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k_pavani Karen Pavani

"— Minha vida daria um belo drama. Já estou pensando em como escrever o primeiro capítulo! — Que tal começar com algo marcante ou uma frase de efeito? — E por que não começar pelo final? Penso que seria mais interessante." Talvez, Tao. Mas por que não começar pelo ponto que mudou tudo?


Fanfiction Not for children under 13.

#drama #mama #YAP #VEP #EhldVer
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Sonho de infância

Quando se é criança, nada parece ser impossível. Desejamos ser um super-herói ou uma princesa, os sonhos acabam mudando mais rápidos do que podemos perceber e comigo não foi diferente. Eu sempre quis ser uma princesa, mas quando tinha sete anos já sonhava em ser modelo. Agarrei a primeira oportunidade que vi.

Meus pais eram muito pobres, então eu e meus irmão nunca tínhamos aquela surpresa incrível no natal ou em nosso aniversário. Eu me lembro de ter dois irmãos (sem contar comigo), mas eu apenas conversava com a minha irmã mais velha. Eu era a filha do meio.

Próximo do meu aniversário de oito anos, uma agência de modelos foi até a cidade em que eu morava, procuravam por crianças e o teste para participar da competição era gratuito. Foi a oportunidade perfeita. Minha mãe me levou no primeiro dia, as vezes ela revezava com o meu pai. Eu estava indo bem, muitas crianças da rua em que eu morava já haviam sido desclassificadas e a prova final já estava chegando. Acabou por ser no dia do meu aniversário, seria o melhor presente da minha vida...


Papai havia gastado muito dinheiro para comprar um vestido branco para mim e mamãe passou muito tempo arrumando meu cabelo. Eles brigavam muito comigo, mas desde que comecei a participar desse concurso eles pararam.

O dono da agência estava escolhendo pessoalmente as crianças que seriam contratadas, ele as chamava pelo nome e em seguida elas iam até o palco para receber uma tiara igual a de princesa. Apenas meninas eram aceitas.

— Zhang Zilin.

Meu coração bateu muito rápido quando ele disse meu nome. Papai sorriu, minha mãe não pode vir hoje com os meus irmãos.... Me levantei e caminhei com calma até o palco, não conseguia parar de sorrir. Uma mulher colocou a tiara na minha cabeça e disse para eu ficar do lado das outras meninas, obedeci sem ao menos dizer nada.

Depois de toda a comemoração, o dono da agência disse que as meninas escolhidas ficariam ali por mais algumas horas, para que pudéssemos conhecer o restante da equipe que estaria cuidando da gente. Papai não argumentou, depois alguém nos levaria para casa e ele teria menos trabalho.

Nós ficamos na sala do chefe, eu e mais nove meninas. Demorou um pouco até que ele chegasse, dois homens e uma mulher com uma câmera também entraram na sala. Eu a vi trancando a porta enquanto um dos homens fechava as cortinas daquela sala. O sol já estava indo embora, mas isso ainda me parecia ser estranho.

— Vocês precisam fazer uma outra coisa agora. — O dono da agencia, ou chefe, disse sorrindo para nós. — Eu gostei muito do vestido de vocês, mas agora quero que tirem.

Algumas meninas tiraram o vestido, ficando apenas de calcinha ali. Eu cobri meus olhos com as mãos e disse não iria tirar o meu vestido. Estava com medo e queria ir embora.

— Zillin? Por que não vai tirar seu vestido?

— Eu não quero!

— E como vai experimentar sua nova roupa?

Tirei minhas mãos dos meus olhos, o chefe estava com um vestido rosa na minha frente. Ele tem lacinhos e parece com os de princesa. As outras meninas estavam usando o mesmo vestido, mas de cores diferentes.

— Eu quero ir embora.

— Você não pode ir agora, ainda precisamos tirar algumas fotos e você nem conheceu o restante da equipe! — Ele sorria.

— Eu não quero!

— Você desistiu de ser uma modelo?

— Não...

— Então faça o que pedimos, por favor.

Coloquei o maldito vestido e tirei algumas fotos com as outras meninas. A mulher que estava com a câmera nos deu um copo de milk-shake de morango, eu tomei só um pouquinho, não gosto muito de morango. O gosto também estava muito forte, o cheiro me lembrou uma bebida que papai costumava tomar todos os dias.


Apenas me lembro de que minha visão ficou muito distorcida depois daquilo, todo o inferno começou. Eu via todas aquelas pessoas nuas na minha frente, as coisas que faziam e com quem faziam. Definitivamente não era algo para crianças, está muito longe disso.

Eu não sei o que aconteceu exatamente, apenas de acordar em um hospital. Eu prefiro assim, não gosto de me lembrar daquele dia.


Meus pais estavam do lado de fora, mamãe chorava e papai parecia furioso.

— Não! Ela não é minha filha! Não é possível... — Mamãe repetia alto.

Eu vi uma médica chegando, meus pais saíram dali e uma policial apareceu. Elas parecem ser amigas.

— É verdade o que estão dizendo? Isso realmente aconteceu?

— Infelizmente sim.

