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_bmoraes13_ Beatriz Moraes

Até mesmo aqueles que protegem precisam de cuidados. Os papéis se invertem, agora quem terá que protegê-lo é Papy. Parece que o jogo virou, não é mesmo?


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#one-shot #familia #sans #papyrus #fluffy #undertale
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Fraternal

A neve caía com intensidade do lado de fora, cobrindo o chão com um enorme tapete branco. Os pinheiros, antes verdes, estavam, agora, com seus ramos quase completamente cobertos por uma espessa camada esbranquiçada, deixando-os albinos.

Papyrus se encontrava sentado no sofá com várias almofadas e cobertores ao seu redor. Ele observava a nevasca com um semblante preocupado, vestia um casaco pesado e tinha uma caneca de chocolate quente repousando em suas mãos, que estavam protegidas por um par de luvas alaranjadas.

Após sorver o líquido fumegante em um pequeno gole, ele pousou a xícara sobre o umbral da janela. A fumaça esbranquiçada, que escapava do líquido escuro, embaçava a vidraça que o protegia do clima hostil que fazia do lado de fora de sua casa aconchegante.

Ele soltou um suspiro infeliz, fazia quase uma hora que Sans havia saído para ir comprar comida. Papyrus insistira para que o irmão ficasse em casa e se mantivesse a salvo daquele clima congelante, mas ele recusou, contestando que era melhor sair antes que a nevasca ficasse mais forte. Eles poderiam ter recorrido ao estoque, quase infinito, de sobras de espaguete, mas, por algum motivo, todos os tapewares foram encontrados vazios e jogados no fundo da geladeira. Papy tinha certeza absoluta que aquilo se tratava de mais uma das traquinagens daquele cãozinho irritante, mas o réu sequer havia dado as caras até o presente momento. Provavelmente estava escondido dentro do armário que ficava embaixo da pia ou em um dos cestos de roupa suja na lavanderia.

De repente, um movimento do lado de fora da janela chamou a atenção do esqueleto, o retirando de seus devaneios. Uma pequena centelha de esperança surgiu em sua alma quando assistiu uma pequena forma cambalear com dificuldade lá fora, tentando cruzar o mar branco que Snowdin havia se tornado.

A porta tremeu nas dobraduras, alguns momentos depois, quando algo pesado se chocou contra ela. Papyrus observou, estático, a maçaneta se mover um pouco, até por fim girar, escancarando a porta e deixando uma pequena figura coberta de neve cair para dentro da sala de estar.

- Sans! – Exclamou o esqueleto maior se colocando de pé e correndo na direção do irmão. – Você está bem? – Questionou, preocupado, o ajudando a levantar.

- S-S-Sim, P-P-P-Papyrus... – Gaguejou, seus ossos chacoalhavam tanto devido ao frio, que ele mal conseguia abrir a mandíbula para responder ao irmão. Papy fechou a porta para manter o vento gelado do lado de fora, enquanto que Sans retirou seu casaco, que estava duro devido a neve acumulada no tecido. - E-Espero q-q-que a s-s-s-sopa est-t-t-teja quent-t-te. – Murmurou estendendo uma sacola para o irmão mais novo, duas pequenas embalagens térmicas podiam ser vistas através do material transparente.

- Vou colocá-las para esquentar no microondas só por precaução. – Comentou Papyrus tomando a sacola das mãos trêmulas de Sans. – Você deveria subir e tomar um banho quente. – Aconselhou. – Não quero que fique doente igual da outra vez. – Sans fez um pequeno movimento com a cabeça, consentindo.

O esqueleto mais alto observou o irmão subir as escadas de maneira trôpega e desaparecer quando alcançou o patamar de cima. Então se dirigiu à cozinha e colocou o alimento para esquentar dentro do forno de microondas, ajustando o timer para dali há alguns minutos.

Papyrus cruzou os braços se apoiando contra a mesa enquanto assistia os potes girarem dentro do eletrodoméstico. Os números do display piscavam, efetuando a contagem decrescente.

Entediado com o monótono movimento dentro do aparelho, ele decidiu arrumar a mesa, esticando uma toalha sobre o tampo lustrado e colocando dois pares de pratos, copos e talheres sobre a mesma. Por fim, ouviu, contente, o bipe que veio do microondas, avisando que a comida estava pronta. Com cuidado, ele retirou o alimento quente de dentro dos potes, os despejando nos pratos.

Papy se afastou, sorrindo orgulhoso de seu trabalho. Paciente, ele sentou-se à mesa para esperar pelo irmão. Minutos se passaram, mas Sans não apareceu. Papyrus franziu o cenho em estranhamento. Normalmente o irmão tomava banhos rápidos, principalmente se fosse comer depois da ducha.

“Esquisito...”, pensou o esqueleto apurando sua audição para ver se ouviria as tábuas do andar de cima rangerem, denunciando a movimentação do irmão.

