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CROSSOVER com a série Roswell. Scully ainda sem memória. Enquanto isso, Mulder é convidado pra um debate sobre ufologia. Mesmo cansado, ele aceita. Scully ainda não quer aceitar a ajuda de Mulder. Margaret, a ‘Santa Meg’ resolve tomar uma atitude. Mas não será tarde demais?


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S03#03 - SOBREVIVENTES

INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

Fade in.

Auditório Central – Prédio da Reitoria

Universidade do Novo México – Albuquerque – 9:23 P.M.

O auditório lotado de estudantes. No palco, uma mesa de conferência, com cinco pessoas. Entre elas, Fox Mulder.

PROF. PORTER: - ... Bem, o Curso de Comunicação está trazendo para os alunos desta Universidade um debate e uma exposição sobre o tema: Ufologia – Verdades e Mitos. Presentes aqui o Psiquiatra, detetive de abduções, ufólogo místico e escritor Franklin McCauley... O Prof. e Doutor em física Ivan O’Regan... O psicólogo e investigador de fenômenos paranormais, Fox Mulder... O ufólogo e físico, professor Arnold Connoly... O químico, biólogo e chefe de pesquisas do Projeto Origens da NASA, Dr. Ernest Carrigan.

Aplausos. Um bando de garotos se levantam lá atrás e assobiam.

Corta para a primeira fila. Há seis jovens ali sentados, observando tudo.

LIZ: - O que acham dele? Podemos confiar?

MAX: - Talvez ele tenha respostas mais concretas do que os caras que já conhecemos.

MICHAEL: - Espera aí, estão malucos? Ele é do FBI! Assim como a senhorita Topowsky.

MARIA: - E quem disse que vocês não são apenas estudantes curiosos?

LIZ: - Eu não sei não, Maria...

MARIA: - Ora Liz, que mal tem perguntar ao sujeito algumas coisas? Além disso, o Max trabalha no museu de Roswell. Por isso estamos aqui. Porque ele precisou vir aqui pelas ordens do chefe dele. Ele ganhou essa viagem.

ALEX: - Posso falar?

Eles olham pra Alex.

ALEX: - Sei que não tenho que estar me metendo, mas... Se ele é do governo, deve saber coisas que ninguém mais sabe sobre... Vocês sabem sobre o quê.

ISABEL: - Podemos entrar nos sonhos dele.

Liz, Maria e Alex olham pra Isabel.

ISABEL: - Foi só uma sugestão...

MAX: - Não sei. Não podemos correr riscos.

MARIA: - Max, pára de falar em riscos! Não há risco algum!

MAX: - Esse Mulder não é uma pessoa tonta. Vai desconfiar.

ALEX: - É só fazerem as perguntas certas. Talvez ele possa dar alguma ideia, sei lá...

MICHAEL: - Acho que essa não foi uma boa ideia... Não confio nele.

ISABEL: - Mike, por favor! Ninguém aqui vai chegar lá na frente e dizer quem somos.

ALEX: - Até porque poderiam rir.

MICHAEL: - Sei não... Não acho legal isso.

VINHETA DE ABERTURA: A VERDADE ESTÁ LÁ FORA


BLOCO 1:

9:47 P.M.

O Professor Porter assume a palavra.

PROF. PORTER: - Dando início ao nosso debate, gostaria de ouvir dos ufólogos, alguma explanação sobre o que vem a ser Ufologia.

CONNOLY: - Ufologia é o estudo de fenômenos ligados a seres de origem extraterrestre. O termo Ufologia tem raiz na sigla Unidentified Flying Object e no termo grego “logia”, que significa estudo. Para entender como a Ufologia nasceu é preciso primeiro entender como e porquê ela nasceu.

MULDER: - Há muitos relatos de avistamentos de OVNIs desde a antiguidade. Foi depois da Segunda Guerra Mundial que os relatos passaram aumentar em número. Os pilotos dos caças da Força Aérea Americana comentavam entre si sobre os estranhos objetos luminosos que apareciam nos céus. Acreditavam ser aviões secretos nazistas. Apelidaram os objetos de foo-fighters. Diante de tantos relatórios, a versão oficial da U.S.A.F. foi de que eram apenas ilusões, o que causou uma grande revolta entre os pilotos. O medo de aviões bombardeiros talvez seja um motivo pelo qual as pessoas passaram a perscrutar os céus.

CONNOLY: - Bem, em 1947, o comerciante Kenneth Arnold, avistou de seu monomotor particular vários objetos que voavam em formação sobre o Mount Rainer, aqui Estados Unidos. Kenneth os descreveu como discos voadores. Ele foi o primeiro a dar uma nomenclatura para os objetos. Em 07 de Janeiro de 1948, a torre da base aérea de Godman Field, em Kentucky, avista um objeto brilhante, voando nos arredores. O Capitão Thomas Mantell estava passando sobre a base e viu o objeto. O perseguiu. Subiu a 15.000 pés de altitude e relatou: “ Parece de metal e é enorme. Está por cima de mim e estou a apanhá-lo. Vou para 20.000 pés.” O avião sumiu nas nuvens. Momentos depois, espatifou-se no solo. Mais tarde, a U.S.A.F. deu a nota oficial: “Lamentavelmente ele morreu tentando alcançar o planeta Vênus”. Mantell é considerado o mártir da Ufologia.

MULDER: - Foi diante de tantos relatos de pilotos e de civis, sobre contatos, avistamentos e abduções, que a Força Aérea Americana resolveu abrir uma investigação ao lado de cientistas. Adotaram uma metodologia para classificação dos contatos: Contatos de Primeiro Grau: fotografias e avistamentos. Contatos de Segundo Grau: marcas físicas deixadas pelos objetos e materiais. Contatos de Terceiro Grau: Contato direto com um tripulante fora da nave. Contatos de Quarto Grau: Contato com tripulante dentro da nave e abduções... Uma curiosidade interessante pra vocês: Os cientistas militares foram os primeiros a estudar cientificamente a Ufologia, dando-lhe o aspecto de ciência. Paralelamente, cientistas civis de outras áreas, começaram a dedicar seu tempo aos estudos sobre o fenômeno, sozinhos ou em grupos. Coletando informações, depoimentos e observando os céus.

CONNOLY: - Assim, surgiu a Ufologia. Não como apenas uma ciência, mas um somatório de outras ciências, unidas para descobrir a verdade sobre os Óvnis e extraterrestres.

MULDER: - No decorrer dos anos, vários projetos secretos foram feitos pelo governo americano, sendo o mais famoso, o Project Blue Book. Depois de muitos anos, o projeto foi aberto aos civis para que pudessem lê-lo. Besteira! Os verdadeiros arquivos estão longe dos nossos olhos. Até o suposto arquivo verdadeiro, aberto ao público, continha tarjas negras em determinadas partes, que nunca puderam ser lidas.

McCAULEY: - É importante destacar que na hora de tentarmos descrever e classificar os tripulantes das naves é necessário filtrar as diferentes descrições proporcionadas pelos contatados, pois, o impacto emocional vivido pela testemunha distorce a realidade. Não devemos esquecer que o medo e a surpresa alteram as coisas na maioria dos casos. Por isso que não existem duas descrições de seres que coincidam perfeitamente. Mesmo assim, existe dentro da Ufologia, uma tipologia básica feita através de relatos, a diversidade de formas, tamanhos, etc...

MULDER: - Que também é justificada pela diversidade de procedências destes seres que, logicamente, vem também com objetivos dos mais variados possíveis: rapto de humanos, coleta de material genético, implante, mutilações de animais, coleta de pequenos animais e plantas, curas... Portanto, o comportamento dos tripulantes do Óvnis produz freqüentemente controvérsias: enquanto alguns seres se interessam apenas em aparecer e surpreender-nos, outros desempenham funções muito definidas e inteligentes.

PROF. PORTER: - E como seriam classificados esses seres, segundo sua tipologia?

McCAULEY: - Bem, a tipologia básica fica assim classificada: Tipo Alfa, seres baixinhos, com cerca de 1,20 metros, cabeça desproporcional ao corpo, olhos grandes. Correspondem a cerca de 80% dos casos relatados. Temos o tipo Beta, que são seres altos até 3 metros de altura, geralmente são bem parecidos com os humanos e apresentam feições belas. Correspondem a cerca de 15% dos casos relatados. Por fim o tipo Gama, seres bizarros, robôs, energéticos ou com o corpo coberto de pelos. Correspondem a 5% dos casos descritos. E como vemos, cerca de 95% dos seres avistados são humanoides, isto é, possuem cabeça, braços e pernas.


Apartamento de Scully – 10:01 P.M.

Scully abre a porta. Está de robe e pantufas. Margaret entra, com uma bolsa de viagem.

MARGARET: - Não ligou. Passei aqui pra ver como estava.

SCULLY: - (NERVOSA) Eu... Eu não... eu não lembrava seu telefone, nem seu nome!

Scully chora convulsivamente. Margaret a abraça.

MARGARET: - (PREOCUPADA) Dana, acho que vou passar a noite com você.

SCULLY: - (CHORA)

MARGARET: - Vou fazer um chazinho de mãe, você vai pra cama, vamos ficar vendo TV juntinhas, está bem?

Scully se acalma e afirma positivamente com a cabeça. Margaret vai pra cozinha e começa a preparar um chá.

MARGARET: - Sei que vai ter sua memória de volta. Sei que vai ter sua vida de volta.

SCULLY: - Não... Acho que não.

MARGARET: - Por que esse pessimismo, Dana?

