Chaotic Mind | jjk x pjm Follow story

miyosin Anne (miyosin)

Ninguém entendia Jeon JungKook e o julgavam como um louco obsessivo, mas independente das opiniões alheias e do caos que estava o mundo, Jeon tinha certeza que conseguiria salvar e proteger seu amor, mesmo que tivesse de prender Park Jimin a si. KOOKMIN | PSYCHO | DRAMA


Fanfiction For over 18 only.

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Único; o mundo precisa se esforçar mais se quiser nos separar


LEGENDA

Itálico: Presente

Normal: Passado

Negrito: Corte de pequeno espaço de tempo


. X . 


Cuspiu no chão, perto dos pés do administrador daquele lugar, seu — nem tão mais — querido melhor amigo, Jung Hoseok.


— Pensei que já tivéssemos passado dessa fase, JungKook. — Suspirou, derrotado. Sentia pena de ver o moreno tão desgastado por aquela obsessão completamente doentia.


— Cala essa maldita boca! — exclamou entre dentes. Ele não deveria estar ali, não poderia continuar ali. Jimin precisava dele — Se você ousar fazer qualquer mal a ele, eu juro, juro mesmo, Hoseok, que acabarei com a sua raça!


Jung respirou fundo. As lembranças do passado, de quando todos continuavam juntos, sempre muito unidos, eram de acabar consigo. De todos, Jung Hoseok era e sempre seria o mais sentimental, que esbanjava alegria e bondade por onde passava — seu maior charme. Talvez por isso, agora, ver um dos seus melhores amigos se destruindo por uma causa sem fundamento acabava o destruindo também.


Antigamente, Hoseok achava bonito ver o brilho nos olhos de Jeon JungKook, brilho este completamente voltado a um outro membro do grupinho deles. Era de se admirar o quão bobo e apaixonado Jeon ficava quando se tratava do outro. Logo ele, Jeon JungKook, o garoto tão racional e frio, que vivia estudando e se esforçando para, no futuro, se tornar um grande cientista. Ele havia se apaixonado completamente, não, ele amou e amava o baixinho do grupo, aquele que atingia fortemente seu coração apenas com um sorriso.


— Deixe ele ir Jeon, sabe que é melhor — falou, tentando mais uma vez, após anos, por alguma sanidade na mente conturbada do moreno; o mais novo do seu antigo grupo de amigos.


— Já disse para calar a boca — cuspiu as palavras, furiosamente — Não irá me prender aqui! Eu preciso ajudá-lo e estou perto, você só está me atrasando!


— Não! — gritou junto ao outro — Não, você não está perto! — deu total ênfase em suas palavras, para quê talvez assim pudessem ser escutadas pelo Jeon — Você está se matando por alguém que já está morto! Ele não vai reviver, JungKook!


— Cala boca! — gritou desesperado. Debatia-se o máximo que suas forças permitiam, mas estava preso naquela cadeira, completamente mobilizado por aquela camisa de força que o puseram quando ainda estava desacordado — Cala a boca! Cala a porra da boca! — continuava a gritar.


— Aceite, JungKook — disse Hoseok, firme, segurando o rosto avermelhado pela raiva do moreno, olhando com tristeza para os olhos do amigo mais novo — Park Jimin está morto!
 

. . .

 

Fazia muito tempo que não cozinhava, ainda por cima, cozinhava um prato com carne vermelha, mesmo ele sendo vegetariano. Mas aquele prato era especial, era o preferido de Park Jimin; kimchi jjigae¹, acompanhado de um pouco de arroz.


Colocou uma porção de kimchi em uma tigela média e, em uma tigela menor, colocou uma porção de arroz, ajeitando ambos os recipientes na bandeja que já havia sido organizada com guardanapos e talheres. Estava tudo perfeito, e ele se orgulhou disso.


Seus passos eram calmos. Apesar de já acostumado a andar nas tábuas velhas de madeira que rangiam a cada passo, estava tomando cuidado extra para não deixar cair os pratos tão bem preparados para si. Jeon JungKook definitivamente não era cozinheiro, mas havia acertado em cheio naquela receita que por tanto tempo treinou apenas para agradar seu amado, ele estava orgulhoso de si.


Precisou segurar a bandeja com uma mão enquanto a outra abria a porta de aço reforçada, destrancando-a primeiro antes de girar a maçaneta. Assim que aberta, as luzes fracas do ambiente rapidamente se acenderam, iluminando a escada caracol que o levaria a dois andares abaixo do térreo. Jeon garantiu que a porta estivesse bem trancada e então desceu as escadas, confiante de cada passo já que tão bem conhecia cada degrau ali.


