A punição para a inocência & outros casos Follow story

ghyun GHyun .

Atormentado por fantasmas do passado, Baekhyun recebe o cargo de Detetive-Inspetor e, antes mesmo de receber o distintivo, acontecimentos o fazem perceber que manter a justiça e as regras da lei nas ruas de Whitechapel não será fácil, muito menos quando terá de lidar com os relatos de ataques de uma besta e segredos que o colocarão em perigo.


Fanfiction Bands/Singers For over 21 (adults) only.

#suspense #crime #drama #mistério #policial #fanfiction #tragédia #baeksoo #investigação #xiuhan #era-vitoriana #DE-ÉPOCA
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Caso Lewis

Monstros são reais.

Monstros estão por toda parte.

Monstros são pessoas.

Monstros podem ser qualquer um.


Pouco antes de o sol raiar, Baekhyun se olhava no espelho enquanto abotoava a camisa. Parou o ato de abotoar nos dois últimos botões superiores e fixou o olhar na cicatriz horizontal que tinha na região da clavícula esquerda, marca esta que carregava uma história de horror. Respirou fundo ao sair do devaneio que ela o proporcionava e terminou de fechar a camisa até o último botão para esconder a cicatriz.

Antes de sair de casa, verificou se a gravata não estava torta e se não estava se esquecendo de algo. Pegou o chapéu em cima da cama e saiu. Enquanto caminhava para a delegacia, cumprimentando qualquer um que passasse por si ou o olhasse com pena, seu braço direito foi laçado delicadamente por um par de braços femininos.

— Senhorita Lewis, o que faz aqui? — continuou andando ao verificar que era sua amiga.

Agnes revirou os olhos diante a formalidade do amigo, mas sabia que era por estarem em público.

— Uma pergunta um tanto idiota, Baekhyun. Achou que eu iria deixá-lo sozinho em um momento tão importante para você?

— As pessoas pensarão coisas erradas.

— Deixe que pensem! É só isso o que elas sabem fazer: se intrometer na vida dos outros.

— Pode ser perigoso, Agnes, é melhor...

— Se você completar esta frase, juro que te chuto para o rio! Não é como se alguém fosse invadir a delegacia logo hoje, Baek. — caminharam em silêncio até chegaram à rua da delegacia, que estava lotada de pessoas. — Viu? Irei ficar bem. — virou-se de frente ao rapaz e analisou sua roupa, e franziu o rosto. — Você nunca vai aprender a arrumar a gravata, não é?

— Eu juro que ela estava certa quando sai de casa!

Agnes fez cara de quem fingia acreditar e arrumou a gravata. Ao notar que todos os botões da camisa estavam abotoados, suspirou.

— Você precisa aceitar que ela faz parte de quem você é. — referiu-se à cicatriz.

— Eu sei. — juntou as mãos da amiga e as deu um beijo. — Obrigado, mas estou bem.

Ao perceber que jornalistas e curiosos os notaram, Baekhyun passou o braço pelos ombros da garota e apressaram o passo até estarem seguros dentro do prédio da delegacia, onde recebeu o aviso de que o inspetor chefe já o aguardava em sua sala.

— Lew...

— Já sei, vai mandar eu esperar aqui. — disse desanimada, porém, logo abriu um sorriso travesso e correu para a sala do Inspetor Chefe. Entrou, largando a porta aberta para Baekhyun, e correu para onde o homem estava sentado e o deu um beijo na bochecha. — Bom dia, pai!

— Agnes, o que faz aqui?

— Por que todos os homens fazem a mesma pergunta? — questionou, olhando do pai para Baekhyun que permanecia calado na entrada da sala. — Vim acompanhar o meu amigo nesse dia tão importante e te desejar bom dia, já que o senhor saiu antes mesmo de o sol raiar.

— Bom dia, Byun. — viu o rapaz assentir. — Aposto que a minha filha te atormentou até chegarem, hum?

— Pai!

Baekhyun deu um riso divertido.

— Talvez.

Agnes o olhou, pasma.

— Homens! — sentenciou e saiu da sala, fechando a porta.

Baekhyun deu um pequeno sorriso enquanto a garota saia e sentou-se ao ser convidado pelo inspetor.

— Veja só como você cresceu. E pensar que até ontem você e seu irmão corriam pelas ruas com a Agnes. — viu o rapaz abaixar a cabeça e olhar para as mãos. — Todos nós sentimos a falta dele, era um bom policial, assim como você é. Tenho certeza de que você honrará a memória dele.

