A mais bela joia de Erin Follow story

shogun Fernando Avendanha

Tentei capturar o espírito ou, ao menos, incluir referências celtas neste poema sobre amor, superação e salvação.


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#celta #irlanda #romance #amor #épico
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A Mais bela joia de Erin

Muitas terras viram a minha estada

Muitos campos sentiram a minha espada

Muitas mulheres me almejaram

Muitas comigo se deitaram


Naqueles dias perdidos

Sem rumos decididos

Naquelas batalhas de ardor

Sem conforto, amor


Conheci prazeres infindos

Deleitei-me em semblantes lindos

Lutei por bandeiras que não reconhecia

Pisei em longínquas maresias


Longe da terra da qual vim

Longe do que foi destinado a mim

Procurando algo que não é meu

Procurando ser o que não sou eu


Longe de casa tornei-me um desiludido

Meu âmago estava perdido

Voltei à Inisfail com intento de melhorar

Salvou-me nem mesmo semblante do lar


Sem direção rumei

Encontrei um muquifo e nele me alojei

Com sorte, pensei

Aqui morrerei


Mas o mundo dos homens não dá trégua

Chegou uma notícia régia

Os saxões em nossas costas desembarcaram

Os clãs em defesa de Erin se juntaram


Era novamente hora da contenda

Vi um motivo e saí da minha fenda

Peguei minha lança e espada

Fui alistar-me na tropa esverdeada


Juntei-me ao verde, fomos à guerra

Invadiam-nos por todas as costas

Numerosos, mas forças fracas

Ao oponente mostramos aterra


Porém a defesa mostrou-se árdua

Eram muitos, doía nossa espádua

Vinham dos quatro cantos, frente e retaguarda

Fomos aos montes, aos bosques, fizemos emboscadas


A situação mostrava-se preocupante

Permanecíamos acordados a todo instante

Ferrenhamente lutávamos

O’Neill esperançava-nos

Ele, nossa luz na escuridão

Mostrou-nos caminho e hasteou o pendão


Liderou-nos na última investida

O grande exército, harpa ao vento

Acordou e deixou o relento


Retomamos posições consecutivamente

Pequenos, derrotamos batalhões facilmente

Mas a guerra não estava acabada

Devíamos tomar Tara, era tudo ou nada


E foi no régio monte que me encontrei


Chegamos ao monte e iniciou-se a batalha

Flecha contra flecha, navalha contra navalha

O combate mostrou-se tresloucado

Pensei que chegava ao fim meu fado

Quando um saxão atacou-me e não aguentei

Caí no chão, não levantei

E morto eu estaria, esta história não estaria contando

Não fosse seu doce braço me salvando

Os olhos fechei, e quando os abri

Pensei ter morrido e um ser celestial vi

Seu rosto alvo

Olhos feéricos

Como Meave, couro ruivo

Não longo, mas belos e curtos


A visão da sua imponência enrubesceu minhas bochechas

Seu rosto cerrado e sério, a maior das belezas

De seu pedestal pôs em mim seus olhos

Sem muito pensar, como eu, ingênuo, pensava

Estendeu seus braços, a batalha continuava


Revigorado, lutei com furor

Enchi-me de espírito, como Finn e Conor

Ao lado de meus irmãos

Junto de ti

Enxotamos para Albion o vil histrião

Perdido em sua estrangeira abjeção


Mas não importa o que senti!

Ela está longe, distante, não a posso alcançar

Não sou Ossian nem Connal

Não tanto val’

Nem sou eu Ogma, Abhean ou Amergin

As bênçãos de Aoi não estão sobre mim

E se Aonghus dá-me inspiração

É para, ao menos, entoar esta canção!

É para ela alcançar

Como se, duma filha de Brígida, pudesse eu me equiparar!

Ah! Não devo titubear!

Não devo cair e chorar

Senão, digno não sou de minha Emer

Digo-lhes, algum dia serei desta mulher!

Jan. 6, 2020, 2:13 a.m. 0 Report Embed 2
To be continued...

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Fernando Avendanha Ó Capitão, Meu Capitão

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