O Segredo do Kazekage Follow story

insaneboo Boo Alouca

De um lado, Gaara está tentando não se expor e nem ser soterrado por seus problemas pessoais, mesmo quando se vê sozinho, sendo obrigado a levar seu filho consigo para uma reunião em Konoha. De outro, sua atitude misteriosa ao fazer isso, chama a atenção dos outros Kages, fazendo Kakashi escalar Tenten, para agir como espiã durante a estadia do Kazekage na aldeia e descobrir o que o ele está escondendo.


Fanfiction Anime/Manga Not for children under 13.

#universooriginal #tenten #shinki #mistério #gaara #naruto #fanfic #aventura
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De volta à Konoha

Gaara


— Kazekage-Sama, nós estamos realmente atrasados...


Ergui o rosto para um dos jonnins que me acompanhava, quase o fuzilando com o olhar.


Pedi com um gesto clássico que fizesse silêncio, para só depois lhe rebater, aos sussurros.


O homem teve que se abaixar ao meu lado para entender o que eu dizia.


— Eu sei Korobi, mas não posso sacrificá-lo mais, só agora ele conseguiu dormir. Envie um recado pra Konoha pedindo desculpas. Informe que chegaremos mais tarde, preciso deixar que descanse pelo menos um pouco ou não vamos conseguir terminar o caminho.


Eu me referia à pequena criança dormindo em meus braços.


Faltava pouco para chegarmos em Konoha. E agora o caminho já tão conhecido, parecia dificultoso e extenso.


Era totalmente diferente, viajar sozinho e viajar com uma criança.


Mas não tive escolha a não ser trazê-lo comigo, quando justo no dia de uma reunião com os cinco Kages, por um infortúnio do destino, acabou não havendo ninguém de confiança disponível para ficar com ele.


Até mesmo meu irmão estava ocupado.


Aquela era a primeira vez que Shinki saía da aldeia e sua primeira viagem ser logo pra um lugar a três dias de distância, com uma diferença tão brusca de clima e costumes, não inspirava mesmo nenhuma ideia de facilidade. A dificuldade dele não me espantava.


Também era preciso adicionar a equação que desde bem antes de sairmos de casa, Shinki vinha tendo problemas pra dormir.


Sempre um pesadelo diferente, então começou a trocar o dia pela noite e até aquele momento, eu ainda não havia sido hábil em resolver isso.


Sequer tinha solucionado por completo meus próprios problemas com a insônia, tantos anos após a extração do Shukaku.


Korobi assentiu suspirando vencido e se levantando para cumprir a ordem recebida.


Claramente não concordava com a pausa, mas sabia que não podia contestar.


Yaoki, o outro shinobi que estava conosco, apareceu vindo de uma casa de chá próxima de onde estávamos, me estendendo um copo de uma bebida fumegante.


O retribuí com um agradecimento verdadeiro pelo cuidado. Eu não havia pedido que trouxesse nada, mas ele tinha uma avidez em ser atencioso comigo e com Shinki, que merecia toda a consideração possível.


Encontrar soldados providos dessa delicadeza desinteressada, no mundo shinobi e principalmente em Sunagakure, não era comum.


Sempre que me pegava observando com atenção esse tipo de detalhe, não podia deixar de me lembrar da primeira missão que fizemos juntos, de como nos conhecemos.


Eu decidi deixar a tutela de meus irmãos e seguir um percurso convencional, inspirado pelo caminho ninja do Naruto. Então fui colocado num time regular, onde virei o capitão de Yaoki e Korobi.


Ambos a princípio, quase morreram de medo por eu ainda ser o jinchuuriki do Shukaku e não ter conseguido provar direito até aquele momento, o quanto havia mudado.


Mas como já se tornou um costume da sociedade shinobi atual, Naruto e seu time resolveram a questão, os ajudando a me ver melhor.


Aquele dia foi a primeira vez que ninjas da Areia se referiram espontaneamente sobre mim, como amigos. Eles me reconheceram e lutaram por mim. De forma literal, quero dizer.