Logo chegou em um extenso corredor, com várias portas de aço e seguiu até o final, onde não tardou a ficar de frente para a única porta que tinha uma pequena janela para se poder enxergar o que dentro acontecia, bem, isso antes do Jeon colocar um insulfilme espelhado e agora quem estivesse fora não poderia mais ver o que na sala acontecia, mas ao contrário sim.


Abriu, então, a porta, e com um grande sorriso fora de encontro ao seu amado.


Park Jimin estava sentado em uma cadeira grande de madeira maciça, completamente ereto, com ambos os braços perfeitamente alinhados e presos com amarras grossas nos braços, como se fossem braceletes. Outras amarras prendiam suas pernas nas pernas da cadeira, e também havia uma circulando seu peito, prendendo-o completamente encostado. A única parte do seu corpo que poderia ser considerada livre eram suas mãos e cabeça, o restante permanecia imobilizado.


— Amor — Jeon cumprimentou —, vamos tentar comer kimchi?


Nenhum som provinha do Park e isso acaba com o subconsciente do moreno.


— Acho que melhorei mais — passou a conversar enquanto buscava puxar uma mesa pequena de ferro que havia também na sala —, quer dizer, tentei, é uma receita diferente da sua mãe, mas o cheiro não me pareceu muito diferente então acho que irá gostar. — Deu de ombros. Colocou a mesa estrategicamente na frente do outro, ajeitando a bandeja em cima — Sabe que só não experimentei por não gostar de carne de porco, ou qualquer outra carne — riu, distraído, mas logo voltando sua total atenção ao rosto pálido de Jimin — O que quer comer primeiro?


Como esperado, nenhuma resposta fora proferida por Jimin. Não houve um balançar de cabeça, um resmungo ou uma palavra sequer. Ele continuava estático, com o olhar perdido, sem qualquer emoção.


Jeon segurou suas lágrimas com a mesma força que segurou a colher funda, ao qual serviu de kimchi. Aproximou lentamente a colher nos lábios carnudos e arroxeados do Park, observando cada linha do rosto do mesmo para que qualquer mudança fosse gravada por si. O cheiro do kimchi não parecia atiçar o outro, mas JungKook, engolindo em seco, temeroso das reações que Jimin pudesse ter, aproximou mais um pedaço de carne de porco mal cozido, deixando que o olfato de Jimin capturasse aquele cheiro. E com sucesso. O nariz franziu levemente e então a boca aos poucos começou a se abrir. Em um piscar de olhos a colher estava vazia novamente.


JungKook chorou.




 

Seus olhos pesavam, mas ele não se permitia descansar. Cada minuto que descansava era um minuto a menos em seu trabalho. Cada segundo que passava o fazia crer que estava mais próximo de achar a solução, como poderia então dormir? Não, não era o momento, ele aguentaria mais.


Jeon JungKook, antigamente, se gabava bastante do seu ótimo físico, mesmo gastando mais horas na biblioteca do que em uma academia, acreditava-se ser do gene da família, mas isso não era importante. Ele dificilmente ficava doente ou desgastado ao ponto de realmente não se aguentar em pé. Jeon se cuidava. Mas não mais. Parou de se cuidar depois que tudo o que conhecia se queimou, depois que tudo que prezava fora destruído e seus sonhos dizimados.


Sua mente agora era preenchida por lembranças e mais lembranças de destruição total. O ataque e as mortes, pessoa por pessoa, amigos e colegas, todos sendo atacados; mortos, e poucos sobreviventes. Era horrível de se lembrar, mas era inevitável, ainda mais quando se tinha a pessoa que mais ama no mundo destruída por todo o caos que, de repente, o mundo virou.


Park Jimin não sorria mais. Ele perdeu todo o brilho que antes esbanjava como se não fosse nada de mais, e realmente não era para ele, era algo natural, e completamente encantador, na opinião de JungKook. Pois Jeon era um babão quando se tratava do outro. As horas que antes gastava estudando e se preparando para conquistar seu sonho; ser um cientista reconhecido, eram devotadas ao baixinho Jimin, o ser mais fofo, lindo e perfeito que ele teve o imenso prazer de conhecer.


Agora seu mundo não era tão mais colorido. Quando tudo aconteceu, JungKook segurou bem as pontas, mesmo sofrendo com a morte de seus pais e irmão caçula, segurou porque ainda existia Jimin, mas se desesperou quando este fora atacado. Park sobreviveu, e Jeon considerou um milagre, visto como tudo aconteceu, porém, Jimin havia, de repente, se apagado. Entretanto, Jeon JungKook amava e ama Park Jimin, e jamais deixaria este ir embora de sua vida.


