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Fogo alado Follow story

nathymaki Nathy Maki

Quando aqueles olhos se fixaram em si, o azul derretido e solidificado, preguiçosos e alertas, Hawks sabia que estava brincando com o fogo e que havia uma possibilidade de se queimar. Porque era isso que Dabi era: perigoso, inconstante. E Hawks nunca pensou que tais qualidades o atrairiam.


Fanfiction Anime/Manga All public. © Arte da capa por CrazyClara

#bokunohero #myheroacademia #bnh #hotwings #DabixHawks #Ishippit
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O beijo das chamas

Notas iniciais: Fanfic feita para a Clara Agnes <3 que me fez arrastar muita asa pra esse shipp lindo, com base em várias imagens e tirinhas que ela mesma desenhou. Confira o trabalho magnífico dela! O usuário em todas as redes é CrazyClarabr. 

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 Espero que gostem :3

***

Em determinado momento da vida, Hawks decidiu que não tinha medo do fogo. As chamas faziam parte do seu herói favorito, Endeavor. As chamas salvavam pessoas, protegiam-nas daqueles que desejavam provocar um caos em sua vida tranquila, inspirava-o a prosseguir. As chamas lhe aqueciam nas noites frias e lhe ofereciam conforto nas solitárias, iluminavam e afastavam a escuridão que por vezes vinha lhe chamar pelo nome, tentando lhe arrastar para o lado sombrio. E era o brilho das chamas que o mantinha firme, resoluto em sua decisão, que o fazia negar todas aquelas mãos estendidas e trilhar o próprio caminho com convicção.

O homem rápido demais, um herói natural desde que salvara aquelas crianças do acidente de carro, o herói número 2. Títulos e títulos que ouviam lhe dar, nomes e nomes que se acumulavam, rostos e mais rostos que buscavam sua proteção, mesmo que soubesse que suas costas nunca seriam largas o bastante para manter todos seguros; mesmo que tudo o que desejava fosse criar uma sociedade onde não houvesse tanto trabalho, na qual as pessoas – e os heróis – tivessem mais tempo para apreciar o mundo, na qual os heróis tivessem tanto tempo livre que não saberiam o que fazer com ele. Um lugar em que pudesse descansar de toda a pressão e pudesse simplesmente erguer os ombros, expandir as asas e tomar os céus, sentir o vento acariciar o corpo – forte ou suave, temperamental como sabia que o céu era.

Por isso, para chegar a esse mundo, Hawks não se importava em se corromper, não se importava em ser um espião desprezado, em ser chamado de traidor e duas-caras em um futuro próximo. Não se importava com tais coisas, desde que permanecesse focado e seguro que seu desejo em breve se concretizaria. Isso mesmo, em breve, afinal, era o homem rápido demais para o próprio bem.

Ao menos era isso que pensava ao interagir com a liga, jogando sorrisos, piadas e escondendo-se por trás de uma máscara armada. Nunca pensou que alguém o veria por detrás desta e que as mesmas chamas que não temiam passaram a se assomar contra sua visão, um muro de teimosia e sarcasmo de tonalidade azul que queimariam tudo a sua frente. Tão diferente daquelas chamas que lhe passavam segurança e conforto; estas eram descontroladas, famintas e Hawks sabia que devorariam tudo em seu caminho apenas para o seu bel-prazer. Soube disso no momento em que fitou aqueles olhos azuis, tão acesos quanto as chamas, e tão perigosos quanto.

E quando pensou que se manteria longe desse mundo, focado apenas na missão que tinha que desempenhar ali, suas convicções sofreram um choque bruto. Foi Dabi quem o fez enxergar a verdadeira sociedade em que viviam, aprender a ver por baixo da casca que se apresentava para o mundo, catalogar e nomear todos os corruptos, os hipócritas, aqueles que agiam exatamente como vilões enquanto vestiam a capa de herói. Inclusive o seu favorito. Sua inspiração.

O pior de todos: Endeavor.

