Definição de Paz Follow story

zackyuchiha Zacky U.

Houve uma época em que Hinata pensou que só a morte lhe traria sossego.


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#drama #angst #tortura #nejihina #heterossexualidade #AmigoOcultoIgrejaNejiHina
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Capítulo único

NOTAS INICIAIS


Essa fic foi feita para o amigo secreto do grupo "Igreja NejiHina" no facebook. O meu amigo secreto é o Brener Leonardo. Bem, seu pedido fugiu bastante do meu estilo e do que estou acostumado a escrever. Confesso que foi um desafio. Peço desculpas pelo atraso e, sem mais delongas, vamos a história.


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— Cuidado! – Ela ouviu Neji sussurrar atrás de si. Hinata colocou as duas mãos sobre a boca, tentando conter o sorriso fácil que sempre vinha na companhia dele. Estavam andando sorrateiramente nos arredores da mansão da família principal. O casal havia saído às escondidas na calada da noite para assistir o que os astrólogos previram como "o céu mais estrelado do ano". Segundo eles, aquele seria o dia em que o firmamento estaria mais limpo e as constelações mais visíveis a olho nu. De fato, a noite foi espetacular, levaram uma cesta com queijos, uvas e vinho. Beijaram-se e rolaram pela grama até o sol ameaçar clarear a terra. Foi quando a razão ganhou força e os convenceu a voltarem, antes que alguém visse, antes que fossem descobertos.

   Hinata se esgueirou pela porta dos fundos, por onde entravam os serviçais. Antes de perder-se entre os corredores a caminho de seu quarto, virou-se para beijar o amado mais uma, das milhões de vezes, daquela noite. Os lábios inchados e o maxilar dolorido não reclamaram por exercitarem-se de novo. O sabor era viciante, tinha gosto de amor temperado com carinho e saudade. Era muito difícil convencer Neji de realizar aquelas fugas. O mais velho era sistemático e prudente, a ideia de correr riscos desnecessários era uma ofensa a sua inteligência. Ele seria o exemplo perfeito de ordem e disciplina Hyuuga, se não fosse o seu calcanhar de Aquiles. 

   Hinata.

Hinata era o seu ponto fraco, por ela, se dispunha a arriscar de vez em quando, a fazer apostas com baixas probabilidades de sucesso. Não era apenas seu coração que havia se deixado perder pelos encantos da prima, mas até sua cabeça já havia chegado à conclusão de que: valia a pena. Por ela, sempre valeria a pena. Não soube dizer quando tinha se apaixonado tão perdidamente, não sabia dizer a hora nem o local. Quando se deu conta estava no meio, sem saber onde havia começado.


Era certo que sempre teve fortes sentimentos por ela: quando crianças inocentes, a admirava, achava Hinata o anjo mais lindo que podia pairar sobre a terra. Bem, quanto a isso, não mudou até nos dias de hoje. Quando a política do clã interferiu seriamente em seu mundo particular, levando seu pai e lhe dando algemas das quais jamais poderia se livrar, Neji se descobriu um adolescente com um profundo ódio por sua própria família e o que ela significava. Significava que ele nunca seria livre, nunca poderia fazer suas próprias escolhas, nunca passaria de um escudo, forjado para proteger uma ideologia arcaica e conservadora. 

   Os sentimentos fortes que Neji sentia pela prima desde criança ficaram confusos na imaturidade de sua puberdade e por estar designado a protegê-la ele acabou materializando em Hinata a causa e a razão de todos os seus problemas, seus anseios e insatisfações com a estrutura de sua família e clã.


Era mais fácil ver daquele modo, então se acomodou nele por tempo o suficiente de fazer coisas das quais se arrependia amargamente, como tê-la mandado para o hospital por pura raiva no exame chunin. Mesmo com o tempo lhe servindo de irmão e abrindo seus olhos, que, apesar de serem os mais puros de seu clã – de um doujutsu do qual era capaz de enxergar melhor que qualquer outro – não foram capazes de ver que estava embarcando pelo caminho errado, distorcendo e tornando as coisas piores do que já eram.


Como uma luz no fim do túnel, iluminando um mundo cheio de novas possibilidades, Hinata se mostrou mais uma vez como um ser angelical de outro mundo. Ela nem se quer guardou mágoas ou qualquer tipo de rancor, antes, o perdoou e continuou o tratando como um igual, e cresceram nesse caminho de superação e reaproximação.

Quando Neji se dispôs a treiná-la, tinha a única intenção de se redimir por seus erros, compensá-la de alguma forma... Ser útil. Já havia aceitado sua função como protetor, mas isso não mais lhe pesava os ombros como uma obrigação, não, ele se viu fazer de bom grado. E, ao contrário de seu interior ríspido, rígido, Hinata era como a mais pura água corrente, quando você menos espera já está sendo arrastado pela correnteza gentil, porém constante. E, quando Neji se deu conta, estava se afogando nas próprias emoções. Mas, sabia que não podia jogar aquele peso sobre Hinata, seus sentimentos deveriam ficar guardados apenas para si. Não se tratava de coragem, ou a falta dela. Ele acreditava que sua maior prova de amor seria não envolvê-la em uma relação proibida onde as chances de um futuro feliz eram quase nulas. 

Neji só não esperava, nem em seus melhores sonhos, que Hinata também partilhava daquela paixão secreta e, ao contrário dele, começou a demonstrar sinais de interesse. Ela deixava na porta de seu quarto um bentô sempre que ele saía em missão, olhares demorados, o rosto sempre corado mesmo quando não estavam em treinamento e a prima tinha uma mania de bater os indicadores um no outro quando estava nervosa, o que deixava suas intenções transparentes em certos casos. Neji achava tudo extremamente atraente e adorável, mudava seu humor de forma intensa e estava cada vez mais difícil de controlar seus impulsos. Sem contar que Neji não era burro, aquele era o modo da prima de tentar conquistá-lo, de tentar se aproximar de uma forma diferente. Quem diria que, no fim das contas, seria ela a tomar iniciativa e investir na relação?

Mas a razão de Neji ainda resistia, apesar do coração já estar totalmente entregue, ainda se martirizava por já tê-la machucado física e emocionalmente no passado, não se achava merecedor e ainda tinha um problema impossível de ser ignorado: pertenciam ao clã mais tradicional e conservador do País do Fogo. Hinata era a primogênita, da família principal, se casaria com um renomado Shinobi da mesma classe, manteria a linhagem pura e os costumes rigorosos. Se Neji se envolvesse com ela, que já não possuía o melhor relacionamento com o pai e líder do clã, poderia desgraçar a vida dela de formas irreversíveis. Nunca se perdoaria por isso.

Foi por essas razões que tentou se afastar. Reduziu o contato que tinham ao máximo que era possível e tentava passar sempre uma imagem de indiferença. Sua maior chance de afastá-la de uma vez por todas foi quando o aniversário dela chegou. A evitou durante todo o dia, cancelou o treino sem motivos e nos breves minutos que se esbarraram não mencionou nada sobre a data comemorativa. Queria que ela pensasse que havia esquecido, como se isso fosse possível com todo o clã sendo decorado e um grande baquete em preparação. Hiashi prezava por uma boa imagem e fazer algo simples poderia levantar boatos sobre uma possível escassez de recursos do clã, e isso ele não aceitaria. Dessa forma, tudo foi feito com extremo cuidado e delicadeza, mas Neji não soube dos detalhes, pois ficou trancado em seu quarto. Já havia se convencido que seria melhor daquele jeito. 