— P-Por fa-favor — suplicava o menor —, me-me deixe ir.


JungKook balançou a cabeça espantando aqueles pensamentos. Era dolorido demais saber o estado atual do seu amor, não precisava que as lembranças daquela noite o atormentassem, ainda mais agora que estava procurando uma solução.


Não, jamais Jeon deixaria Jimin ir. Não poderia nunca abandonar a única pessoa que lhe restou, mesmo que está não conseguisse o ver mais e o amar como antes.


Park Jimin era seu. E não importava o que os outros falassem.

 

. . .
 

Jeon foi jogado para dentro da sala branca. Com seus braços ainda imobilizados pela camisa de força foi inevitável cair no chão, sentindo a dor do impacto brusco em seus braços e costas, por pouco safou-se de machucar a cabeça também. Seu olhar então tomou como foco os dois homens grandes que o encaravam e sorriam debochadamente para si, como se fosse extremamente divertido derrubar os outros.


— O que foi, cientista? — questionou divertido um dos homens — Percebeu que você não vale nada?


Ambos os homens riram. JungKook mordeu a língua ao que tentava reprimir uma resposta mal criada, mas não lhe serviu de nada, pois quando menos percebeu as palavras já haviam saltado de sua boca.


— Se eu não valesse nada estaria morto — disse, logo acrescentando: — Mas ao que parece, sou valioso demais, tanto que não estou na linha de frente, sendo usado como mero empregado, e sim sendo protegido e aconchegado em uma das poucas salas deste hospício que não está em situação decadente. Quem aqui não vale nada, então?


A raiva que se apossou do homem que antes falara com o moreno foi visível, e parecia que Jung Hoseok já previa tal coisa, pois apareceu um segundo antes do homem avançar contra o Jeon. JungKook, por sua vez, estava com — agora — um sorriso debochado enfeitando seus lábios, sabendo muito bem como suas palavras afetaram o outro.


De certa forma, aquilo era quase um passatempo do moreno; provocações. JungKook realmente se divertia provocando os outros, mas não tão arrogantemente como tinha feito com o homem que o jogara. Ele gostava de provocar Park Jimin, de forma infantil, para que este fizesse um biquinho e cruzasse os bracinhos, tão fofo que JungKook se derretia todo de amores por ele. Mas só por ele.


— Continua com a língua afiada — comentou Hoseok. Jeon lhe encarou em deboche e ira ao mesmo tempo.


— Dom, talento, habilidade, chame do que quiser — ralhou — Mas me liberte logo dessa prisão.


— Sabe que não posso, já não é mais seguro deixá-lo livre.


— Como? — arqueou a sobrancelha — Acha que pode me tratar como um louco só por estar me prendendo em um hospício? Morra, Jung Hoseok! — gritou sua última frase, perdendo a calma que não possuía, mas tentava anteriormente mostrar — Você é o louco aqui! E será morto logo se não me soltar e me deixar voltar para o Jimin!


— Porra, JungKook! — também gritou — Não percebe que Jimin já era? Ele foi atacado e morreu — disse pausadamente a última palavra, dando ênfase para tentar colocar algo dentro da mente conturbada do mais novo — e não irá voltar — acrescentou rápido, como se tentasse impedir a imaginação do JungKook fluir.


Aquilo enfurecia tanto o moreno. Todos eram incrédulos, ainda mais Hoseok, que antes se dizia ser a personificação da esperança, mas quando o caos veio fora o primeiro a desistir de tudo. Jung Hoseok não lutou, não lutava e não iria lutar. Ele havia perdido a esperança. Mas Jeon JungKook não. Que o chamassem de utópico e otimista, mas jamais desistiria de algo sabendo que conseguiria. Ainda mais tratando de seu amado.


Ele estava perto de salvar seu amor, de salvar Park Jimin. A solução estava bem a sua frente, ele reconhecia isso. Tudo iria voltar aos conformes, JungKook só precisava de um pouco mais de tempo. Pois ele já havia achado a fórmula.


Jung Hoseok desistiu de tentar conversar sobre aquilo com o amigo. Talvez Jeon não percebesse, mas doía muito nele ao mencionar a morte do amigo, a loucura de outro, e toda a destruição que o atingia fortemente. Ele sempre acreditou em um herói, em alguém que iria livrar a humanidade de toda aquela confusão, mas, assim como muitos, seu herói estava morto.


— Você lembra do Namjoon? — questionou em um suspiro. Jeon o encarou confuso e ainda sim furioso, e assentiu devagar, conseguindo conter as respostas grossas e sarcásticas pela primeira vez desde que chegou naquele hospício. — Ele quer te ver — o encarou —, mas não sabe se será bem recebido.


