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xhasashi Hasashi Rafaela

Ainda que aquela decisão fosse difícil, Noriaki sabia que podia contar com o apoio de sua família. [Jotaro x Kakyoin] [Jotakak!Famliy] [Jotakak Week 2019] [Fluffly] [Dia 4]


Fanfiction Anime/Manga All public.

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Capítulo único

Não era como se aquilo não doesse e incomodasse, mesmo depois de tantos anos.

Noriaki respiroufundo, segurando a caneta entre os dedos e rabiscando a folha de sulfite na tentativa de se acalmar. Aquele éo hábito que cultiva desde criança, desenhar sempre foi o alívio para a sua agonia em momentos que não podia esboçar o que sentia de fato. Porém, mesmo com tudo isso, a sensação de incômodo que aquela situação lhe traziaera terrível,queria procurar Jotaro, mas se segurou, seu marido provavelmente estava ocupado em seu laboratório e não tinha intenção de preocupá-lo.

Vez ou outra, olhava para o celular com a tela aberta em uma mísera mensagem, a que temeu por tantos anos:


“Olá Noriaki, como vai? Sua mãe e eu queríamos te ver. Seu pai.”


Para qualquer pessoa, aquele simples texto não significaria muito, exceto para Kakyoin. Foram 17 anos sem nenhum mísero contato, claro que havia tentado muito mais que seu orgulho permitiria, até o momento de se cansar.

Desde que conheceu Jotaro, viajou até o Egito para salvar Holly e quase morreu, sua vida mudou completamente.

Não se lembra de quando foi levado para o hospital, apenas quando acordou dois meses depois do coma;sentia dores por todo seu corpo, ainda que muitas de suas feridas já estivessem cicatrizadas. Ficou por algum tempo no hospital em observação até finalmente receber alta e, mesmo assim, passou por uma longa rotina de fisioterapia até conseguir voltar a andar.

Ainda com todos os problemas, Jotaro não saiu de seu lado.

Enfrentaram todo o inferno para finalmente terem um pouco de paz, ou pelo menos, era o que pensava. Estava óbvio que os pais de Noriaki não estavam satisfeito do homem que “causou” tudo aquilo estar tão presente daquela forma enão era fácil para eles compreenderem as desculpas que a Fundação Speedwagon deu, não sem desconfiar e precisar achar um culpado para o que houve com seu filho.

Esse culpado era a Jotaro e toda sua família.

Por muito tempo, Noriaki tentou intermediar a situação...até finalmente a bomba estourar.

Não foi fácil dizer de sopetão que Jojo era seu namorado e que não se arrependia de ter tomado nenhuma decisão, disse que não terminaria a sua relação e esperava que eles aceitassem.

E foi assim, que ouviu as mais duras palavras de sua vida: "Váembora, se ficar com ele, não é mais o nosso filho”.

Daquele momento em diante, pegou todas suas coisas e ligou para a casa dos Kujo, sendo atendido por Holly. Sua sogra - que já sabia da relação dele e do filho a um bom tempo - fez questão de dizer que iria buscá-lo onde quer que fosse.

Sua mente tratou de apagar quase tudo daquela noite, lembra da chuva caindo em seu corpo, do Senhor Joseph discutindo com seu pai e falando o quão errado ele estava. Lembra do abraço apertado e do beijo na testa que Jojo lhe deu, da sua sogra o recebendo em casa, dizendo que era bem vindo e que não estava sozinho.

Terminou seu colegial morando com Jotaro e sua mãe e, aos poucos, a dor que sentia pela rejeição de seus pais foi amenizando; manteve um contato esporádico e educado. Enviou um convite de casamento, avisou do nascimento de seus dois filhos.

Nunca houve uma resposta...e desde então, nunca mais enviou uma mísera mensagem.

Seus pais deixaram de fazer falta, a dor que sentia ficou guardada dentro do seu peito e esquecida; seu marido e filhos trataram de cuidar para que jamais lhe faltasse amor...até aquele dia.

Cansado de pensar, pegou o celular e digitou uma mensagem, esperando não se arrepender do que havia feito.


x


O barulho dos saltos ecoava pelo corredor, a graciosa senhora sorria e cumprimentava todos a seu redor. Sempre foi alguém muito afetiva, gostava de estar com sua família, e nunca deixava de dar amor e carinho para ninguém.

Apesar das pequenas amarguras da vida, jamais desistiu de tentar ver as coisas por outro angulo e se manteve forte, em vários momentos.

E agora, esse era mais um que precisava tratar.

Parou em frente a porta de corvermelhae riu, combinava tanto com seu filho que chegava a ser cômico; até pensou em dar a ele uma placa customizada com cerejas para ficar perfeito.


