Pistas Sujas Follow story

analumarriel Ana Luiza

Margot Sanders é uma jovem assassina de aluguel. Do tipo que não faz perguntas demais, apenas aceita o trabalho, o executa e é paga ao final dele. Ela tem seus motivos para trabalhar nesse meio e não aceita que as poucas pessoas que sabem de sua profissão desfaçam dela. Mas quando em uma tarde chuvosa Margot recebe mais um trabalho que, ao seu ver, seria muito fácil, não imagina que nem tudo é tão certo quanto parece. Seria uma noite suficiente para tudo o que iria acontecer?


Action For over 18 only.

#la #misterio #romance #AnaLuMarriel #ação #interracial
0
475 VIEWS
In progress - New chapter Every Sunday
reading time
AA Share

Capítulo um

A chuva leve daquela tarde em Sacramento encharcava o casaco da jovem enquanto ela observava o cartão preto em suas mãos. Ela ainda não tinha certeza se aquele era o local certo, mas não poderia mais esperar.

Ele sabia demais, e ela precisava dar um fim nisso, isso sem sujar suas mãos, é claro.

Respirando fundo, ela atravessou a rua e, olhando para todos os lados possíveis, entrou no prédio comercial que parecia estar abandonado. Enquanto subia os lances de escada, ela observava a atmosfera nada convidativa e extremamente ameaçadora do local, que consistia em pôsteres de filmes de ação antigos, ameaças escritas à mão e algumas pessoas de aparência nada gentil que passavam a todo momento e que estavam a deixando extremamente assustada.

Quando parou no quinto andar, checou o cartão em suas mãos novamente e seguiu até a sala de número 505, o mesmo que estava marcado abaixo de apenas um nome: Margot. A jovem não conhecia essa tal de Margot, mas como havia sido indicada por uma das amigas que dissera que ela era a melhor do ramo na cidade, resolveu se arriscar.

Então, respirando fundo, ela deu quatro batidas rápidas na porta e aguardou. Alguns poucos segundos depois, a porta estava sendo aberta, e na sua frente aparecia a figura de uma bela mulher. Ela era um pouco mais alta do que a jovem, tinha a pele negra, um corpo magro, porém curvilíneo, cabelos curtíssimos e em um tom de caramelo, que combinavam perfeitamente com o rosto anguloso. Os olhos pretos e pequenos a encaravam com uma seriedade enorme.

— Margot? – A jovem perguntou com incerteza e recebeu um aceno de cabeça da outra. – Sou Joyce Carter, uma amiga me deu seu cartão...

— Entre. – Margot a cortou, abrindo a porta para que ela pudesse entrar em seu escritório.

Ao contrário de tudo o que Joyce havia visto no prédio, o escritório de Margot tinha uma bela decoração em tons de preto e vermelho, com diversos quadros na parede e um minibar ao lado de sua mesa. Enquanto se sentava na cadeira na frente de Margot, Joyce era observada com muita atenção por ela.

Margot estava acostumada a receber mulheres ricas em seu escritório pedindo que ela realizasse seu trabalho sujo por elas, porém aquela jovem na sua frente não parecia se encaixar no tipo de sempre. Ela parecia assustada demais, perdida demais. Mas então Margot lembrou que seu trabalho não era analisar as pessoas que iam atrás de seus serviços, e sim cumprir com seu trabalho.

— Então, senhorita Carter, no que posso ajudá-la? – Margot perguntou em um tom formal, encarando a jovem assustada. Ela parecia um pouco envergonhada em dizer o que queria, por isso, com um sorriso tranquilizador, Margot completou – Pode ficar tranquila, meu trabalho exige confidencialidade. Tudo o que conversarmos aqui ficará apenas entre nós duas, senhorita Carter.

— Eu sei, é só que... – Joyce começou a falar, sorrindo de maneira triste. – Eu nunca imaginei que teria que chegar ao extremo de mandar matar alguém por saber demais.

— Ninguém imagina. – Margot afirmou em seu habitual tom frio e profissional. – Bom, eu preciso que a senhorita me passe todos os dados da pessoa para que eu possa realizar meu trabalho. – Continuou a falar e observou enquanto a outra colocava uma pasta em cima de sua mesa. Margot a pegou e começou a ler os dados de seu alvo. – Ótimo. E o pagamento é feito metade agora e a outra metade quando o trabalho estiver concluído. – Completou, encarando a loira, que assentiu e tirou um envelope pardo de sua bolsa preta.

— Aí está a metade de agora. – Joyce disse, colocando o pacote em cima da mesa enquanto Margot apenas acenava em resposta, pois estava concentrada na ficha de seu alvo. – Espero que o trabalho seja realizado o mais rápido possível.

— Pode ficar tranquila, hoje mesmo eu conseguirei terminá-lo.