— Oh — arregalou os olhos em total fingimento de surpresa —, ele quer me ver? O que ele quer, dizer que sente saudades? — riu diabolicamente. — Ou melhor, dizer que sente muito por ser a desgraça de um traidor e que não queria ter matado minha família? — questionou retoricamente. Estava a cuspir ácido enquanto dizia com uma calma genuína. — Falem logo o que querem comigo, porra!


— Nós precisamos de você! — exclamou, começando a verdadeiramente se irritar com o moreno — Porque essa sua obsessão idiota pelo Jimin o fez, em dois meses, chegar à um lugar que em dois anos não conseguimos. Você tem a solução para salvar o mundo, e é por isso que está aqui.


Jeon contraiu os lábios incomodado ao que Hoseok sabia de seus experimentos e, obviamente, aquilo não teria ficado apenas com o acastanhado, o que o fazia questionar-se quem mais sabia.


— Eu tenho a solução para salvar o Ji-


— Cala essa boca se for para falar dele novamente — pediu. — Estou falando de salvar mais de três bilhões de pessoas e você está preocupado apenas com uma?


— Porque essa uma — falou em deboche — é a única que me importa.


— Cansei de ser civilizado — sentenciou, aproximando-se rapidamente do corpo do cientista e o puxando pela camisa de força. Seu olhar queimava em fúria, mas uma fúria diferente da que estava nos olhos do Jeon. — Se você não cooperar conosco iremos dar fim de vez no Jimin.


— Você não faria isso — declarou falsamente confiante. Ele sabia que o Jung sempre fazia o que falava, por isso que, de certa forma, ele era o que menos falava do grupo.


— Arrisque.
 

. . .

 

— JungKook — chamou com a voz falha. — Estou com com medo.


Ele rapidamente envolveu seu namorado em um abraço enquanto normalizava a própria respiração, tanto para conseguir acalmar o outro, tanto para que eles não os escutassem. Jimin encolhia-se cada vez mais nos braços musculosos de seu amado, buscando refúgio nos mesmos, sabendo que o moreno sempre o protegeria.


Alguns sons puderam ser ouvidos vindo do andar de baixo. Jimin choramingou novamente, medroso. Jeon se atentou mais a cada detalhe, tentando fazer com que sua audição captasse mais do que apenas os murmúrios sôfregos do loirinho em seus braços. Precisava ouvir os resmungos deles, seus pés rastejando, o batuque no chão, ou qualquer coisa que o pudesse saber onde estavam.


Jeon apertou ainda mais o seu amado em seus braços, e com todo o cuidado, sussurrou apenas para este ouvir: — Precisamos sair daqui, amor.


Jimin segurou com força a blusa do namorado com as duas mãozinhas. Soltou o ar só para puxar com força, antes de poder falar algo sem que a voz saísse tão afetada pelo medo que sentia.


— E se não conseguirmos? — perguntou também baixinho.


— Nós iremos conseguir — respondeu com segurança, esta a qual duvidava realmente possuir. — Só temos que descer e correr para o carro. Está tudo pronto, não está?


Ele assentiu.


— Não tem motivos para temer agora, meu bem — disse JungKook, afagando os fios loiros e macios. — Eu prometi que iria te proteger de qualquer coisa no mundo — sorriu doce — e não estou disposto em quebrar essa promessa.


Park Jimin envolveu o pescoço do moreno, puxando-o e o abraçando o mais forte que conseguia. Com um biquinho trêmulo e a vontade de chorar quase falando mais alto, conseguiu dizer: — Eu confio em você, JungKookie.


Aquele momento era desesperador. Jeon JungKook sabia que o mínimo erro resultaria em sua morte, assim como a do Park, e ele não poderia deixar isso acontecer. Por outro lado, apesar de estar correndo esse risco, reconhecia que antigamente, no laboratório que trabalhava, correu ainda mais riscos de morte do que poderia contar. Todas aquelas fórmulas e experimentos, onde até mesmo a vírgula errada poderia pôr o prédio abaixo. Em sua cabeça, teve de juntar essas informações para que o seu subconsciente aceitasse que já viveu outros perigos, e que conseguiria lidar com o atual da mesma forma que lidava com todos os outros: com calma e inteligência.


Com Jimin mais calmo, era o momento exato em que teve para levantar-se do chão que antes estava sentado e puxar seu amado junto, segurando com segurança a mão do seu amado, enquanto os passos suaves eram dados até a saída do quarto. Jeon sentiu o coração dar uma pulsada mais forte quando com a mão livre tocou na maçaneta da porta e, droga, sabia que justamente aquela porta rangia, fazendo um barulho imensamente incômodo e inconveniente para o momento.


