O Segredo de Suna - Livro 1 Follow story

insaneboo Boo Alouca

Alguns anos após a guerra ninja, a aldeia de Suna enfrenta alguns problemas com o conselho. Como se isso já não bastasse para o Kazekage, Temari e Shikamaru que há não muito tempo se casaram, precisam ir juntos a uma missão para Konoha, deixando o bebê Shikadai que está doente aos cuidados do tio, mas ele começa a piorar e Gaara recebe a ajuda insistente de Matsuri. Juntos descobrem que há um segredo em Suna que pode ser a salvação de Shikadai. E isso acaba desenrolando muito mais do que podiam imaginar.


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Desafio inevitável

— Eu já falei que NÃO Shikamaru! Não sou a melhor pessoa pra isso, parem de insistir!


Exclamei enquanto me levantava bruscamente, empurrando a cadeira para trás.


A conversa já se estendia por tempo demais, o que estava me fazendo perder o controle e a calma, deixando transparecer o quanto me alterava aquele pedido.


Mesmo com toda minha recusa, eles permaneciam ali, inflexíveis, de pé em frente à minha mesa.


Mas eu não era o único que me sentia farto.


Temari bateu com toda a força em minha mesa, derrubando uma série de papéis e objetos no chão. Documentos importantíssimos, e ela sabia, que eu certamente levaria bastante tempo para colocá-los em ordem novamente.


O barulho fez com que Shikadai acordasse assustado no colo de seu pai e começasse a chorar, o que só serviu pra deixar o ar da sala ainda mais tenso.


Revirei os olhos e descruzei meus braços, deixando-os cair pesadamente ao lado do corpo. Seja lá o que Temari ia dizer, eu já estava começando a desistir de meus argumentos.


— Gaara, não seja cruel! — Podia-se ver suas veias saltando na testa, enquanto tentava me explicar mais uma vez — Você é nossa única opção. Sabe muito bem que não podemos confiar Shikadai a mais ninguém. Konoha precisa de nós, o recado do Kakashi foi específico, ele precisa das minhas habilidades e as do Shikamaru combinadas. Você não pode negar o pedido do Hokage e quebrar a aliança!


— Não estou tentando negar o pedido do Hokage, estou tentando negar o seu.


Rebati incisivo e despeitado, tentando retornar ao meu autocontrole habitual.


Temari parecia prestes a explodir, mas percebi Shikamaru tocar suavemente seu braço e lhe transmitir um seguro olhar de calma.


Em seguida, redirecionaram seus olhares de um para o outro na minha direção enquanto eu silenciosamente admitia a mim mesmo, o quão irracional era minha atitude.


Quando Temari disse que não podiam confiar Shikadai a qualquer um, estava coberta de razão.


Ele precisava de alguém que pudesse assegurar com absoluta certeza a sua segurança. Por mais que me doesse, mesmo já sendo Kazekage há sete anos, ainda faltavam muitas tradições e pensamentos antiquados para quebrar.


Os parlamentares do conselho ainda se opunham a mim, talvez principalmente pelas medidas que consegui implementar de forma permanente após o fim da Quarta Grande Guerra Ninja.


Sabia que se sentiam ameaçados por eu estar trazendo uma perspectiva nova que quebrava o passado ao qual se agarravam.


E estavam cobertos de razão nesse sentido.


Minha intenção de fato era dissolver as tradições e criar algo totalmente diferente.


Para que Sunagakure nunca mais gerasse monstros como aquilo que eu costumava ser.


Mas o caso era que esses mesmos anciões parlamentares que desaprovavam minha forma de governar, desaprovavam, em segunda instância, o casamento da Temari com Shikamaru.


E repudiaram mais ainda o nascimento do Shikadai.


Ser meu sobrinho e a única criança diretamente ligada a mim até o momento, fazia dele o sucessor mais lógico a cadeira de Kazekage, já que todos os esforços do conselho para forçar a mim ou ao Kankuro a nos casarmos com uma conterrânea, não obtiveram sucesso.


Não me orgulhava nada disso, porém estava ciente dos desafios quando me dispus ao cargo e não cheguei a me iludir achando que a união da guerra duraria para sempre.


Isso só foi válido para quem esteve no campo de batalha, para aqueles que não ouviram apenas histórias e sim, sentiram a necessidade da aliança com suas vidas.


Para estes velhos cruéis que apenas ficaram aqui escondidos em suas cadeiras, tudo foi apenas uma estratégia e agora as coisas deviam retornar ao que sempre foram.


O fato é que queriam a aliança estreita com Konoha, tanto quanto a temiam e Shikadai lhes parecia uma oportunidade para que Konoha pudesse influenciar Sunagakure de dentro.


Uma completa besteira na minha opinião, mas eles acreditarem nisso e serem influentes o suficiente para que Shikamaru já tivesse sofrido diversas tentativas de ataque durante suas estadias em Suna, assim como a própria Temari, mesmo sendo minha irmã, mesmo enquanto estava grávida, era um problema.


