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morghanah Morghanah .

“Chuva é o momento em que o mundo chora comigo”, tais palavras refletiam o que em muitos momentos de dor quando seus corações contritos sentiam vontade de externar a inúmeras angustias sentidas sem poder fazê-lo, uma chuva repentina vinda como uma dádiva de algum ser divino, recaía sobre eles, limpando suas almas dos males que naquele momento os afligiam.


Fanfiction Bands/Singers For over 21 (adults) only. © Os personagens não me pertencem, assim como suas imagens, entretanto, a história é de minha total criação e propriedade pessoal

#romance #drama #yaoi #the-GazettE
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Tears


N/A: Olá, pessoal, tudo bem? Bom, para quem não me conhece eu sou a Morgh-san, muito prazer. Essa história minha já foi postada em outro site no qual escrevia antigamente – isso lá em 2017 –, mas a apaguei por inúmeros motivos e estou tentando retomá-la agora com uma nova e melhor edição de detalhes importantes aos quais deixei passar, e aqui no Ink, pois sinto-me muito mais à vontade de mostrar meu trabalho neste site do que em qualquer outro. Sobre o enredo, ele não está completo – ou seja: totalmente escrito –, contudo, pretendo lhe dar um final e como tenho alguns bons capítulos adiantados, creio ser capaz de conseguir fazê-lo sem muitos problemas ou contratempos a partir de agora.

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Takanori estava parado defronte uma das grandes janelas de vidro do café no qual trabalhava e era um dos sócios. Seus olhos falsamente cor âmbar observavam a marcha apressada dos transeuntes que tentavam fugir da chuva pesada que o céu derramava, sem dó ou piedade, sobre todos naquela parte da cidade. A noite já havia mostrado seu manto negro e as luzes da megalópole japonesa eram um belo show a parte, assim como as cores dos guarda-chuvas que os protegiam da chuva também o eram. Cores vivas como vermelho, verde, branco, azul, amarelo e preto, mas havia também os mais discretos que optaram por uma proteção transparente, causando certo pesar ao jovem de origem japonesa que, de tão imerso que estava em seu mundo particular e admiração silenciosa daquela dança e música que a natureza e os seres humanos entoavam em conjunto, sequer notou a aproximação de alguém até que a voz daquele que se colocou ao seu lado foi ouvida.

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— É, Ruki, acho que você vai ter que esperar um pouco para poder ir para sua casa, está chovendo demais – a voz grave e divertida do meu suposto chefe, assustou-me. — A não ser que queira sair daqui a nado ou arriscar ser levado pela correnteza – sorriu com certo divertimento pilantra ao dar leves tapinhas no topo da minha cabeça como se eu fosse seu animal de estimação.

Odiava quando tiravam sarro de mim por causa da minha altura, algo que meu melhor amigo – cujo nome é Suzuki Akira, também conhecido pelos íntimos como Reita –, adorava e estava fazendo neste exato momento.

Ah, perdão, esqueci de me apresentar formalmente, meu nome é Matsumoto Takanori, mas podem me chamar apenas de Ruki, sem problemas, este é meu apelido há anos e gosto muito dele. Sou um homem de estatura baixa para os padrões masculinos, como havia-lhes dito. Tenho a pele clara, cabelos escuros, porte físico magro, olhos rasgados e castanho escuro como qualquer japonês, mas raramente estão em sua cor original porque vivo usando lentes de contato coloridas: azuis, verdes ou mais frequentemente a de cor âmbar e mais discretas como no momento.

Olhei em sua direção, rolei os olhos em sinal de irritação e voltei a olhar para a chuva mais uma vez o que o fez perceber que havia algo de errado comigo por eu não ter rido ou o mandado procurar o que fazer.

— O que foi que houve, você parece cansado e sei que não é apenas pelo trabalho. Te conheço – me encarou nos olhos e desviei os meus, não queria que ele visse ou notasse que estava triste. Não queria mentir para meu amigo, mas também não estava preparado para lhe contar o que se passava.

Reita se inclinou levemente em minha direção para me observar com mais atenção.

— Quer conversar um pouco lá na sala longe disso tudo enquanto espera a chuva diminuir e ver se tem como ir para casa de metrô? – sugeriu, mostrando o motivo de termos virado amigos/confidentes com o passar dos anos.

