Olhos de Medusa Follow story

kazuno Lari

Depois de tantos anos vivendo com aquela maldição de transformar as pessoas em pedra, Baekhyun se vê odiando e evitando ao máximo o contato com os seres humanos, principalmente os que passavam por sua loja de estatuetas. Ele vive assim durante um bom tempo, até que um homem alto de sorriso bonito e olhos sem vida bate em sua porta dizendo ser seu novo vizinho de loja.


Fanfiction Bands/Singers For over 18 only.

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Choque


Mais um dia pacato de trabalho chegava ao fim, e com ele Baekhyun decidiu que seria uma boa ideia descansar as mãos e o corpo no ofurô que tinha em seu enorme banheiro. Morava numa casa até que grande para ele só, mas a decoração repleta de estátuas tornava o ambiente menos solitário.

Se lembrava de cada uma delas. Das que foram feitas por suas mãos e também das que ele foi obrigado a transformar. Algumas pessoas se iludiam com o cara misterioso da loja de esculturas, achando que, pelo fato de ser sozinho, poderiam entrar em sua casa e abusar de si.

Baekhyun era um homem bonito. Sua pele sem imperfeições e os óculos escuros atraiam a atenção de muitos que, movidos por um desejo incontrolável, o perseguiam até se juntarem as demais figuras de mármore que ele colecionava sem real querer.

Era uma maldição, não havia como negar. Ainda mais quando os pervertidos loucos só poderiam voltar ao que eram quando ele fosse morto. Pensou algumas vezes em dar fim a própria vida, não suportando mais viver daquele jeito depois de tantos séculos. Porém, no fim, sempre falhava. Para si, renunciar a própria existência, não era a melhor saída.

Assim, Baekhyun seguia, dia após dia, em uma rotina monótona e chata, os anos de solidão transformando-o em um carrancudo e, muitas vezes, grosseiro. A verdade é que ele passou a odiar o contato com seres humanos, preferindo o mínimo de interação que pudesse ter com eles.

— Quanto custa essa? — pelo tom do cliente, Baekhyun soube na hora suas reais intenções, não conseguindo conter a repulsa.

— Já estamos fechados — disse firme, mas isso pareceu entreter o intruso.

— Ora, não seja tão mesquinho… sua porta destrancada a essa hora da noite só pode significar que você espera alguém. Talvez queira companhia para se divertir? — o estranho foi se esgueirando para próximo do mais velho com aquele sorriso imundo no rosto, até estar perto o suficiente para colocar as mãos sujas na cintura de Baekhyun.

— Eu não faria isso se fosse você. — afastou o toque com um tapa forte, vendo o rosto do homem se transformar em repleta fúria.

— É melhor aguentar quietinho, mesmo se gritar ninguém vai te ouvir — riu, voltando a tocar a pele imaculada de Baekhyun, sendo outra vez afastado com um safanão. — Eu vou te matar! — o homem, muito maior que o mais velho, gritou.

Baekhyun apenas respirou fundo, retirando os óculos e se virando para o maior. O homem até sorriu de início, mas ao ver os cabelos dourados se transformando em diversas cobras que silvavam e lhe encaravam com as presas pontiagudas à mostra, se assustou e quando encarou os olhos do outro, se espantou ainda mais pois os olhos de Baekhyun eram amarelos e brilhantes, iguais aos dos bichos peçonhentos que se mexiam em sua cabeça.

A face de espanto foi a última coisa que homem fez antes de petrificar para todo o sempre.


[...]


O banho quente relaxava os músculos de Baekhyun, e as serpentes adoravam, por isso, quando ele decidia por gastar alguns bons minutos do seu tempo debaixo da água, elas se esbaldavam, ameaçando morder o nariz de seu dono quando ele decidia por sair. Talvez a vida de Baekhyun não fosse completamente solitária por tê-las consigo sempre, não lhe respondiam, mas era como se o fizessem.

Se enrolou num roupão felpudo e se dirigiu para o quarto, parando o percurso ao ouvir a campainha tocar. Como a loja era na entrada de sua casa, imaginou que seria o mesmo caso daquele cara de uns dias atrás e Baekhyun não estava com paciência de aguentar pervertidos hoje.

Nem mesmo fez questão de esconder sua verdadeira forma, os olhos brilhantes faiscando naquele tom de amarelo perturbador. Abriu a porta e encarou a figura alta que sorria. Estranhou aquilo, afinal quem em sã consciência ficaria sorrindo quando vários pares de olhos o encaravam daquela forma impaciente e mortal.

— Boa noite, desculpa atrapalhar, mas eu sou o novo proprietário e vizinho de loja — o estranho disse, explicando. As cobras pararam de se agitar e ficaram prestando atenção no esquisitão. Por que demônios ele ainda estava ali, em carne e osso? — Sou Chanyeol e espero que possamos nos dar bem. Aqui — ainda sorria quando estendeu uma sacola para o mais velho, Baekhyun aceitou e só naquele momento reparou na bengala guia que ele tinha na outra mão. Então era por isso que ele não lhe encarava nos olhos.

— Eu… bem… — o estranho riu baixinho.

— Sua voz é bonita, vizinho.

— Obrigado. — disse sem muita reação. As cobras em seus cabelos murchas por conta da forma como ele se sentia. Em toda sua vida, nunca lidou com aquela situação. — Sou Baekhyun…

— É um prazer conhecê-lo, espero que goste, é torta de maçã, minha especialidade. — o maior deu uma risadinha, e se ajeitou em seu lugar. — Bom, era somente isso, desculpe mais uma vez pelo incômodo, até amanhã.

— Até…

E com um acenar, Chanyeol se afastou. Guiando-se com a bengala, o novo vizinho de Baekhyun atravessava a rua após ouvir com atenção. E mesmo depois de o maior já ter sumido dentro da livraria, até então, abandonada, o Byun ainda tinha dificuldades em como reagir aquilo.

Era a primeira vez que um cego batia em sua porta.

Jan. 29, 2019, 11:38 p.m. 0 Report Embed 120
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