Teddy & Marcos Follow story

henrique_da_costa Evandro Smaniotto

Teddy e Marcos são dois adolescentes comuns, cursando o último ano do ensino fundamental, enfrentando problemas comuns na vida de adolescentes. Marcos é o típico nerd anti-social e recluso, enquanto Teddy cumpre o papel de gordinho desajeitado. Seus desafios diários pouco destoam da vida escolar e da costumeira tediosidade da rotina. Mas o que aconteceria se, de repente, as coisas não fossem mais tão simples assim para os garotos?


Teen Fiction Not for children under 13.

#familia #colegial #escolar #amizade #romance #adolescente #aventura #349 #378
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A Discussão no Corredor

Já fazia quinze minutos desde que o último sinal do dia daquela escola havia tocado. A euforia dos estudantes por estarem livres de mais um dia de estudos e a ânsia de se livrarem da prisão estudantil e se sentirem livres era tanta, que logo era possível notar que a escola ficava deserta. E muito rapidamente. A grande maioria dos professores também logo ia embora, e assim, até o dia seguinte, o espaço ficaria às moscas. Normalmente apenas a equipe da direção ficava certo período após o último sinal tocar, mas naquele dia havia dois estudantes do nono ano que aproveitavam o clima calmo para discutirem nos corredores desertos daquela instituição.

_ Eu realmente não sei como você me convenceu a entrar em uma das suas de novo! – gritava Teddy enquanto Marcos lhe deixava a par sobre seu último planejamento – eu não sei mesmo!

_ Você se convenceu por que sabe que, no fundo, minha ideia faz todo o sentido, meu caro – Marcos provocou – e também porque lhe prometi pagar um hambúrguer completo se tudo ocorrer da forma como imagino.

_ Ah, vai ocorrer sim, eu tenho certeza – ironizou Teddy com descrença na proposta do colega.

_ Ah, vá lá, Teddy... não é porque no passado algumas de minhas ideias tenham fracassado de maneira miserável, terrível ou vergonhosa que esse meu último plano não possa dar certo – Marcos tentou tranquilizar o amigo.

_ Na verdade, é sim – impôs Teddy – sua ideia é péssima para se falar o mínimo. Convencer a Samantha a enviar para mim as fotos que ela tirou dos professores e depois usar como prova para denunciá-la é, para que se possa dizer o mínimo...

_ Genial? – tentou Marcos.

_ É completamente idiota! Nem parece que o aluno que pegou sete recuperações no ano passado sou eu e não você! – explodiu Teddy.

_ Acalme-se, seu infeliz. Não há bonança sem riscos. A escola inteira está perplexa por causa do vazamento daquelas fotos e a diretoria está desesperada atrás de evidências de quem fez isso. E graças à minha brilhante investigação descobri que muito provavelmente a responsável pelas fotografias constrangedoras é nossa colega Samantha Riverdouble.

_ Eu sei, eu sei. Sei das ameaças de represálias aos inocentes feitas por parte da diretoria, e sei também das recompensas oferecidas para quem resolver o caso – o garoto avaliou a situação – e não é que eu não queira usar a oferta prometida para melhorar minhas notas em matemática, mas não vale a pena por que é arriscado demais!

_ Só porque a Samantha é famosa por ter espancado três garotos no ano passado? Ou porque o namorado dela é um maromba pavio-curto que vive se metendo em encrenca? Ou... – contabilizou Marcos, sem esboçar qualquer que fosse a preocupação.

_ Por isso e muito mais, Marcos! Você é louco se quer levar isso adiante! Não vale a pena! – exclamou Teddy, perdendo a paciência.

Enquanto os amigos discutiam nos corredores do colégio após um dia cansativo, não perceberam a aproximação de um vulto feminino que surgia mansamente pela penumbra da porta da última sala de aula. Aquele corredor, até alguns minutos atrás com um incessante movimento de alunos, agora era solitário e silencioso, com a exceção clara da discussão “animada” que Teddy e Marcos promoviam. Talvez o fato de, normalmente, nos outros dias, eles já estarem deixando os domínios da escola naquele horário, fez com que eles não percebessem que não estavam sozinhos naquele corredor.

_ Eu só acho que você devia deixar de ser covarde e... – começou Marcos, mas interrompeu seu raciocínio no mesmo momento em que sentiu alguém cutucar suas costas.

Olhando com cara assombrada para trás se deparou com um alguém, o qual não estava preparado para encontrar. Não naquele momento. Ele e Teddy se encararam horrorizados com surpresa e aflição misturadas em um sorriso falso formado pelo nervosismo ao se depararem com Samantha em pessoa, parada diante deles encarando-os como um gato pronto para dar um bote em um pequenino e frágil passarinho ciscando distraidamente.

_ Falavam de algo importante, rapazes? – indagou Samantha sorrindo ironicamente – ou então era sobre alguém especial, ah? – disse, disfarçando o sorriso e dando uma pequena piscada.

