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bruno-kajiwara1529813209 Bruno Kajiwara

"O boi a lama quietidão avessa em todo o arenoso" (Trecho inicial do poema)


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Brumadinho

 

“constelação não dá em água”

                   Lívia Dias Rosa

 

 

O boi a lama quietidão

avessa em todo o arenoso

vem treme o frio da gente

ó cão sem pelo em pluma

ó ventre azedo rejeito

vem parte o solo aberto

com ondosos gritos

no calo de Brumadinho.

 

Tem a lama

um parto do avesso

(no ventre a terra mole

como um pescoço e uma

respiradinha duas morreu)

engole o que é quente

morre o vertebrado que acusa

a sua presença pasta morta.

 

Aquele olho preto embruneia

e pensa os homens

não têm rabo não boiam

em meio dessa lambança

mas um fio baboso se rola

nas janelas da cara

entradas de muita lembrança

faz com que caiam sentados

nos pastos líquidos calados

na margem preta da pasta

nova suja deste olho preto

de boi lama quietidão avessa

que arrasta e descasca nos homens

um olhar de instante e esquece.

 

 

 

Feb. 1, 2019, 12:23 a.m. 0 Report Embed 4
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