Respirou fundo. Não poderia recuar e muito menos demonstrar qualquer hesitação justamente quando precisava ser forte por ele e por seu namorado. E foi com esse pensamento que JungKook apertou a maçaneta e a girou devagar, ouvindo o pequeno estalo indicando que a porta estava aberta, e então, com calma, começou a puxá-la para si, abrindo-a de vez. O primeiro rangido veio breve, Jimin se assustou e colocou a mão livre na boca de imediato para abafar sua exclamação, sentindo um aperto mais firme na outra mão ao que JungKook tentava o passar conforto sem fazer uso de palavras.


Jeon esticou o pescoço para fora do quarto ao que havia aberto uma brecha — não o suficiente para conseguir passar, mas que conseguiria espiar o corredor sem correr riscos grandes —. Estava deserto, mesmo assim, o moreno engoliu em seco e abriu mais a porta, mas desta vez, ao menos, a porta não rangeu muito alto.


Em completo silêncio, ambos caminharam a passos calmos para o lado esquerdo do corredor, este iluminado por uma janela de vidro fechada que os revelava já estar no fim de tarde. JungKook olhou para trás de si, conferindo se não havia ameaças e como estava o Park, beijando a testa deste antes de se virar e seguir mais alguns passos, até que pudesse ter a escada ao seu lado direito.


Olhando para baixo, não avistou nada que não apenas um vaso velho e sem valor quebrado, com os cacos no chão bem ao pé da escada. Ambos, Jeon e Park, tinham certeza que não haviam sido eles a quebrar.


— Eu irei primeiro — avisou, virando-se para o loiro. — Vou conferir se não tem nada por perto e então você desce as escadas, tudo bem?


Mesmo relutante, pois Jimin não gostava de ver o moreno tão disposto a se sacrificar assim — pois o pior poderia acontecer e sua mente o traía o fazendo pensar sempre nas piores possibilidades —, ele assentiu, convencendo-se que o menor grunhido proferido por JungKook seria um pretexto bom o suficiente para o desobedecer e descer as escadas para conferir seu estado.


JungKook virou-se para descer as escadas, deixando transparecer um pouco do medo que sentia em sua face, e suspirou ao que já conseguia ter uma pequena visão do térreo e, aparentemente, não havia nada por ali. A porta da saída da residência estava a poucos metros de si. Olhou em volta e até mesmo no corredor atrás da escada, mas com um alívio constatou que estava livre. Estava prestes a chamar Jimin quando esqueceu de ver justamente por onde pisava e um caco de vidro do vaso quebrado conseguiu atingir seu pé, mesmo estando de tênis, e grunhiu com a dor causada.


O Park se alertou na hora, descendo as escadas rapidamente e sem cuidado, desesperado ao que pensava que seu amado estava sendo atacado, mas este apenas arregalou os olhos em sua direção e pediu silêncio. Seguindo o olhar do mesmo, virou-se lentamente, quase gritando ao que via, não muito longe deles, duas criaturas cheirando o ar, ainda desnorteados.


— Amor — começou, baixinho —, ande devagar e cuidado com os vidros.


Jeon segurou em sua mão e com calma o puxou. Ignorou ao máximo a dor latente que estava sentindo no peito de seu pé enquanto intercalava seu olhar em Jimin e naqueles monstros não muito longe deles.


Sua respiração estava tensa, como a de seu amado, ambos temendo serem descobertos. Foi quando pequenos estalos se fizeram no ambiente ao que Park Jimin estilhaça um pedaço de vidro. Tão baixinho os sons que eles acreditaram que aquelas criaturas não iriam ouvi-los, mas foi de imediato quando um deles virou a cara na direção dos namorados e, respirando fundo, os descobriu.


— Corre!


Foi tudo o que Jeon conseguiu dizer ao que puxava o loiro para a saída. Os resmungos atrás os arrepiavam, mas focados em sobreviver, não ousaram conferir a distância que estavam daqueles monstros, apenas correram como se a vida deles dependesse daquilo — e dependia —.


Com rapidez foi que saíram da casa e entraram no carro que estava na garagem, bem ao lado. Jimin logo tentou tomar seu posto de passageiro, mas antes, o moreno o puxou e o fez entrar no banco do motorista sem dar explicações, jogando a chave do carro em seguida e Jimin agilizou-se em se preparar para arrancar. Apenas quando JungKook já tinha conseguido entrar no banco do passageiro ao seu lado e o Park acelerado para bem longe daquela casa, foi que o moreno se preocupou em dar alguma explicação para o loirinho.