Não poderiam ser mais especiais em minha jornada, do que sendo minhas primeiras portas abertas rumo ao lugar que alcancei e jamais poderia esquecer isso.


Nossa relação se fortaleceu bastante com o tempo, assim que percebi que não teria Kankuro como companheiro de viagem, me apressei em chamá-los.


Eles dispunham de minha total confiança.


Porém não poderiam continuar a me escoltar durante o tempo que eu permanecesse em Konoha.


O assunto que eu iria tratar podia demorar, não existia uma previsão exata de quantos dias seriam necessários para solucionar a questão e eles se tornaram jonnins muito importantes para Suna.


Assim que eu cruzasse os portões da aldeia da Folha, estaria por minha conta e eles voltariam para seus postos numa missão de investigação na fronteira do país do Fogo com o país do Vento.


— Kazekage-Sama...


O tom cauteloso com que me chamou, despertando-me de meus devaneios, deixava bem claro suas intenções.


Yaoki, com o passar do tempo e a intimidade, adquiriu o péssimo costume de ser ousado demais ao entrar em assuntos pessoais.


— Entendo a sua situação, mas não pode permanecer o resto da vida abatido desse jeito...


Revirei os olhos, exasperado. O interrompi, pois já sabia muito bem onde isso ia dar.


— Não se preocupe comigo, vai ficar tudo bem. Não importa como eu me sinta, isso não afeta minhas responsabilidades.


Tentei desviar o foco, no fundo sabendo que eu mais precisava acreditar no que disse, do que convencê-lo.


Ele chegou a abrir a boca para rebater, mas não conseguiu dizer nada. Fomos distraídos por Shinki se remexendo em meu colo até se pôr sentado, esfregando os olhos.


—Pai... Onde estamos? A gente já chegou?


Só consegui pensar no tanto de trabalho que tive para fazê-lo descansar.


— Yaoki... — Comecei no que saiu quase rosnado. — Sai. Agora.


Abracei um Shinki ainda sonolento, desviando sua atenção e sibilando apenas para que o intrometido shinobi a minha frente, lesse meus lábios.


Ele se levantou rindo, sabendo que estava seguro, pois eu não lhe faria, nem diria, mais nada com Shinki entre nós.


E também não era de meu feitio atual, perder a calma ou agir destemperado com meus shinobis.


— Bom, pelo menos agora podemos seguir andando...


Tentou ainda risonho, me fazer ver um lado bom.


****


Tenten


— Ah, isso aqui fica tão chato sem todo mundo...


Lamentei mesmo sabendo que minha única companhia não estava me ouvindo.


— 1.524, 1.525, 1.526...


Lee falava alto, para não perder as contas de suas flexões.


Não havia praticamente ninguém na aldeia.


Grande parte dos nossos amigos, ou estava em missão devido a algum desentendimento na fronteira, ou tinha ido a uma festa luxuosa que o Daimyo do país do fogo ofereceu para de se inteirar melhor dos clãs nobres de Konoha.


Algo sobre estreitar as relações.


Dentre clãs nobres, obviamente, eu e Lee fomos uns dos que ficaram — Apesar de todo o discurso do Lee sobre o taijutsu ter sido tão importante na última guerra, quanto a herança de todos os clãs renomados.


Não fazíamos a mínima ideia de quando os outros voltariam, já que levaram a família toda, principalmente às crianças, porque o Daimyo prometeu uma ótima hospedagem, em troca de poder conhecer a nova geração.


Todos ainda eram pequenos demais para saber de qualquer coisa ninja, uma grande bobagem em minha humilde opinião.


E não só porque não fui chamada, podiam não ter gasto tanto dinheiro à toa.


— Tenten, até que enfim te achei!


Shizune chegou a me assustar, chegando de repente, esbaforida como se tivesse corrido muito.


— O Hokage-Sama tem uma missão especial pra você, me acompanhe, depressa, por favor! — Disse me levantando de onde estava e puxando pela mão, como se o mundo dependesse disso.