Akira sempre foi uma pessoa bastante sensitiva.

— É o Yuu – confidenciei, o tom de voz baixo para que os poucos clientes que haviam na loja não nos escutassem ou se incomodassem com a nossa conversa. O encarei de relance escolhendo as palavras antes de voltar a falar. — Ele disse que queria conversar comigo hoje quando chegasse a nossa casa após o trabalho – crispei os lábios com medo, Reita entendeu minha linguagem corporal e se virou em direção à janela, provavelmente pensando no que poderia ser o assunto, e pelo meu semblante sei que cogitou o pior, mas talvez nem se aproximasse do que realmente havia acontecido. — Só não sei se estou preparado para isso, sabe. Eu o amo muito, Reita. Só que, sei lá. Acho que não consigo mais.

Ele sabia que andávamos passando por uma crise muito séria em nosso relacionamento de pouco mais de uma década. Yuu e eu passamos a brigar nos últimos tempos e por absolutamente tudo, as coisas andavam complicadas para nós. Péssimas, na verdade.

Parecia que de uma hora para a outra não estávamos mais sendo capazes de nos comunicar ou até falar a mesma língua.

Contudo, não cheguei a detalhar a meu amigo o porquê ou entrar em detalhes mais íntimos por conhecê-lo muito bem e por mais que não parecesse, Akira era uma pessoa combativa e talvez fosse capaz de tirar algumas respostas na marra. E se tinha uma coisa que exauria minhas forças e eu detestava, era brigar.

— Acho que ficar se martirizando agora não vai adiantar, ouça primeiro o que ele tem a dizer, depois tome uma decisão, mas de cabeça fria e nunca pelo calor da emoção – argumentou, ainda olhando para a janela de início, mas voltando-se à minha pessoa pouco depois. — Eu sei o quanto é difícil perdoar ou esquecer certas coisas, acredite, eu sei. As palavras muitas vezes são piores do que navalhas, mas se o amor for forte o suficiente, acredito que acharão um modo de pôr isso tudo para trás, se não… – apenas ergueu os ombros voltando a encarar a janela.

Abaixei o rosto e permaneci ali por algum tempo, pensativo, ainda parado defronte a mesma parede pela qual vislumbrava tantos desconhecidos e me perguntava se eles tinham as mesmas dúvidas que eu, se estavam felizes em suas vidas, se queriam voltar no tempo ou simplesmente sumir, exatamente como eu desde aquele dia. Até que sem perceber a chuva deu uma diminuída e enfim pude ir embora.

O café ao qual ajudei a fundar anos atrás e trabalhava como garçom por vontade própria desde o princípio por ser péssimo em administração e ser desenhista e designer de formação, mas jamais ter exercido meu ofício se não para a loja e meus amigos – assim como para mim mesmo em minha casa –, ficava no centro da cidade, numa rua bem movimentada, mas que por conta do temporal estava praticamente vazio, sendo que em dias normais – sem uma chuva dessas –, estaria repleto de clientes em busca de algo para comer e beber, de um ambiente quieto e agradável para poderem conversar ou apenas ficarem sozinhos e pensar.

Já eu morava um pouco longe, numa parte residencial bem mais afastada do centro movimentado da cidade e composta de edifícios em sua maioria, então estava meio que bastante atrasado para o compromisso que tinha naquela noite.

Saí a passos rápidos do trabalho em direção a estação de metrô mais próxima, transitando e me esquivando por entre aquele mar de pessoas tão ou mais apressadas do que eu, mas durante o percurso senti meu aparelho celular tocando no meu bolso lateral da calça e o atendi.

Era ele.

Takanori, onde você está? Tem noção do quanto está chovendo? – ralhou, parecendo genuinamente preocupado com minha segurança, mas nem isso me amoleceu naquele momento.

Respirei fundo para não desligar o telefone na cara dele.

Custa ser mais educado e amigável comigo, já que está preocupado, Yuu?”, inquiri a mim mesmo em pensamento antes de responder como se ele não houvesse me irritado.

— Oi, Yuu. Eu sei, mas é que não tinha como sair do trabalho mais cedo ou faltar por causa da chuva – respondi sendo educado para evitar uma argumentação desnecessária ao telefone e no meio da rua.

