Nossas Falsas Emoções Follow story

jennyblanc_1545868099 Jenny Blanc

Quanto tempo dura o amor? Essa é uma pergunta que me faço vez ou outra desde que voltei daquela joalheria famosa no centro da cidade. Pergunto-me isso quando estou ouvindo músicas tristes, quando estou em um restaurante cheio de casais felizes e sorridentes ou no silêncio do meu quarto, deitado sobre minha cama de casal ao lado da garota que não me ama mais.


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#oneshot #namjoon #bts #songfic #término #CamilaCabello
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Nossas Falsas Emoções

Quanto tempo dura o amor?

Essa é uma pergunta que me faço vez ou outra desde que voltei daquela joalheria famosa no centro da cidade. Pergunto-me isso quando estou ouvindo músicas tristes, quando estou em um restaurante cheio de casais felizes e sorridentes ou no silêncio do meu quarto, deitado sobre minha cama de casal ao lado da garota que não me ama mais.

Eu estou deitado e disperso desde as quatro da manhã, minhas noites se tronaram tormentas desde aquela quarta-feira de agosto. Estou ao lado da garota que gosto, mas se eu estiver ou não aqui ela não se importará. Sou inútil, eu sei. Sentimentos não podem ser tão superficiais assim, não quando houve juras de amor, troca de carinhos e olhares sinceros. Então, como num loop que não para de dar voltas, pergunto-me se o amor tem prazo de validade. Pois se tiver, nossa hora tinha chegado, era o fim disso tudo, acabou. Faltava apenas o primeiro passo e todos os meses que passamos juntos terminaria, ficaria tudo em nossas lembranças, como fotografias preciosas guardadas em uma caixa de madeira jogada sobre uma prateleira empoeirada.

A questão aqui não era necessariamente a dúvida. Ora, eu sabia que estávamos chegando ao fim, não somos mais os mesmos de antes. Sinto que de uns meses para cá, estivemos tão acostumados um com o outro que apenas convivíamos pacificamente como dois colegas de quarto. Tínhamos nossos momentos mais íntimos, claro, ainda éramos um casal aos olhos dos outros, entretanto nem o sexo era o mesmo. Aquele novembro quente em que transamos pela terceira vez na noite só se repetiu algumas vezes e aos poucos nossa intimidade foi esfriando como uma noite chuvosa. Ah, como seria bom se durasse mais, como seria bom.

Pergunto-me: Como chegamos tão longe? Como, de alguma forma, paramos aqui? Eu não sei a resposta.

Creio que ela deva se perguntar a mesma coisa. Pelo mesmo eu espero que sim. Espero que ela perceba que não é nada igual à antes, pelo contrário, está tudo tão errado que é loucura pensar em dividir o mesmo quarto todas as noites.

Frustrante.

Discutimos ontem. Não sei ao certo o que causou a briga, mas não duraram poucas palavras. Algumas verdades foram jogadas sobre mim e devolvi todas da mesma maneira, foi como num jogo de ping-pong. Eu ofendo, ela me ofende e quem jogar a raquete primeira, ganha. Simples assim. Nossa relação é tão insignificante a essa altura que nem trocamos farpas como qualquer casal normal faz.

Ela diz “chega, isso é ridículo”, então eu suspiro e depois pego minha bicicleta e vou dar algumas voltas pelo parque mais próximo. E fim, acabou. Aquilo era nossa “discussão”.

Sem ressentimentos. Sem sentimentos.

Olho para a silhueta adormecida ao meu lado. A silhueta daquela que um dia amei. Sei que está mentindo quando esta deitada ao meu lado.

Tão linda e tão igualmente fria. Acho que ela foi a primeira a deixar de amar. Lembro-me do dia do seu aniversário. Jantamos em um excelente restaurante, um dos mais caros, diga-se de passagem. Presenteei-lhe com um belo colar de esmeraldas, seus olhos brilhavam mais que as próprias pedras quando as viu. Conversamos sobre coisas banais, tudo muito superficial. Não havia muito o quê conversar aquela altura. Mas eu insistia, queria me agarrar a outros tempos, quando ainda tínhamos uma relação de verdade.

Eu ainda não compreendia muito bem o que estava acontecendo. Não sabia ao certo se era um período difícil, se algo além da gente estava a incomodando, talvez tivesse discutido com a amiga. Qualquer outra coisa que não tenha nenhuma ligação com a gente. Porque a gente era o casal perfeito.

