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miyushu Miyu Shu

Yoongi finalmente conseguiu realizar seu sonho de criança e ser um rapper famoso. Mas ele não esperava encontrar seu ex-namorado quando foi para o Canadá fazer uma parceria, e tudo o que esse encontro traria para ele. AU em que Yoongi é um rapper e Taehyung é um ator, e os dois ficam 5 anos sem se ver depois que Taehyung foi embora. TAEGI | Side!YOONSEOK | TAEGI ENDGAME | SHORTFIC


Fanfiction Romantic suspense Not for children under 13.

#yaoi #bts #yoongi #taehyung #taegi #vsuga
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Min Yoongi

Yoongi estava deitado há tanto tempo naquela cama que o colchão havia se moldado para o seu corpo. Ele nem ao menos sabia dizer, ao certo, desde quando estava ali, encarando a parede do lado oposto, enquanto a cabeça repousava levemente em dois travesseiros e um cobertor fino o cobria, deixando os pés livres. Apesar de estar com frio e sentir a ponta de seus dedos gelando cada vez mais a cada minuto passado, ele não tinha energia para se mexer.


A verdade era que estava deprimido há dias. Levantar da cama havia se tornado extremamente difícil; a cabeça doía, os olhos pesavam e o corpo parecia cansado. Somente pensar em se mover deixava-o exausto, como se estivesse sem dormir há muito tempo — mas não era como se isso fosse mentira, já que ele realmente não dormia direito há meses.


As pessoas tinham razão; Yoongi tinha uma vida boa e não tinha muito do que reclamar. Vivia em um bom apartamento em uma área nobre de Seul, trabalhava com o que queria e não tinha dificuldades financeiras.


Houve uma época em que ele acreditou que isso tornaria as coisas melhores. Seguir sua carreira como rapper foi algo que ficou feliz de ter conquistado e ele realmente aproveitou nos primeiros meses; as primeiras entrevistas importantes, os fãs o reconhecendo na rua...


Contudo, ele já estava quebrado por dentro há muito tempo. O único momento que ainda não havia perdido a graça, o de subir no palco — a única hora em que Yoongi conseguia ser ele mesmo e não precisava forçar sorrisos, podendo demonstrar sua raiva e frustrações livremente —, começou a se tornar insuficiente. Passou a ser frustrante e triste, e havia dias em que ele só queria que o show acabasse para poder voltar ao seu apartamento em Seul.


Infelizmente, ali, naquele momento, ele não tinha como ir para a capital — para o apartamento que ele deveria chamar de casa, mas que era solitário demais para ser considerado um lar — e, apesar de realmente não querer se mexer, sentiu-se obrigado a levantar quando sua barriga roncou.


Sua última refeição havia sido há mais de um dia, e não era a primeira vez que seu corpo reclamava da falta de alimento. Por estar sentindo-se levemente tonto, Yoongi rendeu-se à fome, pegando seu celular no criado-mudo ao lado da cama e vendo que eram pouco mais de quatro da tarde. Ele considerou ligar para a recepção do hotel e pedir alguma das comidas ofertadas, mas não aguentava mais comer a mesma coisa — havia o feito nos últimos dias, em todas as refeições. Ao perceber que teria que ir até um restaurante, gemeu com desalento, escondendo o rosto no cobertor.


O fato de estar em um hotel era um dos motivos de sua atual tristeza. Yoongi finalmente havia conhecido a cidade dos seus sonhos: Vancouver, no Canadá. Ele estava ali por conta de uma parceria que faria com uma rapper canadense. As gravações duraram dois dias e Seulgi, sua gerente, insistiu para que ele ficasse o resto da semana na cidade, para aproveitar a viagem e descansar. Yoongi tentou recusar, mas ela praticamente o obrigou, ameaçando-o.