— Honrarei quando tiver o assassino atrás das grades. — pronunciou enquanto passava a mão pela clavícula marcada pela cicatriz.

— Já faz quatro anos desde a última vítima. Provavelmente, ele está em alguma vala sem nome. Esqueça-o, há pessoas piores que devem ter a sua atenção.

— Agnes disse que o senhor saiu antes do sol raiar, sei que você não faz isso se não houver um motivo. Aconteceu alguma coisa?

Lewis respirou fundo e soltou o ar, devagar.

— Encontraram um corpo descendo o rio, havia sinais de mordidas no pescoço. Já é o segundo caso esta semana.

— Por que não fiquei sabendo disso antes?

— Dei ordens ao senhor Turner para que o deixasse a par do caso depois que pegasse o distintivo. Você já tem uma marca que atrai curiosos, eu não precisava disso em um caso isolado. Sabe como as pessoas são, assim que vissem os corpos, iriam espalhar que há um bicho atacando o distrito e tudo viraria um caos novamente. Whitechapel já teve um momento de horror e não precisa de outro. Entendeu?

— Sim, senhor.

— Ótimo. — levantou-se e olhou pela janela. — As pessoas estão esperando. Podemos?

Baekhyun levantou-se e acompanhou o inspetor chefe até a fachada da delegacia, onde cidadãos e jornalistas os esperavam. A cerimônia de substituição foi rápida, houve apenas um breve discurso de Lewis e de Byun ao receber o distintivo de Detetive-Inspetor, apertos de mãos e poses para as fotografias que estampariam as capas dos jornais do dia. As perguntas dos jornalistas seriam ignoradas até Baekhyun estar acostumado com o novo cargo.

Antes mesmo das pessoas se dispersarem, entraram no prédio para assinarem os documentos que validariam o cargo a Baekhyun. Com as assinaturas nas devidas linhas, Lewis aproveitou para abrir uma de suas garrafas de bebida que guardava para boas ocasiões e brindar o momento.

— Agora, esta cadeira é sua — disse a Baekhyun. —, assim como a responsabilidade pelo distrito.

— Pai, você consegue ser tão motivador. — Agnes reclamou. — Desse jeito, o Baekhyun irá desistir do cargo antes mesmo do primeiro dia.

Os policiais, Baekhyun e o senhor Lewis riram do comentário.

— A senhorita não deveria estar trabalhando?

— O senhor Zhang está ciente de que estou aqui. — resmungou. — Mas acho que estou atrasada. Melhor eu ir antes que ele me xingue.

— Irei acompanhá-la. — Lewis terminou de beber e deixou o copo na mesa. Aproximou-se de Byun e colocou uma mão em seu ombro. — Estou orgulhoso de você e tenho certeza de que seu irmão também estaria. Eu o escolhi para me substituir, não me decepcione.

— Não irei, senhor. Aproveite a sua aposentadoria.

Com um aceno de cabeça, o homem deixou a sala acompanhado da filha.

Byun olhou para o distintivo em suas mãos com um pequeno sorriso e bebeu o resto do líquido de seu copo. Ao direcionar o copo à mesa, o derrubou no chão ao ouvir um tiro seguido do grito de Agnes. Não pensou duas vezes, correu para ver o que havia acontecido e, pouco antes de alcançar a fachada do prédio, ouviu o segundo tiro que acertou a garota. Por pouco, Baekhyun conseguiu segurar a amiga antes que caísse e olhou para o corpo do senhor Lewis, entendendo que o tiro havia o acertado pela frente. Rapidamente, olhou para os prédios que compunham o lado oposto da rua e teve tempo de ver a silhueta do atirador sair da janela.

— Ali! — gritou apontando para um dos prédios, sua voz sobressaiu às vozes das pessoas que estavam por perto, chamando a atenção dos policiais. — Cerquem o prédio! Peguem-no! — apontou para um policial. — Você! Vá chamar o médico, agora! — assim que o policial correu em direção ao hospital, olhou para Agnes. — Agnes, Agnes! Fique comigo, Agnes! O médico já está vindo. — Agnes abriu os olhos, respirava com dificuldade. — Boa garota. Fique comigo! — olhou para onde o senhor Lewis estava e viu Turner fazer sinal negativo com a cabeça. Respirou fundo para não perder o controle de seus sentimentos e olhou para Agnes, vendo-a de olhos fechados. — Agnes... Agnes!

