"Prego que se sobressaí leva martelada" Follow story

netunochase Netuno Chase

Nem tudo é tão colorido como os animes japoneses mostram. Infelizmente, Ochaco sabia disso na prática, e a cada dia se mostra mais difícil conviver com tal realidade. Mas em algum lugar sempre terá uma mão estendida pronta para ajudar, e daquela vez, viera de um lugar totalmente inesperado.


Fanfiction Anime/Manga Not for children under 13.

#RegionalJapão #crítica #bullying #fluffly #comédia #ua #bnha #Katchako
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Capítulo único

Presentinho de natal dedicado às minhas lindas Nathy e Ellie, que me fizeram considerar esse shipp tão fofo e maravilhoso. Dedico esse presente também a Alice, por ter me inspirado principalmente depois de ler "Sua Garota" escrita por ela.

Então, obrigada por serem as mulheres da minha vida e sempre me motivarem direta ou indiretamente com suas histórias. Vocês são incríveis e merecem o mundo, minhas rainhas.

Feliz natal!

~~~~~~~~

Ochaco abria tranquilamente a porta da cabine do banheiro, sem se dar conta da desgraça que a esperava. Um balde posto em cima da cabine fora colocado de forma a cair assim que a pessoa dentro abrisse a porta para sair, e a jovem Uraraka não havia percebido.

O banho foi inevitável, surpreendendo a garota e irritando-a em demasia. Rosnou levemente, encarando suas "amigas" que haviam preparado aquela emboscada. Formavam um grupo de cinco e estavam na porta principal do local, impedindo a entrada de qualquer um que pudesse vir ajudá-la. Era a sua semana então — seria também a última, pois estava farta.

Sem pensar e rápida como um raio, Ochaco avançou para cima da líder, agarrando-lhe o pescoço com vontade. Nenhuma das outras ousou se mexer, não quando sabiam que a baixinha invocada era capaz de imobilizar até mesmo um bronco como Bakugou – Uraraka havia feito essa pequena demonstração ainda no fundamental secundário, quando o garotinho explosivo meteu-se a besta com uma das suas "amigas", fazendo-a chorar com suas palavras desprovidas de sentimento humano.

Sabendo disso, as outras apenas observaram a cena, imobilizadas pelo medo. Ochaco não ia machucar a líder, pois não se igualaria ao nível baixo dela e de suas seguidoras. Mas estava cansada, e precisava aproveitar aquela oportunidade para dizer umas verdades.

— Essa foi a última vez que fez isso comigo. – rosnou, decidida – Foda-se se depois disso não puder ficar no grupo idiota de vocês, foda-se se vão falar mal de mim e me difamar, simplesmente fodam-se. Aguentei tempo demais achando que iam mudar, que eu ia conseguir trazer algo de bom pra vocês, já que salvei cada uma aqui quando era a vez de vocês. Ninguém nunca fez isso por mim, ninguém estendeu a mão para mim, vocês são umas covardes que só sabem pedir socorro sem saber oferecer. E além de tudo, só agem em grupo. Não preciso disso, dessa amizade falsa. Antes só do que mal acompanhada, não sou o prego que vocês vão martelar quando bem entenderem. Fodam-se os padrões dessa merda e foda-se esse ditado.

Dito isso, Ochaco soltou a líder do grupo e saiu empurrando as outras com o ombro a fim de abrir passagem. Já era hora de ir embora — ataques com água sempre aconteciam nesse horário, para que os professores não pudessem perceber. Atravessando o pátio, Uraraka ignorou os olhares curiosos e seguiu para a saída, os passos pesados fazendo barulho enquanto andava.

No Japão, era assim que funcionava; um grupo de amigas escolhiam alguém do próprio bando para maltratar durante uma semana, como se estivessem lidando com um rato. Nada de agressões físicas pesadas para não correrem riscos de tomar advertências, porém as agressões psicológicas e verbais compensavam qualquer surra. Baldes de água na porta, empurrões na intenção de derrubar, xingamentos ofensivos e tratamentos que ignoravam a existência da pessoa eram muito comuns. E se alguma das outras ousasse interferir, então seria a próxima a ser agredida.

Por esse motivo na maioria das vezes Uraraka acabava sendo o alvo; sempre interferia na punição das amigas. Achava aquele comportamento delas errado, mas era tão comum em sua cultura que não podia recorrer a outros para resolver o problema (até porque os outros sequer se importavam com aquilo). Sendo assim se dispôs a aguentar, ansiando que após sofrer várias vezes no lugar das colegas, acabasse por fazer uma pequena revolução nas suas mentes.

Mas havia se enganado feio — no fim, o medo do isolamento e da falta de popularidade ou reconhecimento vencia qualquer empatia que as garotas pudessem ter por si, se é que elas tinham. E ali estava Ochaco, repreendendo-se mentalmente por ter perdido tanto tempo com amizades tão fúteis e supérfluas.

"Era melhor ter ficado sozinha. Se bem que agora vou ter tempo de sobra pra isso, já que voltamos das férias apenas uma semana atrás. Um ano inteiro solitária, que merda!" – ponderava com seus botões, andando distraídamente pelas ruas de Tóquio, enfrentando as multidões que se empurravam em busca de espaço na grande avenida, perdidas demais nos próprios dilemas para se importarem com boas maneiras.

Querendo ou não, era frustrante pensar que ficaria sem amigas por tanto tempo, talvez pelo resto do ensino médio. De repente, compreendia como aqueles que desistiam se sentiam – fossem os que só desistiam da escola, fosse os que desistiam da vida. Ochaco não pretendia fazer nenhum dos dois, mas passava a entender bem a situação. Viver naquele país cheio de padrões não era tão doce quanto diziam ser, não era tão dinâmico e cheio de união como os animes mostravam. O Japão era um país desenvolvido e rico sim, mas tinha tantos problemas comportamentais na sociedade quanto qualquer outro país de terceiro mundo. O ditado que diz "prego que se sobressaí leva martelada" é a prova fiel da obscuridade da maioria dos japoneses que se fazem de perfeitos quase o tempo todo.

"Quantas marteladas eu ainda aguento?" – perguntou-se a jovem, com um semblante melancólico roubando sua típica animação diária. Ao ver que chegava em casa, Uraraka balançou a cabeça para afastar tais pensamentos, decidindo que iria lidar com um dia de cada vez — afinal, havia aguentado por muito tempo para pensar em desistir logo quando tinha se livrado daquelas desgraçadas tóxicas.

