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morghanah Morghanah .

Consumida pelo desvario caudaloso de minha sanidade corrompida sem a tua presença a trazer-me de volta à superfície, afogo-me novamente


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#drama #original #songfic #conto #Kalafina #06
Short tale
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N/A: Recomendo que, para um melhor aproveitamento da história, a leiam ao som de Lirica das Kalafina, cuja aesthetics capa deste capítulo feita por mim – e que, infelizmente, não pode ser visualizada em seu tamanho original quando vista através do aplicativo do site – pode ser visualizada aqui, uma boa leitura a todos e obrigada.



Os dias parada defronte o limite parcialmente vítreo da sala do apartamento ao qual chamei de lar e ansiava estar todos os dias e assim poder repousar em teus braços, eram intermináveis. Uma eternidade indolente cuja tristeza sobrepujava minha pouca sanidade e levava junto consigo o resto de minh'alma maculada e acre.

As cores que antes via com tamanho brilho, força, nitidez e beleza por serem fugazes, e por isso tão belas, tornaram-se cinzentas e monocromáticas assim como eu me sentia por dentro.

Oca, vazia, morta.

Eu via e sentia em minha carne o tempo transcorrer. Meu corpo exigia de mim que mantivesse suas funções vitais em seu enfadonho e indefectível ofício funcional, mas eu não queria e detestava-me ainda mais por sucumbir aos desejos da mãe natureza.

Eu queria findar, perecerem, desfalecer, diminuir até nada além de cinzas restar.

No entanto, até mesmo isso me foi negado restando a mim arrastar-me dia após dia sem você aqui comigo a me acalentar em meio a meu tão conhecido desvario desesperado e hostil.

Os olhos antes vivos cuja tonalidade de certo modo, distinta das demais e motivo de sua adoração silenciosa quando juntos, tornaram-se opacos tal qual eu era agora e minhas lamúrias eternas e silenciosas deixavam apenas um rastro molhado e salgado em meu rosto.

Riscos que expressavam externamente os rasgos em meu imo e tal qual a fluidez incolor a cair de meu queixo sobre meu busto por minutos a fio todos os dias, sem que movesse um ínfimo músculo sequer para as eliminar ou desviar vosso curso, eram parte integrante da ferida aberta que sangrava profusa e ininterruptamente dentro de mim.

Não havia mais nada meu em mim para ser salvo.

Não havia mais sopro de vida.

Estava morrendo de dentro para fora e agora restava-me apenas vagar como um corpo a mercê da pior de todas as sentenças: uma vida que em certos momentos para mim equiparava-se à imortalidade de um deus vivo.

Seria eu, afinal, a deusa que representava a solidão dos amantes separados?

A deusa por quem Romeu e Julieta clamaram quando erroneamente acharam que sua metade estava morta?

Não sei, mas de certa forma não importava mais saber a resposta, pois se nem eles tiverem um final feliz, por que eu haveria de ter o meu?

Em meio à escuridão cálida onde mirava as mais belas ilusões coloridas que tinha de ti, meu amor, e como o ser atipicamente pedinte que sou, obsecrava para toda e qualquer entidade do universo que atendesse meu pedido. Implorava para que livrassem-me de tamanho desatino, dor, tristeza, cônscia de que para isso teriam que levá-lo de mim e isso eu jamais permitiria, sendo assim resguardava com carinho e devoção cada uma de nossas lembranças juntos, ainda que o fio vermelho de nossa promessa – a única coisa em minha vida que permanecia corida – sufocasse-me minuto após minuto, pois a sentia enrolada em meu pescoço a restringir mais e mais minha respiração já precária.

E eu sabia bem o que isso queria dizer.

Eu sabia o que esse laço almejava de minha pessoa e embora relutasse, compreendia que lhe daria isso em breve caso tudo seguisse o ritmo triste da melodia que antes era alegre, no entanto, tornara-se um réquiem profundo, saudoso e incólume que precederá meu mais intenso desvario, agora que finalmente entendi e aceitei minha sina.

Minhas penas caíram e meu belo sonho acabou.

Visualizei em meus sonhos o seu rosto ao qual segurava em minhas mãos e o beijava com carinho, mostrando-te o quanto amava-te, mas, ainda assim, sabia que era pouco. Vocábulos e ações eram fracos e pequenos perante tudo o que sentia, entretanto, prosseguia em meu incansável desejo de lhe mostrar e fazer-te entender o quanto amo-te.

E ao despertar de meus sonhos bons onde era feliz e por ti abraçada, sentia as ondas da Loucura a arrastarem-me cada vez mais levando-me para a parte mais profunda e interna do mar de dor e sofreguidão no que estava, cujo Delírio fazia os ventos soprarem com mais força e intensidade, cantando em meus ouvidos uma melodia triste e funesta.

O silêncio ensurdecedor de nossa casa deixava-me surda quando via-me ali sozinha e o sol surgia no horizonte outra vez.

Não foram poucas, quiçá contáveis as vezes que em meio a meus delírios sobre nós dois eu corri em um campo onde a relva alta encostava em meus dedos, enquanto uma lua cheia em seu pleno esplendor iluminava meu caminho até você, mas em todas as vezes que o alcancei era seu semblante colérico e vazio de sentimentos por mim, tudo o que via.

Eram suas palavras hostis que machucavam-me e sangravam o nosso elo o que escutava.

Eram suas costas largas e máscula que eu via se afastando de mim sob minhas súplicas incessantes e humildes.

Exatamente como naquele dia em que fostes embora de nosso lar levando consigo suas roupas e tudo de bom que havia em mim sem olhar para trás, ou apiedar-se de minha pessoa, enquanto desolada e prostrada no chão frio de nosso lar pranteei por horas a fio e sozinha até que o dia tornou-se noite e alvoreceu novamente, mas de modo algum trouxe-te a mim mais uma vez.






May 26, 2019, 4:19 p.m. 0 Report Embed 120
The End

Meet the author

Morghanah . Escritora faz algum tempo que migrou de outras plataformas para mostrar meu trabalho. Sou uma pessoa dedicada a historias mais densas com personagens tirados de uma mente conturbada por diversos conflitos internos e levemente insana, um detalhe importante que me fez iniciar a minha longa jornada na arte da escrita e, caso aprecie isso, seja bem vindo ao meu mundo.

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