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teffychan Steffanie Pinheiro

Cinco anos após a partida de Shino para o País Mizu, o vampiro decide voltar de repente por um simples motivo: Seu Clã perdeu todas as posses e não tem mais para onde ir. Kiba se vê em um dilema: Ajudar seu primeiro amor, que está diante de uma crise financeira, ou manter as regras que tanto o seu Clã quanto o dos vampiros mantiveram durante séculos de não invadirem os territórios um do outro. Mas, lá no fundo, Kiba tinha suas suspeitas de que Shino tinha outros motivos para ter voltado para Konoha tão de repente…


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Capítulo Único

Notas Iniciais:

Essa história é uma continuação da oneshot "Apenas Uma Noite".



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O país de Konoha costumava ser habitado por lobisomens e vampiros. Embora as duas raças não fossem lá grandes amigas, elas conseguiam conviver em paz, dividindo o território. Os lobisomens viviam no norte e os vampiros moravam no sul. Sempre foi assim durante séculos. Até o dia em que Shino tornou-se o sucessor do líder dos vampiros. Ele era muito jovem e ainda não tinha controle total sobre os morcegos do Clã, o que gerou uma pequena confusão com os lobisomens. Felizmente não aconteceu nenhuma guerra entre os dois Clãs. Pelo contrário; aquilo só fez com que Shino se aproximasse mais do que pretendia de Kiba, o líder atual do Clã dos lobisomens. E, depois de passar apenas uma noite ao lado dele, viu-se obrigado a partir. Afinal, ninguém aprovaria um romance entre um vampiro e um lobisomem.

Cinco anos se passaram após a partida de Shino e seu Clã. Konoha agora pertencia aos lobisomens, mas Kiba insistia para que todos continuassem vivendo apenas no norte e não ocupassem o lado sul do país, mesmo que não tivesse mais ninguém morando lá além dos humanos. Sabia muito bem que era impossível, mas não conseguia deixar de nutrir uma pequena esperança de Shino voltar um dia.

E, para a surpresa do lobisomem, as esperanças de Kiba provaram-se possíveis naquela noite. Depois de uma boa caçada, ele voltava para casa sem pressa, conversando com seu melhor amigo e braço direito Akamaru, quando avistaram uma silhueta magra na rua que levava até o esconderijo deles. A figura usava um capuz, escondendo parcialmente seu rosto, mas aquele cheiro era inconfundível.

— Ei, Kiba — Akamaru chamou, farejando o ar — Parece que alguém encontrou o nosso esconderijo. E o cheiro desse cara é bastante familiar.

— Shino — Kiba chamou, sem dar atenção ao amigo. Ele andou lentamente até onde a silhueta estava. Não tinha como confundir aquele cheiro. Suas suspeitas provaram-se verdadeiras quando ele chegou perto o suficiente para que Shino conseguisse ouvi-lo. Ele retirou o capuz, revelando seu rosto pálido. Não tinha mudado nada nesses cinco anos. Bem, é claro que não tinha, era um vampiro afinal — Shino, o que… o que está fazendo aqui?

— Oi, Kiba — ele abriu um ínfimo sorriso — Há quanto tempo.

— É… faz tempo mesmo — Kiba não conseguia sequer formular uma frase decente. Sua cabeça dava voltas, tentando absorver a informação. Shino estava de volta? Dessa vez para valer? Espere, ele não podia se iludir. Tinha sido muito difícil parar de pensar nele, e Kiba nunca conseguiu esquecê-lo por completo. Não queria começar a criar esperanças à toa outra vez — Então… aconteceu alguma coisa? O bilhete que você me enviou dizia que você estava indo para o País Mizu… por que veio até aqui?

— É o que eu também gostaria de saber!— Hinata, a vampira braço-direito de Shino exclamou, surgindo aparentemente do nada — Por que viemos até o norte ao invés de voltarmos para casa, hein Shino?

— Caramba, que susto, criatura! Quer me matar do coração, é? — Akamaru exclamou, pulando para trás.

— Estou vendo que você continua o mesmo escandaloso de sempre — ela estreitou os olhos para Akamaru.

— E você continua a mesma rabugenta de sempre! — ele retrucou.

— Eles vão começar a tentar se matar de novo… não estou com paciência para isso — Shino revirou os olhos — Podemos conversar em outro lugar?

