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ariane-munhoz Ariane Munhoz

Beber sempre parece uma boa ideia até o dia seguinte. Sakura sente isso na própria pele ao despertar na casa da melhor amiga, nua em pelo, com uma dor de cabeça descomunal e nada além da vaga lembrança do que a havia levado até ali. - InoSaku - Para Alice Alamo.


Fanfiction Anime/Manga For over 18 only.

#romance #drama #lesbian #lgbt #yuri #amizade #naruto #fns #inosaku #orange #bugbattle
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Ino

* Naruto não me pertence.

* Fanfic feita para o desafio da FNS de músicas nacionais que leva a tag #Bugbattle

* Presente de (des)aniversário para Alice Alamo! Porque o aniversário dela passou, mas os presentes, eles vêm o ano todo!

* Conteúdo Yuri. Não gosta, não leia.

* Conteúdo clichê. Não gosta, nem passa perto.

* Essa história também conta com temas como preconceito sobre bissexualidade e afins. Então estejam avisados.

Comecei o desafio com 'Vamos fugir', mas a fic foi tomando rumos tão distintos que resolvi dividir em capítulos, pegar outra música e seguir o baile.


Alice, que seus dias sejam repletos de luz e vida! Que você continue sendo esse bolinho que eu amo! Você é um nenê que o mundo não merece, e eu vou te proteger com minhas garras de irmã leoa!


O link da música que deu origem à fic está nos comentários finais. O nome dela é Passos Escuros, pertence à banda Hevo84, e eu realmente recomendo escutar ela durante a leitura!


Boa leitura!

***

Eu mudei por você

Mas não quis sofrer

Por ser tão real pra mim

Sakura despertou pela manhã, sentindo os dedos que passeavam em seus cabelos. O sol morno atingiu seu rosto enquanto se dava conta de onde estava: no apartamento da melhor amiga, Yamanaka Ino, após uma longa noite de bebedeira.

− Ohayo, testuda. – cumprimentou-a, o sorriso tranquilo no rosto, estendendo-lhe um copo d’água e dois comprimidos. – Tome, vai te fazer se sentir melhor. – O carinho estendeu-se lentamente por seu corpo.

Preguiçosamente, sentou-se na cama, deixando os lençóis escorrerem pelo torso nu, sem importar-se com o olhar que a outra mulher lhe dedicava, passeando pela tatuagem de dragão chinês que tinha feito com um tatuador indicado por Uzumaki Naruto, Aburame Shino, para encobrir uma besteira que havia feito na época do início da faculdade.

− Ohayo, porquinha. – A voz ainda arrastada de sono veio acompanhada de bocejos. Sentia a cabeça latejar e a leveza de quem não se recuperou totalmente da noite de bebidas. – Arigatou. – Colocou os comprimidos de vez na boca, bebendo a água para ingeri-los. Permitiu-se recostar na cabeceira da cama fechando os olhos e apertando o sulco entre as sobrancelhas para aliviar um pouco a dor.

− Foi uma bebedeira e tanto, ein? – Ino ajeitou-se ao seu lado, puxando para cima as mangas longas da camiseta que usava até que se encolhessem nos antebraços. Sakura concordou com a cabeça, resmungando baixinho.

− Não é todo dia que você vê seu ex-noivo se engalfinhando com seu suposto melhor amigo, não é? – O riso amargo veio com um humor que não se refletia nos olhos esverdeados. Ino sorriu de canto, olhando para ela e lhe afagou os fios róseos.

− Naruto e Sasuke foram feitos um para o outro, Sakura. – disse ela, com certo comedimento. – Não se sinta mal por isso, sério.

Ela suspirou, fazendo um muxoxo antes de apoiar o rosto sobre o ombro de Ino.

− Eu não me sinto, sério. – disse ela, apertando os olhos. – Para ser sincera, acho que no fundo torcia pelos dois. É só que... foi meio repentino. Eu senti... – Parou de falar por um momento, gesticulando com as mãos como se buscasse uma resposta que não encontrava – sei lá como eu me senti.

Ino olhava para um ponto qualquer na parede, reflexiva. Havia também um sorriso em seus lábios que Sakura não soube identificar.

− Tudo bem com você? – questionou, com certo receio de ter dito algo que simplesmente magoaria Ino. É claro, tinham tido suas diferenças antes – inclusive ambas tinham tido uma queda por Sasuke – , mas aquilo tudo tinha ficado no passado.