Não conseguiu dormir. Apesar dos olhos fechados, a mente girava e se recusava a dar-lhe algumas horas de paz. Era um verdadeiro inferno. Com os sentidos alerta devido à insônia, foi fácil identificar passos leves pelo corredor. Eles pararam em frente o seu quarto, Neji abriu os olhos e virou a cabeça em direção à porta. Na penumbra viu e ouviu quando um envelope branco foi jogado por baixo da madeira. Respirou fundo e fechou os olhos novamente, tentando decidir o que faria. Praguejou baixo enquanto se levantava e ia em direção ao papel, curioso. Ligou o pequeno abajur que tinha em cima do criado mudo, ao lado de sua cama, e jamais imaginou que o conteúdo daquela carta mudaria o curso de sua vida, de seu futuro, para sempre:


Querido Neji,

Sei que sua intenção hoje, assim como suas atitudes mais recentes, não são para me magoar ou me ferir de alguma maneira. Entendo que você está me desencorajando, pois já deve ter percebido o que não fiz questão de esconder tão bem. Ninguém notou porque, sendo direta, ninguém presta atenção em mim. Não o suficiente para me conhecer, não o suficiente para ler por trás dos meus gestos e olhares. Desde muito cedo estou acostumada a ser enquadrada em padrões, meu pai me classificou como fraca, logo nunca serei digna de liderar ou capaz de grandes feitos como ninja, não importa o quanto me esforce, para ele não será o suficiente. As pessoas confundem minha timidez com complacência, geralmente me ignoram por não acharem que meu intelecto possa contribuir de forma significativa em alguma conversa, ou me têm por frágil ao ponto de evitarem certos assuntos na minha presença, como se eu fosse quebrar ao menor sinal de complicações.

Mas não você. Nunca você. E essa nem foi a razão pela qual me vi apaixonada. Eu poderia enumerar tantas coisas, desde a certeza que seus olhos me seguem a distância onde quer que eu vá, desde a forma única e dedicada que você me trata. Na qual sei que você não faz com mais ninguém. Eu te conheço. Não sei se seus sentimentos são tão intensos quantos os meus, mas sei que existe alguma coisa. Me pego em dúvida entre você pensar que não valeria a pena um envolvimento comigo ou - a que meu coração se agarra com todas as forças - que você acha que está me protegendo de alguma forma. Se essa última estiver correta fará sentindo o que direi a seguir, se não, peço que desconsidere.

Não proteja. 

Sei que não me acha incapaz de tomar minhas próprias escolhas, mas mesmo com a melhor das intenções, é o que você está fazendo, no final das contas. Está tirando o meu direito de escolher, de decidir o que quero fazer com a minha vida. Então a menos que a segunda opção esteja errada, solicito encarecidamente que você não faça isso comigo. Eu tenho voz. Eu quero correr riscos. Eu quero sair dessa bolha de segurança da qual todos me enfiam pelos mais variados motivos - fraqueza, incapacidade, timidez, delicadeza ou, no seu caso, cuidado. - e viver. Mesmo que às vezes dê errado. Que doa. Eu quero cometer erros e aprender com eles, e errar de novo porque é o que as pessoas normais fazem. E, mesmo em toda a minha inexperiência para os mais variados assuntos, existe uma certeza dentro de mim que me fez ter coragem de demonstrar meus sentimentos e até mesmo de escrever sem reservas nesse pedaço de papel: você não é um erro.

Então, ao menos que você seja direto comigo, e me dê motivos razoáveis para tal, eu não irei desistir. Sabemos que a festividade de hoje não passou de uma fachada, mas você daria sentido a ela. Por essa razão eu não me importaria em vestir as roupas mais caras e usar as joias mais chamativas, se você me achasse bonita, valeria a pena. Você não apareceu então apenas me senti uma boba durante toda a noite, e mais uma vez me tiraram o direito de escolha. Porque de todas as caixas, que eu provavelmente nunca abrirei, o único pedido que eu faria, e o único presente que me alegraria ter hoje... seria poder ganhar um beijo seu.

 

Neji precisou de alguns minutos para se recuperar, olhando para a carta, mas não enxergando nada. Apenas perdido em pensamentos. A cada palavra que lia, sentia algo dentro de si amolecer aos poucos, sua alma parecia aquecida e as vozes que tanto lhe perturbavam de dia e de noite se calaram. Sua cabeça estava em silêncio. Pela primeira vez, razão e emoção entraram em acordo, em consenso. Adrenalina tomou conta de seu corpo e, quando se deu conta, já havia marchado para fora do quarto em direção àquela que fazia seu coração bater tão rápido que os ouvidos chegavam a zumbir. Hinata foi sincera e transparente com ele, corajosa, Neji não tinha o direito de ser menos que isso. E mais, precisava tirar aquela dúvida que ela revelou ter em seu íntimo.

Quando chegou ao quarto da prima, foi que a razão começou a dar indícios de sobrevivência. Era tarde, talvez ela já estivesse dormindo, mesmo que não fizesse muito tempo desde que ela lhe "entregou" a carta. Ou talvez... 

Seus pensamentos foram silenciados quando notou movimentação dentro do cômodo. Os mesmo passos leves aproximavam-se de onde ele estava, até que a porta se abriu, revelando Hinata. A iluminação quase nula vindo das frestas de algumas janelas não permitiam que ele visse os contornos delicados e elegantes que moldavam o rosto da prima, contudo, os olhos tão perolados quanto os seus, pareciam brilhar. Encararam-se no escuro por um tempo, Neji sabia que era ele que devia quebrar o silêncio. Essa era uma das poucas vezes em sua vida que ele não sabia o que dizer, o que fazer. Ou até sabia, mas era... Complicado. 

— A segunda opção... – A voz grave saiu o mais baixo que pôde. – Com certeza é a segunda opção. – Hinata suspirou feliz ao ouvir aquilo, apesar do lapso de coragem em de abrir para Neji daquele jeito, estava nervosa. Graças à situação em que estavam Neji não a viu corando, mas sabia que acontecia. Isso porque ela batia os indicadores de forma quase frenética, demonstrando seu estado de espírito. Adorável. Linda, como sempre foi. Ele segurou suas mãos e a puxou para si, fazendo-a arfar pelo susto. Ambos congelaram e olharam para os lados, a fim de conferir se tinham companhia, alguém poderia ouvi-los. 

— Ainda é seu aniversário... – Ele colou as testas, iniciando um contato íntimo no qual eles nunca tiveram antes. Sabia que, se a beijasse, nunca mais conseguiria parar. – E eu ainda não lhe dei meu presente. – Hinata estava com medo de desmaiar a qualquer momento. Sentia o hálito quente contra sua face e sua própria respiração saia mais pesada. Àquela hora da noite aquilo fazia um barulho que podia chamar atenção se alguém passasse perto, pensando nisso Neji foi a empurrando com cuidado, usando o próprio corpo, para dentro do quarto. Não fechou a porta, não iria ser indelicado, mas se ouvissem pessoas se aproximando poderiam evitar que a primeira cena que vissem fosse inexplicável. Agora estavam fora do alcance de visão caso alguém vagasse pelos corredores da mansão.

Devagar, ele selou os lábios de leve. Uma carícia quase inocente, em um primeiro momento. Repetiu o gesto diversas vezes até o beijo se aprofundar de maneira natural. Como sua mente avisara, não tinha mais volta. Aqueles encontros furtivos se tornaram rotina e eles foram se descobrindo aos poucos. O sentimento que já era grande parecia não caber mais dentro do peito e a única certeza que tinham, de um incerto futuro, era que permaneceriam juntos.

Sempre juntos.


***


Hanabi mantinha as feições duras enquanto o tão recatado Neji estava a ponto de partir para cima dela. 

— Não me venha com esses argumentos supérfluos! – Já discutiam em segredo pelo que pareciam horas. Neji estava à flor da pele desde que Hinata havia descoberto algo que mudava tudo e as opções que Hanabi lhe apresentava não lhe agradavam nenhum pouco. 