Em determinado momento da vida, Hawks odiou o fogo. Fora ele o responsável pelas cicatrizes de Dabi, fora ele quem levara embora sua felicidade, fora ele quem o ferira tão profundamente que uma recuperação jamais seria possível, fora ele quem tatuara em sua pele os perigos das chamas, o poder destrutivo delas, o descontrole e, acima de tudo, o ódio de um coração que, embora coberto pelo fogo, era tão frio quanto o gelo.

Esticou mais as asas, o casaco marfim sacudia ao seu redor, levado pelas correntezas ascendentes. Um ponto de cor azulada envolto em roupas pretas chamou sua atenção e Hawks sorriu consigo mesmo ao se inclinar no ar e se impulsionar em um mergulho, já percebendo a expressão irritada do outro ao ser pego por trás. Os xingamentos foram abafados pelo vento devido a velocidade que imprimia, as asas adejavam, batendo com força, familiarizadas com o caminho que tomavam.

Os dois se encontravam no topo da torre mais alta mais uma vez, os olhos fixos na paisagem noturna abaixo, as luzes acesas brilhavam em agrupamentos luminosos e chamativos, que reivindicavam a atenção e chamavam aqueles que por ali passavam; os sons pareciam tão distantes por conta da altura, apenas uma sinfonia ao fundo cortada pelo leve bater de asas do herói que ainda não pousara.

Hawks sabia o quanto Dabi odiava quando ele o agarrava para esses passeios surpresa, ainda mais quando era arrastado para o topo, tão alto e veloz que tudo abaixo e tornava um borrão de cores e formas. Ele sabia, e mesmo assim não conseguia não se divertir com isso.

— Ainda com medo? Eu não mordo, passarinho. Pode descer. – Hawks sabia que embora a postura parecesse despreocupada, havia uma ameaça velada no tom. Sabia o quão rápido ele podia se mover e aquelas chamas logo o estariam consumindo. Um passo em falso e tudo que veria seria a longa queda até o chão. Sorriu. Não conseguiu evitar. O sangue cantava, correndo nas veias agitado pela adrenalina que a sensação de perigo lhe disparava.

— Se me quer tanto assim, venha aqui e me amarre.

— Querer você de que maneira? – Os olhos azuis faiscaram em diversão enquanto ele levava a mão ao queixo e fingia pensar. — Não me entenda errado, ambos envolvem cordas, mas há uma importante distinção a fazer antes de prosseguirmos.

A risada soou pelo céu, carregada pelo vento e Hawks pousou ao lado do vilão, as mãos enfiadas nos bolsos do casaco e um olhar de desafio no rosto. Perigo ou seguro? Aproximar-se ou voar? Nenhum dos dois se moveu.

— Duvido que me pegue tempo o suficiente para satisfazer qualquer uma das opções.

Quando aqueles olhos se fixaram em si, o azul derretido e solidificado, preguiçosos e alertas, Hawks sabia que estava brincando com o fogo e que havia uma possibilidade de se queimar.

Porque era isso que Dabi era: perigoso, inconstante.

E Hawks nunca pensou que tais qualidades o atrairiam.

Curvou-se mais na plataforma de metal, as asas abrindo as costas para lhe proporcionar estabilidade e prosseguiu, sem conter ou medir as palavras.

— Uma vez eu disse que minhas costas não eram largas o suficiente para proteger pessoas, mas penso agora que essa afirmação estava errada. Percebo que não é preciso proteger a todos, existem aqueles que não merecem essa proteção.

Ouviu o estalo das chamas contidas e não desviou o rosto do ponto distante que observava. Podia sentir os olhos sobre si, avaliando, e um tremor trespassou suas penas, agitadas pelos próprios pensamentos inconstantes.

Em determinado momento da vida, Hawks passou a amar o fogo. Não as chamas calmas e controladas, de coloração laranja e vermelha tais como as penas de suas asas, mas aquelas que podiam ser chamas de insanas, que consumiam tudo a sua frente e não deixavam nada além de pó para trás. As chamas com a mesma coloração do céu que ele amava percorrer.

O silêncio se manteve e Hawks o sustentou apenas por mais alguns segundos, as palavras lhe subiam pela garganta, implorando para serem ditas.