~~~~~~~~~~

Sentada sozinha em um canto afastado da aglomeração de jovens, Ochaco imergia em seus próprios pensamentos, tão concentrada que não ouviu o som de passos ecoando, só percebendo a presença quando esta sentou-se ao seu lado no banco do refeitório.

Uma semana havia se passado desde o incidente com as "amigas", e a partir daí Uraraka começou a lidar com a solidão, observando de longe a interação alheia e enojando-se sozinha com a falsidade que todos distribuíam. Ninguém havia ido procurá-la naquele tempo, por isso ver Bakugou sentado ao seu lado foi uma grande surpresa para si.

— Solitária, rosto redondo? — perguntou, olhando para o teto ao invés de fitar a jovem.

— Primeiro de tudo: não faça uma pergunta cuja resposta é óbvia. Segundo: redonda vai ser a marca do meu soco na sua cara se continuar com esses apelidos ridículos, Katsuki. — ameaçou seriamente.

— Não devia se achar tanto só por causa daquilo lá. — resmungou o garoto, referindo-se ao incidente do fundamental secundário. — Eu que deixei você me bater.

Uma gargalhada carregada de deboche escapou da boca de Ochaco, e Bakugou quis socar-se por sentir-se encantado com ela, ao invés de irritado.

— Você veio pra cima de mim com zero técnica e muita fúria, todo estabanado me subestimando por eu ser garota e menor que você. Eu fui lá e te dei uma porrada com meus aprendizados no karatê, te imobilizei e fiz você ter um mini ataque de macho com orgulho ferido. Analisando bem os fatos, tenho certeza de que você apanhou por falta de habilidade, não por caridade. — enfatizou o "certeza", encarando-o com as sobrancelhas erguidas em uma expressão que desafiava uma refutação.

— Que seja. – resmungou irritado, torcendo o rosto em uma careta de desgosto. — Nunca mais vou apanhar pra tu de novo.

— Olha que eu estou a poucos passos de conquistar a faixa preta, então é bom não me provocar. — ameaçou de forma brincalhona, sabendo que seu colega estava certo de que contava uma mentira descarada (a faixa preta requeria anos de treinamento, sendo que Uraraka não possuía idade nem para possuir a faixa de "terceiro nível").

Ouviu-o bufar em resposta, mas resolveu ignorar.

— Enfim, o que desejas, bomb boy? — perguntou depois de uns minutos de silêncio, usando o apelido antigo que se referia ao fato de Katsuki ser uma espécie de "bomba", sempre explodindo de raiva com intensidade por motivos nem tão intensos.

— Pensei que tivesse dito algo sobre "nada de apelidos idiotas" — resmungou em resposta, imitando (ou tentando) a voz de Ochaco ao proferir a frase final.

— E eu pensei que cobras não se afetavam ao provar do próprio veneno. — alfinetou com uma falsa doçura na voz e expressão.

Bakugou se irritou naquele momento — pois apesar de saber que era só brincadeira, ainda assim sentiu-se machucado pelo grande número de patadas que recebera em tão pouco tempo.

— Eu vim em missão de paz pra falar um negócio importante, mas acho que não tá interessada, vou indo nessa. — disse levantando-se enquanto estalava sua língua no céu da boca, sinal claro de sua frustração.

Repentinamente arrependida, Ochaco apressou-se em segurar o outro pelo pulso antes que se afastasse. Sentiu seus dedos formigarem com o contato, bem como o coração acelerar de forma ridícula, mas apenas ignorou.