SCULLY: - ... (EM LÁGRIMAS) Estou me sentindo uma estranha naquele lugar! Eles me deixaram trabalhando pra que eu não os processasse por acidente de trabalho! Eu não sei fazer nada, só fico mexendo em papéis, como uma inútil!

MARGARET: - Ora, Dana. Você tem dois amigos lá dentro: o Fox e o senhor Skinner. Eles estão cuidando de você.

SCULLY: - Pára de falar nesse homem! Ele tentou me matar! Não é meu amigo! Eu odeio ter de olhar pra cara dele todo o dia! Tive uma semana inteira insuportável!

Scully põe as mãos na cabeça. Margaret olha assustada.

MARGARET: - Dana, o que foi?

SCULLY: - Meu remédio, por favor! Em cima da pia!

Margaret pega um tubo de pílulas e um copo de água. Scully toma duas pílulas. Margaret a ajuda a sentar-se.

MARGARET: - Dana, o que está acontecendo?

SCULLY: - Minha cabeça está doendo! Parece que vai estourar!

Scully começa a chorar de novo, gritando de dor.


10:18 P.M.

O debate continua.

CONNOLY: - A Ufologia investiga o fenômeno analiticamente, objetivamente e procura provar a sua existência. Nas últimas décadas, surgiu uma corrente paralela, denominada Ufologia Mística. Nós, ufólogos de verdade, nós condenamos esse tipo de aberração e distorção da realidade. A corrente Mística é subjetiva, contrariando a Ufologia verdadeira . O propósito é o de crença religiosa.

MULDER: - Me perdoe, professor, mas está distorcendo os fatos! A corrente mística não tem o propósito de crença religiosa, mas sim, de esclarecer a origem humana. Enquanto vocês apenas vêem o lado maléfico da existência de aliens e abduções dolorosas, nós acreditamos que esses seres são o que as pessoas chamam de Deus! São os criadores da raça humana.

CONNOLY: - (OFENSIVO/ SARCÁSTICO) Ora, senhor Mulder, por favor! Nós ufólogos científicos também buscamos na Bíblia relatos para estudar a origem desses avistamentos. Mas não para dizer que eles são deuses! Já pra vocês da corrente mística, qualquer criatura, como anjos ou até mesmo Deus, seria extraterrestre. Alguns vêem um paralelo entre os mitos humanos, como deuses, a criação do homem, o apocalipse. Tem um cidadão chamado Trigueirinho Neto, que defende em seu livro A Quinta Raça, que seremos salvos quando o mundo acabar, por naves alienígenas. Esses pesquisadores aliam a ciência com a pseudo-ciência, usando de mediunidade para contatar esses seres. Isso é absurdo! A ufologia mística é um embuste! Deturpa a Ufologia, que já tem problemas demais para ser considerada ciência. Esses esotéricos, que não têm formação acadêmica e científica alguma, se valem da esperteza, ganham muito dinheiro com curas milagrosas através de incorporações de extraterrestres.

MULDER: - (IRRITADO) O senhor novamente está generalizando! Desconhece o que está dizendo! Não pode dizer pras pessoas que a Ufologia Mística é uma seita, como a Heaven’s Gate! Isso é absurdo! Seitas são picaretagem! Não pode afirmar aqui que esses seres não possam também ser de matéria menos densa, espirituais.

McCAULEY: - A Ufologia Mística é uma dissidência da Ufologia tradicional. Nosso objetivo é ampliar as possibilidades, pois sabemos que os fenômenos estão interligados entre si. Toda a paranormalidade como conhecemos, provém deles. Não descartamos nenhum método de contato. Enquanto a ufologia tradicional olha pros céus e procura naves, nós utilizamos paranormais, contatados por sonhos, por mediunidade. Se nós humanos temos um espírito, eles também têm. O senhor como físico deveria saber que a energia está presente em todo o universo, e o que chamamos de espírito, é energia. Alguns desses seres são energéticos e muitas pessoas os chamam de anjos. Outras de duendes. Outras de demônios. Até o Kardecismo aceita a teoria.

MULDER: - Se nos propormos a investigar sobre extraterrestres, tudo que não é do conhecimento terreno é extraterrestre. Existem seres dimensionais, existem seres de outras dimensões e sem falar na teoria de Einstein sobre os buracos de vermes! Nem tudo precisa ser palpável e material. Não temos conhecimento do universo! Existem seres que são apenas luz. Que transitam de planetas numa velocidade incrível, pois não necessitam de naves pra isso. Já temos relatos de curas de pessoas por seres extraterrestres. No meu ver, a definição de extraterrestre é que está confusa. Todos os fenômenos estão interligados. Existem planetas inferiores e superiores. A Terra, por exemplo, é um planeta em estágio de evolução. O que os católicos chama de apocalipse, será uma limpa na humanidade. Quem tiver elevação espiritual fica ou vai pra outros planetas superiores. Quem não tiver, vai pra planetas inferiores. A besta, nada mais é do que espíritos inferiores que transitam por aqui atraídos pelos nossos sentimentos ruins.

CONNOLY: - (DEBOCHADO) Ora, por favor. Acho que o senhor deve ter lido “Os Exilados de Capella”, que defendia a existência de um planeta pra onde foram levados espíritos de pessoas e que estes foram jogados na Terra. Deve ser mais um maluco fissurado em J.J. Benitez! Deixem Deus, Maria e Jesus fora disso! A Heaven’s Gate, na Califórnia, levou 39 pessoas a cometeram suicídio, induzidas por um guru. Se tirassem suas vidas, suas almas seriam acolhidas no interior de uma nave espacial. Como podem dizer que não há embuste nisso?

MULDER: - Professor Connolly, não estamos falando em seitas e a existência delas é um problema para a ufologia mística, pois pessoas como o senhor acabam confundindo estudo com fanatismo religioso! Nós não conhecemos a origem desses seres, e pelo pouco que sabemos deles, não devemos excluir nenhuma possibilidade sobre formas de contato. Estudos indicam que muitos desses seres são energéticos, não possuem corpos físicos o que explica porque o homem não encontra vida nos outros planetas, pois na mente humana só há uma concepção de vida: a material.

McCAULEY: - Concordo! Estamos buscando da forma errada.

MULDER: - Há uma confusão entre os estudiosos. Ufologia mística é uma coisa. Crença religiosa e seitas são outra. E essa associação que a ufologia tenta fazer pra deturpar o trabalho dos pesquisadores místicos, é perigosa na cabeça das pessoas. É como dizer que porque li Operação Cavalo de Troia, do Benitez, que agora vou rezar um pai nosso para os alienígenas! Religião e ufologia é a mesma coisa! Eles semearam a vida aqui. O berço da civilização foi na África! Ainda nem conhecemos a África!

PROF. PORTER: - Senhor Mulder, poderia nos explicar essa aproximação entre religião e ufologia?

MULDER: - Para os místicos, Jesus Cristo era um extraterrestre. Para os cristãos, um ser iluminado e perfeito, filho de Deus Pai. Na nossa concepção, Jesus Cristo veio iniciar a nova fase evolutiva do planeta Terra. Assim como espíritos evoluídos, nós chamamos Jesus de Irmão Maior. Somos todos irmãos porque derivamos da mesma célula e da mesma chama que a acendeu. Somos filhos dos extraterrestres. Acreditamos que a ideia de religião foi introduzida por eles no intuito de dar uma espiritualidade aos animais chamados humanos que viviam aqui. Há uma teoria de que eles manipularam células de um hominídeo com o DNA deles. Então surgiu nossa raça. Eles também eram vários, o que explica a diversidade de raças em nosso planeta. Maria era virgem e justificamos sua gravidez como inseminação artificial. Portanto na época, era um ‘milagre dos céus’. Jesus veio deixar uma mensagem aqui que poucos entenderam. Adãos e Evas eram experiências. Fruto proibido? A inteligência. Quando começamos a nos desenvolver devem ter sentido medo. A experiência havia dado certo.

McCAULEY: - Concordo com a explanação do agente Mulder. Sabemos que todas as culturas humanas foram auxiliadas por culturas superiores, que a antiguidade poderia ter denominado de anjos ou deuses. Perdemos o fio que nos ligava às civilizações antigas. Por isso nosso conceito de Ser Superior pode estar errado. Talvez esse Deus que conhecemos, que nos deu a vida, que acendeu a primeira centelha, tenha sido uma civilização alienígena. Nós somos o resultado da experiência deles. E se as pessoas ainda não prestaram atenção, há um esforço enorme na virada desse milênio para deixar o assunto Ets fora de questão. Até o Vaticano sabe que o terceiro segredo de Fátima fala sobre Ets. Maria foi levada aos céus, em corpo e alma. Muitas pessoas são levadas por eles em corpo e alma. Alguns chamam de espíritos, de ambulantes... Mas são Ets energéticos. E essas pessoas levadas, têm tarefas designadas a serem cumpridas pra quando a Terra passar pela transformação final, virem em nosso auxílio.

PROF. PORTER: - Transformação final?

McCAULEY: - Ao contrário do que pensam, o apocalipse já começou. O sol está cada dia mais próximo da Terra, planetas estão se alinhando e a catástrofe será inevitável. Estamos próximos da Sexta e última extinção. A energia está densa ao nosso redor. Por isso vemos tantas catástrofes. E isso se repercute em nós também. Nunca se viu tantas doenças no mundo. Tudo isso é causado pela ação invisível dessas partículas energéticas, que causam males físicos e espirituais. Porque espírito é energia. Talvez este seja o julgamento final, que descreve o Apocalipse.

CONNOLY: - Isso é um absurdo! Um completo absurdo. Esses seres só vem aqui porque nos usam como cobaias! Não são de boas intenções!