− Claro. – Ino respondeu, arrastando-se até a beirada da cama, olhando-se no espelho e encarando o reflexo de Sakura. Mentirosa. Mil vezes mentirosa. – Por que não estaria?

Sakura encolheu um pouco os ombros, caçando com os olhos as próprias roupas.

− Te dei muito trabalho?

− Um pouco de vômito, um banho e te jogar na cama. – disse. – Nada de novo sob o sol.

Sakura bem que tentou se levantar, mas sentia o mundo girando ao redor.

− Fique aí. – Ino rebateu com um bico enorme nos lábios. – Vou comprar um café forte pra você. – Ergueu-se, jogando a camisa que usava no chão apenas para que Sakura vislumbrasse seu corpo por um momento. Sob o sutiã de renda preta, enxergou os vergões em suas costas e arregalou os olhos, mas Ino já havia se vestido novamente.

− O que aconteceu com você?!

Ino apenas sorriu amargamente.

− Nada. – disse ela. – Nada me aconteceu.

Sakura não compreendeu quando ela saiu batendo a porta como se fosse um furacão.

Minhas verdades ninguém vai mudar

Nem apagar o que foi feito aqui

Uma tempestade acompanhada de dor e sofrimento. Ino respirou fundo enquanto se afastava na direção do elevador, aproveitando os segundos de silêncio enquanto descia, até que o mesmo parou no segundo andar.

Precisou subir o capuz do moletom, querendo esconder as lágrimas que queriam manchar o próprio rosto e a maquiagem que havia feito com tanto esmero. Engoliu em seco. Como era idiota!

− Ohayo. – O vizinho lhe cumprimentou, sem de fato olhar para Ino. O cachorro alegre pulando sobre ela, querendo um afago como recompensa por toda sua energia.

− Ohayo. – Ino mal olhou para o rosto do indivíduo, mantendo a atenção focada no filhote. Lembrando-se tão bem do momento em que havia ido encontrar Sakura no bar.

...

Perdida, completamente perdida! Mal podia suportar a ideia de que havia se deixado enganar pensando que Sakura havia lhe chamado por qualquer outro motivo que não fosse aquele!

“Estou no bar. Venha me encontrar.”

Mas o que encontrou foi apenas uma bagunça acompanhada pela melhor amiga bêbada. Já fazia tempo desde que as duas tinham deixado as diferenças de lado para viverem uma amizade tranquila e sem mágoas. Encontravam-se com constância – até maior do que Ino gostaria para sua sanidade mental.

Não soube quando passou a olhar para Sakura de outra forma, simplesmente que havia acontecido. A garotinha assustada havia florescido em uma linda cerejeira que tinha ganhado por completo sua atenção e devoção. Ino viu-se da pior inimiga que queria roubar-lhe os garotos à melhor amiga protetora que jamais deixaria nenhum escroto lhe magoar.

Soube que havia se apaixonado muito antes que o cérebro fosse capaz de computar o fato. Quando o coração passou a bater descompassado na presença dela não soube. Engraçado, costumava pensar. E achava que era apenas porque se sentia feliz perto dela.

Foi então que compreendeu que as coisas não eram bem assim. Ainda no final de sua adolescência quando teve a primeira experiência homossexual com uma garota chamada Karin que lhe ensinou tudo o que sabia. E o gosto por ruivas demonstrou-lhe apenas aquilo que não queria enxergar: que em todas elas via Sakura. E que quando deitava-se com outra mulher, tudo o que queria era ela.

Difícil foi abrir o jogo para a verdade: dizer à melhor amiga que gostava de outras garotas – mas sem nunca citar seu nome. Era ridículo, não era? Pensar naquilo. Estragaria tudo! Não poderia!

Envergonhou-se do fato, mas a verdade veio à tona.

Eu sempre soube, disse ela com um riso matreiro. E então contou-lhe sobre Hinata, que havia lhe dito sobre a primeira vez das duas.

Nunca mais me esconda nada, porquinha, havia feito Ino prometer. Mas aquele segredo, pensava Ino enquanto a encarava bêbada e chorando por Sasuke na mesa do bar, guardaria a sete chaves dentro de seu ser.

− Vamos, testuda, vamos embora daqui. – queixou-se enquanto acertava as contas com o barman. Levando-a até o próprio carro e a colocando no interior do mesmo, atada ao cinto de segurança. Ouvindo suas lamurias e queixas sobre como era um desperdício que dois homens tão lindos estivessem juntos.