Certo. Ele tinha três dias livres em uma cidade que queria muito conhecer. Isso não seria um problema, se ele não tivesse se trancado no quarto do hotel assim que as gravações terminaram. Isso havia acontecido há três dias; as gravações da parceria haviam acabado na última terça, e já era sexta-feira. Isso significava que ele iria embora no dia seguinte, à noite, e não havia aproveitado nada da cidade porque estava deprimido demais para fazer qualquer coisa que não fosse deitar e lamentar a sua existência.


Yoongi grunhiu ao pensar no assunto, encolhendo-se ainda mais. Não era como se ele não pudesse voltar para Vancouver novamente quando estivesse melhor — felizmente, a carreira de rapper havia lhe dado um bom respaldo financeiro e ele podia se dar esses luxos, caso quisesse. Mas havia algo excepcional no fato de ser a primeira vez que ele estava ali, conhecendo a cidade canadense, tendo contato com o famoso maple syrup e vendo a Grouse Mountain que rodeava a cidade. Era para ter sido algo especial, mas a única coisa que Yoongi fez, foi ir ao estúdio e ficar naquele quarto de hotel. Mesmo quando Seulgi o chamou para ir ao Stanley Park após uma das gravações, ele apenas recusou, alegando estar cansado.


Ele queria e muito passear pela cidade, mas sentia que não conseguiria. E naquele momento, sentado sozinho naquela cama de casal enorme demais para seu corpo magro, com os pés frios encostando no chão gélido, ele se sentia novamente sem energia alguma.

De repente, ouviu seu celular tocar, o toque genérico preenchendo o ambiente de forma irritante. Como odiava falar ao telefone, ficou tentado a deixá-lo tocando, mas detestava ainda mais o barulho, então a opção foi automaticamente descartada, enquanto seus dedos relutantemente buscavam pelo aparelho eletrônico.


Nem se preocupou em ver quem era ao atender, clicando devagar no pequeno botão verde da tela e colocando o celular no ouvido.


— Alô? — disse Yoongi, a voz rouca e áspera. Era como se sua garganta não quisesse trabalhar, suas cordas vocais enferrujadas e secas.


— Yoongi? Está tudo bem? — Ele ouviu a voz preocupada de Hoseok.


Claro, tinha que ser ele. Ninguém mais lembraria ou ligaria para ele, além de Hoseok. Ninguém mais perguntaria se ele estava bem porque realmente queria saber se ele estava bem, além de Jung Hoseok.


— Ah, sim. Desculpe, é que eu acabei de acordar. — Mentiu, não querendo preocupar o garoto. Se Hoseok soubesse o estado de Yoongi no momento, era capaz de querer pegar o primeiro avião para o Canadá. — O que foi?


— Então… — começou Hoseok, rindo nervosamente. Yoongi conseguia ouvir sua respiração pesada e um pouco de hesitação na voz. — Eu finalmente juntei coragem pra te perguntar... Depois que você voltar de viagem, você aceita ir a um encontro comigo?

Yoongi sentiu-se tentado a desligar.


Não era como se ele não gostasse de Hoseok; muito pelo contrário, ele o adorava. O que Yoongi não gostava era dos sentimentos que Hoseok tinha — sentimentos que não conseguia retribuir na mesma intensidade, por mais que quisesse.


Eles haviam se conhecido há um ano, quando Yoongi foi com Seulgi em uma escola de dança renomada de Seul em busca de dançarinos para gravar um vídeo clipe de uma de suas músicas. Hoseok, um dos alunos, foi a pessoa que conseguiu derrubar um copo inteiro de café em cima de Yoongi. Normalmente, essa seria uma situação em que Yoongi ficaria bravo e xingaria a pessoa, mas não conseguiu fazê-lo ao ver o garoto se ajoelhando e pedindo desculpas com uma cara de choro.


No último dia de audições, Yoongi e mais quatro jurados estavam em um pequeno auditório, avaliando os dançarinos. Ele estava distraído em seu celular, lendo uma notícia qualquer sobre o governo do país, quando viu pelo canto dos olhos um rosto conhecido entrar no palco. O menino do café, pensou. Quando Hoseok o viu, começou a abaixar a cabeça freneticamente, pedindo desculpas novamente. Isso fez Yoongi rir — e as pessoas ao lado dele se assustarem, porque provavelmente havia sido a primeira vez que elas viam Yoongi com uma expressão alegre.


