Your Type Follow story

tsukimiko_san Tsuki Miko

Viver em Londres era legal, para dizer o mínimo — quer dizer, muito mais legal que viver trancafiado em uma mansão assombrada em Hampshire, ou uma outra casa qualquer que meus pais tivessem em Oxford. Em outros tempos, eu teria dado seis por meia dúzia; ambos os lugares seriam igualmente entediantes. Mas não dá pra ficar entediado quando eu moro na mesma cidade que a minha tia meio insana, minha amiga gênia e meu namorado.


Fanfiction Books For over 18 only.

#shounen-ai #bl #fluffy #fanfic #Snowbaz #Carry-On
Short tale
4
1488 VIEWS
Completed
reading time
AA Share

Capítulo Único

Oi!

Eu não planejava voltar a escrever até as férias de julho, mas nesse fatídico carnaval, eu quebrei um novo recorde pessoal: li Carry On em algumas horas (muito obrigada à minha amiga que me convenceu a ler com seus posts no FB, te amo) e já escrevi uma one-shot em menos de 24h desde o fim da minha leitura. Eu acho que nunca escrevi tão fluidamente antes. Wow. Foi libertador. Tava morrendo de vontade de escrever ultimamente.

Bom, fazia um tempo desde que eu ficava tão empolgada com um shipp recente e fresquinho no meu coração quanto eu estou com Snowbaz (vocês logo vão perceber que esse tipo de casal é um dos que eu mais amo escrever). Eles vão aparecer aqui mais vezes no futuro? Quem sabe.

Beijos! <3

Viver em Londres era legal, para dizer o mínimo — quer dizer, muito mais legal que viver trancafiado em uma mansão assombrada em Hampshire, ou uma outra casa qualquer que meus pais tivessem em Oxford. Em outros tempos, eu teria dado seis por meia dúzia; ambos os lugares seriam igualmente entediantes.

Mas não dá pra ficar entediado quando eu moro na mesma cidade que a minha tia meio insana, minha amiga gênia e meu namorado.

Londres não era muito pequena, então deve imaginar a minha surpresa quando eu estava saindo com tia Fiona numa sexta-feira à noite — ela tinha acabado de perder um sorteio para uma moto zero que o supermercado local tinha feito depois de comprar uma quantidade exorbitante de bilhetes, e estava decepcionada o bastante para se embebedar e me levar ladeira abaixo junto — e encontrei justamente minha amiga gênia e meu namorado no mesmo bar.

Nem Penélope nem Simon eram o tipo de pessoa de bar, e isso me chamou a atenção quando eu passei pela porta e meu olhar foi atraído por eles — na verdade, meu olhar era atraído automaticamente para Simon seja qual fosse o lugar onde eu estivesse, como mariposas são atraídas pela luz. Às vezes eu achava que isso tinha alguma coisa a ver com magia; ou talvez eu vivo um grande romance clichê. Bunce apostaria na segunda opção.

Quando Fiona passou pela entrada depois de mim, também pareceu surpresa ao vê-los — obviamente que ela os conhecia, de tantas vezes que ela precisou me buscar no apartamento deles depois de bebermos demais e eu ter ficado com uma ressaca terrível e zero disposição para voltar para casa sozinho — e ergueu a mão para chamá-los... Então, eu reparei que Penny e Simon não estavam sozinhos na mesa. Havia junto a eles duas garotas, que eu reconhecia de vista da universidade. Mas o que me chamou a atenção foi que meu namorado estava tão adoravelmente corado que não pude deixar de ficar curioso. O que — além de mim, é claro — é capaz de deixar Simon Snow tão envergonhado?

Segurei o braço da minha tia e puxei-a discretamente para longe.

— Ei, pirralho, o que pensa que está fazendo?

— Impedindo que você estrague a minha missão sigilosa.

— Que porra de missão é essa?

— A de ouvir despretensiosamente que tipo de conversa faz meu namorado virar um pimentão, às onze da noite de uma sexta-feira num bar. Para uso futuro, é claro.

Fiona revirou os olhos.

— Você é impossível.