— Espera, por favor… Eu não quis ser chata, mas acho que me desacostumei com interação social. — explicou-se de forma apressada, mordendo o lábio inferior em sinal típico de vergonha. Era uma desculpa tola, porém real, tratava-se de como ela se sentia.

E Katsuki derreteu completamente com tais palavras, sentindo um aperto no peito só de ver o desânimo estampado naquela face tão bela. Era por aquele motivo que estava ali; percebera o isolamento da garota e apesar de ter apenas uma semana que ela se mostrava tão antissocial, soube que era o suficiente para afetá-la. Uraraka sempre se mostrava muito comunicativa e carismática, não era comum vê-la isolada daquele modo.

Vencido pela preocupação que havia levado-o até ali, Bakugou voltou a sentar-se no banco, disposto a deixar o orgulho de lado para tratar do assunto que era mais sério do que aparentava.

— É, percebi que tu tá meio sozinha esses dias. Por isso tô aqui. — confessou, os olhos voltados para o teto novamente.

— Preocupado comigo, Katsuki? — brincou Ochaco, ainda que apenas a possibilidade de estar certa aquecesse seu coração mais do que gostaria de admitir.

— Hm. — resmungou, sem saber bem o que dizer. — Olha, eu só vim te dar uma sugestão. Acho que você devia juntar um grupo aí, aproveitando que é forte. Ia ser a líder e recrutando outras garotas pra andarem contigo. Assim não ia ficar sozinha.

Uraraka entreabiu os lábios, chocada. Não esperava que o jovem sugerisse algo assim, ainda que soubesse que ele não era lá flor que se cheirasse. De todo modo, nutria uma ínfima esperança sobre a mudança do rapaz.

— Está falando pra eu me aproveitar da minha habilidade pra juntar um grupo e sair fazendo com outras garotas coisas ruins só pra não ficar sozinha? Fazer com elas exatamente o mesmo que fez com que eu me afastasse? — perguntou, agora com um tom de voz meio ríspido.

— Claro que não, idiota! — foi a vez de Bakugou ser ríspido. Não esperava que fosse tão mal interpretado, muito menos o tom ácido que lhe era dirigido só por tentar ajudar. Respirou fundo, tentando manter a calma para explicar o mal entendido.

— Presta atenção, porra, vou explicar só uma vez. Essas merdas que amigas fazem, sei que fizeram com você. Aconteceu com uma garota que andava de vez em quando comigo e os meninos. — Katsuki apontou um grupo do outro lado do refeitório, do qual Ochaco só conhecia Izuku, Shouto e Eijirou. – Era a Mina, e ela foi afastada da escola por recomendação da psiquiatra. Sabe o quão raro é acontecer algo assim nessa merda de país? Um profissional realmente bom que não fica insistindo pra geral agir como um robô? Pois é! E ela ficou assim mesmo, que nem você. Isolada depois de dar um pé na bunda das carniças que ela chamava de amigas. Só que ela ficou muito tempo sozinha, e as malditas ficaram difamando ela e a Mina ficou toda abalada e não contou pra ninguém, lidou com isso sozinha e agora tá afastada do convívio social por causa dessas tóxicas do caralho. Não quero que aconteça essa merda de novo com ninguém que eu conheça, por isso tô tentando ajudar.

Uraraka não sabia o que dizer. Estava chocada pelo relato, pela preocupação do garoto e pela ajuda que oferecia. Tinha sido uma bruxa com ele, e sentiu-se muito arrependida.

— Eu ne…nem sei o que dizer, Bakugou. — gaguejou levemente, envergonhada. — Desculpa, fui uma péssima amiga contigo, de verdade.

— Tanto faz, acho que só provei um pouco do meu veneno, não é?! — riu de forma sombria. — Mas enfim, vim dizer que tem umas garotas legais que estão na mesma merda, então seria legal ajudar elas ao mesmo tempo em que se ajuda. Momo é uma delas. — apontou com discrição para uma linda garota que estava sentada sozinha numa mesa, imersa em pensamentos.

Ochaco observou em silêncio, admirando-a secretamente. Adoraria tê-la como amiga. Estava prestes a dizer algo quando Izuku apareceu, cumprimentando-a alegremente.

— Hey, Uraraka! Quanto tempo, nunca mais passeamos juntos com o pessoal. Ah, e oi Kacchan.

Este último rosnou em cumprimento, nada que abalasse muito o jovem Midorya. Estava acostumado com a face mais desagradável do amigo, portanto surpresa para si era o modo como ele tratava a jovem diante deles. Sabia o que significava, mas preferiu ficar quieto – por enquanto.

– Oi Deku! — cumprimentou Ochaco de forma animada, acenando amistosamente e gesticulando para que ele se sentasse no banco também. — É verdade, estou devendo um passeio pra vocês. Que feio Kacchan, nem me convidou pra ir com a galera. — riu bem humorada, usando o apelido com gosto.

— Tem o nerd de merda pra fazer isso no meu lugar. — respondeu secamente, levantando-se e indo embora sem sequer despedir-se, deixando para trás uma Uraraka que não entendeu nada.