— Já cansei dessa discussão. – Hanabi virou as costas para ele. – Meu Pai é o líder. Todos farão o que ele ordenar enquanto ele ocupar àquela cadeira. – Achou importante relembrá-lo daquele detalhe, afinal, todo o plano que tinham se baseava nele. 

Dito isso se afastou a passos largos. Ela odiava perder tempo andando em círculos. Neji não iria desistir, contudo, a mais nova via que ele não estava conseguindo sair do lugar, era necessário passar pela tempestade antes de vir a calmaria. Não importa o quão forte o Jounin houvesse se tornado, eram anos de tradições. Todos os ancestrais Hyuugas estavam contra eles. Não venceria àquela batalha.

Ao menos não sozinho.


***

O gosto amargo na boca de Hinata não incomodava tanto quanto o constante aperto que sentia em seu peito. Aquela deveria ser a segunda ou terceira vez que se debruçava sobre o vaso de seu banheiro. 

Estava grávida.

Não que não sonhasse em ser mãe, longe disso. Constituir uma família sempre foi algo que lhe passava pela mente desde a adolescência, contudo, as circunstâncias dos acontecimentos não se pareciam em nada com a realidade que a aterrorizava. Hinata sonhava em se casar com o amor de sua vida, terem uma casa confortável, quem sabe dois ou até três filhos. Ela seria uma esposa dedicada, compreensível, faria os melhores jantares românticos e seu amor e carinho estaria sempre à disposição de seu amado, assim ele nunca se sentiria sozinho. Agora ela temia pela vida de Neji. Não sabia ao certo o que poderia passar pela cabeça de seu pai. Nunca o compreendeu. Mas sabia que era uma questão de tempo até que ele descobrisse. 

Até que todos descobrissem.

***

Os soluços de Hinata, que estava jogada no chão no meio do círculo do concelho e dos anciãos, eram altos, só não ultrapassavam as ferrenhas discussões que aqueles homens travavam há mais de duas horas. Tentavam decidir o que fazer com ela e a prole que carregava. Mais uma vez, terceiros decidiriam seu destino. O verbo "escolher" nunca lhe pareceu tão utópico quanto naquelas últimas semanas. Olhava fixo para o chão, encharcado com suas lágrimas. O tapa que havia recebido na face direita de seu pai não ardia tanto quanto o medo pela vida de seu filho, de seu amante. 

— E então. Essa meretriz não irá nos dizer de quem é o pai? – Um dos velhos a indagou pela quinta, ou foi sexta vez? Quem diabos estaria contando.

 

— Não. – A voz, que de costume é doce, saiu decidida e feroz. Ela levantou a cabeça e encarou seu pai que, ao contrário de todos os outros, apenas a fitava em completo silêncio desde que tudo começou. Infelizmente, Hinata acabou tendo um desmaio e um curandeiro foi enviado ao seu quarto para lhe fazer um check-up. Neji estava em missão, e ela desacordada, não conseguiu impedir o inevitável. Como já era de seu costume usar roupas grandes e não provocativas, que não marcavam suas curvas, ninguém desconfiou por esse lado. Mas agora já era tarde demais.

Hiashi se perguntava onde estava toda aquela determinação quando ela aprendia a lutar. Quando duelava com Hanabi. A única vez que precisava que Hinata aceitasse e cooperasse calada, ela se mostrava irredutível. Firme, como um verdadeiro Hyuuga. As opções que lhe apresentavam eram das mais variadas, seria uma ofensa nascer um mestiço na família principal. O sangue do clã deveria se manter puro, se aquilo virasse moda, a honra da família poderia perder seu valor. O Byakugan já era cobiçado por todas as vilas, Hiashi não poderia se responsabilizar pela segurança do doujutsu se ele pudesse ser usado por outros clãs, o kekkei genkai ficaria vulnerável. Ele mesmo passava por dificuldades para protegê-lo, que dirá os descendentes de clãs menores e inferiores.


Não. Não podia permitir o nascimento de mestiços nem encorajar relacionamentos fora do clã. Já havia sido flexível demais quando estabeleceu uma lei que, a qualquer sinal de miscigenação, ou envolvimento amoroso com impuros resultaria em esterilização. Era praticamente impossível impedir que alguém se apaixonasse e os Hyuugas faziam parte de times misturados, sempre acontecia. Mas desde que a reprodução fosse impossibilitada não perderia seu tempo fiscalizando com quem cada membro de seu clã transava ou deixava de transar. Só não imaginou que o maior perigo que corria estava bem debaixo de seu nariz.

Sua primogênita. Estava mais uma vez tentando arrastar o nome da família pra lama. Hiashi não sabia mais o que fazer com aquela garota. Se não seria a guerreira perfeita que ele sempre sonhou, ao menos serviria para casar-se com alguém de sua escolha e confiança e lhe dar netos imaculados, para perpetuar a tradição do clã através de sua descendência. Como foi com ele, e com seu pai antes dele e o pai dele e assim sucessivamente. 

Estava em um impasse. Os mais velhos chegaram a sugerir sacrifício. Outros apenas um aborto coercitivo. Todos sugeriam humilhação pública na praça que ficava no meio do clã. Para passar uma mensagem de que nem a família principal tinha passe livre para descumprir as leis.


Hinata tentava disfarçar a tremedeira que tomava conta de seus membros, apesar de todos falarem como se ela não estivesse ali. Como se não escutasse. Teve medo de desmaiar de novo e aproveitarem de sua vulnerabilidade para tirar seu filho a força. Oh deuses, venderia sua alma se alguém lhe oferecesse a mão naquele momento de angústia, em meio a todo aquele desespero. Não soube se suas preces foram ouvidas, mas de repente a porta trancada e vigiada abriu-se de uma vez pelos corpos dos guardas arremessados sem piedade. O alívio que Hinata sentiu ao reconhecer a figura furiosa que passou pelos escombros não durou o suficiente para interromper as lágrimas que não paravam de cair. Ele só deveria voltar em três dias.


Hiashi acenou para que os aristocratas não fizessem nada com o garoto. Tinha que admitir que desde que conversou com o sobrinho sobre seu irmão gêmeo era difícil vê-lo apenas como um servo portador do selo.

— Neji! O que significa isso? – Um ancião levantou-se irritado. – Sua proteção está dispensada quando se trata de... – Hiashi levantou a mão direita, o que significava que todos deviam se calar na sua presença. Os olhos do patriarca se abriram e ele finalmente entendeu o que estava acontecendo. De repente tudo passou a fazer sentido, então não ficou de fato surpreso quando o Jounin se aproximou a passos firmes em direção a Hinata. O foco em seu Byakugan exalava um sinal de perigo que nenhum dos soldados ousou cruzar seu caminho. Mesmo sendo da família secundária, ele era o mais puro e o melhor guerreiro. Mas, naquele momento, ele se mostrava apenas como o defensor da mulher que escolheu chamar de sua, e do fruto que os sentimentos deles haviam gerado. Neji enlaçou Hinata de maneira delicada, o que não combinava em nada com sua postura ameaçadora, e a levantou do chão. Segurou seu queixo e ergueu sua cabeça.


— Você não deveria estar aqui... – Ela sussurrou enquanto ele a examinava com os olhos. Pelo fluxo de seus chakras, ambos pareciam estarem bem. Mãe e bebê. 

— Onde mais eu poderia estar? – Ele respondeu  levantando a cabeça e encarando Hiashi. Naquela altura do campeonato, todos já sabiam o que estava acontecendo. Hanabi permanecia calada, como sempre esteve. Em pé, ao lado direito do pai, pronta para executar qualquer ordem a ela direcionada.

Hiashi fechou os olhos suspirando fundo. 