Turner se aproximou, o tocando no ombro.

— Precisamos entrar, pode haver outros atiradores. Somos alvos fáceis.

Baekhyun olhou para os prédios como se procurasse sinais de que havia outros atiradores.

— Não. O que houve aqui foi encomendado, senhor Lewis era o alvo.

— E a Agnes, não? Podem querer terminar o trabalho. Vamos ent... — calou-se ao ouvir vaias dos cidadãos na rua.

A vaia era direcionada ao homem que era puxado pelos policiais.

Ainda ajoelhado para apoiar Agnes, Baekhyun observou o homem ser levado para dentro da delegacia e olhou para Turner.

— O isole, fique de olho para que não tente nada.

— Sim, senhor. E você?

— Irei ficar até ter certeza de que a Agnes esteja a salvo.

Turner não concordava que deveriam ficar ao ar livre, mas o obedeceu, conhecia o rapaz há tempos e sabia que poderia confiar nele. Antes que entrasse, Baekhyun pediu para que lhe desse o paletó para que pudesse estancar o sangue.

Demorou alguns minutos para que o médico chegasse acompanhado do policial. Ele subiu a escadaria e parou diante às vítimas, respirou fundo, retirando os óculos personalizados e os colou no topo da cabeça.

— Belo primeiro dia, detetive. — agachou-se ao lado de Agnes. — Sou Kim Minseok. Não precisa se apresentar. Sei quem você é. O vi nos jornais, anos atrás.

Apesar de o homem estar fazendo o trabalho dele, Baekhyun ficou surpreso com a calma com que analisava a situação.

— Agora não é hora de conversar! Não está vendo que ela precisa ir ao hospital?

Minseok olhou da garota para ele e depois para a garota.

— Ah, isso... Não se preocupe, ela irá ficar bem. Mas, sim, ela precisa ir ao hospital. — olhou em volta, esperando ver cavalos por perto. — Não chamaram uma carruagem para levá-la? Acham que só eu irei fazer milagre?

Baekhyun pareceu acordar para a realidade e mandou que chamassem uma carruagem para levá-los. Ao mesmo tempo, uma carruagem parou em frente ao prédio vizinho. Um homem desceu, trajando roupas vermelhas listradas debaixo de um sobretudo preto pesado, e usava uma bengala que o ajudava a andar com menos dificuldade.

— Por que não pede ao bonitão ali? — o médico apontou para o dono do veículo.

O recém-chegado apresentava um distintivo conforme passava pelos policiais que protegiam a delegacia de curiosos. Ao subir os degraus da delegacia, respirou fundo, como se aquela simples ação o cansasse, e parou em frente ao médico e a Baekhyun. Sem expressar qualquer reação, observou o corpo de Lewis e Agnes.

— Queria poder felicitá-lo pelo novo cargo, mas acho melhor deixar para depois. — mostrou o distintivo para Baekhyun. — Oh Sehun. Detetive-Inspetor, Divisão I.

Minseok estranhou a presença do detetive e, percebendo que nenhum dos dois se pronunciaria logo, disse:

— Poderia emprestar a sua carruagem para que eu possa levar a vítima ao hospital?

Sehun desviou a atenção dos corpos e focou-se no médico, que sustentou o olhar.

— Claro. — sorriu. — Colegas se ajudam, certo?

Minseok não esperou que Baekhyun se pronunciasse e pegou Agnes para que pudesse levá-la para a carruagem. Byun quis acompanhar a amiga ao hospital, mas foi impedido pelo médico.

— Você é o novo líder daqui, então faça o seu papel. Você pode não me conhecer, mas eu conheço a família Lewis e tenho que cuidar da garota, então não me atrase mais. Além disso... — olhou para Sehun que permanecia no topo da escada, os observando. — Ele me causa sensações ruins. — voltou a olhar para Byun. — Confie em mim, a sua namorada vai ficar bem.

Baekhyun assustou-se.

— Ela não é minha namorada!

Minseok entrou na carruagem e mandou que o cocheiro fosse para o hospital, fechou a porta e olhou pela janela.

— E eu sou a Rainha.

Baekhyun observou a carruagem se distanciar e voltou para onde Sehun estava. Assim que entraram, mandou que os policiais dispersassem os curiosos e conduziu o colega para sua sala.

— Tudo aconteceu tão rápido. — explicou ao perceber que o homem olhava para o copo quebrado no chão da sala. — Espere um pouco, irei limpar.