— Claro… — Kiba subiu o resto da ladeira, com Shino em seu encalço, e olhou para trás antes de dobrar uma esquina. Hinata tinha sacado algo que lembrava uma adaga e Akamaru rosnava, ameaçando assumir sua forma lupina. Shino estava certo, eles iam começar a tentar se matar de novo. Decidiu deixar o assunto de lado e guiou o vampiro por algumas ruas desertas, passando pelas casas dos amigos que ele sabia que, ou já estavam dormindo àquela hora ou estariam bem longe dali, na farra, e só voltariam na manhã seguinte. Finalmente chegou à própria casa, um tanto maior do que as demais, e abriu espaço para Shino entrar.

— Bela casa — Shino comentou, olhando ao redor com curiosidade, enquanto Kiba se dirigia à cozinha.

— Valeu. Mas você já conhecia, não é? Ficou me espionando durante sei lá quanto tempo, seu stalker — ele resmungou, remexendo na geladeira.

— Nossa, você ainda está pensando nisso? São águas passadas, não faz bem para o coração guardar rancor, Kiba — Shino falou como se não fosse nada.

— Ah, é? — Kiba voltou para a sala, trazendo um copo cheio de líquido vermelho-escuro — Bom, vamos fazer o seguinte então: Vou me transformar em lobo e começar a te seguir com outros lobos do meu Clã. Você nunca vai saber quem está te seguindo, eu ou um lobo comum. Vamos ver como você vai se sentir.

— Se me lembro bem, vocês lobisomens ficam sem roupa depois que transformação se desfaz, não é? — Shino recordou, fazendo Kiba corar involuntariamente — Acho que eu adoraria ser seguido por você.

— Ah, cala a boca, seu stalker pervertido! — Kiba empurrou o copo para as mãos dele — Toma. Tinha um baita pedaço de fígado cheio de sangue na geladeira. Não faço ideia se está bom, já que boi não acabou de ser morto.

— Sangue é sangue — Shino deu de ombros, bebendo o conteúdo até a metade.

— E então? Vai me contar o que está acontecendo ou você só veio aqui torrar a minha paciência?

— Hinata te entregou meu bilhete antes de eu partir, certo? — Shino perguntou após alguns minutos em silêncio.

— Sim. Dizia que você ia partir para o País Mizu, onde moravam os seus ancestrais, para aprender a se tornar um líder melhor.

— Bem, eu aprendi — Shino respondeu — Do pior jeito.

— O que? Como assim?

— Digamos que eles tentaram me ensinar a governar de um jeito errado — Shino respondeu de modo vago, mas o olhar insistente de Kiba dizia que era óbvio que ele não se contentaria apenas com aquilo — Kiba, o modo como o líder do País Mizu governa… é terrível. O líder de lá é descendente de uma família real que eu nem conhecia. Então ele faz com que os outros vampiros do Clã busquem não apenas alimento para ele, mas também outras coisas desnecessárias para vampiros. Ouro, joias… nós não precisamos de nada disso para viver. O pior é que ele mesmo não faz nada, só dá as ordens — ele falava de cabeça baixa, encarando o conteúdo avermelhado do copo, sem realmente vê-lo — Sem falar nas obras intermináveis que ele está fazendo na própria mansão, sempre querendo deixa-lá maior do que já é, enquanto que alguns vampiros do Clã nem tem onde morar… quando percebi como era errado o jeito que ele governava, tentei dizer isso a ele, mas de nada adiantou. Então, quis voltar para Konoha, mas não deixaram. Insistiram que eu e meus companheiros deveríamos ficar lá e aprender o “jeito certo” de lidar com os outros vampiros… só então eu decidi fingir que concordava com tudo o que ele dizia para que me deixasse ir embora.

— Não pode ser… não acredito que exista gente assim! — Kiba levantou-se, empurrando a cadeira com violência — Isso é tão errado… esse cara só está se aproveitando do posto de líder para oprimir os outros vampiros! Eu vou dar uma lição nesse cara…

— Kiba, espera — Shino atravessou a sala como um raio e segurou o lobisomem pelo braço, que realmente parecia desejar espancar o líder dos vampiros do País Mizu naquele exato momento — Isso não tem nada a ver com os lobisomens. Não tem porque você ir até lá.

— Bem, se é isso o que você acha, então por que veio me procurar afinal? — ele exclamou enraivecido.