MULDER: - Amplie seus horizontes, senhor Connoly. Ou está dizendo que todos os humanos também maus? ... Outra curiosidade pra vocês, seus vampiros de conhecimentos.

O público começa a rir.

MULDER: - Alguns ufólogos criticam a terminologia “extraterrestre”. Para eles a terminologia está errada, porque acreditam que esses seres não provêm apenas de fora da terra, mas de outras dimensões e até mesmo de dentro do planeta, os Intraterrestres, como chamamos. Por isso preferem usar o termo Uranianos, ou seja, que aparecem no céu. Mas alguns ufólogos, como o senhor Connoly e outros diversos, espalhados pelo mundo, ao invés de estudar ufologia, preferem criticar a denominação de ufólogo quando esta se refere a estudiosos que abrangem o fenômeno pra fora da ufologia tradicional. Eles preferem perder tempo em discussões e montando panelinhas, em usar o termo ufólogo como se isso lhes garantisse respeito. Esses sim deturpam a ufologia. Esses que detém publicações voltadas apenas pra um ângulo de visão de um assunto que abrange uma gama de diversidade. Controvérsias e dissidências à parte, a Ufologia não é uma religião, nem uma filosofia de vida. É o estudo crítico de um fenômeno.

Connoly abaixa a cabeça e fica rindo de Mulder.

McCAULEY: - Dentro da tipologia dos extraterrestres, o tipo mais famoso são os “baixinhos” denominados Greys. Há um consenso entre os ufólogos de que estes seres estão interessados apenas em pesquisas genéticas com os humanos. Eles são responsáveis também por mutilação de animais. E estes seres estão há muito fazendo pesquisas com os seres humanos em conluio com os governos mundiais, principalmente com o nosso, líder mundial de tecnologia de guerra. Em troca do silêncio desses governos, os Greys fornecem tecnologia para aviões, clonagem...

MULDER: - Acredito que só poderemos compreender quem são e qual a sua origem quando compreendermos quem somos e de onde viemos.

McCAULEY: - O que eles fazem aqui? Talvez estejam nos forçando a compreender essas duas perguntas. Já imaginaram o dia em que ligarem a TV e ouvirem a confirmação da existência de aliens? Seria um caos, não seria? Talvez esses seres avistados que nunca deixam provas, querem nos preparar aos poucos, para o choque de um contato em massa, no futuro, ser diminuído. O que aconteceria se nós humanos descobríssemos que não estamos sós? Exemplo disso foi a narração feita por Orson Welles, de A Guerra dos Mundos. Quando ele dramatizou a história no rádio, de que os Marcianos estavam invadindo a Terra, milhares de pessoas desavisadas, que estavam ligando o rádio naquela hora, ficaram histéricas, abandonando a cidade e até mesmo cometendo suicídio acreditando que os marcianos estavam aqui. A ficção criou uma imagem do extraterrestre aniquilador, destruidor, invasor. E essa ficou no imaginário humano, representando o medo do desconhecido.

CARRIGAN: - O senhor entrou num ponto crucial, professor. Gostaria de falar nisso. A ficção. A cabeça das pessoas está tão povoada de ficção científica que se os alienígenas não existirem, cometerão suicídio por causa disso. Qualquer um na rua pode descrever como um ET se parece. Qualquer louco pode inventar uma abdução.

McCAULEY: - Bem, toda a civilização mais evoluída tende a subjugar a menos evoluída, e nós temos exemplos disso na história. Se esses seres existirem mesmo, de alguma forma, iríamos assimilar a cultura deles. Isso é fato inegável. Com relação à ficção científica, alguns ufólogos não se preocupam muito com a imagem criada, mas sim com a propagação dessa imagem. Outros condenam a ficção. Outros ainda argumentam que a imagem criada é fruto de algo que também não é totalmente conhecido, suscitando diversas visões. Acho, particularmente, que a ficção científica contribuiu muito para a Ufologia, pois já retratava os fenômenos em histórias. Quando de repente o fato foi verificado, a ficção passou a explorar mais o assunto.

CONNOLY: - Não, eu discordo. Os filmes principalmente, tem trazido verdadeiras epopeias cósmicas. Isso acaba por prestar um desserviço à pesquisa ufológica de campo séria, galgada na ciência. Os filmes acabam por se tornar a referência de muitas pessoas que não tem outra fonte de informação sobre o tema, que fica com uma visão totalmente deturpada. A maior parte do que é mostrado em filmes não vai de encontro a realidade, em hipótese alguma... Algumas pessoas são abduzidas e passam por uma série de experiências sem anestesia nenhuma, dentro das naves destes seres e algumas poucas pessoas, nem voltam. Se você me perguntar o que eu acho da ideia que Steven Spielberg lançou no mundo de ET bonzinho, eu diria que esta ideia não vai de encontro a realidade. Se estes seres estivessem tão preocupados conosco, não nos abordariam desta forma.

O auditório se divide em vaias e aplausos.

MULDER: - A própria biologia criou uma especialização chamada Exobiologia, que estuda a possível existência de vida fora da Terra. Creio que o Dr. Carrigan poderia falar melhor do assunto, já que ele trabalha na NASA.

CARRIGAN: - Bem, há estudos sobre o meteorito proveniente de Marte, achado na Antártida em 1984, que continha bactérias fossilizadas. O projeto SETI, criado por Drake, o primeiro a criar uma fórmula para calcular a probabilidade de vida inteligente no universo... O SETI estuda ondas de rádio provenientes de estrelas para detectar existência de planetas.


BLOCO 2:

Apartamento de Scully – 10:37 P.M.

Scully, sentada na cama, debaixo do edredom. Segura a raposa de pelúcia no colo. Margaret senta-se na cama. Olha pra raposa.

MARGARET: - Você sempre adorou bichinhos de pelúcia... Tinha uma coleção deles quando era pequena...

SCULLY: - Foi você quem me deu esse?

MARGARET: - ... Não...

SCULLY: - Mãe, eu... Eu consigo ver coisas do meu passado, a terapia tem me ajudado, os remédios... Mas são fragmentos... Lembro de estar com outra garotinha, lembro de estar num porão de uma casa, lembro de uma rapaz conversando comigo numa sala de aula... Mas os fatos essenciais de tudo, eu não lembro.

MARGARET: - Dana, acho que essa terapia não está te ajudando. Deveria falar com o Fox. Dana, eu sei que está em dúvidas quanto a ele, mas acredite. Sua mãe nunca mentiria pra você.

SCULLY: - E o que vou falar com ele? Nada?

MARGARET: - Falar as coisas que estão surgindo em suas lembranças. Ele talvez ache a cura que precise.

SCULLY: - Por que ele acharia?

MARGARET: - ... Dana, há um tempão atrás, você me disse que tinha câncer.

SCULLY: - (DESESPERADA) Ah, meu Deus! Eu tenho câncer?

MARGARET: - Não, Dana, me escute. Você tinha câncer e estava morrendo num hospital, desenganada pelo médicos. Foi quando o Fox chegou com uma coisa que duvidávamos se surtiria efeito.

SCULLY: - Mãe, como pôde confiar nele?

MARGARET: - Não confiei nele. Você confiou. Você preferiu parar o tratamento e aceitar a sugestão do Fox.

SCULLY: - ...

MARGARET: - Hoje, Dana, você está aqui, comigo. Se tivesse escolhido a alternativa convencional, não estaria.

SCULLY: - ... (CONFUSA)

MARGARET: - O Fox salvou você. Deus sabe o que aquele menino passou pra salvar você. Por que ele te mataria agora?

SCULLY: - ... Eu não sei... Tudo está confuso...

Meg senta-se ao lado dela. Scully aconchega a cabeça no colo da mãe. Margaret lhe afaga os cabelos.


11:01 P.M.

O auditório aplaude.

O’REAGAN: - (INDIGNADO) Senhores, a Física Quântica tem as respostas pra todas as nossas questões mais elementais...

CARRIGAN: - Concordo com isso, Dr. O’Reagan. A NASA agora tem a certeza de que temos habilidade tecnológica pra investigar todas essas questões levantadas aqui hoje. Como um dos chefes e pesquisadores do Projeto Origens, já estamos investigando mais profundamente a lua de Júpiter, Europa e a lua de Saturno, Titan, além do planeta Marte. Europa, por exemplo, tem água em estado sólido, onde pode haver vida primitiva. Titan tem atmosfera de hidrogênio, falta um pouco de calor e oxigênio, mas pouco podemos descobrir enquanto não mandarmos uma sonda para atravessar atmosfera muito densa de nuvens. Acreditamos que se pode haver um lugar propício para a vida nessa galáxia, são em Europa, Titan ou no planeta Marte. Mas isso não significa que sejam humanoides! Nós estamos procurando por material biológico existente. Os biólogos estão fascinados com a possibilidade de encontrar alguma forma de vírus ou bactéria.

O’REAGAN: - Aí está a questão crucial, caro colega. Pessoas como o senhor Mulder, o senhor McCauley e o senhor Connely, acreditam que se houver vida lá fora, ela deva ser humanoide como nós. Sabemos que um planeta com as mesmas condições da Terra, não geraria nenhum ser igual a nós. Isso é um completo absurdo. Não há como! Por que os alienígenas tem de ser humanoides? Isso foi um estereótipo da ficção científica da década de 60! As pessoas são iludidas com esses tratamentos de hipnose.