— Tudo bem, não precisa fazer isso agora. Não pretendo demorar. — aproximou-se da janela e olhou para a rua. — Você deve saber, Lewis e eu não nos entendíamos. — suspirou e olhou para Baekhyun. — Nossas ideias eram diferentes, mas agora você é o novo líder, mais jovem, mais esperto, e espero que possamos nos dar bem. Cuidar da segurança de um distrito sem ajuda dos distritos vizinhos é algo complicado, Lewis sabia e não aceitou a minha ajuda. Sabemos muito bem o que houve com Whitechapel quando aquele louco atacou, quatro anos atrás. Realmente espero que ele tenha virado comida de peixes. — como bom observador, percebeu o desconforto de Byun diante o monólogo. — Então, a história é real?

Baekhyun o encarou.

— Do que está falando?

Sehun se aproximou mancando e apontou a bengala para o pescoço do detetive.

— "Irmãos policiais que investigavam os assassinatos de prostitutas, em Whitechapel, foram atacados. O mais velho morreu e o outro carrega uma cicatriz para lembrá-lo do terror que o distrito vivenciou.". — abaixou a bengala e aproximou-se mais. — Os jornais falaram de vocês. — vendo que Baekhyun não reagiria, puxou a gola da camisa para ver a marca. — É uma bela cicatriz que você tem aí. É a primeira? — percebeu o desconforto do detetive. — Não se preocupe, não será a única. — sorriu e arrumou a camisa que havia bagunçado.

Turner entrou na sala e parou ao ver que o inspetor estava acompanhado, e pigarreou para anunciar a sua presença no local.

— Ele disse algo? — Baekhyun perguntou para Turner.

— Nem uma palavra.

— Precisando de ajuda, inspetor? — Sehun perguntou.

— Tenho tudo sob controle.

— Não é o que parece. Quem você precisa que fale?

Turner olhou para Baekhyun que devolveu o olhar e permaneceram calados. Sehun suspirou e saiu da sala para encontrar o caminho até as celas, ignorando os olhares dos policiais. Parou de frente à cela, onde o suspeito estava, e mandou que o guarda a abrisse, mas não foi obedecido.

Baekhyun e Turner chegaram correndo e o guarda olhou para eles.

— Se quiser que esse homem fale, me deixe entrar. — Sehun falou sem olhar para os inspetores.

— A delegacia está sob o meu comando, é meu trabalho interrogar os meus presos.

Sehun suspirou e virou-se.

— Bancar o detetive bonzinho não leva a lugar nenhum. Não dou um mês para que a sua delegacia esteja pegando fogo se continuar assim. — apontou a bengala para Baekhyun. — Sei que é o seu primeiro dia e que começou de um jeito ruim, mas ainda dá tempo de aprender a controlar a situação. — apontou a bengala para a cela. — Se quiser que ele fale, terá de usar a força. — abaixou a bengala e se apoiou nela. — A escolha é sua: Quer encontrar o assassino de Lewis ou continuará sendo o detetive bonzinho que descobrirá que o assassino está solto enquanto você tem um inocente em sua cela?

O silêncio dominou enquanto esperavam a decisão de Byun.

— Tudo bem. — fez sinal para que o guarda abrisse a cela.

Sehun entrou assim que teve passagem e Baekhyun parou na entrada da cela. O suspeito, amarrado em uma cadeira, levantou o olhar do chão e, ao ver a serpente no punho da bengala, arregalou os olhos e começou a respirar rapidamente.

— Divisão I. — disse baixinho enquanto olhava para cima.

Sehun sorriu perverso ao ver que havia sido reconhecido.

Baekhyun estava concentrado em ouvir o que o suspeito poderia falar e acabou sendo surpreendido com Sehun batendo fortemente o punho da bengala no queixo do homem. Ele e Turner, rapidamente, entraram para distanciar o inspetor do suspeito.

Sehun se soltou dos dois e arrumou o paletó.

— O que pensa que está fazendo? Ele não disse nada!

— Agora, detetive Byun, pode perguntar o que quiser, tenho certeza de que ele irá colaborar. Às vezes, apanhar ajuda a clarear as ideias. — olhou para os dois inspetores que ainda estavam sem reação. — Bem, se me derem licença, irei descobrir para onde o seu médico levou a minha carruagem.

Baekhyun, ainda assustado com o que houve, saiu da cela para ver o inspetor se retirando do local.

— Ele foi para o Hospital Real, ao leste. — olhou rapidamente para a bengala. — Peça para algum policial chamar a carruagem para te levar até lá, é uma longa caminhada.