Sim, éramos mesmo.

Bonitos, os dois. Ela mais do que eu, embora ambos bonitos aos olhos da maioria, isso é certo. Estudamos na mesma escola, entretanto naquela época não conversávamos muito, mas ficávamos no topo da lista dos melhores alunos da escola, somos inteligentes. Cultos e ricos também.

Ela herdou uma empresa de cosmética de nome conhecido nos quatro cantos da Coreia do Sul, sua tia não tinha filhos e as duas sempre tiveram uma boa relação e que quando a dita cuja resolveu partir dessa pra melhor, deixou toda sua fortuna para a adorada e única sobrinha. Eu por outro lado, trabalhei duro para chegar onde estou. Meu esforço e dedicação me deixaram tão famoso quanto às maquiagens da família dela. Compartilho boas experiências com meus amigos e irmãos de trabalho e, de quebra, ganhamos umas centenas de fãs dedicadas e fieis a mim e a meus irmãos. Sou grato. Juntando todos esses elementos e uma pitada de sorte, tenho a vida perfeita. Mas como ouvi uma vez: “Sorte no trabalho, azar no amor”. É verdade, agora acredito.

Veja só, ela esta acordando. São sete e meia da manhã agora. Hora de ir à academia. É o que diz na tela do seu celular enquanto toca uma música sem letra.

Ela se vira para minha direção e suspira manhosamente enquanto espreguiça os braços acima da cabeça. Eu a observo, admirado. Acordar bonita também era característica dela. Ela abre os olhos e os deixa acostumar-se a luz fraca que transpassa as persianas translúcidas atrás da cama. Sou a primeira pessoa que vê ao acordar. Ela sorri, cheia de sono. Nada de sentimentos ali, parecia tristeza disfarçada de preguiça matinal. Retribuo o sorriso, não há ressentimentos da discussão de ontem. Está tudo bem outra vez.

­— Já está acordado? — pergunta baixo e sem humor, rouca de sono.

Faço que sim com a cabeça, não quero conversar. Há um bolo preso em minha garganta. Sinto que se eu dissesse qualquer coisa meus olhos transbordariam tudo o que meu coração guarda há muito tempo.

Ela não demora a se por de pé. Desfilando toda sua beleza angelical pelo quarto apenas um uma lingerie e um hobby branco até o banheiro. Não demora até eu ouvir o som do chuveiro ligado.

Sento-me na cama e abro a gaveta da cômoda do meu lado. Retido de lá uma caixa azul marinho aveludada. Ali estava o causador da minha perturbação. Abro a caixa, dentro está o pequeno objeto de puro ouro. A aliança cravejada de diamantes. As pedras cintilavam com a luz fraca que vinha da janela. Comprei num impulso, numa tentativa patética de provar aos outros e para mim que nossa relação estava sólida ao ponto de casarmos enfim. A epifania veio logo depois de sair da joalheria. Fiquei parado na calçada pensando nas palavras que a balconista me disse. Olhos vidrados no nada.

“Você deve escolher a aliança perfeita, afinal, ela usará para o resto da vida.”, disse a atendente risonha.

Para o resto da vida significa que ficaríamos juntos até a morte. Pensei parado em meio á calçada movimentada “Eu tenho que viver com ela para sempre?”, e o começo do fim se iniciou. Não contei a ninguém sobre a aliança, guardo este segredo e me torturo com ele todos os dias desde então.

Agora me faço a mesma pergunta. E, agora sei o que tenho que fazer.

Eu escutei o bater dos pauzinhos de prata chocando-se com a louça.

Fui até a cozinha onde ela estava degustando seu café da manhã saudável. Sentei-me junto a ela, mas não comi nada. Tinha que ser agora, precisava falar.

— Como foi com sua mãe ontem?

Perguntei a ela a fim de iniciar a conversa. Agora me lembro da causa da nossa discussão do dia anterior. “Mama”, como era conhecida a minha sogra, tinha frequentes discussões com a filha por causa da empresa. As duas não entravam em um acordo com os métodos de vendas dos seus produtos. Discordavam em praticamente tudo e isso sempre resultava em brigas entre as duas. A nossa discussão em particular foi devido a eu ter me intrometido nos assuntos delas sem ser chamado.

— Ela é teimosa... Quer que eu deixe tudo nas mãos dela. Acabei cedendo por enquanto, estou farta de tudo isso.