McCAULEY: - Discordo disso, Dr. O’Reagan. A hipnose é um tratamento vital para estas pessoas que foram abduzidas. Os traumas que ficam, o medo de ficar sozinho em casa, de sair na rua... Elas precisam de ajuda, de alguém que acredite nelas. Os abduzidos são pessoas comuns, normais, mas que depois dessa experiência aterrorizadora, desenvolvem tipos de fobias que não poderia numerar aqui.

O’REAGAN: - Ora, senhor McCauley, você como psiquiatra deve saber que a hipnose é auto-sugestão! Isso já foi provado em experimentos realizados durante a guerra! Basta induzir alguém e essa pessoa acreditará até que sanduíches são seres vivos! O Ets estão na moda! Essa é a verdade. Os homens sempre tiveram medo do desconhecido e essa figura do desconhecido tomou forma no extraterrestre criado pela ficção científica.

PROF. PORTER: - Não, não, não. Como único defensor da comunicação nessa mesa eu vou ter de me manifestar! Se fosse por isso, os tipos de Ets mais comuns seriam com orelhas pontiagudas que se baseiam na lógica e não tem sentimentos.

O pessoal assovia e aplaude. Um lá no fundo grita: É isso aí Spock!

PROF. PORTER: - Eu considero a definição de L. David Allen: “ A ficção científica é um subgênero da ficção em prosa que difere de outros tipos de ficção pela presença de uma extrapolação dos efeitos humanos de uma ciência extrapolada, definida em termos gerais, assim como pela presença de “engenhos” produzidos pela tecnologia resultante de ciências extrapoladas.”

CONNOLY: - Aí está. Ciência extrapolada. O que diz que não é a ciência verdadeira. O que ajuda a procriar o mito do alien.

PROF. PORTER: - É uma ficção, senhor. Não tem pretensão de ser real! Tenho um amigo no Brasil, o jornalista Gilberto Schoereder, que resume a sua ignorância, senhor: “A visão da ciência estaria ultrapassada, uma vez que ela se vê fortemente contestada, o que parece mais um argumento para justificar outro argumento inverídico: A ciência contestada em nossos dias?

MULDER: - Isaac Asimov, considerado pelos estudiosos do gênero como o mestre da ficção científica, diz que muitos cientistas americanos foram levados para a ciência por causa dos seus livros!

PROF. PORTER: - Antes que o senhor Connoly pule em cima de mim pra me agredir, vou falar minha opinião: O cinema e a televisão nunca tiveram uma posição fixa no que se refere a alienígenas. Na década de 50 e 60, era comum que os extraterrestres fossem mostrados como monstros horrendos, sempre com um plano sinistro para dominar a Terra. Já nas décadas de 70 e 80, já eram mostrados, na maioria das vezes, como seres simpáticos que tentavam ajudar a humanidade. O interesse pelo espaço, pelas estrelas, pelo infinito e pelas possíveis vidas existentes nesse espaço, sempre existiram. Mas o desenvolvimento da ciência no século XX permitiu que se pensasse nessa questão de uma forma um pouco diferente. É inevitável que os ETs da ficção científica e os contatos com eles reproduzam situações e pensamentos tipicamente humanos. Afinal, são humanos que estão escrevendo essas histórias, e o máximo que eles vão poder fazer será imaginar um ponto de vista alienígena de um ponto de partida humano. A mente criativa é humana, e não há como escapar disso. Mas é exatamente disso que fala a ficção científica: de nós, do nosso planeta, da nossa imaginação, dos nossos anseios, do nosso futuro e do nosso passado. Os ETs da ficção são apenas uma das representações possíveis que fazemos do universo em que vivemos, e podemos aprender muito sobre nós simplesmente observando o que eles são, como agem e como estão sendo elaborados nas histórias.

CONNOLY: - Não vou agredi-lo, professor. Concordo com o senhor, em partes. Principalmente porque os ETs que muitas pessoas relatam em hipnoses são os que viram na madrugada de ontem num filme B! A hipnose é farsa!

MULDER: - Me intrometendo em áreas não pertinentes... Se estiver errado, me corrija Prof. Porter. Como fã de Star Trek, me perdoem, senhores cientistas, mas a série inspirou muitos cientistas a materializarem inventos fictícios.

PROF. PORTER: - Adorei seu comentário, agente Mulder. Isso serve como prova do que estou tentando dizer sobre a relação do público com a realidade. Se pegarmos duas séries, de décadas diferentes, veremos que o perfil dos extraterrestres nas duas séries serão divergentes, cada um de acordo com o medo humano presente no momento. Os ETs são o medo humano estereotipado. Em 1968, com Star Trek, o mundo temia a guerra. Os ETs eram invasores inimigos. Agora, em 2000, o apocalipse está chegando. Os alienígenas podem ser invasores mas também nós podemos ser o inimigo. Hoje, perdemos as esperanças e a confiança no sistema político. Desconfiamos de tudo e de todos. Todas essas mudanças sociais bruscas, afetam a televisão. E o comportamento das personagens, de modo que nunca há uma posição fixa dos meios, em relação aos extraterrestres. Porque esses passaram a ser sinônimo da neurose coletiva. Por isso, não podem sair por aí dizendo que os produtores de TV e cinema são culpados pela deturpação da Ufologia.


11:33 P.M.

Platéia empolgada. Uns preenchem papéis com perguntas.

MULDER: - Para os ufólogos o fenômeno ÓVNI mais comentado e popular de sempre, foi o caso de Roswell. Para quem não sabe, apesar de estarmos no berço do acontecimento... Em 2 de Julho de 1947, a 75 milhas de distância de Roswell, aqui no Novo México, houve a queda de um objeto não identificado. A população, apesar de alarmada pelas estranhas luzes que avistou no céu, associou tais fenômenos à base da U.S.A.F. instalada nas proximidades, também conhecida como Dreamland, ou área 51.

Mulder faz uma pausa. Expõe lâminas com fotos e dados no retro-projetor.

MULDER: - O reconhecimento dos destroços foi seguido quase de imediato pelo seu transporte para outra base aérea, a de Carswell. Paralelamente a estes objetos, no mesmo dia e a poucas milhas do local, seria feita outra surpreendente descoberta, um disco metálico de proporções modestas que aparentemente havia caído sobre uma propriedade. As primeiras declarações, retiradas de uma conferência de imprensa do comandante William Blanchard, da base de Roswell, apareceram no diário local no dia 8 do mesmo mês. Anunciava-se a captura de um "disco-voador" pelas autoridades, relacionando o caso com o estranho surto de atividade ÓVNI em território norte-americano. A notícia depressa correu mundo, mas viria a perder pouco depois a sua validade oficial, com um desmentido por parte do major Jesse Marcel. Este, acompanhado pelos fragmentos de um balão meteorológico, denunciava um erro na identificação dos destroços que afinal não passavam de inocentes pedaços de um aparelho científico. As explicações apenas catalisaram mais a indignação civil que não tem parado de crescer.

Max e Michael se entreolham.

MULDER: - Depois surgiu uma nova explicação oficial. Tudo não passara de um acidente com equipamento de vigilância de um projeto secreto intitulado Mogul, o qual visava monitorar detonações nucleares provenientes do bloco comunista. A natureza confidencial da ação levou a um encobrimento: as duas declarações de imprensa e as gaguejadas explicações que até aí haviam sido verificadas.


11:49 A.M.

Alex dorme no ombro de Maria. Liz o cutuca. Max, Isabel e Michael prestam atenção.

O’REAGAN: - (ESMURRA A MESA, INDIGNADO) A Ufologia utiliza-se de procedimentos científicos, mas seu próprio objeto de estudo é algo não-identificado! (RI) A própria ufologia que quer ser ciência tem um objeto de estudo que nem sabe o que é! Pelo amor de Deus, senhores, vamos tomar vergonha na cara e admitir que não existe ciência sem um objeto de estudo definido!

MULDER: - Isso significa que Einstein estava errado em afirmar que existem buracos de vermes porque ele supôs, nunca viu um? Thomas Edison era um idiota porque acreditava na energia elétrica mas nunca a viu? Ora, o senhor é quem tem de tomar vergonha na cara, porque sua física depende de suposições para achar o desconhecido e provar que ele exista. O absurdo de ontem é a ciência de hoje e a banalidade de amanhã. Deve haver um respeito pelo que desconhecemos, porque talvez amanhã, a ciência possa comprovar... E observando o prof. Porter, desesperado nos indicando que o tempo acabou, finalizo minha explanação: (IRRITADO) A Ufologia não pode ser ciência. Pelo simples fato de que o modo como aplicamos e pensamos ciência, é um modelo sistemático, cartesianista e reducionista, que resiste há décadas. E hoje, pelo que concluí em minha vida acadêmica, e que acredito, vocês universitários devem concordar comigo: um fenômeno nunca se reproduz nas mesmas condições e muito menos, não pode ser visto por partes, com o risco de nos perdermos no todo. Se a tendência científica é dissecar as partes, não é a toa que até hoje não conseguimos respostas para várias questões, uma vez que não compreendemos a nós mesmos como um todo.

McCAULEY: - Se não compreendemos a nós mesmos e não temos respostas sobre a nossa existência, como poderemos responder a questão da existência de outras formas de vida no universo?

