Onirodinia Follow story

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Andressa Leão


Nada somos quando nos entregamos ao silêncio.


Short Story Not for children under 13.
Short tale
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Onirodinia

Os passos ecoam pelo vazio, não há luz à sua volta, muito menos dentro de si. O vazio reflete nos olhos do Nada, que continua caminhando em direção alguma.

Seu corpo é uma obra de arte, mas Nada ainda é insignificante para todos os pesadelos à sua volta, um simples alimento para todos os demônios que o consolam nos seus sonhos mais profundos.

Segue a caminhada, segue com passos rastejantes em direção à voz do vazio, à ensurdecedora quietude. “NÃO!” grita o Silêncio, seguido de pancadas surdas contra o nada. “Você nos pertence, fique aqui conosco, não fuja” disse o Silêncio ao Nada, e ao silêncio se entrega, aconchegando-se nos pesadelos. O silêncio é poderoso no vazio, e o Nada é vazio. Vazio como o seu futuro e seu passado, Nada nunca foi algo, muito menos alguém. Mas o Silêncio o fez acreditar que é melhor assim.

“Fizemos por amor!”, diz o Silêncio. Nada abre um sorriso no rosto arroxeado, afogado no quente abraço dos pesadelos silenciosos. “Fizemos pra não te ver partir, não podemos te deixar ir para outro lugar, temos que te proteger daquilo que pode te transformar em alguém, assim continuará sendo nosso algo.” Isso foi o bastante para convencer de que Nada era útil para o Silêncio, de que Nada seria suficiente para os pesadelos.

Nada responde apenas se protegendo no abraço daquela enorme onirodinia, se protege do mundo que pode transformar o nada em tudo. Nada precisa do Silêncio para que nunca seja convertido a alguém.

E é no aconchego de pesadelos tranquilizantes que a criatura se encontra sozinha de novo, o nada, vazio. Sua lágrimas são vermelhas e escorrem por todo o seu corpo, seus olhos sãos vazios, sua alma inexistente, um objeto. Nada. Buscando refúgio no imaterial, segue caminho pela vasta escuridão “Por que sangro?”. Nada busca respostas no vazio e não encontra algo além do silêncio. Nada entende que é o silêncio que lhe faz sangrar, é o silêncio que lhe causa pesadelos, é o silêncio que lhe torna inferior, lhe torna um nada. E é o silêncio que lhe traz o conforto de ser aquilo que nasceu pra ser. Nada.

Jan. 14, 2020, 5:18 a.m. 0 Report Embed 2
The End

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