Por que não me avisou que ainda estava no Yoin's coffee? Eu iria te buscar – falou, sendo o mandão de sempre, mas seu suspiro no final me fez notar que ele tinha percebido que estava sendo duro demais comigo a troco de nada. — Onde você ‘tá? – abaixou o tom de voz para um mais ameno e compadecido. Preocupado, na verdade.

— Eu já saí de lá, estou caminhando em direção ao metrô – olhei para os lados me situando, já que andava meio que na base do automático.

Taka, se abriga em algum local coberto e seguro, depois me diga onde é e me espere que eu já estou indo – pediu, mostrando-se o homem calmo e preocupado pelo qual me apaixonei e amo até hoje.

Escutei o barulho dele pegando as chaves na intenção de sair de casa em busca de minha pessoa.

— Não precisa, Yuu, você deve estar cansado e eu já estou… – minha fala foi interrompida pelo vento forte passou por mim e como estava segurando meu guarda-chuva com apenas uma mão e de modo displicente, este voou me deixando exposto à chuva. — Merda! – praguejei vendo-o ser arrastado e parar encostado às pernas de um estranho, ao passo que ia atrás dele.

Que foi, Taka?

— Nada, foi só o meu guarda-chuva que voou com um vento forte que deu aqui do nada – informei, sorrindo meio sem jeito por imaginar a cara de alívio do Yuu, enquanto me aproximava do estranho para poder pegar o objeto, mas o desconhecido o fez por mim.

— Isso é seu? – já estando de pé e defronte a sua pessoa quando apontou-me o objeto de proteção em sua mão direita. Sua voz grave, porém suave, melodiosa e calma em meio a toda aquela loucura, me chamou a atenção.

— É sim, obrigado – peguei-o e o olhei, mas não vi muita coisa por conta de meus óculos de grau molhados em embaçados.

Em seguida ele me fez uma mesura simples e se foi. Andando como se fosse imune a toda aquela chuva que me molhava até os ossos e às pessoas a passarem por nós em meio àquela travessa tão movimentada. Sua figura imponente, distinta e até mesmo delicada – embora mancasse levemente de uma perna, detalhe importante que prendeu a minha atenção de tal maneira que cheguei a abaixar o telefone e sequer me lembrei de voltar a me proteger –, estranhamente fez-me sorrir amigável em sua direção. Talvez fosse inveja de tanto ter desejado ser alto e elegante como ele me pareceu enquanto se afastava, sem nunca conseguir sê-lo.

Taka, você ainda tá aí? – ouvi a voz quase gritada do meu esposo do outro lado da linha e voltei a mim, retornando o aparelho a minha orelha.

O rapaz de bela postura e cabelos escuros já havia se mesclado àquele mar de gente deixando para trás uma forte impressão de sua pessoa em um desconhecido qualquer, eu no caso.

— Sim, estou. Diga o que foi? – pigarreei antes de fala para recuperar a minha voz e voltar ao que fazia antes.

Eu estou indo te buscar, já disse – repetiu, mostrando certa impaciência.

— Não precisa, daqui a pouco chegarei em casa, ok? – decretei, cortando a conversa e deixei o telefone no modo avião pois sabia que ele voltaria a me ligar e não estava com vontade de falar com ele durante meus minutos de isolamento na volta para casa.

Assim que cheguei em casa estava bastante molhado, apesar de tudo e de péssimo humor para qualquer coisa, então nem olhei para ele que me observava com expectativa e preocupação. Larguei tudo o que trazia comigo na entrada do apartamento e apenas fui em direção ao banheiro tomar uma ducha longa e relaxar. Eu não queria pensar em nada, antecipar nada, só relaxar, mas sem querer acabei pensando na bela figura incógnita de voz baixa e calma.

— Dia cansativo?

Aoi, na verdade Shiroyama Yuu, estava parado sob a soleira da porta a me observar. Acho que já deveria estar ali há certo tempo pelo modo como me olhava e como não notei sua presença, resolveu perguntar.

— Um pouco – disse, desligando o registro da água antes de pegar uma toalha para me secar, já havia acabado.

— Ruki, eu… – veio em minha direção com uma toalha nas mãos para me ajudar a secar meus cabelos molhados, mas me esquivei dele e de seu toque, vendo-o se encolher levemente e deixar o objeto sobre a pia. — Vou deixar você se secar e conversamos na sala, tudo bem? – anuí e ele se foi.