— Foi minha culpa — disse, grunhindo pela dor em seu pé que apenas se intensificou com a correria. — Algum pedaço de vidro perfurou o meu pé e eu percebi que um pouco de sangue já tinha escorrido para o chão — revelou. — Eles estavam sentindo o meu cheiro, então me desculpa, pois quase falhamos por minha falta de atenção.


O Park se assustou ao que via o namorado levantar o pé machucado, mostrando a ferida para si enquanto tentava arrancar um pedaço consideravelmente largo, mas não comprido, fincado no peito do seu pé. JungKook conseguiu tirar o vidro, mordendo o lábio inferior e soltando um baixo grunhido no processo, para depois rapidamente tirar o tênis e a meia para fazer um curativo decente. Ele jogou um pouco de água que continha em uma das garrafinhas que levavam e depois buscou o pacotinho com gazes e outro com ataduras, aos quais conseguiram encontrar após irem em uma farmácia por perto.


Jimin não sabia o que dizer sobre a situação de seu amado e, mesmo que não com a vida — e agradecia muito por isso —, não acreditava que o moreno havia se sacrificado por si, afinal, não era todos que conseguiam aguentar uma ferida daquela profundidade ainda forçando a mais para proteger outro. Naquele momento, Jeon JungKook não precisou dar sua vida pela a de Jimin, mas ambos sabiam que se fosse necessário, ele não hesitaria em a dar.


— Não foi sua culpa — disse finalmente. — Não precisa pedir desculpas.


Jeon o encarou por alguns segundos, o bastante para perceber o quanto seu loirinho estava se esforçando para não chorar ali mesmo e perder o foco da estrada. Ele estava assustado, com medo, e agora havia tomado a culpa pelo ferimento no pé do moreno, mas este não permitiria isso e sabia como podia o acalmar, o confortar e tirar aqueles pensamentos de culpa naquele instante.


— Eu te amo — proferiu com toda sua sinceridade, tocando nos fios loirinhos e logo afagando sua cabeça.


— Eu também te amo — correspondeu um pouco fraco, soltando um pequeno soluço que o deixou extremamente fofo na visão do moreno, este que não resistiu em deixar um beijo longo na bochecha cheinha do amado e dando vários beijinhos em seguida perto da nuca do mesmo, repetindo no intervalo a maior certeza de sua vida:


— Eu te amo.

 

. . .

 

Era um momento delicado para si. Receber os relatórios sobre aqueles que foram mortos no dia era horrível, isso ainda sabendo que nem todos podiam ser relatados por falta de informação. Naquele dia em específico, perderam três jovens que estavam em uma missão de reconhecimento e foram pegos de surpresa por um grupo daquelas criaturas horríveis.


Sua cabeça latejou e suspirou pelo cansaço. Fazia algum tempo que Jung Hoseok não se dava o descanso que seu corpo tanto precisava, mas era inevitável. Ele era o chefe daquele lugar e tinha de zelar por todos. Poderia não estar na frente da batalha, mas lutava de sua maneira, tentando garantir que todos tivessem forças para enfrentar os monstros que espalhavam-se pelo mundo ao mesmo tempo que tentava garantir a segurança de todos naquela fortaleza que construiu usando o prédio que antes era de um hospício conhecido. Hoseok queria garantir que independente do caos que estava o mundo, as pessoas ainda pudessem ter a esperança de que tudo iria melhorar e agora elas tinham um lar seguro para voltar.


— Mais trabalho? — perguntou Namjoon, adentrando a sala. — Não precisa responder, já me relataram também, e sei como fica afetado com cada um desses relatórios.


— O mais novo só tinha dezesseis anos — comentou, engolindo em seco.


— Sabe que isso é um risco que corremos.


Kim Namjoon aproximou-se do ruivo, colocando uma mão no ombro alheio, tentando o passar algum conforto.


— Já falei com as famílias, e os dei pêsames em seu nome também.


— Não — Arregalou os olhos. — Eu tenho que falar com as famílias, é o mínimo que posso fazer.


— O que você tem que fazer é se dar o descanso agora — disse firme. —, ou acha que pode liderar alguma coisa aqui estando com o corpo e a mente tão cansados? Se dê um tempo Hoseok, pois não quero receber em minha sala um relatório com o seu nome no meio.


Hoseok abaixou a cabeça engolindo o choro que o tomou. Já havia passado por tanta coisa, visto tantas mortes e sabendo delas também que às vezes se questionava como isso ainda o podia afetar tanto, mas era nesses instantes que conseguia sorrir verdadeiramente, pois lembrava-se de que não perdeu sua humanidade, que não deixou o medo e o instinto de sobrevivência falar mais alto dentro de si, e por isso ele podia ser um bom líder. Ele se preocupava e estava pronto para se sacrificar por qualquer um ali, mas o Kim tinha razão, ele não poderia fazer nada se estivesse desabilitado.