Ai esta. Sempre fraca e incapaz de retrucar qualquer um que fosse. Imaginei que em nossa relação fracassada eu teria que tomar alguma atitude. Alguém tem que quebrar, essa função cabe a mim, agora está claro.

— Diz que eu devo me casar o quanto antes — continuou — e deixar que meu marido assuma as rédeas da empresa. Na cabeça dela, homens cuidam melhor dos negócios.

Quando disse isso, percebi certo ar de incredulidade em sua voz. Não pelo fato de os homens serem melhores nos negócios (o que eu discordo plenamente), mas sim pelo fato de casamento ter sido sugerido a ela. Como se casar comigo fosse algo tão surreal que ela nem tenha pensado nisso.

— Eu queria conversar sobre isso — disse eu, tendo sua total atenção.

Coloquei a caixa aberta, que estava esse tempo todo dentro do bolso da calça, sobre a mesa ao lado do recipiente de porcelana que continha o arroz.

Seu olhar saiu dos meus e caiu sobre a caixinha aveludada em sua frente. Sua boca abriu e fechou como se quisesse dizer algo, então ela largou seus pauzinhos prateados e colocou as mãos sobre a boca. Seus olhos brilhavam. Como todas as vezes que lhe dei algo valioso e caro. O brilho das pedras preciosas tomava sua atenção.

Quando retornou seus olhos para mim, sua expressão mudou. Agora ela estava apreensiva. Percebera que eu ainda não havia pedido-a em casamento.

— Eu tenho esta aliança guardada há dois meses — disse, e então ela franziu o cenho, confusa com minhas palavras — desde que comprei, venho pensado se devo ou não pedir sua mão oficialmente em casamento.

— Namjoon, o que você quer dizer com isso?

— Você já deve saber agora. — Levanto-me, não esboço nenhum sorriso, não há nada do que se orgulhar aqui.

Seus olhos agora estão marejados, ela me fita tentando compreender minhas palavras. Ou já tenha compreendido todo o significado por trás delas. Sua cabeça passa um filme. Nós somos os protagonistas e não há final feliz.

— Eu quero que me diga com todas as palavras.

Ela livra-se das lágrimas com as pontas dos dedos e ajeitando-se na cadeira, toma uma postura ereta e então segura à barra da saia, como sempre faz quando esta com medo. Sem em encarar, ela espera que eu diga:

— Estou terminando agora mesmo.

E então eu saio. Levo comigo apenas minha carteira e as chaves do apartamento. Ando e ando sem rumo, descanso em bancos de praça, vou até a praia e pego ônibus para lugar nenhum. Volto à noite, bem tarde.

Não há nenhum telefonema, nenhuma mensagem na caixa postal, nada de torpedos ou qualquer pedido desesperado de reconciliação. Fico frustrado, mas deixo como está. Foi eu quem colocou o ponto final então porque quero que ela me procure?

Estou parado em frente à porta da minha casa. A mão na maçaneta e a sensação de ter estragado tudo, de ter arruinado minha vida. Eu estava uma bagunça.

Abro aporta receoso, sem barulho e prendendo a respiração. Não sei como vou encara-la depois disso. Dentro de casa, as luzes estão apagadas e não há som algum. Ligo a luz da sala. Deixo meus sapatos na porta antes de entrar. Vou até a cozinha, vazia. Quando cruzo a sala para ir ao quarto de casal, percebo a ausência da série de livros que ela lia. Um espaço vazio na prateleira. No quarto, não há nada. Nem ela, nem seus pertences. Closet vazio, sua coleção extravagante se saltos desapareceu, seu porta joias e maquiagens também não estavam onde sempre fechavam. Não há nada, não há ninguém além de mim.

Agora estou só. Mesmo dizendo que não me importo e que foi melhor assim, as lágrimas ainda caem e mancham meu rosto. Se foi eu que terminei, então porque eu ainda choro?

April 9, 2019, 1:26 a.m. 0 Report Embed 0
The End

Meet the author

Jenny Blanc Capixaba, 21 anos. Leitora de SasuSaku (principalmente UN) e BTS (menos shipp por favor), mas se a história for boa e cativante eu leio o gênero que for. Tento escrever algo que preste, mas ainda não sei se consegui (rsrs). Eu gosto de comentar nas fanfics dos colegas, acredito que temos que incentivar os autores que se arriscam a colocar o cara a tapa e passar pra gente tudo o que pensou. Um apoia o outro, né? Ah, e meu apelido é Jenny mesmo, gosto que me chamem assim :>

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