MULDER: - Por isso a Ufologia não pode e não deve ser considerada ciência, para não denegrir sua própria imagem. Enquanto insistirmos neste modelo científico fechado, não poderemos discutir academicamente em aberto. Porque o homem não conhece toda a verdade e assim não pode julgar e nem rir do que não compreende ainda. Pelo fato de não poder comprovar dentro dos métodos científicos atuais, não quer dizer que o fenômeno desconhecido não existe. Agora, Dr. O’Reagan, me diga se estou errado, aqui, na frente de um monte de acadêmicos: Temos exemplos diversos da irreverência, deboche e ignorância da ciência, incontestáveis, para com cientistas e pessoas comuns consideradas insanas e que hoje são idolatradas por terem contribuído com nossa evolução: Galileu: A Terra não é o centro do Universo. Johannes Kepler: Imagem global heliocêntrica. Giordano Bruno: Existem diversos planetas, não só a Terra. Otto Von Guericke: A existência do vácuo. Lavoisier: A água é substância composta. George Sthephenson: Locomotiva a vapor. Hermenn Oberth: Foguete espacial. Isso tudo era loucura até ser provado. A lista é extensa e segue até os dias de hoje. Sempre guardada e esquecida nos “arquivos D”, de “desculpem, erramos”, no porão da ciência.

Um grupo se levanta no fundo do auditório e começar a bater palmas.

McCAULEY: - Afinal, a Bíblia nos diz, no livro do Gênesis, capítulo 1, versículo 26: “... ele disse: Agora vamos fazer os seres humanos, que serão como nós, que se parecerão conosco.” Conosco? Mas Deus, pelo que nos dizem, não é apenas um?

MULDER: - Bem, como disse Einstein: Tudo é impossível até que alguém duvide e prove o contrário.


Motel Dreams - 1:27 P.M.

Mulder entra no quarto, carregando uma pasta grande, e um monte de papéis. Atira tudo sobre a cama. Senta-se na cama e pega o telefone.


Apartamento de Scully – 1:28 P.M.

O telefone toca. Scully, sentada na cama olha pro telefone. O telefone continua tocando.

MARGARET: - Não vai atender?

SCULLY: - Deve ser ele.

MARGARET: - Dana, por favor!

SCULLY: - (NERVOSA) Mãe, eu não quero falar com ele!

MARGARET: - Deve estar preocupado com você.

SCULLY: - ... (OLHANDO INDECISA PRO TELEFONE)

Scully atende.

[Som: Chico Buarque – Eu te amo]

Corta pra Mulder.

SCULLY (OFF): - ... Alô?

MULDER: - Scully, sou eu o Mulder... Eu... Eu acabei de sair de um debate pega fogo, onde quase fui engolido por físicos furiosos e ufólogos ortodoxos... Eu...

SCULLY (OFF): - ...

MULDER: - (TRISTE) Eu só liguei pra saber como você está.

SCULLY (OFF): - (CORTANTE) Estou bem.

MULDER: - ... Eu... Eu estou voltando amanhã pra Washington.

SCULLY (OFF): - Nos vemos Segunda então.

MULDER: - Tá... Bom Domingo pra você.

Mulder escuta o barulho do telefone sendo desligado. Desliga também. Fecha os olhos. Percebe-se o desânimo e o cansaço. Ele levanta-se. Olha pra cama. Olha pro laptop sobre a mesa. Olha pra cama. Olha pro laptop.

MULDER: - (SUSPIRA) Não posso dormir.

Mulder vai pro laptop. Senta-se numa cadeira.


BLOCO 3:

2:11 A.M.

Close da tela do laptop. Percebe-se uma pesquisa sobre amnésia. Mulder estuda, já com os olhos querendo se fechar. Mas ele resiste. Pega um copo de café ao seu lado.

Batidas na porta. Mulder levanta-se. Abre.

MAX: - Agente Mulder?

Mulder olha pros seis adolescentes ali parados.

MULDER: - Em que posso ajudar?

LIZ: - Bem... Nós só batemos porque vimos luzes acesas...

MAX: - Não queremos incomodar.

MULDER: - Não, por favor. Entrem. Vi que estavam no debate.

Eles entram. Michael sempre desconfiado.

LIZ: - Nós gostamos do assunto e...

MARIA: - O namorado dela trabalha no museu de Roswell.

Liz olha pra Maria, rindo, num sorriso tímido. Olha pra Max com o canto dos olhos.

MARIA: - Bom, acho que devíamos ir fazer um lanche...

Maria puxa Liz e Alex pelo braço. Sai, levando os dois. Mulder fica curioso.

MULDER: - Bem, o que querem saber?

MICHAEL: - (DESCONFIADO) Primeiramente se o FBI realmente tem interesse pelo assunto. Até que ponto.

MULDER: - Como assim?

MICHAEL: - Tem provas das coisas que falou?

MULDER: - Não, eu... Qual seu nome?

MICHAEL: - Michael.

MULDER: - Michael, como eu falei, há uma conspiração que não tem interesse em que as provas sejam reveladas.

ISABEL: - ... Você já teve acesso a Dreamland? Você sabe o que há lá dentro? Saberia dizer de que lugar eles vieram?

MULDER: - Eles?

MAX: - Os ... seres que caíram em Roswell.

MULDER: - Infelizmente eu não sei responder sua pergunta. Há especulações de que houve sobreviventes.

Isabel tranca a saliva na garganta, emocionando-se. Michael olha pra ela, preocupado.

MAX: - Sobreviventes?

MULDER: - Algumas pessoas afirmam que eram greys. Que ficaram e ajudaram em projetos militares para o desenvolvimento de naves.

ISABEL: - Há possibilidade de que continuem vivos, trabalhando com os militares?

MULDER: - É possível... Mas por que estão tão interessados?

MICHAEL: - (CORTANTE) Gostamos de assuntos diferentes. Rebeldia, coisa de jovem. Queremos ser diferentes... Vamos embora, já tomamos muito tempo dele.

Max olha pra Mulder.

MAX: - E se a concepção de maldade desses seres estivesse errada? E se pra continuarem vivos tiveram de ajudar seu governo?

MULDER: - Qual seu nome?

MAX: - Max.

MULDER: - Max, gostei da sua teoria. Não havia pensado nisso...

Michael abre a porta.

MICHAEL: - Vamos.

Mulder olha desconfiado.

MULDER: - Estão metidos em algum problema?

MICHAEL: - Não.

MULDER: - Acho que estão me escondendo algo.

MICHAEL: - (IRRITADO) O que poderíamos esconder? Vai dizer agora que somos alienígenas?

MULDER: - (SORRI) Não, claro que não. Mas acho que viram alguma coisa e estão com medo.

MICHAEL: - E se tivéssemos visto, acha que contaríamos pro governo? Acho que sabe mais do que diz, agente Mulder.

ISABEL: - Michael!

MULDER: - Não, Michael. Já vi coisas que duvidariam, mas não posso afirmar nada. Porque nem eu mesmo entendo.

MAX: - (CURIOSO) Você falou sobre clonagem... Acha que eles podem criar um híbrido de aparência humana, com DNA alienígena? Se fosse verdade, o que esse híbrido faria de diferente dos humanos? Ele teria poderes? Ele teria sangue de outra cor?

MULDER: - (INCRÉDULO) Poderes? Do que estão falando?

Os três se olham.

MULDER: - Na verdade, esses híbridos que chamamos de clones, tem sangue verde, tóxico ao contato humano, mas não têm poderes. Os alienígenas é que tem alguns dons de curar pessoas, eles têm tecnologia e elevação mental muito alta.

Max fecha os olhos aliviado.

ISABEL: - Agente Mulder, obrigado.

MULDER: - Espero ter ajudado em alguma coisa.

ISABEL: - Ajudou, acredite.

Os três saem. Mulder fica na porta, os acompanhando com os olhos. Sorri.

MULDER: - Garotos... Acho que a ficção científica tá abrindo portas pra ufologia mesmo...

Mulder fecha a porta. Olha pra cama. Atira-se no meio dos papéis e dorme.


2:18 A.M.

Mulder revira-se na cama, dormindo.

Corta pro lado de fora do hotel. Isabel, de olhos fechados, concentrada. Max e Liz olham pra ela. Michael caminha de um lado pro outro, ao lado de Alex.

ALEX: - Como podem entrar na cabeça das pessoas?

MICHAEL: - Como pode ser tão chato?

Alex fica quieto. Maria aproxima-se dele, olhando com desprezo pra Michael.

MARIA: - Venha, Alex. Certos alienígenas são muito mau humorados. Talvez falte sentimento no coração deles. Culpa do sangue verde!

Michael olha pra Maria.

MICHAEL: - Eu não tenho sangue verde!

MARIA: - E não tem coração!

Maria vira o rosto. Vai pra perto de Max e Liz, que estão sentados no chão, abraçados, ao lado de Isabel, ainda de olhos fechados. Michael olha pra Maria, balançando a cabeça incrédulo. Isabel abre os olhos. Max olha curioso pra ela.

MAX: - E então?

ISABEL: - Ele não sabe de nada. Mas vi coisas que ele viu. Estranhas...

MAX: - O que pode nos contar?

ISABEL: - Acho melhor contar quando chegarmos em casa.

Max olha pra Liz. Sorri.

ISABEL: - Ele... Ele tem um problema.

MAX: - Problema?

ISABEL: - A mulher dele está com alguma coisa. Fizeram algo com ela. Está doente. Não se lembra de quem é.

Michael aproxima-se.

MICHAEL: - Tá, tá legal. Acho melhor voltarmos antes que o Valenti apareça por aqui e arranje alguma desculpa pra nos ferrar.

Max censura Michael com os olhos.

MAX: - O que ela tem?

ISABEL: - ... Não podemos ajudar, Max. Não é orgânico. Eu não sei dizer o que é, mas... não é orgânico. O cérebro dela está perfeito.

Michael aproxima-se do carro.

MICHAEL: - (DEBOCHADO) Vamos embora. Pelo menos sabemos que não somos clones. Uma possibilidade a menos na vasta lista de verdades a serem descobertas.

