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Duas irmãs cresceram juntas, acabaram se afastando. Apesar das diferenças, ainda se amam. Poderá o perdão ser a última tábua dessa ponte que separa uma da outra? "Havia muito tempo em que a unidade familiar se restringia a uma formalidade necessária, um pretexto para vestir roupas novas, preparar outros pratos e aguardar outro ano em frente à televisão da sala. Acudidas em dormitórios separados por paredes mais resistentes que os tijolos, buscando no calor humano de estranhos um lugar para se sentir em casa."


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#carta #família #infância #irmãs #adolescência #pedido-de-perdão #juventude #diferenças-de-opiniões
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Sobre mim e você

O distanciamento só se fez perceptível quando aquele abismo entre duas pessoas era maior do que a vontade de desfazê-lo.

Um abismo grande, mas contornável.

Dois mundos diferentes orbitando no centro de um grande lar. E pouco interessados em explorar o outro. Pior ainda, julgando as rotações de cada planeta pessoal, sendo que havia — como há — naqueles solos tão interessantes uma infinidade de descobertas e afinidades que só podem ser declaradas quando o contato é frequente e reforça a vontade de uma das partes em colorir esse abismo com a oportunidade de conferir se ele é tão insuperável assim.

 E na maioria das vezes não é.

Mas falta comunicação. 

Dentro de casa, como pode ser?

Eram duas estranhas se chamando de irmãs, todavia muito longe de se sentirem unidas.

Mágoas, birras, crises de ciúmes, desentendimentos. Carrancas, palavras atravessadas, lugares proibidos.

Havia muito tempo em que a unidade familiar se restringia a uma formalidade necessária, um pretexto para vestir roupas novas, preparar outros pratos e aguardar outro ano em frente à televisão da sala.

Acudidas em dormitórios separados por paredes mais resistentes que os tijolos, buscando no calor humano de estranhos um lugar para se sentir em casa.

A comunicação tem esse quê de contraditória. Para declarar amor, silêncio absoluto. Fugas, orgulho, indiferença. Para ferir, qualquer adjetivo serve.

As palavras pueris se davam sem qualquer filtro. Provocações que nem de longe eram engraçadas.

Faziam alguém rir?

Se a resposta é não, então havia algo de muito equivocado!

O prêmio de quem magoava mais era uma insígnia invisível mediando o conflito.

Incapacidade de amar?

Deveria ser natural amar a própria irmã no lugar de tratá-la como se não passasse de uma presença inconveniente.

Não ter uma irmã é muito mais dolorido. Não ter alguém do seu sangue pra compartilhar dialetos próprios, benesses e fofocas, isso é devastador.

Ter irmãos te faz aprender que embora haja igualdade, cada irmão tem um jeito de ser e por isso mesmo cada um precisa ser tratado com certa distinção. Cada um tem seus medos, suas fragilidades e necessidades. Cada irmão é único.

Eu só entendi isso depois de procurar carinho com estranhos e descobrir que já tinha todo esse afeto dentro de casa.

Alegro-me por ter tempo e oportunidade de me por de joelhos e pedir perdão. Seria muito pior viver com o peso de uma culpa me assombrando pelo resto da vida.

As feridas caladas estão visíveis, basta perceber como os comentários marcam profundamente a percepção que alguém tem de si mesmo.

A confiança nunca é plena, há dificuldade de aproximação e há sim muito medo.

Na medição de forças, a covardia me cobra. E eu sei que mereço me sentir horrorosa porque deixei a desejar de todas as maneiras possíveis.

Parti o coração de uma inocente criança, ridicularizei suas características físicas para atingi-la e parecia me esquecer de que dentro daquele corpinho tão pequeno e frágil tinha um coraçãozinho batendo por mim, alguém que só queria brincar, que não tinha culpa de ter nascido por último.

Não fui uma irmã exemplar. E continuo não sendo.

O perdão me absolverá?

Se ele for sincero tal como é, caberá a mim refletir sobre as minhas atitudes imbecis e reconhecer que meu isolamento contribuiu para que aquela relação mútua de respeito e compaixão se abalasse.

Ela nunca foi minha inimiga. 

Sermos pessoas diferentes na realidade enriquece o envolvimento porque se for analisar bem friamente, isso é lindo, nós não somos iguais.

Somos unidas por um só coração.

Por algum desígnio de Deus, nascemos na mesma família. 

Os acontecimentos que provavelmente nos afastaram fazem parte do passado, sim, as dores, não. Mas falar abertamente sobre as coisas nos ajuda a olhar uma para a outra como realmente somos: humanas e merecedoras de todo amor do mundo.

Não existe nada de abominável com o seu cabelo. Ele é seu e é bonito porque é uma parte de você, tal qual seus olhos e todas as suas virtudes insubstituíveis.

As pessoas que ao longo da sua vida falaram que o seu cabelo era ruim são ignorantes. Queriam te fazer triste por não seguir um padrão que nem sequer se sabe se é o certo. Se você não se encaixa nele, esqueça!

Seja o seu próprio padrão.

Conhecer você sem dúvida é um privilégio diário porque convivo com um ser humano em extinção no sentido de cumprir com a própria palavra e ser a prova viva de que a maturidade é capaz de transformar todos aqueles que realmente ponderam sobre o sentido de estar no mundo.

A história teve capítulos ruins, péssimos, alguns mais curtos do que outros, mas ela ainda não está no final e agora que Deus lhe permitiu enxergar sua estrelinha, não a perca de vista porque uma criatura forte e lúcida de suas qualidades e desacertos só tem um destino certo: a felicidade!

Nossa infância se foi. Temos lembranças boas e outras nem tanto, mas de todas as grandes emoções, a maior delas é por saber que você fez parte da minha, foi bom quando você cresceu um pouco mais para brincar de boneca comigo, e eu não trocaria isso por nada no mundo.

Que Deus te conserve pura e te traga um amor à sua altura porque para poder receber tanto amor é preciso que seja alguém maduro e merecedor de tamanho comprometimento.

Espere em Deus porque Ele não vai te decepcionar!

Pode confiar!

Feb. 3, 2019, 4:27 p.m. 0 Report Embed 0
The End

Meet the author

Maria Alice Sou curitibana, filha do meio, estudante de jornalismo, escorpiana e minhas histórias tentam pautar na representatividade de todos aqueles que são ignorados pela sociedade. Sou sonhadora, questionadora, tenho meu próprio jeito de lidar com as coisas, tenho meu próprio tempo e meu próprio mundo. Ademais, sou uma reles mortal que gosta de escrever, imaginar personagens e mundos diferentes. Gosto que me chamem de Mary. Meu nome inteiro apenas em ocasiões formais.

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