— Tentarei — suspirou. — Tentarei des—


Sua fala foi interrompida ao que alguém abria bruscamente a porta de sua sala. Logo um de seus homens, escolhidos para a segurança do local, revelou-se com uma cara tremendamente assustada alertando ambos os homens presentes na sala. Mas ambos não esperavam pelas palavras que saíram da boca do segurança:


— Ele fugiu.

 



Jeon tinha certeza de sua inteligência, e agora da burrice dos homens que deveriam o manter preso também. Foram três seguranças com a única missão de o deixar preso naquela sala toda branca — mesmo que um pouco suja — e em horários específicos o alimentar e o dar um remédio que nada mais servia do que um sedativo. E então havia chegado o horário em que tinha de ser ainda mais drogado para que não corresse o risco de tentar escapar quando os homens fossem o soltar da camisa de força para o dar banho — tudo ensinado devidamente pelo próprio chefe do local —, e mesmo assim, falharam. JungKook havia segurado o remédio no canto de sua boca enquanto fingia estar dopado e deixou-se ser carregado e sua camisa retirada, pois fora nesse instante que os três seguranças desviaram a atenção dele e ele então encontrou a oportunidade de correr. Para quem não se cuidava muito bem, Jeon JungKook poderia dizer com orgulho que ainda corria bem e despistou com um pouco de dificuldade aqueles homens tolos.


Estava preso naquele local há quase três semanas e não fora difícil descobrir que Hoseok havia deixado seu segurança de maior confiança em sua casa, cuidando de Park Jimin, e isso fez seu sangue ferver. Ele esperava que ninguém tivesse tocado no seu amado, pois senão seria obrigado a matá-los.


Sair do prédio do hospício fora fácil, logo estava no grande pátio, mas este era o pior, havia muitas pessoas por ali, principalmente homens armados. Jeon trincou os dentes, só para então perceber que ninguém que o via o reconhecia e então ele soube: Hoseok o manteve em segredo. Com essa carta na manga, tentou não parecer tão deslocado enquanto andava por entre tantas pessoas desconhecidas, e com o seu torso nu, sentia-se ainda mais estranho e despido diante de tantos olhares, mas disfarçou bem. Tanto que ninguém havia o descoberto, se não fosse um grito ao longe.


— Não o deixem escapar!


Era Hoseok. JungKook trincou os dentes e olhou em sua volta, vendo um jipe saindo da área de segurança, provavelmente alguém em missão de reconhecimento, e esta era sua oportunidade de ouro.


Correu como nunca até o jipe, este que estava parado ainda esperando os portões se abrirem. Jeon não estava muito longe, logo alcançou o carro, e com agressividade e rapidez, socou o motorista e o puxou para fora, pegando rapidamente a arma que havia escapado do cara e entrou no carro, dando partida sem olhar para trás. Acabou por levar um pedaço do portão consigo na arrancada brusca, mas não ligava, precisava ir até Park Jimin.

 


 

Não sabia quanto tempo havia se passado até que enfim conseguira chegar em sua casa. Havia perdido a noção de distância e tempo depois que saiu daquele hospício.


Tinha de ser rápido se quisesse ver seu amado novamente, pois era certeza que o Jung já estava a caminho dali também, pronto para tentar o capturar mais uma vez e o prender, alegando que ele era um louco e que deveria desistir de ajudar quem mais amava neste mundo todo, algo que jamais faria. JungKook era e é apaixonado por Park Jimin, ninguém pode dizer ao contrário.


Três meses antes de Hoseok achá-lo e prendê-lo, Jeon havia feito mais um experimento com uma das criaturas que havia capturado para ser mais uma de suas cobaias. O monstro era um homem que deveria ter sido morto aos seus vinte e poucos anos de idade, chamado por si de C-381 — com o C de cobaia, na esperança que o C virasse cura —. Com uma nova fórmula, JungKook havia injetado um líquido esverdeado que nada mais era do que mais uma tentativa de acabar com aquela enfermidade.


Jeon JungKook não saberia pôr em palavras o que sentiu, depois de dezessete dias que havia feito o experimento com o C-381, quando pelo cardiograma pôde ver mínimos sinais do batimento cardíaco da cobaia. Mas os corações dos monstros não batiam. Após mais doze dias, foi com satisfação que viu o aparelho mostrar 40 bpm (batidas por minuto) — o normal de uma pessoa dormindo —. A aparência da cobaia também passava a modificar, a pele ganhando mais vida e o corpo morno, completamente diferente da frieza de um morto. Era inacreditável, mas Jeon havia achado a cura.