— Não é possível.... Com essas crianças?!

— Chame o Doutor Huang, por favor. — Olhou para o quarto em que eu estava. — Eu preciso terminar de resolver umas coisas.


Aquela era a Detetive Liu Yifei, a mulher que literalmente salvou minha vida.

Eu não vi mais os meus pais naquele dia, nem no dia seguinte. O Doutor Huang me disse que eu precisava fica no hospital até que todos os machucados no meu corpo já estivessem curados. Também precisava conversar com uma mulher quase todos os dias, a Senhorita Han era uma psicóloga.


— Quando eu posso ver a minha mamãe e o meu papai?

— Eu vou ligar para eles e perguntar, tudo bem? Preciso que eles venham aqui hoje.

O Doutor Huang realmente ligou para meus pais, precisava deles ali. A Detetive Liu Yifei e a Senhorita Han participaram da conversa. Eu não queria ter ouvido aquilo.

Eles estavam conversando no corredor, eu sai do quarto rapidinho, apenas para ver meus pais, e pude presenciar os gritos da minha mãe. Ela se negava a me ver, papai não iria pagar o hospital e não queria assinar o papel para que eu voltasse para casa. Minha mãe gritava que eu não era sua filha e agora havia se tornado sua maior vergonha. Senhorita Han acabou vendo que eu estava ali e pediu para que eu voltasse para o quarto enquanto corria até mim.

— Zilin, você não podia sair.

— Eu queria ver a mamãe...

— Não chore, vai ficar tudo bem.

— Não vou para casa... eu ouvi o papai.

— Eles não falaram sério, Zilin. Apenas estão sobrecarregados com tudo que aconteceu.

— Então eles falaram mentira?

— Isso mesmo. Eu vou conversar com eles agora, durma um pouco.


Gostaria muito que o que a Senhorita Han havia dito fosse verdade, mas meus pais nunca voltaram para me buscar. Eu ao menos falei com eles naquele dia.

Não sei por quanto tempo fiquei no hospital, mas acredito que tenha sido umas três ou quatro semanas. Eu já estava bem melhor (em questão dos machucados) e a psicóloga parecia feliz por eu não demonstrar ter alguma memória clara do ocorrido com a agência de modelos. Todos estavam presos e as outras meninas já não estavam mais aqui.

Eu implorava para que os médicos não me levassem para um orfanato, estava me apegando aos funcionários e me sentia bem ali. As enfermeiras brincavam comigo quando tinham algum tempo livre e o Doutor Huang não me deixava andar sozinha pelo hospital, algumas vezes eu o chamava de “Tio Shen” e ele ria. Era como minha nova casa. A Senhorita Han disse que encontraria alguém para cuidar de mim, mas antes precisava ter certeza de que eu não poderia ficar mal novamente.


Hoje vi uma moça muito bonita entrando no hospital, ela parecia ansiosa. O Doutor Huang me disse que eu podia passear, mas alguém precisava estar comigo para que eu não me perdesse. A Enfermeira Feng me levou para almoçar na lanchonete do hospital, os doces daqui são muito bons!

— Enfermeira Feng, eu posso conversar com aquela moça? — Perguntei baixo enquanto apontava para a mulher que vi mais cedo. — Ela está chorando...

— Preste a atenção no que diz, certo?

— Eu prometo não falar nada que pode deixar ela mais triste!

— Vai lá, eu te espero no final do corredor.

— Obrigada Enfermeira Feng.

Caminhei até a moça com pressa. O homem que veio com ela está dentro de uma sala conversando com um médico. Ele também está triste.

— Moça? Você está doente?

Ela levantou o rosto e limpou as lágrimas.

— Não estou doente. — Sorriu.

— Então ele está doente? — Apontei para a sala do médico.

— Não, ele está muito saudável.

— Por que estava chorando então?

— Eu queria muito ter algo, mas descobri que não posso.

— Não tem dinheiro?

— Dinheiro não é problema para mim. — Riu baixinho. — E por que você está aqui?

— Eu... eu quero te fazer sorrir!

— Não. — Balançou a cabeça. — Por que está sozinha no hospital?

— Eu não estou sozinha. Você está aqui e a Enfermeira Feng cuida de mim! — Apontei rapidamente para ela, estava conversando com outras enfermeiras. — Aconteceu uma coisa ruim e eu fiquei aqui até melhorar, mas como minha mamãe e meu papai se esqueceram de mim, eu vou ficar aqui!

— Eles se esqueceram de você?

— Na verdade... não.... Mamãe estava muito nervosa e papai também, eles falaram que não iriam me levar para casa.

— Mas, o que aconteceu para que dissessem isso?

— Eu queria ser uma modelo, mas alguma coisa muito ruim aconteceu.... A Senhorita Han disse que é muito bom eu não me lembrar disso. Moça, você também queria ser uma modelo?

— Eu sou atriz.

— Atriz? O que é isso?

— Quando uma pessoa se passa por outra, para contar alguma história.

— Isso não é mentir?

— Não. — Sorriu. — Você gosta de filmes?

— Gosto sim!

— Qual é o seu favorito?