— Irei aproveitar para me exercitar. Obrigado.

Com um aceno de mão, Sehun retirou-se.

A delegacia estava agitada. Policiais tentavam conter os curiosos que queriam saber o que havia acontecido e quem havia matado o antigo inspetor à luz do dia, enquanto outros oficiais levavam o corpo de Lewis para a sala do legista dentro do prédio.

Pelas ruas de Whitechapel, a notícia se espalhava rapidamente e, até o dia seguinte, se espalharia pelos distritos vizinhos.

— A notícia já chegou aos bordéis. É questão de tempo para que todos fiquem sabendo.

Sehun pagou pela maçã que havia pegado na barraca de frutas e continuou a caminhar para o hospital.

— A filha está viva. — mordeu a fruta após falar.

— Ela se moveu quando atirei.

Sehun o olhou de soslaio.

— Torça para que ela morra. Lewis não gostava de mim e a filha sabe. Se ela falar algo para o Byun, terei problemas e a culpa será sua!

— Sim, senhor. Sabe se Lewis disse algo para ele?

— Acredito que não. Byun ainda é novato, não está preparado para o cargo que tem e isso facilita os meus planos.

— Tenho uma notícia que te interessa. Enquanto todos corriam, ouvi os policiais comentarem que o... — esperou que um rapaz acompanhado por cães passasse para poder continuar. — Ouvi que o Comissário Assistente de Polícia está vindo para Whitechapel.

— O que disse? — Sehun perguntou alterado, parando de andar para olhar o homem.

O homem percebeu que o rapaz dos cães olhou para trás.

— O que está olhando? — assim que o rapaz continuou seu caminho, olhou para Sehun. — Não sei o motivo, mas ouvi que ele está vindo para cá.

Sehun franziu o rosto enquanto pensava.

— Preciso descobrir o motivo da vinda. Irei voltar para Limehouse, você fica e me informe se souber de algo.

— Sim, senhor.

— Afinal, onde fica essa desgraça de hospital? — perguntou para ninguém enquanto olhava para os lados e deu o resto da maçã para o homem antes de voltar a procurar o hospital.

O homem suspirou aliviado quando Sehun se distanciou e comeu o resto da fruta.


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— Eu juro, senhor! Eu não matei o senhor Lewis! Eu moro naquele prédio! — argumentou, desesperado, pela segunda vez, enquanto Turner andava pela cela e Baekhyun permanecia encostado nas grades.

— Está ciente que foi encontrado uma arma em sua casa? — Turner questionou, parando de frente ao homem.

— Sim. Eu sou caçador! É uma arma de caça!

— Você viu alguém no momento da confusão? — Byun perguntou.

— Não vi, mas ouvi. Ele estava na moradia ao lado.

— Pode ter sido outro morador. — Turner apontou.

— Ninguém mora lá. Está para alugar.

Baekhyun e Turner se olharam e se afastaram para conversarem.

— Se ele estiver falando a verdade, isso realmente havia sido planejado. Por que matariam o senhor Lewis? Ele tinha inimigos, mas não creio que chegariam a tal ponto.

— Antes da cerimônia, ele me disse que há pessoas piores do que o assassino de meu irmão. E se o mataram para que não pudesse me dizer? Ele disse que te deu ordens para que me deixasse a par de um caso...

— Ainda não posso te passar as informações.

— Por que não?

— Lewis adiantou a parte burocrática o máximo que pôde, mas, apesar de já ter te passado o distintivo, apenas amanhã você será, oficialmente, o novo inspetor. Não se preocupe, amanhã de manhã o deixarei informado sobre o caso.

— Você acha que o caso tem ligação com o que houve hoje?

— Acredito que não.

Baekhyun refletiu e mandou que o guarda fechasse a cela, fazendo com que o suspeito começasse a protestar, mas o ignorou e saiu da ala.

A delegacia estava de portas fechadas para evitar que curiosos e jornalistas entrassem. Baekhyun aproximou-se de uma das janelas e abriu uma fresta para espiar a rua.

— O que irá fazer?

— Não tenho tempo a perder, não posso esperar até amanhã. — virou-se para Turner. — Ainda há curiosos em frente ao prédio. Distraia-os.

— O que irá fazer?

— Irei verificar a moradia.

— Irá invadir? Você ainda não...

— Eu sei! — olhou em volta para ver se alguém os ouvia. — Independente disso, ainda sou policial, não estou certo? Distraia os curiosos para que eu possa atravessar sem que me notem.