— Calma aí! — Finquei meus pés no chão, forçando-a a esperar. — Lee, nos vemos mais tarde?


Em qualquer outro momento, Lee teria cumprimentado Shizune em seu tom habitual — entusiasmado, atencioso e excessivamente educado.


Mas sua concentração para não perder as contas durante um treinamento, era única coisa que o fazia dispensar por breves momentos algumas de suas regras próprias de etiqueta.


Foi praticamente uma honra quando ele as parou por segundos, apenas para me responder:


— Ah… Me desculpe, Tenten. Prometi um treinamento de sobrevivência na floresta com o Metal. Vamos passar uns dias longe.


Treinamento de sobrevivência com uma criança tão nova? Lee chegava a ser insano com isso às vezes.


Porém, é claro que não foi o que eu disse.


— Tudo bem então, boa sorte! Mande notícias!


Tive de gritar a última parte, pois Shizune tornara a me puxar.


Não pude deixar de ficar chateada. Lee bem que podia ter me avisado antes. Agora, definitivamente estava sozinha no tédio.


Mas parando para pensar melhor, talvez ele tenha avisado. Algumas vezes...


Talvez também restassem esperanças. A tal missão podia ser interessante. Não era todo dia que me mandavam numa missão sozinha.


Soava como minha melhor chance.


— Será que pode pelo menos me contar alguma coisa, sobre que missão tão urgente é essa?


Perguntei já aceitando meu destino, inclusive com intenções de poder me amparar nele.


Shizune suspirou ponderando e enfim diminuiu o ritmo dos passos, para poder falar com mais clareza.


— É, acho que talvez isso adiante o Kakashi-Sama…


— E você adoraria vê-lo contente, não é?


Instiguei e ela estava tão entretida nos próprios pensamentos que me rebateu sem calcular.


— Claro!


Comecei a rir e ela percebeu o que tinha dito. Começou a se embolar tentando justificar, em vão, porque o tom escarlate que seu rosto assumia a entregava.


Todos já suspeitavam de que ela gostava dele, aguardávamos ansiosos, o dia em que eles se dariam uma chance.


— Mas sobre sua pergunta... — Shizune começou a mudar o foco. — O Kazekage está chegando para a reunião, Kakashi-Sama precisa que faça a escolta dele.


Quase engasguei com minha própria saliva.


— O Kazekage está mesmo vindo? Quando ele chega?


— Por que o espanto? Sabe que todos os outros Kages já estão aqui e que haverá uma reunião.


Ela me contestou com estranheza.


— Bom, sim, mas faz quase quatro anos que ele não pisa aqui. Desde o casamento do Naruto, recusa todos os convites que pode, achei que fosse simplesmente fazer o mesmo dessa vez e mandar o irmão como representante, de novo.


— Ele tentou. — Shizune começou a revelar. — Mas é obrigado a comparecer pessoalmente a uma reunião dos cinco Kages. Era isso, ou começar a estragar a boa relação diplomática que o pós guerra trouxe entre as grandes nações.


Entendi que não tinham muitas outras opções no momento, mesmo assim, já estava começando a se tornar uma coincidência e tanto, eu ser novamente escolhida pra mostrar a aldeia e acompanhar o Kazekage.


Não que eu quisesse reclamar. Gaara havia se tornado alguém muito interessante com o passar do tempo, podia-se inclusive dizer agradável.


Shizune acabou esclarecendo antes mesmo que eu perguntasse.


— Achamos que você seria uma boa escolha nessa missão, porque na última vez se deram bem, não foi? Sabemos também que não tem ressentimentos nem com ele pelo passado, nem com sua irmã Temari, já que convivem aqui amigavelmente hoje em dia.


— É, isso já passou. Ninguém mais tem, eu acho.


Concordei entendendo a referência ao exame chunnin de tanto tempo atrás, onde nos conhecemos e Temari foi desnecessariamente cruel em nossa luta.


Tanto, que o próprio Gaara a pediu que parasse.


Algo extraordinário já que ele não tinha muito senso de limites ou compaixão na época.