— Porque foi você quem me ensinou a como liderar um Clã. Você sim é um líder decente, Kiba — ele respondeu, e a raiva do lobisomem passou como em um passo de mágica — E também… o tempo que eu passei no País Mizu nos causou outro grande prejuízo: O antigo castelo no sul de Konoha onde o meu Clã costumava morar foi completamente saqueado.

— O que?! — O queixo do lobisomem caiu — Ah, nem vem. Eu dei ordem a todos os meus companheiros para que ficasse bem longe do lado sul do país. E confio em todos eles, então vá colocar a culpa em outra…

— Não foi isso que eu quis dizer! — Shino interrompeu — Foram os vampiros do País Mizu. Eles invadiram meu antigo castelo e levaram tudo que tivesse valor. Por isso me mantiveram lá durante tantos anos. Para terem tempo de fazer isso.

— Nossa, mas os vampiros não prestam mesmo, hein — Kiba comentou depois de alguns segundos em silêncio — Stalkers, ladrões, corruptos… o que mais? Por favor, não me diga que são pedófilos também.

— Não tem graça — Shino reclamou — O fato é que precisamos de um lugar para ficar, e o lado sul do país está praticamente destruído. Por isso vim pedir sua ajuda.

— Espera… você quer ficar aqui?! — Kiba exclamou, só então caindo a ficha. Ele ficou em silêncio durante longos segundos. Não queria dizer “não” para Shino, mas aquele era um pedido complicado. Devia haver centenas de vampiros, e Kiba não tinha certeza se havia espaço para abrigar todos. E, mesmo se houvesse, duvidava que seus amigos fossem gostar daquela ideia — Olha Shino… você sabe que lobisomens e vampiros nunca foram melhores amigos, não é? Sem falar que deve haver… o que, centenas de vampiros no seu clã?

— São mais de oito mil.

— O que?! — Kiba arregalou os olhos — É, não vai caber todo mundo.

— Relaxa, não estou pedindo para você abrigar todos os vampiros. A maioria está trabalhando para reconstruir o lado sul do país nesse exato momento — Shino explicou — Mas eles precisarão de descanso, então irão se revezar na tarefa. E temos o problema do sol.

— Ah… — Kiba balançou a cabeça, compreendendo melhor a situação. Tinha se esquecido completamente que vampiros e sol não eram compatíveis. E a última coisa que ele queria era ver churrasquinho de Shino — Tudo bem, vocês podem ficar… se forem poucos. E vou ter que conversar com meus companheiros antes de vocês virem se hospedar aqui. Quem vai vir além de você?

— Eu, a Hinata, o Sasuke…

— É claro que ela vem — Kiba resmungou.

— Desculpe, mas a Hinata é meu braço direito.

— Eu entendo. É a mesma coisa com o Akamaru — Kiba franziu a testa, como se só agora estivesse se lembrando de alguma coisa que deveria ser importante — Pensando bem… não está muito quieto lá fora?

— Ah, é mesmo. Aqueles dois estavam brigando — Shino lembrou. Kiba saiu de casa e desceu a rua. Shino foi atrás dele — Espero que eles não tenham se matado de verdade.

— A Hinata tecnicamente já está morta. Estou preocupado é com o Akamaru — Kiba respondeu. Caminharam mais alguns passos até que avistaram a vampira deitada de bruços no chão, e Akamaru em sua forma lupina, com as patas dianteiras em suas costas, impedindo-a de se levantar, uivando triunfante — Que bom. Ainda estão vivos.

— Shino! — Hinata chamou ao avistar o vampiro — Tire esse lobisomem pulguento de cima de mim, por favor!

— Olha só, se a Hinata ficar ofendendo o meu amigo eu não vou deixar ela ficar não, hein — Kiba avisou.

— Hinata, comporte-se e pare de implicar com ele — Shino pediu.

— Parar? Mas foi ele quem começou! — a vampira exclamou — Anda, sai de cima de mim! Ela acertou um chute em Akamaru, que recuou, deixando que ela se levantasse.

— Ah, parem com essa palhaçada vocês dois e se beijem logo — Shino revirou os olhos.

