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alicealamo

Por um erro do novo assistente de seu irmão, Madara encara sua passagem sem acreditar que teria que viajar por seis horas dentro de um ônibus. Contudo, talvez Deus estivesse bêbado na hora de jogar seus dados, talvez a linha do destino fosse mesmo torta como diziam por aí, talvez Madara não devesse reclamar tanto... pelo menos, não depois da inesperada visita de um passageiro que, com certeza, não se sentava ao seu lado para dormir durante a viagem. E, se Itachi queria brincar com fogo, talvez devesse deixa-lo se queimar.


Fanfiction Anime/Manga For over 18 only.

#naruto #ua #lemon #yaoi #MadaIta #uchihas #itachi #madara
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Capítulo 1

Olá! Nossa, gente, que saudade que eu tava desse casal, socorro!

Fic para a Ray, em troca de uma deliciosa Shiita que ela nos dará em breve <3

Espero que gostem ;)



Era um som agradável em meio a todo aquele barulho, mas não só isso… era a efêmera beleza que invadia um ambiente tão corriqueiro e sem graça, e por isso chamava tanta atenção. Sentado no que nem ao menos podia ser chamado de cadeira tamanho o desconforto, Madara observava com olhos curiosos o jovem que havia se aproximado do piano esquecido daquela lotada rodoviária.

O piano de cauda estava abandonado, somente um cego não veria a falta de cuidado que aquele lugar possuía com um instrumento tão caro. Para um ouvido atento e erudito, a falta de afinação também incomodava, e as notas vinham como um insulto enquanto o jovem as testava, provavelmente reparando o mesmo que ele. O banco nem ao menos era o correto, substituído por um de plástico que havia em muitas das lanchonetes por ali espalhadas. Era uma pena… mas, ainda assim, aquele jovem mantinha-se sentado em frente ao instrumento, finalizando o que parecia ser sua preparação.

O vigor da música que cortou o ambiente contrastava com a serenidade da expressão dele, e Madara chegou a arquear a sobrancelha diante do som vibrante. Olhou o relógio de pulso, seu ônibus sairia em quarenta minutos, e ele já havia finalizado a ligação que o mantinha sentado longe do tumulto. Sua pretensão era dirigir-se logo ao embarque, esperar em uma daquelas salas VIPs de que as companhias tanto se orgulhavam, e talvez terminar sua apresentação para o projeto sobre o qual discutiria com novos investidores. Entretanto, era um homem um tanto quanto imprevisível, cuja impulsividade às vezes surpreendia ele mesmo e, assim, permaneceu sentado enquanto a música ganhava mais espaço em sua mente.

Era uma erva daninha, cada nota ganhava mais e mais espaço, espalhando-se, ganhando território dentro de seus peito. A cabeça movia-se sutilmente no ritmo da melodia, e Madara nem mesmo havia se dado conta de quando fechara os olhos e passara a marcar o ritmo com a caneta que segurava.

O pianista era habilidoso, e isso o fez sorrir. Somente um homem habilidoso e com muita prática para conseguir compensar a falta de afinação com substituições rápidas de notas. Era algo que requeria trabalho, algum tempo para testar se daria ou não certo, mas ele tocava como se fizesse parte da sua rotina lidar com aquele tipo de problema, como se fosse… fácil. Madara sorriu, nem mesmo ele faria aquilo de cabeça tão rápido, o que o levou a seguinte reconsideração: não era somente um homem habilidoso, era um músico experiente, um dos que talvez pudesse chamar de... gênio.

Abriu os olhos, o olhar estreito enquanto media o homem sentado a pouca distância. Era jovem, uns dez anos mais novo, sim, não lhe daria mais que vinte e cinco anos, apesar dos traços não muito firmes de seu rosto poderem enganar facilmente os desatentos. A postura era relaxada, mas polida, a falta de um banco próprio não parecia mesmo incomodá-lo em nada, tampouco o esforço que deveria estar fazendo para alterar as notas. Além disso, vestia-se de modo simples, como um estudante universitário. A calça jeans escura agarrava-se ao corpo de uma forma elegante, e o moletom cinza que ele vestia antes estava sobre a cauda do piano. O cabelo era escuro, como o seu, e ele tinha amarrado de qualquer jeito em um rabo de cavalo alto antes de começar a tocar. Se lhe perguntassem, não diria ver nada fora do comum no pianista, ele passaria pela multidão, muitos diriam que era lindo, outros nunca nem ao menos reparariam em sua beleza em meio à correria daquele local, mas isso foi antes de Madara perceber que também estava sendo analisado.

Aqueles olhos, nunca que aqueles olhos conseguiriam não chamar a atenção de quem quer que fosse. Eles eram negros, escuros e intensos enquanto brilhavam em diversão e curiosidade. Havia um quê de risonho, embora o conjunto como um todo passasse uma serenidade sensual, e Madara não conseguiu desviar o olhar. Estava sentado diante de um quadro maravilhoso, um que nunca havia imaginado encontrar num lugar tão simplório.

A música tomava a forma cálida de um amante que valsava sozinho, que conseguia atrair a atenção de todo o salão ao girar com os braços abertos e convergir em si toda a sensualidade do som cheio daquelas notas. E o olhar do pianista era o estender da mão, o convite para que se juntasse àquela dança que eles sabiam que não ocorreria.

Ainda assim, era instigante. As notas mudaram de tom enquanto era observado, não havia pudor na forma como os olhos dele desciam sobre si, como buscavam respostas em seu corpo antes de perderem-se em seu rosto. A vaidade agradeceu, incapaz de não mover a cabeça na direção dele num aceno irônico de quem é seguro de si, e Madara o viu sorrir de canto antes de fechar os olhos e jogar a cabeça para trás ao iniciar o clímax da melodia.

Desviou o olhar para o grupo de pessoas que gravavam o pianista e revirou os olhos. O celular vibrando o alertou do horário, e Madara suspirou ao se levantar com a pasta onde carregava o pequeno notebook. Seus movimentos eram observados, o pianista o seguia pelo canto de olho, e Madara piscou para ele ao notar o pequeno bico de desagrado que havia se formado em sua expressão ao vê-lo saindo justo no ápice da música.

Segurou o riso ao entrar no elevador que dava acesso às plataformas e balançou a cabeça descrente. Provocando um estranho numa rodoviária, que Izuna nunca soubesse disso ou jamais o deixaria esquecer.

