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ariane-munhoz Ariane Munhoz

"Você nos tem. E nós temos a você.", diziam as vozes. Mas tudo o que Shino precisava era de um foco, uma luz para onde sempre pudesse olhar para retornar.


Fanfiction Anime/Manga For over 18 only.

#violencia #drama #tragedia #lgbt #yaoi #ShinoSombrio #DarkShino #darkfic #shinokiba #shiba #naruto
Short tale
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O seu barulho é o meu silêncio

- Naruto não me pertence.

- Fanfic feita para o desafio de fevereiro do grupo ShinoKibaYaoi do Nyah, cujo tema era "Shino Sombrio".

- A fanfic se habitua no universo original da obra.


Olá, gente! Mantendo os desafios em dia e surtando porque as long tá tudo atrasada, mas é isso aí. 


Essa fanfic tem um contexto um pouco diferente. Tentei trazer uma realidade alternativa onde os insetos falavam com Shino tentando dominar seu corpo. Não sei como isso vai soar, o resultado foi um pouco diferente do que eu esperava, mas espero que vocês curtam!

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Shino era ele mesmo.

Controlado, comedido, dono das próprias ações.

Silencioso, observador, um ótimo ouvinte.

Mas, às vezes, um sentimento estranho o dominava. Um desejo estranho e irrefreável de devorar tudo o que estivesse ao seu redor.

(Não deixe que eles o chamem de esquisito. Domine eles. Você é forte. Você pode)

Muitas vezes, ele desejava fazer isso e ignorar a própria prudência, mas seu pai havia lhe ensinado bem.

X

Desde sempre, os insetos fizeram parte de sua vida. Sendo uma espécie de casca para eles, criando a simbiose perfeita onde eles se alimentavam de seu próprio chakra e lhe emprestavam seu poder.

Shino sempre soube o que significava fazer parte do clã Aburame, e isso era um pouco solitário já que as outras crianças se recusavam a ficar por perto. Mas no mundo ninja, isso não era incomum. Pois ninguém queria chegar perto da criança amaldiçoada. E sempre que observava Naruto, Shino pensava que não era tão ruim assim ser ele mesmo, ainda que fosse igualmente sozinho.

(Pelo menos você nos tem. E nós temos a você)

X

E, por muito tempo, essa foi a sua realidade. Pois Danzou havia levado a única criança capaz de lhe compreender, o irmão adotivo que desistira da própria vida para que Shino, o herdeiro do clã, não fosse levado para a ANBU raiz.

E, com o passar do tempo, até mesmo Naruto formou amizades com o garoto Inuzuka, com o Nara e com Akimichi. Porque todos eles odiavam passar o tempo na academia e preferiam se divertir.

Às vezes, os insetos de Shino o observavam de longe. E ele sentia que jamais faria parte de algo.

(Você faz parte de nós. Não precisa de mais ninguém)

X

Shino não era ele mesmo. E quando isso acontecia, as sombras tomavam conta de seu âmago. Sentia o instinto animal aflorar, os insetos sob sua pele murmurando que a única coisa que precisava era destruir, destruir e destruir. E quando isso acontecia, Aburame se isolava ainda mais mesmo que não fosse uma pessoa muito sociável.

Ele sentia o coração bater dolorosamente contra o peito, e o desejo de entregar-se às vozes que sussurravam em sua mente era grande. Pois tudo o que precisava era permitir que ela dominasse enquanto flutuava no vazio etéreo.

(Permita-se, jovem Aburame. Deixe-nos mostrar o quão poderoso você pode ser)

X

Seu pai havia lhe avisado. Shibi havia dito como o poder era capaz de corromper, que Shino deveria se atentar a isso e nunca permitir.

Mas naquele dia, quando todos riram tanto dele na academia, o jovem Aburame não quis saber o que era certo ou errado. Ele apenas quis ouvir as vozes e permitir que elas aliviassem sua dor.