Yoongi manteve um sorriso no rosto até Hoseok se colocar no meio do palco e começar a dançar. Foi como se o dançarino tivesse tirado todo o oxigênio do ambiente, pois todos os jurados estavam se sentindo sem ar com a visão. Yoongi não entendia nada de dança, mas não precisava ser um expert para reconhecer o nível do garoto — ele sabia usar cada músculo de seu corpo para criar o movimento perfeito. Hoseok acabou sendo escolhido a mão por Yoongi, e eles viraram amigos depois disso.


Sinceramente, Hoseok havia sido a primeira pessoa em cinco anos com quem Yoongi considerou ter um envolvimento amoroso. Todo mundo ao seu redor parecia apoiar, já que falavam sobre os sentimentos dele acerca do rapper, mas Yoongi preferia ignorar, pois não sabia lidar com isso — nunca soube.


— Ah… Eu… — gaguejou, não sabendo muito bem o que responder. Para ser mais exato, ele não estava em condições de responder.


— Não precisa responder agora — Hoseok adiantou-se em acrescentar, fazendo Yoongi sentir-se um pouco aliviado. — Eu sei como você é em relação a essas coisas... Você pode me responder quando você voltar. Pode ser?


Você é bom demais para mim, Hoseok.


— Sim, pode ser. Obrigado.


Eu não sou a pessoa maravilhosa que você pensa que eu sou.


— Tudo bem, então. — Yoongi ouviu a risada calorosa do dançarino pelo telefone, fazendo seu coração apertar. — Vou te deixar voltar a dormir.


Pare de gostar de mim.


— Boa noite, Yoongi. Ou seria boa tarde? Eu não sei que horas são aí.


Você merece coisa melhor.


— Ainda é de tarde. — Yoongi forçou uma risada. — Obrigado por ligar, Hoseok.


Me desculpe, Hoseok.


Desde que tinha se trancado no quarto do hotel, Yoongi não havia tomado banho nem trocado de roupa sequer uma vez. Estava se sentindo sujo, uma sensação horrível e agoniante, e era assustador pensar que alguém que priorizava tanto limpeza como ele havia chegado àquele estado.


Tomar um banho. Era isso que ele precisava antes de qualquer coisa.


Grunhindo, finalmente se levantou, sentindo todos os músculos do seu corpo doerem enquanto se dirigia ao banheiro em passos arrastados e lentos. Nem ousou se olhar no espelho, com medo de como seu rosto poderia estar.


Sem ao menos regular a temperatura ou tirar a roupa, ligou o chuveiro e sentiu a água gelada bater em suas costas sobre a camisa, fazendo-o acordar de seu transe. Lentamente retirou a peça de roupa e jogou-a no chão pela porta ainda aberta do box — a camisa caiu fazendo um barulho engraçado que fez Yoongi rir. Depois que tirou sua calça e sua boxer, a água já estava quente.


Ele sentiu o calor relaxar seus músculos e aliviar sua dor de cabeça. Ficou parado por um tempo, apenas apreciando a sensação da água em seu corpo, não sabendo se havia ficado no banho por minutos ou por horas — só sabia que se sentia um pouco melhor do que antes.


Colocando uma roupa quente e uma touca, sem se preocupar em secar o cabelo loiro, finalmente teve coragem de se olhar no espelho e viu no reflexo as fortes olheiras embaixo de seus olhos. Seu rosto estava mais magro que o normal, o fato de que pulou refeições fazendo-o emagrecer despropositadamente.


Quando saiu do hotel, a primeira coisa que Yoongi sentiu foi uma rajada de vento fria em sua pele. Apesar disso, o dia não estava tão gélido comparado a quando chegou, com o sol que ameaçava se pôr ainda trazendo um fraco calor aconchegante.