Mostrou a passagem e encarou com desgosto o ônibus em que viajaria. Só mesmo Naruto para comprar uma passagem de ônibus em vez de avião quando disse que viajaria a negócios. O que o novo assistente de seu irmão tinha na cabeça? Para piorar, Izuna tinha feito um escarcéu sobre aquilo e não demorou até que o andar da empresa estivesse rindo às suas custas por duvidar que ele fosse capaz de aguentar uma simples viagem de ônibus. Pelo menos, Naruto tinha comprado uma passagem de madrugada e, graças a Deus, do tipo leito.

O ônibus possuía dois andares, o andar debaixo tinha poucos assentos, já que viravam leitos, e Madara pôde notar apenas um casal de idosos na parte da frente enquanto procurava pelo número da sua poltrona. Se Naruto o tivesse colocado ao lado do banheiro… faria a carta de demissão mais longa da história daquela firma! Suspirou ao achar seu lugar ao fundo e ao lado da janela, massageou a nuca ao deixar a maleta sob o assento e soltou o cabelo volumoso antes de se sentar.

O ônibus estava vazio, talvez pelo horário, e Madara retirou os fones do bolso enquanto torcia para que o lugar ao seu lado não fosse ocupado durante a viagem. Ajeitou o banco até que ele deitasse por completo, deixou o celular sobre o colo e fechou os olhos enquanto aguardava a partida, mas não sem antes mandar uma foto para provar ao irmão que estava mesmo naquele ônibus. Izuna podia ser infantil e acusá-lo de comprar uma passagem de avião em cima da hora só para não perder a aposta que tinham feito.

O fechar das portas e o ligar do motor o fizeram relaxar, seriam mais de seis horas de viagem e esperava não ter que tomar remédio algum para adormecer e aproveitar o tempo de sono. Sorriu ao abrir os olhos e perceber que o assento ao seu lado estava e permaneceria vago, bem como quase todos daquele andar, com exceção do casal muito à frente e um homem logo atrás deles. Uma viagem tranquila e sem inconvenientes, pensou ao fechar os olhos conforme as luzes se apagavam, era só isso que desejava…

Contudo, demorou poucos minutos para franzir o cenho. Ou ele havia ligado os fones sem querer ou então o cérebro ainda não tinha se esquecido da música que o pianista havia tocado mais cedo. Podia ouvi-la, uma melodia baixa e distante, quase como o eco dos próprios pensamentos, mas numa vibração diferente que o fez enfim procurar a origem daquele som.

— Olá…

Madara arregalou os olhos por um momento e disfarçou a surpresa conforme a atenção recaía sobre o sorriso ladino que lhe era direcionado. A poltrona que estava do seu lado agora estava deitada também e, sobre ela, deitado de lado com os fones de ouvido enquanto o observava divertido, estava o pianista de antes.

— Eu tenho certeza que esse não é o seu assento — provocou ao arquear a sobrancelha.

O jovem riu baixo, deixando a cabeça apoiada na palma da mão sobre o estofado enquanto mordia o lábio e olhava rapidamente para o lugar que ocupava antes de reparar no misterioso ouvinte de mais cedo.

— Não, não é — respondeu.

Madara assentiu, o corpo virou-se sem que se desse conta, deitando-o de lado com o cotovelo servindo de apoio para que repousasse a cabeça na mão e pudesse olhar o outro agora mais de perto.

— E o que faz aqui? — perguntou, embora a resposta fosse óbvia.

E isso o divertia. Gostava de provocar, de encurralar, e não tinha vergonha alguma em admitir que a ousadia que conseguia ler nos olhos do pianista o atiçavam. Até onde ele iria? Até onde aquela “coragem” permitiria que ele fosse? Será que ele realmente tinha noção do que estava propondo estando ali daquele modo, olhando-o daquela forma ao morder os lábios vermelhos? O que era aquilo? Um fetiche recém descoberto de um adolescente? Uma aposta entre jovens?

O cabelo dele estava solto também, e ele com certeza era mais bonito de perto, muito mais bonito, de uma beleza andrógena perigosa que com certeza faria Madara adorar levá-lo para a cama em circunstâncias melhores que aquela.

— O que quer que eu faça? — ele devolveu com um sorriso ladino.

— Ah, garoto, esse é um jogo perigoso. — Estalou a língua no céu da boca. — Mas acho que, para começar, talvez possa me dizer seu nome. Gosto de garotos educados.

— Não sou um garoto — ele respondeu depressa, língua afiada, tom indignado. Orgulhoso, Madara notou.

— Provocar um estranho, vir até ele na parte de trás de um ônibus escuro e praticamente vazio é o que fazem garotos, principalmente os da sua idade. Não veja isso como uma crítica, eu gosto, sabe? É sempre divertido ver garotos como você brincando com fogo antes de fugirem para não se queimar.

— Ah, entendo — ele respondeu com uma deliciosa lentidão antes de sorrir. — E fingir não gostar da ideia mesmo quando não consegue parar de olhar para a minha boca é como os adultos brincam? Essa é a tática que um adulto como você usa para fugir dos desafios?

Madara riu anasalado sem se abalar e então se inclinou na direção do outro como se precisasse lhe segredar algo. O corpo dele se encolhendo no assento não passou despercebido, nem a forma como prendeu a respiração e entreabriu os lábios. Ele parecia fora da sua zona de conforto, acuado, mas por que se tinha ele a começar tudo?

— Eu adoro um bom desafio, garoto, mas gosto de saber com quem estou jogando e você até agora não me disse o seu nome.

— E preciso?

— Sim, ou tem medo de jogar às claras? — provocou cínico, vendo o desagrado com o qual o outro umedeceu os lábios antes de respondê-lo.

— Itachi.

— Muito prazer, Itachi. Sou-

— Eu não me importo com quem você seja — Itachi o interrompeu. — Um nome não faz diferença para esse jogo.

— Ah, mas, se vamos jogar — Madara estendeu a mão e alcançou a mecha negra que caía sobre o rosto do outro, os dedos brincaram com o comprimento antes de se infiltrarem e alcançarem a nuca, e ele viu Itachi respirar mais fundo com o aperto. — eu com certeza vou querer ouvir o meu nome nessa sua língua afiada, então faça o favor de se lembrar e não confundir na hora. Vamos, eu disse, gosto de garotos educados.

— Contra quem estou jogando? — Itachi o encarou, segurando a mão em sua nuca enquanto se deitava com as costas apoiadas no assento.