Fechei a porta a minha frente e encostei a testa nela, eu não queria ter esse tipo de conversa com ele, pelo menos não hoje, mas o Yuu sempre foi o tipo de pessoa que não deixava nada para depois sempre as encarando de frente. Na lata, como costumava dizer. E era isso que muitas vezes me apavorava.

Hoje não, Yuu”, dizia a mim mesmo enquanto me vestia vagarosamente na tentativa de postergar suas palavras ao máximo, ao passo que me preparava psicologicamente para o que ele diria e quais desculpas daria.

Como já sabia, o encontrei na sala a minha espera. O ambiente iluminado por uma meia luz, cuja mesa de jantar estava lindamente posta com velas acesas, uma refeição de aparência deliciosa e feita com cuidado, havia uma garrafa do meu vinho favorito, lírios brancos – minhas flores favoritas – e uma música, que somente notei agora, tocando sutilmente ao fundo.

Assim que notou minha presença, se ergueu e disse.

— Gostou? – coçou a nuca, envergonhado, me fazendo desviar o olhar e piscar várias vezes para não chorar de raiva.

Ah, Yuu, como eu queria que não fosse por essa razão que você tivesse feito tudo isso para mim, meu amor…”, pensei secando rapidamente uma lágrima fujona que escapou dos meus olhos e engoli o choro.

— Por que não me falou que estava cansado de nós, Yuu? – resolvi jogar logo tudo de uma vez e o vi me olhar com espanto. — E não adianta mentir, eu sei.

— Eu não estou – retrucou automaticamente.

— Não? – sorri em escárnio, cansado até para discutir. — E se esfregar com aquelazinha lá foi o quê? – embora não elevasse a voz, mostrei minha ira ao fazer a pergunta que não queria calar desde aquele dia.

— Taka, não foi bem assim… – deu um passo em minha direção. — Eu estava bêbado, ela se aproveitou de mim.

— Não ouse – adverti, elevando o indicador da mão esquerda, fechando os olhos antes de os reabrir puxando o ar com certa necessidade. — Eu sou idiota, mas nem tanto, Yuu – ciciei. — Não me venha colocar a culpa nela porque ela não fez tudo sozinha. E pelo seu estado naquele dia, você se empenhou um bocado e se divertiu bastante fazendo, que eu sei – ele abaixou o rosto, e como dizem.

Quem cala, consente.

Eu ri soprado com escárnio, com ódio e de tristeza ao mesmo tempo, mas ri.

— Eu sei que não, mas você tem que entender que…

— Que, o quê? – o cortei de imediato me alterando finalmente. — Anda, fala?! Diz logo que você pegou sua colega de trabalho e transou loucamente com ela a ponto de voltar para casa todo arranhado e com marcas de chupão por todo o corpo! Que em momento algum você pensou no idiota do seu marido que estava em casa te esperando até altas horas da noite e capotou de cansaço sentado à mesa de jantar no dia do nosso aniversário de casamento que você sequer se lembrou – comecei a chorar enquanto falava sentindo ódio de mim mesmo porque eu sabia que, mesmo depois disso, ainda amava esse homem mais do que a mim mesmo.

— Taka, amor, me perdoa – se aproximou de mim, se ajoelhando a minha frente, os olhos também marejados e eu sentia, eu via que ele estava sendo sincero e isso me doía ainda mais. — Eu te amo tanto, tanto que chega a doer.

— Não minta pra mim, Shiroyama! – bradei, me afastando dele. — Já não basta tudo que sei e vi!? – rebati, quase em desespero.

— Eu sei que errei, mas a gente vai superar isso, eu sei que sim. A gente se ama – me olhava com aquele olhar de cachorro que caiu da mudança, enquanto ajoelhado no chão chorando tanto quanto eu.

Neguei.

Ele se ergueu de imediato, veio em minha direção e me abraçou com força.

— Não, por favor. Eu não consigo viver sem você, Takanori.

— Me larga! – o afastei de mim com brutalidade.

— Não faz isso… não me manda embora da sua vida.

— Eu não fiz isso, foi você quem o fez no momento em que encostou as mãos naquela vagabunda – respondi o acusando, desolado.

— Mas eu estava bêbado, caramba!

