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.talvez sejamos feitos um para o outro

O tapa estalou e ecoou naquele ambiente antes silencioso,

meus olhos marejaram,

Baekhyun não olhava para mim,

mas a Taeyeon me fuzilava incrédula,

magoada,

traída,

foi até ele e jogou o anel contra o mesmo,

dizendo que não a procurasse,

que o odiava,

e que o Sehun não me merecia...


Realmente ele não me merecia,

eu sempre soube e decidi insistir,

iludi a nós dois,

traí a confiança dele,

mas algo me dizia que ele já previa isso,

ou que o Baekhyun tinha lhe contado algo.


— Falo com você mais tarde no seu apartamento, ok? — ele disse assim que ela partiu, segurando em meus ombros e olhando nos meus olhos.

Ele então saiu e me deixou por ali, sozinha e sentindo o peso do mundo sobre mim, a ardência no rosto e um nó na garganta. Chorei até soluçar, mas não pareceu suficiente, perdi a minha melhor amiga e provavelmente o namorado por um erro... Abracei minhas pernas e escondi o rosto, envergonhada de mim mesma e irritada, magoada, traída. Não sei por quanto tempo fiquei ali, só sei que me levantei e saí andando de volta para o meu apartamento.


As pessoas passavam por mim,

como vultos,

rostos borrados,

pingos sobre mim,

sem guarda-chuva,

estava pouco me fodendo se iria pegar uma gripe,

se iria arder de febre no dia seguinte,

por dentro eu estava destruída demais para me importar com o que acontecia por fora,

era como se eu fosse uma casa que por fora podia estar sendo destruída por vandalismo,

mas por dentro tudo já estava acabado pelos próprios donos...

Conseguia sentir os olhares de conhecidos sobre mim,

e o de desconhecidos me ignorando,

como se eu fosse invisível,

e por um segundo eu queria ser.


O apartamento estava em completa escuridão, vazio, silencioso, sem vida... Suspirei e acendi a luz, me deparando com o Byun ali na poltrona, me causando lembranças que eu acreditava ter esquecido. Nós dois transando no sofá, na bancada da cozinha, na parede, no chão... Éramos viciados um no outro, apaixonados pelos nossos toques. Queria conseguir sorrir ao lembrar ao menos isso, mas não dava mesmo com muito esforço. Ele veio até mim e segurou o meu rosto, olhando nos meus olhos.

— Achei que tivesse mudado. — murmurei e fechei os olhos sentindo vontade de chorar outra vez.

— Mudei em partes, precisei passar por algumas coisas para aprender. — ele roçou os nossos narizes e eu pude sentir seu hálito quente, a vontade de beija-lo outra vez. — Mas algo que não mudou, e eu só percebi na peça, foi que continuava te amando. — abri os olhos e notei que era verdade, isso fez meu coração acelerar e minha mente esquecer temporariamente de tudo.

— Só diz isso porque quer me levar pra cama. — minha voz falhou nas últimas palavras e ele riu.

— Se fosse por isso, já teria levado e tomaria mais cuidado. — acariciou as minhas bochechas com os polegares e eu respirei fundo, me perguntando porque tudo tinha que ser tão complicado. — Conversei com o Sehun, com a Taeyeon e não precisa se preocupar.

— E por que?

— Ela não quer nos ver nem pintados e o Sehun já sabia que isso ia acontecer, e para a minha surpresa ele estava interessado na Taeyeon. — respondeu e eu não consegui dizer nada, eu e o Sehun apenas nos usamos esse tempo todo. — Agora vamos parar de falar deles e focar em nós, pelo menos se ainda sentir algo por mim e quiser tentar de novo.

— Eu te amo, mas... Eu tenho medo. — ele assentiu e depositou um rápido selar nos meus lábios, que eu retribui e envolvi o pescoço dele.

Iniciamos um beijo carinhoso apesar da dor que ainda sentia, nem pra ser uma boa amiga eu servi, e no final Sehun não me amava como eu achava. Talvez eu não o amasse também, mas ainda doía saber a verdade. Temia que ele mentisse de novo, que me traísse, que me abandonasse, trocasse ou apenas usasse como uma vadia. Ao final do beijo, ao contrário do que eu pensei, ele não me levou para um canto para transarmos, apenas se afastou com um sorriso.

— Irei provar que mudei, irei cuidar de você e te valorizar como deveria ter feito anteriormente. — senti meu coração aquecido com aquelas palavras e decidi confiar, mesmo que eu me arrependesse depois. — Está com fome?


Jantamos, ele preparou tudo e depois ficamos no sofá enquanto ele fazia cafuné nos meus fios, não me sentia como no passado, sentia algo novo. Fechei meus olhos e deixei que ele continuasse a me dar carinho, nem de longe lembrava o meu ex imaturo, que só queria saber de festas, sexo e bebidas, ele parecia um rapaz carinhoso e caseiro, maduro. Olhei nos olhos dele e ele nos meus, torcia que ele me amasse dessa forma até o fim da nossa vida.


Horas se passaram,

dias,

semanas,

meses,

anos,

e ele permanecia do mesmo jeito,

até mesmo me trazia mimos todos os dias e fazia declarações apaixonadas escritas a mão,

não tinha como não me apaixonar por ele,

como não se sentir amada...

Não tivemos filhos de sangue,

mas de coração,

dois gatos e dois cachorros,

porque ele dizia que eu era a sua gatinha,

e eu o chamava de meu beagle.


— Amor, acha que preparo comida chinesa ou japonesa? — ele estava de avental e nada mais, apesar de quem algumas horas teríamos visita e ele precisaria se vestir.

— Japonesa, o Sehun ama sushi. — ele assentiu e eu me apoiei na bancada, ele então roubou um selar e deu uma piscadela.

— Te amo Kitty.

— Te amo Beagle.

Eles tinham nos perdoado e depois de um tempo voltamos a ser amigos, Sehun e Taeyeon casaram, assim como eu e o Baekhyun. Finalmente todos estavam felizes e com quem deveriam estar, sem rancor, sem brigas, apenas amor.

March 10, 2019, 12:26 a.m. 0 Report Embed 0
The End

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𝕤𝕞𝕚𝕝𝕖 𝕠𝕟 𝕞𝕪 𝕗𝕒𝕔𝕖 ⁹⁹ Gosto de escrever, ouvir música e apreciar fanarts. ♥

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