— Madara — respondeu, curioso, e sorriu incrédulo quando Itachi arrastou sua mão sobre o corpo dele até parar sobre o volume desperto da calça apertada.

— Quer saber o desafio, Madara? — o tom dele estava baixo e divertido mais uma vez, e Madara desviou os olhos da ereção que sentia se esfregar contra sua mão para encará-lo em expectativa. Aproximou-se, o corpo parcialmente sobre o de Itachi, os rostos próximos para ouvi-lo: — De quantas maneiras diferentes você consegue me fazer gozar?

O arrepio fez Madara fechar os olhos e sorrir, apertou a ereção de Itachi antes de tocar o ouvido dele com os lábios e devolver a pergunta:

— Quantas você aguenta?


* * *


Itachi encarou à distância o piano com pena. Era mais do óbvio que aquele instrumento um dia tinha pertencido a algum músico que o havia doado para aquela rodoviária e agora estava… abandonado. Ainda assim, não conseguiu resistir ao impulso de se sentar diante dele para continuar a descobrir seus segredos.

Não estava atrasado, seu ônibus demoraria para sair e, bem… ele não se importava. A viagem era mais uma das muitas que fazia quando terminava o namoro e queria um tempo para espairecer, nada que já não fizesse parte de sua rotina. E perceber isso o fez começar a tocar, uma tentativa vã de abafar os fracassos de sua vida com uma melodia bonita.

Não havia mais salvação para aquele namoro, então… por que insistia? Por que não conseguia cortar os laços com o passado?

Porque você é sistemático, ouvia a voz do irmão em sua cabeça e não tinha como refutar. De fato, não gostava de mudar sua rotina, mudanças levavam à instabilidade, instabilidade à insegurança, insegurança ao caos. Nem fudendo que queria revirar sua vida daquela forma! Mas viver o mesmo ciclo de infelicidade o frustrava, ele merecia ser feliz! Tinha se esforçado tanto para isso! Do que valeram os estudos? As noites em claro para entrar na faculdade que sempre quis? Da paciência com o namorado e suas exigências? Do orgulho que tinha sido obrigado a engolir porque, aparentemente, era ele sempre o errado e que tinha que se redimir?

Nada. Ele estava mais uma vez sentado diante daquele que vinha sendo mais seu companheiro que o antigo namorado, tocando a mesma música que agora sabia de cor como reproduzir no instrumento desafinado. E sozinho… Por que sozinho? Céus, por que ele estava sozinho? Pelo amor de Deus, ele era uma boa pessoa! Ele tinha uma vida estável, um emprego muito bem pago, era independente desde os dezessete quando foi pra faculdade, sabia sim que era bonito e que não era um filho da puta, então por que ainda estava sozinho ou insistindo num relacionamento que lhe dava mais dores de cabeça que orgasmos?

Porque você é um idiota, Sasuke diria, mais uma vez, quando chegasse em casa e visse em seu rosto o motivo da viagem.

Não, não mais. Estava farto. Farto de ser insuficiente por mais que tentasse, por mais que se esforçasse, farto de ser sempre o errado, farto de ser infeliz, de ser a peça que nunca se encaixaria no quebra-cabeça de alguém! Foda-se então! Ele seria a peça do seu próprio quebra-cabeça, a parte que faltava apenas em sua própria vida e não na de outra pessoa!

Respirou fundo, rodando os ombros para trás para relaxar e soltando o ar aos poucos. Ergueu a cabeça, orgulhoso, e então percebeu que, como sempre acontecia naquele lugar, havia chamado a atenção ao tocar. Era comum aquilo acontecer, as pessoas costumavam se perder no cotidiano apressado, na vida intensa de uma grande cidade, esqueciam-se de como a arte conseguia fácil conquistar-lhes a atenção, entrar por seus ouvidos e fisgar o coração e a mente. Era a paz no caos, a beleza no inesperado, o coração nas almas metálicas que até então faziam como ele: cumpriam a rotina em busca de metas que não sabiam por que de fato desejavam.

Percorreu com os olhos cada um dos observadores. Era bom sentir que trazia luz ao ambiente, que contribuía de alguma forma para que a experiência tão comum de estar em uma rodoviária ganhasse cor. E irônico também pensar que foram as cores que lhe chamaram atenção num primeiro momento. Vermelho, laranja, roxo, cores que se entrelaçavam vibrantes nas tatuagens que desciam pelos braços até os punhos do homem que o observava.

Ele tinha uma postura diferente dos demais, chamava a atenção por se destacar naquele ambiente, e acompanhava sua melodia como se a conhecesse, num movimento sutil com a cabeça, no tamborilar dos dedos, no sorriso de canto que antecedia as notas. A camisa social roxa era escura, de manga curta, e a calça social junto ao sapato caro não deixavam dúvidas de que aquele homem não deveria estar acostumado a viajar de ônibus. Não evitou sorrir cínico ao imaginar o desconforto dele durante a viagem, já havia cometido aquele erro quando viajara pela primeira vez, mas também foi impossível evitar que a mente desse continuação aos pensamentos, e Itachi sentiu a boca secar de repente. Podia ajudá-lo a se livrar daquela calça que com certeza amassaria na viagem, a desabotoar aquela camisa, a relaxar durante as horas de estrada…

Meu Deus, no que estava pensando? Conteve o riso e o rubor do rosto, mas os dedos quase se atrapalharam pelo piano quando percebeu que ainda analisava o outro e que agora tinha os olhos dele nos seus, cravados com uma expressão arrogante enquanto lhe arqueava a sobrancelha e parecia achar graça de sua análise. Ele sabia do impacto que causava, a postura segura entregava isso, e Itachi sorriu ao mudar a música.

Era intrigante o modo como era observado, sua vaidade mais que agradecia, e por isso soube e não gostou quando o outro se levantou e o deixou para trás. Com sorte, seu celular tocou sobre o colo, o alarme o lembrando de que não estava ali para flertar com o primeiro estranho que aparecesse só porque queria mudar o rumo de sua vida.

Parou a música abruptamente e recolheu a mochila e a mala, mal se lembrava do número da plataforma, e teve que correr para conseguir colocar a mala no bagageiro antes de procurar na passagem o número da poltrona antes de entrar no ônibus. Se desse sorte, nada de bebês chorando, nada de crianças assistindo desenhos sem fones de ouvido, nada de adolescentes sem noção ouvindo músicas em fones ruins que vazavam o som pra todo ônibus. Apenas uma viagem tranquila, com um sono tranquilo.

