Atravessar a chuva Follow story

sweet-mary Mary

Os sentimentos expostos não condizem mais com a minha realidade, no entanto apesar de a pessoa não ter feito por merecer o meu afeto derramado não só nessa carta como em muitas outras que lhe escrevi, ainda assim sei que muitas pessoas passam pelo mesmo dilema de não ter certeza se o sentimento é correspondido. No meu caso, spoiler, não era e eu quebrei a cara, no entanto espero que você aí do outro lado tenha um final melhor que o meu. (texto extraído de Futuro Prometido, agora na íntegra)


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#pensamentos #desabafo #sentimentos #escritora-mary #saudades #prosa-poética #2015
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Curitiba, 19 de junho de 2015.

A ausência poderia explicar a inabilidade nata de perder de vista a esperança. A vontade de não ver ninguém e ao mesmo tempo querer por perto uma única pessoa, justamente aquela que está mais longe do que nunca. Eu não iria escrever sobre isso, mas poderia acabar sufocada por todas as palavras não ditas, pelos laços apertados que a saudade amarra sobre os meus tornozelos tornando trajetos simples extremamente cansativos, fazendo esses dias mais longos que o mais escuro dos meses.

Não faz tanto tempo assim que eu me dei conta de que viver sozinha era bem mais trabalhoso, embora seja uma alternativa bastante cômoda e segura. Até que meus pensamentos me indicassem que temendo ou não as mudanças, eu só tinha um caminho: aceitar. Nada mais era igual. Nunca mais seria. Eu, não mais. Especialmente, eu. Alguma coisa dentro de mim se modificou para o meu pleno espanto.

Não faz tanto tempo que eu julgava essa hipótese tão impossível a ponto de pedir perdão até por pensar, creio que Deus tenha te colocado na minha vida com um propósito maior do que escalar as muralhas de concreto para entrar em meu coração e depois partir deixando-o em frangalhos. Foi você a me enxergar quando eu era invisível até para mim mesma. Foi você aquele que me abraçou tão apertado que todos os cacos do meu coração se juntaram a ponto de eu sorrir sozinha antes de dormir, a sentir aquela paz que desde criança eu não desfrutava mais.

Depois de tantos anos de solidão forçada, eu me escondia atrás de afazeres e cobranças para dar a entender ao mundo que estava satisfeita, que só era triste quando ninguém via, tendência essa quase geral, cada coração partido buscando suportar os dias que restam, trombando com algo bom ou não nos intervalos. Então você me olhou profundamente e eu descobri que sentia falta de algo que nem sequer sabia já que eu nunca havia tido.

De todas as saudades, essa sem dúvida foi a mais instigante. A cada passo eu sabia que você estava não apenas perto de mim e sim de quebrar essas muralhas e me mostrar que o céu continua lindo, o sol brilha mais belo depois das lágrimas. Você foi aquele acorde que eternizou o refrão. Não interpreto nessa ausência o fim, nem sequer começou, eu não queria dizer adeus a esse sonho. Para mim é. Cada minuto com você é um sonho, a minha utopia preferida, eu me permito acreditar que as batidas do coração não mentem, que as palavras podem enganar por um bom tempo, mas não podemos mentir para nós mesmos.

Não saber onde está você, isso acaba comigo. Todo dia um pouquinho. Queria te prometer que não vou chorar, contudo seria muito cinismo da minha parte renegar as emoções que estão se manifestando em meu peito. Não adianta chorar em outros ombros, eu queria o seu. Eu traçaria pontilhados para diminuir a distância, desenharia um coração vermelho novinho em folha no lugar desse estabanado, seria menos orgulhosa.

Ora! E que modo eu posso dizer que estou com saudades?

Eu fico na expectativa de que você diga por primeiro.

Talvez eu caia na real. Ou nunca mais me encontre. Talvez eu caia nos seus braços e morra de tanto rir dos meus dramas exagerados. Talvez eu realmente precise de alguns dias longe de você para refletir, digerir o que se transformou. A incerteza percorre as suposições, parece coisa de louco o tanto que eu quero uma definição, nem que seja para reerguer minhas muralhas, agora, é claro, com as lembranças suas para me aquecerem quando o desespero tocar com intensidade. Eu poderia passar a existência inteira sem nunca ter te conhecido, nunca ter sentido nem me entregado. Sim, eu poderia. Afirmo que seria viver pela metade.

Meu atual estado cabe em uma lágrima que se sentiria mais acolhida em seus ombros. Seu abraço consertaria os pedaços partidos do meu coração. Somente o seu abraço.

Se você quiser, eu te espero, desde que você venha. E fique. E faça por valer cada um desses dias que passam sem graça. Vem, que eu te espero. Estou arrasada, mas não sei te odiar, meu coração só tem espaço para te receber, as portas ainda estão abertas. Venha por inteiro para que eu também possa cuidar de você. Venha para sermos um só coração como fomos naquele dia. Venha e mate essa saudade que está acabando comigo.

Eu deveria ser fria, já não posso, você me fez ver que quando algo vale a pena devemos nos arriscar nem que seja para doer, e por você eu posso dizer ao medo que não será ele a me fazer recuar, portanto vem logo, não me deixe aqui sozinha!

Aug. 12, 2019, 2:24 a.m. 0 Report Embed 0
To be continued...

Meet the author

Mary Curitibana, futura jornalista, escritora em constante progresso, escorpiana com ascendente e lua em peixes. Apaixonada por todas as singelezas da natureza, onde se encontra o olhar compassivo de Deus. Em matéria de livros, filmes e músicas, minha lista tende a crescer, mas sempre há aqueles que têm um espacinho especial no meu coração. Prazer, eu sou a Mary.

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