— Obrigada. – Ela disse com um sorriso mínimo nos lábios, já se levantando. – Amanhã entrarei em contato para saber se ocorreu tudo bem e para combinarmos o pagamento da próxima parcela. – Completou, estendendo a mão na direção de Margot, que a aceitou e indicou a saída para sua mais nova cliente.

Assim que a jovem foi embora, Margot voltou a analisar a ficha de seu alvo, que consistia em alguns dados como altura, idade, nome e ocupação. Havia também duas fotos, uma dele e uma do lugar onde ela o encontraria.

— Esse vai ser fácil. – Margot sussurrou para si antes de se levantar da cadeira, colocar a pasta em sua bolsa e ir embora para sua casa.

Precisava se arrumar para ir ao local onde encontraria seu alvo.

Naquela noite, ela iria ao 1984.


**


Às dez horas da noite em ponto, Margot estava em frente ao 1984, um bar temático dos anos 80 que seu alvo, Andrew Griffin, era um dos sócios, e usando seu melhor look matador... literalmente. Ela usava calças de alfaiataria preta e de cintura alta, um sutiã branco, um terninho e saltos também na cor preta.

Em seu belo rosto, havia pouquíssima maquiagem, e ela dava destaque para os lábios grossos com um batom vinho e para os cílios com rímel. Ela adorava a praticidade de ter cabelos curtos, lhe livravam de várias horas os arrumando em um penteado elaborado demais, já que assim era só passar um gel e o pentear para trás, que ficava elegante.

Escondidos pelo terninho e a calça estavam seus aparatos de trabalho: duas armas de tamanho médio com seus devidos silenciadores e dois canivetes escondidos em dois bolsos secretos em seu sutiã. Isso sem contar com a munição extra em seu carro.

A jovem entrou no belo estabelecimento e logo foi cumprimentada por um garçom, que a acompanhou até uma mesa bem ao fundo do local. Enquanto passava, cabeças viravam em sua direção, e ela sabia que isso aconteceria e já estava acostumada. Aliás, ela usava isso a seu favor, pois quando lançava um sorriso convidativo, seu alvo da vez se sentiria mais animado a se aproximar, e isso facilitaria seu trabalho.

Assim que terminou de fazer o pedido de sua bebida, o ambiente foi preenchido pelo som de uma música eletro-pop, que ela adorava, e logo sentiu que seus ombros balançavam no ritmo da música. Foi então que ela parou realmente para observar o bar.

Ele realmente parecia ter saído direto dos anos 80: neon para todo o lado, discos de vinil distribuídos em prateleiras pouco acima das mesas. O chão era daquele tipo de ladrilho preto e branco, e havia, a alguns metros, uma pequena pista de dança ainda vazia. Os garçons e garçonetes estavam usando roupas características da época, o que somente reforçava o sentimento de nostalgia.

Aos poucos, o local foi começando a ficar movimentado, fazendo ela se sentir desconfortável. Com o trabalho que realizava, não era muito fã de lugares lotados. Isso sempre dificultava que realizasse tudo em paz, pois corria o risco de alguém ver o que não deveria.

Quando sua bebida chegou, Margot agradeceu e passou a observar um grupo de homens parados a alguns metros à sua frente, até que notou que um deles não tirava os olhos dela. E não é que esse homem era justamente seu alvo?

Daquela curta distância, ele parecia ser alto, não muito forte. A pele clara de seu rosto estava um pouco repuxada em volta dos lábios por causa do sorriso mínimo que ele lançava para Margot. Seus olhos castanhos estavam presos nela e não se desviaram, nem mesmo quando alguns fios de seu longo cabelo preto caíram em seus olhos e ele os piscou, soltando todos e os prendendo em um coque novamente.

Andrew a havia notado e não conseguia mais parar de a encarar. Que mulher extremamente bonita era aquela?

— Andrew? Está me ouvindo? – Um de seus sócios perguntou, estalando os dedos em frente ao seu rosto.

Mas de nada adiantou. Andrew estava preso no magnetismo que Margot exercia. Ele precisava ir falar com aquela mulher o mais rápido possível.

— Me desculpem, continuem conversando, eu já volto.

Margot observava tudo de sua mesa enquanto levava o copo a boca. Sabia que ele logo viria ao seu encontro. Eles sempre faziam a mesma coisa. Enquanto o observava se aproximar, Margot se preparou para a sua mesma encenação. A que ela usava para todos os casos. Tomou o restante de sua bebida, colocou o copo na mesa e terminou de pedir outra, no mesmo instante em que Andrew parava a sua frente.

— Boa noite. – Ele disse, sorrindo largamente, mas a jovem mal parecia lhe dar atenção. – Estão lhe atendendo bem?