Isabel olha pra Max.

ISABEL: - Mulder é uma pessoa boa. Ele está tão confuso quanto nós. Nós pelo menos temos a certeza de que somos alienígenas. Ele não tem essa certeza. Está confuso quanto a origem do homem. Ele também procura a verdade. Assim como nós três.

Isabel levanta-se. Alex olha pra ela, com piedade. Os dois saem abraçados. Liz e Max levantam-se. Olham um pro outro.

MAX: - Obrigado.

LIZ: - Vale tudo, não acha?

Os dois sorriem e saem abraçados. Maria olha pra Michael. Faz cara de nojo. Michael aproxima-se dela.

MICHAEL: - (DEBOCHADO) Obrigado. Pra não dizer que sou mal agradecido.

MARIA: - De nada. Pra não dizer que sou mal educada.

Os dois caminham um ao lado do outro. Michael estende a mão e segura na mão de Maria. Ela não reluta. Mas continua séria. Caminham de mãos dadas.


Apartamento de Mulder – 7:38 P.M.

[Som: Chico Buarque – Eu te amo]

Mulder, sentado na frente do computador. Comendo cookies.

Batidas na porta.

Mulder abre a porta. Scully está parada ali, chorando. Mulder olha pra ela, com piedade.

SCULLY: - Eu... Eu não vim aqui porque estou aceitando sua ajuda. Eu vim aqui porque... Eu estava passando e reconheci seu prédio.

MULDER: - ...

SCULLY: - E... Resolvi subir pra... (CHORANDO) Pra pedir que me diga onde eu moro porque eu não consigo encontrar o meu apartamento!

Scully derruba lágrimas de confusão. Mulder olha pra ela, triste.

MULDER: - Scully, eu... Eu levo você até seu apartamento.

SCULLY: - Não! Me dê o endereço que eu acho!

MULDER: - ... Está esquecendo coisas recentes também?

SCULLY: - ...

MULDER: - Desde quando?

SCULLY: - Eu não quero sua ajuda!

MULDER: - ...

SCULLY: - Me dê o endereço, por favor!

MULDER: - ... Acho melhor chamar sua mãe.

Mulder vai pra sala. Scully entra, com a mão na arma, que está em sua cintura. Olha desconfiada pra Mulder. Mulder pega o telefone e entrega pra ela. Scully olha pra ele, em lágrimas.

SCULLY: - Eu... Eu não sei o número.

Mulder disca. Entrega o telefone pra Scully e vai pra cozinha. A observa enquanto ela fala com Meg. Mulder põe as mãos no rosto, abatido, doido pra ajudá-la. Scully desliga.

SCULLY: - Ela já vem.

Mulder aproxima-se dela. Scully se afasta.

SCULLY: - É melhor esperar lá embaixo...

Mulder olha pra Scully, em súplica.

MULDER: - Me deixa te ajudar, por favor!

SCULLY: - (NERVOSA) O que pode fazer por mim?

MULDER: - (DESESPERADO) Muito mais do que você poderia imaginar.

SCULLY: - ...

MULDER: - Acha que ir duas vezes por semana naquela terapeuta do FBI vai ajudar? Você não lembra de nada!

SCULLY: - ...

MULDER: - O que a Dra. Otis faz? Enche você de calmantes, remédios pra esquizofrenia? O que fala com ela, Scully?

SCULLY: - Eu conto o que fiz durante a semana, os progressos que tive...

MULDER: - E isso está ajudando você a se lembrar de quem era?

SCULLY: - ...

MULDER: - Acredito que não, Scully. Tanto que você está perdendo sua memória mais recente.

SCULLY: - ... Acho melhor descer.

MULDER: - (NERVOSO) Scully, você está piorando! Não pode perceber, deixar de ser teimosa? Daqui à pouco, o seu cérebro não vai mais nem enviar comandos pra você andar! Esta definhando a cada dia! Vão ter de internar você num sanatório e empurrar comida na sua boca!

Mulder a segura pelo braço. Scully afasta-se dele e puxa a arma.

SCULLY: - (GRITA) Saia de perto de mim!

Mulder ergue as mãos e afasta-se. Margaret entra.

MARGARET: - Dana, o que está fazendo?

SCULLY: - Me protegendo desse louco! Ele quer me atacar de novo!

MARGARET: - (FURIOSA) Guarde essa arma agora! Eu só vim até aqui porque acho que não está em seu juízo perfeito! Não foi pra te buscar não. Foi pra ficar aqui com você, já que não confia nele. Porque enquanto não contar o que está sentindo para o Fox, nós não sairemos daqui!

Scully senta-se no sofá e chora. Mulder olha pra Meg. A puxa pelo braço até a porta. Fala baixo.

MULDER: - Precisamos tentar hipnose. É a única forma, Meg.

MARGARET: - Tudo bem. Pode tentar, Fox. Faça isso. Confio em você como psicólogo.

MULDER: - Eu não quero arriscar. Não tenho condições pra fazer isso. Mas conheci um sujeito que pode.

MARGARET: - Fox, confio em você. Confio minha filha em suas mãos novamente. Faça o que acha ser certo.

MULDER: - Leve-a pra casa, Meg. Aqui não é um bom lugar. Deixe-a relaxar, distraia ela... Vou mandar o Dr. McCauley até lá. Não vou entrar pra não assustá-la. Ela não sente-se bem comigo, isso só vai atrapalhar.


Apartamento de Scully - 9:31 P.M.

Mulder, no corredor. A porta do apartamento abre-se. Meg olha pra ele.

MARGARET: - Entre, Fox. Ela já está preparada.

Mulder entra. O ambiente está iluminado apenas pelo abajur. Scully está deitada no sofá, coberta por um edredom. McCauley, sentado numa cadeira, segura a mão de Scully. Olha pra Mulder. Sinaliza pra ele sentar-se. Mulder senta-se na poltrona. Meg os observa.

McCAULEY: - Está sentindo-se relaxada, Dana?

SCULLY: - Humhum.

McCAULEY: - Volte a noite do acidente... O que está vendo?

SCULLY: - ... Eu estou num carro com um homem.

McCAULEY: - Sabe quem é?

SCULLY: - ... Não, eu não consigo vê-lo.

McCAULEY: - O que sente por ele?

SCULLY: - Ele é bom, é inocente... Não deveria estar passando por isso. Estou com medo, querem me matar.

McCAULEY: - Quem quer matar você?

SCULLY: - O carro... Atrás de nós... Está nos empurrando...

McCAULEY: - ...

SCULLY: - ... (AGITADA)

McCAULEY: - Pode contar o que está acontecendo?

SCULLY: - ... O carro... O carro saiu da estrada... Estou flutuando na luz... Oh meu Deus!

McCauley olha pra Mulder. Mulder respira fundo.

McCAULEY: - Como é a luz, Dana?

SCULLY: - Branca... eu... eu flutuo...

McCAULEY: - Sabe onde está?

SCULLY: - ... (DEBATENDO-SE) Não sei... luz.

Mulder faz fisionomia de quem está intrigado.

McCAULEY: - Quero que vá pra depois da luz... Onde está?

SCULLY: - ... (SORRI) Estou com papai... Ele está feliz... Entrei pra universidade.

McCAULEY: - Antes do acidente você estava na universidade?

SCULLY: - Não... Eu não sei...

McCAULEY: - Quero que vá pra antes da universidade. O que vê?

SCULLY: - Luz...

McCAULEY: - A mesma luz do acidente?

SCULLY: - Não, essa tem... Manchas amarelas...

McCAULEY: - E antes dessa luz, Dana?

SCULLY: - (TRISTE) ...O Bill... o Bill arrancou as pernas e os braços da Cindy!

Mulder olha pra Meg.

MARGARET: - Uma boneca que ela tinha aos 8 anos!

Mulder fica perplexo. McCauley estranha o comentário de Scully.

SCULLY: - (CHORANDO) ... O Bill... Ele estragou a Cindy.

McCAULEY: - Dana, e antes do Bill estragar a Cindy... Onde estava?

SCULLY: - ... Luz... A mesma luz...

McCAULEY: - Retroceda mais, Dana. Onde está agora?

Scully encolhe-se em posição fetal. McCauley olha pra Mulder. Os dois ficam intrigados.


9:57 P.M.

Scully debate-se de um lado pra outro. McCauley segura a mão dela.

McCAULEY: - Dana, estamos no acidente, você está flutuando na luz... O que vê?

SCULLY: - ... Luz...

McCAULEY: - Quero que vá pra depois da luz. Onde está?

SCULLY: - Vejo luz... a luz de manchas amarelas...

McCAULEY: - E depois disso, Dana? Onde está?

SCULLY: - ... Na cama... (AGITA-SE) Ele vai me matar!

McCAULEY: - Dana, ninguém vai te matar, está segura. Estou aqui... Quem é esse homem?

SCULLY: - Eu não sei... Ele quer me matar... Não sei onde estou... Não sei quem ele é...

Scully fica mais agitada.

McCAULEY: - Dana, agora quero que relaxe, saia do quarto e volte pra mim. Quando contar até 3, você vai acordar e vai se lembrar de tudo o que viu.

Mulder levanta-se. Abre a porta e sai.

SCULLY: - ...

McCAULEY: - Um... Dois... Três...

Scully abre os olhos. Senta-se no sofá. Coloca as mãos no rosto.


BLOCO 4:

10:36 P.M.

Na cozinha, Mulder está sentado, olhando pra xícara de café em suas mãos. Meg aproxima-se dele.

MARGARET: - Ela já dormiu. Então, o que descobriu?