— Você irá se meter em encrenca.

— Não pior da que já passei.

Turner preferiu se calar e respirou fundo antes de sair da delegacia. Rapidamente, os jornalistas se aglomeraram em volta dele, fazendo perguntas sobre o que havia acontecido.

Enquanto o colega prosseguia com a distração, Baekhyun saiu do prédio e atravessou a rua. Ao chegar no destino, teve de forçar a porta para poder entrar e a fechou antes que fosse notado. Subiu as escadas devagar para que não fizesse barulho e, no andar que o atirador estivera, começou a vasculhar porta por porta até encontrar a moradia do suspeito.

Enquanto procurava por provas de que o homem na cela seria o assassino, um homem parou na porta da moradia e bateu a ponta do pé no chão para sinalizar que estava ali.

— Quando te vi atravessar a rua, pensei que fosse procurar pistas do assassino e não vasculhar a casa de um inocente.

— E quem é você?

— Não se preocupe, inspetor, sou um amigo. Pode me chamar de Lu Han. — esticou a mão em um cumprimento e esperou que o oficial também dissesse seu nome, mas nada ouviu e não teve o cumprimento retribuído. — Não ouvi seu nome.

— Eu não o disse.

Lu Han abaixou a mão e pigarreou.

— Aliás, o atirador estava na moradia ao lado. — apontou a direção certa com o polegar. — O cara que mora aqui está de passagem, aproveitando a época de caça.

— Como sabe?

O homem sorriu.

— É o meu trabalho.

— Jornalista. — fechou os olhos e respirou fundo ao vê-lo fazer sinal de que tinha acertado. — Saia daqui. Este prédio será cercado e vasculhado.

— Hum... receio não poder. Tenho algumas perguntas...

— Irei te levar como suspeito. — disse sem paciência.

— O quê?

— Você invadiu o prédio mesmo sabendo que é cena de um crime. Posso muito bem te prender por invasão e como suspeito.

— Entrei porque você invadiu primeiro.

— Sou policial, você não. Estou fazendo o meu trabalho.

— Eu também! — retrucou ao recuar alguns passos quando Baekhyun avançou. — Eu posso te ajudar a encontrar o que quer! É pegar ou largar!

— Largo.

— Mesmo se eu te mostrar isso? — levantou o punho fechado.

Baekhyun o encarou e rapidamente o imobilizou contra a parede, e pegou o que havia em sua mão.

— Onde encontrou?

— Onde você acha? Aliás, pode ficar. Quem sabe te ajuda.

— Se esta cápsula bater com a bala que matou o senhor Lewis, você será julgado por assassinato.

— Mas eu não...

— Cale a boca! Você está preso como suspeito pelo assassinato do inspetor Lewis.

O homem respirou fundo e preferiu não retrucar.

Enquanto o segurava para não fugir, Baekhyun procurou por uma corda e a encontrou dentro de uma caixa com armamento de caça em um canto da sala, e amarrou o novo suspeito. Encontrou também uma fotografia de uma família e reconheceu o homem que estava preso na delegacia.

Ao saírem da moradia, pararam em frente a moradia onde o atirador estivera e entraram. Baekhyun deixou o homem sentado e amarrado em uma cadeira e passou a observar o local com cuidado.

Da janela do cômodo de entrada, conseguia ter visão da rua e via perfeitamente a fachada da delegacia. Ao recuar, ouviu o som de algo pequeno e leve rolar pelo chão e o procurou, encontrando a segunda cápsula que constatou ser do mesmo modelo do qual o jornalista havia encontrado. Guardou-a no bolso e vasculhou o resto da moradia, constatando que ninguém morava ali fazia algum tempo.

Soltou o homem da cadeira e o levou consigo para a delegacia, chamando a atenção dos outros jornalistas que estavam na rua.

— Quem é ele? — Turner perguntou assim que Baekhyun fechou a cela de Lu Han.

— Jornalista. Ele estava no prédio e me deu isso. — mostrou uma das cápsulas e retirou a outra do bolso. — E encontrei essa na moradia onde o atirador estava.

— Por que o prendeu?

— Ele me seguiu. — disse enquanto caminhava para sua, futura, sala. Deixou os objetos que havia pego do jornalista em cima da mesa e encontrou seu cartão de identificação. — Lu Han, trabalha para o jornal Best.

— Irá falar com ele?