Olhando os arredores, percebeu que não havia nada além de pequenos supermercados e restaurantes de fast-food e se arrependeu de não ter pedido para Seulgi escolher um hotel no centro de Vancouver. Ele até considerou pegar um táxi, mas queria evitar ter que falar com outro ser humano naquele momento. Pelo menos Seulgi havia lhe ensinado como ir para o centro usando o transporte público, então não teria problema.


Yoongi caminhou até a estação de metrô que ficava a cinco minutos do hotel, e subiu as escadas calmamente, aguardando na plataforma. O veículo não demorou para chegar, vindo mais vazio do que o rapper esperava. Yoongi, então, entrou e se encostou em um dos cantos, colocando o capuz do seu casaco.


A viagem até o centro foi rápida, não demorando mais que vinte minutos para chegar na Granville Station, que ficava bem no centro da cidade. Yoongi se lembrava vagamente ter ido para aqueles lados com Seulgi, e sabia que havia restaurantes por todos os cantos. Com sorte, não precisaria andar muito para encontrar um que fosse coreano.


Depois de uma caminhada de aproximadamente dez minutos, Yoongi achou uma rua com uma concentração de restaurantes de comida asiática. Essa é a vantagem de ir para uma cidade com vários imigrantes, pensou, enquanto escolhia o que parecia mais tradicional. Entrou receoso e silenciosamente sentou em um dos lugares no canto do estabelecimento. Não demorou muito para uma garçonete vir atendê-lo, trazendo consigo um cardápio. Yoongi só queria comer algo, independente do que fosse, então pediu a primeira coisa que viu.


Quando ficou sozinho na mesa novamente, começou a pensar na ligação de Hoseok e no que aquilo significava.


Yoongi havia passado os últimos cinco anos em total negação, não se atrevendo a aproximar-se romanticamente de ninguém. Ele ainda conseguia se lembrar de Namjoon dando uma aula sobre o porquê ele deveria dar uma chance para Hoseok e sobre o quanto isso seria bom para Yoongi.


O que Yoongi tinha não era medo. Ele se sentia mal, para ser sincero. Ele gostava de Hoseok e sabia que podia desenvolver algum tipo de sentimento romântico por ele, mas sentia como se estivesse usando-o para se livrar de um dos fantasmas do seu passado.

Um fantasma do seu passado que ainda vivia junto com ele, diariamente.


Seu pedido chegou e interrompeu seus pensamentos. Yoongi saboreou cada centímetro da comida em seu prato, comendo mais rápido do que o normal — ele realmente estava com fome e tinha que aproveitar que estava com apetite. Em menos de dez minutos, seu prato já estava vazio e ele já havia se levantado para ir ao caixa pagar a conta.


Mesmo que todo seu corpo gritasse para que ele voltasse ao hotel, Yoongi resolveu controlar seus instintos. Tinha que aproveitar, pelo menos aquele dia. Quando voltasse para a Coreia, permitiria-se ficar trancado em seu quarto por quanto tempo achasse necessário.


Andando pelas ruas, passou na frente de dois ou três Starbucks e um Tim Hortons, seguido de uma loja de mangás e figures, várias lojas de roupas, vários cafés e a fachada de um shopping subterrâneo. Seguiu caminhando, e só parou quando deu de cara com um cinema.


Um cinema.


Isso não seria um problema, cinco anos atrás.


Isso era um problema, desde cinco anos atrás.


Yoongi viu ele na foto do filme em cartaz.


Kim Taehyung.


O filme que ele tinha trabalhado duro nos últimos meses para gravar, e que havia sido o melhor trabalho da sua carreira. O filme que o fez brilhar nas telas fora da Coreia do Sul e que Yoongi havia assistido na semana retrasada, sozinho em seu quarto em Seul, sem ninguém saber.


Taehyung pintou o cabelo de novo, Yoongi pensou. No cartaz, ele estava com os fios loiros e, desde a última vez que Yoongi o viu, seu rosto não havia mudado muito, mas estava mais maduro — lógico que grande parte disso era maquiagem e photoshop, tentando esconder a cara inocente e idiota do garoto, mas ele realmente havia amadurecido, não tendo mais o rosto jovial de antes.