Meg puxa a cadeira. Está abatida.

MULDER: - Meg, ninguém sabe exatamente como a memória funciona, mas sabemos que há uma troca química entre as células nervosas, que algumas partes do cérebro estão associadas ao córtex cerebral, ao tálamo, ao hipocampos... Existem dois tipos de memória: a memória motora e a factual. A motora, vamos dizer assim, é responsável por você saber andar de bicicleta. A factual são coisas, pessoas, números de telefone. Estórias de livros... E me parece que é isso que foi afetado na Scully. A memória factual. Ela sabe caminhar, sabe falar, sabe dirigir. Mas não sabe quem é ou quem somos. Não se lembra nem dos Arquivos X!

MARGARET: - ...

MULDER: - Prova disso é que quando ela retrocedeu, via luzes a cada vez que voltava a uma cena. Meg, é como um filme, onde partes foram cortadas. E nessas partes cortadas, ela só vê luz. Acho que essa luz é a reação química do cérebro que procura os dados solicitados mas não encontra.

MARGARET: - ... Sei. E...

MULDER: - Meg, eu estava certo. Não é amnésia.

MARGARET: - Como assim?

MULDER: - Existem vários tipos de amnésia. A amnésia retrógrada, na qual a pessoa não lembra nada antes do choque. A amnésia causada por desordens orgânicas, chamada síndrome de Korsakoff’s, que faz com que a pessoa esqueça o que almoçou há 10 minutos atrás. A encefalite pode causar amnésia, mas a Scully é uma pessoa saudável, não tem problemas com falta de vitaminas, nem sofre do mal de Alzheimer. Nem de amnésia histérica. Ela não inventou o que narrou. Não é amnésia. Há outra coisa aí que eu ainda não descobri.

MARGARET: - ... E não poderia ser amnésia retrógrada?

MULDER: - Não. Porque se fosse, ela teria perdido apenas dados passados. Mas desde que sofreu o acidente, ela está perdendo dados recentes. O cérebro dela está como um computador. Se você mandar desfragmentar o disco... (SUSPIRA) Ela só vai se lembrar de quando estava no útero materno, quando tinha 8 anos, quando estava na universidade, do acidente e que eu tentei matá-la. A Scully é só isso no momento. São as únicas lembranças de uma vida toda.

Mulder levanta-se.

MULDER: - Você cuida dela. O resto deixa comigo.

MARGARET: - Fox, onde vai?

MULDER: - Meg, eu...

MARGARET: - Fox... Eu conheço você o suficiente pra saber que está me escondendo alguma coisa. Você sabe o que é, mas não quer me contar.

MULDER: - Não, Meg, eu...

MARGARET: - Fox! Não subestime as mulheres da família Scully. Sabe bem como somos. Pode começar a desembuchar o que está escondendo. Vamos.

MULDER: - (SORRINDO) Não entenderia.

MARGARET: - (SE FAZENDO DE VÍTIMA) Está chamando de burra a sua sogrinha do coração, aquela que tira a razão da sua própria filha pra dar pro genro, aquela que faz chazinho pra você quando está nervoso? Aquela que lhe deu o maior presente de todos? Se não fosse por mim, você não teria ela. Se eu não tivesse esquecido daquela pílula...

Mulder abaixa a cabeça e ri.

MULDER: - Ô, Meg... Você consegue me animar mesmo quando eu tô caído... Acho que é um dom das mulheres da família Scully... Vocês impõe ordem, mandam em mim, e eu ainda acho graça... Lembro que até a Melissa chegou no meu apartamento e começou a brigar comigo e eu nem a conhecia. Me mandou ir ver a Scully no hospital...

MARGARET: - Vamos, Fox. Fala. Não me enrola.

MULDER: - O que sabe sobre abduções alienígenas?

MARGARET: - Ahn?

MULDER: - Meg, existem pessoas que quando voltam de uma abdução, a memória lhe foi tirada. Quando a Scully falou que flutuava na luz, ela estava dizendo que estava sendo abduzida. Não está com amnésia. Não é orgânico. Foi provocado e não foi acidental.

MARGARET: - ... Se você diz isso, não vou discutir. Você sabe do que fala.

MULDER: - Queria que a sua filha me dissesse isso também...


Apartamento de Scully – 12:02 A.M.

Scully sai do banheiro, enrolada numa toalha. Entra no quarto. Meg está dormindo na cama. Scully abre o guarda-roupas. Pega o pijama do Scooby. Mas distrai sua atenção pra dentro do guarda roupas. Olha atenta. Puxa o paletó de Mulder. Observa-o, desconfiada. Atira-o na cama. Pega sua bolsa. Tira um molho de chaves. Olha desconfiada pras chaves.

SCULLY: - Não são daqui... Por que eu teria chaves que não são minhas?

Scully vira a bolsa sobre a cama. Olha pro objetos pessoais. Pega o paletó. Cheira-o.

SCULLY: - Conheço esse cheiro...


Apartamento de Mulder – 1:34 A.M.

Scully abre a porta. Fica surpresa ao ver que descobriu de onde eram as chaves. Ela entra, sem fazer barulho. Olha pra sala. Procura por Mulder. Caminha até o quarto. Mulder está dormindo, sem camisa, encolhido na cama, abraçado num travesseiro. Scully encosta a porta do quarto, sem fazer barulho. Vai até a sala. Começa a revirar as coisas de Mulder.


1:47 A.M.

[Som: Chico Buarque – Eu te amo]

Scully encosta-se na escrivaninha e suspira. Com a fisionomia de quem está intrigada. Olha pros peixes. Inspira fundo.

Caminha lentamente até o quarto de Mulder. Empurra a porta. Aproxima-se do armário e o abre. Puxa um dos paletós de Mulder e o cheira. Procura entre as roupas dele. Dá umas olhadinhas pra ver se Mulder não acordou. É quando ela dá de cara com um tailleur. Procura pelo número. Lê a etiqueta. Fecha os olhos. Olha pra baixo e vê um par de sapatos femininos. Ela agacha-se e experimenta o sapato. Suspira. Coloca o sapato no armário. Olha pra Mulder. Percebe que ele está com as calças do pijama do Scooby.

Scully entra em pânico. Começa a derrubar lágrimas, nervosa e sai desesperada dali.


Arquivos X – 9:33 A.M.

Mulder anda de um lado pra outro. Skinner entra.

SKINNER: - (PREOCUPADO) O que houve?

MULDER: - Liguei pra ela. Não quis vim trabalhar hoje... Não é amnésia, Skinner. Eles fizeram isso com ela. Apagaram a memória da Scully. E você sabe que eles podem fazer isso.

SKINNER: - ... O que vai fazer agora, Mulder?

MULDER: - Quero falar com aquele homem.

SKINNER: - Acha que ele vai ajudar você? Sabe que não, Mulder. Já negociou com ele antes e quase teve de matar o Frohike por isso.

MULDER: - Ele vai ter de me escutar. Ele foi o responsável por isso. Ele apagou a memória da Scully.

SKINNER: - ... Por que não a matou, então?

MULDER: - É isso que está me deixando confuso. Por que os alienígenas a abduziriam justo naquele momento? Pra salvá-la da morte? Por quê? Que interesse eles têm na Scully?

SKINNER: - ... Mulder, e se... Ah, deixa pra lá, estou louco em pensar uma coisa dessas.

MULDER: - Fala, Skinner. Fala que eu quero ouvir.

SKINNER: - ... Eu acho melhor não falarmos aqui dentro.

Skinner abre a porta. Os dois saem.

SKINNER: - Mulder, e se aquele homem não quisesse matá-la?

MULDER: - ... Por que não iria querer?

SKINNER: - Se quisesse apagar a memória dela, afastá-la de você e a deixar viva.

MULDER: - ... ?

SKINNER: - Mulder, ele é seu pai. Talvez esteja tendo uma crise de bons sentimentos e ...

Mulder começa a rir.

MULDER: - Acha que ele tá preocupado com a minha felicidade? Skinner, o que está usando na cabeça? O mesmo xampu que lhe tirou os cabelos agora tá lhe tirando os neurônios?

SKINNER: - Tem outra explicação?

MULDER: - ... (RINDO) Ele não faria isso. Ele pouco se importa comigo. Nós temos uma guerra declarada. Eu não o aceito como pai, eu o odeio e ele é meu inimigo. Ele não ama nada, Skinner. Ele não amava minha mãe, nunca se importou comigo. Ele levou minha irmã novamente... Sabe Deus onde ela está! E eu confesso, dessa vez não vou atrás. Já estou velho, Skinner, minhas prioridades mudaram. Agora eu quero é curar a Scully e o resto que vá pro inferno!

Skinner suspira.

SKINNER: - Tá, eu não sei de nada. Acho que vou parar de beber.

Skinner sobe as escadas. Mulder encosta-se na prateleira de arquivos do corredor. Fica pensativo.


Apartamento de Mulder – 10:22 P.M.

Mulder entra na sala. Acende a luz. Olha pro canto da sala. O Canceroso olha pra ele, enquanto traga o cigarro. Os dois ficam se olhando sem dizer uma palavra.

MULDER: - ...

CANCEROSO: - ...

MULDER: - ...

CANCEROSO: - ... Queria falar comigo?

MULDER: - ... (COMEÇA A CHORAR)

CANCEROSO: - ...

MULDER: - (CHORANDO) Eu farei o que quiser... Mas me devolve a Scully!

CANCEROSO: - ...

MULDER: - (CHORANDO) Por favor!

Mulder ajoelha-se nos pés do Canceroso, abraçando-se nas pernas dele. Chorando desesperado.

