Adeus Follow story

kztironi Karina Zulauf Tironi

A vida, como a natureza, se resume em ciclos. Tudo tem seu começo, meio e fim. Mas, mesmo sabendo disso, as constantes despedidas não ficam mais fáceis – pelo contrário, cada uma delas é um luto diferente. Adeus é um conto sobre despedidas, quanto espaço os outros ocupam em nossas vidas e a importância de recomeços.


Short Story All public.

#saudades #adeus #despedidas
Short tale
1
1.5k VIEWS
Completed
reading time
AA Share

Despedidas

É razoavelmente fácil você se despedir de uma coisa que não tem mais importância para você. Como uma blusa que não lhe serve mais ou um sabor de sorvete que você enjoou de comer. É fácil acenar para essas coisas e dizer:

– Adeus! Eu não quero mais isso.

A pegadinha está justamente em se despedir de coisas que, embora ainda te sirvam e você ainda goste, não te fazem mais bem. Ou não combinam com o caminho que sua vida está tomando. Como uma súbita alergia à sua fruta preferida ou o amiguinho da escola que se muda de cidade graças ao emprego do pai. Nessas vezes, você não quer dizer adeus, e você se agarra na corda ao redor de seus pescoços como se fosse um cabo de guerra. Você precisa vencer, mas sabe que no final vai ser derrubado na lama.

As despedidas são infinitamente mais simples e rápidas quando não há mais o interesse em manter as coisas por perto. Não é um acréscimo a sua vida, e você quer liberar mais espaço. Então mergulha os braços no guarda-roupa e retira aos montes as peças de 5 anos atrás, que você mentia para si mesmo dizendo que um dia, em uma ocasião especial, usaria novamente. Você prova outros sabores de sorvete e descobre milhões de novas possibilidades para o seu paladar.

Contudo, o coração não compreende tão bem a ausência do amigo que se mudou ou a fruta proibida. Era algo tão bom, tão perfeito. Por que teve de haver um fim?

As coisas boas precisam terminar também? Isso significa que, por isso, deixam de ser tão boas?

Enfio os braços em minha nova jaqueta felpuda e puxo o zíper até o pescoço. No meu caminho até a porta, passo pelo porta-retratos que emoldurava uma foto antiga minha e de meu melhor amigo de infância, brincando em uma gangorra, passo pela fruteira cheia de laranjas que eu nunca mais poderia colocar na boca. Dou uma última olhada para os dois antes de fechar a porta.

Eu não sei muito mais que vocês. Mas juro que estou aprendendo a me despedir de todas as coisas que me acenam adeus. Umas mais fáceis, outras com um abraço mais demorado, com gostinho de fica mais.

Dec. 5, 2019, 1:51 a.m. 0 Report Embed 3
The End

Meet the author

Karina Zulauf Tironi É aqui que eu me apresento? Não posso fazer feio, a primeira impressão é a que fica! Meu nome é Karina. Eu sangro no papel... hã, quero dizer, eu escrevo. Merda. Apague essa bizarrice que eu acabei de falar. Eu sou escritora, autora, e entrei na plataforma para divulgação gratuita (uhuuu). Espero que isso dê certo.

Comment something

Post!
No comments yet. Be the first to say something!
~