— O que?!— Kiba o encarou confuso, e depois olhou para o amigo e para a vampira mais confuso ainda. Hinata gaguejou alguma coisa incompreensível, transformou-se em morcego e voou para longe. Akamaru latiu uma enxurrada de insultos e correu para a direção oposta — Ei! Como se atreve a falar assim com o seu líder? Tenha mais respeito, seu idiota!

— O que foi que ele disse?

— Nem queira saber — Kiba bufou enraivecido — E o que deu na sua amiga afinal?

— Ah… não parece, mas a Hinata é meio tímida — ele virou-se para encarar melhor o lobisomem — Kiba — ele chamou, fazendo com que a atenção do rapaz se focasse apenas nele — Apesar de toda a desgraça que me abateu nesses cinco anos, tem ao menos um lado bom.

— Ah… é mesmo?

— Sim — Shino levou a mão até o rosto do rapaz e afagou sua bochecha — Graças aos problemas que aconteceram no lado sul do país, poderei viver algum tempo perto de você.

— Shino, você sabe que…

— Eu sei que ainda te amo. Apenas isso — ele se inclinou e roubou um selinho de Kiba — Boa noite — ele transformou-se em morcego também e voou para longe, fazendo Kiba esquecer completamente de suas responsabilidades como líder.




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Kiba pensou que daria muito trabalho acomodar os novos hóspedes, mas no fim das contas nem foi tão difícil assim. Foram apenas meia dúzia de vampiros para lá, que se revezavam entre dividir o espaço com os lobisomens e ajudar na reconstrução do próprio território. O maior problema mesmo foi convencer seus companheiros a aceitar a presença dos vampiros ali, mesmo que temporária. Eles nunca foram inimigos realmente, mas como também nunca interagiram entre si, era natural que estranhassem ter que conviver diariamente com outra raça assim tão de repente. Mas como Shino estava sempre presente para tomar conta dos outros vampiros para que não fizessem nem falassem nenhuma bobagem, as duas raças aprenderam a conviver entre si.

Também havia esse detalhe. Apesar de ter concordado em ajudar, Kiba não imaginou que Shino estaria presente todos os dias durante a estadia dos vampiros em seu território. Uma semana depois dos vampiros terem se instalado no norte, o rapaz começou a desconfiar que Shino tivesse feito isso de propósito, apenas para se aproximar dele. Quando completou duas semanas, suas suspeitas começaram a se transformar a uma quase certeza, mas ele ainda precisava de um empurrãozinho.

— Mas é óbvio que ele está fazendo isso de propósito! — Naruto, um dos lobisomens mais tagarelas do Clã, exclamou quando Kiba precisou de uma segunda opinião — Será que não percebe que ele só está querendo se aproximar de você?

— Acha mesmo? — Kiba perguntou.

— E você acha que teria outro motivo para apenas o Shino continuar aqui todos os dias e os outros sempre se revezarem? — Akamaru perguntou.

— Mas não é apenas ele! Aquela mulher irritante, a Hinata, também tem passado bastante tempo aqui — Kiba lembrou, embora soubesse que Hinata não ficava todos os dias como Shino — E também aquele vampiro emo…

— O Sasuke? — Naruto perguntou.

— Esse mesmo — Kiba respondeu — Ele tem passado bastante tempo aqui nos últimos dias. A Hinata eu entendo, ela é o braço direito do Shino. Mas e aquele cara?

— É um mistério — Naruto começou a assobiar.

— Enfim — Kiba voltou ao ponto principal — Se o Shino estiver fazendo isso tudo de propósito, como vocês dizem… acham que o objetivo é…?

— Você quer mesmo que eu responda? — Akamaru ergueu uma sobrancelha, fazendo o amigo corar — Olha Kiba… não quero te dizer o que fazer, mas acho que você deseja a mesma coisa que o Shino, não é? Então parem de enrolar e resolvam logo isso.

— Pois é! Aposto como eles estão enrolando com a obra do lado sul de Konoha de propósito, só para o Shino poder passar mais tempo com você! — Naruto concordou.

— Só para constar… vocês se lembram de que ele é um vampiro, não é? Então, vocês… não se importam? — Kiba perguntou só para ter certeza — Quero dizer, um lobisomem e um vampiro juntos. Já foi um sacrifício do caramba convencer os outros a deixar os vampiros passar um tempo aqui, mas isso é temporário. Mas eu e o Shino… isso é completamente diferente.