— Não necessito mais de conselhos. Tomarei minha decisão sozinho e farei uma declaração para todos no raiar do dia. – Os conselheiros assentiram em silêncio. – Contudo, reconheço a necessidade de uma punição simbólica à título de exemplo. – Aquilo pareceu agradar os mais velhos.

— Devíamos considerar algo que não fosse lesivo o suficiente para a morte dela apenas. Seria uma fatalidade aceitável caso um corpo notoriamente frágil não suportasse manter a semente dessa ilegalidade. Desencorajaria os rebeldes ainda mais. – Um dos conselheiros disse com indiferença, já presumindo que a mulher deveria tomar o lugar em qualquer que fosse o castigo e um aborto espontâneo poderia ser esperado se aquele fosse o caso. Isso se a própria mãe não morresse, do jeito que acreditava que Hinata fosse feita de açúcar.


Aquilo inflou um ódio tão intenso que até mesmo toda a disciplina de Neji desceu pelo ralo.

— Ora seu... – Ele disse entre dentes enquanto fitava o autor daquelas palavras imperdoáveis e andava em sua direção com perceptiva raiva, que o deixou cego para um detalhe importante demais para ser esquecido. Seu selo foi ativado, fazendo com que ele levasse ambas as mãos até sua cabeça e em questão de segundos desabou no chão em pura agonia. O grito agudo de Hinata não foi ouvido por ele, todos seus sentidos só reconheciam uma sensação naquele momento: Dor.

— PAI! – Hinata se jogou ao lado de Neji em desespero, não podendo fazer nada para ajudar, além de engolir o próprio orgulho e olhar intensamente nos olhos de Hiashi. Implorando. Como se sua alma buscasse algo, qualquer coisa, talvez uma partícula que fosse naquele homem que pudesse amá-la ou se compadecer dela. Pena. Ela aceitaria qualquer motivação – Eu faço qualquer coisa! – Neji começou a sufocar e as veias de seu rosto se sobressaltaram. Iriam explodir a sua cabeça. – PARE! EU FAÇO QUALQUER COISA! PARE! – Hinata desceu as unhas de suas bochechas para o pescoço. Em um instinto natural de extravasar a impotência que sentia naquele momento, rasgando a pele alva ao ponto de poder ser visto as gotículas de sangue preparando-se para descer. E logo o fazendo – PAPAI!

Hiashi levantou a mão e o conselheiro, mesmo indignado, interrompeu a execução. Virar-se contra um aristocrata com intenção hostil era punível com a morte. Era um jeito prático e fácil de manter todos na linha, ele tinha aquele direito. Hinata chorava como um bebê de colo e jogou-se sobre Neji com um alívio que não condizia nem um pouco com a situação em que estavam. Mas ele estava vivo. VIVO! Era tudo que importava. Naquele instante, ela passou a dar outro significado as coisas. Se ele permanecesse vivo, dariam um jeito em qualquer coisa. 

— Eu tomo o lugar dela. – Neji disse com a voz entrecortada. Ainda tentava respirar, mas tudo nele focava no que considerava ainda mais importante que sua integridade física. Cuspiu sangue antes de reiterar suas palavras. – Eu servirei de exemplo. 

— Não é você que... 


— Aceito. – Hiashi foi direto cortando a fala do conselheiro – Essa reunião está encerrada. – Dito isso, levantou-se e saiu da sala, sendo seguido fielmente pela filha mais nova.

A filha mais velha ficou para trás. Ela sempre ficava para trás.

***

— Apesar de um envolvimento não permitido, a criança tem o sangue Hyuuga. Puro. Como todos nós. Por essa razão terá o direito de viver. Mas dada a irresponsabilidade dos acontecimentos, eu sentencio Hinata Hyuuga a ser rebaixada para o ramo secundária. – O clã arfou em surpresa e um burburinho ameaçou tomar conta da praça principal, que estava lotada com todos presentes. Porém logo a voz potente de Hiashi tomou de volta a atenção para si. – Um selo jamais poderá ser removido, contudo, ele pode ser adicionado. Neji Hyuuga receberá contínuos estímulos do selamento enquanto as regras e as tradições serão relidas para que a memória de todos seja refrescada. – Fazia muito tempo que tal prática não era utilizada, o próprio Hiashi não se lembrava de já ter presenciado algo daquela natureza, deveria ser do tempo dos anciãos. – Feito isso, suas dividas estarão pagas e o crime de ambos perdoados. 


Terminou seu discurso e acenou a cabeça para o concelho, que fez um semicírculo em um lugar estratégico no centro, para que todos pudessem ver. Estavam rodeados de pessoas por todos os lados. Neji caminhou calmo até eles e se posicionou no meio. Com orgulho, dispensou os guardas que se voluntariaram para segurá-lo, caso ele fosse tomado por instintos de sobrevivência e se voltasse contra o conselheiros, ou ainda, tentasse fugir. Porém, havia escolhido estar ali. Ficaria até o final.

 

— Sobre o papel dos anciãos... – Enquanto um lia os pergaminhos, outro se concentrava e ativava o selo em Neji, que mesmo com toda determinação não pode esconder as expressões de desagrado. E, pesava em seu coração a notícia de que Hinata seria transferida de ramo, a notícia o pegou desprevenido, nunca imaginaria que Hiashi teria coragem de fazer aquilo.


— Sobre as divisões de tarefas... – Conforme eles revezavam na leitura a dor na cabeça de Neji se intensificava. Era como se estivessem fritando seus neurônios.


Hinata tremia dos pés a cabeça. Redundante seria dizer que ela chorava e soluçava tendo que assistir seu amado sofrer em silêncio. E, outra dor também dilacerava seu peito em meio a todo aquele caos. Mais uma vez, sentiu-se apunhalada pelas costas pelo homem que deveria ser o que mais zelaria por sua vida e por sua felicidade. No entanto, Hiashi parecia estar ali apena para deixar tudo pior. Sempre que Hinata achava que estava chegando ao final do poço, seu Pai mostrava que, sim, havia como ir mais fundo.

— Sobre o respeito às autoridades... – Como que para comprovar sua tese, minuto antes de discursar, Hiashi sussurrou uma mensagem em seu ouvido: se ela fizesse alguma cena para desmoralizá-lo, ele pensaria em mais medidas punitivas. Foi um aviso importante, pois Hinata sentia uma vontade tremenda de correr até Neji, como se pudesse fazer algo para protegê-lo. Um silêncio mórbido reinava e todos pareciam até mesmo respirar com cautela. Assistindo aquele espetáculo de horror, era como se sentissem na própria pele o que o outro suportava, alguns já até haviam passado pela experiência de ter o selo ativado, então sabiam como era perturbador.


— Sobre a necessidade do selo... – A história oficial era que Hinata não havia tido forças de resistir aos encantos de Neji, que a seduziu de maneira leviana violando sua única e exclusiva função de apenas protegê-la. Dessa forma a família principal ficava com uma parcela menor na culpa. O peso sempre pendia para o lado mais fraco.


— Sobre os deveres da família secundária... – Ninguém acreditava naquele merda de história. Os aristocratas assistiam a tudo satisfeitos com a ideia de ordem e disciplina. Aquela era uma maneira eficaz de manter todos na linha e, mais importante, de mantê-los no topo. Hinata escutava aquele tópico com um pouco mais de atenção, já que em breve sua realidade seria outra. Sabia de tudo aquilo, não concordava com quase nada, mas tinha noção de que nunca poderia fazer nada para promover mudanças. Seu Pai havia lhe tirado a possibilidade de um dia liderar o clã quando ela ainda era criança. Tudo que lhe restava agora era aprender seus novos deveres e, ainda que quase inexistentes, direitos.