− Sabe, hic! Ino. – falava pausadamente, o rosto corado demais manchado pelas lágrimas e pela maquiagem borrada. – Eu deveria ser mais como, hic! Você.

− Como eu? – Ino a olhou de rabo de olho enquanto se focava no trânsito, vez ou outra empurrando Sakura para que não caísse em cima do câmbio. – O que quer dizer com isso?

− Livre e despojada, hic! Para amar quem quiser! – gritou colocando o rosto para fora do carro. – EU AMO MINHA MELHOR AMIGA, UHUUUUL!

Carros buzinavam em protesto, mandando-a calar a boca e enfiar a cabeça para dentro. Foi preciso Ino puxá-la para o interior do carro, tentando calar o próprio coração dentro do peito que batia desenfreado lhe dizendo para que parasse de criar expectativas sem motivo.

− É sério. – Sakura pareceu sóbria ao dizer-lhe isso quando pararam no farol. Fazendo-a engolir em seco, desejando absolutamente mais que tudo ignorar suas palavras enquanto os olhos verdes a encaravam refletindo nada mais que esperança quando a mão tocou-lhe o rosto. – Estou falando sério. – repetiu.

Como se fosse tudo o que Ino precisava ouvir. Como se Sakura retivesse todas as chaves que havia jogado fora e abrisse caminho até seu próprio coração, derretendo-a de dentro para fora da maneira que nenhum outro homem, quiçá nenhuma outra mulher havia alcançado. Fazendo-a entregar-se à própria promiscuidade, nunca segurando-se por tempo o suficiente em um relacionamento sério, simplesmente porque ninguém era ela: nem Karin, nem Tayuya, nem Gaara, nem Sasuke ou tampouco Hinata. Isso sem contar os casos de uma única noite.

− Não brinque comigo, testuda. – O riso nervoso preencheu o ambiente, focando-se no adiante, no trânsito. As mãos muito firmes no volante. Suando. Frias. Queria tanto sair dali, fugir. – Sério. É só a bebida.

− Ino. – O chamado tinha efeito entorpecente em sua voz. Tão diferente do apelido de sempre, fazendo-a olhar em sua direção. Sabendo que não deveria, pois tinha certeza do que encontraria.

Ba-Dum! Ba-dum! Ba-dum!

Os lábios dela roçaram contra os seus, com sabor de Gin Tônica e Sex on the Beach. Sentiu o coração disparar ao ponto de quase explodir quando a pressão da boca contra a sua aumentou, pedindo espaço para que os lábios se entreabrissem e a deixassem explorar o território até então desconhecido.

Mas Ino afastou-se, assustada ao ouvir as buzinas, antes mesmo que o beijo se concretizasse. Sakura a encarava com o mesmo sorriso travesso de anos atrás quando havia beijado o primeiro garoto de sua vida, escondida atrás dos muros da escola sob a vigia da própria Ino.

− P-por favor... – gaguejou, a mente em branco como se tivesse sido preenchida por isopor – não faça isso se estiver brincando. – pediu, o riso nervoso escapando da boca daquela maneira estrondosa que Sakura tanto adorava.

− Não estou.

Por que parecia tão sóbria? Ou será que Ino havia desejado enganar a si mesma para que pudesse se entregar ao momento? Era difícil dizer.

Hoje eu sou o que restou da dor

Da minha dor

O aperto em seu ombro a trouxe para a realidade. Fazendo-a encarar Inuzuka Kiba no interior do elevador. O dono do cachorro, é claro. E que agora a encarava estupefato, assustado enquanto Ino chorava de soluçar. Sem que se desse conta, pois as mãos trêmulas ainda tocavam os pelos de Akamaru.

− Ino? – chamou-a, assustado. – O que houve? Quer que eu chame alguém? Que te acompanhe de volta?

A mulher tentou mordiscar o lábio inferior para conter as lágrimas. Mas quanto mais tentava, mais difícil se tornava respirar. Kiba decidiu que aquela era uma péssima ideia, mas ele era horrível em acalmar os outros! Para não dizer horroroso.

− E-eu... É-é q... – Mas as lágrimas caíam e soluçava novamente. Kiba quase caiu com Akamaru enrolando a coleira entre os dois, ganindo nervoso por não conseguir acalmar a humana. E Ino o abraçou com força, sentindo que estilhaçava-se de dentro para fora.