— Ué, o que deu nele? — perguntou, preocupada.

— Ah, deve ser porque eu cheguei e ele ficou envergonhado por eu ver vocês e tal. — respondeu Izuku, denotando certo constrangimento ao coçar a nuca enquanto falava.

— Mas a gente não tava fazendo nada demais… — argumentou Ochaco, ainda confusa.

— É que o Kacchan não costuma ser visto sendo gentil e não gosta disso. Ele é complicado, Uraraka. Mas é uma boa pessoa e se já mostrou o lado bom dele, não é à toa. Pensa nisso, e por mais que seja difícil, não desista dele, ainda não. — com um sorriso fraco, Midorya se levantou e acenou em despedida, indo atrás do bomb boy.

E novamente Ochaco sentiu-se deixada para trás, sem entender nada — confusa demais para dar-se conta do óbvio. Decidiu deixar aquilo de lado naquele momento, pois tinha uma missão e precisava traçar planos e argumentos que a ajudassem na tarefa. Lidaria com Katsuki e suas incógnitas depois.

~~~~~~~~~~~

Andava decidida até o lugar onde Momo sempre estava — sentada em um dos bancos retangulares do refeitório — sozinha e entretida com algum livro didático. Ela se destacava mesmo tentando ser discreta, por sua beleza natural e concentração inabalável ao ler.

Ochaco sentiu suas mãos suarem em nervosismo e a cada passo que dava, parecia menos certo o que estava prestes a fazer.

"Calma, não vai desistir agora, porra!" — ralhou mentalmente, em seguida percebendo que talvez estivesse passando muito tempo com Katsuki. Nas últimas semanas, tinha andado com ele e seu grupo de amigos, pois todos alegavam que não deixariam ela sozinha. Uraraka nunca se sentira tão acolhida, e precisava agradecer ao bomb boy por aquilo.

Respirou fundo e continuou firme em seus passos — não iria se dar ao luxo de desistir depois de tanto tempo pensando sobre aquilo. Sentou-se ao lado da jovem e sorriu amigavelmente, vendo-a encará-la de soslaio sem aparentar muito interesse.

— Oi! — cumprimentou Ochaco ao perceber que a outra não iria dar o primeiro passo.

— O que quer? — perguntou Momo de forma direta e até mesmo meio ácida, ostentando uma expressão defensiva.

Por um momento, Uraraka sentiu-se decepcionada. Mas logo se recompôs, ao lembrar-se do motivo de tal tratamento e lembrar-se que estava ali para tentar reverter aquela situação.

— Uma amiga. — respondeu sincera, suspirando e sentando-se no banco.

— Uma amiga? — perguntou Momo, desconfiada. — Que tipo de amiga você é? — encarou-a de modo intenso, procurando nela algum resquício de interesse por sua inteligência ou beleza que certamente renderiam-lhe certa popularidade. Tudo que encontrou foi gentileza, sinceridade e preocupação.

— Não sei que tipo de amiga sou, só sei o tipo de amiga que quero ter, e com certeza é o tipo de amiga que não vai me dar banho quando eu usar o banheiro, nem vai me humilhar e nem vai dizer que "prego que se sobressaí leva martelada" toda vez que eu agir como uma humana, e não como um robô doméstico. E além de querer ter uma amiga assim, quero ser assim. Tô cansada dessas vadias sádicas, só quero sinceridade e cumplicidade. — desabafou de forma tão verdadeira que se assustou. Não dissera nada do que havia treinado, não agira do modo que havia pensado que agiria e ainda assim sentia que o resultado tinha saído mil vezes melhor que o planejado.

Yaoyorozu estava surpresa com tanta espontaneidade vinda de alguém que nem conhecia direito. Imediatamente, gostou da jovem e decidiu que qualquer relação que estabelecesse com ela seria diferente de qualquer outra. Estendeu sua mão e sorriu amistosamente, pronta para ceder e deixar de lado sua posição defensiva.

— Prazer, sou Yaoyorozu Momo.

— Sou Uraraka Ochaco! — respondeu a outra prontamente, apertando a mão que lhe era estendida de forma firme porém gentil. Seu sorriso provavelmente parecia uma banana a atravessar-lhe o rosto, mas não se importou.

— E então, tem mais gente ou será só nós duas? — Momo perguntou, oferecendo-lhe um bolinho de carne que pegara na bolsa (que Ochaco nem reparou que a garota possuía).

— Olha, tem mais várias garotas por aí que estão sozinhas, eu queria procurar e conversar com elas, sabe. Pretendo fazer máximo que puder para ajudar as outras, essa situação toda é uma merda e se ninguém faz nada, eu quero fazer! — exclamou de forma determinada, comendo seu bolinho enquanto batia uma das mãos na mesa levemente, selando a promessa.

Momo riu suavemente, achando sua nova amiga fofa, graciosa e forte ao mesmo tempo. Formariam uma boa dupla, e posteriormente um bom grupo, já que partilhava dos mesmos sentimentos da outra.

— Conheço alguém que podemos abordar depois. — comentou, observando os arredores enquanto procurava seu alvo com os olhos. — Toru Hagakure, conhece?

— Não. — respondeu Ochaco com a boca cheia e cenho franzido, tentando se lembrar do nome mas sem obter sucesso.

— Quase ninguém conhece, pra falar a verdade. Ela é tipo invisível, faz de tudo pra passar despercebida e até imagino o porquê. — comentou Momo, apreensiva. — Acha que podemos ajudar ela?

— Podemos ao menos tentar. Depois procuramos por ela e trabalhamos para trazê-la para nossa nova irmandade. — brincou Uraraka, bem humorada. Estava esperançosa novamente, e nada tiraria aquilo dela.

— É isso aí! – concordou Momo, sentindo-se motivada pelo otimismo da outra.

Sorriram cúmplices e naquele momento, a parceria parecia ser comemorada até pelos átomos invisíveis que as cercavam. Era tão raro e tão maravilhoso uma amizade desinteressada e sem rivalidades que ambas podiam jurar estar num sonho. E se fosse, não queriam acordar — porque naquele momento, nada no mundo poderia se igualar a felicidade que sentiam.

— Vamos, temos que pensar num plano para traçar e cumprir a nossa missão! — Ochaco levantou-se, puxando a outra consigo.

Naquele dia, eram só elas e seus planos para ajudar outras, e ninguém iria atrapalhar seus desígnios – afinal, garotas determinadas e unidas jamais serão vencidas.