— Por que deseja saber? – Margot perguntou, cruzando os braços em frente ao corpo, o que fez seu terninho se abrir um pouco e deixou seu colo à mostra. Sorriu internamente quando o viu descer o olhar de seu rosto para aquele ponto em questão e completou – Senhor, eu perguntei por que deseja saber se estou sendo bem atendida ou não!

— O quê? – Andrew disse, sobressaltado ao notar que fora pego checando os seios dela. Envergonhado, respondeu à pergunta – Eu sou um dos donos da 1984 e como nunca vi você aqui, queria saber se estava sendo bem atendida.

— Ah, entendo. – Exclamou, um pouco mais receptiva. – Neste caso, estou sendo muito bem atendida, obrigada.

— Fico feliz... Bom, muito prazer, sou Andrew. – Ele disse, estendendo a mão e sorrindo para Margot, que apenas o encarava. Como podem cair tão rápido assim?, Margot pensou com ironia. – E você é...?

— Margot. – Respondeu, sorrindo minimamente.

— Então, Margot... quer dançar? – Ele perguntou, a mão ainda estendida na sua direção, na esperança de ela aceitar.

— Não gosto de dançar. – Margot deu de ombros e observou o garçom colocar a outra bebida na sua frente. – Obrigada. – Completou, agradecendo tanto ao Andrew, quanto ao garçom.

— Como assim não gosta? – Indagou com surpresa na voz.

— Não sei dançar muito bem. – Margot respondeu, sorrindo timidamente.

— Ah, qual é! – Andrew exclamou, puxando uma cadeira e se sentando ao lado da jovem. – Eu aposto que você fica bonita na pista de dança. – Flertou de maneira descarada, fazendo Margot sorrir largamente.

— Não sei...

— Eu te ensino a dançar. – Ofereceu e notou como ela era ainda mais bela tão perto. – O que acha?

— Pode ser.

Então os dois se levantaram e seguiram até a pista de dança. Essa era a parte de que Margot mais gostava em seu trabalho: seduzir seu alvo. Era divertido ver a pessoa cair na sua rede. Não, ela não era uma pessoa sádica. Ela apenas achava boa essa parte do trabalho, sentia como se estivesse dando um último presente para seu alvo.

Eles dançavam ao som de uma música do Depeche Mode, uma das bandas favoritas da jovem, e foi então que Andrew percebeu duas coisas: que ela não dançava nada mal e que ele queria muito a beijar.

E foi o que ele fez. Sem pedir licença ou perguntar se tudo bem, ele beijou aquela quase desconhecida como se nunca mais fosse a ver. O que era parte da verdade, afinal, o máximo que Margot lhe permitiria seriam poucos segundos antes de dar seu golpe de “misericórdia”.

Margot estava contando os segundos para executar a próxima parte de seu trabalho, mas não conseguia deixar de notar como aquele beijo era bom. A maneira como ele estava mordendo seu lábio inferior de leve, fazendo com que sua nuca arrepiasse loucamente, ou o modo como sua língua explorava cada canto de sua boca com fervor, tudo era simplesmente incrível.

Uma pena ela ter que matá-lo, pois ela o queria por perto por mais algum tempo, apenas para que ele a beijasse mais e mais. Mas infelizmente estava na hora de executar a parte final. Sendo assim, ela soltou seus lábios dos de Andrew, sorriu, mexeu nos bolsos e disse:

— Droga! Deixei meu celular no carro. Vou ter que buscar.

E começou a sair em direção à saída, mas teve seu braço segurado por Andrew.

— Quer que eu a acompanhe até lá fora? – Ele ofereceu com um meio sorriso nos lábios.

— Claro! – Margot disse com animação.

Logo os dois seguiram até o lado de fora do bar, sem falar nada. Assim que avistou seu carro, Margot foi seguindo até ele, se preparando para o que viria a seguir.

— É esse aqui. – Anunciou, apontando para a Mercedes preta em um modelo sedã, poucos metros na sua frente.

Assim que pararam em frente ao carro, a ela teve seu corpo prensado contra a porta do carro e seus lábios foram presos em um novo beijo. Ok, aquilo era bom, mas estava atrasando seu trabalho. Foi por isso que, ainda de olhos fechados e sendo beijada fervorosamente, ela tirou uma das mãos que estavam enroscadas nos cabelos do homem e começou a buscar por sua arma.

Assim que teve sua arma em punho, Margot começou a apontá-la na direção de Andrew. Só que ela não podia contar com o que veio a seguir.

— Se eu fosse você, não faria isso, Margot. – Andrew disse, com uma arma apontada para a sua cabeça.

May 14, 2019, 1:47 a.m. 0 Report Embed 121
Read next chapter Capítulo dois

Comment something

Post!
No comments yet. Be the first to say something!
~

Are you enjoying the reading?

Hey! There are still 8 chapters left on this story.
To continue reading, please sign up or log in. For free!