Foi como se aquela foto tivesse acordado sentimentos profundos de Yoongi. Sua visão ficou turva de repente, e a vontade de voltar para o hotel o consumiu. Ele não queria mais estar ali, não queria mais estar no meio das pessoas. Foi como se todo seu corpo começasse a pesar, todas as lembranças de cinco anos atrás amontoando-se na sua cabeça.


Ele nunca havia superado, por mais que falasse para si mesmo que havia.


Era uma cicatriz muito grande para se deixar de lado e ele acabava alimentando cada vez mais o fantasma de Kim Taehyung. O fantasma da pessoa que o abandonou cinco anos atrás.


O fantasma da pessoa que Min Yoongi falhou em esquecer.


Apressou-se em voltar para a estação de metrô, tropeçando diversas vezes em seus próprios pés, as mãos tremendo enquanto os punhos permaneciam fechados com força. Ele agradeceu mentalmente por ainda ter pouca gente circulando àquele horário e, tentando se controlar, fez os exercícios de respiração que sua antiga psicóloga lhe havia ensinado, meses atrás.


Vai ficar tudo bem.


Você consegue chegar até o hotel.


Inspire.


Um.


Dois.


Três.


Expire.


Parecia que tudo estava demorando demais, que as paradas nos pontos levavam mais tempo do que o necessário e que o metrô estava andando em câmera lenta. Yoongi sentiu tudo ficar embaçado e sua respiração falhar, todas as coisas que aconteciam ao seu redor ficando abafadas.


Viu que sua estação era a próxima e, quase perdendo o equilíbrio, aproximou-se da porta, relutante. Assim que ela abriu, Yoongi saiu, apressado.


Era para ele ter voltado ao hotel e tudo ter ficado bem. Era para ele estar colocando roupas confortáveis e deitando na cama, envolvendo-se nos cobertores. Então, por que ele estava voltando para o vagão?


Ele não devia ter olhado, mesmo que de canto de olho.


Ele não devia ter olhado a pessoa que entrou no vagão no mesmo momento em que saiu.


Mesmo rápido, ele reconheceu.


Reconheceu o formato do nariz, os ombros largos, o tom da pele, os olhos grandes. A mesma cor de cabelo de quando ele o viu pela primeira vez.


O fantasma da pessoa que Yoongi estava tentando esquecer por todos aqueles anos.


— Yoongi? — A voz familiar rompeu todos os pensamentos de memórias antigas que invadiam sua cabeça.


Mesmo depois de ter voltado ao vagão, Yoongi ainda não havia erguido o rosto. Lentamente, deixou seu olhar subir, inseguro, e seus olhos se encontraram. Toda uma nostalgia bateu em si, doendo como se ele tivesse sido atropelado.


Taehyung ainda era o mesmo. O mesmo olhar infantil e caloroso. Aquele mesmo olhar que o seguiu nos cartazes espalhados por Seul. Ele ainda era o mesmo Taehyung que ele conheceu. O mesmo Taehyung por quem ele se apaixonou.


Yoongi não conseguia responder. Todas as suas palavras e emoções se entalaram em sua garganta e ele sentia vontade de chorar. O mal estar no seu estômago foi embora para ser substituído por uma falta de ar.


Porém, mesmo com a confusão interna, quando olhou de novo para o garoto à sua frente, a única coisa que ele conseguia pensar eram nas roupas finas que Taehyung vestia. Estava frio, e Taehyung trajava uma camisa branca e calça jeans preta, com um moletom bordô, que não parecia quente o suficiente para aquele dia.


— Você não está com frio? — foi a primeira coisa que Yoongi disse, tentando ao máximo não deixar sua voz tremer.


E ele realmente queria saber. Não era as respostas de todas as perguntas que o seguiram por anos ou se Taehyung estava bem que Yoongi necessitava saber a resposta.


A expressão surpresa de Taehyung foi substituída por um sorriso fraco, e ele riu levemente.