~~~~~~~~~

Sorriu ao observar o grupo de garotos ao longe, e não se deteve nem por um segundo ao caminhar decididamente na direção deles. Os cabelos loiros e a voz alta se destacavam, guiando-a com mais facilidade naquela direção. Katsuki mantinha-se de costas, o que facilitava as coisas para Ochaco — já que ela não queria ser notada até que cumprisse seu objetivo.

Assim que se pôs atrás dele, colou o dedo indicador nos lábios, pedindo aos amigos que conseguiam vê-la para não denunciarem sua presença. E antes que perdesse a coragem, envolveu seus braços em volta do tronco de Bakugou, abraçando-o por trás, sentindo os músculos firmes das costas contra seus seios. Tentou conter o suspiro, sem muito sucesso.

Katsuki arregalou levemente os olhos, tomado pela surpresa. Estava pronto para repelir quem quer que fosse quando reconheceu as mãos de Uraraka. Respirou fundo e se conteve, subitamente agraciado pelo calor que emanava da garota.

Ao redor, os que presenciavam a cena — tanto amigos quanto desconhecidos — estavam boquiabertos, embora por motivos diferentes. Na roda onde Izuku, Shouto, Eijirou e Kaminari estavam, os motivos da surpresa se deviam ao fato de Katsuki estar mantendo contato com alguém de forma tão terna sem gritar ou xingar como de costume. Os outros curiosos só estavam surpresos porque não sabiam que demonstrações públicas de afeto eram normais entre seres humanos. Provavelmente, os pobres coitados nem sequer sabiam que eram humanos, já que aceitavam agir como robôs a maior parte do tempo.

Alheia a todo o alvoroço das pessoas — ou simplesmente indiferente — Uraraka girou no eixo do corpo de Bakugou, de modo a se alojar ao seu lado esquerdo, ainda abraçada ao garoto. Katsuki ainda não esboçava uma reação decifrável até que Ochaco pôs-se nas pontas dos pés, almejando alcançar a bochecha do amigo. Quando conseguiu, tascou-lhe um beijo estalado que pareceu fazer o bomb boy sair do transe, já que finalmente ele resolveu envolver apenas um dos braços ao redor da cintura da jovem – contrariando todas as expectativas e surpreendendo ainda mais todos os amigos que ainda assistiam a cena clichê de camarote.

— Obrigada, Kacchan! — exclamou, animada, apertando os braços em volta dele.

— Sua ideia foi a melhor, sério. Agora eu tenho amigas de verdade, e a Toru e Asui não precisam mais se preocupar com as vadias sádicas que ficavam enchendo o saco. — tinha elevado o rosto enquanto falava e seus olhos brilhantes encararam os de Bakugou, perdendo-se por uns instantes naquela densidade enigmática, até que ele desviasse com as bochechas levemente coradas (aquilo era uma novidade).

— Nã… Não precisa agradecer, só dei uma ideia óbvia, rosto redondo. — respondeu, amaldiçoando-se por gaguejar e tentando disfarçar o nervosismo com o uso do apelido que Uraraka odiava.

Porém naquele momento, nada faria com que Ochaco perdesse o bom humor, principalmente porque ela conhecia as artimanhas de Bakugou para fugir de situações que mexiam com seus sentimentos. Resolveu levar na esportiva e até mesmo considerou-se privilegiada por causar tanto alvoroço na mente do grande e inabalável Katsuki — que já não parecia tão inabalável assim.

