contornos dos rios Follow story

B
Brunna Tomaino


uma reflexão sobre a socio-hidrologia cotidiana dos rios.


Memoir & Life Stories All public.

#rios
Short tale
0
2671 VIEWS
In progress
reading time
AA Share

contornos dos rios


Os rios são pontos de nascimento. Nascem florestas, solos, cidades (e seus nomes), espécies incontáveis de flora e fauna, ecossistemas complexos.  Nascem pessoas, famílias, que dependem das águas para curar a sede, a fome e as necessidades. Concebem ainda o nascimento dos sonhos e das emoções, transportando todo tipo de gente.  Atravessam vidas para o labor, estudo ou para simples contemplação da beleza cênica que só as águas fluviais possuem.

Olhando suas águas, não se imagina o quanto de vida acompanha a trajetória de um rio. São berçários, dão suporte a cadeias tróficas, dissolvem as matérias orgânicas que caem de árvores, que soltam de algas, que sobram dos bichos.  Nele aprende-se que há de se ter respeito por cada meandro e cada tributário formado, capaz de agrupar diferentes escalas de vida que coexistem e coevoluem diariamente.

Amenizam o calor e a sede. Compõem o majestoso e solidário ciclo da água, que sempre devolve ao ambiente as gotas roubadas pelo sol.  As correntes enganam, amedrontam e chegam a matar a quem não entende o poder de um rio selvagem, livre, natural.  Ao mesmo tempo em que os recursos são ofertados, são também levianamente roubados ou aprisionados. Trazem energia elétrica a milhões de pessoas através da energia despendida no seu fluxo, além de riqueza em minérios. Mas essa função torna-se um fardo quando milhares de organismos deixam de existir. Os mesmos indivíduos que exploram a sua capacidade de prover bens e energia, elétrica ou vital, utilizam os rios para despejo dos mais variados e incipientes materiais químicos. São despejados milhões de esgotos em rios encarcerados, os quais não podem fugir a esse desastroso cargo. Quando tratados, adquirem melhor aspecto, mas o mal uso já firmou seu efeito.

Dizia o sábio que nunca o mesmo rio passa duas vezes no mesmo lugar. Pode-se esperar que não haja a mesma ação degradante em mesmo ambiente. Mas esperar às vezes não é possível. As águas possuem seu tempo..tempo de residência, tempo de renovação. Tempo este que não é respeitado pelas ações e ambições antrópicas, que desconfiguram os rios por ausência de ações do Estado.   

Aprende-se com isso que a natureza é dinâmica e a aleatoriedade é um fator que a constitui. Contudo, as funções primárias e essenciais dos rios, quando perdidas, deixam de extravazar uma condição simples e valiosa desse bem natural: o nascimento do pensar no outro.

Feb. 14, 2019, 2:09 a.m. 0 Report Embed 0
To be continued...

Meet the author

Comment something

Post!
No comments yet. Be the first to say something!
~