Nesse momento, é importante ressaltar que não existem palavras para descrever a cara de assombro que assumiu o rosto de Marcos sem que o garoto tivesse qualquer controle sobre isso. Mas quem tomou a iniciativa da palavra, no entanto, foi Teddy, que tentou manter-se mais sereno.

_ Na verdade, Sam, nós falamos justamente de...

Marcos não deixou Teddy completar a frase. Em um movimento rápido e quase despercebido, o garoto interrompeu o amigo com justificado desespero e consertou o deslize cometido – ou tentou, pelo menos.

_ Justamente de como a escola fica tão... tão... tão quieta quando está vazia assim, sem alunos, sem professores, sem...

_ Ah, sei, sei... – disse Samantha, desviando o olhar dos garotos – mas porque vocês ainda estão aqui na escola se o último período já acabou há quinze minutos? Esqueceram algo ou...

_ Na verdade nós podemos lhe perguntar a mesma coisa! – disse Marcos, começando a suar frio, enquanto disfarçava, em vão, o nervosismo que estava sentindo.

_ Seu ponto é justo, hein? – observou Samantha, sem esboçar nenhuma preocupação – eu precisava que o professor de história revisasse um trabalho que fiz semana passada e não pude trazer, pois estava viajando – concluiu com tranquilidade – mas repito a pergunta, vocês estão aqui por quê?

Marcos ficou sem reação. Seu rosto, estupefato, poderia escancarar uma fracassada dissimulação até para o mais distraído dos observadores. A surpresa veio em seguida, quando Teddy decidiu consertar o problema que ele mesmo quase havia criado anteriormente. Ou tentar, pelo menos.

_ Veja bem, Sam, nós estamos aqui porque, ah, bem... havíamos pedido o livro de um professor emprestado para estudar e... esquecemos de devolver e... por isso ficamos mais tarde... é isso.

_ Compreensível. Mas que professor é esse? Vocês sabem muito bem que o único professor que ficou na escola até mais tarde hoje foi o de história, justamente com quem eu estava falando – observou Samantha com perceptível desdém – além dele, só a diretora, é claro...

_ É que esse professor, ele pediu para... – Teddy gaguejou, mas tentou encontrar a saída que fosse mais plausível – pediu para que nós deixássemos o livro na diretoria hoje, caso ele não estivesse na escola, foi isso.

_ Bem, eu já tenho que ir rapazes – Samantha interrompeu a conversa sem se importar com a resposta que havia recebido – eu estou realmente atrasada agora. E boa sorte “devolvendo o livro” na diretoria, é claro.

Dito isso, Samantha distanciou-se e desceu as escadarias que davam acesso à saída do prédio e levavam ao saguão principal da escola. Marcos suspirou aliviado ao ver a sádica garota ir embora e Teddy lançou ao amigo um olhar “bem que eu te avisei”, o que fez Marcos ficar levemente pensativo. Após alguns segundos de silêncio, Marcos explanou seus pensamentos.

_ Bem, eu ainda acho que a ideia é boa. E além disso, ela não percebeu o que estava acontecendo. Eu acho que não, pelo menos.

_ Não sei se ela percebeu, mas se ela desconfia de algo, fique sabendo que eu avisei desde o início – rebateu Teddy, com descabida sinceridade.

_ Não ouviu o que acabei de repetir? – disse Marcos com certa irritação presente na sua voz – a ideia ainda é boa, de qualquer forma – reforçou com orgulho – e se ela percebesse algo, a culpa disso seria sua! Você quase disse pra ela que estávamos falando dela agora mesmo, oras!

_ Eu não estaria mentindo! E além do mais, eu inventei uma desculpa justificável logo depois. Você quem ficou gaguejando por perder a confiança nas próprias ideias nas horas mais decisivas, meu caro.

_ Eu não desisti de nada – bradou Marcos, incomodado com a acusação do colega – eu ainda acredito nas minhas ideias! Você que é covarde e quase entregou o jogo inteiro na primeira pressão!

_ Você viu o que aconteceu cinco minutos atrás – apontou Teddy, com sarcástica tranquilidade – se nós levarmos mesmo essa ideia imbecil adiante, nós vamos é entrar numa encrenca.

_ Mas é claro que vamos, oras – afirmou Marcos, confiante – e quando digo vamos, é porque você está incluído.

_ Eu normalmente resistiria – ponderou Teddy – mas é inútil. Eu vou dizer que não. Mas você vai me convencer. E no fim, eu já sei que quem se dá mal sou eu... mas não tem problema. Não, não tem problema mesmo. Eu falo sério! – continuou com o mesmo sarcasmo e a mesma falsa tranquilidade, ambas as emoções ainda misturadas – mas, Marcos, fique sabendo que se “relações com os demais seres humanos” fosse uma matéria escolar, você tiraria notas tão baixas nela quanto eu tiro em matemática.

Nov. 28, 2019, 3:24 a.m. 1 Report Embed 2
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SC Souza Costa
Me identifiquei com o Teddy, ele parece um bom rapaz.
December 07, 2019, 00:56
~

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