— Vai embora, Yuu – pedi, calma e encarecidamente, após passar as mãos sobre meu rosto e limpar as minhas lágrimas.

— Não, Taka – veio em minha direção e se ajoelhou aos meus pés outra vez, tomando minhas mãos nas suas e me olhando, implorando por perdão. Fechei os meus e me soltei dele, dando passos para trás ao apontar o indicador em riste na direção da porta de saída.

— Sai – o vi negar e me agarrar.

— Não, amor… – tirei suas mãos de mim. — Não faz isso, eu te amo – tentou me abraçar, me beijar, mas me afastei novamente.

— Não ama – minha voz não passou de um sussurro sôfrego, negando com imensa dor voltando a encarar os olhos pedintes dele. — Se amasse não teria feito o que fez pela segunda vez, Yuu – a raiva me subindo até que esbravejei. — SEGUNDA!

— Você disse que não tocaria nesse assunto nunca mais.

Essa foi a gota d'água para mim.

— Some – pedi tentando me manter calmo, mas ao ver que ele não estava me levando a sério. Gritei. — Some da minha vida, cacete. Vai embora daqui e nunca mais apareça na minha frente, Shiroyama Yuu – o vi de olhos arregalados em minha direção percebendo finalmente o estrago que tinha feito e a que havia reduzido o nosso casamento.

Meu esposo nada disse, apenas abaixou a cabela ao se afastar de mim. Seus ombros estavam caídos e eu sabia que ele chorava tanto quanto eu enquanto se dirigia à porta sob meu olhar severo, abrindo-a e fechando-a me dando um último olhar no qual pedia perdão antes de ir embora deixando-me sozinho comigo mesmo e minha mágoa.

E finalmente pude chorar em paz o fazendo até não conseguir mais naquele dia.

Para a minha sorte, eu não tive que ir trabalhar por três dias devido a um imprevisto inofensivo no café que me permitiu ter tempo o suficiente para chorar tudo e mais um pouco antes de voltar ao trabalho e lá, por conta do movimento que nunca parava, me esquecer do acontecido. Entretanto, todos os dias o Yuu me ligava, mandava algumas mensagens bonitas feitas por ele me pedindo perdão, dizendo que me amava mais do que tudo na vida dele, que sem mim não viveria, que recuperaria a minha confiança perdida, se redimiria de seu erro, desenhava mostrando que se lembrava das aulas que havia lhe dado no passado e nessas imagens eu percebia todo o seu carinho por mim, etc.

Devo confessar que os dias que se seguiram foram péssimos com todos aqueles simples e significativos gestos dele que eu tentava esconder a todo custo o que se passava entre nós dos meus melhores amigos. Akira e seu esposo, Tanabe Yutaka – mais conhecido como Kai –, se tornaram meus amigos durante os anos de faculdade, mas foi trabalhando aqui que viramos irmãos de alma e por mais que precisasse conversar um pouco, me sentia envergonhado por já ter brigado ferrenhamente com eles no passado e defendido alguém que no final não honrou suas palavras e me traiu mais uma vez.

Enquanto fazia isso, eu definhava dia após dia.



Fazia pouco mais de um mês desde aquela briga feia que tivemos e não nos vimos mais desde então, pois o evitava de todas as formas possíveis e imagináveis.

Voltava para casa e neste dia também chovia muito, mas ao contrário de tantos outros, hoje eu não quis ou fiz questão de me proteger dela enquanto caminhava de volta para meu solitário refúgio que antes era acolhedor porque tinha meu Yuu comigo, mas agora não me trazia nada disso, pensando que talvez essa chuva lavasse minha alma e levasse tudo de ruim com ela a ponto de não restar mais nada.

Foi então que me senti tonto, tudo a minha volta começou a girar, desfocar e escurecer. Numa atitude reflexiva me apoiei em uma parede a minha direita, que para minha sorte estava próxima o suficiente e fiquei ali esperando que o mal estar passasse, mas ao contrário, tudo só aumentava, até que senti uma mão sobre meu ombro esquerdo, acompanhada de uma voz que dizia que tudo ia ficar bem e perguntando se eu queria ajuda. Girei meu rosto em sua direção e… não lembro de mais nada.





July 21, 2019, 7:49 p.m. 0 Report Embed 2
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