Consegui me esgueirar puxando a minha tia sem ser visto por eles — graças a Merlin pela baixa luminosidade — e sentei-me na cabine de trás. Mesmo com a música, eu conseguia ouvir o que diziam, cortesia da audição vampírica.

—...e então eu tive que fingir que nós somos namorados para aquele imbecil me deixar em paz. — Essa era Penny. Sua voz estava levemente alterada, mas não bêbada. — Por que homens são tão estúpidos? Eu disse mil vezes que eu tinha um namorado na América, e ele simplesmente não acreditou!

Oh, às vezes isso acontecia na faculdade. Quando alguma garota — ou garoto — tentava alguma coisa comigo, eu era o mais frio possível ao rejeitá-los. Simon me chamava de insensível, o que era revoltante, considerando que era ele quem deveria estar sentindo ciúmes — eu sentiria, pelo menos. Penélope Bunce, claro, era lógica e direta, mas fazia as coisas com delicadeza. Até a pessoa insistir — aí eu sabia que ela tinha que se segurar muito para não ser irresponsável e lançar um feitiço no Normal em questão.

— Por favor, Penny, essa história de novo não — Simon gemeu. Oh, então era por isso que ele estava envergonhado? Eu também tinha ouvido aquela história dezenas de vezes antes, mas nunca deixava de ser divertido o quanto Simon ficava embaraçado. — Eu quase morri pensando que Micah me odiaria quando ele veio nos visitar.

— Ah, faça-me o favor, Simon, ele te adora. E sabe que não sou seu tipo, de qualquer forma.

— É mesmo? — uma das garotas disse. Seu nome era algo com L, acho. Linda? Lily? Lauren? Não me lembro. — E qual é o seu tipo, Simon?

Agucei minha audição, genuinamente curioso para a resposta.

— Uh... — Aquele era o som de um cérebro entrando em parafuso. Segurei a risada. — Eu não sei se eu tenho um...

— Aff Simon, não seja sem graça! Até Penny deve ter um tipo, não é?

— Meu tipo é garotos americanos, gentis e que aguentam minhas loucuras — Penélope disse.

— Você basicamente descreveu Micah! — Simon exclamou.

— Ora, que coincidência, ele é totalmente meu tipo, então.

— Você não pode descrever seu namorado e dizer que é seu tipo!

— Claro que posso. Assim como você pode dizer que seu tipo são pessoas mais altas que você, de pele pálida, cabelos negros e péssima personalidade.

Quase explodi em gargalhadas, mas me segurei.

— Uh? Do que você está falando, Penny? O Simon tem--?

— Esse não é o meu tipo! Definitivamente não! — Simon interrompeu, e eu quase podia ver a vermelhidão do seu rosto.

— Então qual é?

Decidido a não deixar a oportunidade passar, ajoelhei-me no banco da cabine, apoiei os cotovelos no encosto e debrucei-me em direção à mesa de trás.

— É, Snow, eu estou curioso também. Qual é o seu tipo?

As pessoas na mesa levaram um total de sete segundos para absorver minha presença. Simon levou cinco. E me lançou aquele olhar com o qual eu já estava acostumado, que dizia você é um cretino total, Tyrannus Basilton Grimm-Pitch. Eu quase podia ouvir sua voz.

Eu geralmente odiava quando pessoas me chamavam pelo nome completo. Mas não Simon. Na voz dele, até meu nome ridículo soava bem. Eu amava, até quando ele usava para me xingar.

— Que porra você está fazendo aqui, Baz?

— Boa noite pra você também.

— Você estava nos ouvindo pelas costas? — Penny perguntou, irritada. Revirei os olhos.

— Pelo amor de Deus, Bunce. — Lembrei-me de falar como um Normal. — Um homem não pode mais apreciar uma noite de sexta-feira num bar e escutar casualmente uma conversa da mesa de trás?

Simon e Penélope me encararam, sabendo que eu era tudo, menos casual. Suspirei. Se nem minha amiga nem meu namorado acreditam em mim, não tinha como insistir.

— Ei, você não é o cara de Economia? — uma das garotas perguntou, surpresa. — Você conhece Penny e Simon?

