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noveluas Tata C

Oh Hayoung tentou, tentou e tentou, mas até mesmo ela tinha um limite. [hana; apink]


Fanfiction Bands/Singers Not for children under 13.

#lgbt #wlw #apink #hayoung #naeun
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Tudo bem, tanto faz

Hayoung passava de um canal para o outro, enquanto apoiava a cabeça no ombro de Naeun. As duas estavam gastando mais uma tarde de outono na sala da Oh. Mas a loira já não sabia direito se queria estar ali com ela. Foram meses difíceis para chegar a conclusão de que talvez não valesse a pena. Ser paciente, compreensiva e esperar, esperar muito, as poucas vezes em que a Son parecia realmente parte daquele relacionamento.

Na maioria do tempo, era um trabalho unilateral. Era ela quem fazia com que aquilo pudesse ser chamado de relacionamento, era ela quem conseguia tirar de Naeun algumas palavras, às vezes uma risada. Era ela quem fazia com que saíssem daquele marasmo, do colégio para o sofá, do sofá para uma ligação, um — boa noite — fraco e distante, só.

Son Naeun não era só isso, mas quando estava com Hayoung, era o que oferecia.

E por algum tempo a loira não se incomodou, de jeito nenhum. Tudo na morena era bem mais do que satisfatório e muito mais do que ela esperaria em alguém. Talvez esse tenha sido o problema, considerar Naeun muito mais do que tudo que ela esperava e merecia. Aceitava as pequenas desfeitas, os detalhes ignorados e a má vontade. Hayoung não queria pensar que todos aqueles pequenos aspectos, que juntos se tornavam grandes, fossem propositais.

Mesmo que não fossem, em algum momento se tornariam não mais suportáveis.

Naquele mesmo dia, quando finalmente acharam que sair um pouco da casa seria bom, elas rumaram para um bairro qualquer, mais movimentado do que o caminho casa-escola que faziam. Hayoung tentou mais uma vez, mesmo que ainda não soubesse ser a última. Contou o que tinha de planos na cabeça, a vontade de ir ao baile final, de combinar os vestidos e por um triz não disse que gostaria de apresentá-la aos pais.

Ainda bem que não disse.

As palavras foram jogadas ao vento, e talvez por um erro de funcionamento no universo, Naeun não parecia ter recebido nenhuma delas. Pelo menos não aparentemente. Um sorriso de canto, um aceno positivo de cabeça, um — ah, tanto faz —, os olhos distraídos por algo mais colorido, mais atraente, a Oh não saberia dizer, porque naquele momento o estômago já revirava e os olhos ficaram pesados. Se não fosse pelo carinho imenso que sentia pela garota, teria se virado ali mesmo e ido para casa.

Mas isso só aconteceu mais tarde. No segundo “tanto faz”.

Já havia escurecido e elas estavam dentro da estação de metrô, poderiam muito bem encerrar por ali. Mas algo na Oh queria tentar, só mais um pouquinho. Talvez naquela noite pudesse ser diferente. Poderiam se aproximar como nunca antes e talvez Naeun tivesse um ótimo motivo e o falasse enquanto sentavam em algum café bonito.

Mas ela não tinha.

Quando Hayoung perguntou se queria ir para algum lugar, talvez ao rio ou a um karaokê. Sua resposta veio como como muitas outras — tanto faz. E o que antes foi um embrulho no estômago e um pesar nos olhos, naquele momento foi apenas um trincar de maxilar e um revirar de olhos. Era hora de parar, ela tinha finalmente entendido o recado. Naeun sempre seria um grande — tanto fez, tanto faz.

Não havia vontade de dizer adeus, nem de a mandar para o quinto dos infernos, mas apenas de ir. Se levantou do banco, onde esperavam um metrô menos lotado e apenas disse — tudo bem, tanto faz —, se embrenhou entre as pessoas apressadas e entrou com elas no vagão. Não quis olhar para trás ou não conseguiu. Ela ainda não decidiu. Não viu os olhos de Naeun, não ouviu sua voz, apenas se foi.

E por mais que seu coração tenha gritado consigo para ao menos ouvir sua voz mais uma vez, para checar as muitas mensagens, que diferente de antes, chegavam em seu celular. Para talvez pedir a mãe que parasse de mentir que não estava em casa e deixá-la entrar. Apesar disso, ela não deu ouvidos e, mesmo que parecesse infantil, devolveu o que lhe foi dado por tanto tempo.

Indiferença, ainda que fosse falsa.

Jan. 27, 2020, 1:25 p.m. 0 Report Embed 4
The End

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Tata C Tata, 25y

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