— Fala, Sasuke — atendeu o telefone.

Vindo pra casa? — o irmão perguntou, e Itachi franziu o cenho. Não o havia avisado sobre a viagem.

— Por quê? — perguntou sem entender.

Olha seu celular. Depois vem pra cá, ok? Hoje. Te pego na rodoviária de manhã se precisar.

— Certo… — concordou confuso e acenou para o motorista que lhe apressava para que entrasse no ônibus. — Sasuke, eu tenho que ir agora, depois nos falamos.

Ok. Me liga depois.

— Ok.

Desligou o telefone e entrou no ônibus procurando seu assento. Felizmente não estava cheio e o casal de idosos à sua frente já dormia sem que nem ao menos tivessem saído da rodoviária. Sentou-se enquanto abria o celular para ver do que Sasuke falava e não precisou buscar muito para achar. Como havia mesmo namorado aquele cara? Tinha o quê? Três horas que haviam terminado e ele já postava fotos e mais fotos com outra pessoa. Era a mesma que ele havia encontrado em seu apartamento mais cedo? Não, tinha certeza que daquela vez era com um homem que estava no apartamento. Bem, não importava mais. Discou o número do melhor amigo e o esperou atender.

— Kakashi, sim, eu já vi — falou depressa. — Você ainda tem a chave do meu apartamento? Ótimo. Pode jogar as coisas de Kisame no corredor e chamar um chaveiro para trocar a fechadura? Sim, hoje de preferência… sei que está tarde, me desculpe, mas aquele filho da puta vai com certeza levar mais alguém pra minha casa se não fizer. — Suspirou. — Sim, eu te transfiro depois o valor da fechadura. Pode dormir lá se precisar. Ok, obrigado.

Certo, pelo menos um problema resolvido. Mandou uma mensagem ao irmão e colocou os fones de ouvido quando o ônibus deu partida. Olhou ao redor e se levantou para andar até a pequena geladeira, mas parou.

Não acreditava em coincidências, tampouco em sorte, as coisas aconteciam no mundo seguindo a lógica de um deus bêbado, e era impossível fazer previsões com base em um ou dois fatos. Contudo, estava já tão cheio de pensar, de viver como tinha vivido, de seguir suas regras e rotinas, que ver novamente o mesmo homem de antes sentado sozinho ao fundo do ônibus o fez paralisar.

O primeiro passo o fez se achar corajoso. O segundo, um idiota. O terceiro lhe tirou um sorriso malicioso. O quarto o lembrou de que não estava bêbado o suficiente para aquilo e que o quinto passo o faria rir histericamente por cogitar fazer algo que nem mesmo durante seus tempos de faculdade havia feito!

E o que tinha feito durante aqueles anos? O que havia de fato vivido naquela que deveria ser sua melhor fase? Os anos de loucura e idiotice, de ressacas e problemas? Nada. Nada além de caminhar sobre uma fina corda que começava e terminava na mesmice. Agora havia rompido a corda, despencava da realidade que deixava para trás, e a queda refletia em seus passos cada vez mais próximos do assento vago ao lado do estranho.

Sentou-se, o coração batendo na garganta, os olhos arregalados pela ousadia. Respirou fundo ao perceber que o outro mantinha os olhos fechados e deu play na música na tentativa de se acalmar. Ainda dava para desistir, pensou… ainda dava para fingir que o corpo não girava para que pudesse observar mais de perto o outro, para fingir que não mordia o lábio ansioso enquanto o via abrir de repente os olhos e então o olhar.

Não…

Não dava para fingir nada disso, muito menos que aquilo não era uma loucura na qual estava desejoso para se jogar. Suspirou, umedecendo os lábios, a voz baixa, mas certa de que não voltaria atrás:

— Olá…


* * *


A boca de Madara em seu pescoço seria um problema, um dos grandes se não conseguisse conter os gemidos enquanto ele o tocava agora por dentro da calça, mas era difícil pensar quando aquele homem já o havia puxado para seu colo e o obrigava a apoiar as mãos no assento da frente. Itachi apertou o estofado com força e suspirou deliciado quando Madara chupou a pele de sua nuca. Seu cabelo estava preso na mão dele, sentia-o puxar a seu bel prazer, expor a parte que queria aos lábios a despeito de sua vontade, e o calor que os lábios deixavam por sua pele o incendiava. A outra mão o tocava com mais liberdade após ter descido mais as calças, mas era uma provocação leve, do tipo que o faria em breve perder a paciência se não estivesse já excitado demais com o falo endurecido que sentia se esfregar no vão entre as bandas de sua bunda.

O ar condicionado do ônibus deveria impedi-lo de se sentir tão quente, mas como então justificar o calor que o dominava? Como as mãos de Madara podiam queimá-lo a cada toque? Como os beijos pareciam brasas a provocar um incêndio?

Ele apertou sua cintura, mãos firmes, sem hesitação, que apertavam sua carne como se quisessem conhecê-lo a cada centímetro que subiam por seu peito, arrastando a camiseta que não sabia porque ainda vestia.

Você está num ônibus, Itachi!

Ah, sim, por esse motivo. Entretanto, a voz que tentava bancar a consciência perdia para a que choramingava diante do aperto doloroso em seus mamilos, perdia ainda mais para a ereção pulsando pelo som sensual que era Madara rindo em suas costas, pelo corpo tremendo quando ele abriu suas pernas após a calça cair até os pés e o empurrou para frente mais uma vez.

Estava sentado nas coxas dele, de costas, abraçado ao assento da frente, nu. Espiou Madara por sobre o ombro e gemeu baixo fechando os olhos incrédulo. Como aquele homem podia ser tão sensual sem fazer absolutamente nada além de devorá-lo com aquele olhar? Mas essa não era a pergunta certa… a pergunta correta era a que Madara se fazia naquele momento enquanto os olhos desciam pela coluna de Itachi até os glúteos fartos, as coxas trabalhadas… O que aquele garoto estava fazendo?

Não conhecia Itachi, mas era visível que ele o estava usando, que buscava naquele sexo ousado alguma resposta. Não, não era uma resposta, era justamente o oposto, Itachi queria a dança que levava o corpo à exaustão e ao êxtase, queria a melodia profana dada pelos gemidos proibidos, pelos batimentos acelerados pela adrenalina e pelo medo de serem pegos. Não era a forma mais saudável de lidar com os problemas, mas não seria Madara a alertá-lo. Se Itachi queria sexo para fugir dos problemas, daria isso a ele.