Acabei perdendo o antigo hábito de contar as vezes em que eu mesmo, fui alvo de coisas do tipo.


Temari me conhecia muito bem e Shikamaru era um perfeito gênio da percepção e estratégia. Por mais sério e inexpressivo que eu estivesse, eles já mostravam sorrisos vitoriosos. Minha reflexão não passou despercebida. Eu sentia que eles podiam ler meus pensamentos tão claramente que chegava a ser incômodo.


Olhei de soslaio para a criança no colo de Shikamaru. Tinha uns oito meses, tossia bastante e constantemente estava com febre. Havia tido mais uma vez essa manhã.


Ainda não se acostumara a oscilar tanto entre o clima de Suna e o de Konoha, mais um motivo para que quisessem que o menino ficasse dessa vez, além dos riscos óbvios de uma viagem em missão.


Eu sabia de tudo aquilo, e não era como se eu não gostasse do meu sobrinho ou de ficar com ele. Eu o amava, e muito. Mas pela primeira vez Kankuro não estava na aldeia e eu ficaria completamente sozinho com a responsabilidade de um bebê.


Não conseguia evitar, nem controlar, era uma ideia apavorante.


De todas as minhas habilidades, esse tipo de cuidado certamente não se incluía. Não era algo com o que estivesse acostumado, ou achasse que seria bem sucedido.


Mas Temari estava correta como sempre. Eu estava sendo um maldito cruel e egoísta.


Suspirei pesadamente, estiquei os braços e Shikamaru depositou seu filho neles, com um sorriso aliviado. Provavelmente por estar, assim como sua esposa, certo como sempre.


Talvez até tenham apostado antes de entrar ali, quanto tempo eu levaria para ceder.


Tinha certeza de que eles sabiam que eu acabaria cedendo, o que no fundo só me fez ficar feliz.


Não há prova de confiança maior para uma pessoa com um passado como o meu, do que alguém depositar seu bem mais precioso em minha confiança.


Temari deu a volta na mesa que a poucos minutos esmurrara, chutando ainda mais para longe meus papéis que havia espalhado pelo chão. Ignorando meus protestos por isso, enroscou seus braços em meu pescoço, se permitindo ficar ali por um tempo.


Murmurou em meu ouvido um sutil “obrigada”, me deixando sem ação.


Shikadai ria daquele momento gostosamente, fazendo Shikamaru dar um raríssimo sorriso bobo para o filho, tão raro que eu nunca havia visto e tão rápido que eu me peguei pensando se foi mesmo real, ou acabei imaginando aquilo.


Temari então me deu algumas recomendações enquanto brincava com o bebê em meu colo despedindo-se. Ainda era assustador ver esse lado dela. Depois foi direto ao canto da sala aonde estava seu leque, pegou-o e cruzou a porta sem olhar para trás, o que deve ter feito para não desistir de deixar o filho, algo que eu imaginei por uma sombra no seu olhar, ser muito difícil.


Saiu apressando o Shikamaru que antes de partir atrás dela, bateu em meu ombro dizendo:


— É só um bebê! Você já venceu coisas mais complicadas. Talvez seja uma ótima oportunidade, para aprender algo novo...


****


O dia parecia estar se arrastando desde que Temari e Shikamaru deixaram a sala.


Cheguei até mesmo a tirar o relógio da parede, pois percebi que ficar olhando pra ele de cinco em cinco minutos só estava me deixando mais irritado.


Sentia que não importava o quão empenhado eu estava em sair daquela sala, simplesmente aparecia mais alguma coisa que pedia certa urgência em ser resolvida.


Shikadai já havia dormido e acordado duas vezes, mas entre esse tempo, ficara sentado em um canto do tapete ao lado de minha mesa, rodeado pelos brinquedos que sua mãe deixou, porém, eles não pareciam ser o suficiente para lhe distrair.


Até que o vi brincar um pouco, mas acho que acabou perdendo a graça, uma vez que ele já havia desvendado os mistérios de cada um.


Ele tinha muito do Shikamaru em minha opinião.


Entendo que Temari e Shikamaru não tiveram escolha, porém não conseguia evitar de me perguntar, se minha irmã imaginava o que eu sentia naquele momento.


Não conseguia evitar apesar de saber que era uma grande bobagem.


Sabia que Temari agora me entendia.


E o que me fez chegar nessa resolução, foi termos ficado cada vez mais próximos, depois dos acontecimentos daquela fatídica tarde.


A tarde em que Naruto me salvou de mim mesmo. A tarde mais importante da minha vida, a qual, sem dúvidas, eu devia todas as minhas conquistas seguintes.


Graças a isso, pudemos ter várias conversas honestas ao longo desses anos.


Temari com certeza sabia que eu estava pensado em Yashamaru e em nosso pai.


Eu amava Shikadai e ansiava ser uma boa referência para ele. Quero que fosse tão feliz quanto alguém possa ser.


