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bibelo Bibelo

Ele dizia que eu era seu favorito. Seu número um em sua lista, aquele quem ele dava atenção com frequência; aquele quem ele beijava na rua sem pudor ou decência. Eu era seu favorito aos Sábados. Durante os outros dias ele era livre. Não atendia telefonemas ou respondia mensagens, mas ao fim do dia se aproximava e flertava com piadas internas e sorrisos cúmplices de uma noite de prazer surreal.


Short Story Not for children under 13.

#lgbt #songfic #angst #relacionamento-tóxico #I'm-not-a-robot---Marina-and-the-Diamonds
Short tale
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You're Vulnerable

“You're vulnerable, you're vulnerable
You are not a robot
You're loveable, so loveable
But you're just troubled”


Ele era magnético.


Ele possuía uma espécie de imã que atraía a tudo e a todos. Uma fagulha no meio de um inverno sem luz; uma brisa numa manhã de verão escaldante. Era carismático, enigmático, um feiticeiro em corpo de anjo.


Seu sorriso era cativante. Sua risada quente e sedutora, tão atraente quanto uma sinfonia contando o mais cabuloso de seus segredos. O repuxar de seus lábios num sorriso cheio de histórias para contar e mentiras para inventar tinha seu toque de charme. Os lábios vermelhos e carnudos, umedecidos de tempos em tempos pelo passar de sua língua de canto a canto.


Seus olhos tinham a chave para a vida. Divertidos e cúmplices de suas próprias visões do mundo. Pareciam ter ligação direta com sua boca, expressando suas opiniões fortes e que geravam seguidores. Olhar penetrante e sedutor, envolvente no mais puro desejo e luxúria que um único corpo poderia guardar.


Seu andar, o mexer de seus quadris largos no ritmo dos passos como um dançarino, como um homem que sabe para onde vai. Nunca hesita, nunca falha. Nunca erra o compasso.


Sua voz, a voz que completava o conjunto. Melodiosa e fina, agradável de se ouvir e estar perto; rouca e sedutora quando sussurrava em meus ouvidos suas mentiras perversas; aguda e apelativa quando gritava meu nome.


Nicholas era um homem de vários charmes, várias perfeições que o deixavam desejável. Cobiça e luxúria envolviam ele em todo o momento. Nunca assumia compromissos, sempre com seus favoritos, mas disposto a novas descobertas. Novos sabores, novas pessoas para acreditarem em suas mentiras.


Ele dizia que eu era seu favorito. Seu número um em sua lista, aquele quem ele dava atenção com frequência, aquele quem ele beijava na rua sem pudor ou decência.


Eu era seu favorito aos Sábados.


Durante os outros dias ele era livre. Não atendia telefonemas ou respondia mensagens, mas ao fim do dia se aproximava e flertava com piadas internas e sorrisos cúmplices de uma noite de prazer surreal.


Durante os outros dias o cheiro de tabaco intensificava. Maços de cigarro em seu carro, seu quarto, seu bolso da jaqueta de couro. O cheiro impregnava em seus cabelos, sua essência.


E isso o tornava ainda mais belo.


Não possuía um padrão, um fetiche. Andava com as crianças mal amadas, as crianças abandonadas e rejeitadas; abertas para mentiras muito bem contadas e convidativas. Seus sorrisos nunca falhavam nos flertes e nas conquistas.


As noites, chorava no escuro da sala. A magia desfeita, o encanto quebrado. O sorriso se tornava em lágrimas e o carisma se tornava em desespero. Nico não entendia que ele era humano.


Que não era um robô.


Eu o compreendia. E por mais tolo que eu fosse eu o abraçava e consolava, ele sussurrava suas mentiras de sempre e eu as absorvia. E o ciclo sempre continuava.

Depois de um tempo eu percebi, quando as pílulas da casa começaram a sumir rapidamente e as faixas e gases aumentarem a quantidade, que eu também sou humano.


Não sou um robô.

Não sou um robô.

Não sou um robô.


Quando vou aprender a me sentir vivo novamente?


Ele era magnético. Como um predador enganando sua presa, preparando para o bote. Só para ser abatido também.


Pego em sua própria armadilha.


Nossos corações sangram, quebram, despedaçam. Os remendos são colocados, mas aos poucos a vida perde sentido e as mentiras são as únicas coisas nos movendo. A única coisa que nos mantém vivos. Corpos sem alma ou amor, só preenchidos com as mentiras e ilusões de um mundo sem cor.


Vivendo todos os dias iguais aos outros. Programados para quebrar no final da jornada sem linha de chegada. Sem esperança, sem medos.


Acho que somos robôs afinal de contas.

Sept. 20, 2019, 8:47 p.m. 0 Report Embed 2
The End

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