MULDER: - (IMPLORA EM LÁGRIMAS) Ela não... Ela não! Ela é só o que eu tenho! Ela é... A minha vida! (CHORA) A minha vida!

CANCEROSO: - Beijaria meus pés, abandonaria o FBI, faria serviços sujos pra mim, desistiria da sua causa de herói, ignoraria todas as desgraças que eu trouxe em sua vida, tudo por causa de uma mulher?

MULDER: - ... Não por causa de uma mulher... Por causa dela.

CANCEROSO: - Não posso confiar em você, Mulder. Tinha planos pra que meu filho um dia sentasse na minha cadeira e governasse o mundo. Mas... Que tipo de homem é você que chora como uma criança aos pés do inimigo, suplicando trégua? Você não tem a coragem nem a aptidão pra tomar o poder em suas mãos. Borraria suas calças diante de uma ameaça... Você me decepciona, Mulder.

MULDER: - (CHORANDO, AJOELHADO, CABISBAIXO)

CANCEROSO: - Isso não fica bem vindo de você. Não está negociando como um homem.

MULDER: - (CHORANDO) Eu não sou um homem! Eu sou um nada! ... Eu quero a Scully de volta! Faz o que quiser comigo, mas me devolve ela!

O Canceroso afasta-se dele. Mulder fica caído no chão.

MULDER: - (CHORANDO, SEM FORÇAS) Faz o que quiser... Eu deixo tudo! Eu minto, eu mato, eu beijo seus pés e coloco minha vida em suas mãos... Mas me devolve a Scully!

O Canceroso o puxa pelo paletó, erguendo Mulder. Olha em seus olhos.

CANCEROSO: - Olha pra mim, Mulder!

MULDER: - ... (OLHA PRA ELE, EM LÁGRIMAS)

CANCEROSO: - Eu não posso te ajudar. Você é quem tem de se ajudar.

MULDER: - (CHORANDO)

CANCEROSO: - Você está fora de si, completamente fora de si! Acha que chorar adianta alguma coisa? Acha que se chorar o inimigo vai ter pena e não vai atirar em sua cabeça?

MULDER: - ...

CANCEROSO: - (RAIVA) Covarde desgraçado! (GRITA ENFURECIDO) Não humilhe-se! Jamais humilhe-se na frente de qualquer um que seja, seja lá por qual motivo que tenha!

O Canceroso o empurra. Mulder senta-se no sofá, debruçando-se sobre as pernas, chorando convulsivamente.

CANCEROSO: - Tenho nojo de você, Fox Mulder. Nojo da sua covardia, da sua humilhação, do seu medo! Nojo por ver que é um perdedor!

Mulder levanta-se. Agarra-o pelo paletó.

MULDER: - (GRITA COM ÓDIO) Eu não sou um perdedor!

CANCEROSO: - Você é. Você é o maior perdedor de todos!

MULDER: - Seu desgraçado! Eu odeio você!

CANCEROSO: - Não odeia o suficiente ainda pra sentir vergonha do que me pediu, do que fez hoje aqui. Não tem amor próprio nem vergonha na sua cara, Mulder!

MULDER: - ...

CANCEROSO: - Você é um tolo, um fraco!

Mulder afasta-se dele.

MULDER: - (GRITA) Não sou!

CANCEROSO: - (GRITA)Você é! Você deixa margens pro inimigo saber que sem ela você não respira! Ela é seu ponto fraco, Mulder. E você não esconde isso. Você expõe sua vulnerabilidade diante de todos!

MULDER: - ...

CANCEROSO: - Você desiste antes de arremessar a bola porque está faltando um segundo pra terminar o jogo e acha que não pode fazer uma cesta de 3 pontos!

MULDER: - ...

CANCEROSO: - Que bom que entregou a guerra, Mulder, sob ameaça de um míssil, mesmo não tendo certeza se o bilhete que recebeu era uma verdade ou uma piada imbecil. Tolos como você são alvos fáceis. Te desprezo, Mulder. Não está a minha altura. Não pode ser meu inimigo. Você é um nada. Um monte de lixo. Que entrega tudo por causa de uma mulher. Porque prefere pedir clemência do que lutar. Porque desde que dormiu com ela, perdeu os olhos da trincheira. Agora levou o tiro de misericórdia.

O Canceroso sai, batendo a porta. Mulder olha pra porta, com os olhos cheios de lágrimas, atordoado.


1:21 A.M.

[Som: Chico Buarque – Eu te amo]

Ah, se já perdemos a noção da hora, se juntos já jogamos tudo fora...

Me conta agora como hei de partir?

Mulder, sentado no sofá, esvazia o resto da garrafa no copo.

Ah, se ao te conhecer dei pra sonhar, fiz tantos desvarios...

Rompi com o mundo, queimei meus navios... Me diz pra onde é que ainda posso ir?

Mulder está confuso, desatinado, bêbado. Olhos inchados de quem não consegue mais dormir.

Se nós nas travessuras das noites eternas, já confundimos tantos as nossas pernas... Diz com que pernas eu devo seguir?

Mulder cerra as pálpebras, derrubando lágrimas.

Se entornaste a nossa sorte pelo chão... Se na bagunça do teu coração, meu sangue errou de veia e se perdeu?

Batidas na porta. Mulder empurra a bebida pela boca.

Como, se na desordem do armário embutido, meu paletó enlaça o teu vestido...

E o meu sapato ainda pisa no teu?

Mulder olha pra garrafa e o copo já vazios.

Como, se nos amamos feitos dois pagãos, teus seios ainda estão nas minhas mãos... Me explica com que cara eu vou sair?

Batidas na porta.

Não, acho que estás te fazendo de tonta, te dei meus olhos pra tomares conta...

Agora conta como hei de partir?

Mulder levanta-se, arrastando-se. Abre a porta. Scully olha pra ele, angustiada.

MULDER: - (DEBOCHADO) Estou bêbado, é melhor ir embora.

SCULLY: - ...

MULDER: - (DERRUBANDO LÁGRIMAS) E estou caído, humilhado, com vergonha de mim e com medo do mundo. Se não se lembra disso, quando fico assim, imploro pra cair nos teus braços.

SCULLY: - ...

MULDER: - (DERRUBANDO LÁGRIMAS) Eu costumo fugir dos problemas indo pra cama com você. Mas agora, nem você está mais naquela cama e menos ainda do meu lado.

SCULLY: - ...

MULDER: - Aliás, nem é preciso ir pra cama com você. Um beijo entre nós é como se fizéssemos amor a noite inteira.

Scully entra. Mulder fecha a porta.

MULDER: - Se quiser falar isso no Bureau, pode falar. Pode nos expor lá dentro. Hoje me disseram que eu sou um lixo. Um perdedor. Tá, estou entregando minhas armas. (DERRUBANDO LÁGRIMAS) Se quiser, pode pegar essa arma e atirar em mim, porque eu não sei nem mais o que estou dizendo. E a vontade que tenho de agarrar você nos meus braços só se equivale em quantidade a dor que estou sentindo por ter perdido você.

SCULLY: - Mulder, não me interessa e ainda não quero entender o que tínhamos...

Scully olha nos olhos dele.

SCULLY: - Eu... Eu vou embora, Mulder. Não há mais nada entre eu e o FBI. Já decidi. Vou começar do zero, uma vida nova.

MULDER: - (INCRÉDULO) Como assim?

SCULLY: - Vou deixar o FBI. Não sei o que vou fazer, mas... Eu não tenho mais nada ali. Sou um estorvo pras pessoas, não sei exercer a profissão que dizem que eu tinha.

MULDER: - ... (DERRUBANDO LÁGRIMAS)

SCULLY: - Vou seguir meu caminho, Mulder. Tentar juntar meus pedaços e... E tentar viver.

Mulder segura as lágrimas. Olha nos olhos de Scully e lá ele vê a palavra adeus.

SCULLY: - ... Adeus, Mulder. Eu vou embora. E quero que vá embora da minha vida... Não lembro do que você era pra mim. E tenho medo, porque aquela Scully foi embora. Vá embora também. É melhor partir...

MULDER: - (DERRUBANDO LÁGRIMAS) Eu... Eu não posso acreditar nisso...

Mulder segura Scully pelos braços. Scully olha assustada pra Mulder. Mulder agarra os cabelos dela, desesperado, olhando nos olhos dela. Scully olha nos olhos dele, sentindo uma angústia. Mulder desce pelo corpo dela, ajoelhando-se, agarrando-a pela cintura, arranhando-a, chorando como um desesperado. Atira-se no chão.

MULDER: - (CHORANDO/ MURMURA) ... Eu te amo... Não vá embora...

Scully solta-se e caminha de costas, olhando pra Mulder. Mulder arrasta-se no chão, estendendo as mãos pra ela, enquanto chora como criança.

MULDER: - Não me deixa! ... (GRITA) Por favor, não vá embora! (CHORANDO) Não vá... embora!

Scully fica desatinada. Abre a porta. Olha pra Mulder com angústia e derruba lágrimas também. Mulder encolhe-se no chão, como se tivesse sido apunhalado, gritando de dor.

MULDER: - (GRITA) Scully!!!

Scully começa a chorar ao vê-lo daquele jeito.

MULDER: - (GRITA AOS PRANTOS EM DESESPERO) Scully!!!

Scully sai, fechando a porta atrás de si, como se fechasse o passado. Ainda escuta os gritos desesperados de Mulder, implorando, chamando por seu nome.

Fade in.


X


20/05/2000


Aug. 4, 2019, 8:31 p.m. 0 Report Embed 1
The End

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Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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