Parei para pensar um pouco nos sete anos de competições entre mim e Penélope pelo primeiro lugar na classe, e no último ano, na nossa amizade improvável por causa da morte da minha mãe. E depois, nos sete anos de brigas e ódio com Simon, que evoluíram para mais brigas, mas dessa vez com mais beijos do que ódio envolvido.

— Um pouco — respondi, vagamente. Olhei de relance para a minha tia. Fiona havia pedido um copo de whisky e estava mexendo no celular, distraída. Eu teria que levá-la pra casa depois, mas não parecia especialmente precisar de mim naquele momento. — Uff, com licença...

Passei as pernas pelo encosto do banco e deslizei perfeitamente para o espaço entre Penny e Simon. Então, voltei-me para o meu namorado, com o sorriso de canto mais irritante que eu conseguia fazer.

— E então? Eu fiz uma pergunta, Snow.

Simon levou algum tempo tentando lembrar o que eu tinha perguntado.

— Eu já disse, eu não tenho um tipo!

— Cabelo escuro. Pele pálida. Péssima personalidade — lembrou Penny, tomando um gole da sua bebida. Assenti em aprovação.

As garotas Normais não pareciam estar acompanhando muito bem a conversa, mas estavam curiosas.

— Ugh... Eu vou ao banheiro. — Simon saltou para fora do banco, praticamente correndo. E como o bom namorado que eu sou, fui atrás.

►♦◄

— Eu sei que você não está chateado de verdade, só envergonhado, então vou me permitir zoar você — falei assim que passei pela porta do banheiro vazio.

— Você ia me zoar de qualquer jeito.

— Você sempre pensa o pior de mim. Estou ofendido. — Escorei na pia ao lado de Simon. — Aquilo foi engraçado. Desde quando Bunce tem amigas Normais?

— Segundo Penny, elas não são amigas, apenas colegas. — Simon sacudiu a cabeça. — Mas aceitou sair com elas mesmo assim, e me arrastou junto. Acho que estava entediada.

— Você poderia ter me chamado pra te salvar.

— Primeiramente: eu lá pediria resgate pra você? — Revirou os olhos. — Em segundo lugar: nós saímos toda semana, Baz. E você praticamente mora na minha casa.

Encolhi os ombros.

— Você tem um ponto.

— Enfim. — Simon encarou o teto e deu um longo suspiro. — Eu não sei se eu consigo lidar com garotas semiembriagadas conversando. Os assuntos mais embaraçosos possíveis aparecem do nada pra acabar com a minha sanidade.

— Então, deixe-me adivinhar: você prometeu ser o responsável, então não tomou uma gota de álcool.

— É enervante o quão bem você me conhece.

Ficamos em silêncio por alguns instantes. Como sempre acontecia quando eu ficava sozinho com ele daquele jeito, eu comecei a reparar em cada detalhe que meus sentidos aguçados conseguiam captar: seu cheiro característico, que sempre me deixava com fome, mais um resquício de chocolate — Bunce devia ter tentado fazer biscoitos mais cedo — o som ritmado da sua respiração, as levíssima ondas de calor que ele emitia em contraste com a minha pele fria, a luz que refletia nos seus cabelos e chegava a mim pela minha visão periférica. Se eu me concentrasse, conseguiria ouvir as batidas do seu coração, mas eu costumava evitar aquilo, era um pouco sinistro demais, até pra mim.

— Você não vai responder a minha pergunta? — falei, em voz baixa.

— Você ainda vai insistir nisso? — Simon suspirou e virou a cabeça pra mim. Só então olhou em meus olhos e piscou. — Espera, você está sério?

Não respondi. Não precisava.

Meu namorado gargalhou.

— É sério, Baz? Eu não acredito, você está realmente preocupado se você faz meu tipo ou não?

— Ei, foi uma pergunta válida, ok?

— Você é tão idiota.

— Essa fala é minha.

Eu não estava irritado de verdade. Só de ver o riso nos seus lábios e o divertimento nos seus olhos azuis, qualquer tipo de barreira que eu estupidamente estivesse erguendo, desmoronou.