— Li em algum lugar que é preciso ter asas quando se ama o abismo. – O semblante sério que ele mantinha naquelas alturas era destoante. — Bom, sorte que eu tenho. – O sorriso indigente era algo que o vilão já havia se acostumado a ver, aquele repuxar de lábios e o estreitar dos olhos que o desafiavam a descobrir o motivo pelo qual sorria. Era irritante. Era instigante. E quando tal coisa acontecia, Dabi sabia que havia sido pego, fisgado pelos pensamentos que ninguém mais conseguia prever, tão mutáveis quanto uma brisa.

— Você não desiste, é irritante sabia. – Abaixou-se ao lado dele para o observar a cidade que se estendia até o fim de suas vistas, os dedos produzindo chamas azuis que espiralavam, afastando o frio que vinha com a altitude que se encontravam.

— O que posso fazer, é a minha natureza. Quando eu decido que quero alguma coisa, não consigo me conter.

— E o que quer no momento?

O olhar lançado sobre as asas era ilegível e desafiador. Dabi estreitou os olhos.

— Não consegue adivinhar? – O herói alado provocou.

— Vejo que não tem apreço algum pela vida. Se continuar a me desafiar pode não gostar das consequências.

— Ah, jura? E o que você faria a respeito?

— Ora, seu passarinho! – Dabi acendeu as mãos que brilharam em chamas azuis, mas, antes que pudesse lançar um ataque, sequer viu as asas se expandindo, englobando a si e todo o seu corpo em um abraço. Afaste-se. Seu cérebro ordenava, mas o corpo não obedecia, incapaz, surpreso demais pelo contato repentino que há tantos anos não sentia. Era um sentimento estranho, não se lembrava de uma única vez na vida de um toque tão... acolhedor. Compreensivo. Deixou-se ficar enquanto os braços cerravam-se em suas costas e as asas os encobriam.

— Eu entendo. Sei de tudo. – A voz tão diferente, o tom sussurrado sem aquela ponta de diversão e provocação que mantinham quando se falavam. — As coisas horríveis que aquele homem fez, as coisas horríveis que você passou... – Dabi entendeu de imediato sobre o que ele falava. As cicatrizes na pele pareceram se repuxar com a simples menção ao passado, a tudo que havia ocorrido. 

— Não dói mais.

— Ainda assim! Nós supostamente deveríamos resgatar, proteger. Ninguém tem o direito de fingir que nada daquilo aconteceu, não há nada de heroico a respeito.

— Eu sei.

— Ele fez isso com você, com a própria família! Se eu soubesse... Se você apenas tivesse me dito....

Não perguntou como ele havia descoberto, sabia que ele tinha os próprios meios, mas as lembranças eram um mar tumultuoso em seu interior, fervilhavam sobre a superfície, abastecendo as chamas como um combustível potente. Por um instante, antigas vozes o tocaram, vozes essas que ele jurava há muito estarem esquecidas. Ouviu ser chamado, um nome o qual havia abandonado, um nome que remetia as suas origens não divulgadas. Afastou as memórias, nada disso importava agora. O passado permanecia no passado, imutável.

— Você não poderia ter feito nada. – As palavras doeram em Hawks, doeram, pois, eram verdadeiras, doeram, pois, lhe mostravam o quão cego havia sido durante a vida. As mãos se fecharam mais ao redor do corpo magro, as asas formando um casulo carmesim, como se pudessem protegê-los do mundo, do passado que já deixara tantas cicatrizes – visíveis ou não. — Ele não é o único.

— Eu... – hesitação. Hesitação atípica. Dabi respirou fundo o perfume que o envolvia, como se o cheiro da noite, do céu e da liberdade fosse condensado em um único aroma.

— E agora que pode ver, o que vai fazer? Vai cair como Icarus caiu? – as asas se afastaram e Dabi forçou um passo para trás, observando o rosto diante de si, tão exposto como nunca o havia visto.

— Se for preciso, eu abraçarei até o chão. – O semblante tornou-se sério, tão diferente daquele sorriso sarcástico de minutos atrás e da abertura provocada pelo abraço. — Não confia em mim?