Aproveitou o som das buzinas do trânsito, puxou o cabelo de Itachi para trás ao mesmo tempo que lhe acertou um tapa ardido na nádega direita. A ardência fez Itachi gemer baixo, excitava-se com os puxões em seu cabelo mais do que admitiria em voz alta, e doía em seu orgulho que Madara tivesse demorado tão pouco para descobrir isso.

Ouviu o barulho do ajuste do banco, Madara havia se sentado novamente, mas não lhe dera tempo para perguntar o motivo. Suas costas bateram contra o peito dele, a mão em seu queixo virou seu rosto e sua boca se abriu carente para o beijo que era requisitado.

Madara o beijava com urgência, a boca dele demandava a sua como um amante exigente, e o modo com a língua dele explorava sua boca o fazia se contrair, o quadril esfregando-se ao membro duro atrás de si, as mãos querendo se tocar com urgência. Os dedos dele acariciavam seu rosto, faziam-no se sentir um gato sendo premiado pelo dono por um bom comportamento. E isso era… estranhamente bom, acalentava de uma forma inesperada seu corpo e ao mesmo tempo o deixava com mais sede, com mais fome, com uma vontade inexplicável de agradar ao outro para que ele continuasse naquele jogo lhe permitindo momentos de prazer. Os dedos entraram no meio do beijo, Itachi entreabriu os olhos conforme Madara sugava seu lábio e descia a boca por seu rosto. Os olhos estavam cravados nos seus, um domínio sensual que esperava pacientemente para saber o que faria. A língua então tocou os dedos, o sorriso malicioso de Madara o levou a sugá-los por completo, e a forma como ele apertou sua coxa o fez chupá-los com vontade.

— Bom garoto. — Ouviu Madara sussurrar ao abrir os dedos e brincar com sua língua, e Itachi fechou os olhos ao gemer e apertar as pernas uma na outra. — Não, não… abra as pernas, apoie uma em cada banco da frente.

Arregalou os olhos ao entender, soltou os dedos de Madara com um estalo e sorriu enquanto a língua de Madara descia por seu pescoço, desenhando o caminho para sua insanidade antes de ele obedecer.

E aquela obediência era tão deliciosa… Madara sabia que não duraria muito para começar a ser contrariado, já tinha experimentado do orgulho de Itachi para saber que ele não ficaria muito tempo calado. Sendo sincero, ansiava por isso… gostava de moldar, de destruir o frágil orgulho que protegia as pessoas do que de fato desejavam, e queria fazer isso com Itachi. Sentia que ele havia ficado ali para isso, para que fosse despido, exposto, revirado até que não pudesse mais ser quem era, até que o que quer que fosse que estava contido extravasasse para nunca mais voltar.

Oh, céus, como queria fodê-lo… como queria se enterrar naquela boca vermelha até que aqueles olhos petulantes lacrimejassem, como queria marcar cada centímetro daquele corpo pálido, que, caralho!, como podia responder tanto aos seus toques?! Como podia ser tão sensível e isso o excitar tanto? Cada vez que Itachi rebolava em seu pau, cada vez que ele gemia e apertava suas coxas e seus braços…

Abriu as pernas dele, os pés apoiados nas poltronas à frente, as costas dele em seu peito, seus dedos descendo para provocar o períneo enquanto sentia o corpo dele recuar mais no seu.

— Segure-se nos apoios do banco, Itachi, e não solte.

Itachi gelou de repente, o som súbito de tosse o lembrando de que não estavam sozinhos naquele ônibus e que, a qualquer momento, um dos outros dois passageiros poderia se levantar para pegar água ou ir ao banheiro. Encolheu-se assustado enfim.

— Caiu a ficha, é? — Madara provocou ao morder sua orelha, a mão livre em seu peito subiu ao pescoço e o obrigou a apoiar-se no ombro dele. Sentia a vibração do riso presa no peito dele, na voz rouca tão perto de seu ouvido. — Imagina se ele se levanta agora… que visão ele teria, não é mesmo? Quem de nós ele acharia mais depravado, Itachi? Será que ele veria o quanto você já está pingando? O quão duro você está?

A mão de Madara segurava seu rosto, a outra o provocava percorrendo o períneo e circundando seu ânus, carícias leves que aumentavam sua ansiedade, que o deixavam impaciente e reforçavam seu medo enquanto o outro parecia se divertir.

— Está rebolando contra minha mão mesmo com medo, que pervertido… Deixei sua carteira no banco, pegue o preservativo e vista, não podemos deixar sua sujeira espalhada, não é? — falou, e Itachi respirou fundo quando os dedos subiram aos testículos.

— Não tenho preservativo na carteira — sussurrou ao lamber os lábios.

— Que tipo de pessoa na sua idade não tem preservativo na carteira? — Madara arregalou os olhos em estranhamento enquanto segurava Itachi melhor em seu colo para conseguir pegar sua própria carteira no bolso calça. Parou de súbito, com o pacote em mãos e o cenho franzido. — Pera, você não é virgem, é?

— É claro que não — Itachi respondeu entredentes ao virar o rosto para o outro, e Madara arqueou a sobrancelha. — Só não sou do tipo que carrega um preservativo na carteira como se fosse foder a qualquer momento!

Madara riu baixo e aproveitou as mãos livres para abrir a embalagem, segurar firme o membro ereto de Itachi e posicionar o preservativo.

— Mas é do tipo que está nu, no colo de um estranho, num lugar público com pessoas por perto — Deslizou o plástico devagar. — Que está rebolando no meu pau neste exato momento, que morde o lábio para não gemer e se segura no banco porque quer tanto gozar aqui e agora que não sabe nem mesmo o que fazer. Ah, Itachi, você é do tipo que está se remoendo para me mandar tomar no cu, mas não faz porque é orgulhoso, porque quer que eu continue te tocando sem você ser obrigado a pedir por isso. — Sorriu de canto enquanto abraçava Itachi por trás e o masturbava com firmeza, a boca se arrastando pelo rosto dele e sentindo a tensão, provocando com mordidas leves. — Você não fode com estranhos, eu consigo saber disso só por como reage ao meu toque… — sussurrou. — Você é um bom garoto querendo uma foda perigosa para sair da bolha. E eu adoro foder o seu tipo.