— Sobre as proibições gerais... – Já os que haviam nascido no ramo secundário da família sentiam uma determinação estranha e perigosa crescer em seus corações, ali, vendo um dos seus ser injustiçado e humilhado daquela forma. Ao contrário da reação que Hiashi pensou que iria causar, aqueles que portavam o selo em suas testas não se sentiam intimidados. Eles viram o orgulho de Neji, sua força, sentiam-se inspirados e com sede de vingança. O Jounin estava se tornando um mártir em seus corações.


— Sobre os crimes contra a família principal... – Alheia aos espíritos se aquecendo em chamas de rebelião, Hinata estava um caco. Teve medo de que toda aquela negatividade pudesse fazer mal ao bebê.


— Sobre os crimes passíveis de morte... – Neji já não aguentava mais se manter de pé, o corpo clamava por socorro em pura agonia. Hinata sentia como se seu coração se partisse e os cacos caíam... Um a um.


— Sobre a miscigenação... – Sangue saía pelos ouvidos e pelo nariz de Neji. Ele desistiu de morder a língua para evitar que sons altos saíssem, teve medo de arrancá-la de maneira involuntária. Alguns não mais olhavam, o maxilar dele estava travado, mas era possível ouvir os rosnados que vibravam por sua garganta. Quando Neji ameaçava desmaiar era feito um pequeno intervalo. Hinata, apesar de toda tristeza, mantinha-se firme. Por Neji, pelo filho que carregava. Ele estava fazendo tudo àquilo por ela. Não podia se dar ao luxo de não estar com ele em cada segundo que se passava, mesmo que de longe. A dor psicológica que sentia quase se equiparava àquela que o amante era submetido. Em breve ela mesma poderia saber como era a sensação. Se pudesse apostar, diria que seu Pai faria as honras.


— Os princípios do clã... – Finalmente, o último tópico. A voz dos velhos eram o único som audível. Neji estava com os olhos abertos, mas não parecia estar consciente. Nenhum grito. Nenhum choro. Ele suportou tudo em silêncio. Só que agora passava a impressão que cairia a qualquer momento, a pele e as vestes estavam sujas com o sangue que escorria de seu rosto.

Antes mesmo da última palavra ser proferida, Hinata já havia ficado frente a frente com seu pai e o concelho, feito um referência como mandava a tradição. Ela supostamente deveria estar grata por estarem perdoados e com as fichas "limpas". Colocou-se na frente de Neji e o apoiou sobre seus ombros. Só então o ouviu arfar, bem baixinho, com os movimentos que faziam. Dispensou a ajuda oferecida, seria ela, e apenas ela a levar seu futuro marido para casa. Claro que ela e Neji tinham planos de se casarem em secreto, mas agora todos já sabiam do envolvimento deles e Hiashi achou por bem adiantar tudo para que ficasse conforme os costumes. Uma casa pequena já os aguardavam na parte onde os servos residiam. 

Passaram pela porta de sua nova residência e levou Neji direto para a cama. Ele sentou-se sentindo a cabeça latejar e uma ânsia se apoderava de seu estômago. Aquela foi a pior experiência de sua vida, parecia que sua cabeça iria explodir a qualquer momento e ainda tinha outra coisa que o incomodava, a nova condição imposta a Hinata, que estava incomodada com todo o silêncio dele.

— Me desculpe... – Alheia as preocupações do outro, Hinata não sabia o que dizer. Estavam passando por momentos difíceis e ela só queria que ele soubesse que estavam juntos naquilo. Neji riu sem humor, arfando incomodado pelo leve movimento que havia feito com a cabeça. Estava tonto.


— Por que você me pede desculpas? Eu te fiz ser rebaixada e colocarão em você as mesmas algemas que eu carrego. – Ele fechou os olhos, estava ferido de muitas formas. – Eu lhe amaldiçoei quando a condenei a viver nesse buraco comigo.

Hinata arregalou os olhos, parando o que estava fazendo no mesmo instante.


— Hey... – Disse encostando as mãos sobre o rosto masculino, mas sem movimentá-lo. Neji não queria encará-la e Hinata já devia ter imaginado que ele sempre puxaria o fardo pra si, sempre achando que a aliviaria daquela forma. – Olha para mim, por favor... – Pediu gentil. Ele abriu os olhos tristonhos e se surpreendeu ao vê-la sorrindo genuinamente. 


— Estou condenada a viver do seu lado todos os dias e ter a nossa família completa um dia. – Pegou uma das mãos grandes dele e a colocou sobre sua barriga, Neji suspirou com o gesto e com as palavras que viriam logo a seguir: - Nunca me senti tão livre em toda minha vida. – E era verdade, Hinata já não tinha as pressões idiotas sobre ser um exemplo e não precisaria encarar o pai todos os dias. A Hyuuga finalmente poderia ser ela mesma. Com as testas coladas eles acharam um fio de esperança em meio aquele oceano de caos. Dariam um jeito.

Juntos. Dariam um jeito.

***


— Pronto. Agora são Marido e Mulher. – O Oficial falou sem nenhum entusiasmo.


Aquele não era nem de longe o sonho de casamento de Hinata, e até mesmo Neji que não ligava muito para cerimônias admitia que foi como se estivessem apenas comprando um pedaço de terra. Hinata estava em repouso absoluto, havia desmaiado mais uma vez naquele dia, quando bateram em sua porta no final da tarde. Quando Neji abriu deparou-se com a autoridade, o líder do clã havia o enviado até ali.


Hiashi fazia muita questão de formalidades.


***

Gêmeos.

Primeiro descobriram que eram gêmeos, depois os desmaios de Hinata se tornaram mais frequentes e ela começou a reclamar de dores fortes. Neji a levou ao médico para fazer os exames necessários, torcia com todas as forças para que fossem sintomas normais.

— Os desmaios não parecem ter uma explicação complicada. Uma dieta balanceada deve ajudar a estabilizar o quadro, lhe encaminharei para a nutricionista logo em seguida. – Tsunade avaliava os laudos. – Mas você está com infecção urinária. – completou.


— E isso é sério? Quais os riscos que ela e os bebês correm? – Neji sentia os músculos tensos, estavam passando por muitos problemas.


— Se tratado da forma correta não prejudicará a gravidez. Mas ela terá que vir com frequência. Passarei remédios e exames periódicos. Existe a possibilidade de surgir demais complicações.


— Seguiremos tudo a risca. – Ele completou. Hinata sorria discreta. Ela geralmente não falava nada com ele tomando a frente daquele jeito. De mãos dadas eles entravam, saíam e passeavam de volta para o clã.

O tratamento começou a dar certo e Neji teve esperanças que as coisas poderiam melhorar dali pra frente. Mas uma simples gripe acabou virando uma perigosa febre e Hinata passava mais tempo de cama do que qualquer outra coisa. A imunidade dela estava baixa, ficar no hospital criava riscos ainda maiores para ela e as crianças.

Certa noite Neji teve que sair na tempestade para chamar um médico, pois mais uma vez a febre não abaixava. Quando retornou encontrou Hanabi perto da cama, observando a irmã mais velha.

— Hanabi-sama? – Neji chamou sua atenção, todo ensopado no hall de entrada. O doutor que estava de plantão logo se pôs a examinar Hinata. – O que faz aqui? 


— Você sabe... Sou os olhos e os ouvidos de meu pai. – Respondeu quase cantarolando uma melodia triste – Esqueceu –se?! – Ironizou. Ele bufou irritado enquanto procurava uma toalha para se secar. – As complicações só aumentam. – Comentou de modo casual.


— Muito observadora. – Ele rebateu com cinismo, não a vendo revirar os olhos.


— Vou convencer Otousan a aplicar o selo apenas após o parto ou poderá prejudicá-la ainda mais. Poderão surgir boatos que ele fez de propósito para que ela perdesse seus netos da família secundária sem que parecesse armação. 

Ele ouvia tudo em silêncio e o próximo som foi o da porta se fechando, indicando a saída da mais nova. Neji não tem memórias da mãe de Hinata, então não podia afirmar com toda certeza que ela havia puxado para sua progenitora. Mas Hanabi?

