Uma ilusão do verão Follow story

blackmoth Black Moth

Acordei com ela ao meu lado, os passarinhos não cantavam mais na janela. Havia um pouco de espanto em seus olhos, há quanto tempo ela estaria aqui? Duas? Três semanas? Não sei, é tão real, a textura de sua pele, seus cabelos sobre o meu peito. Ela só é uma ilusão de verão. Ou será que é real?


Romance Religious or Spiritual Not for children under 13.

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Uma semana antes do verão

Acordei com os pássaros em minha janela, uma brisa suave tomava conta do cômodo. Levantei-me procurando os chinelos amarelos e pensando se Alison já havia preparado o café da manhã.

Meu nome é Mathew Kovalski, tenho dezesseis anos e atualmente moro com a minha irmã mais velha Alison no centro de Nova York.

Sai do meu quarto já trocado para a escola, minha camiseta estava um pouco amarrotada, um serviço porco, em minha opinião.

- Mats! - Alison estava parada na bancada com a frigideira na mão. - Poderia me ajudar a colocar os pratos? - Seu rosto parecia cansado, talvez de uma noite mal dormida ou de ressaca. Nunca saberei.

- Alison, bom dia. Hoje não está sendo um dia bom. Poderia por favor, não me estressar com seus comentários. - Coloquei o café no copo e senti as mãos de Alison nos meus ombros, virei-me para ela e agora sua expressão era muito parecida com a minha.

- Você sabe, eu também sinto com isso Mathew, não foi só você quem perdeu alguém importante, mas você continua.. - Ela engoliu seco e se afastou um pouco. - Tão distante, mesmo depois de todo esse tempo você ainda não seguiu em frente.

- Vamos para de incomodar os mortos, ok? - Dei um passo para trás e terminei o meu café. Olhei para ela e agora sim, era ela quem estava distante. - Eu te ajudo com os pratos.

Trezentos e quarenta e sete passos da minha casa até a casa da Helen, minha namorada. Todos os dias eu passo na casa dela para irmos á escola, as vezes eu fico desanimado porque o trajeto não é nada favorável, e quando eu digo isso, me refiro que, se eu não fosse buscar a Helen, eu economizaria trezentos e quarenta e sete passos, pois levo apenas cento e noventa e cinco passos para chegar diretamente na escola.

- Helen! - Gritei. Perdi dois minutos esperando sem nenhuma resposta. Liguei em seu celular, caixa postal. Meu coração começou a bater um pouco mais rápido, minhas pernas começaram a formigar.

A porta se abriu e lá estava ela. A luz do sol refletia tão intensamente em seus cabelos louros, a brisa da manhã balançava seus cachos, ela caminhou em minha direção com aquele olhar sexy, segundos antes de chegar em mim, ela tropeçou em seu próprio pé, caindo de joelhos.

Obvio que eu ri. Ela se levantou com uma tremenda cara de brava, sua pele branca estava começando a se parecer com o magma.

- Não fique rindo de mim! - Logo em seguida ela me abraçou e beijou o meu pescoço. Confesso que se pudesse matava a aula de hoje para ficar um pouco com ela. - Olha só o que eu fiz, - Ah sim, Helen é do tipo artística, tudo que é relacionado a isso ela pratica. Só no nosso segundo mês de namoro eu ganhei três quadros diferentes e um CD com musicas de autoria dela. - O que você achou?

Um. Coelho. De. Pelucia.

- Caramba Mathew não precisa fazer essa cara não. -Ela parou de balançar aquela obra do capeta.

- Não quero. - Revirei os olhos para aquele coelho rosa gay.

- Mas! - Seus olhos castanhos brilharam de um jeito diferente. - Eu também tenho um! - E lá estava ela, com o coelho azul. - É para pendurar no celular e mostrar que somos namorados!

Peguei o coelho na mão e o meu celular, comparei o tamanho dos dois, o coelho era meio dois centímetros menor que o meu celular.

- Não quero. E todo mundo já sabe que somos namorados.

- Pelo menos, guarde-o com você.

Perdemos mais de dez minutos conversando. DEZ MINUTOS. Continuamos o caminho para a escola em silencio absoluto, pensei em perguntar a ela se ela tinha estudado para a prova mas tudo sumiu da minha cabeça quando a vi.

Seu vestido de renda balançava com o vento do tráfego na avenida, mesmo vento que balançava os cabelos da Helen. Mas ela estava lá, do outro lado da rua com uma expressão tão triste.

- Sam? - Gritei. Um leve sorriso se formou em seu rosto - SAM! SAM! - Corri em sua direção, os carros passavam rápido na avenida, ouvi bem baixinho a Helen me chamando, mas eu já estava tão próximo, foi quando algo bateu em mim e eu apaguei.

Abri lentamente o olho esquerdo e a minha cabeça quase explodiu de tanta dor. Me sentei devagar, eu reconhecia o lugar, estava no hospital. Meu braço esquerdo estava enfaixado. Estava com sede, apertei o sino e a doutora entrou segundos depois.

- Boa tarde Matt, antes que você fale alguma coisa, deixa eu te arrumar.

Eu a conhecia a um tempo, a doutora Robins era namorada da minha irmã e basicamente viva com a gente.

- Como você está se sentindo?

Contei a ela sobre Sam e que eu a havia visto. Ela olhou para o chão e depois para o quadro de jesus na parede.

- Você tem certeza disso Mathew? Você viu a Samantha Colld na avenida do Pier?

Assenti com a cabeça, olhei fundo em seus olhos cor de mel. A doutora é uma mulher legal, depois da morte dos meus pais, ela foi morar conosco, raramente eu a via pela casa, nos almoçou ou nos jantares, Robins é muito ocupada.

- Matt, você bateu muito forte a sua cabeça, tivemos que dar onze pontos em sua nuca. - Ela ignorou completamente o que eu havia dito. - Por sorte, - Prosseguiu - você foi atingido por uma bicicleta motorizada. A avenida do Pier é muito movimentada, você deveria tomar mais cuidado ao atravessar ela.

- Você não acredita que eu realmente vi a Sam não é? - Interrompi o seu relatório.

- Olha Mathew, você deveria parar de pensar tanto assim nela, amanhã vai fazer um... um ano da morte dos seus pais e da Samantha. Eu acho que você realmente deveria superar.

Sim, ela estava certa, Samantha havia morrido a um ano, eu só devia estar tendo um daqueles delírios.

Por fim, a doutora me recomendou que descansasse, ela também me avisou que a Helen só havia ido para casa almoçar e logo estaria aqui de novo. Eu então liguei a TV, aquela mesma que só pega um canal e é um canal agrícola. Fiquei deitado naquele cubículo por algum tempo, até que alguém bateu na porta.

- Pode entrar. - Dei graças a Deus que alguém tinha vindo me visitar.

E para a minha surpresa, era ela.

- Desculpe te incomodar Matt. - Sua voz ecoou em meus ouvidos. Ela não era real. Não podia ser real. - Matt? - Ela estava ali, e se aproximando cada vez mais, o cheiro de uvas verdes tomavam conta do quarto. Eu com certeza havia ficado muito louco.

- Samantha.


April 22, 2019, 5:37 p.m. 0 Report Embed 119
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Black Moth E no final de tudo meu caro, terminamos exatamente onde tudo começou.

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