Itachi entreabriu os olhos, o corpo quente pela masturbação rápida, pela voz de Madara a acariciar seu ombro, pescoço e rosto. Umedeceu os lábios enquanto o ouvia, a respiração acelerada enquanto assistia descrente a excitação aumentar a cada palavra dele. A cabeça pendeu para o lado em um movimento ébrio, os quadris buscando mais do que Madara lhe dava, o corpo necessitado sentindo falta da provocação em sua entrada enquanto ele olhava para os bancos à frente. Era verdade, não transava com estranhos, seria a última pessoa do mundo a um dia acreditar que estaria numa posição como a que estava naquele momento, mas… do que adiantava pensar nisso? Do que adiantava perder tempo imaginando o que aconteceria se o vissem, se os descobrissem?

Nada.

E essa constatação o fez sorrir para abrir a boca em um gemido mudo quando Madara brincou com a glande de seu pênis. Segurou o braço dele com firmeza, a respiração alterada, o calor do rosto de Madara contra o seu.

— Desistiu?

Itachi respirou fundo, os olhos num leve estreitar antes de abaixar as pernas e virar o rosto na direção de Madara. Precisou se levantar antes, e Madara permaneceu atento a cada movimento, o sorriso sacana aumentando quando Itachi ficou à sua frente. Segurou a mão estendida em sua direção e o puxou sem pressa, gostava do que via, do corpo nu de pé, do pênis ereto, do corpo sensual a se aproximar para apoiar um joelho de cada lado de seu corpo e se sentar agora de frente para ele.

Havia fome no modo como Madara olhava para Itachi, adoração no modo como as mãos acariciavam as panturrilhas e se arrastavam para os quadris. O aperto ali foi bruto, fazendo Itachi se chocar com seu corpo e se apoiar em seus ombros. O gemido que ele deu pelo friccionar dos membros duros Madara tomou para si, a boca movendo-se afoita contra a se Itachi enquanto ele o puxava ainda mais pela nuca.

Penetrou o primeiro dedo no corpo de Itachi, o calor do corpo dele o sugando e apertando em resposta, o arfar obrigando-os a partir o beijo. Olhou para baixo a tempo de desabotoar a camisa que vestia antes de voltar a segurar a ereção de Itachi entre eles, a mão subindo e descendo sem delicadeza conforme Itachi tremia e se inclinava mais para se apoiar em seu corpo. Arrastou a boca na dele, a língua correndo pelos lábios vermelhos, a respiração quente entrando por sua boca junto à vibração dos gemidos contidos quando curvava o dedo e acertava a próstata de Itachi. Ele o abraçou mais forte, a cabeça caindo em seu ombro, se escondendo na curva de seu pescoço enquanto rebolava inquieto.

— Mais rápido — Itachi pediu aos sussurros esfregando o rosto em seu pescoço, deixando os dentes arranharem a pele antes de voltar a gemer. — Ah, mais rápido…

Seu corpo tremia, a dor pelos dois dedos de Madara dentro de seu corpo já não importava, suas pernas cediam sempre que ele o estocava com mais força, surrando sua próstata, alargando o canal apertado. Fazia tanto tempo que não era tocado daquele jeito que… ah… não conseguia pensar… era simplesmente tão bom…

— Sh… mais baixo — Madara sussurrou em alerta, e Itachi riu extasiado pela ironia quando Madara aumentou a pressão em seu pau e adicionou o terceiro dedo em seu corpo ao dizer aquilo. Ergueu a cabeça para responder e encontrou o rosto de Madara próximo, os olhos negros atentos aos seus, a satisfação nítida, ainda maior quando o viu tremer e abrir a boca para gemer tão perto.

— Eu… ah…

— Vai gozar? — provocou rouco. — Então goza, goza enquanto meto meus dedos em você, goza se esfregando em mim, goza, Itachi, goza e mostra pra mim o quanto isso tudo te excita.

A resposta não veio, e Madara arregalou os olhos antes de se entregar ao beijo afobado que Itachi exigia ao rebolar com mais força em sua mão. Entendeu, fácil, e deixou que o outro tivesse o controle enquanto gemia em seus lábios, enquanto metia contra sua mão em desespero e apertava seus ombros com força.

O ápice veio num baque, um choque que fez Itachi fechar os olhos com força enquanto sentia o corpo todo vibrar. Seus lábios ardiam, quentes, e Madara parecia mais do que disposto a devorá-lo quando seu corpo caiu sobre o dele dominado pela onda do pós orgasmo.

O vento gelado nas costas nuas de Itachi o arrepiou, e ele suspirou ao buscar o calor do corpo de Madara. O coração ainda batia na boca, a respiração alterada fazia barulho em seus ouvidos, mas o corpo relaxava mais e mais conforme as mãos de Madara acariciavam sua cintura e suas costas.

— Maravilhoso — Madara sussurrou antes de beijar seu cabelo, e Itachi ergueu os olhos negros.

O que quer que fosse dizer morreu quando Madara desviou os olhos de si para um ponto mais atrás, a expressão de desagrado surgindo após o estalar de língua no céu da boca.

— Se abaixe — ele sussurrou, e Itachi arregalou os olhos ao virar e reparar que um dos passageiros se levantava e parecia conversar. Ele certamente sairia do assento.

Itachi deixou o colo de Madara e se abaixou no chão. Viu Madara fechar alguns botões da camisa e retirou o preservativo enquanto isso, abandonando-o ao seu lado. Madara seguia o outro passageiro com o olhar, atento, e Itachi tentava se convencer de que tudo daria certo, mesmo que suas pernas ainda estivessem moles demais para que ele tivesse que levantar caso o expulsassem do ônibus. A sensação o fez sorrir, e a recente experiência o deixava se sentir corajoso o suficiente para observar Madara quando estendeu a mão e apertou a ereção que lhe marcava a calça social.

A surpresa fez Madara respirar fundo, os olhos recaindo sobre Itachi conforme o via abrindo o botão e descendo o zíper. O outro passageiro estava longe, andando agora pelo corredor, e Madara não sabia ao certo o quanto ele poderia ver ao se aproximar da escada que o levaria ao banheiro. Ainda assim, não parou Itachi, não afastou a mão que expunha sua ereção nem reclamou quando viu Itachi se ajoelhar entre suas pernas, apoiando os braços em seus joelhos, espalhando a lubrificação pela glande.

A boca vermelha era tentadora, e a forma como Itachi o encarava com aquela petulância o fazia pulsar. Olhou mais uma vez para o corredor, atento à proximidade do velho à escada, e estendeu a mão até a nuca de Itachi. Devolveu o sorriso cretino que recebia e deixou os dedos se entrelaçarem às mechas escuras num aperto, o ar sumindo quando a língua quente desceu por seu pau até a base.