Hanabi era a cópia do pai.

***

Os argumentos de Hanabi eram irrefutáveis, então o selo de Hinata foi marcado para ocorrer apenas depois do parto. Tsunade havia recomendado repouso total. A gravidez era de risco e mesmo que já tivessem passado pelo pior, todo cuidado era pouco. 

Hinata estava dormindo graças aos medicamentos que vinha tomando. Sua barriga estava enorme. Ela estava linda. Era assim que Neji a via. Um anjo em sono profundo. Quando ela tinha algumas complicações durante o dia ele não conseguia dormir à noite. Tinha medo de ela dar sinais de piora e se ele não notasse a tempo algo irreversível poderia ocorrer. Nunca iria se perdoar se uma coisa assim acontecesse. Por isso, pegava uma cadeira e colocava ao lado da cama, perto dela. Velava seu sono e sua mente viajava em tantas direções. Preces eram realizadas, e nem mesmo ele sabia que tinha um lado religioso.

Ironicamente, no meio de suas palavras Hinata acordou de uma vez. A primeira coisa que notou foram seus olhos arregalados, depois um grito agudo de dor. 

— O que foi? O que... – Ele se calou quando ela puxou apressada o cobertor e revelou as pernas ficando cada vez mais molhadas. A bolsa havia estourado. - Por favor, aguente firme. – Ele pediu enquanto saia voando pela porta pedindo ajuda para os vizinhos. Tsunade já havia avisado que faria o parto pessoalmente e que Hinata iria precisar do auxílio de equipamentos específicos da clínica.

Com a ajuda de amigos, Neji a levou para o hospital de Konoha ao tempo em que alguns iam atrás da Hokage

— Neji... – Hinata chorava em meio a contrações. – Cuide bem deles. – Ela soluçou.


— O quê? Não, não você...


— Cuida bem del... AAAH – Não mais conseguia raciocinar, mas ela estava com um mau pressentimento. Estava apenas com sete meses, depois de tudo, ainda teria que passar por um parto prematuro.


— Não faz isso comigo Hinata... – Ele pediu. Assim que passaram pelas portas de entrada a colocaram sobre uma maca e a levaram para longe dele. – Não faz isso comigo... - Sussurrou mais para si mesmo e se sentou no corredor de espera, passando as mãos pelos cabelos sentindo tanto medo que todo seu corpo estava gelado.

Não muito depois Tsunade passou como um furacão dando ordens das quais ele não entendia nada.


Então Neji esperou.

E esperou. Era a vez de ele sofrer psicologicamente enquanto sua amada passava por dores físicas.

*** 

Por vinte e duas horas Neji esperou. Vinte e oito. Com trinta e seis o chamaram para uma sala na área pediátrica do hospital. Uma enfermeira o mostrou uma incubadora e ele viu dois bebês dentro. Eram brancos como a neve.


— Aqueles são os seus.  – A moça disse. Neji observou e um sorriso involuntário brotou em seus lábios. Um lindo casal.


— Estão tão quietos... – A mente astuta constatou e o cenho franziu.


— Eles são prematuros e ainda estão em período de risco. – Apesar da voz calma e serena, as palavras rasgaram o interior do Hyuuga. Ele não aguentava mais ouvir aquela palavra: Risco.


— E minha esposa? – Perguntou sentindo o medo tomar conta mais uma vez. Eram oficialmente casados desde que Hiashi mandou um escrivão a casa deles, para que tudo ficasse conforme as normas.


— Tsunade-sama está lhe esperando no quarto dela. Venha, eu lhe mostro. – Ele assentiu e a seguiu pelos corredores, não antes de olhar uma última vez para seus filhos com um forte sentimento no peito. Não demorou muito para que chegassem onde a médica e sua esposa estavam. 

Sentiu alívio quando os aparelhos conectados a Hinata indicavam que ela estava viva. Mas a sensação não durou muito tempo. 

— Eu fiz tudo que podia. É melhor para a mãe e para a criança se o parto for normal, só que tive que fazer cesárea e algumas complicações surgiram. – Tsunade respirou fundo tentando achar um jeito de terminar a notícia. - Agora é com a Hinata. Se ela não acordar pelas próximas quarenta e oito horas as chances disso acontecer caem para vinte por cento. 

Neji assentiu, mantendo sua postura rígida, e a Hokage resolveu dar privacidade a ele. Quando se viu sozinho, caminhou até a esposa e a observou pelo que pareceram horas. Um anjo. Ela estava apenas dormindo, logo acordaria e voltaria pra ele. Eles, a mente o corrigiu. Agora eram uma família maior e, por Kami, fizeram tantos planos. Pegou a mão delicada, a que estava com menos fios e cabos infiltrados na pele, e a levou aos lábios.

— Eu estou aqui. – Sussurrou com a certeza de que era ouvido. – Esperando...

E mais uma vez, Neji esperou. Esperou até às pernas doerem. Puxou uma cadeira e sentou-se ao lado dela, como fazia na maioria das noites. Havia muito tempo que não tinha uma noite de sono decente e inteira, quase três dias para ser mais exato, mas as primeiras vinte e quatro horas ele se manteve firme. Aguardando seu anjo despertar. Na metade do segundo dia o cansaço levou a melhor e Neji nem notou quando caiu no sono. A cabeça encostada no colchão estava tão sobrecarregada que ele não sonhou com nada. Apenas recuperava as forças.

Se deu conta de que havia dormido quando sentiu alguém lhe tocar duas vezes no ombro. 


— Desculpe acordá-lo. – Uma enfermeira que ele ainda não havia visto o rosto pediu.


— Tudo bem. – Respondeu recobrando a consciência. 


— O senhor é o pai dos gêmeos Hyuugas, correto? – O coração de Neji apertou-se ao ouvir aquilo. Não pelo timbre de voz que ela usava. Era sereno, profissional, mas os olhos... Dificilmente os olhos escondiam as verdadeiras intenções. Ele apenas assentiu.


— Eu sinto muito senhor. A Menina já saiu do período de observação, mas o garoto não resistiu. Precisamos que assine uns documentos mais tarde. – Ele concordou com aquela sensação de que havia levado um soco no estômago e ela sumiu de sua vista da mesma forma que havia surgido. Como um fantasma.

Foi então que Neji chorou. Pela primeira vez em todo aquele caos, ele chorou. Levou as mãos femininas para perto de seu rosto na esperança de sentir o calor de Hinata e chorou muito. Perdeu seu filho antes mesmo de poder lhe escolher um nome. E como contaria aquilo para Hinata? Ela já havia sofrido tanto. Lembrou-se das últimas palavras que ela lhe dirigiu: Cuide bem deles... E se sua esposa nunca mais acordasse? Olhou para o relógio, não sabia por quantas horas havia dormido. Continuou chorando quando calculou que já haviam passado cinquenta e seis horas que Hinata estava inconsciente.


— Não me abandona... – Engoliu um soluço. – Eu não sei o que fazer. Sem você eu vou ficar perdido. E... A nossa filha... Você precisa conhecer a nossa filha. Você me prometeu... – Novamente a tristeza se materializou em lágrimas e ele não conseguiu falar por um tempo. – Juntos... Você prometeu que faríamos isso juntos. – E então os olhos, o sorriso, o cheiro, a voz, todas as coisas que mais amava em Hinata lhe bombardeavam a cabeça sem piedade, mas não para alegrá-lo ou dar-lhe forças, eram um aviso de que poderia nunca mais acontecer. – Não pode me deixar aqui sozinho...

Sentiu como se seu peito fosse explodir. Os olhos ardiam, o coração doía e a barriga estava tão gelada que achou que seria ele o próximo a ser internado. Sempre tão organizado, pensava que estava preparado para tudo. Mas nunca para aquilo, porque simplesmente não sabia o que fazer dali pra frente. 