Quando seus olhos se abriram novamente, por trás das lentes escuras dos óculos que usavam, as mãos pingavam sangue. E ele ouviu a dor e o sofrimento que sentia no próprio coração se refletir nos corpos daqueles que ousaram a caçoar de si.

Felizmente, nenhuma morte foi relatada.

(Ainda não)

X

Depois daquele episódio, Shino sentiu medo. E as crianças, que antes já não se aproximavam, se tornaram ainda mais distantes. Ninguém sabia, de fato, o que havia acontecido. Apenas que Aburame Shino havia tirado de combate três garotos que tentaram agredi-lo.

Shino era ele mesmo. E por ser ele mesmo, sentiu-se mal pelo que havia feito.

(Mas você não deveria. Eles te agrediram primeiro. Você apenas agrediu de volta)

X

− Não pense que é fácil, Shino. – Shibi disse enquanto observava o filho no interior de um tornado furioso de insetos. – Eu nunca disse que seria. Mas se permitir que eles lhe controlem, que as vozes tomem conta de você, então estará acabado. E da próxima vez, pode ser que você não consiga parar a tempo. Precisa encontrar um foco, filho. Uma luz para onde sempre possa olhar e retornar quando a escuridão tentar assumir o controle.

Parecia fácil falar. A teoria era muito simples.

(Mas não existe ninguém que vá querer se aproximar de você, pequeno Aburame. Ninguém além de nós)

X

Por muito tempo, isso foi verdade. Pois quando os times se uniram, Shino sentiu que seria mais deslocado do que nunca. Com a menina que nunca falava e o garoto tagarela demais, nenhum deles parecendo se encaixar na dinâmica que Shino imaginava.

Além disso, o receio do sangue em suas mãos ainda permanecia.

(Você fará com esses dois o mesmo que fez no passado)

X

Então ele se mantinha distante. Realizava os treinamentos sob a supervisão de Kurenai-sensei, mas não se esforçava para manter um diálogo ou qualquer coisa do gênero. Apenas se isolava dentro da casca vazia que era para seus insetos.

E a voz deles era a única que escutava.

(Pois somos seus únicos amigos. E você deveria se permitir, Shino-kun)

X

− Hm? – Shino voltou-se na direção de Kiba. – Falou comigo?

− Sim, porra! – O garoto sorriu deixando as presas expostas. Estavam no intervalo do treino, ele e Shino, enquanto Hinata tentava libertar-se do genjutsu de Kurenai-sensei. – Disse que você deveria se permitir mais. Não seja tão isolado, cara. Você devia se divertir.

Aburame refletiu sobre aquelas palavras. E, pela primeira vez em muito tempo, a voz em seu âmago calou-se.

X

Foi imperceptível a princípio. Kiba começou a frequentar a casa dos Aburames e vice-versa. Hinata os acompanhava poucas vezes, pois a regra de seu clã eram rígidas demais. Mas os dois moravam no mesmo distrito, próximos demais. Costumavam fazer o mesmo caminho de volta depois de deixarem a Hyuuga em casa após os treinos ou depois de uma missão.

Kiba costumava tagarelar sobre qualquer coisa que não fosse interessante e Shino o escutava, muitas vezes sem saber de fato sobre o que ele falava. Mas se Kiba lhe perguntasse, retornava ao assunto sem dificuldades.

Com o tempo, ouvi-lo passou a ser confortável. Porque, de alguma forma, aquele garoto tagarela fazia com que as vozes se calassem em sua presença. E os pesadelos sobre perder o controle iam embora.

X

E ele não soube dizer quando as coisas evoluíram. Quando Kiba passou a dormir em sua casa quase todos os dias, sequer quando Tsume passou a dar bronca em ambos mesmo que na maioria das vezes Shino sequer tivesse culpa.

E com o tempo, aquela família desorganizada e barulhenta passou a ser sua também. E Shino viu como aquilo era bom.

X

Até que um dia, baixou a guarda. Pois sabia dos próprios sentimentos acerca de Kiba.