— Eu deveria? – As sobrancelhas se franziram, constatando a aproximação cautelosa do outro.

— Justo. Eu era um agente duplo afinal, mas quem sabe, em breve, possa lhe provar que pode confiar.

— Mal posso esperar por esse dia.

“All Might não. Meu favorito é o Endeavor!” podia ouvir sua voz infantil dizer em alto e bom tom, orgulhosa, o rosto sorridente e o boneco do herói bem seguro o abraço. Uma sociedade na qual os heróis têm tanto tempo livre que não sabem o que fazer com ele, esse era o seu desejo, mas agora... agora não sabia mais, que tipo de heróis estava ajudando? Que tipo de sociedade?

Como se sentisse sua confusão, mãos quentes o rodearam, aquecendo-o, e a boca alcançou seu ouvido, sussurrando:

— Vamos queimar todos. – A voz era firme e decidida, as chamas subiam em labaredas pelos braços, mas Hawks não se afastou, não as temia. O que uma vez havia sido o cálido desejo de proteger, agora era a insanidade que o fazia desejar que as chamas a tudo consumissem.

— Vamos queimar todos. – devolveu, os olhos dourados abrindo-se, firmes e resolutos.

Eram uma equipe agora, uma união de desejos, o que as chamas não pudessem alcançar no chão, ele forneceria a altitude necessária para que queimasse no ar. Um fogo alado, algo que ninguém jamais teria imaginado. E o que havia começado com um plano de infiltração, terminou com uma aliança verdadeira selada pelo beijo das chamas que haviam conquistado Hawks.

Feb. 9, 2019, 6:14 p.m. 2 Report Embed 1
The End

Meet the author

Nathy Maki Leitora voraz desde que tenho idade para segurar um livro em mãos. Sagitariana e um poço de emoção e muuita indecisão. Amo um clichê bem escrito e um suspense que te prende, mas fantasias e ligações são especialidade. Sou fã daqueles finais inusitados. Até mesmo os tristes! Lema: Colecionar sonhos, ideias e magia e depois transformá-los em palavras é o que torna bela a vida.

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Crazy Clara Crazy Clara
Eu meio que surtei quando vi que a capa era uma arte minha. Aí surtei mais ainda vendo que era pra mim. Ai extrapolei os limites de surto quando vi que era baseado na minha tirinha. Tô encantada. Chorosa, esse ship pegou um ponto fraco meu que ainda está para chegar o dia em que vou poder explicar como e porquê. Você apresentou os dois tão lindamente em poucas palavras, dois xodós meus. Essa apresentação do Hawks e seus sentimentos pelo fogo, do conforto para o ódio, o aconchego e o amor. Foi uma coisa linda, a escrita no tempo certo, toda poesia. Pareceu pinceladas com escrita, lindo quadro que você fez com um final que, minha nossa, comentei que acertou aqui, né? Tô aqui trespassada. E essa foi uma experiência nova pra mim, ver um desenho meu virar inspiração para uma história. Ai, Nathy, obrigada. Estou honrada e felicíssima que tenha feito algo tão lindo.
6 days ago

  • Nathy Maki Nathy Maki
    Me descreveu toda vendo tudo isso, o quanto cê gostou e recebendo um comentário seu! Ainda bem que limite pra surto não existe pq eu posso ter dado uns pulinhos de alegria nada discretos :v Me sinto abençoada agora! Foi algo que eu amei escrever e demorei tbm, pq queria uma boa construção pros personagens, algo que passasse de verdade o sentimento que pode vir a acontecer e, claro!, não queria te decepcionar! Afinal eu amo seus desenhos, e aquelas tirinhas tavam tão inspiradoras e bem construídas que bateu um medinho de estragar algo. Além disso, cê é uma autora excepcional e fonte de inspiração, então eu tava meio nervosa também por não parecer bom. Mas agora eu ganhei a semana inteirinha de tão feliz que tô! Por ter conseguido ver o que eu me esforcei pra transformar em palavras (escritas em momentos bem aleatório por sinal kkkk). Eu quem estou honrada! E creia que tem outra história dos seus desenhos por vir ainda! <3 6 days ago
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