jpsantsil Jp Santsil

Trago no meu Sangue foi uma letra escrita nos meus 17 anos (1998), ainda quando eu vivia nas favelas de Salvador, na Bahia, e era ativista militante do Movimento Hip-Hop Organizado no Nordeste de Amaralina. Essa letra revela o meu contexto existencial na época, vivente de uma realidade cruel e preso a uma cadeia de ignorância e miséria karmica. Eu era um jovem ativista da favela, em que presenciei muito sofrimento, segregação social e cultural alienantes, além de presenciar muitas mortes, fome e descaso por parte dos governantes locais e federais para o povo negro nas favelas. Fui vítima de muitas barbaridades, racismos e discriminação por conta da minha condição de ser um preto pobre, nascido nos guetos e favelas de Salvador. Porém, busquei na Sabedoria Divina, a minha divindade como um ser-humano que veio a esse plano terrestre, para evoluir existencialmente, independentemente, da minha situação social e ao contexto miserável em que vivia. Eu não era compreendido pelos meus familiares, amigos e conterrâneos favelísticos. Pois, divinamente obtive uma compreensão do Sagrado Superior em mim mesmo. E minhas palavras eram por demais evoluídas para o contexto do saber dos ouvintes, nos palcos das favelas e até, das universidades em que me apresentei, quando fui um MC, no grupo de rap que se chamava Quilombolas, fundado no Nordeste de Amaralina.


Poetry Satire All public.

#hip-hop #rap
Short tale
0
3.7k VIEWS
Completed
reading time
AA Share

Trago no meu Sangue (poesia cantada)

Ainda no futuro levo uma vida escravizada

As lembranças de vitórias do meu povo, apagadas

O passado do meu povo parece que não passou

Toda luta e o ideal do Quilombo acabou

O passado que não passa, a senzala disfarçada

A liberdade acomodou, a abolição estagnou

Um futuro sem passado, um presente sem memórias

Trago no meu sangue a consciência dos quilombolas

Trago no meu sangue a consciência dos quilombolas

Trago no meu sangue a consciência dos quilombolas


Querem que eu acredite que o meu passado foi escravo (cativo)

Querem que eu acredite que eu sou do povo condenado (fugido)

Dataram a minha chegada e forjaram a minha história

Delinearam o meu mundo e apagaram as minhas memórias

Ainda no futuro o mesmo esquema colonial

Só disfarçam, pintam a cara, mas na real, está tudo igual

O operário é o escravo, o policial capitão do mato

O político é o senhor na casa grande do senado

Para nos separar dão falsos cargos e criam leis

Foi a tática do escravista e hoje a tática do burguês

O monopólio da política é a herança do português

Passando de pai para filho, de filho à neto toda vez

Vejo a prisão nos meios de comunicação

Pressinto o perigo na rede de informação

Controladores mentais forjando, assim, realidades

Condutores de Espíritos para o caos e falsidades

Vejo no cotidiano o que se transformou o ser humano

Zumbis alienados, iludidos e profanos

Teleguiados pela imagem de uma caixa de ilusões

Transformados, fragmentados, gozando das separações

Telas de falsas leis, falsos mundo e ideais

Janelas dos perdidos, quadro dos banais

Delícias dos imbecis, néctar dos hipócritas

Transformando o ser-humano em tagarelas idiotas

Vejo em cada barraco controladores de emoções

Forjando uma falsa cultura em meio de informações

Hipnotizados na poltrona se perdem em referências

Objetos do consumismo, isso é a consequência

Consequentemente, o mesmo filme em minha mente

O início e o fim da ignorância novamente

A cobra que morde o rabo, o mesmo ciclo vicioso

A QUILOMBAGEM minha cultura, liberdade pro meu povo


Ainda no futuro levo uma vida escravizada

As lembranças de vitórias do meu povo, apagadas

O passado do meu povo parece que não passou

Toda luta e o ideal do Quilombo acabou

O passado que não passa, a senzala disfarçada

A liberdade acomodou, a abolição estagnou

Um futuro sem passado, um presente sem memórias

Trago no meu sangue a consciência dos quilombolas

Trago no meu sangue a consciência dos quilombolas

Trago no meu sangue a consciência dos quilombolas


Nasci na favela, morador do gueto sou do Quilombo

Entre becos e barracos sofri a miséria do ser-humano

Condicionado a ter pouco, a falar pouco, a comer pouco

Aumentando a ignorância estancada no meu corpo

Sobrevivi a estagnação, a acomodação a alienação

Busquei a liberdade de uma mente em escravidão

Minha mente virou Quilombo elevando a minha consciência

Agora um quilombola moderno, busco minha recompensa

Não almejo o sucesso, nem a fama, nem dinheiro

E nem me orgulho de ser pobre, pobreza leva ao desespero

Quero estar de boa com JAH, sempre vivo e sossegado

Quero ver o “preto” feliz e o “branco” estagnado

Preto veja o que eu vejo nas políticas não há beleza

Esse caminho não tem volta, só revolta e tristeza

Consciente de que meu povo construiu esse país

Povo queira o que é seu, e o que é seu vai ter que vir

Vou formulando protestos de elevada conscientização

A chave do meu progresso é o AMOR em UNIÃO!

Não tenho nenhum patrão, não sou empregado de ninguém

Assim, como, Zumbi. Também, nasci para ser REI

Presente no momento dignidade e conscientização

Repito a frase de um amigo alertando os irmãos:

EU SOU VITORIOSO E A PALAVRA É SUPERIOR A TUDO!

CÉUS E TERRA PASSARÃO, COMO PASSARAM NO DILÚVIO!

Não me contento com migalhas o que eu quero é conquistar

Não me limito a ignorância reinante do lugar

De homens embriagados no néctar das tolices

Delícias dos imbecis, ignorância e burrice

Tenho a consciência que sou do tamanho do meu pensamento

Não vou me limitar aos benefícios do governo

Sou vitorioso e em JAH eu vou CRESCENDO!

Sou vitorioso e dia-a-dia eu vou VENCENDO!


Ainda no futuro levo uma vida escravizada

As lembranças de vitórias do meu povo, apagadas

O passado do meu povo parece que não passou

Toda luta e o ideal do Quilombo acabou

O passado que não passa, a senzala disfarçada

A liberdade acomodou, a abolição estagnou

Um futuro sem passado, um presente sem memórias

Trago no meu sangue a consciência dos quilombolas

Trago no meu sangue a consciência dos quilombolas

Trago no meu sangue a consciência dos quilombolas

(ouça e veja o clip dessa poesia cantada clicando aqui)

Nov. 7, 2019, 5:38 a.m. 0 Report Embed Follow story
1
The End

Meet the author

Jp Santsil Nasceu em Salvador, capital do Estado da Bahia, tendo se dedicado mais da metade de sua vida a projetos de ativismo social, educacional, cultural e ecológico com crianças e jovens em estado de risco e extrema pobreza nas favelas e comunidades carentes do Brasil e Ecuador. Atualmente vive e é cidadão do Estado de Israel, oriente médio asiático, onde se dedica a projetos ecologicamente sustentáveis. ​

Comment something

Post!
No comments yet. Be the first to say something!
~