— Eu já disse, eu não tenho um tipo, idiota, acredite em mim. — Simon girou o corpo e recostou o tronco de frente para a pia. — Isso é estúpido. Eu estou com você, então você deve ser meu tipo, não é?

Ele disse aquilo com uma voz tranquila demais. Girei o corpo e confirmei minhas suspeitas através do espelho: Simon estava corado. Mordi o lábio inferior.

— Você ainda vai ser a minha morte, Snow.

— Do que você... — Segurei seu queixo, virei seu rosto e o beijei.

Fazia alguns dias que não nos beijávamos. Não que eu fosse admitir em voz alta que eu senti falta, mas eu senti. Sem demora, Simon virou de frente para mim e abraçou meu pescoço para tentar alcançar minha altura. Dei uma risadinha.

— Nove centímetros fazem falta, Snow?

— Cala a boca. — E eu acatei, porque Simon tinha um jeito bem persuasivo de me fazer calar a boca.

Quando estávamos sem ar — Simon, pelo menos, porque eu conseguiria ficar naquilo por horas —, nos separamos. Ele estava ofegante.

— E o seu? — perguntou, inspirando e expirando sofregamente.

— Hm?

— O seu tipo. Qual é o seu tipo?

Não precisei pensar por muito tempo.

— Simon. Meu tipo é Simon Snow.

Meu namorado estreitou os olhos para mim.

— Você é um imbecil.

— E você me ama.

— E eu te amo — confirmou e ergueu-se na ponta dos pés para me dar um beijo na testa. Tudo era sempre tão intenso com ele que, às vezes, quando Simon era fofo comigo, eu paralisava e não sabia o que fazer.

Ele deu um passo para trás e espanou suas roupas — um jeans surrado e um daqueles suéteres ridículos que o fazem parecer um adolescente — antes de andar até a porta.

— Vamos voltar, ou Penny vai achar que nós estamos transando no banheiro.

— Não posso culpá-la. Não seria a primeira vez.

►♦◄

Não sei como, mas Fiona acabou se entrosando com o grupo de universitárias, como se fosse uma delas, antes que eu e Simon voltássemos do banheiro. E, de alguma forma, conseguimos fazer aquilo durar por horas.

No fim, tive que levar não só tia Fiona para casa como também Simon e Penélope para o apartamento deles. Penny não se embebedava tão facilmente — só ficava levemente alterada, e ainda conseguia competir comigo em conjugação de verbos irregulares em grego mesmo depois de alguns copos — mas dormia facilmente quando bebia. Então, no caminho, ela desmaiou no colo de Simon no banco de trás, os óculos tortos e os cabelos bagunçados.

Fizemos a viagem em um silêncio confortável. Quando chegamos, ajudei-o a carregar Penny — sem magia, seus vizinhos poderiam desconfiar — e a deixá-la em sua cama. Enquanto eu ia para a sala de estar, Simon pediu para que eu esperasse e correu para o seu quarto, ao passo que retornou logo depois, segurando o carregador do seu celular e um casaco de lã, tão brega quanto seu suéter.

— Eu vou com você. Faz um tempo que não durmo no seu apartamento.

Senti meu coração disparar como o de um adolescente na puberdade.

— Por Crowley, Snow, você não vai entrar no meu apartamento com essas roupas ridículas.

— Você sempre diz isso das minhas roupas. — Revirou os olhos e deu um sorriso travesso. — Se as odeia tanto, por que não tira?

Encarei-o em choque.

— Maaaas — cantarolou e caminhou até a porta da frente. — Só deixo se for no seu apartamento.

Não precisou dizer duas vezes. Saltei do sofá e corri atrás dele, nunca antes tão empolgado para voltar para casa com o meu namorado.


Obrigada por lerem <3 <3 me sinto realizada por pelo menos ter expressado o quanto eu amo esse casal ahsauhsauhsuahs <3

Beijos!

March 5, 2019, 12:42 a.m. 0 Report Embed 0
The End

Meet the author

Tsuki Miko Escritora nas horas vagas, otaku em tempo integral.

Comment something

Post!
No comments yet. Be the first to say something!
~