— Relaxa, cara — Naruto sorriu — Acho que todo mundo aqui já conviveu tempo o suficiente com os vampiros para saber que eles são gente boa.

— E, desde que eles não suguem o nosso sangue, para mim está ótimo — Akamaru acrescentou. Naruto apontou para ele, balançando a cabeça em concordância.

De repente ouviu-se uma batida na porta, que se abriu sem esperar por uma resposta. Um vampiro pálido de cabelos negros espiou pela fresta da porta.

— Ah, aí está você — ele adentrou a casa ao avistar Kiba.

— Ah, é o vampiro emo — Kiba piscou quando o rapaz parou diante dele, fazendo uma careta. Kiba não fazia por mal, mas às vezes acabava descrevendo as pessoas com características das quais elas não gostavam muito — O que foi?

— Meu nome é Sasuke — ele fez cara feia — Faça o favor de vir comigo — ele o puxou pelo braço.

— Ei, ei, ei! O que pensa que está fazendo? — Kiba puxou o braço de volta.

— Cumprindo as tarefas da Hinata, já que ela fugiu — ele respondeu — Olha, eu tenho ordens, superiores, será que pode colaborar?

— Colaborar com o que? Aonde pensa que está me levando?

— Agora entendi porque a Hinata fugiu — Sasuke revirou os olhos — É uma surpresa. E se você não vier comigo, vai estragá-la.

— Ah… — Akamaru e Naruto, que entenderam primeiro, murmuraram ao mesmo tempo.

— Vai com ele, Kiba, não tem com o que se preocupar — Akamaru falou, tentando inutilmente conter uma risada.

— O que? Sério?

— É isso aí, vai na fé! — Naruto apoiou, sem fazer esforço algum para conter o riso.

Kiba foi arrastado até uma das casas mais afastadas no final de uma rua sem saída. Aquela casa em questão estava desabitada já tinha algum tempo e estava servindo de abrigo temporário para os vampiros, mas tinha algo diferente dessa vez. Kiba só conseguia sentir o cheiro de um vampiro em particular. Quando percebeu o tipo de situação que tinham planejado para ele, a porta da casa se abriu e Kiba foi empurrado para dentro.

— Divirta-se — Sasuke sorriu maldosamente antes de trancar a porta na cara dele. Kiba teria arrombado a porta para esfolá-lo se não fosse pela pessoa que estava dentro da casa com ele.

Shino.

— Olá — ele sorriu para o lobisomem — Desculpe o mau jeito. Eu queria fazer uma surpresa.

— É, e fez mesmo. Seu amigo não é nada gentil — Kiba falou, esfregando as mãos na manga da roupa para tirar a poeira.

— Desculpe pelo Sasuke, ele é um pouco ríspido. Quase fico com pena do seu amigo Naruto…

— O que o Naruto tem a ver com isso?

— Nada — Shino respondeu após alguns instantes em silêncio. Ele sentou-se diante de uma mesa e Kiba o imitou. Alguém tinha preparado um belo banquete a luz de velas para eles. Pensando bem, Kiba estava morrendo de fome. Passou tanto tempo conversando com os amigos que se esqueceu de jantar. Ele começou a devorar tudo o que estava ao seu alcance.

— A obra no lado sul de Konoha já terminou — Shino falou de repente, fazendo Kiba engasgar — Eu devo partir amanhã.

Kiba o encarou de olhos arregalados durante longos segundos. Não conseguia acreditar que Shino ia embora outra vez. Quer dizer, ele sabia que um dia a obra iria acabar, pensou que demoraria meses, talvez anos… ou que talvez nunca acabasse, assim como a obra da mansão dos vampiros do País Mizu. Ficou tão acostumado em ter Shino ao seu lado todos os dias que não conseguia mais imaginar sua vida sem ele.

— Então… vocês vão voltar para o sul? — Kiba falou, perdendo totalmente o apetite — Isso é bom, não é? Devem estar com saudade de casa.

— Todos estão. Mas também sentiremos falta de vocês quando partirmos. Principalmente eu — Shino segurou a mão do lobisomem por cima da mesa — Vou sentir falta de não poder te ver todos os dias, de não poder conversar sempre com você, de não poder te observar… não sei se vou conseguir suportar isso, Kiba.