— Obrigada mesmo assim. — disse, finalmente soltando-o e obrigando-o a fazer mesmo consigo. Sorriu e virou-se para os outros, cumprimetando a todos com um sorriso e reverência leves. Estava prestes a sair quando se lembrou de algo. — Ah, Bakugou, já falei com meus pais sobre o trabalho de hoje, então vou direto com você. Espero que tenha comida na sua casa, porque eu tô morrendo de fome! Me espera na saída, bomb boy. — dito isso, virou as costas sem esperar resposta, retirando-se e indo ao encontro do seu grupo de amigas.

Katsuki apenas encarou os colegas com uma expressão assassina, e a mensagem ficou bem clara: nem um pio sobre isso. Para o bem de suas cabeças, todos resolveram obedecer a ordem muda; afinal, ninguém queria ser decapitado. E o resto do dia foi tranquilo, exceto pelo sentimento de ansiedade que consumia Bakugou, que desejava que as horas passassem logo para que ele visse o rosto redondo e belo novamente.

~~~~~~~~

— Demorou, hein. — resmungou Katsuki, com sua carranca habitual. Estava sentado em um dos degraus da escada dos fundos que levava a saída de emergência. Optou por aquele local por saber que a garota sempre saía por ali.

— Oh, desculpe, eu tava conversando com as meninas. — se justificou Ochaco, mas ao perceber que não podia perder a piada, mudou o tom de voz para acrescentar zombeteiramente: — Mas pra que a pressa? Nasceu de seis meses foi? Ou tudo isso era só vontade de me ver?

"Era e é, porra!". — pensou Bakugou, mas sua resposta foi outra.

— Deixa de ser convencida, é só que seu bolinho de carne tá esfriando, idiota.

— Bolinho de carne? — indagou, curiosa, finalmente reparando nas sacolas que o garoto mantinha repousadas em seu colo.

— É, tu não tava com fome? Até a minha casa leva tempo, e não quero ouvir ninguém choramingando no caminho. Passei no tiozinho ali da frente e comprei. Espero que não tenha frescura que nem as outras meninas pra comer coisa de fora. — tagarelou sem perceber, fazendo um biquinho ao se calar.

Uraraka estava estarrecida, não imaginava que Katsuki pudesse ser tão adorável — embora já tivesse notado que ele se escondia atrás de uma fachada falsa. Odiava fachadas, e o fato de ser a privilegiada que podia presenciar a queda de uma (de Bakugou, ainda por cima!) lhe proporcionava enorme alegria. Pensando bem, o bomb boy ficava muito mais lindo quando se permitia ser gentil; ainda que fosse do seu modo, uma gentileza meia bronca, mas mesmo assim fofa e agradável.

— Quem tem frescura pra comer? Comida é comida, não tendo veneno é lucro. — se pronunciou enfim, sentando-se ao lado do garoto e tomando as sacolas de seu domínio.

Espiou o conteúdo de uma, observando um saquinho de papel cheio, que revelou dois belos e gordos bolinhos de carne enrolados em um plástico fino, no tradicional estilo japonês. Fez o mesmo com a outra sacola e descobriu ali um pacote de Umaibo: seu salgadinho favorito no seu sabor de queijo favorito. Sorriu radiante.

— Porra, você é incrível! — se animou Uraraka, sorrindo enquanto metia a mão na embalagem com bolinhos e agarrava um, desembalando com a sutileza de uma fera faminta.

— Eu sei. — resmungou o outro de forma convencida, ainda que seu sorriso de canto demonstrasse algo a mais que apenas pura presunção.

Ficaram ali em silêncio; Ochaco devorando os alimentos e Katsuki observando-a de forma fascinada, em uma contemplação silenciosa. A jovem não se lembrou de oferecer, tão esfomeada estava. Não que isso fizesse diferença para Bakugou; afinal, o simples fato de vê-la feliz comendo já alimentava seu coração estupidamente apaixonado (ainda que jamais deixasse esses pensamentos muito na superfície, temendo que eles escapulissem pelo espaço existente entre seus lábios meio abertos).

Por sorte, ninguém havia passado por ali, então os jovens possuíam total privacidade. Não que precisassem, claro. Quando Ochaco finalmente terminou sua refeição, parecia um pequeno sol que irradiava calor, alegria e paz — além de um pouco de deboche que parecia estar sempre presente, pronto para aflorar na primeira oportunidade.

— Obrigada, Kacchan. De verdade. — sorriu carinhosa, e os seus olhos brilharam mais intensamente naquele instante, quando se encontraram com o olhar contemplativo de Katsuki. Ele parecia querer dizer algo, mas ao mesmo tempo parecia relutar. E embora Uraraka soubesse que ações valem mais que palavras, precisava mesmo ouvir. Deixar de dizer significaria que Bakugou valorizava mais o orgulho do que a si, e embora ele tivesse deixado o sentimento de lado por muitas vezes e a jovem reconhecesse isso, não podia aceitar o serviço feito pela metade. Ou Katsuki demonstrava que ela era mais importante que o seu orgulho, ou nada feito.