Mas nada ocorreu. O silêncio era sepulcral.

Papyrus se levantou e subiu rapidamente as escadas.

- Sans! O jantar está pronto! – Anunciou batendo na porta do banheiro. Mas não recebeu resposta alguma. – Sans? – Chamou novamente batendo mais forte na porta. Talvez o irmão tivesse adormecido enquanto tomava banho? – Sans. Eu vou entrar. – Avisou, escancarando a porta.

A banheira estava vazia, assim como o banheiro. A toalha que o irmão normalmente usava estava pendurada, intocada, no gancho atrás da porta. A cerâmica fria da banheira estava seca, indicando que ninguém havia tomado banho.

Preocupado, Papyrus se colocou para pensar. Onde mais Sans poderia estar sendo que não podiam sair de casa devido à nevasca mortal que rugia lá fora?

O esqueleto saiu rapidamente do banheiro, fechando a porta atrás de si, então se dirigiu ao quarto do irmão. Sem avisar, ele entrou de supetão dentro do cômodo, e constou, aliviado, que o menor dormia profundamente em sua cama ainda usando as roupas cobertas de neve.

- Sans. – Chamou sacudindo os ombros dele. – Você não pode dormir assim. – Ralhou em tom brando.

- Hum... – Sans gemeu, virando o rosto para o outro lado. – Me deixa dormir, Papy...

- Sans... Você está bem? – Questionou apoiando uma das mãos sobre o crânio do irmão. O menor fez um barulho com a garganta em concordância. – Seu mentiroso. Você está queimando.

- É um belo dia para queimar no inferno. – Murmurou com a voz rouca.

- Sans! – Exclamou Papyrus em repreensão devido à frase. – Vamos! Levante! Você não pode dormir coberto de neve! – Insistiu, tentando tirar o irmão da cama.

- Isso é um desafio? – Brincou sem humor. Ele parecia horrível aos olhos de Papyrus, e isso o preocupava muito.

- Apenas se quiser dormir eternamente, congelado. – Retorquiu, Sans virou o rosto para encarar o irmão, havia um olhar de descrença em sua face. Não havia apenas uma expressão surpresa diante da fala de Papy, mas um leve rubor ciano que denunciava seu estado de saúde. E não era dos melhores. – Venha, Sans. – Insistiu o caçula. – Você precisa tirar essa roupa úmida, senão vai ficar ainda mais doente.

- Eu não estou doente. Estou apenas cansado. – Disse com a voz lenta. Ele começou a roncar indicando ter caído no sono, mas Papyrus sacudiu seus ombros e o acordou novamente. – Me deixa dormir, Pap. – Manhou.

- E irei. Assim que você trocar de roupa. – Ele pegou o irmão no colo. Sans, apesar de ter insistido em ficar na cama, não ofereceu resistência alguma quanto a ser levado. – Mas primeiro você precisa de um banho quente. – O menor apenas assentiu levemente, com os olhos cerrados.

Papyrus levou o irmão até o banheiro. Ele ligou a torneira, água quente começou a jorrar da peça hidráulica para dentro da banheira. Enquanto que esta enchia, Papy tirou as roupas do irmão. Mas ele parou subitamente ao notar uma enorme cicatriz no peito dele. Suas falanges dedilharam toda a extensão da marca, enquanto que o maior se perguntava como Sans havia se machucado daquela forma e ele não percebera. Afinal, o corte era muito profundo, com certeza o esqueleto teria sangrado até a morte. Mas como, então, ele estava vivo? Era recente? O que Sans estava escondendo de si?

- P-Papy. A banheira. – Disse o menor, arrancando Papyrus de seus devaneios. O esqueleto de lenço vermelho correu até a torneira e cessou a torrente de água antes que o líquido ultrapassasse a borda de cerâmica.

O caçula deu banho no mais velho, secou seu corpo e colocou um pijama quente nele. Sans praticamente dormiu o tempo inteiro, o que gerou mais trabalho ao outro esqueleto.

Papyrus iria levar o irmão para descansar em seu quarto, mas lembrou que a neve das roupas dele deveria ter derretido e molhado os lençóis. Então deu meia volta e o levou até seu próprio quarto, o deitando em sua própria cama e o cobrindo com as cobertas.

- Como se sente? – Questionou o irmão mais novo, preocupado.

- Bem...

- Mesmo? – Insistiu, Sans fez um barulho em concordância. – Você ainda está quente. – Murmurou após checar a temperatura do irmão novamente.

- Eu só preciso dormir. Uma boa noite de sono e estarei novinho em folha. – Assegurou.

- Você precisa comer. Ainda bem que temos sopa. Vou trazer um pouco para você. – Disse.

Sans cerrou seus olhos, sentia-se tão cansado. O esqueleto acabou por adormecer, mas seu cochilo durou apenas alguns minutos, pois Papyrus irrompeu pela porta e sacudiu os ombros do irmão.