O corpo buscou conforto no assento, a atenção dividida no que queria assistir e no que deveria vigiar. E Itachi o olhava divertido, a boca vermelha se abrindo lentamente para envolver a glande antes de chupá-la, os lábios descendo por fora de sua ereção enquanto a mão puxava para longe suas roupas e lhe dava acesso à pélvis.

Soltou o ar pela boca, os olhos fechando-se enquanto desfrutava do calor, da saliva escorrendo por sua pele, até Itachi subir a língua da base à glande e o olhar diretamente com a boca aberta e os olhos semicerrados. O rubor das bochechas dele era lindo, a boca inchada perfeita para insandecê-lo e então empurrar Itachi contra sua ereção.

Os lábios se fecharam ao redor da carne quente, a língua arrastando-se pela pele enquanto Itachi chupava com força ao subir e voltar a descer depressa. Ele era bom… céus, Madara fechou os olhos e engoliu em seco ao gemer baixo… ele era mesmo muito bom naquilo.

Não precisou puxá-lo, não precisou ditar o ritmo ou interferir, seus dedos apertavam o cabelo de Itachi por puro descontrole, e se amaldiçoou por isso. Pelos olhos entreabertos, viu a hora que o velho subiu as escadas, e suspirou, pesado, o corpo relaxando no assento antes de forçar Itachi mais fundo. Sentiu tocar-lhe o fundo da garganta, o sorriso safado escapou ao jogar a cabeça para trás e sentir Itachi se afastar chupando com mais pressão. Impulsionou-se, entrando e saindo da boca dele depressa, desejoso.

O aperto em sua nuca fazia Itachi se arrepiar, a mão já sobre o próprio membro, a masturbação lenta enquanto observava Madara pentear o cabelo para trás com os dedos e revirar os olhos ao levá-lo fundo à garganta.

— O senhor está se sentindo bem?

A voz tão perto fez Itachi arregalar os olhos e paralisar ao mesmo tempo em que Madara balançou a cabeça e mirou o velho ao pé da escada.

— Sim — respondeu, e a voz saiu mais trêmula do que ele mesmo esperava. — Fico um pouco enjoado nessas viagens — completou, a mão subindo para o topo da cabeça de Itachi em uma carícia leve para acalmá-lo. O velho não deveria ser capaz de vê-lo ali.

— Se o senhor quiser, minha mulher deve ter algum remédio. Posso trazer e-

— Eu já tomei — falou ao mover o quadril de leve contra Itachi. Seu pau doía, a boca quente de Itachi ali, imóvel, o enlouquecendo. Até que Itachi sorriu, e Madara arregalou os olhos de leve e retesou o corpo ao senti-lo arrastar a língua até a glande. — Vou... tentar dormir. Já deve passar. Obrigado.

— Qualquer coisa, é só chamar.

Madara assentiu, impaciente, e Itachi gemeu baixo quando ele o olhou predatório.

— Debaixo do banco, minha maleta. Pegue dois preservativos. Vista um — ele sussurrou.

Itachi assentiu antes de vê-lo desabotoar a camisa e tirá-la. As tatuagens dos braços subiam aos ombros e tomavam conta do colo por inteiro, terminando pouco antes dos mamilos em cores fortes. Sentia a impaciência no olhar do outro e se apressou ao vestir o preservativo e encaixar o outro entre os lábios para deslizar lentamente pela ereção de Madara. Ouviu-o puxar o ar e sorriu ao limpar a boca antes de se deixar subir no colo dele de novo.

Passou os braços pelo pescoço dele, a boca sendo devorada por um beijo voraz à medida que Madara apertava seu corpo e descia as mãos para separar as bandas de sua bunda e esfregar o pau entre elas. Arfou, as mãos nos cabelos de Madara, a boca dele em seu pescoço, as marcas das mordidas e dos chupões colorindo sua pele enquanto a alma vibrava na frequência dos gemidos silenciados contra sua vontade. Inclinou pouco o assento, mas o suficiente para que o corpo se debruçasse mais confortavelmente sobre o de Madara enquanto a glande se insinuava em sua entrada. A invasão lenta o fez fechar os olhos com força e morder os lábios, as mãos de Madara o guiavam, o membro ganhando espaço dentro de seu corpo centímetro por centímetro.

Não era uma visão típica, era algo único, que cobrava de Madara sua atenção. A face rubra de Itachi tão perto o enlouquecia, a expressão de dor mesclada ao prazer que os lábios deixavam escapar em gemidos sôfregos imploravam para que se arremetesse de uma vez no corpo alheio. Apoiou a cabeça no assento e abriu a boca em um gemido mudo, a pressão em volta de sua ereção era deliciosa, o calor de Itachi, o corpo se agarrando ao seu, os olhos embriagados presos aos seus enquanto os lábios corriam por seu queixo e pescoço…

O arfar satisfeito foi compartilhado quando Itachi impulsionou o próprio corpo para baixo, Madara o olhou surpreso, a mão agarrando com força o cabelo de Itachi para beijá-lo enquanto arremetia contra o corpo dele e o forçava a cavalgar.

Era surreal manter o silêncio, era insano, e Itachi xingava à medida que ficava cada vez mais difícil controlar as próprias reações. Suas pernas tremiam, seu quadril viciava-se em receber Madara e exigia cada vez mais, rebolando com mais força, esfregando a própria ereção contra o abdômen do outro. Sua carne gostava do aperto firme em seu quadril, desejava a ardência dos tapas que Madara não podia oferecer pelo silêncio da estrada naquele momento. Queria mais, queria mais forte, mais fundo, e a frustração o fazia gemer embriagado contra os lábios alheios, choramingar quando Madara acertava sua próstata e puxava seu cabelo para trás para ter acesso ao seu pescoço.

A posição era deliciosa, mas Madara estalou a língua no céu da boca ao olhar para frente… Não havia como disfarçar caso olhassem para trás, não havia nem mesmo como alguém duvidar do que se passava ali, e estava ficando complicado conter a voz, principalmente quando Itachi gemia tão gostoso em seu ouvido. Beijou Itachi ao segurá-lo com o braço em torno de seu corpo e colheu a surpresa dele ao abaixar por completo o banco. Lambeu os lábios quando ele se sentou sobre seu corpo, as mãos apoiadas em seu peito, os movimentos desregrados rebolar e quicar em seu membro. As pernas dele tremiam, os olhos reviravam-se, e Madara o puxou pelas mãos para perto.