Ele então agilizou-se, conseguindo a C-382, desta vez era uma cobaia mulher, e injetou o mesmo líquido que havia injetado na cobaia anterior. Os resultados foram os mesmos.


Movido pela esperança, fora quando se viu de frente para o seu amor, Park Jimin, tão opaco e sem vida, e injetou o líquido nele também. Passou noites rezando para um ser divino que só Jimin acreditava que existia, mas desesperado, Jeon recorreu a isso também. Porém, JungKook não ficou para saber se Jimin também se recuperaria. Jung Hoseok apareceu e o levou embora.


JungKook sabia que aquele segurança que estava vigiando sua casa jamais entraria em seu laboratório subterrâneo, afinal, também soube por conversas no corredor enquanto ainda estava trancado e preso na camisa de força, que o Jung havia preservado sua intimidade, dando ordens restritas que o segurança não ficasse explorando a casa, mas que garantisse que nada entraria, e nem saíria. Isso queria dizer que apenas Jung Hoseok sabia onde estava o Park.


Assim que abriu a porta de sua casa, deparou-se com o segurança sentado desleixadamente no meio do corredor, tomando algo que reconheceu ser vinho — e não fazia ideia onde o mesmo conseguiu —. Fora simples e rápido, JungKook atirou sem qualquer piedade e saiu a correr em direção ao seu laboratório, descendo as escadas quase saltitando, indo às pressas para sala onde estava seu namorado.


Ao longe ouviu um estrondo, vozes e barulhos de coisas se quebrando, era um sinal de que Jung havia chego e não estava sozinho, deveria ter trago uma cavalaria temendo os seus movimentos. Jeon ainda sim foi concentrado, e um pouco desesperado, até a sala que queria e abriu-a rapidamente, trancando-a em seguida.


Park Jimin estava, desta vez, com seu membros amordaçados em uma maca, fazendo-o ficar deitado, ao seu lado direito havia o cardiograma, e o coração de Jeon saltou forte ao ver o gráfico dos batimentos daquele que tanto amava.


 



— Vasculhem tudo e esqueça a ordem que antes dei — exclamou o ruivo. — Quero tudo isso revirado e qualquer informação será passada a mim!


Todos os seus homens se agilizaram, treinados para achar até mesmo aberturas secretas. Por outro lado, Jung Hoseok sabia para onde ir e com isso em mente, puxou Kim Namjoon e correu em direção aonde sabia ser o laboratório do moreno.


— Onde está indo?


— Encontrar o JungKook — respondeu simplesmente.


Kim e Jung desceram cautelosamente as escadas apesar de eufóricos para encontrar o cientista. Tinham de ser cuidadosos, pois da forma que conheciam o Jeon, não seria surpresa alguma se houvesse armadilhas pelo caminho, mas aparentemente, daquela vez, Jeon não havia as ativado.


Depararam-se com um comprido corredor, e apesar de tantas portas que poderiam abrir para explorar o local, a última, no final do corredor, era a única que tinha a luz acesa e com toda certeza seria onde estaria o cientista. Com este pensamento, Hoseok não demorou em aproximar-se do local, tentando enxergar pela janela o que dentro acontecia, mas nada podia ver.


— Eu sei que está aí, Jeon! — gritou. — Abra esta porta agora!


Tentaram mais um pouco, mas a resposta era sempre a mesma; o moreno não dava sinais de que iria cooperar.


— Vamos arrombar esta porta — disse Namjoon.


Ambos se prepararam e chutaram a porta com toda a força uma vez, duas vezes, três, quatro, e cinco. Na sexta tentativa a tranca se rompeu e a porta se abriu bruscamente, revelando um JungKook choroso, ajoelhado ao lado de um Jimin sem expressão facial, mas que encarava o moreno com um brilho no olhar extremamente familiar para todos ali, e segurava a mão do mesmo.


JungKook não podia acreditar, quer dizer, era bom demais aquilo e temia que não fosse verdade. Mas a confirmação que, sim, aquilo era real, e Jeon JungKook havia achado a cura para o mundo, fora dada:


— Ju — começou, a voz arranhada e fraca, mas com uma doçura característica. O moreno logo se alarmou, apertando mais a mãozinha de seu amor, enquanto não parava de olhar para os olhos agora vivos do mesmo. — JungKo-Kookie.

Jan. 28, 2019, 1:27 p.m. 0 Report Embed 0
The End

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Anne (miyosin) FICWRITER // "Escrevo para me encontrar, pois quando um homem não encontra a si mesmo, não encontra nada". // JM!Bottom <33 KookMin Forever

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