Decidida, encarou-o com ainda mais intensidade e se pronunciou de forma séria:

— Se tem algo pra me falar, fale logo Bakugou.

Ouvir seu sobrenome e observar toda aquela seriedade vinda de Ochaco o fez vacilar. Mordeu o lábio e depois de um longo minuto, resolveu se pronunciar.

— Não tenho nada pra falar. — baixou o olhar ao dizer a mentira, erguendo em seguida para se deparar com uma decepção e leve amargor que Uraraka não se preocupou em disfarçar.

— Então vamos, temos um trabalho pra fazer. — soou seca, nem um pouco inclinada a omitir suas emoções como o covarde diante de si fazia. Não iria se esconder atrás de uma fachada, não mesmo! Levantou-se de súbito, aprumando-se.

E ao ver a secura de Ochaco, sua decepção e amargura que de repente pareciam nuvens a cobrir o sol que há pouco brilhava, Katsuki se arrependeu. Seu corpo já não obedecia os comandos do orgulho, cansado de ser manipulado pela corda que ele mantinha e com a qual regia seus movimentos, cansado de ser ordenado por um sentimento tão mesquinho que não o levara a nada. Tudo tinha limite, e de repente Bakugou via que não podia deixar o orgulho tomar-lhe mais uma preciosa oportunidade. Até agora só tinha perdido, não podia deixar acontecer novamente. E foi nessa fração de segundo acompanhada de súbita consciência que ele se ergueu o braço rapidamente, segurando o pulso de Uraraka com firmeza, impedindo-a de virar as costas para si.

— Na verdade, eu tenho sim algo pra dizer.

— Então diga! — exclamou a garota, cheia de expectativa novamente.

— E-eu… Hmmm… Eu… Mmmmmm mm mmm. — murmurou com o rosto meio escondido no braço que ainda estava esticado, segurando Ochaco.

— Puta que pariu, Katsuki, eu ainda não falo a língua das múmias, dá pra abrir a caralha da boca e falar direito, inferno? — exaltou-se de vez, desvencilhando-se dele com violência enquanto o encarava, furiosa. Odiava suspense, odiava criar expectativas e não saber se elas condiziam com a realidade.

Bakugou, meio assustado com a repentina mudança de humor de Uraraka e temendo levar uma porrada, levantou-se num impulso e pôs-se frente a garota que parecia prestes a explodir (ora, e não é que os papéis tinham se invertido levemente?!).

— Eu gosto de você, porra! — exclamou exaltado também; afinal, odiava estar sob pressão.

Naquele momento, Uraraka imaginou um coral de anjos cantando "glória, aleluia, finalmente, enfim" enquanto liras a arpas tocavam em comemoração. Imaginou até fadas, demônios, monstros marinhos e mitológicos todos juntos cantando em uníssono um sonoro "finalmente, mortal desgraçado e plebeu!" Os céus dançavam e o inferno se agitava, porque Bakugou havia tomado vergonha na cara pelo menos uma vez na vida, preferindo uma pessoa à seu orgulho tosco.

Ochaco sentiu que podia enfim fazer o que esperara tanto para fazer; sem demora, diminuiu a distância entre eles até que ela fosse inexistente, pondo-se na ponta dos pés, aproximando os rostos e selando seus lábios nos de Katsuki com urgência, como se sua vida dependesse disso.

Dessa vez Bakugou não hesitou, não tinha tempo para frescura quando já tinha chutado o balde em várias atitudes. Agarrou Uraraka pela cintura, envolvendo-a com o braço direito enquanto deixava o esquerdo subir das costas até a nuca, onde agarrou com firmeza no intuito de aprofundar o beijo. Passou a língua suavemente pelo lábio inferior de Ochaco, pedindo passagem. Esta última hesitou um pouco enquanto tentava entender o que precisava fazer — aquele era seu primeiro beijo e Bakugou logo notou. Estava prestes a se afastar quando a passagem lhe foi cedida e sentiu-se invadido pela língua da garota; mesmo sem saber o que fazer e meio desajeitada, resolvera tentar e agora que a língua do outro bailava junto da sua, a confiança invadiu-lhe. Uma das mãos foi até o ombro de Katsuki, apertando e deslizando pelo braço enquanto novamente apertava a extensão dos músculos – céus, como ele era gostoso! A outra mão também acabou na nuca alheia, com os dedos infiltrando-se entre os fios loiros enquanto massageava.

Ficaram naquele ósculo meio desesperado até que o ar lhes faltasse. Separando-se minimamente – com um fio de saliva ainda os ligando –, sorriram de forma vitoriosa um para o outro, colando as testas. Quando a respiração normalizou e estavam prestes a desregulá-la novamente, o celular de Ochaco vibrou em seu bolso ao mesmo tempo que tocava de forma estridente a música "Bombayah" – de BlackPink. Ela sorriu envergonhada ao pegar o aparelho e se afastar de Bakugou, que bufou e resmungou algo como "porra, isso é hora de ligar? Se não morreu alguém, eu mesmo vou matar". A garota segurou o riso e finalmente atendeu, se surpreendendo ao ouvir a voz de sua mãe saudando-a.