− Tudo bem. – disse ele, mesmo sabendo que nada estava bem. – Que tal irmos até o meu apartamento e você tomar um chá? Não precisamos conversar. Mesmo.

Ino acompanhou-o como se fosse um robô. Kiba afagou as orelhas do filhote, que compreendeu que seu passeio seria adiado. Pelo menos por algumas horas.

...

O interior do apartamento era aconchegante, embora fosse uma verdadeira bagunça caótica. Kiba soltou a coleira de Akamaru, deixando que ele corresse na direção do quarto e corresse para a cama, esparramando-se lá.

− Aqui. – Ofereceu-lhe um lenço para que secasse as lágrimas. – Pode usar o banheiro se preferir. Vou preparar o chá.

Ino engoliu em seco, sem compreender por que o vizinho que desconhecia a ajudava. Sequer cogitou o fato de que ele sabia seu nome ou que havia lhe tratado com tanta intimidade.

− Por quê? – questionou, querendo se focar em qualquer coisa que não fosse a própria tristeza ou a dor que sentia naquele momento, sentindo que ela a tragaria para um abismo profundo se permitisse. Como podia ter sido tão tola a ponto de achar que tudo seria diferente e que Sakura... idiota, idiota, mil vezes idiota!

− Por que o quê? – Kiba devolveu enquanto colocava a água para ferver, apoiando os antebraços na bancada, olhando diretamente para Ino.

− Por que me ajudou se nem me conhece? – Fungou baixinho, limpando as lágrimas no lenço oferecido.

− Mas quem disse que eu não te conheço?! – Exclamou Kiba, gargalhando enquanto aproveitava o tempo livre para encher a vasilha de Akamaru. Pouco tempo depois, o filhote vinha como um furacão devorando a ração. – Você é Yamanaka Ino, o sorriso mais radiante desse prédio!

Ino pegou-se surpresa diante daquela afirmação.

− Foi graças a você que pude ter Akamaru nesse prédio! Ou não se lembra? Tinham umas pessoas reclamando de animais no prédio, quiseram proibi-los. Mas mesmo sem ter um único pet, você sancionou a lei a nosso favor!

− Eu... é verdade. – Lembrou-se de quando Shino havia lhe pedido para intervir pela lei dentro do próprio prédio. Não havia compreendido de cara, mas ele havia garantido que era importante pelo cara com quem havia começado a sair. – Espere. Você é o namorado do Shino?!

− Eu mesmo! – Kiba sorriu, expondo as presas. – O cara mais fodão que você vai conhecer! E detesto a ideia de que seu sorriso radiante esteja manchado por lágrimas. Aqui. – Empurrou a xícara de chá na sua direção. Estava doce demais, mas Ino não reclamou devido ao esforço do garoto em ser agradável. – Shino me falou tão bem de você. Disse que se conhecem há muito tempo!

− Crescemos juntos. – A lembrança trouxe calor ao peito de Ino, fazendo-a esquecer-se momentaneamente do motivo que a havia levado até ali.

− Ele gosta muito de você. – Kiba cobriu a mão de Ino com a própria. – Sei que é difícil se abrir com alguém que acabou de conhecer. Mas permita que eu o chame aqui. Não deixe seu sorriso morrer, Ino.

Mais uma vez, sentiu-se grata pela presença que Kiba irradiava. Havia algo nele, Ino percebeu, que era simplesmente cativante. E pôde compreender um pouco porque o amigo havia se apaixonado por aquele garoto.

− Obrigada, mas não. – O sorriso em seus lábios ainda era triste quando terminou de beber o chá. – Existem certas coisas que preciso resolver sem a ajuda dele.

Kiba compreendeu. Sabia que certos problemas a gente precisava resolver por si só.

− Seja lá o que for, enfrente com o rosto erguido. – disse ele. – Alguém que te faz chorar assim não é merecedor do seu sorriso.

Ino sopesou aquelas palavras. Sentiu o coração pesado ao admitir para si mesma que talvez Kiba tivesse razão. Mesmo que não soubesse do que falava.

N/A:

Música: https://www.youtube.com/watch?v=UuecTXbbHzA

A fanfic vai ser dividida em três capítulos. Esse primeiro no ponto de vista da Ino, o segundo focado na Sakura e o terceiro nas duas. Já aviso desde já que essa fic vai ter continuação!


Já perceberam que eu não consigo deixar ShinoKiba de fora? Pois é.


Me digam o que estão achando!


May 21, 2019, 10:55 p.m. 0 Report Embed 1
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