Kakyoin Noriaki - Coordenador

Diretório de Arte, Música e Teatro


Tinha tanto orgulho dele, de tudo que conquistou e batalhou para conseguir, estava presente em suas formaturas, nos prêmios de desenho e exposições de suas obras. Noriaki era tão conceituado, querido e reconhecido que, ao pensar nisso, seus olhos marejaram.

Em poucos minutos, a porta se abriu e acabou sorrindo ao vê-lo de roupas verdes - como sempre gostou - e tão bem arrumado como era.

- Me perdoe por deixá-la esperando, estava em uma ligação. - Se aproximou da mulher, e a abraçou. - E me desculpe por não enviar mensagens ultimamente.

- Sei que sua vida está corrida, agora você é um coordenador dessa Universidade enore. - Ela fez um leve carinho nos cabelos dele. - Você tem se alimentado bem?

- Sim, fique tranquila. - Riu da preocupação e deu espaço. - Por favor, entre.

Em silêncio, fechou a porta e a viu sentar-se em um sofá próximo a janela. Sem pensar duas vezes, deitou e colocou a cabeça no colo dela.

- Então eles te mandaram uma mensagem. - Holly disse, acariciando os cabelos ruivos.

- Sim. - Foi o máximo que conseguiu dizer, não segurando as lágrimas que começaram a sair. - Não é como se fosse fácil, você sabe, sogra...foi tudo tão…

- Shh...não precisa dizer nada, eu sei. - Suspirou, preocupada. - Me diga, o que quer fazer.

- Eu não sei se quero contato. - Se levantou, tirando os óculos e limpando os olhos. - O que fizeram comigo foi horrível, mas eu aprendi a superar. O que me deixa realmente irritado é nunca terem procurado os próprios netos. - Respirou fundo, tentando se acalmar.

- Filho…- Se acostumou a chamá-lo assim, porque essa era a maneira como enxergava Kakyoin. - Não mande mensagens se não quiser e se achar que deve contato, fale. Mas lembre-se que não é obrigada a querê-los em sua vida se isso te faz mal. - Deu espaço novamente, para que ele deitasse em seu colo.

- Eu não quero, Holly. - Sentiu os dedos dela passando em seus cabelos. - Não quero que o Jotaro passe por isso novamente, sei que ele também se culpa por tudo que aconteceu.

- Ele entenderá a sua escolha, você sabe o quanto meu filho te ama. - Sorriu para ele. - O quanto seus filhos te amam e em como você foi uma luz para a nossa família.

- Obrigado. - Agora, mais calmo, segurou as mãos da sogra e deixou um beijo. - Obrigado por ter sido a minha mãe.

- Sou eu que preciso agradecer, por amar meu filho e ter me dado dois netos maravilhosos.

Antes que a conversa continuasse, a porta se abriu e uma figura alta, de roupas sociais, jaleco e belos olhos verde-água entrou na sala.

Ao ver a cena, ficou em silêncio e um pouco chocado.

- Mamãe? - Jotaro se aproximou dos dois, se ajoelhando em frente a ela e beijando a sua mão. - O que faz aqui? - Olhou para o marido, com os olhos inchados.

- Estava de passagem, mas sei que o Noriaki tem muito que conversar com você. - O genro se levantou do colo dela, agradecendo em silêncio por tudo que havia dito.

Holly se levantou, abraçando Jojo apertado e beijando seu rosto.

- Cuide dele. - Sussurrou para o Kujo, ainda em seus braços. - Qualquer coisa me ligue.


x


Precisou sair mais tarde por causa de uma reunião com os professores do curso de arte, depois da conversa que teve com sua sogra, estava muito melhor. Não que as dores do passado foram esquecidas, porém, era muito bom sentir-se amado pela família que a vida lhe deu.

Assim que desceu do carro, pode sentir o cheiro de torta de cerejas da garagem; não deixou de sorrir e balançar a cabeça para os lados, aquilo provavelmente era mais uma obra de Jotaro.

E quando abriu a porta de casa, foi praticamente esmagado pelo abraço apertado dos seus dois filhos, Jouta e Jolyne.

- Pode largar, pirralha, o colo do pai Nori é meu! - Jouta reclamou, agarrado nos braços dele.

- Teu cu! - Jolyne falou mais alto. - Eu sou mais nova, o colo é meu por direito!

- Não é não! - O mais velho revirou os olhos.

- É sim!

- Chega vocês dois. - Kakyoin disse, começando a rir. - Meu colo é grande o suficiente para os dois.

- Por que vocês não aproveitam que estão em casa hoje e vão arrumar a mesa? - Jotaro se aproximou, enlaçando a cintura do marido e deixando um beijo em sua testa. - Depois nós vemos um filme todos juntos, como nos velhos tempos. - Os dois apenas assentiram, indo em direção a cozinha.