— Hoje não. Deixe ele refletir um pouco, amanhã faço perguntas. — guardou os objetos em uma gaveta da mesa e se aprontou para sair. — Irei verificar a situação de Agnes. Se precisarem de mim, estarei no hospital até o fim do dia.

Sem dizer mais nada, Baekhyun se retirou.

Chegando ao hospital, perguntou por Agnes Lewis e foi informado que ainda estava em cirurgia e orientado que aguardasse até que o médico o chamasse. Enquanto aguardava, Baekhyun adormeceu. Havia dormido mal durante a noite por causa da ansiedade pelo momento da cerimônia e, quando conseguia dormir, era atormentado por pesadelos do dia que ele e o irmão foram atacados, o que o privava de noites calmas.

Baekhyun acordou em um pulo quando uma mão tocou seu ombro. Sem antes verificar quem era, agarrou o pulso e torceu o braço para trás para, só então, ver quem era.

— Desculpe. — pediu ao ver que era o médico.

— Tudo bem. — Minseok disse calmo, apesar de sentir dor no braço. — Me informaram que estava esperando, vim avisar que Agnes já está no quarto.

— Posso vê-la?

— Sim, mas ela está dormindo, então não espere muita coisa.

— Só preciso vê-la. Qual é o quarto?

Minseok apontou para um corredor.

— No final. É o único quarto que está com a porta fechada. Tenho outros pacientes para ver, mais tarde eu passo lá.

Assim que o médico se retirou, Baekhyun foi para o quarto e encontrou a amiga na cama. Aproximou-se e deu-lhe um beijo na testa antes de sentar-se em uma cadeira ao seu lado e segurar sua mão.

— Eu avisei que era perigoso, Agnes. Me desculpe por não tê-los protegido.

No meio da tarde, Minseok foi ao quarto verificar como a paciente estava e surpreendeu-se ao ver que o detetive ainda estava lá. Ficou parado na porta enquanto Baekhyun recitava calmamente um texto que só reconheceu no final.


"E agora a história está pronta,

Desvie o barco, comandante!

Para casa!

O sol declina, já vai se retirar.

Alice! Recebe este conto de fadas

E guarda-o, com mão delicada,

Como a um sonho de primavera

Que à teia da memória se entretece,

Como a guirlanda de flores murchas que

A cabeça dos peregrinos guarnece."


— Não sei se devo me surpreender por você ainda estar aqui ou por ter decorado o poema. — fechou a porta e aproximou-se da cama. — Você está cansado, deveria ir para casa.

— Estou bem. — ao ver o olhar descrente de Minseok para si, segurou a mão de Agnes com mais firmeza.

— Por que estava recitando o poema? Se é que posso saber.

— É do livro favorito dela.

— Impressionante ter decorado.

— Meio difícil não ter decorar depois de ouvi-lo várias vezes. Ela gosta tanto do livro que meu irmão e eu... brincávamos que Agnes foi a inspiração para Alice ser criada. Claro que não é verdade.

— Óbvio. Qual é a sua ligação com ela?

— Somos amigos, a considero como irmã. Crescemos na mesma rua, nossos pais eram amigos e meu irmão gostava dela.

— Oh! Desculpe por ter dito que ela era sua namorada.

Baekhyun levantou os ombros, indicando desinteresse no assunto, e levantou-se.

— Se ela acordar ou algo acontecer, mande me avisarem.

Minseok observou o detetive sair e olhou para Agnes.

— Como você o aguenta?

Antes de ir para casa, Baekhyun passou no bar de Yixing para avisá-lo sobre o ocorrido. O chinês ficou preocupado e quis ver a funcionária, mas foi orientado que a deixasse descansar.

Chegando em casa, se despiu para se banhar e parou em frente ao espelho, observando o próprio corpo e a cicatriz. Tentou se segurar o máximo que pôde, mas as lágrimas foram mais fortes que seu controle e, encostando a cabeça no espelho, chorou sem se importar se poderia ser ouvido por alguém que passasse pelo exterior da casa.

Após jantar, deitou-se para dormir e, como sabia que não conseguiria fazê-lo logo, virou-se em direção da janela e ficou observando o céu escuro e carregado de nuvens que indicavam que a qualquer hora poderia chover. As horas passaram, já beirava duas da manhã quando desistiu de tentar dormir e levantou-se. Trocou de roupa, vestiu o sobretudo e o chapéu, e saiu de casa.

