Os Quatro Dragões Follow story

letiadz Alicia diLucca

Reza a lenda que, há muitos e muitos anos, na antiga China, dragões viviam pelos céus. Quando a chuva faltou com sua parte, os quatro dragões mais importantes acabaram por intervir. Tal intervenção despertou a ira do Imperador de Jade, o que resultou em uma punição injusta a eles. Com os corpos aprisionados em montanhas, seus poderes ficaram protegidos por milênios, até a volta de suas almas. Porém, com o retorno delas, os corpos estão a despertar, sem controle ou consciência. Assim, quatro jovens marcados para morrer devem aprender a controlar seus poderes e enfrentar mais perigos do que imaginam... A meta não é apenas sobreviver, mas salvar a humanidade.


Adventure Not for children under 13.

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Prólogo



Era uma vez, há muitos e muitos anos, uma era habitada por dragões e magia.

Naquele tempo, os dragões dominavam os céus, longe dos olhos dos simples mortais. Figuras majestosas, com escamas que brilhavam mais que as pedras mais preciosas e asas que, abertas, lembravam os mais belos tecidos.

Os dragões passeavam pelo ar, brincando por entre as nuvens e dançando sob a luz das estrelas. Alguns podiam ir à lua e outros queriam conhecer o sol. Assim, naquele céu límpido e puro de eras atrás, as deslumbrantes criaturas viviam suas vidas até que a hora de acolher a morte como amiga lhes chegasse.

Magia, algo raro entre os humanos, não era algo incomum de se ver entre aqueles grandes répteis. Sempre, ao chocarem os ovos, os dragões eram agraciados com alguma habilidade especial. Um poder mágico.

Havia aqueles que podiam controlar os ventos e, assim, voar melhor que os outros. Havia também os dragões que cuspiam bolas de fogo, podendo aquecer a si e a outros em dias em que o frio chegava aos ossos. Tal como esses, havia dragões com poderes um tanto diferentes, como os que manipulavam a água ou a terra.

Algumas vezes, os dragões tentavam descer à terra, de onde acabavam sendo expulsos ou feridos por humanos amedrontados. Esses eram vistos, mas esquecidos com o passar dos anos. Porém, os dragões mais poderosos, sábios e belos nunca seriam vistos por olhos humanos, mesmo que vagassem pelos céus, olhando por estes.

E entre estes estavam o Grande Dragão, o Dragão Amarelo, o Dragão Pérola e o Dragão Negro.


Um belo dia, quando os dragões voavam sem rumo, apenas observando a paisagem bela que podia ser contemplada, um pedido de ajuda chegou aos ouvidos dos dragões levado pelas fumaças dos incensos.

Curioso, o Dragão Amarelo aproximou-se das plantações, com os ouvidos atentos, para descobrir o que se passava.

Uma prece pôde ser ouvida, carregada pelos ventos que castigavam as alturas.

“Ó, majestoso Imperador de Jade, por favor, ajude-nos. Que o céu se abra. Que a chuva abençoe a nós e ao nosso campo com seu frescor e sua vida. Que se termine a seca sem fim. É tudo o que pedimos, ó, poderoso soberano, e é somente o que esperamos. Atenda às nossas preces.”

Assim, os dragões descobriram sobre a grande seca que estava destruindo as colheitas. As reservas de comida dos camponeses estavam quase se esgotando e, quando isso acontecesse, seria o fim.

Preocupados com o sofrimento dos camponeses e as possíveis mortes dos mesmos, os dragões resolveram levar aquele pedido ao Imperador de Jade.


Então, os dragões voaram ainda mais alto e longe pelos céus, até alcançarem, por entre as nuvens, o Palácio Celestial, morada do imperador.

Ao chegarem, foram recebidos pelo soberano, que, já sabendo das notícias, não os acolheu de maneira cordial. Ele não aprovava o ato, para ele intrometido, dos dragões.

“Por que vêm aqui me incomodar com tais bobagens sem sentido? Dragões foram feitos para viver entre as nuvens, não junto aos humanos.” O imperador alterou-se, irritado com a presença dos magníficos seres.

“Majestade, por favor, ouça-nos. As pessoas estão morrendo. Elas precisam da chuva.” O Grande Dragão tentou colocar um pouco de sensatez nos pensamentos do rude soberano.

“Vocês, dragões, deveriam preocupar-se com o que lhes diz respeito. As vidas daqueles aldeões interessam apenas a mim.”

“As pessoas estavam morrendo.” O Grande Dragão, então, elevando sua estrondosa voz, fez-se ouvir pelos salões do Palácio, ecoando como grandes trovões. “Achamos ser de nosso dever vir em busca de ajuda.” Então, ele baixou a voz, controlando-se. “Desculpe-nos, ó, incrível soberano, mas era o certo a se fazer.”

O Imperador, então, querendo voltar a dedicar-se a suas atividades, dispensou os dragões com a promessa de que, logo, enviaria a chuva.

“E tratem de ocupar seu tempo com coisas mais importantes.” Encerrou a visita.

E os dragões foram embora do palácio.


Semanas se passaram e a chuva prometida jamais veio. Semanas sem água.

As mulheres não tinham com o que matar a sede de seus filhos. Alguns tiravam as cascas das árvores para comer. Outros, as raízes.

