Aria Follow story

morghanah Morghanah .

Entraste em minha vida para libertar-me de minha clausura invisível, alçando-me em direção ao céu


Short Story Not for children under 13. © Todos os Direitos Reservados

#romance #conto #original #drama #songfic #Kalafina #01
Short tale
1
3.4k VIEWS
Completed
reading time
AA Share

Único

N/A: Recomendo que para um melhor aproveitamento da shot a leiam escutando esta música ARIA, cuja aesthetics capa deste capítulo feita por mim – e que, infelizmente, não pode ser visualizada em seu tamanho original quando vista através do aplicativo do site – pode ser visualizada aqui, uma boa leitura a todos e obrigada.



Incontáveis foram as noites em minha vida nas quais deparei-me a encarar o céu enegrecido pelo véu noturno, incapaz de ver as estrelas. Mendiguei com afinco e solenemente a todo e qualquer ser ouvinte capaz de escutar-me, pela salvação de tudo aquilo que tragava-me em direção a meu próprio esquecimento.

A meu diminuir iminente.

Pois a cada novo dia em que o sol surgia – redondo e vivo – no firmamento antes tão escuro e profundo, eu sentia em minha alma os braços do Desespero a rodearem-me com tamanho zelo que sufocava-me. Escutava a voz baixa e macambúzia do Delírio a sussurrar em meus ouvidos palavras repletas da mais pura insanidade e solidão, enquanto a Destruição fazia de minha mente a sua morada e nela se instaurara, obliterando todo e qualquer ínfimo fio de esperança.

Por mais negro e tão escuro quanto a própria escuridão o fosse.

Via-me de mãos estendidas em direção ao nada como uma criança pequena que – carente por demais – implorava pelo conforto, segurança e acalento dos braços de sua mãe, mas por ela foste ignorada, rogando que algum dia alguém as segurasse e trouxesse-me de volta à superfície.

Uma a qual jamais tive o vislumbre de enxergar em toda a minha vida, pois vivia como a alusão feita por Plantão, vendo apenas as sombras de pessoas, felicidade, vida e tudo o que deveria um dia ter feito parte de minha existência, no entanto, eram apenas sombras projetadas nas paredes pelas quais estava encarcerada. Eu sequer as via, mas meu limite invisível era mais forte e estreito do que se poderia imaginar, pois até mesmo o meu céu e minha noite eterna, faziam parte disso.

Estava dia após dia afogando-me em mim mesma, em minha loucura periclitante e atemorizante sem perspectiva alguma de salvação.

Mas ninguém via isso.

Eu era invisível aos olhos de todos, pois minha redoma era forte demais.

E sozinha eu perecia.

Esvaía-me em mim mesma devorada pela obrigação de uma realidade cansativa. Vestindo a máscara de sorrisos fáceis e verdadeiros treinados à exaustão defronte o espelho. Palavras gentis e ensaiadas que a mim não diziam ou tinham significado algum, pois nada mais o tinha. Quando tudo o que mais sonhava e almejava era acabar com tudo – dar um fim digno a mim mesma –, foi então que encontrei em um ato tão corriqueiro em minha vida de estudante o alívio de que necessitava.

A escrita.

Nas inúmeras páginas por mim redigidas em diários onde confidenciava meus medos, angústias, pensamentos e minha eterna solidão; passei a escrever histórias onde transcrevia e passava aos meus personagens os sentimentos mais obscuros que tinha.

Meu desespero mais profundo.

Tudo num esforço hercúleo de conservar o pouco daquilo que em mim ainda restava.

Mas havia a raiva beligerante e perigosa, culpa do Sonho que em conflito com Destruição, devastava-me cada vez mais por dentro. Incapaz de controlar a mim mesma, então eu chorava e via na chuva a cair do lado de fora deixando gotas a escorrer pelo vidro da janela, que não era a única a lagrimar, pois talvez houvesse um ser superior a escutar-me e piedoso – compadecido –, espelhava-me.

Ainda assim sentia-me sozinha, ansiando pelo meu espelho.

Meu complemento.

Tendo que sozinha suportar e carregar um vazio na alma que nada parecia ser capaz de preencher, sequer amenizar e doía-me em demasia no peito, sufocando-me a todo o momento.

Pelo menos foi o que pensei até aquele dia quando nos conhecemos e você segurou a minha mão pela primeira vez.

Se soubesses o que teu singelo toque provocou em mim chamar-me-ia de boba, eu sei disso. Foi como se naquele instante todas as estrelas do firmamento que jamais brilharam para mim, o fizessem de uma única vez.

Liberaste-as para mim.

Liberaste a mim.

E foi sublime a visão que tive ao ver que o céu não era tão escuro quanto sempre o vi, que haviam estrelas a brilhar e piscar no império noturno, e por menores que algumas delas o fossem junto de tantas outras, cada uma tinha a sua própria luz e beleza.

A mesma que vi em teus olhos e fiz dela o meu guia, e desde aquele dia quando em sua presença forte não mais pude sentir as trevas famintas como antes, pois fiz de ti a minha luz.

O norte de que tanto necessitei e ainda necessito vislumbrar até hoje quando em momentos de desalento indesejado.

Agarraste a minha mão – suplicante, trêmula e cansada de tanto esperar por aquela que a seguraria, e jamais a soltaria novamente – e trouxeste-me de volta à superfície, e pela primeira vez em toda a minha existência, eu respirei e senti-me viva.

Foste gentil e cálido comigo como nenhum outro no mundo jamais o seria.

Dedicou-me seus melhores, mais belos e sinceros sorrisos largos que tanto amo e encantam-me até hoje, ainda que tão desolado por dentro quanto eu, porém, hoje sei que fez de tudo para ocultar-me tal faceta sua, mas eu a sentia em meu imo.

Eu via o quão seco de boas vontades para consigo tu eras. Como vias em mim um reflexo de si mesmo e por isso tentava salvar-me como se fosse capaz de salvar-te a ti mesmo. Então, a mão que me fora estendida naquele dia e ajudou-me a emergir, será a mesma que usarei para agarrar a tua e trazer-te comigo para onde estou. Pois seria incapaz de permanecer aqui sozinha sem a seu brilho que agora faz parte de mim e me alimenta.

Farei de mim a Lua que reflete os raios do Sol e brilha durante a noite, atraindo o teu olhar para que saibas que jamais estarás sozinho e siga-me, porque juntos seguiremos em nosso frágil barquinho, remando e remando ao navegar através das águas do sofrimento em direção a outro lugar.





April 24, 2019, 12:52 a.m. 0 Report Embed 0
The End

Meet the author

Morghanah . Escritora faz algum tempo que migrou de outras plataformas para mostrar meu trabalho. Sou uma pessoa dedicada a historias mais densas com personagens tirados de uma mente conturbada por diversos conflitos internos e levemente insana, um detalhe importante que me fez iniciar a minha longa jornada na arte da escrita e, caso aprecie isso, seja bem vindo ao meu mundo.

Comment something

Post!
No comments yet. Be the first to say something!
~