Não foi necessário dizer nenhuma palavra, abraçou o marido apertado e descansou a cabeça no peito dele;ainda que tudo fosse ruim, era grato por ter uma família incrível e recheada de amor.

Seus filhos já não eram mais crianças, Jouta e Jolyne já moravam com seus respectivos parceiros e prestes a se casar e, mesmo com tudo, nunca conseguiam sair completamente da casa dos pais.

- Obrigado por trazê-los aqui. - Beijou o peito de Jotaro, o abraçando ainda mais.


x


Agradeceu aos céus por ser sexta-feira, lia seu mangá a espera do marido, que terminava o banho. Estava melhor, Noriaki já sentia que as dores daquele dia foram aos poucos sendo curadas graças a todo amor de sua família.

Jotaro tinha sua maneira de lidar com situações como aquela e sabia muito bem o que fazer quando as coisas não estavam bem, e ele sempre acertava.Kakyoin sabia que ainda que ele não dissesse, o que houve também o afetava. Não seria fácil puxar uma conversa, mas tinha que fazer.

Assim que ele saiu do banheiro, ficou analisando o homem que amava; cada detalhe do corpo que tanto adorava e se dedicava a beijar todos os dias, era bom tê-lo. Jojo era alguém completamente diferente ao seu lado e isso que lhe fazia tão especial a seus olhos, não nega para ninguémque é gratificante ser o único que conhecia as entrelinhas de Jotaro.

O colchão se afundou ao seu lado, deixou o mangá na estante e tratou de abraçar o corpo grande e quente do marido, ainda sem dizer nenhuma palavra, o Kujo beijou seu rosto e respirou pesadamente.

Estava preocupado, odiava aquela situação e ainda mais, detestava a sensação de culpa que mantinha dentro do peito. Noriaki era seu bem mais precioso, nunca teria palavras e atos suficientes para agradecer pelo amor e a família que construíram juntos; às vezes sentia que mesmo não sendo merecedor, havia tirado sorte grande e só deveria agradecer.

- Você está se culpando, não é? - A voz de Kakyoin ecoou pelo ambiente.

- Yare yare daze… - Sussurrou. - Precisamos falar sobre isso? - Ele detestava confrontos, sobre esse assunto principalmente.

- Não é como se eu não soubesse que você se culpa, Jojo. - A voz do ruivo saiu baixa e suave, passou os dedos sobre o peito desnudo do marido. - Não quero que você sinta isso.

Jotaro manteve o silêncio, não sabia o que dizer e se também gostaria de tentar formular palavras de conforto, era difícil para ele expor seus sentimentos com frases, sempre foi alguém melhor com atos.

- Jojo. - Noriaki começou, quebrando o silêncio. - Não me arrependo de nós, de tudo que construímos juntos, dos filhos maravilhosos que temos e muito menos da escolha que tomei naquele dia. - Se ajoelhou na cama, ficando em frente a ele. - Eu amo você, e eu te escolheria todas as vezes que fosse necessário. - Colocou as mãos no rosto de Jotaro e sorriu.

- Eu também amo você. - O Kujo respiroufundo e o puxando para seu colo.

Ia continuar a falar, mas a porta do quarto foi aberta bruscamente.

- Argh, não acredito que vocês estavam prestes a transar! - Jolyne reclamou, revirando os olhos.

- Eu te disse que a gente ia empatar a foda dos velhos, pirralha. - Jouta disse, encostando na batente da porta.

- Não, vocês não estão empatando nada. - Kakyoin respondeu, começando a rir e voltando para seu lugar na cama. - Não estão conseguindo dormir no antigo quarto de vocês? - Sabia exatamente o que seus filhos faziam ali, principalmente por vê-los de pijamas e com os travesseiros em mãos.

- A gente pensou….- A menina começou.

- Se poderíamos dormir com vocês, sabe...como nos velhos tempos…- E o irmão continuou.

- Claro. - Jotaro respondeu, abrindo espaço na cama para os dois. Como na infância, os dois irmãos (já não tão pequenos assim), se aconchegaram ao lado dos pais.

Antes de fechar os olhos, Noriaki agradeceu aos deuses pela oportunidade de estar vivo e por seus filhos e marido.

Mesmo que a vida houvesse sido cruel em alguns aspectos, foi agraciado por ter uma família incrível.

Sobre seus pais e a mensagem...bem, não tinha certeza do que faria; mas, de algo ele sabia: Teria o apoio que necessitava para qualquer uma de suas escolhas.

March 22, 2019, 2:36 a.m. 0 Report Embed 120
The End

Meet the author

Hasashi Rafaela Faço estágio de Scorpion nas horas vagas, principalmente quando Plano Terreno precisa de salvação. Tenho sangue Uzumaki e dou aula de como lidar com Senju Cretino, interessados chamar no probleminha. Apaixonada por Mortal Kombat e a mama da igreja HashiMito.

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