— Meu favorito... Hércules! Aquele de desenho, com música!

— Cada personagem do filme foi interpretado por um ator ou uma atriz.

— Interpretar é imitar o personagem?

— É sim. — Colocou uma mão sob a boca e riu.

— Então você imita os personagens para fazer o filme?!

— Isso mesmo.

— Que tipo de filme você faz?

— Ah, eu gosto muito de filmes de princesas.

— Sério? Eu também gosto muito!

— Conhece a Barbie?

— Conheço! Ela é muito legal! Você já fez um filme com ela?

— Eu era a mãe dela.

— Sério moça?! Você era a mãe da princesa da ilha?! — Ela concordou com a cabeça alegre. — Você é incrível moça! Eu gosto muito da mãe da Barbie!

— Agradeço muito.

— Moça, você também...

— Zilin?

— Tio Shen!

— Você já não deveria ter voltado para o quarto? Senhorita Han está esperando.

— Ah, desculpa Tio Shen. Tchau moça!

Andei com pressa até o meu quarto, Senhorita Han já estava lá.


Aquela mulher voltou ao hospital mais vezes, acabei criando certa amizade. Conversávamos bastante e nos dávamos bem, o Doutor Huang dizia que aquilo era bom e a Senhorita Han estava muito feliz.

Aquela moça estava mais alegre, seus sorrisos demonstravam claramente o que sentia. Seu marido, Lin Ludi, também demostrava gostar muito de mim.


— Tio Ludi, você viu o Tio Shen? — Perguntei puxando a manga da sua blusa.

— Doutor Yu Shen não virá hoje. — Respondeu me olhando.

— Por quê?

— Ele foi visitar a irmã dele.

— O Tio Shen tem uma irmã?!

— Tem sim!

— Eu também tinha uma irmã!

— Ah, eu não tenho!

— Não tem irmã? Como pode?

— Sou filho único.

— Entendi.... Tio Ludi, a Tia Lixue também não vai vir hoje?

— Ela já está chegando, foi buscar uma coisa para você.

— O que é?

— Ela não me contou.

— Sério? Ela não disse nadinha?

— Infelizmente não. Está com fome? Podemos ir almoçar enquanto ela não chega.


Descobri na mesma semana que o sobrinho do "Tio Shen", Huang Zi Tao, havia falecido. A irmã dele também é médica, mas estava vivendo na Coréia do Sul. Ele foi passar alguns dias com ela...

Wang Lixue e Lin Ludi me deram uma notícia estranha alguns dias depois: Senhorita Han havia encontrado uma família para cuidar de mim.

De início, me lembro de ter ficado triste, mas depois acabei aceitando. Não poderia viver naquele hospital para sempre...


— Senhorita Han, eles já chegaram?

— Estão lhe esperando na recepção.

— Eles são legais?

— São muito legais. Você vai gostar deles.

— E se eu não gostar? Eu posso voltar?

— Zilin, eu tenho certeza de você vai gostar. Conversei bastante com eles e expliquei tudo. Se você não quiser ficar com eles, vamos encontrar outro casal.

— Senhorita Han.... Eu prometo que vou me comportar e não contar nenhuma mentira!


Eu não pude evitar sorrir quando descobri que o casal que queria me adotar era Lixue e Ludi. Ambos estavam felizes.

No final da semana eles me levaram para conhecer minha nova casa. Lixue estava muito empolgada, dizia que eu poderia escolher a decoração de meu quarto e logo eu voltaria para a escola, mas não iria continuar naquela que frequentava anteriormente. Uma nova escola, uma nova casa e uma nova família. Ah, também iria morar em outra parte da cidade. Zanshi é linda e muito grande, essa cidade foi fundada pela família do Doutor Huang.


— Tia Lixue, o que você queria ter e não podia era uma filha?

— Exato!

— Mas... por quê? Todas as mulheres não podem ter bebês?

— Algumas mulheres não.

— Isso é estranho.

— Não muito. — Abaixou a cabeça entristecida, mas acabou rindo. — Eu não posso ter um bebê, é muito perigoso para mim.

— Ah, eu vi isso em um filme! Pensei que não podia acontecer na vida real...

— Infelizmente pode. Ludi também sonhava em ser pai, naquele dia em que te conheci ele foi conversar com o médico para saber o quão perigoso seria isso.

— Por isso você estava chorando!

— Ele ficou feliz quando me viu conversando com você. Zilin, você é uma menina de ouro e merece muita coisa.

— Mas eu já ganhei o que eu queria.

— E o que era?

— Que meu papai e minha mamãe não brigasse mais, você e o Tio Ludi nunca brigam!


Morar com Ludi e Lixue foi como um recomeço, apesar de ter sido triste me despedir do pessoal do hospital. Não tive qualquer contato com meus pais biológicos desde aquele "ocorrido" e isso não era um problema, tudo o que eu já poderia ter sonhado em relação a uma família veio a mim quando passei a viver com meus pais adotivos, aqueles que realmente ficaram do meu lado quando precisei.

April 2, 2019, 1:54 a.m. 0 Report Embed 0
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