— Eu não vou a lugar algum. – Congelou ao ouvir o sussurro do timbre doce, que tanto desejava escutar, antes de sentir seus cabelos sendo afagados. Ergueu a cabeça devagar, receoso de ter pegado no sono mais uma vez. Assim que seus olhos esbarraram nos perolados da esposa, soube que ela estava ali. Era real. Sorriu como uma criança e dessa vez as lágrimas eram de alívio. Apertou o botão chamando uma enfermeira e se curvou sobre Hinata, encostando sua testa na dela, respirando tão feliz que era como se toneladas houvessem sido retiradas de suas costas. Se disponibilizaria a ter seu selo ativado todos os dias para não ter que passar pelo medo de perder Hinata de novo. 

E então, a partir dali, as coisas realmente começaram a melhor. 

***


Se Hiashi lamentou ao saber que perdeu um dos netos e quase sua filha mais velha, não demonstrou. Foi respeitado o tempo que Hinata precisava para se recuperar e instalar a criança em sua nova casa. Mas os conselheiros lhe pressionavam e até lhe chegou rumores que o líder estaria procrastinando por se tratar de uma das suas. Um absurdo.

Hanabi pediu para tomar a frente da situação, marcaria a data do selamento e ela mesma o faria e anunciaria na frente de todo clã. Hiashi concordou, a caçula nunca havia feito um pedido daquela natureza, mas viu como um ponto positivo. Agora que Hinata seria rebaixada, apenas Hanabi seria a herdeira oficial, como ele sempre quis e dessa forma era bom ela já ir pegando o jeito. Seria uma excelente líder, firme e decidida como foi criada para ser.

O dia chegou e mais uma vez todos do clã foram reunidos na praça principal para o fechamento daquele episódio. Hinata receberia sua pena de uma vez por todas.

— Como todos sabem... – A voz da caçula vibrava pelo ar de uma manhã de verão. Ela se mostrava impassível – Hinata Hyuuga foi condenada a carregar o selo da família secundária pelo resto de sua vida, assim como sua descendência e, para os Hyuugas, as leis jamais devem ser desrespeitadas ou violadas. Ordem e disciplina, esse é o nosso maior princípio. – Pela primeira vez ela fechou os olhos e respirou fundo, fazendo alguns segundos de silêncio antes de prosseguir. Ninguém entendeu aquela reação da princesa de gelo. – Atualmente sou a única herdeira legítima na sucessão e, como tal, eu desafio Hiashi Hyuuga pelo posto de liderança. 

O susto tomou conta de todos. Hinata estava em choque, mas não tanto quanto o Pai, que parecia petrificado. A multidão parecia inquieta, fazia muito tempo que aquilo não acontecia. Pegou a todos de surpresa, menos os envolvidos naquele plano desde o começo.

— Hanabi, o que pensa que ...


— O senhor não pode recusar, Pai. – O concelho não sabia o que fazer. Hiashi os olhou em busca de ajuda, mas eles apenas negaram com a cabeça. Somente um herdeiro poderia desafiar o líder, Hanabi o era. Somente com maioria absoluta do clã tal desafio poderia ser lançado, graças ao desejo de tornarem o caso de Hinata exemplo, o povo ali era quase a totalidade dos membros. Aquilo era cheque mate. A chance de Hiashi era derrotar a filha na arena. Uma fileira de ninjas Hyuuga abriu passagem entre a multidão para que os rivais passassem.

 

Eram os mais jovens, nos quais Hanabi e Neji vieram recrutando em silêncio por meses. Eram novos tempos, novos ares, existia, além do segundo ramo da família, àqueles que almejavam por uma atualização nos costumes e na legislação vigente. Hanabi foi cuidadosa em colocar a sua disposição naquele momento somente os que não possuíam o selo, assim os aristocratas não poderiam interferir em nada. E se tentassem boicotar o duelo na frente de todo clã destruiriam tudo que sempre defenderam: a reverência pelas tradições. 

Hinata deu um tapinha no ombro do marido enquanto andavam com todos a caminho da arena, que ficava em um lugar mais aberto e afastado do centro do clã.


— Você sabia desde o começo! – Ela acusou semicerrando os olhos. Neji ajeitou a roupinha de Himawari, que estava em seus braços dormindo, e limpou a garganta. 


— Não queríamos que se preocupasse à toa. Você já estava sob muito estresse com a gravidez e nem mesmo eu podia me envolver demais. – Neji não podia ficar na mira do concelho de novo. A humilhação que passou em público foi o veredicto para uma revolta em até mesmo uma parte do primeiro ramo da família. Até porque numa missão, na defesa do clã, uns lutavam pelos outros, e os laços se sobressaíam à existência de um mero selo. 

Graças a Hanabi, que mandou um de seus subordinados avisá-lo, conseguiu voltar a tempo e proteger Hinata quando o concelho a capturou. Como um membro de confiança, ela sabia que mesmo em toda a ideologia distorcida do pai, ele não mataria a primogênita, o bebê sim, mas não Hinata. E muito menos Neji. Em memória a seu irmão morto, ele nunca faria aquilo, então manipular essa parte da história não foi tão difícil para ela. 

— Espero que saiba o que está fazendo, filha. – Hiashi foi mordido em seu calcanhar de Aquiles. Mas se posicionou no meio da arena e aguardou o início da luta.


— Eu sei, Pai. – Fez uma reverência e sem mais delongas, o som do tambor deu a largada. 

Byakugan. – Ambos ativaram seus olhos. 

O melhor seria o futuro líder.

***

— Himawari, o que eu já disse sobre escorregar pelo corrimão da escada? – Hinata ficava assustadora quando adotava uma postura autoritária. A criança engoliu em seco e gaguejou algumas palavras, já estava com oito anos e trazia todos os benefícios da tenra idade. Os olhos eram as pérolas mais brilhantes de todo o clã e os cabelos puxaram ao tom negro azulado da mãe, mas as feições lembravam Neji em sua maior parte. Que era linda ninguém discordava. 


— Estamos atrasados para o nosso treinamento. – Neji surgiu como o super- herói que a filha enxergava, fazendo-a suspirar aliviada e Hinata suspirar desgostosa. O marido pegou a pequena sorridente e colocou sobre os ombros. 


— Você tem que parar de acobertar as travessuras dela. – Hinata reclamou, mas já se inclinando para selar de leve os lábios dele e ficando na ponta dos pés para depositar um beijo na bochecha da filha. – Não se atrasem para o jantar.

Ordenou enquanto se virava para seus afazeres diários. Depois que Hanabi ganhou o posto de liderança, não demorou muito para Hinata voltar a morar na mansão principal, com sua família completa. As mudanças que a irmã queria implantar foram difíceis e demoradas. Houve traições e assassinatos, mas com os anos e danos as coisas foram se ajustando. O concelho agora servia para representar o clã, logo eram eleitos pelo povo para auxiliarem Hanabi nas melhorias e evoluções que seriam benéficas, não apenas para uns, mas para todos. 

Ao contrário da mentira que espalhavam, o selo da família secundária poderia ser retirado e apenas pessoas selecionadas sabiam disso. Hanabi foi o cavalo de Tróia perfeito. Anos construindo seu posto de confiança e se mantendo imaculada pela ideologia precária que seu pai insistia em manter de pé. Hiashi adoeceu e ficou muito tempo entre a vida e a morte. Ironicamente, Hinata foi a que mais cuidou e permaneceu ao seu lado visto que Hanabi tinha muitas complicações e compromissos. Os anos também amoleceram de certa forma o coração do mais velho e, por mais que ele e Hinata não tivessem uma intimidade proveitosa, ele era louco pela neta e no último mês apoiou Hanabi oficialmente.