Os dragões, preocupados com as vidas desperdiçadas, decidiram intervir, mesmo que isso pudesse despertar a ira do imperador.

O Grande Dragão sugeriu a melhor solução.

“O mar.” Compactuou, convicto, com os colegas. “Se nós conseguirmos espalhar a água do mar pelas nuvens, ela se transformará em chuva e cairá sobre as plantações.”

Não precisou de muito para que todos concordassem com a ideia.

Assim, os dragões desceram até ficarem próximos ao mar, onde começaram a colocar o plano em prática.


Os dragões aproximaram-se das águas e começaram a trabalhar. O Dragão Pérola evaporou a água, em imensas quantidades. O vapor começou a querer se espalhar, então o Dragão Negro, com um sopro, manteve-o reunido.

Depois de conseguirem uma enorme nuvem de vapor, os dragões ficaram em cima das nuvens próximas às aldeias que mais sofriam com a seca e liberaram a água do mar. O vapor uniu-se às nuvens e, em pouco tempo, a chuva começou.

O povo, que já havia abandonado as esperanças e aceitado seu destino, nem conseguia acreditar em seus próprios olhos. Agradeciam aos céus, enquanto dançavam na chuva, festejando e comemorando.

Os dragões estavam extremamente felizes e orgulhosos de seu feito, mas o Imperador de Jade não pensava da mesma maneira.

Ele ficou furioso...


Os dragões foram requisitados imediatamente e, acorrentados, passaram por um julgamento unilateral. O Imperador havia preparado um terrível castigo para eles.

“Vocês ousaram me desafiar e, por isso, irão pagar. Eis a ordem para os executores: prendam esses quatro dragões em quatro montanhas, de um jeito que seus corpos nunca possam se libertar.”

Então, a ordem do soberano foi cumprida e os dragões não conseguiriam se libertar.


Assim que ficou sabendo do ocorrido, a Senhora da Coragem, a ninfa Zhen Jing*, desaprovou a atitude do imperador. Suas palavras foram muito severas.

“Sua crueldade é tamanha à sua arrogância. Olhe bem para aquelas montanhas, porque nunca mais irá vê-las assim.”

A ninfa, infelizmente, não podia anular a condenação injusta do imperador, mas ela queria impedir o sacrifício eterno dos dragões. E, para tal, ela invocou o seu poder.

Este atravessou as montanhas, conseguindo tocar os dragões e absorver sua essência. Ela sabia que, algum dia, as almas dos dragões retornariam. Até lá, ela manteria a salvo os poderes das criaturas.

Então, com a ajuda dos poderes dos dragões, a ninfa voou livre mundo afora...

E espera, até hoje, pelo retorno dos dragões.


***


- O que? – Um menininho exclamou, indignado. – Mas acaba por aí?

- Não pode. – Outro concordou, abraçando seu bichinho de pelúcia cor-de-rosa. – Os dragões têm que ser felizes para sempre.

- Verdade. – O mais velho deles falou, fazendo pose de super-herói. – Eles têm que ressuscitar e combater o Imperador Tirano.

- Mas eles foram presos... – O mais novo dos meninos fez bico.

- Tia, tia. – O menino do bichinho de pelúcia chamou a atenção da mulher. – Diz pra eles. Diz que a história não termina assim. Diz que os dragões vão voltar a voar.

A mulher riu, divertida, e continuou a história.

- Sabe o que dizem, crianças? – Ela perguntou, vendo quatro cabecinhas negarem, confusas. – Dizem que os quatro dragões, por causa da magia da ninfa, transformaram-se em quatro rios: o rio Negro, o rio Amarelo, o Grande rio e o rio Pérola. Os rios mais importantes da China...

- Mas, tia... – O pequenino voltou a fazer bico. – Não pode acabar assim...

- É. – O menino com bichinho concordou. – Eles vão voltar e ser felizes.

- E salvar as pessoas do Imperador. – O mais velho completou.

- É. – O primeiro menino encerrou o assunto, cruzando os braços. – Porque a história não pode acabar daquele jeito.


* Do chinês, "essência preciosa".

Oct. 18, 2019, 1:59 a.m. 1 Report Embed 3
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Rodrigo Borges Rodrigo Borges
Eu gosto de histórias que começam com "era uma vez", então já me conquistou aí kk, depois vi que tinha ligação com mitologia chinesa, mais pontos para você. Faz um tempo que não vejo histórias sobre mitologias, histórias as quais tenho bastante apreço, ainda mais a chinesa. Você escreve bem; o texto possui uma formação lucida da sua parte, vírgulas e pontos, há uns deslizes ou outros, mas acontece igualmente comigo. Na minha opinião de leitor e não tão importante assim, eu achei que faltou uma linguagem mais subliminar na parte da história dos dragões; se ela fosse mais alusiva à escrita antiga, sem muitos rodeios ou explicações, seria bem melhor. Porém, entende que isso é uma opinião pessoal, e que talvez seja a sua vontade e técnica de escrita. Desculpe se faltei com delicadeza. Enfim, gostei bastante de ter me deparado com seu texto; vou esperar por mais!
Oct. 20, 2019, 12:55 p.m.
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