Mas também não foi grande coisa, comparado a todo o estrago que ele fez por aqui logo em seguida.


Não me estendi no assunto, me interessava mais que Shizune continuasse.


— Bom, como você mesma citou, ele tem andado... Sumido. Excessivamente reservado. O que é estranho vindo justo dele, que sempre prezou uma boa comunicação. Todos os outros Kages também estão preocupados. Não tem respondido cartas pessoais, sequer a dos amigos.


Traduzi essa parte em específico como “pedimos para o Naruto escrever alguma coisa”.


— Tememos que não esteja bem, que esteja escondendo alguma coisa. Há muitos rumores sobre isso, esperávamos que descobrisse. É importante para as outras nações estarem tranquilas a respeito de Sunagakure, e isso inclui as condições pessoais de quem assume um cargo tão alto como o de Kazekage.


Isto soava bem diferente da última vez. Errado até.


— Então a minha missão é me fazer de amiga dele e arrancar algum tipo de segredo? Não somos assim tão íntimos. Ele foi gentil na última vez que o vi porque aparentemente é como passou a ser, eu acho, mas… Não falaria algo do tipo pra mim e isso parece ruim.


— Sei o que parece, mas precisamos disso. Se pensar por outro lado, pode aproveitar para ser uma boa amiga de verdade e ajudá-lo, caso estejamos certos e ele esteja mesmo com problemas. Seria bom para todo mundo. Isso também vai evitar que as outras nações comecem a se tornar desconfiadas com ele, e conosco por termos uma aliança tão forte.


Ainda soava meio sujo. Um homem devia ter direito a ter seus segredos, sua intimidade, mesmo no contexto shinobi.


Mas também parecia que não me restava escolha.


Pairava incômoda no ar, a hipótese não dita de que se eu não fizesse, outro alguém faria, talvez com uma nova estratégia. Talvez um pouco pior.


— E não tem nenhuma informação que possa me ajudar a ter um norte para começar? Quatro anos de distância é muito tempo, tantas coisas devem ter acontecido...


Perguntei, me resignando.


Estava começando a preferir ter ficado entediada do que ter de cumprir essa missão, tão feia e interesseira.


— Bom, houveram rumores de que ele havia se casado. Acreditávamos que não era verdade porque ele nunca confirmou nada, mas…


Ela puxou o ar do mesmo jeito que fez um outro dia, quando especulávamos sobre uma teoria quase explosiva de uma saga de livros que estávamos lendo.


— Ele acabou de enviar uma mensagem se desculpando pelo atraso. E atribuiu isso a estar trazendo consigo seu filho.


— O que!?


Eu não poderia estar mais chocada. O tom que ela usou passou a ser perfeitamente compreensível, de repente.


— O Gaara teve um filho!?


Não que eu achasse impossível, não teria nada de anormal, aliás.


Parando pra pensar no que me lembrava dele, era inusitado sim, pra dizer o mínimo.


E então ficou claro, que aquela missão renderia muito mais emoção do que eu queria ter, quando desejei um pouco de agitação naquela manhã.


****


Notas finais

Se você chegou até aqui, meu grandiosíssimo muito obrigada pelo seu voto de confiança e por favor, me deixe saber o que achou nas reviews.

Referência sobre os shinobis que acompanharam o Kazekage, vide o episódio filler 182 de Naruto Shippuden, "o elo de Gaara".

Também recomendo para melhor entendimento do enredo da fanfic, que assistam o episódio 497 (também de Naruto Shippuden, óbvio rsrsrs), "o presente do Kazekage". Assim como a leitura da novel "Gaara Hiden: Uma miragem de tempestade de areia" (ou pelo menos um resumão do wiki, vai?).

Isso não é necessário para conseguir entender a fic. Mas essa compreensão a respeito de referências, fica potencializado.

Não se preocupem, vou me esforçar ao máximo para escrever de forma que não fique confuso pra ninguém.

Beijos de luz! Até a próxima e espero que isso seja logo! ❤

Sept. 17, 2019, 2:06 a.m. 0 Report Embed 1
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