Mas eu mesmo não tinha boas referências para me amparar.


Olhar para Shikadai, sozinho comigo naquela sala, me deixava completamente apavorado.


Porque fazia o vazio de nunca ter conhecido certas coisas, tão básicas e simples, mas de suma importância na vida, tangível de repente, a ponto de se tornar um desconforto físico. Como um embrulho na boca do estômago.


Eu realmente pensei por um minuto que após a conversa que tive com meu pai durante a guerra, eu nunca mais sentiria esse aperto angustiante no peito.


Mas pelo visto o tal remédio do qual falara Yashamaru, não é de dose única. Precisa ser tomado novamente de tempos em tempos.


Esclarecer os acontecimentos, não muda o fato de que eles aconteceram e foram terríveis. Não apaga as marcas que deixaram e nem reconstrói como mágica, a forma como me moldei diante delas.


Constantemente me assombrava em silêncio o sentimento de que nada eu fizesse, podia enterrar meu passado como eu gostaria.


Nem mesmo toda a areia do deserto.


Porém eu estava disposto a tentar ignorar esse pensamento pessimista. O presente não era sobre mim. Eu precisava ter foco.


E esse foco, era proteger o Shikadai, ainda que custasse a minha vida.


Em meio a tudo isso, apenas esperava conseguir expressar para ele, o quanto era amado.


Mesmo que eu ainda não tivesse desbravado completamente o amor.


Fui arrancado de meus devaneios por Shikadai.


Na verdade, eu estava tão tenso e retraído, que cada pedaço meu estava na defensiva — O que quando fora do meu controle, desperta a vontade de minha mãe impregnada na areia.


Eu não imaginava, até aquele instante, que estava tão nervoso a ponto de estar descontrolado. Desde que meu treinamento em taijutsu com Shira havia começado, fazia muito tempo que esse tipo coisa não me fugia do domínio.


Repreendi duramente a mim mesmo, depois de passado o susto.


Ele já estava resmungando havia algum tempo, depois que enjoou de tanto engatinhar analisando a sala. Como eu permanecia distraído com os cotovelos sobre a mesa e o queixo apoiado em minhas mãos entrelaçadas, ignorando seu pedido de atenção, ficou irritado, agarrou um livro que ficava por acaso, na parte baixa da estante a qual estava próximo e o arremessou em minha direção.


Algo que eu só entendi ao ver uma barreira de areia se levantar ao meu lado.


Era apenas um livro, então ela rapidamente cedeu e o objeto caiu fazendo um baque surdo no chão.


Minha preocupação mal conseguiu se formar e foi dissipada pela gargalhada gostosa e contagiante de bebê que meu sobrinho entoava, me fazendo suspirar de alívio por ele não ter ser assustado.


Aquilo me fez lembrar muito o Kankuro. Inicialmente, quando éramos bem pequenos, Kankuro adorava me ver manipular a areia, vivia me pedindo para fazer isso ou aquilo.


Mas a insistência de meu pai em nos afastar, acabou minando isso por um longo tempo.


Shikadai parecia ter gostado tanto, que agarrou outro livro com suas ágeis mãozinhas e repetiu o feito numa outra direção. Dessa vez, criei a barreira de areia conscientemente, sendo novamente recompensado com sua gargalhada entusiasmada.


Quando notei que se preparava para o terceiro livro, não pude conter um pequeno sorriso de lado enquanto o impedia, criando uma extensa mão de areia que o envolveu e trouxe para meu colo, feliz e sorridente pela sensação de flutuar.


Acho que Temari tentaria me matar se visse aquilo, mas não pude me conter, adorava vê-lo rindo.


Segurei-o firme com os braços um pouco esticados de modo a olhar bem para seu rosto.


Aproveitei a segurança de estarmos sozinhos e do fato de ele ser só um bebê, que obviamente não poderia me responder, para ser sincero.


— Desculpa Shikadai, eu sei que deve estar com saudades do Kankuro. Ele leva mais jeito, eu sei... E é menos ocupado também. Mas estou me esforçando, e talvez ele até volte antes dos seus pais.


Isso não foi exatamente perfeito, porém foi o melhor que pude fazer.


Minha atenção então foi bruscamente roubada para um burburinho no corredor.


Apertei Shikadai em meus braços, estava tão receoso de tudo aquele dia, que chegava temer ter um colapso, coisa que aliás, não espantaria ninguém se tratando de mim.


Ouvi os guardas tentando argumentar, pensei em usar meu terceiro olho ao invés de ir até lá com o bebê, mas também achava que podia estar sendo precipitado e até um pouco paranoico.


Já estava tirando essas ideias da cabeça, quando a maçaneta fez barulho.


Apoiei Shikadai totalmente no braço direito e estiquei o esquerdo. Estava pronto para atacar se precisasse. Afinal de contas, ninguém, entra na sala do Kazekage sem bater.

Aug. 31, 2019, 3:11 a.m. 0 Report Embed 0
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