Tsuioku Follow story

morghanah Morghanah .

Quanto mais viverei aqui sozinha, agarrada a outra ponta de uma promessa que nem sei o quanto recorda-se dela


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#05 #Kalafina #songfic #original #romance #drama #conto
Short tale
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N/A: Recomendo que, para um melhor aproveitamento da história, a leiam ao som de Tsuioku, das Kalafina, cuja aesthetics capa deste capítulo feita por mim – e que, infelizmente, não pode ser visualizada em seu tamanho original quando vista através do aplicativo do site – pode ser visualizada aqui, uma boa leitura a todos e obrigada.




Como uma flor branca marcada em seu núcleo e pétalas pelo mesmo vermelho vivo a correr em minhas veias, a exata cor do fio a manter-nos unidos – embora, no momento, distantes um do outro fisicamente – através de sua presença silenciosa e quase invisível em nossos dedos mínimos de nossas mãos direitas, vejo o sangue presente em minhas mãos machucadas pela fúria que fez-me socar seguidas vezes a parede a minha frente em busca de alívio após nossa última briga, escorrer por entre meus dedos e manchar minha pele e o piso do chão da casa a qual dividíamos até pouco tempo atrás.

Sei que consideras-me intensa demais, visceral em demasia e causa-te medo, pois a imprevisibilidade de minhas ações acaba por ser nociva, às vezes, mas tens ciências de que não consigo controlar-me direito, não é?

As tatuagens e piercings presentes em meu corpo expressam parte daquilo que sou e guardo por dentro, e sei que sabes bem disso, mas o engraçado é que nunca disse-me se gostava delas ou não. Se incomodavam-te ou acreditava que estas eram uma extensão nefasta do que trago em mim. De uma parcela importante dos meus gostos por vezes peculiares, ou – quem sabe até – a minha forma de me destacar entre tantas outras pessoas que assim como eu foram tocadas pelas costas das mãos de Deus.

Apenas tu sabes o quanto minhas sensações devoram-me com afinco quando as sinto em todo o seu esplendor. Seja ela a alegria de um momento feliz ou a dor excruciante presente em minha interminável tristeza. Nada em mim és e jamais será plácido ou simples ser. Sou feita de carne, ossos, sentimentos e sensações.

Sou mais emoção do que razão.

Sou desequilibrada em meu próprio equilíbrio.

Sou aquela que nasceu para ti, pois o completa e vice-versa.

Somos as peças-chave que controlam nossos próprios destinos, embora não tenhamos controle algum de absolutamente nada acerca de nós mesmos.

Somos brinquedos nas mãos de um Deus sádico e um Destino cruel que fizeram de nós dois tudo o que somos: metades que almejam tornarem-se um todo, mas que estão distantes demais um do outro para isso.

Aflige-me o coração e entristece-me a alma não estar contigo agora. Não ser capaz de abrigar-me no conforto dos teus braços fortes, de aquecer-me com parte de seu calor tão característico e de sorrir os mesmos sorrisos largos de outrora quando ainda estávamos juntos.

Decerto sei que tudo me parece tão longínquo que por vezes pego-me a ponderar se o que sinto por ti não passa de um sonho. De uma ilusão provocada por minha ilusória ingenuidade tardia ou culpa das lembranças de outras existências ainda tão vívidas em meu cerne a ponto de causar-me tamanha saudade, dor e sofrimento.

Realidades onde fui feliz ao seu lado e que tanto fazem-me falta nesta a ponto de sentir-me incompleta quando sozinha.

Por que não estás presente em minha vida tal qual gostaria e sei que também o quer?

Chamo-te por horas e horas e apenas silêncio recebo como uma resposta tua.

Magoa-te tanto assim escutar minha voz a proferir os vocábulos que tanto preciso e desejo que escute?

Ou quando no meio da noite com medo do escuro e da solidão desconvidada a abraçar-me com afinco, chamo por ti para que salve-me de tudo o que me assola e traga-me para um lugar de onde sei que sem você jamais poderia sair.

Quantas e quantas vezes estive defronte o computador dissertando algo que necessito pôr para fora quando a ponto de perder a razão, mas ao imaginar seu lindo sorriso, seus olhos sagazes e imponentes a perscrutar minhas expressões faciais em busca de respostas, ou quando escuto a sua voz gravada imagino-te falando comigo pedindo que me acalme, eu consigo voltar à minha razão precária.

Tu, melhor do que ninguém, sabes que meu forte nunca foi ter o juízo perfeito, tampouco pediu-me isso e agradeço-lhe imenso.

Mais ainda: quantas foram as vezes em que redigi um texto para mandar-te e fraquejei na última hora em minha imensa e notória covardia?

É até contraditório revelar-te tal parte de mim, mas é verdade.

Eu sou uma covarde.

Não consigo viver sem ti, mas também não tenho coragem de tirar-me a vida, pois espero que venhas a meu encontro. Que escute minha voz a chamar-te o nome e entendas que sou eu quem faz isso, e não alguma outra pessoa.

Alguma vez em sua vida você pensou no quanto teríamos que regressar no tempo para chegarmos ao dia em que fomos felizes juntos? E se pensou, você saberia dizer se seriam dias desta vida ou das passadas? Quem sabe devêssemos retroceder à primeira vez em que estivemos juntos quando nossos destinos foram entrelaçados de tal maneira que não importa aonde possamos estar, sempre haverá algo que nos fará ter ciências de presença alheia: seja um amigo em comum, uma sensação estranha no fundo do peito ou a simples certeza da existência da pessoa a quem pertencemos.

Você também se sente assim?

Sei que sim, pois conheço cada um de seus sorrisos abertos, fechados, irritadiços e mentirosos. Entendo-te melhor do que a mim mesma. Observei-te dormir por incontáveis noites gravando em minha memória, tatuando em minhas retinas cada traço forte ou delicado de sua anatomia. Cada nuance que torna-o único em sua perfeição defeituosa, seja ela interna e externa, cujo imo marcado e maculado como o meu cobra o seu preço em momentos nada oportunos.

Sendo em tais horas que seu nome grita em minha mente e sinto vontade de ir até onde estás para acalentar-te o coração contrito.

Mas, infelizmente, sei que não posso ouvir suas lamúrias ou tenho como ir até você. Deixas-te claro naquela noite que não aguentas-me mais.

Que não me queria mais ver a face ou saber que existo.

Contudo, rogo aos céus enquanto observo o firmamento azulado e escuro, salpicado de infinitas e brilhantes estrelas, que traga-o de volta para mim. Que a brisa do mar carregue meu chamado e as ondas cantarolem para ti em teus ouvidos as palavras que segredo a elas com devoção, imaginado que estarás me ouvindo de onde quer que estejas.

Amor, quando a minha canção repleta de saudades e desejo de estar junto a ti soar em teus ouvidos, virás a meu encontro outra vez, não é?

Expurgará de mim toda a falta que sinto de ti e preencherá cada cantinho vazio de minh'alma com a sua presença, não é?

Fará de mim alguém completa por não mais ter de viver sob as sombras das recordações de nossos encontros pregressos em vidas tão antigas quanto o próprio tempo o é.










May 19, 2019, 6:20 p.m. 0 Report Embed 120
The End

Meet the author

Morghanah . Escritora faz algum tempo que migrou de outras plataformas para mostrar meu trabalho. Sou uma pessoa dedicada a historias mais densas com personagens tirados de uma mente conturbada por diversos conflitos internos e levemente insana, um detalhe importante que me fez iniciar a minha longa jornada na arte da escrita e, caso aprecie isso, seja bem vindo ao meu mundo Monochrome Sons Inc

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