(Ele nunca irá correspondê-lo, jovem Aburame. Pois alguém como você não é capaz de demonstrar amor)

X

Então, Shino não era ele mesmo. Pois as vozes, que se calaram por tanto tempo, começaram a gritar. E gritando, elas lhe diziam que jamais conseguiria, que era fraco, que lhe faltava garra.

Não conseguia ouvir-se no meio de tanta dor e sofrimento. Apenas a própria carne se dilacerando enquanto os insetos lhe consumiam.

(Você não é digno. Ele jamais te aceitará. Você é sujo. Isso não é algo natural. Você precisa parar. Precisa parar. Pare. PARE. FAÇAM AS VOZES PARAREM)

X

Mas elas não silenciavam. E tudo se tornou um borrão escuro, tão escuro que nada à sua frente podia ser visto. E Shino sentia os insetos se remexendo sob sua pele, querendo se alimentar de sua própria carne

(porque você é fraco)

e devorá-lo por inteiro

(Por que você é fraco?)

apenas porque decidiu que queria permitir-se viver e não que eles o dominassem. Isso o fazia fraco?

(Sim)

Deixar... permitir... seu pai também havia permitido que sua mãe entrasse

(Mas você não é seu pai, e é sujo e vulgar sentir o que sente. Você não é digno do garoto Inuzuka, ele nunca o amará, porque você é...)

− Shino! SHINO!

A voz. Que cessava todas as outras.

− SHINO, ME ESCUTA!

A voz estridente e estabanada que o chamava junto com os latidos fortes de Akamaru. A mesma voz que trazia luz. Seu farol.

− VOCÊ É MAIS FORTE QUE ISSO!

(Você não é mais forte que nós!)

Shino podia sentir. Como uma espécie de calor que aquecia seu peito, tão afável quanto a presença que trazia consigo o cheiro dos morangos silvestres tão característico de Kiba.

− Eu estou aqui com você. Sempre vou estar.

(VAMOS DEVORÁ-LO! VAMOS DEVORAR O SEU AMOR!)

Não vão.

(Como?!)

− Eu disse não.

− Shino?!

A luz. Ela estava ali. Shino a sentia sobre seu rosto. E de repente, o caminho estava diante de seus olhos. De repente, foi capaz de enxergar. Até que a nuvem de insetos se dissipou e as vozes se calaram.

− Kiba. – Sua voz saiu fraca enquanto os insetos se recolhiam e o outro garoto aproximou-se, abraçando-o.

− Pensei que fosse perder você, seu idiota! – murmurou na curva de seu pescoço. – Não me assuste assim, porra! Era só um treino... só um treino...

Shino sentiu algo morno enquanto Kiba soluçava baixinho. Não disse nada, pois conhecia o orgulho do amigo.

− Falou mesmo a verdade? – Foi a única coisa que conseguiu pensar em dizer, o medo ameaçando dominá-lo caso a resposta fosse negativa.

Kiba olhou-o, as íris selvagens marejadas pelo choro que tentava conter.

− Sempre. – Seus dedos se entrelaçaram e ele tornou a abraçar Shino. – Sempre estarei com você mesmo se você não me quiser.

O ar escapou por seus lábios. E as vozes finalmente se calaram. Pois Kiba era a sua luz. E enquanto ele estivesse por perto, jamais retornaria para a escuridão outra vez.


N/A:

É isso aí, pessoal, espero que tenham curtido! Tenho planos pra uma Shino Sombrio U.A que vai ser bem pesadinha, mas não sei se consigo ela pra esse mês. Tomara. Espero que tenham gostado dessa! Nos vemos nos comentários!

 

Feb. 3, 2019, 1:44 p.m. 0 Report Embed 0
The End

Meet the author

Ariane Munhoz Dona de mim, escritora, louca dos pássaros, veterinária e mãe dos Inuzuka. Já ouviram a palavra Shiba hoje?

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