- Coma. – Disse com uma pequena bandeja com uma tigela de sopa nas mãos.

- Eu não estou com fome, Papy. – Murmurou se virando para o outro lado.

- Sans. – Disse em repreensão. – Você precisa comer alguma coisa.

- Eu tomei uma bisnaga de ketchup...

- Eu quero dizer comida de verdade e não ketchup. – Retrucou, interrompendo-o. – Você quer que eu te alimente? – Sugeriu. Ele precisava fazer o irmão de alimentar de alguma forma.

- Eu não sou criança, Papyrus. – Retorquiu Sans.

- Mas está agindo como uma. – Respondeu. Ele encarou seu irmão mais velho de maneira impassível, mesmo que este nem estivesse o vislumbrando. Mas seu silêncio foi suficiente.

- Ok... Você venceu. – Disse, sentando-se na cama.

- Diga “aah”. – Pediu pegando um pouco de alimento com uma colher. Sans o fez e Papyrus colocou o utensílio em sua boca.

- Huumm. – Fez Sans em aprovação. – Essa sopa está uma delícia!

- Coma mais um pouco, então. – Insistiu com um sorriso.

. . .

Papyrus fitou ao irmão. O mais velho estava de olhos cerrados, quase adormecendo reclinado contra o travesseiro. O rubor ciano em seu rosto estava diminuindo, o que fez Papy ficar mais aliviado.

Ele deu meia volta e estava saindo de fininho do quarto para deixar o irmão dormir, quando Sans o chamou. Demonstrando não estar totalmente adormecido como havia pensado que estaria.

- Papyrus?

- Sim, Sans? – Respondeu, se virando.

- Você pode ler um de seus livros para mim? Para pegar mais facilmente no sono, sabe? – Papyrus estranhou, afinal, o irmão não tinha nenhuma dificuldade em dormir. O esqueleto de lenço vermelho até já havia flagrado o irmão dormindo de pé! Mas ele ignorou esses pensamentos, foi até sua estante e pegou seu exemplar do “Peek-a-boo with Fluffly Bunny”.

Sentou-se na cama próximo a Sans e se dispôs a ler o conto. As páginas cobertas de ilustrações iam virando e virando, fazendo com que avançassem pela história infantil. A voz branda de Papyrus era a única coisa que se ouvia sussurrar, além dos baixos arquejos de seu irmão mais velho. Logo, o livro chegou ao fim e Papy fechou-o com delicadeza.

- Deve ser a “centuplagésima” vez que leio, mas o final sempre me pega! – Comentou com seu irmão enquanto guardava o livro em uma estante próxima. - Boa noite, Sans. – Disse dirigindo para a porta.

- Papyrus, espere! – Chamou o esqueleto que estava na cama.

- O que foi, Sans? Algo errado? – Questionou o caçula ficando preocupado.

- Será... Será que... Você... Bem... – Começou, mas apenas palavras desconexas deixaram sua boca.

- Desembuche. – Pediu Papy.

- Será que você poderia dormir comigo hoje?

O caçula piscou aturdido, ele não esperava tal pedido vindo de seu irmão. Para Papy, Sans sempre fora o mais corajoso e destemido, por que isto haveria mudado?

- Por quê? – Indagou o esqueleto, confuso.

- Por favor, irmãozinho. – Implorou Sans.

Papyrus suspirou, então caminhou até a cama com o irmão e se juntou a ele embaixo dos lençóis.

- Muito obrigado, bro... – Agradeceu o mais velho.

- Boa noite, Sans. – Desejou Papy deitando de barriga para cima.

- Boa noite, Papy... – Respondeu se ajeitando ao lado do irmão, a cama de solteiro era estreita, mas era confortável o suficiente para ambos. – Papy... – Chamou após um breve hiato. Um suspiro irritado escapou de seu irmão.

- O que foi, Sans? – Questionou.

- Eu te amo. – Dito isto, ele enlaçou o tronco do irmão com seus braços. – Te amo muito mesmo...

Um enorme ponto de interrogação surgiu na mente de Papyrus devido ao ocorrido, porém ele apenas cerrou seus olhos enquanto bocejava.

- Eu também te amo, Sans. – Respondeu-lhe.

March 6, 2019, 2:48 p.m. 0 Report Embed 0
The End

Meet the author

Beatriz Moraes Meus personagens sofrem com um grande sorriso no rosto, pois sabem que não há felicidade sem dor. Na verdade eles não só sofrem, como também vão até o Inferno e voltam. (De acordo com a Leeh, essa diva :v) Podem me chamar por Møry. Minhas histórias contém muito sadomasoquismo contra os leitores, junte-se ao bonde da LEMONada por sua própria conta e risco. Respondo todas os comentários, não precisa ficar recluso, não mordo (tão forte :3). Estou no Wattpad, Spirit e Nyah! Fanfiction também!

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