— Mãe? O que aconteceu? — perguntou ao perceber a voz preocupada.

Alguns minutos de silêncios até que Uraraka voltasse a falar.

— Ué… Eu tinha trabalho pra fazer, lembra? — mais silêncio, seguido de exclamações faciais vinda da garota (preocupando Katsuki levemente, que assistia a cena meio afastado).

Mais silêncio enquanto Ochaco ouvia a pessoa do outro lado da linha.

— Mas eu pensei que era hoje… Será que me enganei? Pera aí mãe! — pediu enquanto saía da tela da ligação sem desligá-la, indo no aplicativo de agenda. Fez uma careta ao perceber que sua matriarca estava certa. — Oh, é verdade! Desculpa, já tô indo pra casa.

Dito isso, desligou o telefone e encarou Bakugou que tinha suas sobrancelhas erguidas em uma pergunta muda. Coçando a nuca, Uraraka sorriu constrangida.

— Fala logo. — resmungou o garoto, impaciente (o que não era nenhuma novidade, claro).

— Então, eu confundi os dias dos trabalhos. O nosso é amanhã, hoje eu tenho um de artes pra fazer e preciso ajudar minha mãe com coisas de casa. Preciso ir, desculpa por te fazer perder tempo. — desculpou-se constrangida.

— Porra, Ochaco, que falta de atenção. O que estamos esperando? Vamos logo embora daqui.

Descendo a escada, Katsuki foi andando pelo beco que se seguia atrás da escola, rumando em direção a rua e ao tráfego de pessoas apressadas. Uraraka estava logo atrás, sorrindo levemente. Sabia que a irritação do outro era devido a interrupção dos beijos, e até sentiu-se meio convencida por isso.

Chegaram numa grande avenida e se encararam, cientes de que ali se separavam. Uraraka seguiria reto e Bakugou viraria à direita. Sem saber bem o que fazer, a jovem optou por se despedir com um selinho breve, acenando enquanto virava as costas e seguia seu rumo — sem olhar para trás, pois não queria que o outro visse seus cinquenta tons de vermelhidão.

E ali, parado no meio de uma calçada extremamente movimentada onde pessoas empurravam sem cessar, Katsuki ficou observando Ochaco até que ela virasse um pontinho quase inalcançável ao seu olhar — parecia um perfeito idiota apaixonado (e talvez fosse, embora não quisesse admitir). Aquela despedida medíocre já fora o suficiente para acelerar seu coração, e como era irritante se sentir tão quentinho e alegre por tão pouco!

—Puta que pariu, que merda é essa? Quem é você e o que fez com meu verdadeiro eu? Porra, caralho, se fuder, vida de merda, aposto que é culpa do Deku de merda, tudo isso por andar com aquele chorão por tempo demais e agora tô igual ele. Inferno! — quando se deu conta, até resmungando como Izuku estava. Balançou a cabeça em negação e grunhiu, sem saber bem como reagir aos sentimentos que lhe tomavam – abobamento, saudade (já? Sim, já! Apaixonados…), confusão e uma leve raiva por todos as sensações anteriores

Inconscientemente, deixou seu olhar seguir o caminho pelo qual Uraraka sumira e meneou novamente a cabeça, dando um leve tapa no próprio rosto como se estivesse forçando-se a acordar de um transe.

"Será que ela fez de propósito? — indagou-se, agora lembrando de usar a voz interior — Será que foi tudo um modo de ficar um tempo comigo? Será que ela ia falar que gostava de mim e eu fiz primeiro? Que merda!"

Mesmo enquanto criava suas teorias conspiratórias, Bakugou não conseguiu se arrepender de sua ação impulsiva, assim como não conseguiu se livrar da sensação de que era o cara mais sortudo do mundo — afinal, com ou sem conspiração, Uraraka provara que gostava dele, e aquilo era tudo que precisava saber.

Dec. 26, 2019, 1:36 a.m. 2 Report Embed 1
The End

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Netuno Chase Afogando as mágoas na escrita! Contas: Wattpad; Netuno_Chase Spirit; Netuno_Chase2

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Zacky U. Zacky U.
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA ❤️ QUE ORGULHO DA MINHA SOBRINHA CARALHO! Talento é de família, pode crer 😍 Mano adorei, adorei! Você escreve super bem, tem um ótimo domínio com as palavras, eu ri muito em alguns momentos e em outros meu coração Kacchako quase teve um infarto! Pelo amor de Rikudou, faz mais histórias assim pro seu tio ir dormir feliz?! NÃO, VOCÊ NÃO TEM UMA ESCOLHA! ahsuahsuau Arrasou 👏👏👏
January 14, 2020, 04:36

  • Netuno Chase Netuno Chase
    Aaaah tio, que bom que gostou, olha que esse nem é meu otp porque eu sou cadela do KiriBaku, mas por tu, pela Nathy e pela Ellie, terão mais Katchakos (com t de tchan). Fico muito lisonjeada ao ser elogiada por ti, me sinto mais motivada. Obrigada mesmo por ler e comentar, te amo tio <3 January 14, 2020, 12:22
~