hocksthot Afogata

Cansado da vida miserável no Brasil, Erick muda-se para os Estados Unidos ansiando uma vida melhor. Vivendo em uma cidadezinha cercada por florestas, trabalhando em um posto de conveniência e escrevendo um livro nas horas vagas, sua pacata vida começa a despencar quando vira suspeito no homicídio de sua colega de trabalho.


Thriller/Mistery For over 18 only.

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É o começo do fim.

No início foi difícil sair de seu país de origem e ir para um local completamente novo e inexplorado por si, as borboletas em seu âmago pareciam dançar eufóricas, o que consequentemente lhe causava náuseas e tonturas a cada cinco segundos. Entretanto, era um sacrifício a ser feito, ao menos ali ele teria uma vida de qualidade diferente da vida miserável que tinha no Brasil, onde o país enfrentava uma onda de violência e pobreza, principalmente de onde ele havia vindo.


Geralmente ele tentava não pensar a respeito, havia sido árduo deixar sua mãe e irmã para trás, mas Erick certamente voltaria para buscá-las assim que a sua vida em Forest Grove — uma cidadezinha em Oregon bastante agradável — estivesse estagnada. Encontrou um apartamento pequeno cujo aluguel era razoável, além de um emprego em um ponto de conveniência 24 horas que incrivelmente lhe pagava bem, pelo menos até ele conseguir encontrar um emprego melhor. Passava o dia dormindo, escrevendo trechos de seu livro ou passando pelas florestas ao redor de Forest Grove e à noite ia para o trabalho. Para sua alegria, mas não surpresa, ao ficar das onze da noite até às seis da manhã eram recompensados com um bônus generoso que o ajudava a pagar as contas. Ele estava vivendo o sonho americano.


O moreno esfregou as mãos para se aquecer enquanto andava pela calçada, estava estranhamente frio considerando a estação do ano em que estava. Não podia evitar praguejar baixo lembrando-se de todas às vezes em que sua mãe havia dito “Leve um casaco. Vai esfriar.”ele sempre levava uma jaqueta afinal intuição de mãe nunca falha, mas naquele dia por ironia do destino havia o esquecido em cima do sofá.


Até então os únicos sons que ouvia eram dos grilos e o de seus passos contra a calçada molhada, contudo, rapidamente foram substituídos por alarmantes sirenes que a cada segundo se tornavam mais audíveis. Curioso, Erick virou a cabeça em direção aos sons avistando o piscar incessante avermelhado da luz do giroflex, que passaram ao seu lado em alta velocidade. Ele acompanhou com os olhos o carro da polícia, arregalando-os em espanto ao perceber que o trajeto feito pelos oficiais eram o mesmo que ele fazia até o trabalho.


Instintivamente ele começou a correr em direção ao posto, suas costas pesavam a cada passo que dava, como se soubesse que havia algo de errado naquilo. Era o turno de Claire, ela só saía do posto depois que os dois se viam, então se a polícia estava indo para lá significava que algo de errado havia acontecido enquanto ela ainda estava lá dentro, certo? Esses pensamentos assombravam a mente assustada de Erick, o fazendo correr mais rápido do que já estava, seus pulmões pareciam prestes a explodir em milhões de pedaços.


Enfim ele chegou ao seu trabalho, os carros da polícia estavam ali, isolando o local com fitas. Ele tentou se aproximar, mas foi parado por um dos oficiais que o afastou e Erick passou as mãos pelo cabelo escuro cacheado, perto de entrar em estado de choque. Ele olhou ao redor e avistou Robert, o dono do lugar estático com a boca levemente aberta em pavor enquanto fitava a parede externa.


— Senhor Smith, o que aconteceu aqui? Cadê a Claire? — Erick perguntou enquanto se aproximava dele em passos rápidos.


Robert continuou a fitar a parede, balançando a cabeça inspirando profundamente.


— Eles a mataram… — Ele respondeu baixo de forma arrastada. Ele estava visivelmente em choque, ela era filha dele afinal. No entanto, mesmo assim fez um enorme esforço para apontar para a parede.


Erick sentiu as lágrimas escorrerem por seu rosto, não tendo certeza se começou a chorar antes ou depois do que Robert havia lhe dito. Ele nunca foi de chorar muito, mas se sentia culpado, talvez se não tivesse se atrasado e perdido o ônibus Claire ainda estivesse viva, eram muitas possibilidades, muitos “talvez” e “e se”. Sua atenção foi para a parede apontada por seu chefe e mesmo com a visão turva pelas lágrimas ele conseguiu ler a mensagem deixada ali: Nós avisamos você. Seguido de um símbolo peculiar formado por um círculo e um X no centro.

July 11, 2019, 3:06 a.m. 1 Report Embed Follow story
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Rodrigo Borges Rodrigo Borges
Gostei do final, acho raro esses finais que terminam após um grande acontecimento. Geralmente, outros apenas dividem o texto, deixando sem coesão o final de cada capítulo aqui no Inkspired; mas você não, você parece ter escrito exatamente para caber na plataforma, admiro isso. Além do mais, achei bem suave e espontâneo os únicos dois diálogos da história - diálogo é que nem desenhar mão ^^, e gostei do seu desenho. Entretanto, há algumas partes que faltam vírgula, coisa mínima, e, (opinião de leitor) sempre me faz falta, em qualquer texto, o uso de outros pontos, como ponto e vírgula, ou até mesmo hífen. Obrigado por ter lido meus textos, pois assim pude conhecer "Ele morre no final" e terei a chance de ler outros escritos seus em breve.
September 07, 2019, 02:02
~

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