentrando uma chapelaria quando uma tenda em especial chamou a atenção de Taehyung. Havia uma pequeno grupo de cinco pessoas parados em frente a entrada estreita, comentando sobre o vidente que estava de passagem pela província. Taehyung sempre foi muito curioso, sendo seduzido facilmente pelo mítico e desconhecido. Não era de se espantar que logo ele estivesse ignorando os chamados de sua mãe e driblando o soldado em seu encalço para ir até a tenda.


Taehyung inclinou-se, afastando a cortina azul da porta para adentrar a tenda, a qual era ornamentada com tecidos multicolores e arranjos talhados com dentes de animais selvagens. Extasiado pelo ambiente a sua volta, Taehyung sequer percebeu a fileira de potes de barro no chão, tropeçando em um deles e derramando o conteúdo com um baque audível. Envergonhado, ele olhou de um lado para o outro, firmando suas írises no beta idoso sentado no chão atrás de uma mesa situada bem no centro da tenda.


— Mil desculpas, senhor — pediu envergonhado, ajoelhando-se para reunir as folhas e ervas espalhadas pelo chão. — Eu não percebi os vasos na entrada e… — começou a justificar-se, calando-se ao notar os olhos brancos e vítreos do idoso.


O velho beta movia sua cabeça de um lado para o outro, parecendo exasperado. Ele ergueu suas mãos trêmulas de repente, exigindo que Taehyung se aproximasse.


— Esqueça isto! — mandou ele, apressado. — Venha até aqui e me dê suas mãos, menino — o velho ordenou, com as suas mãos procurando pelas dele no ar.


— Está bem, eu só… — Taehyung falou, tentando levantar o vaso, acabando por atrapalhar-se devido a pressa e derrubá-lo novamente.


— Logo, menino! — apressou-o, ao que Taehyung obedientemente precipitou-se até si, sentando-se no futon em frente ao beta e envolvendo as mãos envelhecidas dele.


O velho pegou Taehyung desprevenido ao agarrar suas mãos com uma força sobre-humana. Puxando-lhe na direção dele e forçando-lhe a apoiar-se na mesa de madeira. Em reação, Taehyung tentou puxar suas mãos de volta e soltar-se, todavia, o aperto exercido nelas era contundente. Ele estava preso ali, tendo de encarar os olhos esbugalhados e sem cor que miravam-lhe com um olhar tão profundo e tão assustador que o fez provar do gosto amargo do medo.


O fio vermelho unirá sol e lua ao entardecer. A paixão florescerá, mas a lua frutos não proverá. O ninho vazio preenchido será. O menino-lobo terás que aprender a amar ou a ruína para ti atrairá — declamou o vidente, em tom grave e rouco, exercendo mais pressão em torno das mãos de Taehyung a cada palavra profetizada.


O coração de Taehyung galopava furiosamente em seu peito enquanto ouvia as palavras sem sentido do velho. As mãos suavam frio à medida que buscava libertar-se. Ao que, tão rápido quanto o aperto em suas mãos surgiu, ele desapareceu.


— Louco! — Taehyung gritou com o velho. — Você é louco! — esbravejou, segurando suas mãos protetoramente próximo ao peito, ao passou que levantou-se do futon. — Eu não quero ouvir mais uma palavra vinda de você!


E assim Taehyung saiu pela porta da tenda, assustado com o olhar nas írises vítreas e a atitude agressiva do vidente. As palavras enigmáticas profetizadas pelo velho ecoavam em sua mente na proporção que atravessava o aglomerado de pessoas em busca da chapelaria na qual deixou sua mãe e irmã.


O restante do passeio pela província prosseguiu com a mãe de Taehyung insistindo para que visitassem uma joalheria e, em seguida, fossem até um sapateiro. A mente de Taehyung mantinha-se distante, refletindo sobre a previsão que recebera ao passo que respondia às perguntas da matriarca de modo vago.

Feb. 1, 2020, 1:26 a.m. 12 Report Embed Follow story
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Mik Baka Mik Baka
Estou tão triste pelo Taehyung :(( Eu já esperava que ele fosse infértil mas mesmo assim fiquei bem chateada, sinto que essa história vai me fazer sofrer muito daqui pra frente. Não tenho ideia de como o JK vai reagir, mas acho que ele não vai desistir de ter um herdeiro de sangue, mesmo que isso signifique engravidar outro ômega
May 02, 2020, 12:58
Jessyh Santo's Jessyh Santo's
Achei onde comenta kkkkk tô adorando cara.. sou nova Nesse App..que escrita perfeita 💜
April 20, 2020, 21:09
lari lari
cheguei pra amar essa fic aqui!!
April 08, 2020, 06:27
tae 💜 tae 💜
Eu to relendo a estoria e mds espero estar errado sobre o que o velhinho falou pro tae sobre a lua não pode dar frutos, acabei de ler o cap.18 e eles estavam falando sobre ter filhotes, nossa ja to toda triste
March 29, 2020, 17:35
hyeri Auzier hyeri Auzier
Na parte do beta ele falando que a lua não tera frutos eu acho que tava falando do tae ele é infértil não poderá ser filhotes ,poxa seria tão triste
March 14, 2020, 20:23

  • Ari Lima Ari Lima
    Seria bem triste mesmo né March 28, 2020, 21:04
Aryelle Brito Aryelle Brito
Tô me adaptando, n sabia onde comentar mdss kkkkkkk, olha eu aq, vou acompanhar como prometi!!!❤️
February 13, 2020, 02:17

  • Ari Lima Ari Lima
    iti, obrigada por vir acompanhar OPDA aqui bb <3 February 26, 2020, 01:12
Angel Machado Angel Machado
A melhor fic
February 04, 2020, 02:18

  • Ari Lima Ari Lima
    Fico muito contente q vc goste tanto assim de OPDA <33 Muito obrigada por dar amor a essa fic e deixar o seu comentário <3 February 05, 2020, 01:57
Marcella Petraquini Marcella Petraquini
Amo💙💜
February 02, 2020, 19:54

  • Ari Lima Ari Lima
    Obrigada por dar amor a OPDA <33 February 05, 2020, 01:56
~

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