— Eu também… vou sentir falta das nossas conversas e de ficar ao seu lado. Não… na verdade eu senti falta disso todos os dias — Kiba confessou, entrelaçando seus dedos com os de Shino e encarando-o nos olhos — Shino, eu cometi um erro enorme cinco anos atrás. Eu te deixei ir embora porque tive medo que os meus companheiros não aceitassem o romance entre um lobisomem e um vampiro e veja só o que aconteceu! Seu território foi destruído, você foi praticamente à falência, e no fim das contas os outros lobisomens e vampiros acabaram se tornando amigos. Você disse que eu sou um ótimo líder, que queria seguir o meu exemplo, mas na verdade eu não passo de um grande idiota… olha só quantas coisas horríveis aconteceram só porque eu tomei uma decisão errada. Tudo porque eu fiquei com medo que meus companheiros não aprovassem o romance entre um lobisomem e um vampiro. Porque eu fui um fraco…!

— Kiba, acalme-se — Shino pediu — Ninguém é perfeito. Todos nós cometemos erros, você e eu. O importante é aprender com nossos erros. E também… não significa que não podemos recuperar o tempo perdido, não é? Nossos amigos não parecem se importar com isso no fim das contas. E eu ainda te amo, Kiba.

— Eu também… amo você, Shino — ele inclinou-se para perto do vampiro, mas este fez melhor. Colocou-se de pé e puxou Kiba para perto de si, envolvendo-o em seus braços e roubando-lhe um beijo que há muito tempo desejava.

Kiba correspondeu à altura. Abraçou o vampiro com força, segurando-o pela nuca com uma das mãos enquanto aprofundava o beijo entre eles. A mão direita deslizava pelas costas do vampiro, arranhando-o ocasionalmente cada vez que Shino o provocava.

Shino avançou alguns passos até prender Kiba contra a parede e o enlaçou pela cintura, enquanto adentrava sua cavidade bucal com a língua. Não se importou com as presas. Necessitava tanto do sabor de Kiba que não se importava em se machucar um pouquinho para consegui-lo. Ele levantava a camisa do lobisomem enquanto acariciava seu corpo e o escutava gemer sem eu ouvido, puxando-o pelos cabelos curtos com uma das mãos, a que acariciava suas costas arranhando-o com mais força com as garras.

Não sabiam quanto tempo tinha se passado, mas o oxigênio acabou se fazendo necessário e os dois tiveram que se separar. Eles ofegaram durante vários segundos, até que Shino perguntou:

— Então… isso significa que eu posso ficar?

— Vamos ter que fazer algumas mudanças na arquitetura do lugar.

E assim foi feito. Depois de muito trabalho mútuo entre lobisomens e vampiros, já não havia mais divisão de territórios. Vampiros e lobisomens podiam morar no norte ou no sul, podiam ser vizinhos, podiam até compartilhar a mesma casa que ninguém iria censurá-los. Até porque era isso que Kiba e Shino, os líderes dos lobisomens e dos vampiros respectivamente, estavam fazendo.

As obras no castelo realmente tinham terminado, mas Shino não voltou para lá. Ao invés disso, ficou morando com Kiba, pois era óbvio que ele não queria deixar sua casa, mesmo que não dissesse isso em voz alta. Akamaru continuou morando por perto, em outra casa, pois tinha nascido e sido criado no norte, mas também não queria atrapalhar a nova vida romântica de Kiba. Hinata voltou a morar no castelo do sul, mas voltava quase todos os dias para visitar Shino e quase matar ou ser morta por Akamaru. Sasuke também voltou para o castelo e permitiu que Naruto também fosse. Kiba surpreendeu-se quando descobriu que os dois estavam namorando. Principalmente quando percebeu que era o único que estava surpreso com isso.

E embora o castelo e outras residências do lado sul de Konoha tivessem sido reconstruídas, Shino sabia que as riquezas que seu Clã possuía jamais iriam voltar, mas isso já não importava mais. Ele tinha conseguido um tesouro muito maior do que qualquer joia, ouro, ou qualquer outro bem material que alguém poderia ter. Conseguiu atravessar as barreiras de duas raças que se hostilizavam há séculos e derrotar a teimosia da pessoa que amava para ficar com ele mais uma vez. E dessa vez iria garantir que não o deixaria escapar.



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Notas Finais:


História postada também no Nyah! Fanfiction.


Aug. 26, 2019, 3:32 a.m. 0 Report Embed 2
The End

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