Nas ruas, o que se podia ver eram mulheres e rapazes jovens tentando ganhar algumas moedas com seus corpos e homens que usufruíam deles; alguns cachorros corriam atrás de gatos, ratos ou restos de alimentos; e bêbados dormiam no chão e eram roubados por aproveitadores. Baekhyun passou direto por eles com a gola do casaco levantado e o chapéu abaixado para esconder seu rosto, e só diminuiu o passo ao chegar onde sempre ia em busca de ajuda para dormir.

Entrou no prédio de fachada simples, ganhando olhares e cantadas das mulheres e rapazes que ali trabalhavam, mas eles não eram quem realmente precisava. O dono logo veio em seu encontro, sabia que ele não gostava de sua presença e que tinha medo de que poderia estragar seus negócios.

— Fiquei sabendo do que houve. Aceite as minhas condolências. — disse Wu e, vendo o assentir do detetive, continuou: — Sabe quem fez?

— Ainda estamos investigando.

— Entendo.

— Preciso vê-lo. Posso? — sustentou o olhar autoritário que ganhou, mas logo sorriu ao ver uma figura feminina aparecer atrás do homem. — Wen, meus olhos se enchem de alegria por vê-la.

A mulher, também chinesa, de cabelos longos e negros, arqueou uma sobrancelha e riu divertida.

— Cavalheiro como sempre, Byun. Veio vê-lo?

— Sim, senhora.

— Yifan, por que não deixou ele subir? — virou-se para a escada e chamou alto pelo funcionário.

— Wen, quantas vezes tenho de dizer que não gosto dele aqui?

A mulher revirou os olhos e sorriu para Byun.

— Não ligue para o meu marido. Pode subir, querido.

Baekhyun fez uma reverência e começou a subir, parando brevemente para ver a mulher puxar a orelha do marido.

Assim que chegou ao corredor, viu Kyungsoo sair do quarto para ir encontrá-lo e parar ao notar a sua presença. Aproximou-se do rapaz que o esperava, apoiou a testa em seu ombro e começou a socá-lo de leve no peito enquanto deixava que seus sentimentos transbordassem.

Kyungsoo passou os braços em volta dos ombros de Baekhyun e o abraçou.

— É melhor entrarmos. — disse baixinho e calmo. Baekhyun nada disse e deixou-se ser guiado para o quarto. — Eu soube do que houve. — segurou carinhosamente o rosto de Byun e o deu um beijo na testa. — Você precisa dormir.

Kyungsoo o despiu das botas e do sobretudo, largando a peça sobre a poltrona, e o conduziu para a cama. Deitou-se ao lado dele, sendo abraçado por ele, e começou a acariciar sua cabeça. Não demorou muito para que sentisse os braços aliviarem o aperto e, alguns minutos mais tarde, quando já chovia, pôde ouvir a respiração calma do detetive, que indicava que havia adormecido.


Enquanto que em uma rua no centro de Whitechapel ocorria um assassinato, no lado oeste uma carruagem estacionava em frente a uma mansão. Debaixo de chuva e em meio à escuridão, o Comissário desceu do veículo e atravessou o caminho até o interior iluminado da construção, onde foi recebido pelo homem de sua confiança.

— Está atrasado. — o homem comentou ao pegar o casaco molhado do patrão.

— Alguns trechos da estrada estavam ruins e tivemos que vir devagar para os cavalos não se machucarem. Hades chegou em segurança?

— Sim, senhor. Ele já está se familiarizando com o novo estábulo.

— Ótimo. Irei me banhar e dormir. Leve as malas para o meu quarto.

O homem fez uma reverência respeitosa enquanto o Comissário se retirava.

Já com roupas de dormir, o Comissário sentou-se à escrivaninha do quarto e abriu uma mala, retirando de dentro uma caixa de metal de onde, em meio a tantos papeis, retirou uma fotografia antiga.

— Onde você está?

Oct. 13, 2019, 9:09 p.m. 0 Report Embed 0
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GHyun . FICWRITER | VIXX | B.A.P. | MONSTA X | EXO |RANGERS | 07-GHOST | DOCTOR WHO | PERCY JACKSON| Nova cria de Hades | Discípula dos Mosqueteiros, Merlin, Doctor, Master/Missy, Loki, Sherlock Holmes e Alan Poe. Perfil no Spirit: https: //www.spiritfanfiction.com/perfil/ghyun Perfil no Wattpad: https://www.wattpad.com/user/GHyunFox Perfil no Twitter: https://twitter.com/GHyunFox

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