Hinata encostou-se a parede perto da janela, acompanhando com os olhos os dois amores de sua vida. Instintivamente levou a mão até o colar que ela e Neji possuíam com o nome do filho deles que falecera logo após nascer. Hizashi. Em homenagem ao outro avô. Hinata tentava não chorar divagando sobre como o seu garoto pareceria com a idade que era para ter agora. Quais seriam seus gostos, seus sonhos. Sempre o carregaria em seu coração e apesar da tristeza de nunca poder conhecê-lo melhor, não pôde nem mesmo segurá-lo vivo, todo seu ser era grato pela família que tinha agora. Mesmo faltando um integrante, eles eram a razão da sua existência. O motivo pelo qual ela acordava sorrindo e feliz todos os dias, ou nos braços quentes e confortáveis de seu marido, ou com os pulos de sua filha cobrando o dia do passeio.

Houve uma época em que Hinata pensou que só a morte lhe traria sossego. Mas hoje, acenando alegre de volta para aqueles dois fanáticos por treinos, ela tinha a plena certeza que havia alcançado, em vida, com sua família, a melhor definição de paz.


---


 

NOTAS FINAIS


Então é isso, espero que meu amigo secreto tenha gostado, de coração.

Abraços ; )



Feb. 7, 2019, 8:45 p.m. 18 Report Embed 3
The End

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sandra pereira leite sandra pereira leite
Que história linda,mas tô triste pelo garotinho. Nossa que história,cê tá de parabéns!
June 27, 2019, 11:08 a.m.

  • Zacky U. Zacky U.
    Oiê ^^ Fico feliz que tenha gostado! Obg por ler e separar um tempinho para comentar. Abraços ; ) June 27, 2019, 1:09 p.m.
Patricia Carmo Patricia Carmo
Eu amei MT! É uma história perfeita com um enredo intrigante. Durante a história eu me emocionei, senti a dor do selo do Neji sendo ativado, a dor da Hinata ao perder o filho e todas as emoções da história! Esse final mt feliz e ao msm tempo meio triste foi maravilhoso e essa história me alegrou em diversos aspectos! Fico feliz em dizer q você é um dos melhores escritores q já conheci e tive o prazer de ler suas histórias pq certamente as suas são as melhores e mais emocionantes! Eu agradeço mt a vc por toda a emoção e felicidade que não só essa história como Adventícia me trouxe e ainda me trás, então, obg por escrever e levar a nós, o público uma leitura tão boa e tão maravilhosa! Me sinto até lisonjeada de ter acesso a tais histórias. Que vc continue escrevendo assim tão bem ou até melhor se é q é possível 💕
June 24, 2019, 7 p.m.

  • Zacky U. Zacky U.
    Vejo que seu comentário acabou saindo duplicado, mas sem problemas, um texto lindo desses precisa ser lido no mínimo duas vezes 😍 Muito obrigado, mais uma vez, pelas palavras ❤️ June 25, 2019, 10:24 a.m.
Patricia Carmo Patricia Carmo
Eu amei MT! É uma história perfeita com um enredo intrigante. Durante a história eu me emocionei, senti a dor do selo do Neji sendo ativado, a dor da Hinata ao perder o filho e todas as emoções da história! Esse final mt feliz e ao msm tempo meio triste foi maravilhoso e essa história me alegrou em diversos aspectos! Fico feliz em dizer q você é um dos melhores escritores q já conheci e tive o prazer de ler suas histórias pq certamente as suas são as melhores e mais emocionantes! Eu agradeço mt a vc por toda a emoção e felicidade que não só essa história como Adventícia me trouxe e ainda me trás, então, obg por escrever e levar a nós, o público uma leitura tão boa e tão maravilhosa! Me sinto até lisonjeada de ter acesso a tais histórias. Que vc continue escrevendo assim tão bem ou até melhor se é q é possível 💕
June 24, 2019, 7 p.m.

  • Zacky U. Zacky U.
    Eu tô no chão guria, como que tu quase me mata do coração assim? 😍❤️ Eu que fico imensamente feliz por tu teres gostado e se emocionado com a minha história (sensação de dever cumprido), deveras honrado pelas suas palavras a meus respeito, e extremamente lisonjeiro pelo comentário inteiro ❤️ É um prazer saber consegui transmitir todas as emoções que tentei inserir no contexto da fic, mto obg por ler e por separar um tempo para comentar, é o que me dá forças para me esforçar e trazer outros projetos. Tentarei sempre evoluir e melhorar, Muito obrigado pelo incentivo e por tudo, linda 😍 Um cheiro ❤️ June 25, 2019, 10:23 a.m.
brener Silva brener Silva
EU ESTOU EM PURO CHOQUE COM ESSA HISTÓRIA, CARA SIMPLISMENTE PERFEITA DO ÍNICIO AO FIM, você construiu a tensão de uma maneira tão incrível e todo drama deles foi uma coisa tão maravilhosa de ler, meu coração apertou tanto quando eles perderam o menino e isso foi incrível, adorei o papel da hanabi e do Neji nos meandros do clã foi perfeito, e a cereja do bolo esse final quentinho e ao mesmo tempo meio triste ADOREI 1000/10
Feb. 8, 2019, 8:04 a.m.

  • Zacky U. Zacky U.
    aaaaaaaaa Já deixei mais que claro minha alegria em ver que tu gostou, mas é sempre bom ressaltar TÔ MUITO FELIZ QUE TU TENHA GOSTADO! Obg pelo comentário e pelo desafio que você me propôs, a gente só cresce quando sai da zona de conforto, então mto obg. Eu que to me sentindo presentado kkkkk abraços ; ) Feb. 14, 2019, 9:37 a.m.
JU Juvia Uchimaki
Meu Deus, que lindo. Estou encantada. Muito fofo o filhinho deles carregar o nome do Hizashi. HIMAWARI FILHA DO NEJI É MINHA ALMA. Eu também escrevi uma fic em que Himawari e Hizashi são filhos NejiHina Mas sua história superou a minha.
Feb. 8, 2019, 5:55 a.m.

  • Zacky U. Zacky U.
    Olá, obg pelo reviews ^^ Fico feliz que tenha gostado, eu também amo a ideia da Hima ser filha deles, tinha que ser assim! que coincidência nossas fics parecidas haha não seja modesta, tenho certeza que a sua deve ser linda. qual o nome para eu poder conferir? Abraços ; ) Feb. 14, 2019, 9:34 a.m.
  • J U Juvia Uchimaki
    Sua escrita é tão maravilhosa que li mais vezes. Minha fic está no Spirit e se chama Eterna gratidão à minha princesa Feb. 14, 2019, 11 a.m.
  • Zacky U. Zacky U.
    Owwnnn, obg sua linda <3 Já favoritei sua história e vou ler assim que abrir um espaço aqui no serviço ^^ Abraços ; ) Feb. 27, 2019, 8:20 a.m.
  • J U Juvia Uchimaki
    Obrigada 😍 Feb. 27, 2019, 10:51 a.m.
Azarashi Onna Azarashi Onna
Como sempre sua escrita e narração estão maravilhosas, eu amei amei amei o desenvolvimento da história... Amo a ideia de se trabalhar com eles vivendo algo proibido e acabando em final feliz... Eles passaram por poucas e boas. Os momentos de tortura e sofrimento foram agonizantes. Você tá de parabéns, bb <3
Feb. 7, 2019, 6:22 p.m.

  • Zacky U. Zacky U.
    AAAAAAAAAAAA Obg chuchu! Como tu que me ajudou a desenvolver o plot, tava esperando tua opnião sobre. Obg pela ajuda e por tudo <3 Fico feliz que tenha gostado \o/ Feb. 14, 2019, 9:32 a.m.
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