— Não, eu já estou acostumado com o clima daqui — respondeu, parecendo receoso, como se não soubesse como reagir àquela situação.


Parecia irreal. A voz de Taehyung parecia falsa, como se Yoongi estivesse vendo-o em um de seus filmes, nas suas atuações. Era como se a qualquer momento Taehyung fosse desaparecer, fruto de mais uma das alucinações de Yoongi.


Mas não. Quando Yoongi piscou e conseguiu focar à sua frente, Taehyung ainda estava ali. Ele começou a falar de repente sobre a gravação de um filme que estava fazendo na cidade. Ele estava falando muito rápido, como fazia quando estava nervoso, mas Yoongi não estava mais prestando atenção.


Sua respiração estava falhando. Parecia que todo o oxigênio que ele inspirava era jogado fora por seu corpo, e Yoongi começou a se sentir sufocado.


Eu preciso sair daqui, era a única coisa que ecoava em seu cérebro.


— Taehyung — conseguiu dizer meio ao furacão que estava em sua mente, interrompendo a fala do mais alto, que o olhou, surpreso. — Eu acho que eu estou tendo uma crise de ansiedade.


Por que eu disse isso?


Taehyung permaneceu em silêncio por um tempo, provavelmente tentando raciocinar o que Yoongi havia acabado de dizer.


Yoongi ouviu a voz computadorizada vinda das caixas de som do metrô, avisando qual era a próxima estação, porém ele não conseguia entender mais nada, apenas ouvir por cima. A porta do metrô se abriu e ele sabia que precisava sair, mas não conseguia se mexer.


Foi quando sentiu uma mão firme em seu pulso, puxando-o para fora.


A mão em seu pulso guiou-o até um banco, em um lugar com poucas pessoas, ainda dentro da estação de metrô. A mesma mão que estava em seu pulso o fez se sentar. E a mesma mão apareceu poucos minutos depois com uma garrafa de suco de uva, colocando-a em seu colo.


Yoongi ficou olhando para a garrafa por alguns segundos, até perceber o que ela significava.


Ele ainda se lembra.


Ele forçou seus olhos para cima e viu o rosto preocupado de Taehyung, que aparentemente não sabia o que fazer.


Ele ainda se lembra qual é o meu sabor de suco favorito.


— Você está bem?


Ele ainda se lembra que a porra do meu sabor de suco favorito é uva.


Yoongi começou a rir baixinho, sem humor, fazendo Taehyung olhá-lo, confuso.


— Sim, eu estou melhor agora — disse ele, depois de um tempo.


Yoongi olhou para sua mão. Ela já havia parado de tremer e, ao menos, sua respiração havia estabilizado. Eles permaneceram em silêncio, podendo-se ouvir apenas com o barulho de algumas pessoas conversando ao longe e da respiração pesada de Yoongi.


— Obrigado — murmurou ele, tomando um gole do suco em seguida, sentindo o líquido gelado descer por sua garganta.


— Você não precisa me agradecer — respondeu Taehyung, sentando-se ao seu lado com cautela, como se não soubesse se era permitido ou não. — Isso acontece com frequência?


Yoongi olhou no fundo dos olhos de Taehyung; o olhar que ele falhou em esquecer nos últimos cinco anos, o olhar que ele detestou durante os últimos cinco anos, o olhar que ele amou durante sua adolescência e, naquele momento, ele não sabia como se sentir sobre isso. Apenas as pessoas mais próximas de Yoongi sabiam sobre seu estado emocional.


Então, por saber que essa não era uma informação que ele deveria compartilhar com uma pessoa que não falava há anos, Yoongi não compreendeu porque murmurou um “sim” honesto para Taehyung.


Yoongi não entendia mais nada.


Já havia anoitecido em Vancouver e Yoongi estava sentado no banco de uma das estações de metrô da cidade com Kim Taehyung, a pessoa que havia abandonado-o cinco anos antes.

July 1, 2019, 1:59 a.m. 0 Report Embed 0
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