Saiu de dentro de Itachi recebendo um gemido frustrado e irritado, sorriu de canto ao girar os corpos, e segurou as mãos de Itachi sobre a cabeça dele ao deitar-se por cima do corpo nu. A mão livre segurou e abriu a perna de Itachi, o rosto perto permitiu ver o prazer recair sobre os olhos negros enquanto o invadia de novo, a névoa densa de desejo se intensificando ao estocar com força, sua boca cobrindo a de Itachi quando o gemido escapou mais alto do que deveria ao tocar-lhe a próstata.

Riu baixo, um riso malicioso e rouco que acompanhava o tremor do corpo à medida que arremetia em Itachi. As pernas dele se cruzaram ao redor de sua cintura, os punhos cerrados presos, o quadril se erguendo no mesmo desespero com o que se enterrava nele.

— Ah… delicioso — sussurrou contra a boca dele e chupou o lábio inferior de Itachi vendo-o fechar os olhos com força.

— Madara…

— Caralho... — gemeu, a testa sobre a de Itachi, as respirações chocando-se na curta distância que separava as bocas.

Itachi sorriu de canto ao soltar as mãos do aperto do outro, as unhas curtas acharam fácil o caminho para as costas dele, deixavam a pele branca vermelha, e Madara suspirou mais fundo ao sentir o orgasmo próximo.

— Isso, ah, assim! — Itachi arfou quando apertou os quadris dele em desespero. — Assim…

Não havia mais lógica, nem preocupação, nada que não fosse o choque dos corpos, as respirações partilhadas e os beijos urgentes entre sorrisos excitados por um clímax tão próximo. A mão de Itachi já tocava a ereção dolorida, movimentos rápidos e urgentes, o corpo sensível.

O ápice veio como uma queda livre, o corpo sendo tragado por uma força muito maior que a de Itachi, revirado de todas as formas possíveis. O frio na barriga, a adrenalina no sangue, o coração disparado. O rosto se escondeu no pescoço de Madara enquanto as unhas desciam pelas costas dele e o corpo tremia com força. As pernas apertaram o corpo do outro, o quadril se ergueu em êxtase enquanto gozava com a próstata sendo tocada, e o corpo simplesmente terminou de se render ao prazer que o tinha feito refém.

As pernas amoleceram, e Madara sorriu ao beijar Itachi. O pós orgasmo o deixava aéreo, o cheiro de suor e sexo se misturando, o corpo ainda vibrando e agora recebendo e apertando sua ereção com mais vontade. Sentiu os dedos de Itachi em seu rosto, ele tirava seu cabelo da frente dos olhos e o colocava atrás da orelha, a boca próxima à sua em um sorriso pecaminoso antes de sussurrar:

— Delicioso…

Sentiu a fisgada em sua virilha, a eletricidade sendo disparada de uma vez, o orgasmo fazendo-o se segurar com as duas mãos no assento ao enterrar-se mais fundo em Itachi. Fechou os olhos enquanto o corpo atingia seu ápice e se perdeu na sensação inebriante, na mão de Itachi em seu cabelo, na boca beijando seu ombro e pescoço.

Itachi descruzou as pernas, o corpo de Madara repousando sobre o seu enquanto as respirações perdiam-se no silêncio.

Silêncio…

Céus… Olhou para o teto sem acreditar. Ele havia mesmo feito aquilo… e, pelo que tudo indicava, não tinham sido pegos. Meu deus, riu breve, ele tinha mesmo feito aquilo!

— Ai… — a voz saiu mais manhosa do que desejava, mas foi impossível contê-la quando Madara se retirou de dentro de seu corpo.

Ele se ajoelhou, olhou na direção da parte da frente do ônibus enquanto retirava o preservativo, e Itachi relaxou quando o viu sorrir de canto e jogar o preservativo no chão antes de fazer o mesmo com o que vestia. Observou-o por um instante, a dúvida surgindo na cabeça enquanto Madara ajeitava a calça e se inclinava para pegar as roupas espalhadas no chão. Deveria se vestir e sair? Se vestir e ficar?

Sentiu a cueca atingir seu abdômen, e Madara ocupou o assento ao lado, retirando a divisão, para enfim se deitar de lado apoiado no cotovelo.

— Vai ficar doente se continuar pelado nesse ar condicionado.

Vestiu-se, amaldiçoando a calça justa enquanto Madara o observava divertido. Terminou de colocar a blusa e franziu o cenho, decidindo por sair dali, mas Madara riu baixo ao colocar a mão em seu peito e impedi-lo de se levantar.

— Fugindo? — Madara arqueou a sobrancelha. — Não acha que vai parecer suspeito você de repente aparecer sentado no seu lugar?

— Ah…

— Use a parada do ônibus para voltar se quiser, acho que devemos estar ainda a mais de uma hora e meia de lá.

— Por que está sorrindo desse jeito? — Itachi estreitou o olhar, e Madara deu de ombros ao se aproximar novamente, os dedos percorrendo o peito de Itachi até parar no cabelo bagunçado dele.

— Porque você está pensando demais. Você me deixou te tocar, me chupou, me deixou te foder, me arranhou todo e gemeu no meu colo, sob o meu corpo, gozou duas vezes, e agora está ficando vermelho e constrangido com a simples ideia de deitar do meu lado e descansar.

Itachi bufou ao desviar o olhar para o teto novamente.

— Eu disse… não transo com estranhos.

— Sou o primeiro sortudo então — provocou, e Itachi revirou os olhos até sentir a mão de Madara em seu rosto, virando-o para que olhasse para ele. — Você queria transar, eu queria transar, fim da história. Agora, além das minhas camisinhas terem acabado, eu preciso dormir e você parece cansado, então, vamos descansar. Simples assim, Itachi.

Simples assim… Itachi repetiu em sua mente ao concordar. Madara sorriu quando o viu fechar os olhos e o puxou para perto, acomodando o corpo dele no seu e o sentindo relaxar quando acariciou de leve o cabelo próximo à nuca. Não demorou para que ele dormisse, e Madara suspirou ao olhar o celular e perceber que dormiria menos do que o esperado...

Nov. 15, 2019, 3:49 a.m. 1 Report Embed 2
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Netuno Chase Netuno Chase
Vindo aqui só pra exaltar essa obra magnífica e ressaltar sua perfeição (porque já tinha lido no watt).
1 week ago
~

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